INTERDISCIPLINARIDADE E ENSINO DE FÍSICA EM CURSOS DE ENSINO MÉDIO INTEGRADO NO CONTEXTO DO ENSINO REMOTO: A EXPERIÊNCIA DAS TEIAS DE CONHECIMENTO NO INSTITUTO FEDERAL DA BAHIA CAMPUS ILHÉUS
Danilo Almeida Souza
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2022
- Data
- 17/08/2022
- Linha de pesquisa
- 06 - Didática, Currículo E Inovação Educacional No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
INTERDISCIPLINARIDADE E ENSINO DE FÍSICA EM CURSOS DE ENSINO MÉDIO INTEGRADO NO CONTEXTO DO ENSINO REMOTO: A EXPERIÊNCIA DAS TEIAS DE CONHECIMENTO NO INSTITUTO FEDERAL DA BAHIA CAMPUS ILHÉUS
## INTERDISCIPLINARITY AND PHYSICS TEACHING IN INTEGRATED HIGH SCHOOL COURSES IN THE CONTEXT OF REMOTE EDUCATION: THE EXPERIENCE OF WEBS OF KNOWLEDGE AT THE FEDERAL INSTITUTE OF BAHIA CAMPUS ILHÉUS
## Danilo Almeida Souza
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA)/ Campus Ilhéus, danilofisico@gmail.com/ danilos@ifba.edu.br
## Resumo
Este trabalho discute a interdisciplinaridade no ensino de Física em cursos de Ensino Médio Integrado (EMI) a partir da experiência de Teias de Conhecimento, aplicada de forma remota, no período de Atividades de Ensino Não Presenciais Emergenciais (AENPE) do Instituto Federal da Bahia (IFBA) campus Ilhéus. A pesquisa é de natureza qualitativa e parte da análise de planos de AENPEs de turmas que tinham na sua composição docentes que ministram aulas de Física, a saber, as turmas ITE21, ITI11 e 12 e ITST21 e ITST41. A leitura e análise dos planos de AENPE revelam que o tratamento interdisciplinar, apesar de se constituir como um elemento balizador para a construção das Teias, não aparece de forma explícita nos planos de todas as turmas. Apesar disso, identificamos nesses planos, elementos que estavam ausentes em estudos anteriores que avaliaram cursos de EMI no IFBA quando do ensino presencial, em especial a definição de conteúdos para a Física a partir de problemas gerais de interesse do curso técnico, e não da Física por si só, de forma isolada. Apesar de haver questões que extrapolam a análise dos planos de AENPE, as discussões deste trabalho apresentam as Teias de Conhecimento, experiência inédita na instituição, como uma possibilidade de travessia de um currículo disciplinar para um currículo efetivamente integrado, como defendido por teóricos desse campo de estudo.
Palavras-chave : Ensino Médio Integrado; Teias de Conhecimento; Ensino de Física; Interdisciplinaridade.
## Abstract
This work discusses the interdisciplinarity in the teaching of Physics in Integrated High School (EMI) courses from the experience of Webs of Knowledge, applied remotely, in the period of Emergency Non-Presential Teaching Activities (AENPE) of the Federal Institute of Bahia (IFBA) campus Ilhéus. The research is qualitative in nature and part of the analysis of AENPEs plans of classes that had in their composition teachers who teach Physics classes, namely, classes ITE21, ITI11 and 12, and ITST21 and ITST41. The reading and analysis of the AENPE plans reveal that the interdisciplinary treatment, despite constituting a guiding element for
the construction of Webs of Knowledge, does not appear explicitly in the plans of all classes. Despite this, we identified in these plans elements that were absent in previous studies that evaluated EMI courses at IFBA when teaching presential, especially the definition of contents for Physics based on general problems of interest to the technical course, and not Physics alone, in isolation. Although there are issues that go beyond the analysis of the AENPE plans, the discussions in this work present the Webs of Knowledge, an unprecedented experience in the institution, as a possibility of crossing a disciplinary curriculum to an effectively integrated curriculum, as defended by theorists in this field of study.
Keywords : Integrated High School; Webs of knowledge; Physics teaching; Interdisciplinarity.
## Introdução
Um número considerável de estudos tem se preocupado com o currículo das disciplinas do núcleo comum em espaços de Educação Profissional e Tecnológica (EPT) - em especial o Ensino Médio Integrado (EMI) - sobretudo com a expansão de cursos ofertados nesse formato, impulsionado pela publicação do decreto nº 5.154/2004 e pela experiência positiva apresentada pelas instituições pertencentes a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Embora esse comportamento não seja percebido de forma intensa na área de ensino de Física, como constatado em Souza (2020), investigações em torno da temática EMI e ensino de Física tem crescido e se configura como um dos campos emergentes da área.
Em estudo anterior (SOUZA, 2019), havíamos discutido o ensino de Física no universo da EPT, especialmente no que tange a organização do currículo. Na ocasião, a análise dos dados, à luz do nosso referencial teórico, nos possibilitou apresentar uma proposição para o desenho do componente curricular da Física no EMI, partindo da realidade do Instituto Federal da Bahia (IFBA), a partir de três eixos norteadores, dos quais a interdisciplinaridade se apresentava como uma forma de conduzir a integração curricular. A questão da interdisciplinaridade é reforçada por outros autores do campo da educação profissional, como Moura (2007, 2012) e Ramos (2008), além de ratificada na resposta dos professores que participaram do estudo.
Embora não houvera mudança no documento que regia a organização do currículo na instituição à época do estudo citado, a pandemia da Covid-19 motivou a publicação da Resolução nº 19, de 24 de agosto de 2020 do IFBA, que abria a possibilidade de arranjos curriculares diferentes para esse período de excepcionalidade. No caso do IFBA campus Ilhéus optou-se pela escolha das Teias de Conhecimento para os diferentes cursos de EMI que compõem o campus , a saber: Edificações, Informática e Segurança do Trabalho.
A Resolução nº 19/2020 do IFBA trata das normas acadêmicas emergenciais e provisórias para as Atividades de Ensino Não Presencial Emergencial (AENPE) durante o período de suspensão das atividades presenciais em função da pandemia da Covid-19. Para realização dessas atividades, destacamos que o parágrafo único do artigo 7º prevê que 'deve-se priorizar a
realização de AENPE extracurriculares e interdisciplinares, que promovam o diálogo entre as áreas de formação específicas e temas transversais' (IFBA, 2020a).
No IFBA campus Ilhéus, a Resolução nº 19/2020 se traduziu na realização das AENPEs na forma de Teias de Conhecimento, que como consta no anexo da Portaria nº 83 da Diretoria Geral do campus Ilhéus constitui-se de:
Uma proposição de trabalho pedagógico que parte de um tema gerador, de interesse das turmas e dos docentes implicados no trabalho, em consonância com o nível/modalidade de formação em que o estudante está inserido. [...] A partir de seu campo de conhecimento, os/as docentes atuam de modo articulado para produzir situações pedagógicas com mediação de aprendizagens, a partir de linguagens e códigos que são meios para comunicação e construção de conceitos. (IFBA, 2020b, p. 7)
Motivados pelo número ainda pequeno de estudos na área de ensino que discutam o ensino de ciências/Física no campo da educação profissional e da experiência única vivenciada no IFBA campus Ilhéus no contexto da pandemia da Covid-19, este trabalho busca identificar, a partir da análise dos planos das AENPEs no formato de Teias de Conhecimento, como a interdisciplinaridade se apresenta na proposta de Teias de Conhecimento em planos que tenham professores/as de Física em sua composição, e como essa experiência contribui para pensarmos a Física para cursos técnicos no formato de EMI?
Em termos de organização, partimos da introdução, seguindo para a metodologia, onde apresentamos o material selecionado para análise. A seguir, descrevemos e discutimos especificamente os planos das AENPEs, encontrando aproximações da abordagem da Física para a formação técnica para qual as AENPEs foram projetadas ou a outros objetivos propostos para o EMI. Por fim, tecemos as nossas considerações finais, indicando as potencialidades do trabalho.
Embora haja o entendimento da situação de excepcionalidade imposta pela pandemia da Covid-19, e o formato de ensino, que agora se apresenta de forma remota, essas questões não aparecem como ponto de análise dessa pesquisa pela limitação do nosso escopo, bem como pelos dados tomados para análise. Assim, neste trabalho, ao trazemos o termo ensino remoto, estamos nos referindo de forma simplificada, ao ensino mediado por tecnologia, em geral em ambiente virtual de aprendizagem.
## Metodologia
Esta pesquisa é de abordagem qualitativa, na qual buscamos a partir da leitura e análise dos planos das AENPEs selecionadas, perceber como a experiência do IFBA campus Ilhéus por meio de Teias de Conhecimento nos ajuda a pensar o ensino de Física para cursos técnicos ofertados no formato de EMI, sobretudo pelo olhar da interdisciplinaridade e/ou práticas interdisciplinares.
Sobre a abordagem escolhida, destacamos que a pesquisa qualitativa tem se mostrado como de grande eficiência para questões da educação e do ensino, seja pelas múltiplas estratégias abarcadas - que atendem as demandas emergentes desse campo - seja pela possibilidade de se analisar um fenômeno com maior profundidade, sem necessariamente comprometer a validade do estudo por se tratar de situações em específico.
## Os planos das AENPES
O formato de Teias do Conhecimento do IFBA campus Ilhéus para os cursos de EMI previu agrupar o quantitativo de quatro (04) professores por turma, de diferentes áreas de conhecimento para escrita e execução da Teia, num conjunto de encontros síncronos e assíncronos, desenvolvido em 188 h/aula, no período de 13 de outubro a 18 de dezembro de 2020. Como na instituição pesquisada haviam naquele momento o total de três professores de Física em exercício, tomamos para análise três Teias que tinham a presença da professora ou professor de Física na sua constituição. A partir do critério de corte escolhido, e da distribuição docente por Teias, os planos solicitados a Diretoria Acadêmica do IFBA campus Ilhéus foram das turmas ITE21 (Integrado, técnico em edificações, 2º ano, turma 1), ITI11 e 12 (Integrado, técnico em informática, 1º ano, turmas 1 e 2 ) e ITST21 (Integrado, técnico em segurança do trabalho, 2º ano, turma 1) e ITST41 (Integrado, técnico em segurança do trabalho, 4º ano, turma 1).
Para análise dos Planos das AENPEs tomamos elementos que nos ajudariam a conduzir uma discussão a partir dos objetivos que guiam esse estudo. Esses elementos foram pensados a partir da experiência do autor no campo da educação profissional tanto como pesquisador, quanto como professor no EMI há mais de uma década e da vivência na ação da Teia de Conhecimento.
Em cada um dos planos analisados buscamos: a) características que indicassem a relação dos conteúdos de Física junto a formação profissional do curso técnico; b) a relação existente entre os conteúdos da Física e os problemas/tema gerador que são apresentados nas Teias do conhecimento; c) identificar como as disciplinas se organizam para pensar a interdisciplinaridade ou a execução de práticas interdisciplinares e como está a Física nesse contexto; d) perceber como a natureza e a concepção teórica dos cursos de EMI está/ e se está, presente nos planos de AENPE.
## Discussão dos planos das AENPES
Nesta seção fazemos a análise de cada plano de AENPE. Embora os elementos norteadores que conduziram a análise dos planos das AENPE encontrarse no texto, eles aparecem diluídos e se apresentam de forma discursiva. Importante destacar que a estrutura de cada plano de AENPE, contempla minimamente: a) elementos de identificação da AENPE; b) ementa; c) objetivos; d) resultados esperados; e) conteúdo programático; f) atividades; e g) referências.
## Plano da AENPE ITE21
Para a turma em específico, tivemos professores das áreas de Ciências Humanas (Geografia), Ciências da Natureza (Física), Linguagens (Educação Física) e Área Técnica (Desenho Técnico 2), que propuseram para a Teia o tema: Abordagem Interdisciplinar acerca do Plano Diretor da cidade de Ilhéus-BA .
A escolha do Tema é algo que merece destaque, por se tratar de um campo de conhecimento de interesse na formação de todo cidadão, e em especial para um futuro profissional da área de construção civil quando se pensa em obras no município, como é o caso do técnico em edificações. Isso aponta a preocupação dos autores do plano para que diferentes áreas do saber, pudessem dialogar com o
tema apresentado. Ainda, a abordagem interdisciplinar aparece no nome da teia, demonstrando a disposição de que efetivamente a interdisciplinaridade estivesse presente no desenvolvimento da organização pedagógica desta turma.
A leitura do Plano AENPE da turma ITE21 nos permitiu identificar conteúdos próprios da Física, que foram elencados para o trabalho interdisciplinar, aparecendo explicitamente: noções introdutórias da Física e instrumentalização para outras áreas (unidades de medida e análise dimensional), conteúdos específicos que pudessem ajudar na avaliação de questões próprias do município de Ilhéus, como a recém inaugurada obra da ponte Estaiada (Força e condições de equilíbrio) e aplicações da Física que pudessem qualificar os estudantes a pensarem em como a Física ajuda nas soluções de problemas do cotidiano, como mobilidade urbana e segurança no trânsito (Física no trânsito).
Importante destacar que esta Teia apresenta de forma adicional um cronograma para o desenvolvimento das atividades. Este cronograma traz alguns pontos que nos ajudam a ter uma maior compreensão das atividades desenvolvidas. Destacamos a presença de eventos institucionais, de momentos específicos para o tratamento de conceitos da Física, e outros de temas ampliados, com atuação conjunta dos quatro docentes que compõem a Teia.
Fazemos uma crítica as aulas que trazem conteúdos de Física serem ministradas ou acompanhadas apenas pelo professor de Física. Nesse ponto, entendemos que a presença de outros docentes, poderiam ajudar a abordar questões, mesmo que de um campo do saber específico, a partir de outras perspectivas.
Nos encontros previstos para acontecerem com a presença de todos os docentes, estão a apresentação da Teia, a proposta de finalização de atividade final e realização de seminário. A finalização da Teia na turma, consistiu da análise numa perspectiva Interdisciplinar de cinco obras presentes no Plano diretor da cidade de Ilhéus por meio da apresentação de um seminário em grupo que deveria contemplar: a) caracterização geral da obra; b) informe das disciplinas do curso do núcleo comum e tecnológico relacionadas com a implantação da obra estudada, citando alguns dos conhecimentos envolvidos; c) análise dos impactos ambientais decorrentes da implantação da obra. Esses são os momentos em que a interdisciplinaridade se apresenta de forma mais evidente no plano da turma.
Os dados apresentados nos indicam que o Plano da AENPE ITE21 traz de forma explícita a relação da Física junto as demais áreas de conhecimento que compõem a Teia, de forma mais evidente para a área de formação do curso técnico para qual foi pensada, nesse caso o curso técnico de edificações.
No documento é possível perceber elementos que reforçam a tentativa da construção de um currículo interdisciplinar, mas o que prepondera são práticas interdisciplinares que surgem a partir das diferentes especialidades (como a Física) e que dialogam num dado momento para tratar dos interesses elencados nos objetivos da AENPE.
## Plano da AENPE ITI11 e ITI12
No plano da AENPE das turmas ITI11 e ITI 12, que aconteceu de forma conjunta, tivemos professores das áreas de Ciências Humanas (Filosofia), Ciências
da Natureza (Física), Linguagens (Artes) e Matemática, cujo não há menção a um título para a Teia trabalhada.
Numa visão geral, temos um plano de AENPE bem sintético, com pouca menção a disciplina de Física ou a conhecimentos próprio da área. No entanto o tema escolhido, que trata de Informação e Tecnologia da Informação permitiria uma abordagem interdisciplinar rica, uma vez que a Física teve grande papel para o desenvolvimento da área, ou faz uso para pesquisa nos seus diferentes campos de interesse.
Na ementa, o conteúdo geral é ramificado para a atuação de cada disciplina. Aqui vemos que o tema: O que é Informação? Informação e Conhecimento. Conhecimento e Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) para o caso da Matemática e da Física se descreve como 'aprendendo através da tecnologia'. (IFBA, Plano da AENPE ITI11 e 12). Na descrição do conteúdo programático as especificações para estas disciplinas ficam como: - Informática e Matemática; Ensino de ciências e tecnologia.
Não há dúvidas que o tema proposto para a Teia oferece diversos canais de possibilidades para o trabalho interdisciplinar, e dialoga diretamente com o campo dominante do curso técnico para o qual a ação foi pensada. No entanto a leitura do documento não permite uma avaliação da contribuição da Física para essa proposta interdisciplinar (e nem se de fato ela é interdisciplinar) uma vez que os elementos presentes ali são muito generalistas e simplificados.
## Plano da AENPE ITST21 e ITST41
A experiência das turmas ITST21 e ITST41, a partir da leitura dos planos da AENPE, nos parece ser a que maior se aproxima da proposição de currículo integrado. Nesta Teia tivemos professores das áreas de Ciências Humanas (Filosofia), Ciências da Natureza (Física), Linguagens (Inglês) e Área Técnica (Gestão Ambiental/ Segurança Meio Ambiente e Saúde), cujo tema proposto foi: Consumidores de Planeta: quando o projeto humano não é um destino .
Destacamos que na descrição dos objetivos, fica evidente a presença de elementos da Física (assim como das demais áreas) para o desenvolvimento da Teia, bem como a relação próxima a área de formação do profissional técnico em segurança do trabalho, onde destaca-se o tema energia. Nesses objetivos, damos ênfase:
Objetivos Geral: Analisar os impactos que o modelo de sociedade contemporânea imprime sobre a vida, - meio ambiente e vida humana -, e alternativas possíveis para alteração desse modelo civilizatório, a partir dos modos de usos de fontes limpas e renováveis de energia . Objetivos Específicos: -Identificar aspectos que sustentam um modo de vida contemporâneo na relação do ser humano com fontes de energia ; -Analisar como o modo de vida contemporâneo impacta a relação do ser humano com a natureza e com a própria humanidade; Conhecer as fontes de energia atuais e seus impactos sobre o meio ambiente ; -Compreender a geração de energia elétrica a partir de fontes convencionais e fontes renováveis, seus impactos sociais e ambientais; - Conhecer a matriz energética brasileira e mundial; (IFBA, Plano da AENPE ITST21 e ITST41, grifo nosso).
Embora optamos por enfatizar os elementos em que percebemos a relação intrínseca da Física na discussão, entendemos que ela perpassa por todas as
disciplinas que formam a Teia, como explícito no projeto da AENPE. Quando lemos a abordagem dos conteúdos para essa Teia, a questão da interdisciplinaridade fica mais evidente. Nesta parte do plano da AENPE, cada questão é apresentada, e a contribuição de cada área fica explicita para a compreensão do todo.
Embora o plano da AENPE fora pensando para duas turmas de níveis diferentes (2º e 4º ano do EMI), os resultados esperados para cada turma, são destacados priorizando para a ITST21 a abordagem dos impactos que o modelo contemporâneo de uso de fontes de energia causam à vida e no caso da ITST41 os processos envolvidos na produção e consumo de energia e no uso de fontes de energias renováveis.
- O plano dessa AENPE, traz fortes elementos para a constituição de um currículo interdisciplinar, com presença marcante da disciplina de Física no tratamento de questões que interessam tanto para a formação geral do sujeito, como a formação de profissionais técnicos da área de segurança e saúde. A escolha de questões únicas que motivem o trabalho nas diferentes disciplinas demarca a opção dos profissionais em centralizar o desenvolvimento da ação pedagógica a partir dos temas de interesse, para posterior descrição dos conteúdos, colocando o plano da ITST21 e ITST41, dentre os analisados, como o que há maior presença da interdisciplinaridade e aquele em que as características para a construção de um currículo integrado estão mais latentes.
## Considerações Finais
Iniciamos este estudo com o intuito de identificar como a interdisciplinaridade aparecia em planos de AENPE que tinham a presença de professores/as de Física e como experiência por meio de Teias de conhecimento do IFBA campus Ilhéus poderia contribuir para pensarmos a Física para cursos no formato de EMI. Embora seja prematuro afirmar que o modelo de Teias seja o mais adequado para cursos técnicos de EMI, já conseguimos identificar características marcantes, que estavam ausentes nos projetos pedagógicos de curso avaliado por Souza (2019) no contexto do ensino presencial: o diálogo explícito da Física junto a formação técnica onde ela estava inserida e o incentivo a interdisciplinaridade como horizonte e forma de constituição do EMI na descrição do próprio componente curricular da Física.
Enfatizamos que críticas quanto a um ensino de Física que rompa o tratamento clássico da disciplina, tem espaço e é amplamente discutido por diversos pesquisadores do ensino e da educação em ciências, aqui estendemos o debate a partir de uma experiência específica e para um contexto em que os estudos da área ainda estão em ascensão, a EPT.
Destacamos que as Teias de conhecimento representaram uma experiência concreta de atividades interdisciplinares para cursos de EMI do IFBA campus Ilhéus. O salto de um currículo disciplinar, como é constituído os cursos que experimentaram a experiência das AENPEs, para uma experiência, ao menos no papel, totalmente interdisciplinar, reflete a possibilidade de travessia de um currículo fechado em conteúdos que nascem e se executam na própria Física, para um currículo cujo os problemas gerais do curso e da comunidade onde ele se insere, sejam motivadores para pensar ensino desta disciplina.
## Referências
BRASIL. Decreto nº 5.154 de 23 de julho de 2004. Regulamenta o § 2º do art. 36 e os arts. 39 a 41 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, e dá outras providências. 26.7.2004. 2004.
Instituto Federal da Bahia. IFBA. Resolução CONSUP, nº 19, de 24 de agosto de 2020. Aprovar as normas acadêmicas emergenciais e provisórias para as Atividades de Ensino Não Presencial durante o período de suspensão das atividades presenciais, no âmbito do IFBA, enquanto durar a situação de pandemia do novo coronavírus - COVID-19, conforme documento em anexo. 2020a.
Instituto Federal da Bahia. IFBA. Portaria DG IFBA Ilhéus, nº 83, de 28 de setembro de 2020. APROVAR o Plano de Implementação das Atividades de Ensino Não Presencial Emergencial (Anexos I e II), elaborado pela Comissão DidáticoPedagógica. 2020b.
Instituto Federal da Bahia. IFBA. ANEXO I - Plano AENPE ITE21. Plano de Atividades Educacionais Não Presenciais Emergenciais - AENPE da Turma ITE21. Curso Técnico de Edificações, 2020.
Instituto Federal da Bahia. IFBA. ANEXO I - Plano AENPE ITI11 e 12. Plano de Atividades Educacionais Não Presenciais Emergenciais - AENPE da Turma ITI 11 e 12. Curso Técnico de Informática, 2020.
Instituto Federal da Bahia. IFBA. ANEXO I - Plano AENPE ITST21 e 41. Plano de Atividades Educacionais Não Presenciais Emergenciais - AENPE da Turma ITST21 e 41. Curso Técnico de Segurança do Trabalho, 2020.
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