POR QUE A EVASÃO É UM PROBLEMA SEGUNDO AS PUBLICAÇÕES DO EPEF?
Luiz Felipe De Moura Da Rosa, Lucas Soares Prates, Bianca Vasconcelos Do Evangelho Franco, Kaluti Rossi De Martini Moraes
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2022
- Data
- 19/08/2022
- Linha de pesquisa
- 09 - Políticas Públicas Em Educação E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## POR QUE A EVASÃO É UM PROBLEMA SEGUNDO AS PUBLICAÇÕES DO EPEF?
## WHY IS DROPOUT A PROBLEM ACCORDING TO EPEF PUBLICATIONS?
## Luiz Felipe de Moura da Rosa 1 , Lucas Soares Prates 2 , Bianca Vasconcelos do Evangelho Franco 3 , Kaluti Rossi de Martini Moraes 4
1 UFRGS/Instituto de Física/Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física, profluizfis@gmail.com 2 UFRGS/Instituto de Física/Licenciatura em Física, lucas.soares.prates@gmail.com
3 UFRGS/Instituto de Física/Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física, biancadoevangelho@gmail.com
4 UFRGS/Instituto de Física/Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física, kaluti.moraes@acad.pucrs.br
## Resumo
O presente trabalho busca responder a questão que é posta logo no título. Com isso tentamos cercar o fenômeno da evasão segundo as publicações do próprio EPEF e, para além de sua definição, buscar identificar justificativas para tornar esta uma problemática pertinente à área de Ensino de Física. Destarte, destacamos que tomamos como fenômenos de interesse as evasões universitária (contexto universitário) e docente (contexto da educação básica). Além da contribuição com a pesquisa na área de Ensino de Física, em alguma medida haja vista a limitação espacial do texto, o presente trabalho busca servir como referência para servidores e gestores interessados em tratar do fenômeno da evasão nos seus respectivos contextos formativos. A partir de nosso estudo identificamos, enquanto resposta para a questão que intitula o presente artigo, a escassez e inadequação de formação dos professores de Física que atuam nas escolas brasileiras como principal problemática que justifica as investigações acerca do fenômeno da evasão (docente ou discente).
Palavras-chave : Evasão; Publicações do EPEF; Problema público.
## Abstract
This work seeks to answer the question presented in the title. Thereby, we try to encircle the dropout phenomenon according to the EPEF's publications and, in addition to its definition, seek to identify justifications to make this a relevant issue in the area of Physics Education. Thus, we emphasize that we take the university dropout (university context) and teacher leaving (basic education context) as phenomena of interest.Besides the research' contribution in the area of Physics Education, to some extent given the spatial limitation of the text, the present work seeks to serve as a reference for servers and managers interested in dealing with the phenomenon of dropout in their respective training contexts. From our study we identify, while as an answer to the question that entitles this article, the shortage and inadequacy of physics teachers' training who work in Brazilian school sat the main problem that justifies investigations about the phenomenon of dropout (teacher or student).
Keywords : Dropout; Publications of EPEF; Public problem.
## Contextualização
A questão que intitula o presente trabalho busca causar um desconforto proposital ao leitor. A evasão universitária 'é um problema' que vem sendo estudado e enfrentado há cerca de meio século (LIMA JUNIOR, 2013). Há um objetivo das autoridades governamentais de mitigar os elevados índices de evasão universitária, especialmente, em cursos de graduação de menor prestígio social (MEC, 1996). A área de Ensino de Física é afetada por esse movimento na medida em que os cursos de Física apresentam, historicamente, elevados índices de evasão (MEC, 1996; LIMA JUNIOR, 2013).
Uma justificativa comum encontrada em trabalhos sobre evasão universitária em cursos de licenciatura em Física é a escassez de professores de Física em atuação no país (KUSSUDA, 2012; LIMA JUNIOR, 2013). Um importante relatório governamental de 2007, sobre o problema da escassez de professores, identificou a Física como a disciplina de Ensino Médio com taxas mais acentuadas de inadequação de formação de professores (BRASIL, 2007). As justificativas elencadas foram o desinteresse dos jovens brasileiros pela docência, especialmente de Física, e os elevados índices de evasão universitária nos cursos de licenciatura (BRASIL, 2007). Trabalhos mais recentes sobre a problemática identificam um terceiro elemento importante: índices elevados de evasão da docência (KUSSUDA, 2012; RABELO, CAVENAGHI, 2016).
A princípio, assumimos que faça parte do imaginário coletivo da área que, da mesma forma que a evasão universitária, a evasão docente é vista como um problema. Mas, afinal, por que as diferentes formas de evasão (seja da graduação ou do exercício docente) são tomadas como algo negativo, como problemas a serem solucionados? Propomos, contudo, uma questão anterior a esta: afinal, o que é evasão? Embora essa questão possa soar trivial, defendemos que evasão é um termo polissêmico na literatura. Para, Coimbra, Silva e Costa (2021, p. 3), 'O que justifica um artigo dedicar-se à definição da evasão é, justamente, o fato de que a bibliografia e os documentos oficiais têm mostrado divergência e reunido fenômenos de naturezas diferentes'. Destarte, propomos no presente trabalho identificar quais são os significados atribuídos ao termo na área de Ensino de Física, tanto no que se refere a evasão universitária como a evasão docente. Acreditamos que ao responder esta questão seremos capazes de responder a outra, que intitula o presente artigo.
## Aporte teórico
O termo evasão nos remete ao conceito de vazão. A vazão, por sua vez, pode ser entendida como a passagem de uma quantidade (e.g., massa e volume) por um certa região durante um determinado intervalo de tempo. Logo, a evasão pode ser concebida como uma falha, uma diferença entre as quantidades em um ponto A e outro ponto B. Portanto, a quantidade de ingressantes em um curso de Física, por exemplo, deveria ser a mesma quantidade de diplomados ao final do período previsto de duração do curso, idealmente. Contudo, salientamos fazer-se pertinente uma maior reflexão ao pensarmos sobre essa lógica.
Há, na literatura educacional (tanto nacional quanto internacional), discussões sobre não haver apenas uma forma única de evasão. Pretendemos explorar algumas maneiras distintas de classificar essas diferentes formas. Por finalidade organizacional, dividiremos a seção em duas subseções, a saber: i) exploração do termo no âmbito da evasão universitária; ii) exploração do termo no âmbito da evasão docente.
## Evasão universitária
Um dos principais aportes teóricos de estudos acerca da evasão em cursos de graduação é o conjunto da obra de Vincent Tinto (LIMA JUNIOR, 2013; COIMBRA; SILVA; COSTA, 2021). No contexto brasileiro, além das contribuições de Tinto, há outros trabalhos que buscam cercar o fenômeno, tendo em comum aporte em um relatório produzido pela Comissão Especial de Estudos sobre a Evasão nas Universidades Brasileiras (COIMBRA; SILVA; COSTA, 2021). Esse documento avalia que as principais preocupações de uma Instituição de Ensino Superior 'devem ser a de bem qualificar seus estudantes e a de garantir bons resultados em termos de número de diplomados que libera a cada ano para o exercício profissional' (MEC, 1996, p. 12), além de destacar que:
Compreender a evasão como um processo implica superar a postura economicista, derivada de visão essencialmente utilitarista da formação universitária que, se levada a extremos, conduziria, por exemplo, à extinção de alguns cursos que são hoje mantidos quase que exclusivamente pelas universidades públicas. (ibid., p. 14).
No entanto, apesar de reconhecer a necessidade de continuidade e aprofundamento de estudos sobre evasão universitária, os autores do documento salientam, reiteradamente, que tal processo consiste em um empreendimento que exige investimento financeiro, de tempo, além da mobilização de mão de obra qualificada.
Coimbra, Silva e Costa (2021) tecem algumas críticas ao relatório. Elencamos, enquanto crítica central dos autores, a necessidade que elas avaliam que os estudos sobre evasão devem ter em diferenciar as causas do fenômeno. Em linhas gerais, a diferenciação principal deve ser tomada pelas evasões que configuram um problema de política pública e aquelas que não.
Problemas para as políticas públicas são situações indesejadas para os quais a coletividade vislumbra melhoria, afinal, uma política pública nasce para fazer oposição a um problema público (SECCHI, 2016). Com efeito, por qual outra razão nos preocuparíamos com a perda de vínculo de estudantes com o sistema universitário? Ora, somente se a perda de vínculo representar, em alguma proporção, um problema público (COIMBRA; SILVA; COSTA, 2021, p. 7).
Ao final do artigo, os autores apresentam uma nova forma de categorizar as formas de evasão, a saber: i) evasão por exclusão evasão 'originada pelas distorções institucionais em suas estruturas didáticas e curriculares ou por incapacidade institucional de combater as vulnerabilidades e garantir o direito à educação' (ibid., p.14); ii) evasão por inserção consiste no 'trânsito de discentes entre cursos, instituições ou sistemas de ensino superior originado pela busca de novas oportunidades' (ibidem); iii) evasão por externalidades traduz-se na 'perda de vínculo com o curso, a instituição ou o sistema de ensino superior por causas externas, involuntárias e de força maior' (ibidem). Segundo esta organização
classificatória, apenas a 'evasão por exclusão' consistiria em um problema público. Salientamos que a 'evasão por inserção' também aparece na literatura com a nomenclatura de mobilidade acadêmica (RANGEL et al. 2019)
Julgamos importante advogar em defesa da Comissão Especial de Estudos sobre a Evasão nas Universidades Brasileiras, uma vez que seus autores reconhecem que o relatório 'apresenta um diagnóstico quantitativo rigoroso, mas não dimensiona cientificamente as causas da evasão, nem os fatores que influenciam as taxas de diplomação', além de não se comprometer com 'conclusões definitivas, a apontar soluções, ou mesmo a indicar critérios para formulação de uma política nacional' (MEC, 1996, p. 26).
Coimbra, Silva e Costa (2021) apresentam sua proposição enquanto orientação metodológica para estudos futuros sobre evasão universitária. Avaliamos que, de fato, há expressiva potencialidade na proposta. Entretanto, há dificuldades de implementar a metodologia uma vez que exige acesso a informações referentes às causas da evasão. Por outro lado, conforme aponta o relatório, a organização dos bancos de dados das Instituições de Ensino Superior (IES) não é uniforme (MEC, 1996), ou seja, estudos que vierem a mobilizar a topologia proposta por Coimbra, Silva e Costa devem ser limitados a IES que tenham organização semelhante dos dados ou situados contextualmente em uma IES específica. Dessa forma, apesar de reconhecer a profundidade política inerente ao modelo mencionado, optamos por não utilizá-lo por incompatibilidade metodológica com nossos objetivos no presente estudo. Mobilizaremos, para a classificação dos trabalhos selecionados, a proposta apresentada pela própria Comissão Especial de Estudos sobre a Evasão nas Universidades Brasileiras, a saber (p. 16, destaques dos próprios autores):
evasão de curso : quando o estudante desliga-se do curso superior em situações diversas tais como: abandono (deixa de matricular-se), desistência (oficial), transferência ou reopção (mudança de curso), exclusão por norma institucional; evasão da instituição: quando o estudante desliga-se da instituição na qual está matriculado; evasão do sistema: quanto o estudante abandona de forma definitiva ou temporária o ensino superior.
## Evasão docente
Diferentemente da evasão universitária que possui referenciais teóricos bem consolidados que se fazem presentes nas pesquisas, a evasão docente apresenta carência em seus estudos. Em publicações na área de Educação no Brasil que abordam evasão universitária, evasão na escola básica e evasão docente, é a última que apresenta a menor quantidade de trabalhos (LIMA, 2007). Todavia, o 'problema público' dos elevados índices de falta de professores de Física e de inadequação de formação estão diretamente relacionados com a evasão docente (KUSSUDA, 2012).
De forma homóloga ao proposto por Coimbra, Silva e Costa (2012) para a evasão universitária, defendemos que as causas para o desligamento dos profissionais não devem ser ofuscadas pelas quantidades nos estudos específicos. Entretanto, há uma diferença fundamental: entende-se, muitas vezes, como algo positivo a mobilidade acadêmica, com um eventual amadurecimento dos discentes que permitem trocar de curso em busca de uma maior auto-realização, ou seja, um caso que não configura um problema público; por outro lado, a analogia mais próxima no caso docente seria a mudança de profissão, portanto, uma elevada saída de professores formados para atuarem profissionalmente em outros segmentos
implicaria, sim, um problema público, visto que, contribuiria diretamente para a escassez de professores na sociedade.
Individualmente, pode também representar um amadurecimento acompanhado de busca por auto-realização, contudo assume a proporção de problema público por ter acontecido mais tardiamente, ao ponto do sujeito não ser um profissional em formação, mas sim um professor de quem a sociedade espera que ocupe seu posto laboral na área da educação. A diplomação e o juramento realizado em seu ato reforçam essa ideia de comprometimento para com a educação nacional.
Cabe ainda salientar que há uma 'mobilidade docente' na literatura. Ela se refere a mudança de local de trabalho dos professores, sem abandonar o magistério. Esses professores geralmente fazem essa troca para outras redes de ensino, em busca de melhores salários e condições de trabalho (LIMA, 2017). Para GonzalesEscobar et al. (2020), tanto o abandono da sala de aula quanto a mobilidade são concebidas como diferentes dimensões do abandono docente. Segundo os autores, há diferentes formas de abandono docente e as utilizaremos para classificação dos textos selecionados no presente trabalho. A primeira é denominada propriamente como abandono docente e implica saída do docente da sala de aula, mas não quer dizer que o profissional abandone a escola. Ele permanece na escola ocupando outra função (supervisão escolar, orientação escolar, agente educacional, direção da escola, etc.). 'Neste contexto, existe falta de pretensões em suas práticas educativas e um desinteresse na aprendizagem dos estudantes' (ibid., p. 598, tradução nossa). A segunda é chamada de ' deixar a aula ', que implica não só no abandono da sala de aula, mas também da escola, contudo não da educação (o profissional pode ir trabalhar em atividades de formação de professores ou em atividades mais burocráticas como em secretarias de educação). A terceira é ' deixar a profissão ', na qual o profissional abandona a área de Educação, passando a atuar em outra área.
## Procedimento metodológico
Nossa intenção é investigar de que forma o termo evasão é empregado na literatura específica de Ensino de Física. Para isso, utilizaremos uma abordagem metodológica inspirada em pesquisas de estado da arte. Nosso corpus de dados é constituído por trabalhos publicados em edições anteriores do Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF). Para termos acesso a estes dados, buscamos no sítio eletrônico da Sociedade Brasileira de Física (SBF) 1 pelos programas, resumos e atas dos respectivos eventos. Desta forma, conseguimos acessar informações referentes às edições IV a XII do evento. A partir da edição XIII, realizamos as buscas diretamente nos sítios eletrônicos dos respectivos eventos 2 .
Nas edições mais antigas, as buscas foram feitas nos arquivos textuais pelos termos: evasão, abandono, desistência, permanência e persistência. Após haver algum retorno, líamos os trechos em que os descritores estavam. Caso houvesse alguma relação com nosso interesse (continuidade ou descontinuidade dos estudos em nível superior ou na atuação profissional no exercício do magistério), pré-
trabalho contentor do trecho. Nos sítios dos eventos, procurávamos pelas listagens dos trabalhos, procedendo com a leitura dos títulos. Caso algum título apresentasse potencial de contemplar a temática de nosso interesse, abríamos o artigo e realizávamos o mesmo processo de busca descrito anteriormente. Por fim, nas edições mais recentes, utilizamos os buscadores disponibilizados nos sítios eletrônicos do evento para selecionarmos os trabalhos. Realizamos o mesmo procedimento já descrito nos trabalhos que retornavam.
Terminada a primeira etapa, a qual passaremos a nos referir por pré-seleção, passamos para a segunda etapa. Nesta segunda etapa, realizamos uma leitura mais atenta dos trabalhos pré-selecionados, aplicando critérios de seleção. Estes critérios são baseados no aporte teórico, discutido na seção anterior, sendo eles: 1) O trabalho contempla, em alguma medida, a problemática da evasão (seja docente ou universitária); 2) Apresenta uma justificativa do porquê faz-se pertinente investigar o fenômeno; 3) Define e/ou conceitua o fenômeno de evasão. Os levantamentos dos trabalhos realizados na primeira e na segunda etapa de seleção foram disponibilizados publicamente como material suplementar ao presente estudo 3 .
Após o término do processo de seleção, procedemos com a classificação dos textos selecionados. Basicamente, os arrolamos em categorias definidas à priori, a partir do que foi exposto no referencial teórico. Sobre a evasão universitária, juntamos as categorias de evasão da instituição e evasão do sistema em uma categoria que chamamos de evasão para além do curso . Quanto à evasão docente, passamos a nos referir por evasão para além da sala de aula a junção das categorias 'deixar a aula' e 'deixar a profissão'. Salientamos que essa nova proposta de classificação tem a finalidade heurística de contribuir para a classificação dos textos, haja vista a dificuldade de categorização para casos em que unidade de análise esteja para além do curso ou da sala de aula.
## Resultados
De modo a facilitar a apresentação de nossos resultados, no quadro 1, apresentamos a forma como classificamos os trabalhos selecionados. Na vertical, colocamos as principais justificativas empregadas enquanto que na horizontal colocamos as diferentes definições encontradas para evasão.
No total, foram pré-selecionados 57 textos, dos quais selecionamos 14 trabalhos. Desses, um deles aparece em mais de uma categoria (por mobilizar mais de uma justificativa) e dois deles não se adequaram às categorias pré-estabelecidas. Silva, Correia e Mendes (2006) justifica a pertinência de investigar a evasão no curso de licenciatura frente a escassez e inadequação de formação dos professores de Física na região (interior da Bahia), todavia, ao definirem evasão o fazem considerando a diferença entre o número de ingressantes em dado período e o número de matriculados em um instante específico. Não podemos classificar este trabalho visto que é perceptível um erro conceitual no qual os autores ignoram a
3
A lista de referências dos trabalhos que integraram a etapa de pré-seleção esta disponível em: <
quantidade de diplomados (não nula, conforme apresentado no trabalho). O outro texto que não conseguimos arrolar foi o de Fraga Junior et al. (2018) pelo fato de que os autores apresentam uma justificativa que não é contemplada no quadro 1, sendo que ela não encara a evasão do curso necessariamente como algo ruim, mas que cabe a IES identificar as motivações do sujeito ao ingressar no curso e, inclusive, incentivar a evasão desde que alinhada com as aspirações dos ingressantes.
Quadro 1 : Classificação dos trabalhos selecionados
Dos 14 trabalhos selecionados, apenas 4 versam sobre a evasão docente e todos eles apresentam como justificativa a escassez de professores de Física. Essa justificativa é, inclusive, a mais empregada para os trabalhos que tratam da temática, sendo que 10 deles mobilizam essa justificativa. Ao olharmos apenas para os 10 trabalhos sobre evasão universitária, essa ainda é a justificativa mais empregada, mas cabe salientar que 5 mobilizam outras justificativas, sendo que 4 deles usam justificativas que versam sobre a necessidade de responder aos investimentos governamentais destinados às IES.
Dessa forma, podemos dizer que a evasão é entendida nos trabalhos do EPEF, de maneira geral, como sendo o abandono do curso (caso universitário) e da docência (caso do magistério) e que uma resposta satisfatória para a pergunta que intitula o presente trabalho é: por causa dos elevados índices de escassez e inadequação de formação de professores. Tal preocupação aproxima as duas evasões de naturezas distintas, pois as descontinuidades e rupturas tanto nas trajetórias da formação inicial quanto no campo da atuação profissional implicam na baixa disponibilidade de professores adequadamente formados exercendo o magistério em Física.
## Considerações Finais
A partir de nosso estudo identificamos, enquanto resposta para a questão que intitula o presente artigo, a escassez e inadequação de formação dos professores de Física que atuam nas escolas brasileiras como principal problemática que justifica as investigações acerca do fenômeno da evasão (docente ou discente).
Tendo em vista o corpus utilizado no presente estudo, podemos perceber que os achados de Lima (2017) sobre uma expressiva diferença quantitativa entre trabalhos que tratam da evasão universitária e da evasão docente na área da Educação são mantidos no Ensino de Física. Frente a esta carência de estudos sobre evasão docente na área, tomamos como importante encaminhamento que trabalhos futuros ocupem-se em promover uma revisão de literatura sistemática sobre a evasão docente.
## Referências
MEC. Diplomação, retenção e evasão nos cursos de graduação em IES públicas : Comissão Especial de Estudos sobre a Evasão nas Universidades Públicas Brasileiras. Brasília: [s. n.], 1996.
BRASIL. Escassez de professores no ensino médio: propostas estruturais e emergenciais . Brasília: Ministério da Educação, 2007.
COIMBRA, C. L.; SILVA, L. B.; COSTA, N. C. D. A evasão na educação superior: definições e trajetórias. Educ. Pesqui., v. 47, e228764, p. 1-19. 2021.
FRAGA JUNIOR, J.C. et al. Validação de um instrumento para estimar o risco de evasão em cursos de graduação em física. In : ENCONTRO DE PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA, 17., Anais [...] Campos do Jordão: SBF, 2018.
KUSSUDA, S. R. A escolha profissional de licenciados em Física de uma universidade pública . Dissertação (Mestrado em Educação para Ciência) Programa de Pós-Graduação em Educação para Ciências, Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho', Bauru, 2012.
LIMA JUNIOR, P. R. M. Evasão do ensino superior de Física segundo a tradição disposicionalista em sociologia da educação . Tese (Doutorado em Ensino de Física) - Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física, Instituto de Física, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2013.
LIMA, M. S. S. Discurso e docência: efeitos de sentido da permanência docente na escola pública. Dissertação (Mestrado em Educação) - Programa de PósGraduação em Educação, Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2017.
RABELO, R. P.; CAVENAGHI, S. M. Indicadores educacionais para formação de docentes: uso de dados longitudinais. Estudos em Avaliação Educacional , v. 27, n. 66, p. 816-850. 2016.
RANGEL, F. O., et al. Evasão ou mobilidade: conceito e realidade em uma licenciatura. Ciência e Educação , v. 25, n. 1, p. 25-42, 2019.
SILVA, F.M., CORREIA, J.J., MENDES, J.B. O ensino de física na região sudoeste da Bahia: histórico e perspectivas. In : ENCONTRO DE PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA, 10., Anais [...] Londrina: SBF, 2006.
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