Ensino de Física para surdos: um estudo das teses e dissertações.
Michael De Oliveira Stavel, Fernanda Keila Marinho Silva, Tersio Guilherme De Souza Cruz
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2022
- Data
- 16/08/2022
- Linha de pesquisa
- 03 - Filosofia, História E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física / 11 - Equidade, Inclusão, Diversidade E Estudos Culturais E O Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## ENSINO DE FÍSICA PARA SURDOS: UM ESTUDO DAS TESES E DISSERTAÇÕES
## PHYSICS TEACHING FOR DEAF PEOPLE: A SURVEY ABOUT THESES AND DISSERTATIONS
## Michael de Oliveira Stavel 1 , Fernanda Keila Marinho Silva 2 , Tersio Guilherme de Souza Cruz 3
1 UFSCar/Departamento de Física, Química e Matemática/stavelmichael@estudante.ufscar.br 2 UFSCar/Departamento de Física, Química e Matemática/fernandakeila@ufscar.br 3 UFSCar/Departamento de Física, Química e Matemática/tersio@ufscar.br
## Resumo
Esta é a síntese dos resultados de um trabalho de conclusão de curso de licenciatura em física. Trata-se de um 'estado do conhecimento' acerca da produção acadêmica sobre o ensino de física para surdos nas duas primeiras décadas do século XXI. Para isso, fez-se um levantamento dos trabalhos presentes no catálogo de teses e dissertações CAPES e, posteriormente, procedeu-se à análise dos títulos e resumos destas teses e dissertações. Os resultados indicaram uma tendência de aumento da produção acadêmica com o passar dos anos, além da existência de 27 trabalhos, defendidos de forma distribuída nas cinco regiões do Brasil, que podem ser classificados em três enfoques temáticos, conforme também indicado por outros autores: 1) foco dado aos recursos didáticos; 2) foco no entendimento do processo de aprendizagem; 3) foco na sinalização em LIBRAS dos termos científicos.
Palavras-chave : Ensino de Física. Surdez. Estado do conhecimento.
## Abstract
This is a synthesis of the results from a degree in physics final paper. It is about 'state of knowledge' related to physics teaching for deaf peaple in the two first decades of the 21th century. For this purpose, a survey of the works presented in the CAPES theses and dissertations catalog was carried out and, subsequently, an analysis from titles and abstracts of these thesis and dissertations were made. The results suggest a trend of increasing academic production over the years. Furthermore, we found 27 works distributed in the five regions of Brazil, which can be classified into three thematic approaches, were also described by other authors: 1) related to teaching resources; 2) related to the understanding of the learning process; 3) related to communication in LIBRAS of scientific terms
Keywords : Physics Teaching. Deafness. State of knowledge.
## Introdução
O presente artigo é produto de um trabalho de conclusão de um curso de Licenciatura em Física e tem como preocupação principal apresentar um estudo do tipo "estado da arte" acerca do ensino de física para surdos. Os objetivos são: 1)
mapear a produção acadêmica, com foco nas teses e dissertações, no campo do conhecimento sobre o ensino de física para surdos e, 2) discutir sob quais condições de produção foram realizados e quais aspectos se destacam coletivamente, ou individualmente nestes trabalhos. Por tratar-se de trabalho de conclusão de curso e, portanto, possuir limitações de tempo para finalização, optou-se por realizar a análise de títulos e resumos de teses e dissertações encontradas no Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES.
Apesar da importância e atualidade do tema, considera-se que a educação inclusiva para pessoas com deficiência, de modo geral, é ainda pouco explorada. Há consenso de que um ensino centrado na oralidade e escrita do professor pode ser considerado inadequado para turmas inclusivas. A variedade de meios de comunicação torna-se útil para os diversos tipos de alunos presentes numa sala de aula, onde alguns modelos funcionarão melhor para um grupo de aluno do que para outros, podendo esta capacidade de conseguir realizar variações de comunicação ser considerada uma habilidade necessária ao professor. Cabe aqui menção de que para a educação dos surdos, o uso de tecnologias digitais de informação e comunicação podem auxiliar o processo de ensino aprendizagem, por disporem de recursos para representações visuais (RAUTENBERG, 2017).
Conforme levantamento iniciais sobre o tema, foi possível encontrar alguns trabalhos dedicados a levantamento sistemáticos sobre o ensino de física para surdos. Pereira e Matos (2017), por exemplo, apresentam um histórico partindo do ano de 2000 que apresenta como marco inicial do seu levantamento um material sobre concepções de conceitos físicos para pessoas com deficiência visual e posteriormente cita trabalho 'importantes' relacionados à surdez. Estes 'trabalhos' citados pelos autores, num total de oito, foram apresentações em simpósios, dissertações e artigos, fechando assim a seção que denominaram de 'breve estado da arte' (PEREIRA e MATTOS, 2017)
Em outros trabalhos (PICANÇO, TEIXEIRA e SERRANO, 2021); (SANTANA e SOFIATO, 2018); (SILVA e CAMARGO, 2020), observa-se similaridades com o objeto de estudo, com a metodologia e, consequentemente, com a preocupação do tema central deste presente. Isso demonstra a tentativa da área de ensino de física de, cada vez mais, entender e produzir conhecimento acerca da educação e do ensino desta ciência para surdos.
## Metodologia
A fim de mapear e compreender a situação da produção acadêmica referente ao ensino de física para surdos, foram realizadas buscas no Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES , de modo a tentar encontrar todos os trabalhos existentes 1 que abordem tal tema, para então ser realizado a leitura de seus dados bibliográficos e seus resumos. Tal busca, e posteriormente leituras iniciais, possibilitaram que os trabalhos encontrados fossem classificados de diversas maneiras a fim de realizar análises comparativas, além de possibilitar discussões sobre a produção acadêmica da área no geral, verificar se há tendências de pesquisa, se há regiões em destaque na pesquisa, se há programas que se destacam na pesquisa, etc.
Foram realizadas exatamente três 'buscas' no Catálogo de Teses e Dissertações CAPES. O campo de pesquisa foi preenchido respectivamente das seguintes formas: 1º - 'ENSINO, AND FÍSICA, AND LIBRAS'; 2º - 'FÍSICA, AND LIBRAS' e 3º -'FÍSICA, AND SURDOS, OR SURDO, OR SURDEZ, OR DEFICIÊNCIA AUDITIVA'. Durante cada busca, após apresentar-se os 'resultados', teve início uma etapa de seleção de trabalhos, já que muitos dos trabalhos localizados pelo mecanismo de busca do site eram de temas de não interesse, como por exemplo 'EDUCAÇÃO FÍSICA'. Para as 2ª e 3ª buscas também houve o cuidado de remover os trabalhos dentro do tema que já haviam aparecido nas buscas anteriores.
## Resultados
Foram selecionados 27 trabalhos, que têm suas informações bibliográficas apresentadas no quadro 1, juntamente do número que será utilizado para identificar esta tese ou dissertação neste estado do conhecimento, na coluna 'N.º', crescente conforme ordem de localização nas buscas. Esta coleta de dados ocorreu no dia 27 de julho de 2021.
Quadro 1: Resultado do levantamento conforme metodologia descrita.
- 15 COZENDEY, S. A Libras no ensino de leis de Newton em uma turma inclusiva de ensino médio. Tese (doutora em Educação Especial) - Centro de Educação e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Carlos. São Carlos, p.149. 2013.
- 16 ALVES, F. A produção de sinais em Libras sobre os conceitos relacionados ao tema magnetismo a partir de um conjunto de situações experimentais. Tese (doutor em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo. São Paulo, p.255. 2017.
- 17 OLIVEIRA, V. O ensino do som como conteúdo de física para alunos surdos: um desafio a ser enfrentado. Dissertação (mestre em Educação) - Centro de Educação, Comunicação e Artes, Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Cascavel, p.147. 2017.
- 18 GASPARIN, C. As percepções dos intérpretes de Libras sobre a influência dos seus conceitos de física na sua prática profissional. Dissertação (mestre em Educação) - Universidade da Fronteira Sul. Chapecó, p.143. 2019.
- 19 PICANÇO, L. O ensino de óptica geométrica por meio dos problemas de visão e as lentes corretoras: uma unidade de ensino no contexto da educação inclusiva para surdos. Dissertação (mestre em Ensino de Física) - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazona, Universidade Federal do
- Amazonas. Manaus, p.187. 2015. 20 LIMA, M. Ensino de Cinemática para a comunidade surda. Dissertação (mestre em Ensino de Física) Departamento de Física, Universidade Federal de Rondônia. Ji-Paraná, p.126. 2015.
- 21 RESENDE, L. Inclusão de deficientes auditivos no ensino médio: inserção de atividades demonstrativas no ensino de Física. Dissertação (mestre em Ensino de Ciências) - Centro de Ciências Exatas e Tecnologia, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Campo Grande, 2014.
- 22 CALDAS, G. Atividades experimentais de acústica para o ensino de física: uma proposta de inclusão de surdos. Dissertação (mestre em Ensino de Física) - Universidade Federal do Pará. Belém, p.132. 2017.
- 23 RODRIGUES, S. Vídeo Bilíngues: Ensino das Leis de Newton para estudantes surdos e ouvintes. Dissertação (mestre em Ensino de Física) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tramandaí, p.246. 2020.
- 24 LOURENÇO, R. O ensino da eletricidade através da dinâmica dos três momentos pedagógicos: uma proposta para inclusão de alunos surdos. Dissertação (mestre em Ensino de Física) - Instituto de Ciências Exatas, Universidade Federal Fluminense. Volta Redonda, p.124. 2020.
- 25 AGUIAR, A. Uma sequência didática de introdução a cinemática para alunos surdos e ouvintes em uma classe regular de ensino. Dissertação (mestre em Ensino de Física) - Instituto Federal do Espírito Santo. Cariacica, p.164. 2020.
- 26 BOTAN, E. Ensino de Física para surdos: três estudos de casos da implementação de uma ferramenta didática para o ensino de cinemática. Dissertação (mestre Ensino de Ciências Naturais) - Instituto de Física, Universidade Federal de Mato Grosso. Cuiabá, p.250. 2012.
- 27 PORTO, K. Avaliando o entendimento de estudantes surdos e ouvintes de ensino médio sobre cinemática em um contexto de educação inclusiva. Dissertação (mestre em Ensino, Filosofia e História das Ciências) - Universidade Federal da Bahia, Universidade Estadual de Feira de Santana. Salvador, p.142. 2014.
No primeiro levantamento, de 65 trabalhos encontrados pelo mecanismo, 17 eram de fato do tema em análise, no segundo de 98 trabalhos encontrados, 18 eram de fato do tema (17 já encontrados pela primeira busca) e na terceira de 154 trabalhos, somente 23 eram de fato do tema (14 já encontrados pelas buscas anteriores). Sendo assim, temos respectivas precisões de 26,15%, 18,36% e 14,93% para cada um dos levantamentos. A fins comparativos, com foco no período entre 2007 e 2017, a partir desta metodologia, foram localizados 20 trabalhos, destes, 19 estão presentes no levantamento feito por Silva e Camargo (2020), que localizaram um total de 22 teses e dissertações.
Há a chance destes três trabalhos terem sido localizados por nossa busca, porém julgados como não pertencentes ao tema de interesse, ensino de física para surdos, já que parecem estar voltados ao ensino fundamental, momento educacional em que a física é trabalhada de forma indireta, difundida na disciplina de Ciências. Com relação ao trabalho que não entrou como objeto de estudo no trabalho de Silva e Camargo (2020), há o risco de ter sido publicado após o levantamento feito por eles, já que é um trabalho de 2017, último ano do período por eles analisado. Além dos 19 trabalhos em comum e do trabalho de 2017 já citado, apresentamos outras 7 produções acadêmicas defendidas a partir de 2018, complementando e atualizando assim o trabalho realizado pela dupla.
## Análise temporal e local da produção acadêmica em questão
A representação gráfica a seguir aproxima-se da realizada por Silva e Camargo (2020, p. 258). A mesma possibilita a observação do aumento do número de trabalhos publicados na segunda década do século XXI.
Gráfico 1: Número de trabalhos publicados por ano conforme a titulação
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É possível notar uma tendência crescente quando tratamos unicamente do mestrado profissional. Torna-se válida então a menção à recente história de criação do Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física (MNPEF), sendo este um programa de pós-graduação strictu sensu , focado na especialização e capacitação de professores de Física do Brasil. Este programa teve o início de suas atividades em agosto de 2013, com 21 polos, passando para 45 polos em 2015 e atualmente possui aproximadamente 60 polos . Outro fator que, possivelmente, colabora com o aumento 2 da produção envolve os avanços provenientes das lutas da comunidade surda em busca de seus direitos e, também, a inclusão da disciplina de Libras nos cursos de licenciatura, conforme estipularia o Decreto nº 5.626 de 2005.
Ainda sobre os programas de pós-graduação, vale observar o Gráfico 2:
Gráfico 2: Título defendido/Área do programa de pós-graduação
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É gritante a diferença entre a quantidade de trabalhos de mestrado se comparada a de doutorado, o que parece corroborar a hipótese. Conforme a parte direita do gráfico 2 exibe, fica evidente a baixa concentração de trabalhos que tratam da física para surdos em programas de pós-graduação em educação e educação especial. Isto pode sugerir a real urgência que se havia em inserção da disciplina de Libras nos cursos de licenciatura em física, já que seria a partir deste contato inicial com a língua de sinais, na licenciatura, que levariam licenciados em física desenvolverem trabalhos sobre o ensino de física para surdos nos programas de pósgraduação.
Gráfico 3: Distribuição conforme as regiões brasileiras/Sexo biológico do autor
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Com relação ao contexto local de produção destas teses e dissertações, evidente a predominância do sudeste, o que não é característica própria da área analisada, já que no Brasil a distribuição geográfica das instituições de ensino superior se dá de maneira bem desequilibrada. Conforme um levantamento realizado em 2006, é possível entender a posição de destaque do Sudeste, seguido pela região Sul, Nordeste e Centro-Oeste (MOURA e SÁ, 2006). A região Norte, empatada com a região Sul no número de publicações, em segundo lugar, é uma surpresa, já que em 2006 possuía o menor número de cursos de mestrado e doutorado do país. A explicação de tal feito pode se dar pelo recém surgimento do MNPEF, fazendo com que esta região se destacasse também na produção acadêmica analisada.
Para estudo da distinção sexual entre os autores, partindo do nome do autor, e eliminando autores que defenderam o mestrado e o doutorado no mesmo período, teremos 25 autores, do sexo masculino e feminino, distribuídos conforme a parte direita do gráfico 3 expressa. Tais dados evidenciam uma vantagem não significante no número de publicações por autores homens. Porém, é de se problematizar se há uma igualdade entre o número de homens e mulheres na pós-graduação em ensino de física. Conforme dados do Censo Escolar de 2020, as mulheres representam 57,8% do total de docentes do ensino médio , porém, a física aparente ser uma área 3 que não segue tal padrão. Conforme Vizzotto (2021), a predominância de licenciandos em Física é de estudantes do sexo masculino, numa taxa de 70,9%. Ambos os dados nos levam a entender a área do ensino de física num contexto inclusivo como um meio termo entre estas discrepantes realidade para os dois sexos, algo também explorado por Oliveira (2021, p. 53).
## Classificações temáticas da produção acadêmica em questão
A fim de buscar colaborar com Silva e Camargo (2020), a partir deste momento, nos dedicaremos à classificação temática dos trabalhos inéditos no levantamento feito em 2020 pela dupla, sendo estes os trabalhos identificados no quadro 1 como 'N.º': 3, 6, 10, 14, 18, 23, 24 e 25; conforme os três enfoques temáticos por eles identificados, mantendo os resultados apontados pelos autores para os demais trabalhos.
Como principais justificativas para alocação de trabalhos no enfoque temático 'recursos didáticos' Silva e Camargo (2020, p. 265) indicam a implementação de atividades com foco na experimentação, uso de sequência didática, produção de materiais didáticos, uso de simulações e estratégias de ensino em geral. Tais características estão presentes nos resumos dos trabalhos 6, 10, 23, 24 e 25. Para
- Português (Brasil) (www.gov.br)>. Acesso em 02 de fevereiro de 2022.
classificação do trabalho 6, faz-se uso de videoaulas elaboradas com aplicativos de tradução simultânea, juntamente com a entrega de um tutorial que auxilia professores a elaborarem suas próprias aulas. No trabalho 10 aplicou-se uma sequência de atividades seguida de experimentações, além da construção de um manual de ensino e de 'objetos simuladores'. No trabalho 23, fazendo uso de vídeos bilíngues foi feita uma implementação didática, juntamente com aplicação de um jogo de tabuleiro. No trabalho 24 foi desenvolvido uma sequência didática, além de disponibilizar como um de seus produtos um 'hipervídeo' de fácil acesso. No trabalho 25 é apresentada uma sequência didática envolvendo experimentos.
Para alocação do enfoque temático 'processos de ensino aprendizagem', os resumos devem conter indícios de uma exploração sobre as dificuldades e possibilidades que os alunos surdos e/ou professores encontram no contexto educativo (SILVA e CAMARGO, 2020, p. 267). No trabalho 14 é citado o objetivo de investigar o processo de ensino e aprendizagem com foco no trabalho do professor e intérprete. No trabalho 18 o foco é voltado totalmente a percepção do intérprete sobre os conceitos de física. No trabalho 3 é citado a realização de uma análise sobre a maneira como estudantes surdos e ouvintes argumentavam sobre situaçõesproblemas, enquadrando-o assim no terceiro enfoque temático, porém também é citado a elaboração e aplicação de uma sequência didática, algo que o enquadraria também no primeiro enfoque 'recursos didáticos', evidenciando uma intersecção de enfoques temáticos, conforme grifo amarelo no quadro 3.
Quadro 3: Distribuição dos trabalhos conforme os enfoques temáticos.
Estipulando um peso de 2 pontos por enfoque temático à trabalhos classificados em uma única categoria e um peso de 1 ponto por enfoque àqueles que apresentaram intersecções, tem-se finalmente o gráfico 4 que nos dá uma ideia da distribuição destes 27 trabalhos sobre o ensino de física para surdos conforme os enfoques temáticos apontados por Silva e Camargo (2020).
Gráfico 4: Distribuição dos trabalhos conforme o enfoque temático
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Tais dados apontam que a grande preocupação dos pesquisadores que desenvolveram suas teses e dissertações na área concentrou-se no desenvolvimento, aplicação e relato de experiências envolvendo ferramentas didáticas que auxiliam professores que atuam com alunos surdos e/ou com deficiência auditiva.
## Considerações finais
Foi possível observar que dos 27 trabalhos acadêmicos produzidos desde 2007, há o entendimento de que a educação bilíngue é tida como ideal e a Libras assume o papel de língua oficial do indivíduo. Considera-se que pessoas surdas ou com deficiência auditiva formularão pensamentos e aprendizados a partir da sua vivência, da forma como se comunicam com o mundo. Ou seja, há princípios culturais próprios dessa comunidade, que devem ser respeitados e explorados para resultados promissores. Isso vale para o ensino de ciências de modo geral.
Vale mencionar que uma das preocupações centrais observada nos dados refere-se à preocupação com a inclusão de pessoas surdas e isso pode ter impulsionado a confecção de produtos e recursos didáticos voltado a um ensino mais abrangente, inclusivo.
## Referências
MOURA, A. L. A.; SÁ, L. A. C. M. Distribuição Espacial dos Programas de PósGraduação do Brasil . Anais - III Simpósio Regional de Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto. Aracaju: [s.n.]. 2006. p. 6.
OLIVEIRA, F. G. O desenvolvimento profissional docente a partir do Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física . UNICAMP. Campinas, p. 218. 2021.
PEREIRA, R.; MATTOS, D. Ensino de física para surdos: carência de material pedagógico específico. Espacios , v. 38, n. 60, p. 24, 2017. ISSN 0798 1015.
PICANÇO, L. T.; TEIXEIRA, L.; SERRANO, A. O ensino de Física para Surdos: o Estado da Arte da Pesquisa em Educação. Revista Brasileira de Educação Especial , Bauru, v. 27, n. 0123, p. 391-410, janeiro-dezembro. 2021.
SANTANA, R. S.; SOFIATO, C. G. O estado da arte das pesquisas sobre o ensino de Ciências para estudantes surdos. Práxis Educativa , Ponta Grossa, v. 13, n. 2, p. 596616, agosto. 2018. ISSN 10.5212.
SILVA, M. R.; CAMARGO, E. P. Estado do Conhecimento no Ensino de Física para Alunos Surdos e com Deficiência Auditiva: Incursão nas Teses e Dissertações Brasileiras. Revista de Educação em Ciência e Tecnologia , Florianópolis, v. 13, n. 1, p. 251-275, maio. 2020. ISSN 10.5007-1982-5153.
VIZZOTTO, P. A. Um panorama sobre as licenciatura em Física do Brasil: Análise descritiva dos Microdados do Censo da Educação Superior do INEP. Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 43, n. 20200376, p. 12, 2021.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.