O ENSINO DE ASTRONOMIA E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES - UM LEVANTAMENTO A PARTIR DE DOIS BANCOS BRASILEIROS DE TESES E DISSERTAÇÕES
Amauri José Da Luz Pereira, Marcos Rincon Voelzke
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2022
- Data
- 16/08/2022
- Linha de pesquisa
- 02 - Formação E Prática Profissional Do Professor De Física / 01 - Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## O ENSINO DE ASTRONOMIA E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES UM LEVANTAMENTO A PARTIR DE DOIS BANCOS BRASILEIROS DE TESES E DISSERTAÇÕES
## THE TEACHING OF ASTRONOMY AND THE TRAINING OF TEACHERS - A SURVEY BASED ON TWO BRAZILIAN BANKS OF THESES AND DISSERTATIONS
Amauri José da Luz Pereira 1 , Marcos Rincon Voelzke 2
- 1 Universidade Cruzeiro do Sul / Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática, amaurijlp@yahoo.com.br
- 2 Universidade Cruzeiro do Sul / Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática, mrvoelzke@hotmail.com
## Resumo
A partir da segunda metade do século passado o Ensino de Astronomia tem sido foco de pesquisas tanto em âmbito nacional quanto internacional. Seguindo essa tendência, o presente trabalho pretende apresentar um mapeamento de teses e dissertações na área da Ensino de Astronomia com ênfase na formação de professores nessa área específica de conhecimento, compreendendo desde o primeiro registro, datado de 1973 até outubro de 2021, totalizando 387 trabalhos sendo destes 338 dissertações e 49 teses, a partir de dois Bancos de Teses e Dissertações na área, que foram o Banco de Teses e Dissertações sobre Educação em Astronomia (BTDEA) e a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD). Houve a aplicação um filtro com foco temático em Ensino em Astronomia e formação de professores e dele, 14 trabalhos foram separados para uma apuração mais pormenorizada. Fazendo uma análise qualitativa dos trabalhos selecionados, foi possível verificar as abordagens de Ensino de Astronomia na formação de docentes tanto durante suas graduações, quanto em iniciativas de formações continuadas. O baixo número de iniciativas nessa linha, frente as dimensões continentais do Brasil, abrem possibilidades para muitas outras iniciativas dessa abordagem seja para a disseminação da Educação em Astronomia seja para a fomentação de pesquisas futuras a serem propostas a partir dessa temática.
Palavras-chave : Ensino, Astronomia, formação de professores
## Abstract
From the second half of the last century onwards, Astronomy Education has been the focus of research both nationally and internationally. Following this trend, the present work intends to present a mapping of theses and dissertations in the area of Astronomy Teaching with an emphasis on teacher training in this specific area of knowledge, ranging from the first record, dated from 1973 to October 2021, totaling 387 works of these, 338 dissertations and 49 theses, from two Banks of Theses and Dissertations in the area, which were the Bank of Theses and Dissertations on Education in Astronomy (BTDEA) and the Digital Library of Theses and Dissertations (BDTD). A filter was applied with a thematic focus on Teaching in Astronomy and teacher training and from it, 14 works were separated for a more detailed
investigation. Making a qualitative analysis of the selected works, it was possible to verify the approaches of Teaching Astronomy in the training of teachers both during their graduations and in initiatives of continuing education. The low number of initiatives in this line, given the continental dimensions of Brazil, open possibilities for many other initiatives of this approach, whether for the dissemination of Education in Astronomy or for the promotion of future research to be proposed based on this theme.
## Keywords : Teaching, Astronomy, training of teachers
## Introdução
No Brasil, de acordo com o Banco de Teses e Dissertações sobre Educação em Astronomia (BTDEA), organizado pelo Prof. Dr. Paulo Sérgio Bretones, junto ao Departamento de Metodologia da Universidade Federal de São Carlos (DME/UFSCAR), a primeira contribuição nesta área de pesquisa, datada de 1973, foi a tese do Prof. Dr. Rodolpho Caniato 'Um Projeto Brasileiro para o Ensino de Física' onde é ressaltada a importância de se ensinar a Astronomia.
- O Ensino de Astronomia tem crescido consideravelmente nas pesquisas brasileiras. Langhi e Nardi (2009) destacam este panorama embasados nas seguintes categorias: educação básica, graduação e pós-graduação, extensão, pesquisa, popularização midiática, estabelecimentos de ensino, materiais didáticos. No que tange a pesquisa, os autores afirmam que nas últimas décadas foi observado um crescimento de 61% em dissertações e teses até o ano de 2008. Ferreira e Voelzke (2012) complementam essa informação evidenciando que a partir do ano de 1996 passou a existir uma expansão da área, no que diz respeito à defesa de dissertações e teses
Tendo em vista que a área de Educação em Astronomia está em desenvolvimento, este trabalho está guiado pela seguinte problemática: quais as tendências da formação de professores no Ensino da Astronomia? Mediante ao exposto, o objetivo central é apresentar os resultados de um mapeamento sobre o Ensino de Astronomia e formação de professores disponíveis em teses e de dissertações na área de Educação em Astronomia disponíveis no Banco de Dados de Teses e Dissertações sobre Educação em Astronomia (BTDEA) do Departamento de Metodologia de Ensino da Universidade Federal de São Carlos (DME/UFSCAR) e também na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), organizado e mantido pelo Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovações do Brasil.
## Encaminhamentos Metodológicos
A fim de cumprir com o objetivo traçado de buscar características e tendências do Ensino de Astronomia com ênfase em formação de professores, a partir de teses e dissertações na área, foi realizado um mapeamento de dois bancos de depósitos desses trabalhos no Brasil. Esse tipo de pesquisa se constitui em uma análise descritiva e qualitativa da produção em uma determinada área (TEIXEIRA; MEGID NETO, 2006).
Como a data final do mapeamento proposto foi outubro de 2021, e o (BTDEA) está atualizado somente até o ano de 2018, houve a necessidade de se buscar em outros bancos de teses e dissertações por trabalhos. A opção que melhor
atendeu às necessidades da pesquisa foi a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), que complementou o período necessário à busca pretendida entre 2019 e outubro 2021.
Os dados foram organizados em planilhas com tabelas e dessas geradas gráficos quantitativos com aspectos considerados relevantes para a pesquisa a partir das características apresentadas das teses e dissertações levantadas.
Com a finalidade de refinar ainda mais a busca utilizou-se como filtro ainda o recorte temporal atualizado em ambos os bancos entre 1973 e 2021 e os termos: Ensino de Astronomia, e formação de professores, em ambos os bancos de teses e dissertações pesquisados.
A classificação e organização dos dados apresentados nas Tabelas 2 e 3 o Figuras 3 e 4, basearam-se na Análise de Conteúdo de Bardin (1977) com a finalidade de estabelecer a orientação, interpretação, categorização e análise dos dados.
As categorias de análise da pesquisa, que segundo Bardin (1977, p. 117) emergem por meio de uma 'operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento segundo o gênero (analogia), com os critérios previamente definidos'. Aplicando essa orientação, foi possível obter o público alvo e foco temático de todos os 387 trabalhos.
Para refinar ainda mais o mapeamento e buscar efetivamente trabalhos voltados ao Ensino de Astronomia que também focassem na temática a formação de professores inclusive, aplicou-se, em ambos os bancos, os termos 'Ensino de Astronomia' (entre aspas) acrescido do operador booleano ' and' e do termo, também entre aspas 'formação de professores' que reduziu dos 387 trabalhos iniciais para 14 trabalhos listados no Quadro 1.
## Resultados
De posse da lista número total de instituições e trabalhos a serem pesquisados, levando em consideração o período proposto, o primeiro resultado buscado foi o de quantificar a quantidade de trabalhos publicados por ano, a fim de se traçar um perfil de como vem evoluindo o Ensino de Astronomia no Brasil. A Figura 1 traz o resultado da tabulação desses dados.
Figura 1. Distribuição anual de Teses e dissertações em Ensino de Astronomia. Fonte: os autores
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Fazendo uma análise quantitativa dos dados é possível verificar que a área foi muito insipiente durante as três primeiras décadas, com um número exíguo de trabalhos até os anos 2000. A partir de 2005 as publicações se intensificaram tendo o seu apogeu em 2017 com 54. A partir daí sofre uma queda notória, em especial nos anos de 2020 e 2021, muito provavelmente correlacionada à Pandemia do COVID19 que confinou o mundo nesse período
Outro dado possível de se extrair dos levantamento foi a distribuição de trabalhos por rede de ensino. Para isso houve a separação das instituições que possuem programas de pós-graduação e tiveram teses e/ou dissertações defendidas ao longo do período de abrangência dessa pesquisa (1973-2021). Para efeito de categorização as instituições foram classificadas em Federais, Estaduais e Privadas de acordo com suas vinculações mantenedoras. A Tabela 1 lista esse levantamento:
Tabela 1. Computo total dos trabalhos pesquisados
Figura 2. Números percentuais de trabalhos por rede de ensino Fonte: os autores
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A Figura 2 evidencia a supremacia das instituições públicas federais nas pesquisas levantadas, haja visto que apesar de serem em número muito inferior às instituições privadas, elas são detentoras da maior parte dos programas de pósgraduação stricto sensu do Brasil.
Nas Tabelas 2 e 3 e nas Figuras 3 e 4 estão apresentados os dados quantitativos relativos ao público alvo e do foco temático respectivamente:
Tabela 2. Público alvo encontrado nas teses e dissertações levantadas na pesquisa
total
387
100,00
Figura 3. Números percentuais do público alvo das teses e dissertações pesquisadas Fonte: os autores
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Tabela 3. Foco temático das teses e dissertações levantadas na pesquisa Fonte: os autores
Figura 4. Números percentuais do foco temático das teses e dissertações pesquisadas Fonte: os autores
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Todos os dados relativos ao público alvo e o foco temático foram obtidos a partir de um fichamento baseado em Bardin (1977) de todos os trabalhos a partir da leitura do resumo e das palavras chave de todos os trabalhos. Como exemplo do público alvo 'Comunidade em geral' foram classificados trabalhos de Ensino de Astronomia voltados a todos níveis de ensino sem especificar nenhum deles. No público alvo classificado como 'Sem público alvo', foram consideradas dissertações e teses que tratavam do Ensino de Astronomia sem levar em consideração uma comunidade ou nível de Ensino a ser atendidos pela pesquisa. As Tabelas 2 e 3 e Figuras 2 e 3 resultaram da organização desse fichamento.
A partir da Tabela 2 e da Figura 3 é possível verificar que as pesquisas sobre Ensino de Astronomia se concentraram, na sua grande maioria no que concerne ao público alvo, em alunos e professores da Educação Básica, já que a soma de seus índices percentuais contempla 63,83%, de todos os trabalhos.
Da Tabela 3 e da Figura 4 é possível extrair que o foco temático principal das teses e dissertações selecionadas na pesquisa tiveram em recursos didáticos a sua maior concentração com um percentual de 20,41% dos trabalhos. Já a correlação do Ensino de Astronomia e a formação de professores foi a que apresentou menor índice com 3,62% dos trabalhos, que corresponde a 14 trabalhos, número igual ao dos trabalhos em Etnoastronomia.
No Quadro 1, há apresentação dos 14 trabalhos que resultaram da aplicação dos filtros 'Ensino de Astronomia' e 'formação de professores' em ambos os bancos de Teses e Dissertações consultados. É possível observar que as pesquisas abordando esses focos temáticos surgiram somente após os anos 2000.
Fonte: os autores
Todos os trabalhos listados no Quadro 1 foram lidos na integra e de forma geral conforme evidenciado por esses pesquisadores nacionais, existem diversos problemas relacionados ao seu Ensino da Astronomia. Quando debate sobre esse tema, 'a tendência do professor é sentir-se no papel de vítima ou de culpado' (BRETONES, 2006, p. 3). Bem como estudado por (IACHEL, 2009, p. 14), a Astronomia na Educação Básica 'praticamente não existe ou apresenta deficiências, além dos professores não conhecerem adequadamente os conteúdos que devem ser ministrados, de maneira ainda a apresentar concepções alternativas que não condizem às aceitas como corretas pela ciência'. Para que os processos de ensino e de aprendizagem aconteçam com maior qualidade, são necessárias alterações na formação docente, buscando elementos formativos de maneira que haja formação continuada que forneça subsídios para a construção da autonomia docente (LANGHI, 2009).
## Considerações Finais
Ao longo de todo os mapeamento que resultou nesse trabalho, foi possível verificar que o Ensino de Astronomia se dá ao longo da Educação Básica e o Professor de Física está entre os mais requisitados para abordagem dessa temática em sala de aula.
Na sua grande maioria, as Licenciaturas em Física no Brasil não dispõem em sua estrutura curricular de disciplinas específicas para formar os professores para a Ensino de Astronomia, sendo poucas também as iniciativas de formação continuada oferecidas aos graduandos em Física nas suas respectivas licenciaturas.
A pandemia COVID19 provocou uma queda considerável e significativa do número de teses e dissertações ao longo do período avaliado o que revela que, o isolamento social, imposto pelo necessário distanciamento, também escasseou as pesquisas nessa área que depende do funcionamento regular tanto da Academia quando das Escolas de Educação Básica para acontecer.
Há ainda muitas perguntas em aberto e um campo fértil para um crescimento significativo haja visto que, em 48 anos de pesquisas na área, o número total soma apenas 387 trabalhos e muitas outras possibilidades advirão das implementações sugeridas pelos documentos oficiais notadamente a Base Nacional Comum Curricular, conforme destaca Ramos e Carvalho (2020).
## Referências
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977
BRETONES, P. S. A astronomia na formação continuada de professores e o papel da racionalidade prática para o tema da observação do céu . Tese de doutorado em Geociências - Instituto de Geociências, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2006
FERREIRA, Orlando Rodrigues; VOELZKE, Marcos Rincon. Análise do bando de dados de teses e dissertações do DME/UFSCar sobre Educação em Astronomia. Anais do Encontro de Produção Discente PUCSP/Cruzeiro do Sul . São Paulo. p. 1-12. 2012
IACHEL, G., Um estudo exploratório sobre o ensino de Astronomia na formação continuada de professores . 2009. Dissertação (Mestrado em Educação para a Ciência). Faculdade de Ciências, UNESP, Bauru, 2009
LANGHI, Rodolfo; NARDI, Roberto. Ensino de Astronomia no Brasil: educação formal, informal, não formal e divulgação científica. Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 31, n. 4, 4402, 2009
RAMOS, João Eduardo Fernandes; CARVALHO, Tassiana Fernanda Genzini. A BNCC e o Ensino de Astronomia: O que muda na sala de aula e na formação de professores. Revista Currículo e Docência , v. 02, n. 2, p 83-101,2020
TEIXEIRA, Paulo Marcelo Marini; MEGID NETO, Jorge. Investigando a pesquisa educacional : um estudo enfocando dissertações e teses sobre o ensino de biologia no brasil. Investigações em Ensino de Ciências. v. 11(2), pp. 261-282, 2006
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