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A relação dos jogos dos povos indígenas com o ensino de conteúdos de física para estudantes do ensino fundamental

Marcio Henrique Dainez, Alisson Antonio Martins

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIX
Ano
2022
Data
17/08/2022
Linha de pesquisa
11 - Equidade, Inclusão, Diversidade E Estudos Culturais E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A RELAÇÃO DOS JOGOS DOS POVOS INDÍGENAS COM O ENSINO DE CONTEÚDOS DE FÍSICA PARA ESTUDANTES DO ENSINO FUNDAMENTAL

## THE RELATIONSHIP OF INDIGENOUS GAMES WITH THE TEACHING OF PHYSICS CONTENT FOR ELEMENTARY SCHOOL STUDENTS

Marcio Henrique Dainez 1 , Alisson Antonio Martins 2

1 UTFPR/PPGFCET/GEPEF, mdainez@gmail.com

2 UTFPR/DAFIS/PPGFCET/GEPEF - UFPR/PPGE/NPPD, amartins@utfpr.edu.br

## Resumo

Este trabalho realiza uma breve revisão de literatura com o objetivo de analisar como a pesquisa bibliográfica está relacionando os jogos dos povos indígenas com o conteúdo energia da área da física na disciplina de ciências da natureza do Ensino Fundamental. Considerando a Lei Federal 11645/2008, que trata da obrigatoriedade do estudo da cultura indígena nos estabelecimentos de ensino em território nacional, compreendendo que a população indígena faz parte de uma sociedade contemporânea e analisando que suas ações, visões, percepções, concepções, ritos, valores e cultura podem ser marcas pessoais e elementos transformadores desta sociedade, a questão que norteou o desenvolvimento deste estudo foi compreender quais são as contribuições dos jogos dos povos indígenas na área da física na disciplina de ciências da natureza. A partir destas publicações criaram-se as categorias enquanto resultados da pesquisa: a) A presença dos povos indígenas nas pesquisas; b) A presença da temática indígena no ambiente escolar; c) A presença da temática indígena na sala de aula e d) A presença da temática indígena na física.

Palavras-chave: Povos Indígenas. Cultura indígena. Ensino de Física. Sala de aula.

## Abstract

This work carries out a brief literature review with the objective of analyzing how the bibliographic research is relating the games of indigenous peoples with the energy content of the area of physics in the discipline of natural sciences of elementary school. Considering the Federal Law 11645/2008, which deals with the obligation to study indigenous culture in educational establishments in the national territory, understanding that the indigenous population is part of a contemporary society and analyzing that their actions, visions, perceptions, conceptions, rites , values and culture can be personal marks and transforming elements of this society, the question that guided the development of this study was to understand what are the contributions of indigenous peoples' games in the area of physics in the discipline of natural sciences. Based on these publications the following categories were created as results of research: a) The presence of indigenous peoples in research; b) The presence of

indigenous themes in the school environment; c) The presence of indigenous themes in the classroom and d) The presence of indigenous themes in physics.

Keywords: Indian people. Indigenous culture. Physics teaching. Classroom.

## Introdução

Após catorze anos de publicação da lei federal, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura indígena, poucos foram os avanços no sentido de incorporar suas temáticas nas salas de aula da Educação Básica. No ensino de ciências da natureza e mais especificamente no ensino de Física, o cenário não é diferente sendo que os jogos dos povos indígenas encontram grande resistência quanto a sua discussão e articulação com o conteúdo científico abordado em sala de aula.

Menezes (2003, apud GOMES, 2021) salienta que o ensino de física envolve linguagens importantes e não somente a compreensão de processos. Segundo Teles, Estomacacia e Portela (2017) a física, por se tratar de uma ciência básica, pode ter muito a contribuir com os anos iniciais do Ensino Fundamental, pois conforme relata Schroeder (2007, apud TELES, ESTOMACACIA, PORTELA, 2017) apresenta oportunidade para desenvolver autoestima e vivências de situações desafiadoras e prazerosas ao mesmo tempo.

Almeida (2019) defende que a física se baseia em observações da natureza e os povos indígenas, por meio de seus saberes, interpretam e valorizam o mundo. Néspoli (2007) reforça que os temas de física podem ser desenvolvidos na ótica da visão indígena, corroborado por Almeida (2019) ao enfatizar que estudos com os povos indígenas vêm demonstrando a importância na construção desse conhecimento para as comunidades não indígenas assim como contribuições para a atualização do currículo de física para o Ensino Fundamental.

Silva (2021) compara o sistema educacional brasileiro como um processo castrador, pois está relacionado as barreiras culturais e que é necessário superar este processo por meio de uma educação inclusiva, crítica, intercultural e efetiva. Para Borges (2021) o aluno não pode construir um conhecimento capaz de fazer a diferença mediante uma relação de troca onde o aprender e ensinar é um caminho de mão dupla com ênfase no coletivo de um conhecimento científico humanizado.

Krexu (2021) enaltece a figura indígena como parte integrante da sociedade brasileira que sobressai a visão histórica engessada transmitida através dos livros didáticos em sala de aula.

Freire (1987) utiliza o termo 'Ser Mais' para todos os povos que se encontram oprimidos, assim como os povos indígenas, oprimidos fisicamente através das palavras de Silva e Costa (2018, p. 19) 'por uma mentalidade colonial de uma ideia depreciativa do indígena perante o olhar dos não indígenas'.

Seus ritos, tradições, identidade e cultura devem ser valorizados e ao serem garantidos, conforme Brasil (2008) por meio da Lei Federal 11645/08, que estabelece a obrigatoriedade do estudo da história e cultura indígena nos estabelecimentos de Ensino Fundamental público e privado, pode se configurar como um caminho que dá vez e voz aos excluídos, ao mesmo tempo que em sala de aula fecha os 'portões' da

ignorância, intolerância e invisibilidade conduzindo o estudante, conforme Freire (1996, p. 22) 'como um ser social, histórico, pensante e realizador de sonhos'.

Neste trabalho são apresentados os resultados parciais de uma investigação em desenvolvimento. O objetivo geral foi compreender de que modo a discussão sobre os povos indígenas se faz presente nas pesquisas em ensino de física e na visão dos jogos dos povos indígenas. Esta compreensão possibilitará a apropriação das discussões teóricas no campo contribuindo para a fundamentação da pesquisa.

## Metodologia

Para o desenvolvimento do presente artigo buscou-se informações necessárias a partir de fontes nacionais que envolvem seis periódicos de buscas com o objetivo de analisar como a temática relacionada aos povos indígenas é abordada e como tem dialogado com o ensino de física trabalhado pelos professores de ciências da natureza do Ensino Fundamental.

A revisão bibliográfica buscou trabalhos no Repositório Institucional da UTFPR, no Portal de Periódicos da Capes, no Caderno Brasileiro de Ensino de Física, no periódico Ciência & Educação, na Revista Brasileira de Ensino de Física e na Revista Nova Escola. Foram analisados apenas os artigos revisados por pares com a delimitação de trabalhos inseridos nas linhas de equidade, diversidade, estudos culturais e o ensino de física.

Para a seleção das publicações foram utilizadas as palavras-chave: índio, cultura indígena, jogos dos povos indígenas, ensino de física, energia e sala de aula. A identificação e análise resultou um total de quinze publicações selecionadas entre artigos e monografias publicadas entre 2008 a 2020 classificadas em quatro categorias: a) A presença dos povos indígenas nas pesquisas; b) A presença da temática indígena no ambiente escolar; c) A presença da temática indígena na sala de aula e d) A presença da temática indígena na física.

## A Relação das fontes bibliográficas com o presente artigo

O Quadro 1 apresenta o material bibliográfico analisado separando as fontes bibliográficas em dois momentos distintos: momento 1 - pré-pandemia (entre os anos de 2008, a partir da promulgação da Lei Federal 11645/08 e 2019) e momento 2 pandemia (a partir de 2020 até o presente).

Quadro 1: Quantidade trabalhos apresentados

Fonte: autoria própria (2022).

O Quadro 2 apresenta, em ordem alfabética, as palavras sinônimas, ou não, que após a leitura dos trabalhos mencionam a presença do estudo da temática indígena e o ensino de física demonstrando que estas temáticas ao longo dos doze anos destas publicações analisadas são atuais, demonstram interesse por parte dos pesquisadores e que são debatidas por meio de escrita crítica e reflexiva.

Quadro 2: Relação das palavras afins

Fonte: autoria própria (2022).

O Quadro 3 demonstra a presença das publicações analisadas por meio das categorias construídas. A quantidade total passa de quinze trabalhos analisados devido à presença das mesmas em mais de uma categoria construída.

## Quadro 3: As publicações e suas categorias constituídas

Fonte: autoria própria (2022).

Na sequência, são apresentadas as reflexões e análises em torno às categorias construídas após o levantamento dos trabalhos.

## Categoria 1: A presença dos povos indígenas nas pesquisas

Dez publicações enaltecem a presença dos povos indígenas e a diversidade de papéis desempenhados na construção da sociedade atual.

Os trabalhos indicam o fortalecimento das escolas indígenas como espaços do processo ensino-aprendizagem e tentativas de estabelecerem a visão de educação intercultural ao conhecimento científico tradicional.

Por meio de sua história grande parte dos trabalhos relatam a presença dos indígenas fora de suas comunidades, a busca da sua identidade, a valorização da diversidade, a preservação de sua origem, a alteridade e a ancestralidade.

Apesar de serem povos alijados e oprimidos as publicações enfatizam os povos indígenas como um grupo social emergente, resistente, diferenciado, gerador de raízes e construtor do conhecimento científico para a busca de uma representação de pertencimento de uma sociedade mais igualitária.

## Categoria 2: A temática indígena no ambiente escolar

Sete publicações envolvem discussões a respeito da necessidade das áreas do conhecimento científico das escolas não indígenas em debater a presença da história da cultura indígena nos currículos e práticas pedagógicas dos professores das escolas não indígenas.

Embasado na Lei Federal 11645/08 grande parte dos artigos trabalham com questões da mudança de currículos enraizados na visão eurocêntrica, a necessidade de as ciências não serem obstáculos para a entrada de outros saberes na escola e a importância das questões indígenas em subsidiar a prática pedagógica do professor em sala aula.

Para a condução a uma educação mais crítica, antidiscriminatória e emancipatória, os trabalhos relatam a presença de discussões indígenas para algumas disciplinas como história (MATOS, 2018), ciências (VALADARES, JUNIOR, 2020), matemática (MOGEGE, 2017) e geografia (SOUSA, MARQUES, 2019).

## Categoria 3: A temática indígena na sala de aula

Nove publicações trazem luz à discussão dos mais diversos empecilhos e dificuldades enfrentados pelo conhecimento indígena em sala de aula não indígena.

Os relatos apontam para a presença de poucos materiais disponíveis e adaptados à realidade dos alunos, a necessidade da participação do poder público e políticas educacionais substanciais para a educação indígena, melhor estruturação para formação inicial e continuada dos professores e desafios da presença do currículo escolar que reflita de forma mais autônoma e concreta as relações dos grupos culturais e sua interculturalidade como conhecimento científico tradicional.

Os trabalhos relatam a presença na escola não indígena da visão dos povos indígenas com um estereótipo homogêneo, folclorizado, preconceituoso e as

dificuldades de se abordar as questões indígenas em sala de aula. Apesar de todas essas situações a escola tem um papel fundamental para a desconstrução da imagem romantizada sobre os indígenas possibilitando a formação de um indivíduo crítico em um ambiente construtivo de conceitos éticos escolares.

## Categoria 4: A temática indígena na física

Dois trabalhos fazem breves relatos sobre a presença da temática Indígena na disciplina de física (BICALHO, OLIVEIRA, MACHADO, 2018; OLIVEIRA, FERREIRA, 2017). As questões apresentadas conduzem ao questionamento da busca, da reflexão e do compromisso por parte dos educadores, dos estudos e das pesquisas sobre a diversidade ética e cultural que existe no Brasil.

Um trabalho direciona diretamente a abordagem do tema índio para a sala de aula no ensino de física envolvendo os conceitos tempo e espaço (OLIVEIRA, FERREIRA, 2017), porém, estes conhecimentos científicos estão voltados à aprendizagem de alunos indígenas de uma aldeia indígena estudada.

## Considerações finais

A pandemia tornou-se um entrave na vida de milhões de pessoas, mas não cessou o interesse e a disposição dos pesquisadores em escrever sobre assuntos e temas que façam a diferença na construção do conhecimento científico. Ao escrever durante o período pandêmico, o pesquisador transmite a mensagem de que o processo ensino-aprendizagem não pode se permitir estagnar frente a uma sociedade que constantemente necessita evoluir e continuar sua caminhada em busca na prática de uma posição realmente democrática.

A discussão indígena se faz presente fora das instituições de ensino, mas enfrenta grandes resistências dentro da sala de aula para que possa ser inserida como um fator gerador de grande valia e aliado a todas as áreas do conhecimento voltado ao Ensino Fundamental.

Encontrou-se publicações em periódicos analisados que tratam as temáticas indígenas em sala de aula, mas não diretamente aos conteúdos de física trabalhadas na disciplina de ciências da natureza para o ensino fundamental.

Neste momento não se encontrou publicações em que os conteúdos da física dialoguem diretamente com os jogos dos povos indígenas, o que enseja discussões futuras sobre esta contribuição para a disciplina de ciências da natureza.

Desta forma considera-se que ainda é necessário conduzir para o ensino de física no Ensino Fundamental o protagonismo indígena para o diálogo com os conteúdos de ensino em sala de aula em que os alunos naturalmene possam estabelecer relações com esta área do conhecimento, superando visões estereotipadas sobre os povos indígenas e sobre os seus conhecimentos.

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