CIENCIARTE NA PRÁTICA DE UM PROFESSOR DE FÍSICA: REFLEXÕES A PARTIR DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO
Jeane Assis De Souza, Luciene Fernanda Da Silva
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2022
- Data
- 19/08/2022
- Linha de pesquisa
- 02 - Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## CIENCIARTE NA PRÁTICA DE UM PROFESSOR DE FÍSICA: REFLEXÕES A PARTIR DA OBSERVAÇÃO NO ESTÁGIO SUPERVISIONADO
## ARTSCIENCE IN THE PRACTICE OF A PHYSICS TEACHER: REFLECTIONS FROM THE OBSERVATION IN THE SUPERVISED INTERNSHIP
Jeane Assis de Souza 1 , Luciene Fernanda da Silva 2
1
IFRJ-Campus Nilópolis, jeane300souza@gmail.com 2 IFRJ-Campus Nilópolis, luciene.silva@ifrj.edu.br
## Resumo
A pesquisa nos traz reflexões sobre as abordagens e metodologias de ensino, explora campos ainda desconhecidos e de grande potencial como a CienciArte, tema de investigação deste trabalho. O nosso objetivo é mostrar a prática docente, acompanhando a abordagem da CienciArte por um professor de física no ensino médio, durante o estágio supervisionado. Em uma entrevista semi-estruturada a partir de seus relatos de experiência com a CienciArte , refletimos o potencial deste campo na construção de conhecimento. Optamos por uma metodologia de análise fenomenológica dos dados coletados. Não mostramos apenas o lado positivo dessa junção, mas as objeções que o professor que adere a esse caminho pode encontrar no decorrer da sua prática. O preconceito da comunidade escolar quanto a seriedade e objetividade da CienciArte no ensino de ciência corrobora a necessidade de inserirmos essa discussão nos cursos de licenciatura e incentivarmos a participação de professores atuantes na educação básica em grupos de pesquisa.
Palavras-chave : CienciArte, Pesquisa em Ensino de Física, Prática Docente, Interdisciplinaridade
## Abstract
The research brings us reflections on teaching approaches and methodologies. It explores fields still unknown with great potential, such as ArtScience; the subject of investigation of this work. Our objective is to show the teaching practice, following the approach of ArtScience by a high school physics teacher, during the supervised internship. In a semi-structured interview based on their experience reports with ArtScience, we reflect on the potential of this field in the construction of knowledge. We opted for a methodology of phenomenological analysis of the data collected. We do not just show the positive side of this junction, but the objections that the teacher who adheres to this path may encounter in the course of his practice. The prejudice of the school community regarding the seriousness and objectivity of ArtScience in science teaching corroborates the need to insert this discussion in teaching courses and encourage the participation of teachers working in basic education in research groups.
Keywords : ArtScience, Research Physics Teaching, Teaching Practice, Interdisciplinarity.
## Introdução
A pesquisa nos traz reflexões sobre os modelos de ensino, por explorar campos ainda desconhecidos e de grande potencial. A pesquisa em ensino de física sugere mudanças na forma de aprender e de ensinar a física através de um leque diversificado de abordagens, tais como a interdisciplinaridade na prática da CienciArte , foco deste trabalho. Laburú, Arruda e Nardi (2003) defendem o pluralismo metodológico como caminho eficiente no ensino de ciências, o que mostra a relevância de se conhecer as mais diversas metodologias de ensino.
Um levantamento realizado por Leão e Kolcenti (2021) mostra as metodologias mais frequentemente aplicadas ao ensino de física no nível fundamental. Os autores analisaram as publicações de dois periódicos, o Caderno Brasileiro Ensino de Física (CBEF) e Experiência em Ensino de Ciência (EENCI) entre os anos de 2014 e 2018. Foram encontradas publicações propondo e discutindo as metodologias (abordagens) experimentais, investigativas e observacionais. Os autores fazem uma crítica ao ensino tradicional:
A física ensinada nas escolas brasileiras tem sua abordagem fundamentada em aspectos essencialmente teóricos. Pode-se verificar este fato por meio da análise dos livros didáticos que são utilizados em sala de aula para ministrar a Física, os quais se concentram basicamente em conceitos matemáticos e exercícios de fixação. A aula somente teórica pode acabar prejudicando o ensino e aprendizagem do aluno, dado sua complexidade, a prática é fundamental para fixação do assunto. Conforme já enfatizado anteriormente, os obstáculos encontrados por alunos na assimilação do conteúdo da Física estão intimamente vinculados à dificuldade de relacionar os conceitos teóricos aos fenômenos naturais vivenciados, ou seja, em estabelecer a teoria em prática (p.16).
O ensino tradicional é reconhecido por Leão (1999) como um dos principais paradigmas que influenciam a prática formal de educação e historicamente foi o que viabilizou o acesso da população à escolarização. Porém, a abordagem tradicional se limita à transmissão de conhecimento, dando lugar secundário ao aluno, exposto a informações transmitidas pelo professor. Silva e Rocha Filho (2022) denominam tal modelo de método transmissivo, que não trabalha a formação reflexiva e enfatiza a quantidade de informação a ser repassada ao aluno, geralmente por meio de aulas expositivas.
De modo alternativo ao ensino tradicional, abordagens, como a interdisciplinaridade, podem ampliar a capacidade de compreensão de um tema através de pontos de vista distintos. Leis (2005) diz que uma das possíveis definições de interdisciplinaridade é entendê-la como o ponto de interseção de atividades diferentes. O autor salienta que o conhecimento não se desenvolve de forma segmentada, mas sim da integração de áreas distintas do saber.
Recentemente, em 2017, fomos apresentados às novas configurações da Base Nacional Comum Curricular, a BNCC. O texto da nova BNCC preza pelo trabalho interdisciplinar com o intuito de desenvolver competências e habilidades que auxiliem os alunos na vida cotidiana e na inserção no mercado de trabalho.
Deixa a cargo das redes de ensino públicas e privadas a construção dos currículos e ressalta a importância da formação inicial e continuada de professores.
Com a aprovação do novo ensino médio foram definidas quatro áreas de conhecimento: 1) as linguagens e suas tecnologias, 2) matemática e suas tecnologias, 3) ciências da natureza e suas tecnologias e 4) ciências humanas e sociais aplicadas. A arte, enquanto disciplina, se enquadra na área de linguagens. Educadores apontam o receio que existe de a arte perder espaço para outras disciplinas como português, disciplina colocada como obrigatória em todas as séries do ensino médio, tendo em vista que a construção desse novo currículo pode variar de acordo com cada instituição. Bodião (2018) sinaliza alguns dos perigos da modelagem dos currículos e da flexibilização. Existiria uma tendência a suprir somente disciplinas com grande oferta de professores e um empobrecimento daquelas em que há carência de professores. Peres (2017) alerta para o enfraquecimento da arte e o retrocesso diante da nova BNCC, onde '[...] verifica-se o foco em práticas expressivas individualizadas, com ênfase no fazer e no fruir, desconsiderando a dimensão crítica e conceitual da arte. A arte possui conteúdo próprio que vai além da dimensão sensível' (p.07).
Em acordo com esse autor, e com o incentivo à interdisciplinaridade, entendemos que a dimensão conceitual e crítica da arte pode se apresentar associada à discussão conceitual e crítica da física. Esse diálogo entre as duas áreas do conhecimento aponta para uma abordagem metodológica de ensino de física que ajudaria professores a ampliar sua prática de ensino na educação básica. Como esse diálogo poderia se processar na prática?
A despeito da apresentação de diversas propostas de ensino de física em associação com a discussão de obras e conceitos da arte publicadas na área, por nós estudadas (SOUZA; SILVA, 2021), neste trabalho decidimos focar o olhar na prática docente. Acompanhando, no contexto da realização do estágio supervisionado, um professor de física que faz uso dessa abordagem interdisciplinar, questionamos: Como é mobilizada a articulação entre Ciência e Arte por um professor de Física? O objetivo do trabalho é compartilhar, nesse relato de caso, as ações, as percepções e a formação desse professor que o permitiu realizar esse tipo de trabalho em sala de aula. A seguir, discutimos alguns referenciais teóricos que embasam a articulação entre física e arte.
## CienciArte, a Ciência e a Arte
A relação ciência e arte não é recente. Leonardo da Vinci (1452-1519) foi uma figura de destaque tanto na ciência quanto na arte. Kickhöfel (2011) fala a respeito da seguridade que a ciência dava às suas pinturas de anatomia. Cachapuz (2014) faz um apanhado de nomes da história que conciliavam ciência e arte, tais como os pintores Rembrandt (1606-1669) e Kazimir Malevich (1879-1935), trabalhando a química das cores e a utilização de substâncias na criação de diferentes tonalidades de pigmentos. Nesse mesmo trabalho, Cachapuz traz exemplos sobre possíveis diálogos entre os dois campos. O autor defende uma educação humanista que concilie os dois mundos, desarticulando o modelo dos saberes segmentados e categorizados em hierarquias. Observa não somente os ganhos no processo de aprendizado dos alunos, mas também os êxitos que esta relação traz à formação dos professores de ciências. Exemplifica essa afirmação, a
partir de uma intervenção realizada em uma de suas turmas de licenciatura. A atividade consistia em confrontar afirmações de artistas e cientistas sobre a observação em ambos os campos.
Silva e Nardi (2017) refletem sobre a pluralidade metodológica na arte e na ciência, em especial, no ensino de física e traçam aproximações entre essas abordagens metodológicas. Os autores descrevem a arte e a ciência como criações do homem, sendo parte da vida cotidiana. Logo, a importância de vivermos esse conjunto de forma integral. Para isso é fundamental que comecemos a trabalhar a formação interdisciplinar de professores.
A defesa desses autores concorda com o que João Zanetic (1989) defendeu em sua tese Física também é Cultura , ou seja, a articulação dos campos sociais e culturais para a formação e construção de conhecimento. Sua ideia caminha para o encontro da interdisciplinaridade, em especial entre a física e a arte. Carvalho (2006), em concordância, aborda o fato da conjunção arte e ciência ser pouco explorada no ensino, e afirma que o processo de aprendizagem depende de como sentimos, agimos e pensamos essa construção de conhecimento.
A nova área de ciência e arte e sem nome definido até então, só foi oficializada como campo de pesquisa após Bob Root-Bernstein, Todd Siler, Adam Brown e Kenneth Snelson assinarem o Manifesto CienciArte publicado na Revista Leonardo em 2011. O manifesto é considerado para alguns como marco inicial do movimento, conta com dezesseis itens, denomina a nova área de CienciArte e defende a sua incorporação nos currículos educativos. No Brasil, Araújo-Jorge et al. (2018) contam o percurso do movimento CienciArte que desde o início dos anos 80, promove nas ruas do Rio de Janeiro, em parceria com o Espaço Ciência Viva e outras instituições acadêmicas, atividades unindo a arte e a ciência. O grupo consiste de cientistas brasileiros, artistas e educadores que promoveram ao longo dos anos o fortalecimento da área que como linha de pesquisa vem sendo desenvolvida desde 2000 no Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz.
A CienciArte traz como proposta na formação de educadores, um viés mais sensível e criativo. Defende sua introdução no ensino, entendendo que a arte assim como a ciência agregam dimensões humanas e essenciais no processo de fluir do conhecimento. Aliar a arte à educação científica contribuiria para a formação de uma sociedade capaz de novas intuições.
## Percurso da Construção do Relato de Caso
A motivação para este trabalho surgiu a partir das aulas de estágio supervisionado da licenciatura em física realizado pela primeira autora no semestre de 2021.2 em um Instituto Federal no formato remoto devido à pandemia de covid-19. As turmas disponíveis para os estagiários eram as próprias turmas de ensino médio do campus . Duas turmas foram acompanhadas durante um semestre. Através de um diário de bordo, fez-se registros da prática do professor supervisor, do conteúdo abordado, do tipo de abordagem e das respostas da turma durante as aulas. O que chamou a atenção foi a abordagem da CienciArte por um dos supervisores em uma turma de física I, a quem denominaremos de professor B.
Para entender como surgiu a ideia da articulação física e arte nas aulas do professor B., elaboramos um roteiro de uma entrevista semiestruturada (Quadro 1), coletando informações acerca da inserção do professor na área, de suas práticas ao
longo dos anos, do retorno que este trabalho tem dado em relação à postura dos alunos, e por fim, levantar as maiores barreiras que o professor vem enfrentando na aplicação dessa abordagem nas aulas de física. Foi uma entrevista breve por meio de uma plataforma de videoconferência, gravada em áudio e vídeo e transcrita para análise e discussão, apresentada na próxima seção. Optamos pela análise fenomenológica (TOMBOLATO; SANTOS, 2020) dos dados coletados. Esse viés de análise pressupõe investigar como o sujeito pode dar sentido às suas experiências de vida.
Quadro 1. Roteiro da entrevista semi-estruturada
O professor B. nas primeiras aulas, trabalhou alguns conceitos de cinemática através de poemas e música. Dentre os poemas utilizados, encontravam-se os de autores como Castro Alves, Fernando Pessoa, Luís Vaz de Camões, entre outros. Abordando a temática de navegações, eles buscavam compreender a relação entre tempo e distância percorrida. Houve discussões sobre as unidades de tempo e distância com as turmas, as conversões de unidades e velocidade. No início do formato remoto, durante as nossas atividades em estágio, percebemos uma diminuição da interação das turmas com os professores e fomos incentivados a pensar estratégias que trouxessem de volta o diálogo e a participação dos alunos. Em comparação com as aulas tradicionais no modelo remoto, foi possível perceber que a participação e interação tanto dos alunos, quanto dos estagiários presentes foram maiores na turma do professor B. após essa abordagem.
## Visão do professor B.
A primeira aula do estágio supervisionado na turma do professor B. tratou de elementos e conceitos da cinemática através de poemas de António Gedeão e Castro Alves. Imediatamente buscou-se verificar a área de formação do professor B., Doutor em Engenharia Nuclear, Física experimental, laboratório e instrumentação. O professor foi questionado quanto à sua inserção no estudo e pesquisa na área de ciência e arte: 'É, realmente não tenho nenhuma publicação ainda sobre Ciência e Arte, mas eu já venho realizando esse trabalho desde uma das iniciações científicas na licenciatura [...] primeiro um sobre O Ano Miraculoso de Einstein , [...] poesia e física com os textos do António Gedeão'. O professor falou da vontade que existia por um trabalho experimental, sempre lhe agradou a parte dos laboratórios, e assim foi a área que escolheu para a realização de seu mestrado e doutorado. Revelou que sentiu desejo de retornar ao ensino no decorrer do
doutorado: ' Assim que defendi, eu decidi iniciar um processo de migração e de retorno para o ensino, escolhi esse campo CienciArte [...] a maneira de formalizar isso, foi realizando o pós-doutorado na Fiocruz do Programa de Ensino de Biociências.'
Em relação ao início das abordagens física e arte e as modificações no decorrer da sua prática, o professor disse que 'O início era uma exposição tímida do poema, ou da música. [...] com o passar dos anos eu comecei a trabalhar mais a música em si, discutir os versos detalhadamente e sempre fazendo o link com o que fosse pertinente para o ensino de física'. Sua fala sugere o seu percurso em relação à CienciArte , partindo do uso de obras artísticas como um elemento motivador da sua aula de física e chegando na promoção de uma articulação interdisciplinar entre as áreas. O professor apontou um engajamento maior dos alunos quanto às avaliações, quando fugia do modelo tradicional das provas, implementando uma forma alternativa de avaliar com a arte. Laburú, da Silva e Vidotto (2005) investigam a relação existente entre avaliações alternativas, e o retorno favorável dos alunos quanto ao aprendizado quando submetidos a esse tipo de avaliação. Estratégia que foi aplicada e observada pelo professor B., em sua análise, as avaliações alternativas geraram respostas positivas.
Os grupos de pesquisa são influências importantes na prática do professor entrevistado. Ele afirmou seu envolvimento com a pesquisa em ensino, na interface ciência e arte, na física experimental e com o ensino de física para deficientes visuais. A sua vivência no meio da pesquisa e a participação em um grupo ativo (que promove muitas leituras e discussões entre seus integrantes) têm auxiliado no desenvolvimento de atividades que despertam o interesse do aluno. Em sua análise do ensino de física no Brasil, Moreira (2018) considera que o envolvimento do professor que atua na educação básica com a pesquisa em ensino permite que ele conheça pesquisas que o ajudam a solucionar problemas reais encontrados na sua prática diária em sala de aula . Um exemplo do que foi colocado, é o relato que B. fez sobre a dificuldade enfrentada no contexto do ensino remoto durante a pandemia. Disse que o diálogo com os alunos foi praticamente nulo nas aulas que teve que lecionar de forma virtual. Naquelas em que inseriu a abordagem dada pela CienciArte , como aquela observada no contexto de estágio que relatamos, B. disse perceber um maior engajamento da turma. Tomou o cuidado de apontar que essa é ainda uma percepção, mas afirmou que está trabalhando em estudos de caso da própria prática onde analisará dados que possam confirmar ou não sua hipótese.
No que se refere às maiores dificuldades na articulação física e arte, no ponto de vista do professor:
Professor B.: [...] 'a maior dificuldade não está em fazer, não está em pesquisar, não está em nada do que se relaciona com CiênciArte e sim na compreensão da comunidade escolar [...] acho que os professores de física que estão no mercado, que estão atuando carregam ainda um preconceito com relação a isso, de achar que quando você desenvolve um trabalho envolvendo CiênciArte você não está fazendo uma coisa séria ou você está deixando a física e a ciência de lado[...]'
Por conta disso, o professor B. aconselhou aos novos professores que têm interesse na abordagem, para que insistam na prática, sem se preocupar com o que
'poderão falar'. Disse ser importante ler bastante e também ampliar seu espectro de cultura.
Em relação ao lado positivo dessa articulação, o professor B. argumentou acerca da realização pessoal de estar fazendo um trabalho que o agrade. A física, sendo tradicionalmente um campo tão duro e difícil, pode ser leve quando dialoga com a arte. Encerrou a entrevista afirmando que a arte é fundamental para a sociedade, pois o seu impacto é imediato: 'uma área não se sobrepõe à outra, o que acontece é uma conjunção para formação de uma nova área, que seria CienciArte , onde nenhuma é mais importante que a outra'.
## Conclusão
Tendo conhecimento do cenário atual do ensino de física no Brasil, e as tentativas de trabalhar a interdisciplinaridade, buscamos neste trabalho mostrar outra vertente possível para o ensino de física associado à arte, conhecida através da realização do estágio supervisionado. Fica notória a necessidade de trabalhar a formação docente para a interdisciplinaridade com a finalidade de ampliarmos os caminhos na construção de conhecimento. Outro ponto relevante é o incentivo à participação desses professores em grupos de pesquisa, para que tenham acesso à variadas metodologias, além de poderem contribuir com a investigação de questões de pesquisa que solucionem demandas da prática docente e com a comunicação de relatos de casos que possam enriquecer a comunidade com informações de boas práticas que podem inspirar o trabalho de outros professores.
A proposta deste trabalho foi trazer, a partir das observações do estágio supervisionado e da entrevista realizada, a vivência de um professor que faz da sua prática um espaço para a união de dois campos distintos, física e arte, através da música e dos poemas. Não mostramos apenas o lado positivo dessa junção, mas as objeções que o professor que adere a esse caminho pode encontrar no decorrer da sua prática. O preconceito por parte da própria comunidade acadêmica quanto à CiênciArte , corrobora a necessidade de inserirmos essa discussão nos cursos de licenciatura, como feito por Cachapuz (2014). Fica em aberto a reflexão sobre outras formas de criação dentro da temática CienciArte , em especial física e arte, estimulando docentes ao pluralismo metodológico no ensino de física.
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