O PRINCÍPIO DA HISTÓRIA EFEITUAL COMO POSSIBILIDADE DE COMPREENSÃO DE SABERES DE POVOS ORIGINÁRIOS DO BRASIL
Deyvid José Souza Santos, Thaís Cyrino De De Mello Forato, José Alves Da Silva
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2022
- Data
- 16/08/2022
- Linha de pesquisa
- 03 - Filosofia, História E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## O PRINCÍPIO DA HISTÓRIA EFEITUAL COMO POSSIBILIDADE DE COMPREENSÃO DE SABERES DE POVOS ORIGINÁRIOS DO BRASIL
## THE PRINCIPLE OF EFFECTIVE HISTORY AS A POSSIBILITY OF UNDERSTANDING THE KNOWLEDGE OF PEOPLE ORIGINATING IN BRAZIL
## Deyvid José Souza Santos 1 , Thaís Cyrino de Mello Forato 2 , José Alves da Silva 3
1 Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática - UNIFESP, deyvid.jose@unifesp.br
- 2 Departamento de Ciências Exatas e da Terra - UNIFESP, thais.forato@unifesp.br
## Resumo
Propomos uma reflexão sobre o processo de interpretação de fontes históricas visando a posterior criação de narrativas para o ensino, tendo como base a hermenêutica filosófica de Gadamer, de modo a respondermos à seguinte questão: como reconhecer os diferentes valores envolvidos na produção de fontes históricas primárias e secundárias, a partir dos horizontes interpretativos de sujeitos, visando uma análise que reconheça nossa própria historicidade/lente cultural neste processo? Para tanto, reconhecemos que a historiografia contemporânea das ciências aponta para um conjunto de fatores que influenciam a análise de conhecimentos históricos científicos e metacientíficos. Discorremos sobre o modo como esse princípio nos apoiou no processo de interpretação e subsequente criação de uma narrativa histórica, na forma de um texto com fins didáticos, sobre a astronomia Tupinambá nos seiscentos, com o qual buscamos contribuir para a formação de docentes de ciências propondo uma discussão baseada na Astronomia nas Culturas, considerando também a Lei 11.645/2008, que tornou obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena no âmbito de todo o currículo escolar (BRASIL, 2008). Em nossos resultados, constatamos que devemos levar em consideração a historicidade da compreensão humana quando trabalhamos com documentos históricos, buscando perceber as influências de diferentes lentes culturais no processo de interpretação do mundo. Assim, esperamos que este trabalho favoreça o reconhecimento e a valorização das diferentes tradições culturais indígenas que nos permeiam, que influenciam os nossos horizontes interpretativos e que estão na base da formação cultural brasileira.
Palavras-chave : hermenêutica filosófica de Gadamer, história e filosofia das ciências, astronomia Tupinambá, astronomia nas culturas.
## Abstract
We propose a reflection on the process of interpreting historical sources aiming at the later creation of narratives for teaching, based on Gadamer's philosophical hermeneutics, in order to answer the following question: how to recognize the different values involved in the production of primary historical sources
and secondary, from the interpretative horizons of subjects, aiming at an analysis that recognizes our own historicity/cultural lens in this process? Therefore, we recognize that the contemporary historiography of science points to a set of factors that influence the analysis of scientific and meta-scientific historical knowledge. We discuss how this principle supported us in the process of interpretation and subsequent creation of a historical narrative, in the form of a text with didactic purposes, about Tupinambá astronomy in the 1600s, with which we seek to contribute to the training of science teachers by proposing a discussion based on Astronomy in Cultures, also considering Law 11.645/2008, which made the study of Afro-Brazilian and indigenous history and culture mandatory within the entire school curriculum (BRASIL, 2008). In our results, we found that we must take into account the historicity of human understanding when working with historical documents, seeking to perceive the influences of different cultural lenses in the process of interpreting the world. Thus, we hope that this work favors the recognition and appreciation of the different indigenous cultural traditions that permeate us, that influence our interpretative horizons and that are at the base of Brazilian cultural formation.
Keywords : Gadamer's philosophical hermeneutics, history and philosophy of science, Tupinambá astronomy, astronomy in cultures.
## Introdução
Nas últimas décadas, diferentes pesquisas têm apontado para potencialidades e dificuldades inerentes ao processo de implementação da História e Filosofia das Ciências (HFC) no ensino de ciências (FORATO, 2009; MARTINS, R., 2006; MARTINS, A., 2007; MATTHEWS, 1995; MOURA, 2014; PORTO, 2019). Paralelamente a isso, diversos trabalhos, no âmbito da historiografia das ciências, têm reconhecido que a produção de conhecimentos científicos e metacientíficos acontecem dentro de uma rede dinâmica de fatores que as influenciam, de tal forma que a própria atividade de selecionar e interpretar fontes, assim como a de criar narrativas históricas, está sujeita a um permanente processo de revisão e transformação, revelando uma dependência com valores, interesses e perspectivas de historiadores(as), do contexto e dos seus condicionantes sociais, políticos, econômicos etc.(CANGUILHEM, 1977; D'AMBROSIO, 2004; MARTINS, R., 2004; 2010; PORTO, 2019).
Thomas Kuhn, por exemplo, em sua obra Tensão Essencial ([1977] 2011), reconhece que "há muitas maneiras de ler um texto" (p. 12), favorecendo o entendimento de que as pessoas que trabalham com estudos históricos constituem um grupo de "profissionais do método hermenêutico" (p.13), tendo em vista que estão constantemente envolvidas num processo de interpretação de fontes do passado que também ajuda a compreender o presente.
Nesse sentido, especialmente na segunda metade do século XX, muitas perspectivas historiográficas se manifestaram e motivaram críticas e debates acerca, por exemplo, de concepções internalistas e externalistas, de propostas para a superação desta possível dicotomia, da impossibilidade de se construírem narrativas históricas completas e neutras, bem como dos prejuízos que as narrativas de "heróis ou gênios da ciência" promovem à compreensão do desenvolvimento de
conhecimentos científicos (CONDÉ, 2017; D'AMBROSIO, 2004, 2021; MARTINS, R., 2004).
Diante desse panorama, este texto apresenta um recorte de uma pesquisa mais ampla, a qual tem como objetivo geral 'elencar e analisar argumentos para fundamentar a hipótese de que o ensino de ciências, baseado na abordagem da HFC, pode ajudar a desenvolver um senso de pertencimento histórico-cultural, contribuindo para o fortalecimento das identidades de adolescentes, quando levamos em consideração o contexto escolar pós-moderno'. Neste recorte aqui apresentado, nosso objetivo específico é, por meio de uma discussão teórica, construir uma argumentação de que a hermenêutica filosófica de Gadamer consiste em um campo de estudos que pode nos ajudar a interpretar episódios históricos e a construir narrativas adequadas ao ensino de ciências. Com efeito, adotamos para este recorte a abordagem de pesquisa qualitativa e bibliográfica (SEVERINO, 2007), com vistas a apresentarmos uma discussão gadameriana acerca do princípio da história efeitual e discorrermos sobre como esse princípio nos apoiou no processo de interpretação e construção de uma narrativa histórica sobre a astronomia Tupinambá nos seiscentos.
## A hermenêutica filosófica de Gadamer e o princípio da história efeitual
Durante sua história, o termo 'hermenêutica' esteve ligado à interpretação de textos sagrados, jurídicos e clássicos, com um caráter filológico, no intuito de buscar uma técnica capaz de decifrar os significados desses escritos (HERMANN, 2014; SOUSA; GALIAZZI, 2017). No entanto, a hermenêutica filosófica que Hans-Georg Gadamer (1900-2002) desenvolveu, em meados do século XX, buscou justamente se contrapor à atitude de defender um método único de interpretar, produzir conhecimentos ou explicar a realidade, que era uma característica positivista forte da época, expressa muitas vezes na crença de que apenas os procedimentos e conhecimentos das ciências da natureza eram verídicos e dignos de serem utilizados nas pesquisas e interpretações sobre o mundo. Segundo a filósofa Nadja Hermann (2014):
A hermenêutica filosófica de Gadamer surge da exigência de se contrapor a uma época que procurou conhecer seguindo apenas a racionalidade de procedimentos próprios das ciências naturais. Ou seja, o saber só teria validade quando atendesse às seguintes características: verificação empírica, estabelecimento de relação causal, eliminação de todo pressuposto subjetivo e hostilização da historicidade (p. 727).
Nesse sentido, ao publicar em 1960 o livro Verdade e Método I, o qual estabeleceu as bases do que ficou conhecido como hermenêutica filosófica, Gadamer mostrou que esse campo de estudos reconhecia as pessoas como seres históricos e tinha especial interesse pela compreensão humana, que ali não é entendida como um tipo de ferramenta ou método que temos ao nosso dispor para explicar objetivamente a realidade, mas como um processo intrinsecamente relacionado com a nossa existência e historicidade. De acordo com Gadamer ([1960] 2015):
Mostramos que a compreensão é menos um método através do qual a consciência histórica se aproximaria do objeto eleito para alcançar seu conhecimento objetivo do que um processo que tem como pressuposição estar dentro de um acontecer da tradição (p. 408).
Assim, a hermenêutica filosófica de Gadamer reconhece que a compreensão de uma pessoa acerca de uma fonte histórica, por exemplo, depende dos seus preconceitos, tradições culturais, historicidade e dos efeitos que essa própria fonte já exerceu na história da humanidade, de modo que tudo isso constituirá parte do horizonte interpretativo da pessoa e influenciará no modo como ela compreenderá o conteúdo de sentido desse documento histórico. Com esse entendimento, Gadamer ([1960] 2015) admite que a compreensão humana está condicionada por muitos fatores que permeiam nossa existência e argumenta que "a razão não é dona de si mesma, pois está sempre referida ao dado no qual exerce sua ação" (p. 367), criando uma abertura para discutir o 'princípio da história efeitual', que é um elemento central no arcabouço teórico da sua proposta hermenêutica. Esse princípio indica a necessidade de incluirmos a própria historicidade do nosso pensar no processo de investigação sobre a história, de modo a percebermos que, quando buscamos compreender um fenômeno histórico, já nos encontramos sob a influência dos efeitos desse fenômeno na própria história, o qual constitui parte do nosso horizonte interpretativo do mundo. Dessa forma, segundo Gadamer ([1960] 2015):
Um pensamento verdadeiramente histórico deve incluir sua própria historicidade em seu pensar. Só então deixará de perseguir o fantasma de um objeto histórico - objeto de uma investigação que está avançando - para aprender a conhecer no objeto o diferente do próprio, conhecendo assim tanto um quanto o outro. O verdadeiro objeto histórico não é um objeto, mas a unidade de um e de outro, uma relação formada tanto pela realidade da história quanto pela realidade do compreender histórico. Uma hermenêutica adequada à coisa em questão deve mostrar a realidade da história na própria compreensão. A essa exigência eu chamo de 'história efeitual'. Compreender é, essencialmente, um processo de história efeitual (p. 396).
Fundamentando-nos nessas perspectivas, realizamos o estudo de um episódio histórico e criamos uma narrativa, na forma de um texto didático a ser utilizado em cursos de formação de docentes de ciências ou de física, sobre a astronomia Tupinambá nos seiscentos. Para a escrita autoral deste texto, utilizamos algumas fontes primárias e secundárias 1 relacionadas à participação do padre francês Claude D'Abbeville no projeto de colonização do Brasil que ficou conhecido como França Equinocial. Assim, este texto buscou levar em consideração algumas discussões sobre Astronomia nas Culturas a partir da proposta historiográfica elaborada por Ubiratan D'Ambrosio (2004, 2021), presente em seu Programa Etnomatemática.
## Interpretação e criação por meio do princípio da história efeitual
Ao defender que o princípio da história efeitual atua em toda a compreensão, Gadamer ([1960] 2015) enfatizou seu entendimento de que não há incompatibilidade entre razão e tradição e favoreceu o reconhecimento de que a tradição cultural que nos permeia "determina amplamente as nossas instituições e comportamentos" (p.
372). Nesse sentido, ao nos debruçarmos sobre a interpretação dos textos referentes ao episódio histórico que escolhemos, cuja produção envolve diferentes sujeitos, em diferentes épocas e culturas, partimos do reconhecimento da nossa finitude e historicidade, buscando perceber nossas pré-concepções sobre o tema e ampliar nossos horizontes interpretativos por meio da leitura de fontes secundárias, relacionadas principalmente com a conexão entre o Programa Etnomatemática e o campo da Astronomia nas Culturas. Consideramos que seus arcabouços teóricos incluem discussões que contribuíram para compreendermos, por exemplo, a necessidade de problematizar o 'céu europeu', de valorizar e dar voz aos povos originários do Brasil, de criticar apagamentos históricos de conhecimentos indígenas e de criticar visões hegemônicas sobre as ciências e a história das ciências -calcadas em narrativas androcêntricas e eurocentradas (BARROS; OVIGLI, 2014; CARDOSO, 2016; D'AMBROSIO, 2004, 2021; LIMA; NADER, 2019; LIMA; BARBOSA; D'OLNE CAMPOS; JAFELICE; BORGES, 2013). Em vista disso, ao longo da narrativa, buscamos, por exemplo:
- ● apontar possíveis pré-concepções de D'Abbeville, do tradutor português e das fontes latino-americanas recentes que utilizamos, sem deixar de reconhecer as nossas próprias;
- ● valorizar os conhecimentos astronômicos Tupinambás relatados por D'Abbeville;
- ● criticar a invisibilização e apagamento de conhecimentos dos povos originários do Brasil e
- ● destacar trechos de D'Abbeville que evidenciam o predomínio da visão eurocêntrica sobre a visão do povo originário.
Com efeito, durante esse processo, ao mesmo tempo em que percebemos pelo estudo dos relatos de Claude D'Abbeville que a colonização do Brasil não se deu apenas nas terras, mas também em seus céus e culturas (LIMA; NADER, 2019), encontramos no princípio da história efeitual um entendimento de que os relatos desse padre também foram condicionados pela tradição cultural que ele carregava; marcada, por exemplo, pela sua formação como católico franciscano e pelo desejo europeu de colonização de outros povos naquela época, que são fatores que também influenciaram em suas atitudes e em seu horizonte interpretativo quando escreveu sobre o povo Tupinambá.
Assim, o estudo das fontes mostra que devemos levar em conta que havia um intérprete que relatava os saberes Tupinambás para D'Abbeville, o qual os recebia mediante sua própria lente cultural. Desse modo, nossas reflexões e críticas aos seus relatos não se deram de forma condenatória, como se ele não fosse um ser finito e histórico, merecendo ser responsabilizado por todas as injustiças e genocídios que os povos indígenas já sofreram. Em vez disso, utilizamos o princípio da história efeitual para reconhecer e argumentar que esses relatos foram influenciados pela lente cultural de D'Abbeville naquela época, que consiste em seu horizonte interpretativo, responsável por fazê-lo aumentar a importância de alguns eventos em detrimento de outros, frente ao modo como ele compreendia e se inseria/posicionava naquele contexto.
Para buscar mais ressonância com o princípio da história efeitual, procuramos incluir a própria historicidade do nosso interpretar das fontes, nos esforçando, por exemplo, para identificar nossas intencionalidades e para ressaltarmos que os conhecimentos astronômicos Tupinambás, que estão presentes em uma narrativa
historiográfica em outro recorte de uma pesquisa mais ampla, passaram pela interpretação de diferentes filtros (fontes primárias e secundárias consultadas) e para reconhecermos que a construção de qualquer narrativa histórica em si "se trata de um resumo de uma história mais complexa' (MARTINS, 2010, p. 7), abrindo espaço para o reconhecimento de que os documentos históricos que podemos estudar ou produzir admitem 'múltiplas possibilidades de interpretação das observações científicas' (PORTO, 2019, p. 151). Além disso, para estimular a percepção da historicidade da compreensão humana durante a leitura dessa narrativa histórica, pareceu-nos relevante inserir alguns questionamentos que propõem reflexões retrospectivas dos conhecimentos astronômicos que a pessoa leitora aprendeu ao longo da vida, possibilitando uma reflexão crítica sobre a formatação do currículo escolar de astronomia que vigora no Brasil, o qual comumente ignora que fazemos parte de 'uma cultura triangular, resultado das tradições européias, africanas e ameríndias, e que isso tem um impacto permanente em nosso quotidiano latino-americano' (D'AMBROSIO, 2004, p. 192).
## Considerações finais
Com esse movimento, percebemos que a hermenêutica filosófica de Gadamer pode fundamentar a interpretação de documentos históricos que manifestam saberes de diferentes culturas, de tal forma que, ao nos aproximarmos dos conhecimentos astronômicos de um povo originário do século XVII sem deixar de reconhecermos, nesse processo, a influência dos horizontes interpretativos (ou lentes culturais) de D'Abbeville, do intérprete para o Tupinambá, do tradutor português no XIX, das fontes secundárias utilizadas e de nós próprios. Compreendemos que esse campo de estudos pode apoiar a análise de diferentes aspectos epistêmicos e não epistêmicos envolvidos na produção de saberes sobre o mundo natural, revelando potencialidade para nos auxiliar no processo de compreensão da história das ciências como 'a história da espécie humana em busca de sobrevivência e de transcendência nos diversos ambientes por ela ocupados', em sua pluralidade geográfica, temporal e cultural (D'AMBROSIO, 2004, p. 172).
Sendo assim, acreditamos que o princípio da história efeitual contribuiu para que buscássemos valorizar as diferentes tradições culturais que nos permeiam e, com isso, para que conseguíssemos criar uma narrativa histórica, materializada em um texto autoral com fins didáticos, coerente com a proposta historiográfica de Ubiratan D'Ambrosio (2004, 2021), o qual levantou a necessidade de buscarmos novos rumos para a humanidade por meio da 'recuperação de conhecimentos, valores e atitudes, muitas vezes relegados a plano inferior, ignorados e, às vezes, até reprimidos e eliminados' (p.192). Tais conhecimentos, valores e atitudes são possíveis de identificar em diferentes episódios históricos e, em nosso caso, buscamos ressaltá-los por meio da apresentação de alguns conhecimentos astronômicos do povo Tupinambá nos seiscentos, um dos povos originários que também está na base de formação da cultura brasileira e que sofreu diversos genocídios e apagamentos ao longo de sua história.
## Referências
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