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IMPLICAÇÕES NA FORMAÇÃO DOS ESTUDANTES DA LICENCIATURA EM FÍSICA DO INSTITUTO FEDERAL DA BAHIA EM ATIVIDADES NÃO PRESENCIAIS DURANTE O PERÍODO DA PANDEMIA DA COVID 19.

Camila Da Cruz De Oliveira, Dielson Pereira Hohenfeld

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIX
Ano
2022
Data
19/08/2022
Linha de pesquisa
02 - Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## IMPLICAÇÕES NA FORMAÇÃO DOS ESTUDANTES DA LICENCIATURA EM FÍSICA DO INSTITUTO FEDERAL DA BAHIA EM ATIVIDADES NÃO PRESENCIAIS DURANTE O PERÍODO DA PANDEMIA DA COVID 19.

## IMPLICATIONS IN THE TRAINING OF STUDENTS OF THE GRADUATE IN PHYSICS OF THE FEDERAL INSTITUTE OF BAHIA IN NON-PERSONAL ACTIVITIES DURING THE PERIOD OF THE COVID 19 PANDEMIC.

## Camila Oliveira 1 , Dielson Hohenfeld 2

1 Instituto Federal da Bahia/Departamento de Física/milac.oliver@gmail.com

2 Instituto Federal da Bahia/Departamento de Física/dielson.dph@gmail.com

## Resumo

Este trabalho tem por objetivo analisar as implicações na formação dos estudantes da licenciatura em física do instituto federal da Bahia durante as atividades não presenciais no período da pandemia do Covid 19. A transposição repentina das atividades presenciais para as ditas remotas emergenciais, que consiste em uma alteração temporária para um modo alternativo de ensino por conta de condições impostas pela pandemia (HODGES et al., 2020) foi a medida adotada por muitas instituições de ensino superior que decidiram por manter as suas atividades totalmente remotas, o que de alguma maneira impactou na rotina já definida dos estudantes de modo geral. Nosso intuito foi compreender como os futuros professores de física perceberam essas implicações no seu processo de formação, bem como discutir a importância das tecnologias de informação e comunicação, que mais do que nunca desempenham um papel principal no processo de ensino aprendizagem, (CAVALCANTE.,2021) o que traz à tona a necessidade crescente de abranger as TIC na formação docente nessa sociedade intensivamente digital e tecnológica. Para alcançar nosso objetivo, elaboramos um questionário no google formulários e o submetemos a um total de 81 licenciandos em física, desse quantitativo 54 responderam ao questionário, entre os quais 30 pertenciam a modalidade presencial e 24 eram da educação a distância. Dos resultados ressaltamos que os estudantes da modalidade presencial se apresentaram mais pessimistas em relação ao método emergencial de retomada das atividades adotado pela instituição investigada, quando comparados aos da graduação de licenciatura em física na modalidade de ensino e distância.

Palavras-chave : ensino remoto, ranking médio, formação.

## Abstract

This work aims to analyze the implications for the training of students of the degree in physics of a federal institute of Bahia during non-face-to-face activities during the Covid

19 pandemic. transition to an alternative mode of teaching due to conditions imposed by the pandemic (HODGES et al., 2020) was the measure adopted by many higher education institutions that decided to keep their activities completely remote, which somehow impacted the routine already defined for students in general. Our aim was to understand how future physics teachers perceived these implications in their training process, as well as to discuss the importance of information and communication technologies, which more than ever play a leading role in the teaching-learning process (CAVALCANTE., 2021) which brings to light the growing need to include ICT in teacher training in this intensively digital and technological society. To achieve our objective, we developed a questionnaire on google forms and submitted it to a total of 81 undergraduate physics students, of which 54 responded to the questionnaire, among which 30 belonged to the face-to-face modality and 24 were from distance education. From the results, we emphasize that the students of the face-to-face modality were more pessimistic in relation to the emergency method of resuming activities adopted by the investigated institution, when compared to those of the undergraduate degree in physics in the teaching and distance modality.

Keywords : remote teaching, average ranking, formation.

## Introdução

A pandemia do COVID 19 acarretou a adoção de medidas preventivas em todos os setores sociais e não foi diferente nas instituições de ensino. Em 17 de março de 2020, as atividades presenciais no Instituto Federal da Bahia (IFBA) foram suspensas pela Diretoria Geral, conforme a Resolução nº. 07, de 22 de março de 2020 do CONSUP/IFBA em face da disseminação global da pandemia do coronavírus. Embora a suspensão das atividades presenciais tenha ocorrido em todas as partes do mundo, não houve uma orientação prescritiva e única diante de um desafio tão complexo. (AMARAL, POLYDORO, 2020). Nesse contexto de isolamento social imposto pela pandemia, o ensino nos níveis da educação básica e superior precisaram se readequar a nova realidade imposta e lançar mão sobre as interfaces digitais que desempenharam um papel fundamental nesse processo; a alternativa adotada pelo IFBA em substituição as atividades presenciais foi o ensino remoto de emergência.

Ao contrário das experiências planejadas desde o início e projetadas para serem online, o Ensino Remoto de Emergência (ERT) é uma mudança temporária para um modo de ensino alternativo devido a circunstâncias de crise. Envolve o uso de soluções de ensino totalmente remotas para o ensino que, de outra forma, seriam ministradas presencialmente ou como cursos híbridos, e, que, retornarão a esses formatos assim que a crise ou emergência diminuir ou acabar. (HODGES, et al., 2020).

As TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) no ensino ampliam as possibilidades que a docência dispõe para a construção do conhecimento, porém também demanda uma formação mais sólida e mais ampla de componentes curriculares. Nesse caso a ação docente deve ser pautada tanto no domínio de técnicas básicas de comunicação digital, quanto domínio do conteúdo curricular para que ela possa integrar e aproveitar as tecnologias digitais na ação prática pedagógica.(HOHENFELD et al., 2012)

Nesse sentido, percebemos a importância de discutirmos a licenciatura em Física do IFBA dentro desse contexto de questionamentos e restrição do contato presencial aliado a necessidade de inclusão digital, bem como compreender quais foram as percepções desses futuros licenciados durante esse período inesperado da sua formação, pois, mesmo antes da Pandemia da COVID-19, já havia uma concordância em repensar as exigências da sociedade da informação e comunicação, do conhecimento e da aprendizagem, levando em conta a subjetividade humana dentro de novas dimensões epistemológicas do cenário contemporâneo. Não há dúvida que essa reflexão se faz necessária na medida em que novos elementos precisam, para formação docente, ser repensados dentro da atual circunstância de transformações sociais em virtude das TIC.

A pandemia nos levou a considerar ainda mais a importância e a necessidade de que futuros docentes percebam o quanto podem utilizar as tecnologias de informação, tanto em seu processo formativo quanto no exercício dele, e favorecer dessa maneira outras opções de ensino e aprendizagem que mais se aproximem da condição atual do mundo e do avanço tecnológico ao qual estamos cada vez mais inseridos. Levando em conta que esses discentes estão enfrentando uma situação pela qual os seus próprios professores não passaram, essa análise pode nos dar uma ideia de como contornar as possíveis implicações que esses venham a enfrentar após este período pandêmico durante a sua graduação.

## Desenvolvimento da pesquisa

Para investigar quais seriam as implicações na formação dos estudantes de Licenciatura em Física no Instituto Federal da Bahia em atividades não presenciais durante o período da Pandemia da COVID-19, foi desenvolvido um questionário no google forms composto de 19 questões objetivas. A utilização da escala Likert (BONICI et al., 2011) na construção do questionário tornou possível analisarmos o grau de concordância dos participantes da pesquisa para cada uma das afirmativas propostas, de forma que pudéssemos traçar a partir dos resultados o quanto esses futuros professores consideram ter sido atingidos durante as atividades emergenciais de ensino.

A escolha pela investigação ter ocorrido para estudantes nas duas modalidades de ensino deu-se pelo fato de que gostaríamos de examinar como a retomada das atividades de forma emergencial pode ter gerado maiores dificuldades de adaptação para os estudantes que não estão familiarizados com a utilização dos ambientes virtuais de aprendizagem, bem como, evidenciar a importância de se discutir e abordar os aspetos tecnológicos durantes a formação docente.

## Questionário

Das 19 afirmativas que compunham o questionário, 12 delas eram favoráveis ao ensino emergencial remoto e 07 delas desfavoráveis. Um total de 54 graduandos do curso de licenciatura em física do Instituto Federal da Bahia optaram por participar da pesquisa, que pertenciam a 02 grupos:

Grupo 1: composto por 30 estudantes da modalidade presencial de ensino.

Grupo 2: composto por 24 estudantes da modalidade de ensino a distância.

Utilizamos a escala de cinco pontos Likert (HONHENFELD et al., 2012) para fazer análise das respostas, sendo atribuído: o valor 1 para discordo fortemente (DF), 2 para discordo (D), 3 sem opinião (SO), 4 para concordo (C) e 5 para concordo fortemente (CF) que corresponde ao maior grau de concordância. A análise dos dados foi realizada através do Ranking Médio (RM), conforme nos mostra Oliveira (2005), (HOHENFELD,2012).

Podemos calcular o RM como a média ponderada da frequência das respostas pelo valor de cada resposta dividido pelo número de respondentes, ou seja:

Média Ponderada (MP) = ∑ ( fi Vi) , o RM é obtido dividindo a média ponderada pelo número de respondentes. Logo, o RM = MP / (NS) . Onde:

fi = frequência observada de cada resposta para cada item;

Vi = valor de cada resposta;

Ns = nº. de sujeitos.

A partir desse resultado iremos considerar que os sujeitos:

- a) Concordam ⇔ RM > 3 ; b) Indiferente ⇔ RM = 3 ; c) Discordam ⇔ RM < 3.

## Resultados e discussões

Para a análise dos resultados, classificamos as afirmativas que compunham o questionário em quatro aspectos: psicológicos, ambientais, técnicos e didáticos.

Quanto aos aspectos psicológicos o cálculo do ranking médio nos mostrou que os estudantes da modalidade presencial de ensino apresentaram um grau de concordância menor do que três, o que de acordo com o RM, significa que esses discordaram das afirmativas feitas com relação a esse aspecto, em comparação com os da modalidade EAD, conforme mostra tabela 1.

Tabela 1: Aspectos psicológicos.

Fonte: autoria própria.

A retomada das aulas de forma online foi um desafio tantos para docentes quanto discentes. É compreensível que esses tenham sido impactados psicologicamente com a nova realidade a que foram submetidos, principalmente

aqueles que não estavam familiarizados com a realização de atividades de forma online.

Além das preocupações com a própria saúde, os estudantes tiveram que lidar com a ruptura da rotina pessoal e com incertezas relacionadas a continuidade do percurso acadêmico. (MARTINS; RIBEIRO, 2021).

No que diz respeito ao ambiente de estudo, o ranking médio mostrou que para os estudantes das duas modalidades de ensino existe concordância a respeito de possuírem um ambiente adequado para as assistir as aulas remotas, embora aqueles pertencentes a educação a distância discordarem de que o ambiente de estudo existente em casa tenha atrapalhado a sua concentração durante as atividades emergenciais, como mostra a tabela 2.

Tabela 2 : Aspectos ambientais.

Fonte: autoria própria.

De acordo com uma pesquisa realizada com estudantes de licenciatura em química do IFRN, cerca de 42% deles relataram dificuldades relacionados a falta de ambiente adequado de estudos durante as atividades assíncronas. Isso pode ser relacionado com fatores como 'conflitos familiares, espaço pequeno e compartilhado, dificuldade de concentração para estudar devido barulhos e outros'. (CAVALCANTE, 2021). Fatores estes que podem estar diretamente ligados a concordância dos estudantes da modalidade presencial em relação a terem um ambiente de estudo que atrapalhou o foco e atenção durante o acompanhamento das aulas remotas emergenciais.

Os aspectos técnicos são aqueles que englobam as dificuldades tecnológicas para o desempenho efetivo das atividades durante o ensino remoto emergencial, ou seja, as variáveis a que o mundo online está submetido. Para esse aspecto o RM nos mostrou que houve concordância para ambas as modalidades no que diz respeito a ter facilidade de utilizar os ambientes virtuais de aprendizagem (AVA), embora os licenciandos da modalidade presencial discordarem a respeito dos professores estarem familiarizados com essas mesmas ferramentas. Os estudantes de EAD apresentaram discordância em relação a dificuldade do acesso à internet durante esse período, assim como os pertencentes a modalidade do presencial discordaram que a instabilidade na conexão tenha prejudicado as suas apresentações de trabalhos nos AVA, como vemos na tabela 3.

Tabela 3: aspectos técnicos

Fonte: autoria própria.

E por fim os aspectos didáticos que subdividimos em dois : Aspectos didáticos 1 -relacionados as atividades online durante o período, e Aspectos didáticos 2 - aqueles relacionados a satisfação dos estudantes após terem concluído o semestre durante as atividades remotas emergenciais.

Para os aspectos didáticos 1 - o ranking médio nos mostra que o grupo de estudantes da modalidade presencial apresentou um grau de concordância menor quando comparado ao da EAD, tanto para as afirmativas relacionadas à interação entre a turma, e entre o professor nos AVA, quanto para a satisfação com as metodologias e a compreensão dos conteúdos, o que nos leva a considerar que eles encontraram mais dificuldade na realização das atividades online do que os estudantes da EAD. Dá mesma forma para os aspectos didáticos 2 esse comportamento permanece, o que pode significar que para os licenciandos da modalidade presencial que fizeram parte dessa pesquisa as implicações decorrentes à retomada das atividades remotas emergenciais sejam maiores, pois, de acordo com o RM, eles concordam que a sua formação será impactada devido a retomada das atividades de forma remota (ver tabelas 4 e tabela 5).

Tabela 4: aspectos didáticos 1

Tabela 6 : Resposta da autoavaliação.

Fonte: autoria própria.

Tabela 5: aspectos didáticos 2.

Fonte: autoria própria.

A fim de corroborar com a nossa hipótese de que os estudantes da modalidade presencial serão os mais impactados pelas atividades remotas emergenciais, conseguimos ter acesso a uma autoavaliação da disciplina de metodologia do ensino de física, na qual discentes das duas modalidades responderam ao seguinte questionamento: Quais as implicações na sua formação em atividades da disciplina durante o período da Pandemia do COVID19?. As respostas fornecidas por eles referente a esse questionamento se encontram na tabela 6.

Fonte: autoria própria.

Como pode-se ver nos relatos apresentados na tabela 6, é evidente o pessimismo presente nas falas dos licenciandos da modalidade presencial em comparação com os do EAD, em que apenas em uma das respostas evidencia alguma dificuldade enfrentada durante as atividades emergenciais.

## Conclusão

O resultado das respostas de um questionário aplicado a 54 estudantes da licenciatura em física, obtido por meio de análise através do cálculo do ranking médio nos levou a confirmação da nossa hipótese de que os estudantes da modalidade presencial seriam mais impactados com a retomada das atividades por meio do ensino remoto emergencial, quando comparados com os estudantes da educação a distância. Apesar do ensino remoto emergencial ser diferenciado da educação a distância, de certa maneira essas duas formas de ensino estão mais próximas metodologicamente do que as do ensino presencial, e portanto os estudantes da educação a distância já estão inseridos e familiarizados com os ambientes virtuais de aprendizagem, o que justifica o fato dá retomada das aulas de forma emergencial não ter feito tanto diferença na rotina de estudos desses licenciandos, visto que, eles só possuem encontros presenciais esporádicos na instituição. Fica evidente que do ponto de vista educacional esses já terão na sua experiência docente concepções próprias sobre como os ambientes virtuais de aprendizagem podem favorecer o ensino.

Com base nessa discussão, essa investigação confirma o quanto o COVID 19 possibilitou uma série de desafios em diversos aspectos: psicológicos, técnicos, ambientais e didáticos, que precisam ser considerados pois a pandemia nos atingiu de várias maneiras e não podemos desconsiderar os fatores ligados à vulnerabilidade humana. Pudemos identificar que, como um curso de formação de professores os graduandos se viram obrigados a imergir nas Tecnologias de Informação e Comunicação durante o período da pandemia e isso nos leva a considerar a necessidade de refletir e perceber o papel das TIC na construção do conhecimento.

Acreditamos que, como futuros docentes, esses estudantes participantes da pesquisa puderam enxergar criticamente a sua graduação ao notarem o reflexo dos próprios professores que tiveram que rever as abordagens de ensino sem terem tido experiência prática para lidar tão inesperadamente com a utilização das TIC, isso para os professores integralmente voltados ao ensino presencial. É fundamental propiciar contato com as Tecnologias de Informação e Comunicação ao longo da formação docente, buscando o saber técnico necessário para utilização dessas tecnologias, bem como a compreensão de suas potencialidades no processo de ensino e aprendizagem.

Portanto, apesar de inesperada e repentina, a suspensão do ensino presencial nos impulsiona a procurar meios de contornar as variáveis que o ensino remoto emergencial venha a deixar na construção formativa dos futuros professores de física na modalidade presencial que se viram implicados com a retomada das atividades de forma online.

## Referências

AMARAL, E. M. & POLYDORO, S. A. Os desafios da mudança para o ensino remoto emergencial na graduação na Unicamp . - São Paulo: Linha mestra, n.41a, p.52-62, setembro, 2020. Disponível em: <https://doi.org/10.34112/19809026a2020n41ap52-62>Acesso em: 16 set. de 2020.

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