ENSINO DE FÍSICA NA EDUCAÇÃO DO CAMPO NA PERSPECTIVA CRÍTICO-EMANCIPADORA
Alexandre Leite Dos Santos Silva
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2022
- Data
- 16/08/2022
- Linha de pesquisa
- 11 - Equidade, Inclusão, Diversidade E Estudos Culturais E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ENSINO DE FÍSICA NA EDUCAÇÃO DO CAMPO NA PERSPECTIVA CRÍTICO-EMANCIPADORA
## PHYSICS TEACHING IN RURAL EDUCATION IN A CRITICALEMANCIPATING PERSPECTIVE
## Alexandre Leite dos Santos Silva 1
1 Universidade Federal do Piauí/Campus Senador Helvídio Nunes de Barros/Curso de Licenciatura em Educação do Campo/Ciências da Natureza, alexandreleite@ufpi.edu.br
## Resumo
A Educação do Campo é um paradigma educacional contra-hegemônico construído com a população camponesa, em oposição à Educação Rural. Nesse contexto de disputa, o objetivo deste trabalho é identificar, em nível teórico, contribuições da Educação Crítico-Emancipadora para o ensino de Física na Educação do Campo. A Educação Crítico-Emancipadora se fundamenta no materialismo histórico-dialético e concebe a realidade como dialética, dinâmica e contraditória. Ela procura superar tanto a perspectiva da racionalidade-técnica com a epistemologia da prática por meio da epistemologia da práxis, sendo alguns de seus princípios o trabalho, a relação teoria e prática e a emancipação. O método adotado neste trabalho foi a pesquisa bibliográfica. Como resultado, pode-se pontuar que o ensino de Física na Educação do Campo sob a perspectiva crítico-emancipadora deve considerar o trabalho como princípio educativo; reconhecer a dimensão política do ensino; proporcionar um conhecimento sólido dos conceitos físicos; e adotar a pesquisa como elemento formativo.
Palavras-chave : Educação no campo; Formação de professores; Epistemologia da práxis; Perspectiva crítico-emancipadora.
## Abstract
Countryside Education is a counter-hegemonic educational paradigm built with the rural population, in opposition to Rural Education. In this context of dispute, the objective of this work is to discuss and reflect on how Physics teaching can take place from a critical-emancipating perspective. Critical-Emancipatory Education is based on historical-dialectical materialism and conceives reality as dialectical, dynamic and contradictory. It seeks to overcome both the technical-rationality perspective and the epistemology of practice through the epistemology of praxis, with some of its principles being work, the relationship between theory and practice and emancipation. The method adopted was bibliographic research. As a result, we pointed that Physics teaching in Countryside Education from a critical-emancipating perspective considers work as an educational principle; recognizes the political dimension of teaching; provides a solid understanding of physical concepts; and adopts research as a training element.
Keywords : Countryside education; teacher training; epistemology of praxis; critical-emancipating perspective.
## Introdução
A Educação do Campo é um paradigma educacional contra-hegemônico (FRIGOTTO, 2010) construído com movimentos sociais, acadêmicos e a população camponesa, sendo esta constituída por grupos diversos como trabalhadores rurais assalariados, agricultores familiares, assentados da reforma agrária, ribeirinhos, atingidos por barragens etc. Segundo Caldart (2012), o termo 'Educação do Campo' foi cunhado no final da década de 1990 e é a amálgama de diversos referenciais pedagógicos críticos 1 , como a pedagogia socialista e a pedagogia do movimento, que apontam para uma Educação Crítico-Emancipadora (SILVA, 2018). Esse paradigma é orientado por alguns princípios que colocam o papel da escola na formação para a emancipação, que valorizam os diferentes saberes, que levam em conta os espaços e tempos de aprendizagem que atendam às necessidades comunitárias, que defendem a importância da presença da escola na área rural e com um ensino contextualizado e que são voltados para o desenvolvimento sustentável (BRASIL, 2004).
Oposto ao paradigma da Educação do Campo, há o paradigma da Educação Rural. Este, que tem sido historicamente hegemônico, foi construído por interesses alheios à grande maioria da população trabalhadora do campo. Sob esse paradigma, os povos do campo são vistos como atrasados, carecendo de assistência para evoluírem e progredirem aos moldes urbanos (RIBEIRO, 2013).
Nesse espaço de disputa entre paradigmas nas escolas do campo, encontra-se inserido o ensino de Física. Considerando a importância do ensino desse componente curricular para a formação e emancipação da população camponesa (BARBOSA, 2018), esta pesquisa teve como objetivo identificar, em nível teórico, a partir de trabalhos publicados por autores alinhados com o materialismo histórico-dialético, as contribuições da Educação Crítico-Emancipadora para o ensino de Física no contexto campesino. Assim, o problema que norteou esta pesquisa foi: quais as contribuições da Educação Crítico-Emancipadora para o ensino de Física na Educação do Campo? Foi constatado com base em uma revisão em artigos recentes a existência de pesquisas em ensino de Física com perspectiva crítica similar em outros contextos e modalidades (AGUIAR et al ., 2021; SOUZA; PENIDO, 2021), mas esta investigação contribui por se voltar à modalidade Educação do Campo.
## Educação Crítico-Emancipadora
A Educação Crítico-Emancipadora se fundamenta no materialismo históricodialético e concebe a realidade como dialética, dinâmica e contraditória (SILVA, 2019). Ela procura superar tanto a perspectiva da racionalidade-técnica com a epistemologia da prática por meio da epistemologia da práxis. Esta última se fundamenta em três princípios: trabalho, relação teoria e prática e emancipação (SILVA, 2018).
Na perspectiva crítico-emancipadora o trabalho é fundamental na formação do ser humano, no processo de humanização (SAVIANI, 2007). Consideramos o trabalho como a atividade em que o homem, historicamente e para a sua sobrevivência, transforma a natureza e, por consequência, a si próprio (MARX,1996). Nesse processo, tem ocorrido a produção de saberes, que têm sido acumulados e transmitidos pela educação entre as gerações. Apesar de haver diferentes concepções de trabalho como princípio educativo, entendemos que esse princípio ou fundamento 'supõe recuperar para todos a dimensão da escola unitária e politécnica, ou a formação integrada' (FRIGOTTO; CIAVATTA, 2012, p. 753). Essa concepção pode ser traduzida na união entre ensino e trabalho, entre trabalho manual e intelectual, visando à formação integral (omnilateral) do ser humano (FREITAS, 2012). Essa formação integral deve contemplar tanto as leis da natureza como outros conhecimentos acumulados historicamente, no campo das humanidades (SAVIANI, 2011). Por conseguinte, a educação deve ir além de preparar para o trabalho, no sentido de emprego, ou de formação/recrutamento de trabalhadores às formas de exploração sob o sistema capitalista.
A relação teoria e prática , na epistemologia da práxis, é de unidade. Elas são indissociáveis. 'A práxis é entendida como ação humana transformadora, prática eivada e nutrida de teoria' (SILVA, 2018, p. 40). Dessa forma, a teoria não pode ser tratada de forma isolada e a prática não pode avançar diluindo a teoria. Assim, a práxis vai além da prática. Além disso, ela tem um objetivo: é a atividade material do homem que transforma o mundo natural e social para fazer dele um mundo humano (VÁZQUES, 1977). A práxis é a prática norteada pela reflexão sobre a teoria emancipadora, recursivamente e progressivamente, no sentido dialético e com objetivo transformador da realidade. Para que ocorra essa transformação, a atividade educativa deve tomar como referência a prática social dos indivíduos. Essa prática deve ser problematizada e, por meio da instrumentalização, analisada para uma transferência da sua leitura da prática social do plano sincrético ao sintético (SAVIANI, 2011).
Emancipação pode ser definida como 'a capacidade do sujeito de dizer não, de ter autonomia, de poder escolher não pela aderência, mas pelo conhecimento da realidade' (SILVA, 2018, p. 83). Dessa forma, uma condição para a emancipação é a capacidade de ler a realidade, de compreendê-la de forma crítica. A leitura da realidade, por sua vez, depende de se ter uma atitude questionadora e da prática da pesquisa, isto é, de se compreender o que a primeiro momento é pseudoconcreto a partir de procedimentos rigorosos, levando em conta o caráter histórico do conhecimento humano (SILVA, 2018). Para isso é necessário que o sujeito do conhecimento saiba trabalhar coletivamente e tenha disciplina para estudar, técnicas de aprendizagem, capacidade de formular problemas, conceitos e argumentos com rigorosidade, clareza e lógica (GRAMSCI, 2001). Uma formação para a emancipação só pode ser atingida com o desenvolvimento pleno das potencialidades humanas, especialmente da consciência crítica. Assim, o sujeito, a partir da compreensão das circunstâncias que constituem a realidade, poderá ser capaz de querer transformá-la e de se organizar coletivamente para isso.
## Metodologia
A investigação é de caráter teórico, por meio da pesquisa bibliográfica. Essa escolha metodológica está alinhada com o problema da pesquisa. A pesquisa
bibliográfica consiste na pesquisa em material teórico sobre determinado tema, na forma de livros, artigos, teses, dissertações e outros trabalhos acadêmicos. 'Utilizase de dados ou de categorias teóricas já trabalhados por outros pesquisadores e devidamente registrados' (SEVERINO, 2007, p. 122). Enquanto etapa preliminar de qualquer investigação, é essencial nas pesquisas de caráter teórico.
Nesta pesquisa, o material selecionado limitou-se a obras publicadas por autores conhecidos por sua perspectiva crítica sob o materialismo histórico-dialético como Demerval Saviani, Gaudêncio Frigotto, Maria Ciavatta, Luiz Carlos de Freitas, com destaque para os trabalhos publicados pela Profa. Dra. Kátia Augusta Curado Pinheiro Cordeiro da Silva, da Universidade de Brasília (UnB), sobre a Educação Crítico-Emancipadora.
A análise foi qualitativa, uma aproximação com a análise do discurso (BRAIT, 2006). Durante a análise, buscou-se identificar categorias teóricas trabalhadas pelos autores do referencial teórico, adotadas na forma de eixos norteadores.
## Ensino de Física na Educação do Campo na Perspectiva CríticoEmancipadora
Pode-se fazer alguns apontamentos sobre as contribuições da perspectiva crítico-emancipadora para o ensino de Física na Educação do Campo a partir dos eixos norteadores explicitados a seguir.
## O trabalho como princípio educativo no ensino de Física
Colocar o trabalho como princípio educativo no ensino de Física envolve mais do que abordar o conteúdo curricular da Física pensando em atividades laborais, mas em reconhecer que os saberes físicos são oriundos historicamente do trabalho e têm contribuído para o desenvolvimento do trabalho como forma de produção do que é próprio do ser humano (SAVIANI, 2007). Envolve pensar em um ensino de Física com uma perspectiva de totalidade, que é inter e transdisciplinar, para a formação integral do educando, unindo teoria e prática, trabalho manual e intelectual, trabalho e ensino (FREITAS, 2012; FRIGOTTO; CIAVATTA, 2012).
À guisa de exemplo, os conhecimentos sobre o calor se desenvolveram ao longo da história humana em meio a necessidades de comunidades e de manutenção dos modos de produção que se sucederam. A busca inicial pelo domínio do fogo pode ser relacionada com necessidades de se aquecer, de se proteger contra predadores e inimigos, de transformar o alimentos e materiais, atividades essenciais para a sobrevivência. Depois, as leis e conceitos da termodinâmica emergiram, dentre outros motivos, para responder a necessidades de sobrevivência de grupos e nações no contexto do modo de produção capitalista.
O trabalho rural, como função social, tem suas próprias características. Nesse âmbito, as atividades desenvolvidas e os equipamentos e ferramentas dos trabalhadores do campo se desenvolveram historicamente para atender necessidades específicas e são o resultado de saberes que têm relação com conceitos e teorias sistematizados pela Física e por outras ciências. É comum que as atividades e os processos produtivos sejam desenvolvidas em etapas. A compreensão e o domínio de conhecimentos sobre essas etapas, abrangendo tanto o aspecto manual como intelectual, tanto a teoria como a prática, tem um papel emancipador.
Além disso, essa 'formação, constituída no trabalho, garantirá que esses sujeitos compreendam as realidades socioeconômica e política, sendo capazes de orientar e transformar as condições que lhes são impostas' (SILVA, 2018, p. 42). Refletir sobre as relações, os impactos e as determinações das atividades e dos processos produtivos do campo sobre a comunidade, o meio ambiente e o modo de produção capitalista é essencial para a formação de trabalhadores críticos que possam intervir e transformar a sua realidade. O ensino de Física pode contribuir em muito para essa reflexão, visando uma formação integral do ser humano.
## Reconhecimento da dimensão política do ensino
O processo educativo sempre tem uma dimensão política, quer educadores e educandos tenham consciência disso ou não, quer sejam a favor quer contra o pensamento hegemônico e os interesses das classes dominantes. No contexto rural, vê-se dois projetos em disputa. Por um lado, há o paradigma hegemônico da Educação Rural e, do lado oposto, o paradigma popular da Educação do Campo (FRIGOTTO, 2010; RIBEIRO, 2013). O que revelam as práticas do professor de Física quanto a que lado está? O que revelam as expectativas dos educandos quanto a que lado estão?
Fazer a si tais perguntas, é indispensável para o educador 'realizar a sua atividade de forma crítica e politizada, levando em consideração as relações de poder desde o espaço da escola até o contexto mais amplo, a fim de interferir na realidade [...] é necessário compreender os projetos de sociedade que estão em disputa' (SILVA, 2018, p. 46, 47). É preciso que o professor pesquise e compreenda os paradigmas educacionais em disputa no meio rural e se autoavalie, se autoanalise, se autocritique, para que possa não apenas se conhecer, mas também 'reconhecer' a dimensão política da sua prática. Deve primeiro criticar a si, dialeticamente nos planos individual e coletivo, para que possa viabilizar um ensino crítico e emancipador. O ensino de Física ou de qualquer outro componente curricular deve contribuir para uma leitura da realidade, esta como totalidade, ao ponto em que tanto o educador quanto os educandos sejam capazes de intervir nela para transformá-la (GRAMSCI, 2001).
## O conhecimento sólido dos conceitos físicos
Vimos que o saber, como condição para uma formação crítico-emancipadora, é mais amplo que o conhecimento, mas o saber físico depende do conhecimento físico. Por isso, defendemos que a construção dos conceitos físicos seja sólida, no sentido de bem alicerçada (SAVIANI, 2007; SILVA, 2018).
No processo de escolarização, os conceitos físicos precisam ser compreendidos, tanto em seu contexto histórico como em suas aplicações no cotidiano e nos processos produtivos, e relacionados com os outros conceitos e o todo da teoria, sabendo que a práxis é a prática alimentada espiralmente pela teoria (SILVA, 2018). Nessa direção, a linguagem matemática deve ser apreendida como estruturante do pensamento físico e, assim, os símbolos, as operações, as unidades de medida e as equações precisam adquirir sentido, sendo entendidos como representações de uma realidade, de objetos e fenômenos que nos cercam na prática (PIETROCOLA, 2010).
A aprendizagem dos conceitos físicos é condição para que o trabalhador do campo seja capaz de interpretar a sua realidade, opinar e intervir nela. Ele não pode ficar fora de questões relevantes que afetam a sociedade, como a degradação
ambiental, o uso de armamentos, as crises energéticas, dentre outras. Nesse caso, o conhecimento sólido de conceitos físicos (por exemplo, a Física Nuclear) é exigido para que a elaboração de argumentos e opiniões possam ser críticos, indo além do senso comum, reconhecendo e superando as fake news . Há também questões sociais nas áreas da saúde que adentram no campo da Física (por exemplo, a Física das Radiações). Ademais, tem sido comum dentro e fora do ciberespaço (que tem cada vez mais incluído a população rural) a colocação de dúvidas sobre assuntos estabelecidos há séculos pelas ciências físicas, como, por exemplo, o que tem sido feito pelos terraplanistas. Apenas uma formação sólida em conhecimentos físicos pode fazer face aos enfrentamentos dessa realidade.
## A pesquisa como elemento formativo
Uma formação crítico-emancipadora tem a pesquisa como elemento formativo. Investigar, problematizar e analisar a realidade, no caminho da síncrese para a síntese, deve ser uma atitude habitual de educadores e educandos nessa perspectiva. Nesse sentido, Silva (2018) escreveu:
Ao fazer pesquisa, [Gramsci] adverte que não se deve forçar os textos ou a realidade a se dobrarem a teses preconcebidas, mas ter cautela, admitir a possibilidade do erro e, principalmente, perceber o movimento dialético e contraditório da realidade [...] o professor pesquisador que desejamos formar deve ter, concomitantemente, uma sólida formação teórica e metodológica (SILVA, 2018, p. 82, 83).
Assim, a atitude pesquisadora deve começar com o professor, desde a sua formação. Para que isso aconteça, é imprescindível o domínio não apenas das teorias da Física, mas também de procedimentos metodológicos que levaram à sua formação. Além da compreensão dos procedimentos metodológicos básicos utilizados no campo da Física pura (como, por exemplo, os protocolos a serem seguidos no planejamento, execução e comunicação de experimentos), adequados a cada nível de ensino, a pesquisa também pode contemplar a elaboração e uso de questionários, entrevistas, o estudo do meio e a elaboração de portfólios, relatórios e textos científicos.
Nas instituições escolares que adotam a pedagogia da alternância, a pesquisa é um elemento formativo essencial para uma alternância integrativa, isto é, que promova a integração entre os saberes do tempo-escola e do tempocomunidade (SILVA, 2010). Nesse caso, a alternância pode ser vista como uma oportunidade para a pesquisa e a troca e reflexão sobre os saberes, científicos e populares, bem como para uma análise da realidade no aspecto físico e também social, pois a Física não está apartada das questões sociais e comunitárias.
## Considerações finais
Este trabalho buscou fazer uma aproximação introdutória entre o Ensino de Física e a Educação Crítico-Emancipadora. A partir disso pode-se tecer alguns apontamentos sobre as possíveis contribuições dessa perspectiva para o ensino de Física nas escolas do campo: consideração do trabalho como princípio educativo; reconhecimento da dimensão política do ensino de Física; relevância do ensino-
nhecimento sólido dos conceitos físicos; e adoção da pesquisa como elemento formativo.
A pesquisa buscou contribuir para se pensar em um ensino de Física crítico e que possa permitir uma leitura mais ampla (rumo à totalidade) e dialética da prática social, sob a epistemologia da práxis. O ensino de Física na Educação do Campo sob o viés crítico-emancipador tem o potencial de promover uma formação que valorize os saberes locais e conduza à reflexão e transformação da realidade concreta.
Esse componente curricular é indispensável para a formação e emancipação da população camponesa. Mas para que isso ocorra, é preciso que a Física, assim como outras disciplinas do currículo escolar, seja introduzida, com o suporte de políticas e uma movimentação coletiva, dentro de um projeto de desenvolvimento amplo, que inclua o campo e a cidade, e que vise a formação integral do ser humano. Tal projeto, sob o paradigma da Educação do Campo, deve valorizar as atividades produtivas, a cultura e a identidade do trabalhador do campo.
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