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FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES DOS ANOS INICIAIS: NECESSIDADES FORMATIVAS NA ÁREA DE CIÊNCIAS DA NATUREZA E A BNCC

Sônia Elisa Marchi Gonzatti, João Victor Antoniolli, Paula Vitória Pellenz, Ieda Maria Giongo, Márcia Jussara Hepp Rehfeldt, Marli Teresinha Quartieri

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIX
Ano
2022
Data
16/08/2022
Linha de pesquisa
02 - Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES DOS ANOS INICIAIS: NECESSIDADES FORMATIVAS NA ÁREA DE CIÊNCIAS DA NATUREZA E A BNCC

## TEACHER TRAINING OF EARLY YEARS TEACHERS: FORMATIVE NEEDS IN THE FIELD OF NATURAL SCIENCES AND THE BNCC

Sônia Elisa Marchi Gonzatti 1 , João Victor Antoniolli 2 , Paula Vitória Pellenz 3 , Ieda Maria Giongo 4 , Márcia Jussara Hepp Rehfeldt 5 , Marli Teresinha Quartieri 6

1 Universidade do Vale do Taquari - Univates/Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Exatas, soniag@univates.br

2 Universidade do Vale do Taquari - Univates/PROPESQ - Bolsista de Iniciação Científica, joao.antoniolli@univates.br

3 Universidade do Vale do Taquari - Univates/PROPESQ - Bolsista de Iniciação Científica, paula.pellenz@univates.br

4 Universidade do Vale do Taquari - Univates/Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Exatas, igiongo@univates. br

5 Universidade do Vale do Taquari - Univates/Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Exatas, mrehfeld@univates. br

6 Universidade do Vale do Taquari - Univates/Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Exatas, mtquartieri@univates. br

## Resumo

O objetivo deste estudo é examinar as necessidades formativas de professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental, em relação aos objetos de conhecimento da área de Ciências da Natureza previstos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Constitui um recorte de pesquisa em desenvolvimento em uma universidade comunitária do Rio Grande do Sul que visa promover encontros de formação continuada sintonizados com as necessidades formativas docentes. Os dados analisados foram obtidos por meio de um questionário online, que contou com questões dissertativas e objetivas. O contexto da pesquisa abrange cinco escolas e quatro municípios gaúchos. O total de respondentes são 37 professores. Os resultados parciais alcançados corroboram diferentes estudos na área de pesquisa em Educação em Ciências, indicando uma carência na formação inicial de professores para esse nível de ensino, especialmente em relação a conteúdos que envolvem Astronomia e Física e que exigem abordagens experimentais ou observacionais. De modo geral, os resultados podem ser interpretados como indicadores dos níveis de dificuldades teóricas e metodológicas em relação aos objetos de conhecimento da área, já que é possível supor que a necessidade formativa enunciada está relacionada às preocupações docentes. Cabe notar, ainda, que foi evidenciado um grau de autocrítica entre os professores ao reconhecerem suas prováveis limitações. Tais resultados reforçam a importância da formação continuada para aprimorar os processos de ensino e aprendizagem no âmbito dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental.

Palavras-chave : Formação continuada. Anos Iniciais. Base Nacional Comum Curricular. Ciências da Natureza.

## Abstract

The goal of this study is to examine the formative needs of teachers of the early years of elementary school, in relation to the objects of knowledge in the field of the Natural Sciences provided in the Base Nacional Comum Curricular (BNCC). It constitutes an ongoing research at a community college in the state of Rio Grande do Sul, Brazil, which aims to promote continuing education meetings in tune with the formative needs of teachers. The analyzed data was obtained via an online questionnaire, which included dissertative and objective questions. The context of this research covers five schools and four municipalities in the state of Rio Grande do Sul, with a total number of respondents of 37 teachers. The partial results obtained corroborate other studies in the field of Science Education research, indicating a lack of initial training available to teachers for this level of education, especially regarding subjects such as Astronomy and Physics, and which require experimental or observational approaches. In general, the results can be interpreted as indicators of the levels of theoretical and methodological difficulties in relation to the objects of knowledge in these areas, since it is possible to assume that the enunciated formative needs are related to the teachers' concerns. It is also worth noting that a degree of self-criticism was evident among teachers, as they recognized their probable limitations. These results reinforce the importance of continuing education to improve the learning and teaching processes in the scope of the Early Years of Elementary School.

Keywords : Teacher Training. Early Years. Base Nacional Comum Curricular. Natural Sciences.

## Contextualização

Este trabalho se insere no contexto mais amplo de uma pesquisa, intitulada 'A formação continuada e o processo de reformulação curricular dos Planos de Estudos Anos Iniciais do Ensino Fundamental: um olhar sobre Ciências da Natureza e Matemática', financiada pela FAPERGS, cujo objetivo geral é investigar os desafios que surgem com o processo de implantação da Base Nacional Comum Curricular nessas áreas de conhecimento. Neste trabalho, são apresentados resultados parciais (recorte) da pesquisa, uma vez que parte das ações aprovadas foram adiadas por conta da Pandemia do COVID-19.

Segundo Souza e Chapani (2015), a formação de professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental carece da abordagem de conteúdos específicos, de forma que sua instrução se compõe de modo generalista, perpassando por vários temas de maneira mais superficial e com foco em alguns poucos (como de língua portuguesa, por exemplo). Após a implantação da BNCC, essa perspectiva toma ainda mais amplitude, já que, mesmo os docentes tendo acesso a esse documento, a interpretação é complexa para eles em função de sua supracitada carência formativa. Em efeito, 'é comum observarmos uma proposição de documentos que não chegam no chão da escola, não obtém a análise do professor e muitas vezes, nem o seu conhecimento' (GUIMARÃES; CASTRO, 2020, p.7).

Sob outro ângulo, Lima e Maués (2006) asseveram a importância de se respeitar o perfil dos professores dos Anos Iniciais com formação generalista. Não caberia, na visão dessas autoras, esperar que esses profissionais dominem com profundidade os conceitos, teorias e princípios das distintas áreas de conhecimento, mas que promovam, por meio de processos lúdicos e investigativos ligados às experiências cotidianas, a alfabetização científica.

Ao cotejarmos tais reflexões com a Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2017), encontramos alguns desafios importantes. Sasseron (2018) analisou o conjunto das habilidades propostas na BNCC para a área de Ciências da Natureza. O autor concluiu que o documento tenta incentivar os processos de ensino por investigação, mas percebeu um desequilíbrio importante entre as práticas epistêmicas e as científicas, com predominância das últimas em detrimento das primeiras, pois

[...] As práticas científicas representam ações direcionadas à resolução de problemas, enquanto as práticas epistêmicas associam-se a aspectos metacognitivos da construção de entendimento e de ideias sobre fenômenos e situações em investigação. [...] Em sala de aula de ciências, seria muito importante que esta ocorrência conjunta fosse cada vez mais frequente, de modo a evitar que as práticas fossem realizadas de modo irrefletido, mecânico (SASSERON, 2018, p. 1067).

Outro aspecto sobre a BNCC e que impacta as práticas pedagógicas dos professores diz respeito à sua natureza essencialmente prescritiva em detrimento de mais reflexões e proposições que dialoguem com as necessidades de cada contexto ou, ainda, que se configurem como orientações teórico-metodológicas para a prática docente. Nesse sentido, Franco e Munford (2018, p. 159) afirmam que 'torna-se prevalente na esfera governamental o discurso centrado na necessidade de eficiência do sistema educacional público, o que legitima perspectivas centradas na uniformização e no controle'.

Especificamente na área de Ciências da Natureza, a análise desses autores evidencia que 'aquilo que vem sendo indicado como relevante, por exemplo, a contextualização histórica e social do conhecimento, práticas investigativas e linguagem da ciência perderam terreno' (FRANCO, MUNFORD, 2018, p. 165). Eles, corroborando as ideias de Sasseron (2018), percebem uma ênfase da BNCC em aspectos conceituais em oposição aos procedimentais atitudinais. No entanto, se cotejado com a formação e a prática docente nos Anos Iniciais, talvez a crítica mais contundente ao documento seja o fato de que a BNCC não favorece a (pretensa) articulação entre os diferentes elementos que constituem a construção da ciência, 'o que reflete uma visão de ensino e aprendizagem que não é coerente com as discussões atuais no campo da Educação em Ciências' (ibid., p.166).

Na mesma esteira reflexiva, Flôr e Trópia (2018) analisaram como a BNCC produz sentidos a partir da tomada de palavra e dos discursos de quem representou sua construção. Os autores destacam os discursos autoritários e os mecanismos de controle que atravessam o texto da BNCC. Outro fator que apontam é a quase total referência à atuação, autonomia ou papeis docentes:

Há também o deslocamento do agente do processo educacional, que deixa de ser o professor e passa a ser o próprio documento e do foco desse processo, que passa do binômio ensino/aprendizagem para a aprendizagem apenas, como se fosse possível aprendizagem sem ensino ou, reforçando o direcionamento discursivo, dando a entender que o ensino está resolvido pelo próprio documento (FLÔR; TRÓPIA, 2018, p. 151).

Na confluência dessas reflexões, com as quais concordamos, e, considerando as implicações da homologação da Base sobre a prática docente, entende-se ser profícuo investigar as necessidades formativas que emergem do âmbito dos Anos Iniciais e nas áreas de CN e de Matemática - escopo do projeto de pesquisa no qual este estudo se insere. Além disso, é relevante examinar como e se os professores estão incorporando os currículos oficiais aos praticados.

Portanto, nesse contexto, o objetivo deste estudo é examinar as principais necessidades formativas de professores dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental em relação aos objetos de conhecimento propostos na BNCC para a área de Ciências da Natureza. Para este trabalho, escolheu-se focar as carências percebidas pelos professores quanto às Unidades Temáticas Terra e Universo e Matéria e Energia, que têm lastro direto com conteúdo de Física.

## Metodologia

A pesquisa que originou este estudo foi aprovada pela FAPERGS no final de 2019 e prorrogada até out/2022. Em 2020 e 2021, realizaram-se reuniões online de sensibilização com professores de Anos Iniciais e Educação Infantil de quatro distintos municípios gaúchos e cinco escolas. Algumas atividades de formação foram desenvolvidas em 2021 de forma online (2 encontros) ou presencial (2 encontros), balizadas nas discussões e necessidades enunciadas anteriormente. Encontros de formação seguem acontecendo em 2022, nos quais estão sendo discutidos aspectos conceituais e metodológicos acerca de temas e objetos de conhecimento da área de Ciências da Natureza solicitados pelos professores. Reflexões sobre as questões conjunturais, políticas e econômicas relativas à BNCC e BNC-formação também são contempladas. No entanto, não foi esse o enfoque escolhido para este trabalho.

Esta pesquisa se caracteriza por uma abordagem qualitativa (YIN, 2010; FLICK, 2009), especialmente por capturar a perspectiva dos participantes, já que, nesse quadro teórico, 'as narrativas agora precisam ser limitadas em termos locais, temporais e situacionais' (FLICK, 2009, p. 21). Neste trabalho, analisar como os professores se posicionam e interpretam a BNCC e suas normatizações curriculares reflete essa prerrogativa. As subjetividades dos pesquisados e do pesquisador fazem parte do processo investigativo. A opção por essa abordagem também se justifica pelo fato de o conhecimento gerado ser contextual, entrecruzar diferentes olhares e perspectivas para construir inferências em torno do problema investigado, o que lhe confere alguns traços de um estudo de caso (ANDRÉ, 2008; YIN, 2010). Por último, para tratamento e sistematização dos dados, optou-se pela análise de conteúdo (BARDÍN, 2010).

Durante ou após as reuniões iniciais de sensibilização, aplicou-se um questionário online com questões dissertativas e objetivas. Nas segundas, os professores foram convidados a refletir sobre o grau de dificuldade teórica e metodológica para trabalhar com os temas da BNCC nas áreas de Ciências da Natureza e de Matemática. Nessas questões, ao estilo 'grade de seleção', foi elaborada uma escala do tipo Likert, com gradação de 1 a 5, em que a atribuição a 1 corresponde à percepção do professor de que seu grau de dificuldade para com o desenvolvimento do conteúdo é muito baixo; a 5, muito alta.

Como os questionários foram aplicados em períodos distintos, os dados foram compilados e analisados visando produzir uma síntese das percepções das

cinco escolas participantes no que diz respeito às necessidades formativas e inquietações docentes que emergem da BNCC. Portanto e, demarcando o objetivo e alcance deste estudo e sua inserção no contexto do Ensino de Física, o foco de análise é limitado às questões objetivas do questionário e à área de Ciências da Natureza, que foi respondido por 37 docentes, de cinco escolas e quatro municípios distintos.

## Discussão de Resultados

O conjunto dos dados advindos dos encontros de formação ainda está em análise, pois o estudo está em andamento (PELLENZ et al., 2021). Neste, optou-se por um recorte de análise sobre os objetos de conhecimento ligados à Física (nas unidades temáticas Terra e Universo e Matéria e Energia), já que é a necessidade formativa a mais demandada pelos professores e que encontra ressonância nos propósitos da pesquisa aprovada pela FAPERGS.

- O gráfico 1 apresenta a distribuição geral das necessidades formativas percebidas pelos 37 professores que responderam ao questionário, agrupando as 5 escolas participantes. Um primeiro aspecto a destacar, a partir da análise do Gráfico 1, é que a incidência de respostas que indicam carência formativa baixa ou muito baixa em relação a cada objeto de conhecimento com algum lastro com Física é sempre inferior à quantidade de respostas que sinalizam necessidade média, alta ou muito alta. Por um lado, se isso constitui um fator de preocupação; por outro, revela que os professores reconhecem suas possíveis limitações teórico-metodológicas para trabalhar com temas da área. Isso a despeito do silenciamento da BNCC em relação ao papel docente (FRANCO, MUNFORD, 2018; FLÔR, TRÓPIA, 2018).

Gráfico 1 -Visão Geral das necessidades formativas docentes por objeto de conhecimento (5 escolas)

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Os temas de Reciclagem - Consumo consciente e rotação da Terra (5º ano), Calendários (4ºano) e Prevenção de Acidentes (2º ano) - são os cinco objetos de

conhecimento com os quais os respondentes sentem mais segurança para abordar nas suas aulas.

Na comparação com a distribuição de necessidades formativas que engloba cinco escolas - em estudo anterior e três escolas (GONZATTI et al, 2021) -, cabe destacar algumas diferenças relativas aos conteúdos que mais preocupam os docentes de Anos Iniciais. O gráfico 1 denota um deslocamento das carências formativas em direção, principalmente, aos conteúdos de 4º e 5º anos em comparação ao estudo anterior. Neste (16 professores), conteúdos envolvendo astronomia (Instrumentos ópticos, observação do céu e rotação da Terra, nessa ordem, do maior ao menor número de incidências de classificações como muito alta ou alta) e fenômenos, cuja explicação requer conceitos de Física (produção do som, misturas, propriedades físicas dos materiais), emergem como as maiores preocupações enunciadas pelos docentes.

Temas ligados à Física e à Astronomia aparecem de maneira recorrente, o que pode ser associado à baixa presença dessas temáticas nos cursos de formação inicial de professores generalistas. No caso da Unidade temática Terra e Universo, alguns temas aludem a habilidades que exigem observação e experimentação, vivências que raramente o professor tem contato durante sua formação (GONZATTI et al, 2021, p. 2).

Um estudo realizado por Sasseron (2018) acerca do ensino por investigação e das habilidades previstas na BNCC corrobora esses resultados, evidenciando que alguns conteúdos considerados mais complexos, vistos no 4º e 5º anos, caracterizam-se por uma maior dificuldade de exercício por parte dos professores, uma vez que envolvem uma prática epistêmica e investigativa, englobando também conhecimentos prévios e outras áreas de conhecimento. Em efeito, a alta incidência de respostas de nível 4 ou 5 (necessidade formativa alta ou muito alta) é indicativa da carência formativa existente na área de Ciências da Natureza, aspecto que já vem sendo assinalado em distintos estudos acerca da formação inicial de professores para os Anos Iniciais (LANGHI; NARDI, 2009; LEITE; HOSOUME, 2007; DELIZOICOV; SLONGO, 2013; SOUZA; CHAPANI, 2015).

A análise do gráfico 2 permite visualizar o número de incidências de respostas de nível 4 ou 5 (somados) para cada objeto de conhecimento relativo às Unidades Temáticas Terra e Universo e Matéria e Energia. Reitera-se que esses níveis de resposta correspondem à necessidade formativa alta ou muito alta, respectivamente, na ótica dos 37 professores respondentes.

Neste gráfico, os objetos de conhecimento que se destacam pelo maior número de votos (4 ou 5) são: Observação do céu (3º ano), Uso do solo (3º ano), Transformações reversíveis e irreversíveis (4º ano), Ciclo hidrológico (5º ano), Produção de som (3º ano), Movimentos da Terra (2º ano), Escalas de Tempo (1º ano) e Instrumentos ópticos (5º ano). A presença da Astronomia, por sua vez, como tema que preocupa os docentes, pode estar associada ao fato de que sua compreensão básica envolve observação, experimentação e pensamento espacial. Nessa direção, Leite; Hosoume (2007) assinalam a carência de conhecimentos básicos de Astronomia observacional nos processos formativos como um limitador do trabalho docente, de forma segura, sobre esses temas.

## Gráfico 2 Objetos de conhecimento de CN e graus de dificuldade percebidos

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Fonte: Dos autores (2022)

Outro fator parece estar ligado à inserção de temas científicos nos Anos Iniciais que outrora eram abordados em estágios posteriores da escolarização infantil. É um entendimento unânime da pesquisa em Educação em Ciências, a necessidade de a formação científica iniciar já na primeira infância. No entanto, notam-se, entre os professores, a preocupação e a autocrítica em relação à sua capacidade em trabalhar essas temáticas.

Ao seguir a análise, é possível inferir que a presença de temas que exigem algum nível de integração de conhecimentos entre diferentes ciências escolares ou que sugerem uma abrangência conceitual que ultrapassa o que está expresso textualmente também preocupa os professores. Temas, como uso do solo, ciclo hidrológico, misturas, observação do céu, são objetos de conhecimento que implicam uma abordagem interdisciplinar com a qual os docentes nem sempre estão familiarizados.

## Considerações Finais

De modo geral, os resultados podem ser interpretados como indicadores dos níveis de dificuldades teóricas e metodológicas concernentes a esses objetos de conhecimento, já que é possível supor que a necessidade formativa enunciada está relacionada às preocupações e eventuais lacunas de formação inicial ou continuada.

Em efeito, a BNCC tem constituído um desafio para os professores, que assinalam a extensa quantidade de habilidades a ser trabalhada e a preocupação com a retomada das aprendizagens durante ou após o período pandêmico (PELLENZ et al., 2021). Como este estudo revela, eles reconhecem suas necessidades formativas em relação aos temas de Ciências da Natureza indicados na Base.

Ainda que este documento venha suscitando sucessivas críticas e reflexões, a inclusão de temas ligados à Física e à Astronomia nos estágios iniciais da escolarização é uma proposição que encontra lastro nas pesquisas em Educação em Ciências. Assim, com a Base, ou apesar da Base, cabe fortalecer processos de

formação continuada que aproximem professores e pesquisadores e, principalmente, dialoguem com as suas necessidades formativas.

## Referências

ANDRÉ, Marli. Estudo de caso em pesquisa e avaliação educacional. Brasília: LiberLivro Editora, 3ª ed, 2008, 68p.

BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2010, 281p.

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DELIZOICOV, N. C.; SLONGO, I. I. P. O ensino de Ciências nos anos iniciais do Ensino Fundamental: elementos para uma reflexão sobre a prática pedagógica. Série-Estudos - Periódico do Programa de Pós-Graduação em Educação da UCDB , n. 32, 31 maio 2013. Disponível em: https://www.serie-estudos.ucdb.br/serieestudos/article/view/75/234

FLICK, U. Introdução à pesquisa qualitativa. 3ª ed., Porto Alegre: Artmed, 2009, 405p.

FLÔR, C. C. C.; TRÓPIA, G. Um olhar para o discurso da Base Nacional Comum Curricular em funcionamento na área de ciências da natureza. Horizontes, v.36, n.1, p. 144-157, abr. 2018. Disponível em: https://revistahorizontes.usf.edu.br/horizontes/article/view/609. Acesso em 02 dez 2019.

FRANCO, L. G.; MUNFORD, D. Reflexões sobre a Base Nacional Comum Curricular: um olhar sobre a área de Ciências da Natureza. Horizontes, v. 36, n.1, p.158-170, 2018. Disponível em: https://revistahorizontes.usf.edu.br/horizontes/article/view/582. Acesso em 10 dez 2019.

GONZATTI, S.E.M. et al. Necessidades formativas enunciadas por professoras de Anos Iniciais no contexto da BNCC: um olhar no campo das Ciências da Natureza. Anais do XXIX SNEF, 2021, p. 1-4. Disponível em:

https://sec.sbfisica.org.br/eventos/snef/xxiv/sys/resumos/T0417-2.pdf. acesso em 05 mar 2022.

GUIMARÃES, L. P.; CASTRO, D. L. de. Visão dos professores de ciências da rede municipal de Barra Mansa, diante dos desafios da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Horizontes - Revista de Educação , [S. l.] , v. 8, n. 15, p. 6-19, 2020. Disponível em: https://ojs.ufgd.edu.br/index.php/horizontes/article/view/10456. Acesso em: 1 mar. 2022.

LANGHI, R.; NARDI, R. Formação de professores e seus saberes disciplinares em astronomia essencial nos anos iniciais do ensino fundamental. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências (Belo Horizonte) , v. 12, p. 205-224, 2010.

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LIMA, M. E. C. de C.; MAUÉS, E. Uma releitura do papel da professora das séries iniciais no desenvolvimento e aprendizagem de ciências das crianças. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências , Belo Horizonte. v. 08, n. 02, p. 184-198, 2006. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1983-21172006080207. Acesso em 08 mai 2020.

PELLENZ, P.V. et al., Inquietações de professores visando a BNCC: uma análise de reuniões audiogravadas. Anais do V Congresso Internacional de Ciência, Tecnologia e Conhecimento , 2021, p.114-115. Disponível em:

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SASSERON, L. H. Ensino de Ciências por Investigação e o Desenvolvimento de Práticas: uma mirada para a Base Nacional Comum Curricular. RBPEC, 18(3), p. 1061-1085, dezembro, 2018. Disponível em:

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SOUZA, A. L. S.; CHAPANI, D. T. Necessidades formativas dos professores que ensinam ciências nos anos iniciais. Práxis Educacional , v. 11, n. 19, p. 119-136, 2015.

YIN, R.K. Pesquisa qualitativa do início ao fim. Porto Alegre: Penso, 2016, 313p.

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