MULHERES NO ENSINO DE FÍSICA: REFLETINDO SOBRE AS POSSIBILIDADES DE MATERIAIS DIDÁTICOS
Jaqueline May Borsatto, Alisson Antonio Martins
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2022
- Data
- 17/08/2022
- Linha de pesquisa
- 11 - Equidade, Inclusão, Diversidade E Estudos Culturais E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## MULHERES NO ENSINO DE FÍSICA: REFLETINDO SOBRE AS POSSIBILIDADES DE MATERIAIS DIDÁTICOS
## WOMEN IN PHYSICS TEACHING: REFLECTING ON THE POSSIBILITIES OF DIDACTIC MATERIALS
Jaqueline May Borsatto 1 , Alisson Antonio Martins 2
1 UTFPR/PPGFCET/GEPEF, jaqueline.borsatto@alunos.utfpr.edu.br 2 UTFPR/PPGFCET/GEPEF UFPR/PPGE/NPPD, amartins@utfpr.edu.br -
## Resumo
Apresentam-se os resultados de uma investigação que teve por objetivo analisar as percepções de professoras/professores de Física sobre a demanda de materiais de apoio para o trabalho com questões de gênero na disciplina de Física. Para tanto, foi desenvolvida uma pesquisa qualitativa, com a utilização de um questionário online e com entrevistas com professores/professoras que atuam no Ensino Médio dos colégios públicos do Estado do Paraná. Os resultados apontaram que a maioria das/dos professoras/professores considera a influência da representação dos cientistas em imagens nos livros didáticos, mídia, filmes, etc., sobre a possível contribuição para a identificação das/dos estudantes com esta carreira profissional. Enquanto proposta, para tentar equalizar estes interesses, questionou-se sobre a possibilidade de se trabalhar questões de gênero de modo transversal na disciplina de Física. Foi apontada a falta de materiais didáticos para auxiliar aulas sobre mulheres na Física, algo mais direcionado aos recursos que podem ser utilizados para uma aula sobre a temática. Nesse sentido, desenvolveuse um produto educacional que visa incentivar a reflexão sobre as questões de gênero nessa disciplina escolar e sugere algumas possibilidades de atividades que coloca em evidência a participação feminina na ciência.
Palavras-chave : Mulheres na ciência. Ensino de Física. Produto educacional. Materiais didáticos. Professoras/professores intelectuais crítico.
## Abstract
We present the results of an investigation that aimed to analyze the perceptions of Physics teachers on the demand for support materials for working with gender issues in the Physics discipline. Therefore, a qualitative research was developed, using an online questionnaire and interviews with teachers who work in high school in public schools in the State of Paraná. The results showed that most of the teachers consider the influence of the representation of scientists in images in textbooks, media, films, etc., on the possible contribution to the identification of students with this professional career. As a proposal, to try to equalize these interests, it was questioned about the possibility of working on gender issues in a transversal way in the Physics discipline. The lack of teaching materials to help classes on women in Physics was pointed out, something more directed to the resources that can be used for a class on the subject. In this sense, an educational product was developed that aims to encourage reflection on gender issues in this
school subject and suggests some possibilities for activities that highlight female participation in science.
Keywords : Women in Science. Physics Teaching. Educational product. Teaching materials. Critical intellectual teachers.
## Introdução
Vivemos em uma sociedade patriarcal, cujas relações de poder, domínio e prestígio ainda prevalecem favoravelmente aos homens, ditando padrões normativos a certas incumbências ou competências. Na atribuição de tarefas e responsabilidades, designadas a homens e mulheres, a ciência se assenta enquanto uma área profissional majoritariamente masculina.
A formação do pensamento científico se configurou nesta demarcação, especialmente pelo privilégio histórico dos homens, do acesso a uma cultura letrada e a imposição para as mulheres a uma situação subalterna, destinada ao cuidado do lar, provocando assim, um distanciamento do conhecimento (CHASSOT, 2019). Mesmo com o aumento da presença de mulheres nas mais diferentes áreas da Ciência nas últimas décadas, ainda seu número, em termos globais, é significativamente inferior ao de homens (CHASSOT, 2019). A Física e alguns ramos da engenharia demarcam ainda mais expressivamente essa diferença entre os gêneros que áreas como as ciências biológicas ( AGRELLO; GARG, 2009) .
Nesse sentido, apontar novas perspectivas às/aos estudantes que futuramente optarão por esses segmentos, se torna um desafio para os profissionais de ensino que lecionam disciplinas associadas a estas áreas científicas, como a Física. Pesquisas como Gomes e Rosa (2015), Rosa (2016), Rosa e da Silva (2020), Silva e Silva (2020), Ferreira et. al. (2019) apontam a necessidade de uma inclusão social de gênero, orientada na representatividade, com a de inserção de meninas em atividades participativas, a realização de debates e práticas pedagógicas trazendo discussões relacionadas a gênero em sala de aula.
Considerando a proposta de se trabalhar essas questões de gênero na disciplina de Física do Ensino Médio, este estudo apresenta um recorte de uma pesquisa durante o mestrado, que visava compreender como são abordadas as relações de gênero nas aulas de Física e quais são as percepções dos professores que lecionam esta disciplina sobre a pertinência em se trabalhar este tema. Deste modo, neste estudo se apresentam os resultados em torno ao objetivo de se analisar as percepções de professoras/professores de Física sobre a demanda de materiais de apoio para o trabalho com questões de gênero na disciplina de Física.
## A representação nos materiais didáticos
De acordo com Tomaz Tadeu da Silva (2012), a representação é um sistema de significação que promove a atribuição de sentidos. Estando estreitamente associada às relações de poder, é por meio da representação que se torna possível definir e determinar identidades e diferenças, que envolvem o reconhecimento do indivíduo por determinadas características simbólicas.
No meio cultural, no que se refere às representações de gênero, ainda se manifesta o binarismo no que tange ao feminino e ao masculino, separando os territórios de interesse. De acordo com Joanne Hollows (2005), a mídia ainda tem
reforçado a imagem da mulher estereotipada, em 'papéis tradicionais' cujos interesses são direcionados para o lar e a casa, influenciando as concepções dos indivíduos sobre os trabalhos desempenhados por mulheres.
No ensino, os livros didáticos ainda trazem figuras estereotipadas de mulheres e homens. Estudos apontam que, grande parte das ilustrações destes materiais colocam as mulheres apenas no ambiente doméstico ou desempenhando papéis geralmente associados à maternidade, enquanto os homens são apresentados realizando atividades ao ar livre ou desempenhando tarefas de cunho científico (SILVA, 2015; MARTINS; HOFFMAN 2007).
Katemari Rosa e Maria Silva (2015) apontam a importante fonte de comunicação visual que as imagens carregam, ocupando quase metade dos livros didáticos. Numa análise feita pelas autoras, em uma obra aprovada pelo Programa Nacional de Livro Didático (PNLD), foi constatado que uma parte significativa de imagens reforçava estereótipos de gênero, apresentando mulheres em ambiente doméstico e homens em situações de protagonismo no fazer científico. Estes resultados reforçam a visão de que as mulheres estão designadas a ocupar a esfera do privado, do lar e ambiente doméstico, enquanto os homens estão na esfera do público, estando qualificados para diversos ofícios.
A falta de modelos femininas enfatiza a exclusão e invisibilidade das mulheres na formação dos conhecimentos científicos, afastando as estudantes das ciências, como consequência de não se reconhecerem nas páginas dos livros didáticos. Nos materiais didáticos, a forma como uma imagem ou algum texto é abordado, pode produzir distintas leituras por seu público. Neste sentido, o modo como a personagem feminina é colocada em relação à posição representada por homens, pode estar relacionada ao constituinte da identidade dos sujeitos.
Hollows (2005) em sua crítica às representações da figura feminina, no meio midiático, traz a proposta de Stuart Hall de que a cultura popular não é fixa e determinante, mas é um espaço de luta, no qual se desenvolvem conflitos entre grupos dominantes e subordinados, estando em constante negociação, mudanças, construção e reconstrução. Nesse sentido, considerando que a cultura popular não deve ser vista simplesmente como o meio pelo qual grupos dominantes impõem suas ideias a grupos subordinados, mas, como um espaço de luta, um lugar onde se desenvolvem conflitos entre grupos dominantes e subordinados, é significativo à luta por mudanças nessas representações (HOLLOWS, 2005)
Esta forma de conceber uma cultura popular se alinha com a escola crítica destacada por Henry Giroux (1987). Ou seja, considera-se a escola como uma esfera pública, constituinte de forma política e cultural, cujas questões de poder e de democracia se associam a ela. Por conseguinte, ela está submetida à influência de ideologias e práticas sociais do modelo dominante, porém, também é um espaço que prepara os estudantes a participar e a lutar por esferas públicas democráticas.
Neste entendimento, as formas críticas de ensino-aprendizagem, da mesma forma que a cultura popular, apontada por Hollows (2015), pode contribuir para a luta por igualdade de gênero. A perspectiva de masculinidade e feminilidade não é fixa, possuem significados distintos conforme o tempo e o contexto histórico, podendo ser construídas e reconstruídas. O direcionamento adotado por essas reestruturações pode desenvolver abertura para agências, impulsionando mudança nos padrões normativos (GONÇALVES; MELLO, 2017).
Nesse processo de luta por reconstrução de significados no ambiente escolar, nas mudanças de representações, destaca-se o papel da/do professora/professor enquanto intelectual crítico. Giroux (1987) sugere a 'necessidade de que os professores estejam mais criticamente atentos às ideologias embutidas no currículo oculto e às formas como funcionam para modelar diferentes aspectos da vida escolar' (p.46). Ao apropriarem-se destes materiais, ainda defasados na ambientação da mulher em atividades científicas, as/os professoras/professores são chamadas/os a refletir sobre suas práticas e experiências sociais de sala de aula, de forma a atender o desenvolvimento de uma sociedade e de uma ordem democrática.
## Procedimentos metodológicos
Para analisar as percepções de professoras/professores de Física sobre a demanda de materiais de apoio para o trabalho com questões de gênero na disciplina de Física se utilizou de uma pesquisa qualitativa, na qual foi aplicado um questionário online e se realizaram entrevistas com professores/professoras que atuam no Ensino Médio dos colégios públicos do Estado do Paraná. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos e foi realizada de modo remoto, por meio de ferramentas de comunicação online, com coleta de informações entre os meses de junho de 2020 a julho de 2021.
O questionário foi estruturado no Google Forms e suas questões objetivaram levantar as percepções das/dos professoras/professores referentes a determinadas circunstâncias da sala de aula. Este instrumento foi enviado em junho de 2020 a todos/as os/as professores/as de Física do estado do Paraná, durante o período de trabalho remoto em função da pandemia de Sars-Cov 2, causador da Covid-19. Embora tenha sido enviado a todos/as os/as professores/as do estado, houve um retorno de apenas 36 questionários respondidos.
Em continuidade, a pesquisa previa a realização de entrevistas semiestruturadas com os/as professores/as que, voluntariamente, se dispusessem em participar. Após a análise das respostas ao questionário, foram realizadas duas entrevistas, de modo remoto, através de ferramentas de videochamadas.
Enquanto sugestão de contribuição a esta tarefa de criticidade, sugerida às/aos professoras/professores, este estudo apresentou um produto educacional que apresenta sugestões sobre as discussões de gênero em sala de aula. O produto se ampara na representatividade de mulheres na Física, entendendo que as suas representações nas carreiras científicas podem contribuir no estabelecimento de identidades, demonstrando que esta também se configura enquanto uma possibilidade formativa. Nesse sentido, tona-se necessário manifestar representações de mulheres atuantes nas áreas de ciências naturais e exatas, especialmente no contexto escolar, de modo que seja internalizado, como também, pertencente a estes campos, rompendo barreiras erguidas em torno do gênero.
## Resultados e discussões
Dentre as interrogações feitas na pesquisa, uma das perguntas do questionário indagou as/os professoras/professores sobre a influência da representação dos cientistas em imagens nos livros didáticos, mídia, filmes, etc., se há uma possível contribuição para a identificação das/dos alunas/os com esta
carreira profissional, 61,1% das/dos participantes concordaram parcialmente e 27,8% concordaram totalmente com esta possiblidade. Nesse sentido, considerouse esta uma opinião favorável, na motivação para a elaboração de uma proposta do produto educacional que contribua para ampliar a representatividade nestes materiais. Nesse sentido, considerou-se esta uma opinião favorável, na motivação para a elaboração de uma proposta do produto educacional que contribua para ampliar a representatividade nestes materiais.
A/O professora/professor assumirá a responsabilidade sobre o uso dos livros didáticos. Ela/ele escolhe a obra, seleciona os textos, elabora interpretações, orienta as atividades, etc. Portanto, é fundamental que estes profissionais tenham a sua disposição materiais que contemplem estas possibilidades.
Em outra questão, sobre a possibilidade de se trabalhar questões de gênero de modo transversal durante as aulas de Física, a maioria das/dos participantes considera essa possibilidade indiferente (42,9%), porém, a soma dos/das professores/professoras que concordam parcialmente e concordam totalmente supera este parecer (54,3%). Isso revela uma preocupante conjuntura, pois, as desigualdades entre homens e mulheres são reconhecidas, tais como a dupla jornada de trabalho, a falta de oportunidades, a pertinência de estereótipos, contudo, não se tem um posicionamento sobre como reverter estas desigualdades.
Na Física são expressivas as diferenças de gênero, seja no pouco número de mulheres que seguem por essa carreira científica e áreas afins, seja na própria diferença entre meninos e meninas entre os segmentos de conteúdos da disciplina. Apontar questões desigualitárias de modo transversal seria uma alternativa de oportunizar uma forma de educação contra hegemônica, desenvolvendo a criticidade acerca das diferenças que se estabelecem neste âmbito. Pouco mais da metade das/dos professoras/professores entrevistadas/os concordaram com essa possibilidade, reconhecendo a responsabilidade do ensino de Física na projeção de reflexão em suas/seus estudantes para reverter este cenário.
Entretanto, na perspectiva de discutir o enquadramento do ensino de Física na constituição e reprodução das diferenças de gênero, também se apresenta uma porcentagem considerável de relutância em incitar esses debates. Nessa conjuntura está o questionamento de condições ideológicas que sustentam o decurso das desigualdades, não apenas o ensino de técnicas e o domínio da disciplina.
Na entrevista, questionou se os livros didáticos teriam suporte suficiente para trabalhar a temática de Mulheres na Ciência, as/os professoras/professores constataram que não, sendo necessário realizar pesquisas na internet.
'A geralmente a internet, mesmo em si. O Google Acadêmico ali que procuro alguns artigos, alguma coisa nesse sentido' (Participante1, professor)
'Hoje, o mais fácil para a gente, para que também, não tenho todo o tempo do mundo para ir pesquisando é a internet: trabalho de universidades, sites de universidades.' (Participante2, professora)
O professor e a professora citam recursos disponíveis com acesso a publicações científicas (Google Acadêmico, trabalhos acadêmicos e sites de universidades), uma proveitosa fonte de pesquisa para desenvolverem suas aulas.
Interrogando a e o docente sobre as possiblidades de se trabalhar a contribuição de mulheres na ciência foi apontado a falta de materiais didáticos para
auxiliar aulas sobre mulheres na Física, algo mais direcionado aos recursos que podem ser utilizados para uma aula sobre a temática,
Eu acho que é isso que falta, algo que você possa utilizar... um material assim, que você possa utilizar, que você possa lançar mão e dispor disso para você fazer um planejamento de aula, para você fazer uma semana especial, ou alguma coisa né. Porque é exatamente isso que estou falando, não tem isso. Tá por ai... tem em algum lugar, mas está assim muito... tudo muito afastado, se não você teria que fazer um trabalho hercúleo para fazer isso. (Participante 2, professora)
A internet possui variadas possibilidades que podem ser aproveitadas para se trabalhar a temática de gênero nas aulas de Física. Pesquisadores, professores, instituições, etc. desenvolvem trabalhos e produtos que divulgam nessa mídia seus resultados. Entretanto, essas publicações estão dispersas no conjunto de páginas que formam a rede, tornando a tarefa de pesquisa trabalhosa.
Conforme destacado na fala da professora, há a necessidade de mais materiais e de divulgação de trabalhos desenvolvidos no sentido dessas temáticas. Porque, de acordo com as entrevistas realizadas, quando questionados sobre o currículo adotado, o livro didático não traz apontamentos suficientes para conduzir atividades objetivando abordagens de gênero nas aulas de Física. Por vezes as/os profissionais da educação pretendem desenvolver tarefas que visam aproximar-se de temáticas substanciais na formação de habilidades interpretativas e transformadoras. Neste particular, observa-se que, para o alinhamento da escola como espaço de luta (GIROUX, 1987 e 1997), as discussões como as de gênero precisam se manifestar de modo mais acessível nos constituintes dos currículos.
A partir de indicadores apontados nesta pesquisa (necessidade de materiais que sugerissem propostas e materiais didáticos para se trabalhar mulheres na Física), foi desenvolvido um produto educacional, o qual consiste em um material destinado às/aos professoras/professores de Física, que incentive a reflexão sobre as questões de gênero nessa disciplina escolar, com sugestão de atividades que evidenciem a participação feminina na ciência. Pensando nas possibilidades de se abordar questões de gênero num formato transversal, este material, intitulado 'Mulheres e ensino de Física: pensando novas possibilidades' (Figura 1), busca indicar e questionar sobre algumas sugestões de atividades, textos, leituras, vídeos, entre outros, aos professores e às professoras de Física.
Figura 1 - Produto educacionalFonte: Autoria própria (2022).
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Este produto tem como intuito apresentar a Física como uma área do conhecimento mais atrativa às garotas, desmitificando a visão comumente associada ao cientista como o homem branco, vestido de jaleco e que trabalha em um laboratório.
Defendendo o posicionamento da/do professora/professor enquanto intelectual crítico e transformador (GIROUX, 1987), este material não é uma definição de conteúdo ou abordagens que deveriam ser usados em sala de aula. São apenas sugestões e reflexões de atividades, cabendo à/ao professora/professor escolher se vai usar ou não, se acha pertinente para complementar suas aulas.
## Considerações Finais
Pensar a escola enquanto espaço de luta compreende considerar o acesso às informações, às discussões e à disponibilidade de materiais que tragam a temática de gênero de forma alinhada ao ensino de Física. Uma problemática apresentada pelas/pelos participantes da pesquisa é a carência de materiais com estas características, havendo uma dispersão de propostas na internet.
A necessidade de materiais que alinhem as relações de gênero com o ensino de Física associada à indiferença determinou o desafio a ser compreendido na construção do produto educacional apresentado por esta pesquisa. Ou seja, pensou-se em como acolher os motivos dessa resistência em conjunto com as demandas relatadas, sem direcionar o que e como deve ser ensinado, pois se defende a intelectualidade da/do professora/professor no exercício de seu trabalho.
Nesse sentido, construiu-se um material didático que busca apresentar algumas possibilidades para se trabalhar gênero de modo transversal nas aulas de Física. Ele não se constitui em um acervo de materiais catalogados, visto que há uma diversidade de recursos e práticas pedagógicas disponíveis que podem render aulas promissoras. A intenção é que, a partir desses exemplos apresentados, a/o professor/professora possa se inspirar, se apropriar ou mesmo desenvolver algo totalmente diferente, pensado em seu cotidiano na sala de aula, nas abordagens exercidas, nos trabalhos avaliativos sugeridos, nos personagens de exemplos e exercícios, nas figuras utilizadas, nos assuntos das "conversas paralelas", etc.
As propostas desenvolvidas são tentativas de organizar materiais para o desenvolvimento de práticas pedagógicas, correspondendo às demandas relatadas. Entretanto, esta proposta não supera todas as dificuldades, ela não apresenta soluções nem traz prescrições sobre o que fazer, apenas veicula possibilidades, conduzindo reflexões acerca de como as questões de gênero podem ser conduzidas no ensino de Física. Não existem soluções exatas ou objetivas para solucionar as desigualdades de gênero. Mas, isso também não significa que não há possibilidades, recursos ou modos para enfrentar os cenários nos quais as mulheres sofrem com as desigualdades de gênero. Foi pensando nessas alternativas que se buscou relacionar seus desdobramentos no Ensino de Física.
## Referências
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