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A LINGUAGEM COMO FERRAMENTA PRIMORDIAL NO APRENDIZADO SIGNIFICATIVO DA FÍSICA

João José Dos Santos Alves, Rafael Oliveira Vargas De Souza

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIX
Ano
2022
Data
17/08/2022
Linha de pesquisa
07 - Linguagem E Cognição No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A LINGUAGEM COMO FERRAMENTA PRIMORDIAL NO APRENDIZADO SIGNIFICATIVO DA FÍSICA

## LANGUAGE AS A PRIMORDIAL TOOL IN SIGNIFICANT LEARNING IN PHYSICS

João J. S. Alves , Rafael O. V. Souza 1 2

1 UFRRJ/ICE-DEFIS, joaoalvesa@ufrrj.com

2

UFRRJ/ICE-DEFIS, vargasrafaeloliveira662@gmail.com

## Resumo

O conhecimento de problemas relacionados à linguagem verbal, tais como ambigüidades, omissão de informações, entre outros, que possam estar presentes nos textos, orais ou escritos, deve ser entendido e pensado de forma a evitar ou ao menos mitigar as dificuldades de aprendizagem por partes dos discentes na assimilação dos conteúdos específicos abordados nos diferentes níveis de ensino, inclusive de Física. Uma pesquisa vem sendo realizada no âmbito da sala de aula de diferentes turmas de Física e tem por objetivo identificar tais problemas e pensar novas possibilidades no intuito superá-los e de auxiliar o processo ensinoaprendizagem nos moldes da teoria de aprendizagem significativa. Nesse trabalho, apresentamos algumas dessas dificuldades que podem estar presentes em qualquer contexto em que a comunicação, a interação, a negociação mediada pela linguagem possam estar presentes, incluindo a sala de aula de Física.

Palavras-chave : Linguagem, Ensino de Física, Aprendizagem Significativa

## Abstract

Knowledge of problems related to verbal language, such as ambiguities, omission of information, among others, that may be present in texts, oral or written, must be understood and thought of in order to avoid or at least mitigate learning difficulties on the part of the students in the assimilation of the specific contents covered in the different levels of education, including Physics. A research has been carried out in the classroom of different Physics classes and aims to identify such problems and think of new possibilities in order to overcome them and to help the teaching-learning process in the molds of the theory of meaningful learning. In this work, we present some of these difficulties that may be present in any context in which communication, interaction, negotiation mediated by language may be present, including the Physics classroom.

Keywords : Language, Physics Teaching, Meaningful Learning

## Introdução

A sala de aula se constitui num espaço socialmente organizado para o aprendizado, para a construção e a difusão de conhecimento, nos diferentes níveis de ensino. Nesse espaço, a linguagem, tanto a oral como a escrita, se constitui na

ferramenta fundamental de comunicação entre os diferentes agentes educacionais envolvidos, auxiliando as interações, as mediações e as negociações de significados dos conteúdos específicos abordados nesse contexto. Ao professor cabe a tarefa de abordar tais conteúdos mediante o uso de uma linguagem compatível com as capacidades cognitivas dos discentes de forma a evitar possíveis obstáculos de aprendizagem relacionados à linguagem, como por exemplo, as ambigüidades textuais, a duplicidade de sentidos nas mensagens, as omissões lexicais, entre outros. Nesse sentido, torna-se importante considerar os diferentes aspectos da linguagem de forma a potencializar as suas contribuições dentro da sala de aula visando a promoção de um aprendizado significativo dos conteúdos específicos. Conhecer os postulados centrais que orbitam em torno dessa linguagem e vislumbrar ações que possam auxiliar o processo ensino-aprendizagem tanto numa perspectiva psicopedagógica como na sociocultural permitem com que a presença dessa ferramenta nos desenvolvimentos teóricos e metodológicos que possam despertar reflexões críticas que colaborem na promoção e melhoria do processo ensino-aprendizagem. As questões que envolvem a linguagem são diversas. No que se refere à comunicação, sobretudo dentro da sala de aula, é importante destacar a importância da inexistência de qualquer ruído ou outro aspecto que possam impedir que a mensagem do emissor/docente seja diferente daquela recebida pelo receptor/discente. Esse aspecto da comunicação é exemplificado na charge da figura 1 onde se nota a falha nessa comunicação.

Figura 1

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Fonte: Maurício de Sousa produções

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Os problemas lingüísticos podem ser identificados nas diferentes instâncias da língua. Seja no léxico, em situações tais em que determinado termo lingüístico do emissor seja desconhecido ou não entendido (como é o caso da charge acima) pelo receptor, seja no campo semântico em que os sentidos das mensagens emitidas sejam diferentes das recebidas pelos interlocutores, seja na omissão de palavras ou informações ou ainda nas próprias ambigüidades presentes na língua, como por exemplo, na sentença 'O Chico Bento avisou ao Zé Lelé que estava precisando de ajuda'. Embora pelo contexto da charge e pela sentença, é notória a identificação de que quem precisa de ajuda é o Chico, a mesma sentença também deixa a possibilidade de que é o Zé Lelé quem necessita de ajuda. Esse tipo de ambigüidade é passível de se manifestar em contextos em que a interação é feita através da linguagem, seja escrita ou oral, inclusive dentro da sala de aula de Física. Ainda no que se refere à linguagem no atual cenário da tecnologia da informação, alertas relativos aos cuidados exigidos no armazenamento de textos e outros

materiais para posterior acesso nos meios digitais são abordados por Miranda (2003) que aponta para a evolução dos sistemas de informação e no poder da digitalização dos conteúdos, sejam textos, sons ou imagens, que vêm se ampliando nos últimos tempos. Reforça ainda para a necessidade do cuidado e controle relativos à forma da escrita e exposição de ideais presentes nos textos. Nesse âmbito, e com o foco na melhoria das formas de armazenamento da informação para facilitar o seu posterior processo de recuperação, destacam-se estudos que envolvem o tratamento e mapeamento das ambigüidades da língua visando permitir o perfeito entendimento da informação emitida pelo autor. Nesse sentido, Silva (2006) enfatiza que a ambigüidade está associada tanto ao fenômeno da conotação, entendida como um significado secundário ou subjacente que uma palavra possui além da acepção empregada, e também como o fenômeno da polissemia associada à qualidade da palavra possuir muitas significações.

Os aspectos mencionados constituem alguns dos muitos exemplos dos problemas que podem contribuir para o insucesso da comunicação entre o emissor da mensagem e o seu receptor, e que pode se manifestar nas salas de aula de Física em que o emissor pode ser tanto o professor ou um texto relacionado ao conteúdo estudado, e tendo o discente como receptor. Questionamentos relacionados à maneira como a linguagem possa ser uma ferramenta para contribuir na melhoria do processo ensino-aprendizagem vêm sendo objeto de estudo no âmbito das disciplinas de Física. O foco é direcionado aos textos tanto orais como escritos dos materiais e das discussões utilizados em sala de aula. Nesse trabalho apresentamos alguns aspectos e dados relacionados à temática da linguagem na sala de aula que se constitui no objeto de pesquisa que tem por norte a teoria de aprendizagem significativa e a sua interlocução com o tema da linguagem no processo educacional.

## Fundamentos Teóricos

As disciplinas de Instrumentação para o Ensino de Física A e B da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro-UFRRJ têm sido um espaço adequado para o levantamento de discussões direcionadas para a transposição didática dos conteúdos da disciplina de Física para o Ensino Médio com o foco no discente, num viés construtivista. Segundo Viana (1992), a disciplina de instrumentação é um ambiente de integração dos conteúdos específicos da Física com os ensinamentos didáticos, um espaço adequado para abordar a mencionada transposição. Nisso, temos como teoria norteadora a Teoria da Aprendizagem Significativa (TAS) defendida por David Ausubel (Moreira, 2001, Carneiro e Klein 2019) que entre os seus diferentes aspectos, considera o aprendiz como peça importante na construção do próprio conhecimento. Com base na teoria, entre algumas estratégias discutidas nas referidas disciplinas, promove-se a produção e o uso de aparatos experimentais com materiais de baixo custo que possam auxiliar os aprendizes na assimilação dos seus conteúdos, seja porque apostam no aspecto demonstrativo de um determinado fenômeno físico ou ainda para promover questões epistemológicas e históricas inerentes ao aparecimento e desenvolvimento do conhecimento científico associado ao kit experimental. Por outro lado, questões relacionadas aos resultados de pesquisas no ensino de Física e com forte interlocução com os mencionados aparatos experimentais também são discutidos para que diferentes estratégias e metodologias sejam atreladas ao processo de repensar essa abordagem da Física nessa abordagem construtivista. No entanto, foi

inserida nessas atividades, a questão da linguagem como ferramenta primordial num processo de Ensino-Aprendizagem. Pequenos excertos encontrados em algumas questões de exercícios destinados tanto ao ensino médio quanto ao universitário foram objetos de análise e de discussão nas referidas disciplinas. Textos ambíguos foram identificados em alguns desses materiais, fato que pode comprometer o entendimento da mensagem recebida pelo aluno/a e conseqüentemente interferir no seu aprendizado. Muitos pesquisadores envolvidos com a temática do ensino, e especificamente no de Física, vêm apontando para a necessidade desse cuidado com a linguagem (Palacios e Mirtalozada 2019, Moreira 2016), por ser numa ferramenta fundamental num processo didático e que auxilia o aprendizado significativo dos conteúdos. Segundo Palacios e Mirtalozada (2019), a linguagem que os professores e estudantes utilizam nas suas interações durante a aula é um instrumento de excelência para a construção compartilhada do conhecimento, dos significados e sentidos atribuídos aos conteúdos, às tarefas e às atividades escolares. Nessa perspectiva, acrescentam que as aulas devem ser convertidas em espaços de comunicação abertos e flexíveis para que os agentes inseridos nesse processo de interação mútuo possam trazer de forma conjunta os pensamentos, os sentimentos e as ações, e que a mediação e interação presentes na sala de aula através da linguagem contribuem para o desenvolvimento teórico e metodológico sobre uma determinada temática. Para Moreira (2016) no desenvolvimento da TAS, Ausubel defende que é através da linguagem que o ser humano adquire, por aprendizagem significativa e receptiva, uma vasta quantidade de conceitos e princípios que estão na base do pensamento humano. Neste trabalho, mostramos alguns resultados preliminares da pesquisa relacionada à linguagem que apontam para a necessidade de uma atenção aos aspectos aqui apresentados e que devem estar presentes em qualquer interação pedagógica quando se pretende atingir um aprendizado significativo.

## Metodologia

Uma pesquisa quali-quanti relacionada às questões que envolvem a linguagem vem sendo realizada no sentido de averiguar de que forma ela potencializa o aprendizado, identificar a presença de possíveis ruídos, ambigüidades e outros aspectos na comunicação, em textos orais e escritos, que possam atrapalhar o aprendizado significativo do alunado e a partir disso propor caminhos visando saná-los. Os dados aqui apresentados se referem à parte de um questionário aplicado numa turma de Física Básica I da universidade com alunos de diversos cursos, tais como, Geologia, Engenharia Ambiental entre outros, e nas turmas de Instrumentação para o ensino de Física A e B, do primeiro semestre de 2020.1 da UFRRJ. Os questionários vêm sendo pensados a partir do momento em que se constata, principalmente durante as aulas de resolução de exercícios em sala de aula, que algumas dificuldades apresentadas pelos discentes não se encontram no nível conceitual do tema abordado, mas se enquadram no entendimento textual da questão. O primeiro exemplo apresentado, é a seguinte questão do livro didático:

'Uma roda executa 40 revoluções quando desacelera a partir de uma velocidade angular de 1,5 rad/s até parar. ( a) Supondo que a aceleração angular é constante, determine o tempo em que a roda leva para parar. (b) Qual é a aceleração angular da roda? (c) Quanto tempo é necessário para que a roda complete as 20 primeiras revoluções?".

A questão também foi inserida nas discussões das turmas de Instrumentação A e B para análise, sendo que a maioria desses discentes e futuros professores defende a necessidade de se ter o cuidado com o texto escrito e com a fala do professor no sentido de auxiliar o bom entendimento, por parte dos alunos, do tópico abordado. No entanto, ao ser apresentado aos futuros professores a questão abaixo para analisarem, nota-se que apesar das várias colocações, os aspectos relativos à linguagem foram os últimos levantados pelos discentes após um período de análise. Nota-se que esse dado foi apontado apenas na turma de Instrumentação B. A referida questão foi a seguinte:

'Um jogador lança uma bola diretamente para cima a partir de uma altura h=1,55 m, com velocidade inicial de 15 m/s. Considerando o instante inicial t 0 = 0, e adotando o referencial de acordo com a figura, determinar: (a) as equações horárias e gerais do movimento; (b) o instante em que a bola atinge a altura máxima; (c) hmáx; (d) o tempo de vôo da bola.'

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## Resultados e Discussões

A figura 2 abaixo mostra a compreensão dos alunos de Física Básica I após a leitura do enunciado do problema acima mencionado. Embora aproximadamente um terço da turma se predispusesse a responder o questionário, percebemos pela diversidade nas respostas que não houve uma ressonância entre a mensagem do texto do enunciado com a compreensão esperada por parte dos alunos. Este aspecto, independentemente do tema a ser abordado na Física, alerta para importância da clareza da mensagem que se pretende transmitir através do texto para evitar possíveis problemas de comunicação e conseqüentemente, nas mediações, nas negociações que envolvem o cognitivo como apontam os diferentes pesquisadores.

Figura 2

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A compreensão dos alunos de Física Básica I relacionado ao enunciado do problema.

No que se refere à segunda questão apresentada apenas aos alunos das duas disciplinas de Instrumentação para o ensino de Física A, as discussões ficaram centradas nas dificuldades que os alunos poderiam ter para escrever a função horária, ou que a origem do eixo y não começava no zero e por isso teria que somar os 1,55 m do ponto a partir do qual a bola deixa a mão do atleta, ou que a bola cairia no chão ou na mão do atleta. Para essa turma, após as discussões, lhes foi perguntado onde estaria a informação no texto do enunciado de que o tempo de vôo

terminaria com a bola caindo no chão ou na mão do atleta. A partir do questionamento, os alunos perceberam a falta desse dado no texto, o que pode interferir no entendimento daquilo que se pretende. Quanto à turma de Instrumentação B, as discussões ficaram em torno da velocidade da bola que era alta demais para ser atingida pelos esforços do atleta, ou que a seta da aceleração da gravidade era gigante no desenho, ou que a questão do referencial seria um problema, ou que a origem poderia ser colocada na altura da mão do atleta para ser mais simples, ou que o desenho do jogador não foi adequado e que talvez, teria sido melhor ter colocado um canhão ou ainda um jogador de futebol, entre outros comentários. Após um período de discussões um discente levantou a questão se bola cairia no chão. A partir desse momento a turma percebeu a falta dessa informação no texto.

## Considerações Finais

As experiências de sala de aula mostram que as dificuldades dos alunos nos diferentes níveis de ensino podem ser de diversas ordens, sejam de nível conceitual, matemático, cognitivo, lingüístico, entre outros. O papel do docente é relevante na identificação desses obstáculos e no auxílio aos estudantes visando superá-los. Neste trabalho apontamos para as dificuldades relacionadas à linguagem através de alguns dados obtidos numa pesquisa ainda em andamento. Alguns enunciados de questões de Física apresentam ambigüidades, omissões de informações e outros aspectos relevantes na resolução do problema. Essas dificuldades aqui apresentadas se inserem nas questões lingüísticas, seja escrita ou oral, e podem atrapalhar o bom entendimento do aluno no processo de construção do próprio conhecimento, nos moldes da TAS. Ao discutirmos essas questões nas disciplinas de Instrumentação para o Ensino de Física da UFRRJ, alertamos os futuros professores para essa temática e foi possível perceber através das suas discussões a importância desses aspectos numa sala de aula na medida em que, numa comunicação entre alunos e professores, não deve existir ruídos ou qualquer empecilho que possa atrapalhar o processo ensino-aprendizagem. A linguagem utilizada numa sala de aula precisa ser um fator primordial para a promoção de um aprendizado significativo dos alunos, em qualquer nível de ensino formal ou informal. Os resultados encontrados tendem a promover a linguagem como um facilitador na assimilação dos conteúdos abordado em sala de aula, como defende a teoria da aprendizagem significativa.

## Referências

Carneiro, K. G. B.; Klein, T. A. S., Aprendizagem Significativa e a Formação de Cidadãos Críticos e Reflexivos , Ix. Encontro Internacional De Aprendizagem Significativa (Ix.Eias) - 02 A 06 De Setembro De 2019 , Universidade Federal de São Carlos, Sorocaba, 2019.

Moreira, M. A., Linguagem e Aprendizagem Significativa, Disponível em www.If.Ufrgs.Br/~Moreira 2016. Acesso em: 22/06/2021

Moreira, M. A.; Masini; E. F. S. Aprendizagem Significativa: A Teoria De David Ausubel , São-Paulo: Entauro, 2001.

Palacios, M. J.; Mirtalozada, A., El Lenguaje Como Erramienta Del Aprendizaje Significativo, Ix. Encontro Internacional De Aprendizagem Significativa (Ix.Eias) - 02 A 06 De Setembro De 2019 , Universidade Federal de São Carlos, Sorocaba, 2019.

Viana, D. M., Uma Disciplina Integradora: Instrumentação Para O Ensino, Perspectiva 17, Pp. 59-66, 1992.

Silva, L. B., Ambiguidades da língua portuguesa: recorde classificatório para a elaboração de um modelo ontológico, tese de mestrado, UNB, 2006.

Miranda, A. Ciência da Informação: Metodologia de uma Área em Expansão. Ed. 1. Brasília: Thesaurus, 2003. p199.

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