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ENSINO DE FÍSICA E GÊNERO: UMA ANÁLISE DOS LIVROS DIDÁTICOS DE FÍSICA DO PNLD 2018

Jaqueline May Borsatto, Alisson Antonio Martins

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XVIII
Ano
2020
Data
10/11/2020
Linha de pesquisa
Ensino, Aprendizagem E Avaliação Em Física/ Equidade, Inclusão, Diversidade E Estudos Culturais E O Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ENSINO DE FÍSICA E GÊNERO: UMA ANÁLISE DOS LIVROS DIDÁTICOS DE FÍSICA DO PNLD 2018

## PHYSICS TEACHING AND GENDER: AN ANALYSIS OF PHYSICS TEXTBOOKS OF THE PNLD 2018

Jaqueline May Borsatto 1 , Alisson Antonio Martins 2

1 UTFPR/PPGFCET/GEPEF, jaquelineborsatto@alunos.utfpr.edu.br 2 UTFPR/DAFIS/PPGFCET/GEPEF, amartins@utfpr.edu.br

## Resumo

Este trabalho versa sobre as relações de gênero no currículo de Física do Ensino Médio. Considerando que o livro didático se configura como um dos principais veiculadores curriculares, o objetivo desta pesquisa foi analisar de que modo as figuras femininas que colaboraram com a construção da Física são representadas nos livros didáticos desta disciplina. Para tanto, foi realizada uma análise documental dos livros de Física selecionados no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) de 2018, com base nas categorias: Identificação da personagem, Contexto da citação, Espaço/momento da citação e Circunstância da citação. Como resultados, percebeu-se que a representação das mulheres se concentra nos feitos mais recentes da história da ciência. As coleções didáticas analisadas apresentam figuras femininas e, em algumas delas, ocorrem breves discussões sobre o papel da mulher na ciência, o que não garante, entretanto, a superação de estereótipos de gênero no desenvolvimento dos assuntos em âmbito escolar.

Palavras-chave : Manuais didáticos de Física. Relações de gênero. Ciências da Natureza. Mulheres na ciência.

## Abstract

This work deals with gender relations in the high school curriculum. Which textbook is configured as one of the main curricular, the objective of this research was to analyze how the female figures who collaborated with the construction of Physics are represented in the textbooks of this scholar discipline. To this end, a documental analysis of the physics textbooks selected in the 2018 Brazilian National Textbook Program (PNLD) of 2018 was carried out, based on the categories: Character identification, Citation context, Citation space/moment and Citation circumstance. As a result, it was realized that the representation of women focuses on the most recent achievements in the history of science. Generally speaking, as didactic collections analyzed show female figures and, in some of them, there are brief discussions about the role of women in science, or what does not guarantee, however, an overcoming of gender stereotypes in the school curriculum.

Keywords : Physics textbooks. Gender relations. Nature sciences. Women in Science.

## Introdução

As relações de gênero têm ganhado espaço nos mais diferentes níveis da sociedade em função dos questionamentos frente à imposição histórica dos papéis sociais atribuídos a homens e mulheres. A busca por representatividade feminina em espaços até então declarados como masculinos tem demonstrado as desigualdades de gênero existentes na sociedade e estimulando reflexões sobre a temática.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP, 2017), ao longo dos últimos anos, as mulheres conseguiram conquistar grande parte das vagas de Ensino Superior, porém, ainda se percebe uma desproporção nos quantitativos de homens e de mulheres na ocupação de vagas de determinados cursos. Isto é, há um número reduzido de mulheres em cursos voltados às ciências naturais e engenharias, contrastando com a concentração deste público em cursos voltados às ciências humanas, educação, ciências sociais e de ciências da saúde (BARRETO, 2014).

As ciências da natureza sempre foram vistas como uma atividade realizada por homens, passando a mudar este conceito somente a partir do Século XX, entretanto, ainda carregam em si certos estereótipos, tais como o perfil recorrentemente associado ao cientista, isto é, homem branco, vestido de jaleco e que trabalha em um laboratório (LETA, 2003).

De acordo com Silva (2000), as influências do patriarcado podem ser reproduzidas por meio do currículo escolar e, desta forma, o acesso a recursos educacionais se dá de maneira desigual entre meninos e meninas, mesmo em países em que este acesso poderia parecer igualitário. Em função destas influências, algumas profissões e, em decorrência dessas, algumas disciplinas escolares, são consideradas femininas e outras, masculinas, perpetuando-se, no contexto escolar, determinados estereótipos de gênero.

Como um dos principais veiculadores curriculares, os livros didáticos apresentam influência significativa na formação dos estudantes, durante todo o período de escolarização formal. Conforme Rosa e Silva (2015), o livro didático 'torna-se um meio oficial para tratar das representações e expectativas em relação a gênero' (p. 93). Ou seja, considera-se que os livros didáticos podem estar contribuindo para a construção de determinadas compreensões sobre os papéis sociais atribuídos a homens e mulheres e, desta forma, poderiam estar fortalecendo visões estereotipadas acerca da forma de se produzir conhecimento científico.

A partir deste conjunto de reflexões, este artigo apresenta os resultados de um trabalho que teve por objetivo analisar de que forma as figuras femininas que colaboraram com a construção da Física são representadas nos livros didáticos desta disciplina escolar selecionados no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) de 2018.

## Os livros didáticos enquanto veiculadores curriculares

Os livros didáticos de Física fazem parte de um complexo sistema normativo que compõe o currículo escolar, designando o que deve ser ensinado e aprendido no âmbito da disciplina de Física na Educação Básica. Este sistema compreende mais que uma mera 'listagem de conteúdos de ensino', expressando, também, uma série de disputas, tensões, relações de poder, revelando-se um âmbito não neutro.

- O currículo engloba tudo o que envolve o universo escolar (SACRISTÁN, 2013), sendo compreendido como o conjunto dos conteúdos culturais explicitamente declarados nos guias curriculares, materiais de ensino, assim como, o conjunto das situações escolares não publicamente declaradas, isto é, aquilo que os alunos aprendem no cotidiano escolar, que não necessariamente, é intencionalmente ensinado na escola (ONOFRE, 2010).

Autores como Giroux (1997), apontam que a escola tem sido propagadora das relações de poder do corpo social, pois há um relacionamento íntimo da escola com a sociedade mais ampla, em que existem '(...) mensagens ideológicas embutidas tanto no conteúdo do currículo formal quanto nas relações sociais do encontro em sala de aula' (GIROUX, 1997, p. 56).

Neste contexto, destaca-se o conceito de currículo oculto, que compreende normas, valores e crenças não explicitamente declaradas, transmitidas aos estudantes, não havendo um controle delimitador sobre o que é transmitido por ele, sendo mais maleável, flexível, adaptado às relações de poder presentes nas situações em que se expressa. De acordo com Silva (2000), o currículo oculto molda o comportamento dos estudantes, com a incorporação dos interesses da classe dominante, sendo infundidos

- (...) atitudes, comportamentos, valores e orientações que permitem que crianças e jovens se ajustem da forma mais conveniente às estruturas e às pautas de funcionamento consideradas injustas e antidemocráticas e, portanto, indesejáveis, da sociedade capitalista. (p. 78-79)

Nesta perspectiva, a escola acaba por cumprir uma função de propagadora de injustiças e desigualdades, disseminando-se as características da estrutura social em que está inserida por meio das relações entre professor(a)-aluno(a), colegas de classe, estrutura hierárquica, organização espacial e temporal da instituição, regras, normas, padrões de recompensa e castigo, textos e ilustrações nos livros.

## As relações de gênero transmitidas na escola

De acordo com Garcia (2011), o feminismo é um movimento social, político e filosófico em que as mulheres tomaram consciência da opressão, dominação e exploração a que estão sujeitas na sociedade patriarcal e, a partir desta tomada de consciência, passaram a lutar por seus direitos, liberdade e igualdade. Tais lutas são relativamente recentes, tendo se concretizado, aproximadamente, ao longo dos últimos 200 anos. Segundo Garcia (2011), estas lutas se caracterizam por momentos históricos relevantes em que as pautas do movimento se destacaram, sendo conhecidas como as três ondas do feminismo, com cada período estando marcado por seus enfrentamentos, conflitos, perdas, mas também por importantes conquistas e realizações.

Uma das reivindicações mais significativas do movimento feminista ocorreu no âmbito educacional, em que as mulheres, em luta por acesso à escolarização formal, garantiram seu direito à universidade (ROSA; SILVA, 2015). Segundo Senkevics (2016), esta conquista feminina foi tão significativa, que na maioria dos países, elas atingiram um desempenho maior que os homens, em números de matriculados, revertendo um histórico de predomínio masculino no Ensino Superior.

Entretanto, apesar de as mulheres se apresentarem em maior número no Ensino Superior, ainda há uma ampla desigualdade de gênero, pois elas não estão

distribuídas proporcionalmente entre os cursos. De acordo com dados do INEP, apresentados em Barreto (2014), o público feminino se concentra nas áreas de educação, ciências humanas, ciências biológicas, ciências da saúde, ciências sociais, linguística e artes, enquanto que os homens se concentram nas áreas de ciências naturais, ciências exatas, tecnologia e engenharias.

Considerando-se a ciência como uma construção histórica e social, com relações de poder, muitos elementos machistas se expressaram e se expressam em seu desenvolvimento, como a falta de representatividade de mulheres cientistas, atribuições culturais sobre o papel e perfil do cientista e os problemas das relações sociais de gênero no contexto das instituições de pesquisa (CARTAXO, 2012).

Um dos principais contatos que as pessoas têm com a ciência ocorre por meio da escola que está suscetível à presença de elementos desmotivadores às mulheres prosseguirem seus estudos em áreas de ciências naturais, ciências exatas, tecnologia e engenharias. De acordo com Silva (2000) a cultura do patriarcado reflete no currículo educacional, tal que 'os estereótipos de gênero estavam não apenas amplamente disseminados, mas eram parte integrante que se dava nas próprias instituições educacionais' (p. 92).

Neste contexto, os materiais utilizados por professores e estudantes não estão isentos de visões estereotipadas sobre o fazer científico e sobre aqueles e aquelas que contribuem para sua produção e difusão. No caso da Física ensinada na escola, muitas vezes, os livros didáticos apresentam conteúdos desvinculados da realidade social, centrando sua preocupação sobre a resolução de exercícios e de testes que objetivam treinar as/os estudantes para provas e exames de acesso ao ensino superior. Tal aspecto releva que os livros cumprem uma função instrumental que, conforme Choppin (2004), compreende-se pelo fato de que 'o livro didático põe em prática métodos de aprendizagem, propõe exercícios ou atividades' (p. 553).

Os livros didáticos de Física estão presentes nas escolas públicas do Brasil por meio do PNLD, auxiliando os/as professores/as no processo de ensinoaprendizagem e de divulgação científica. Como parte integrante do currículo, seus textos podem veicular aspectos ideológicos implícitos, cumprindo, conforme Choppin (2004), uma função ideológica e cultural. Neste sentido, é necessário compreender como são abordadas as relações de gênero em materiais desta natureza, identificando-se, por exemplo, a presença ou não de personalidades femininas envolvidas com a Física.

## Procedimentos metodológicos

Para analisar a presença de figuras femininas que contribuíram para o desenvolvimento da Física nos livros didáticos foi realizada uma pesquisa de natureza qualitativa, com abordagem baseada na técnica de análise documental. A investigação teve como objeto os livros didáticos de Física aprovados e selecionados no PNLD de 2018, sendo doze coleções didáticas, cada uma com três volumes, correspondentes aos três anos do Ensino Médio, totalizando 36 livros.

As questões que conduziram a investigação foram: Quem são as mulheres abordadas pelos livros didáticos de Física? Como estas são apesentadas? Discutem-se elementos a respeito da história de vida das personagens neles contempladas (tais como seus principais feitos e descobertas e/ou os preconceitos e

injustiças que estas sofreram ao longo sua carreira profissional)? Em que espaço/momentos estes elementos são apresentados nos livros?

Com base em Bardin (2011), adotaram-se procedimentos da análise de conteúdo, com os quais se construíram quatro categorias de análise: 1) Identificação da personagem feminina, em que são analisados seus aspectos biográficos, salientando seus principais feitos e descobertas; 2) Contexto da citação, em que é descrito e discutido o contexto no qual se encontram as figuras femininas, expondo como estas são abordadas; 3) Espaço da citação, ou seja, locais nos quais as personagens femininas são encontradas (texto, box ou imagens) 4) Circunstância da citação, em que se analisam as formas em que as figuras femininas aparecem.

## Resultados e análises

Foram encontradas menções a dezenove mulheres que contribuíram, direta ou indiretamente, para o desenvolvimento da Física ou que se inspiraram nesta ciência para desenvolver trabalhos de grande expressão social. Para uma melhor discussão dos resultados produzidos, a exposição segue a divisão conforme as categorias de análise produzidas.

## Identificando as personagens

Dentre as dezenove mulheres que figuram nos livros didáticos de Física do PNLD 2018, três não puderam ser identificadas, pois faziam parte de uma imagem ilustrativa, sem identificação das pessoas nela contidas. As que foram identificadas são: Mary Wollstonecraft Shelley (1797-1851), Annie Jump Cannon (1863-1941), Marie Skłodowska Curie (1867-1934), Henrietta Swan Leavitt (1868-1921), Lise Meitner (1878-1968), Ida Noddack (1896-1978), Irène Joliot-Curie (1897-1956), Rosalind Elsie Franklin (1920-1958), Bárbara Jeanne Anderson (1945-), Laurel Blair Salton Clark (1961-2003), Kalpana Chawla (1961-2003), Lisa Randall (1962-), Nicole Marie Passonno Stott (1962-), Karen LuJean Nyberg (1969-), Simone Marilene Sievert da Costa Coelho (1975-), Joana Meneguzzo Pasquali (1998-).

## Contexto de citação

Em linhas gerais, as menções às mulheres que se relacionam de alguma forma com o desenvolvimento da Física ocorrem de modo a contextualizar o assunto a ser tratado. Lisa Randall e Rosalind Franklin são mencionadas em livros correspondentes ao primeiro volume, de forma a contextualizar e introduzir a Física. Annie Jump Cannon, Irene Joliot Curie, Lise Meitner, Henrieta Swan Leavitt e Marie Curie tem suas contribuições relacionadas à Física Moderna e Contemporânea. Joana Meneguzzo Pasquali e Simone Costa são referidas em boxes contendo recortes de reportagens relacionadas ao desenvolvimento científico e o parecer de uma especialista respectivamente.

Bárbara Anderson é apresentada numa relação entre cinema e óptica. Mary Shelley é citada em uma contextualização histórica do eletromagnetismo, em que se expressa que a escritora inspirou-se na pilha de Volta para conceber sua obra. Embora Mary Shelley não tenha contribuído para o desenvolvimento da Física, considerou-se importante listá-la no sentido de compreender que este desenvolvimento teve influência, também, sobre a produção artística.

Por fim, Karen Nyberg, Lisa Stott, Laurel Clark e Kalpana Chawla são astronautas, mencionadas para ilustrar a presença feminina em atividades espaciais.

## Circunstância da citação

As citações feitas às personagens femininas se deram através de:

- a) Texto: contextualizando o conteúdo por meio de história da ciência. Nestas contextualizações são relatados os notáveis feitos e contribuições destas mulheres, para o desenvolvimento ou divulgação da ciência.
- b) Imagens: com e/ou sem legenda identificando as integrantes. Notou-se que nas figuras. Em algumas situações foi observado certo favoritismo em representar o conteúdo com figuras femininas em detrimento das masculinas, como é o caso de Lisa Meitner em relação a seus colegas do sexo masculino que levaram consigo todo o mérito, ou Marie Curie em relação a Henry Becquerel (também ganhador do Nobel referente à descoberta da radioatividade) ou ainda Karen Nyberg no tocante a qualquer outro astronauta.
- c) Box: Com biografia específica da personagem ou sem biografia específica da personagem. Nestes boxes se encontraram escritos discutindo a condição da mulher frente aos preconceitos que permeiam a ciência, abrindo, assim, oportunidades para articular as relações de gênero com o conteúdo ministrado.

## Espaço da citação

No Quadro 1 são apresentadas as quantidades relativas à presença das mulheres nos livros didáticos, a partir de sua localização em determinados espaços.

Quadro 1: Espaço em que as mulheres são abordadas nos livros didáticos.

Fonte: autoria própria (2020).

Marie Curie liderou o número de menções, tendo aparecido em quinze livros didáticos, pelo menos uma vez em cada coleção. Compreende-se que este fato ocorre por Marie Curie estar entre as/os cientistas mais famosas/os e conhecidas/os do mundo, afinal, foi a primeira mulher a ganhar o prêmio Nobel, não apenas uma vez, mas duas, feito conquistado por apenas outras três pessoas ao longo da história desta premiação: Linus Pauling, John Bardeen e Frederick Sanger. Outros nomes que se repetiram ao longo da análise dos livros foram os de Lise Meitner (quatro livros), de Karen Nyberg (dois livros) e de Irene Curie (dois livros), não estando presentes, portanto, em todas as coleções didáticas.

## Considerações finais

Da análise dos livros didáticos de Física, uma primeira constatação refere-se a um número reduzido de citações a mulheres comparadas ao de homens. Afinal, não são muitas as mulheres conhecidas e destacadas pela Física, resultado dos longos anos de imposições e proibições da sociedade patriarcal. As coleções didáticas apresentam, mesmo que de uma forma contida, figuras femininas envolvida com a Física e, em alguns destes casos, o livro ainda expõe os preconceitos sofridos por elas, no reconhecimento de seus trabalhos e publicações.

A personalidade feminina mais antiga citada foi Mary Shelley que, embora não tenha sido Física, inspirou-se no campo para produção de suas obras de ficção. Geralmente, as mulheres se apresentam na ciência moderna e contemporânea, a qual está contemplada em espaço reduzido, em comparação à Física Clássica, dominante nos conteúdos de ensino da disciplina no Ensino Médio.

Percebeu-se que os livros didáticos de Física não estão alheios às discussões de gênero, enquanto uma possível decorrência dos princípios e critérios definidos pelo edital do PNLD 2018 para a avaliação de obras didáticas, tais como o princípio que objetiva 'promover positivamente a imagem da mulher, considerando sua participação em diferentes trabalhos, profissões e espaços de poder, reforçando sua visibilidade e protagonismo social' (BRASIL, 2015, p. 32). Este é um passo positivo, especialmente no que tange às possibilidades de escolhas profissionais, uma vez que se discute o papel culturalmente atribuído às mulheres. Salienta-se, porém, que há desigualdade entre as obras e que seus textos estão sujeitos à escolha de professores/as, persistindo a noção de que é muito provável que haja transmissão de estereótipos de gênero no âmbito escolar por meio do currículo oculto.

Apesar de todas as lutas feministas que garantiram o direito e o acesso de mulheres aos mais diversos setores da sociedade até então lhes negados, a discussão neste âmbito não está encerrada. As consequências destes longos anos de imposições e intolerâncias não são inertes, os estereótipos e as considerações retrógradas permanecem enraizados em falácias, piadas, justificativas e atitudes. Tais ocorrências também permeiam o ambiente escolar, onde ocorre a transmissão de valores e de interesses da sociedade em que se insere.

- O currículo é um campo de disputas de ordem política, fruto de intensos debates, ou seja, não é neutro e, portanto, não está alheio a assuntos tão relevantes para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e igualitária, como os direitos humanos, a valorização da diversidade e da inclusão. Neste sentido, considera-se necessário abordar as questões de gênero em sala de aula, nas aulas de Física, por meio de seus livros didáticos e de outros meios e materiais, superando um silenciamento que só contribui para reforçar a exclusão.

## Referências

BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo . São Paulo: Edições 70, 2011.

BARRETO, Andreia. A mulher no ensino superior: distribuição e representatividade. Cadernos do GEA . Rio de Janeiro, n. 6, p. 1-46, jul. /dez. 2014.

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CARTAXO, Sandra Maria. Carlos. Gênero e ciência: Um estudo sobre as mulheres na física. 2012. 126 f. Dissertação (Mestrado em Política Científica e Tecnológica) - Instituto de Geociências, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2012.

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SACRISTÁN, José Gimeno. Saberes e incertezas sobre o currículo . Porto Alegre: Penso, 2013.

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