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BOLSISTAS DE PRODUTIVIDADE DO CNPQ DA ÁREA DO ENSINO DE FÍSICA: MAPEAMENTO DO PERFIL DESSA ELITE ACADÊMICA

Idiai Da Silva Silveira, Matheus Monteiro, Luciana Massi

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XVIII
Ano
2020
Data
13/11/2020
Linha de pesquisa
Questões Teórico-Metodológicas E Novas Demandas Na Pesquisa Em Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## BOLSISTAS DE PRODUTIVIDADE DO CNPQ DA ÁREA DO ENSINO DE FÍSICA: MAPEAMENTO DO PERFIL DESSA ELITE ACADÊMICA

## RESEARCHERS WITH CNPQ PRODUCTIVITY SCHOLARSHIPS IN THE PHYSICS EDUCATION AREA: PROFILE MAPPING OF THIS ACADEMIC ELITE

Idiari da Silva Silveira , Matheus Monteiro Nascimento , Luciana Massi³ 1 2

1

Universidade Federal do Rio Grande do Sul, idiari\_ss@hotmail.com 2 Universidade Federal do Rio Grande do Sul, matheus.monteiro@ufrgs.br ³Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, luciana.massi@unesp.br

## Resumo

Foi na década de 1970 que surgiram os primeiros programas de pósgraduação com ênfase no Ensino de Física do Brasil. Passados meio século da gênese da área, no presente trabalho nos propomos a analisar a estrutura e configuração da elite acadêmica do Ensino de Física no país. Nos apoiamos em elementos da teoria de Pierre Bourdieu, em especial nos seus ensinamentos sobre a configuração dos campos, para analisar os dados da plataforma Sucupira do ano de 2018. Com relação aos agentes dominantes da área, podemos considerar que a elite acadêmica do ensino de Física do Brasil é constituída por docentes homens, atuando em programas do sul e do sudeste com elevado capital específico na Física e na Astronomia, e não no ensino, revelando uma fragilidade das fronteiras da área. Nossos resultados preliminares apontam para a não-existência de um campo no sentido bourdiano, mas exigem mais estudos e dados empíricos para sustentar essa hipótese.

Palavras-chave : Ensino de Física; campo científico; elite acadêmica.

## Abstract

It was in the 1970s that the first graduate programs with an emphasis on Physics Education in Brazil emerged. Half a century after the genesis of the area, in the present work we propose to analyze the structure and configuration of the academic elite of Physics Education in the country. We rely on elements of Pierre Bourdieu's theory, especially in his teachings on the configuration of the fields, to analyze the data from the Sucupira platform of the year 2018. With regard to the dominant agents in the area, we can consider that the academic elite of teaching Physics in Brazil is made up of male teachers, working in programs in the south and southeast with a high specific capital in Physics and Astronomy, and not in teaching, revealing a weakness in the area's borders. Our preliminary results point to the nonexistence of a field in the Bourdian sense, but require more studies and empirical data to support this hypothesis.

Keywords : Physics teaching; scientific field; academic elite..

## Introdução

Compreender o histórico e o funcionamento de uma área de pesquisa é fundamental no seu processo de consolidação. Esses estudos costumam ser feitos por meio de pesquisas do tipo 'estados da arte', que mapeiam a produção apontando avanços e limites da compreensão do objeto de estudo - que define a área. A sociologia da ciência bourdiana fornece outra perspectiva investigativa ao defender que o estudo do campo - entendido como uma área disciplinar que obedece um conjunto de leis invariáveis para todos os campos e leis específicas à área - permite compreender as relações entre influencias internas e externas que configuram as ações e valores de seus agentes e delimitam seu objeto de estudo. Nesse sentido, adotamos esse referencial para compreender a área de ensino de Física buscando a especificidade de seu processo histórico de constituição, por meio de um recorte inicial focado nos agentes que dominam esse campo.

Há muito se reconhece que a área do ensino de Física iniciou seu processo de desenvolvimento no Brasil em meados da década de 60 e início da década de 70 (NARDI, 2015). O primeiro evento nacional voltado para a reunião dos pesquisadores, professores e estudantes da área em formação foi o Simpósio Nacional de Ensino de Física, encontro organizado pela Sociedade Brasileira de Física (SBF) e realizado no recém-criado Instituto de Física da USP, na cidade de São Paulo. Com o passar do tempo e o crescimento da área, especialmente com o surgimento dos primeiros programas de pós-graduação em ensino, sentiu-se a necessidade da criação de uma secretaria particular para o Ensino de Física dentro da SBF e, consequentemente, de um evento específico para pesquisadores da área. Com isso, em 1986 ocorreu na cidade de Curitiba o primeiro Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF), que contou com a participação de 30 pesquisadores (NARDI, 2015).

A institucionalização da área de Ensino de Ciências em geral, e do Ensino de Física em particular, materializou-se no ano 2000 a partir da criação dentro da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) da Área de Ensino de Ciências e Matemática, a chamada área 46. Por motivos políticos, associados principalmente às demandas do Plano Nacional de Pós-Graduação, no ano de 2010 a área 46 acabou sendo transformada em área de Ensino e passou a congregar programas de ensino de Engenharia, de Saúde e das Humanidades (RAMOS; SILVA, 2014). De acordo com os últimos dados da plataforma Sucupira disponibilizados pela CAPES , em 2018 haviam 3136 docentes cadastrados em 1 programas de pós-graduação da área de Ensino. Conforme mostram os dados da plataforma, atualmente existem 187 programas de pós-graduação com 228 cursos cadastrados, sendo que 87 de Mestrado Acadêmico, 96 de Mestrado Profissional, 40 de Doutorado Acadêmico e 5 de Doutorado Profissional, indicando o crescimento desta área de pesquisa.

Do total de docentes atuando em programas de pós-graduação da área de Ensino, uma pequena fração recebe bolsa de produtividade (PQ) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Mais precisamente, apenas 179 pesquisadores recebem a bolsa de produtividade na área, o que corresponde a 5 por cento do total de docentes cadastrados em programas de pós-

da área. Estes docentes fazem parte do que podemos chamar de elite acadêmica da área Ensino. Dessa forma, passado aproximadamente meio século da criação da área de Ensino de Física no Brasil, neste trabalho temos o objetivo de mapear a configuração e caracterizar a elite acadêmica desta área. Portanto, nos propomos a responder a seguinte questão de pesquisa:

-  Qual a estrutura e configuração da elite acadêmica da área do Ensino de Física no Brasil?

Nos apoiamos em elementos da teoria de Pierre Bourdieu, em especial nos seus ensinamentos sobre a configuração dos campos, para analisar os dados da plataforma Sucupira e extrair as informações que podem nos auxiliar na busca por uma resposta à questão de pesquisa proposta.

## Quadro teórico

Em primeiro lugar precisamos justificar a escolha do termo elite acadêmica e o critério utilizado para a filtrar os profissionais que fazem parte deste grupo. Bourdieu formula o conceito de campo como uma oposição à alternativa de interpretação interna e de explicação externa que estavam colocadas todas as ciências - culturais, religiosas, etc. - da época. Para Bourdieu (1989), ambas as vertentes desconsideravam o campo como um espaço social de relações objetivas. O conceito de campo identifica microcosmos dentro de macrocosmos sociais, regidos por leis comuns como a disputa por um capital específico que hierarquiza e posiciona seus agentes que detém um mesmo habitus e compartilham da illusio necessária para a manutenção da existência do campo. Bourdieu (1989) a posição que um agente ocupa no campo depende do tamanho do seu poder no campo, produto do seu volume de capital específico, principalmente, mas também de seu capital econômico, cultural, social e simbólico (prestígio, reputação e fama). Nas palavras do autor:

A estrutura do campo é um estado da relação de força entre os agentes ou as instituições engajadas na luta ou, se preferirmos, da distribuição do capital específico que, acumulado no curso das lutas anteriores, orienta as estratégias ulteriores (BOURDIEU, 1983, p. 2).

Nesses termos, as hierarquias internas de um campo específico são construídas a partir volume de capitais dos agentes que fazem parte do campo, considerando uma primazia do capital específico que é tanto maior quanto mais autônomo for um campo. No caso do presente trabalho, consideramos que os docentes que recebem bolsa de produtividade, a partir dos critérios do CNPq, detém um maior volume de capital específico do que os docentes da mesma área que não recebem a bolsa. Considerando os indicadores bourdianos para análise do campo acadêmico, poderíamos especificar ainda mais esse critério entendendo-o como um índice de capital de prestígio científico (BOURDIEU, 1984). Assim, estes pesquisadores que recebem bolsa PQ constituem uma elite acadêmica dentro da área, pois se diferenciam dos seus colegas por, teoricamente, possuírem um maior número de publicações, pela qualidade da formação de recursos humanos, pela participação em bancas e em cargos de chefia dentro da instituição, e pelos projetos e recursos adquiridos. Bourdieu (1984) também estuda esses processos de

elitização em meio ao crescimento quantitativo do campo que exige a criação de critérios de distinção entre seus agentes.

É preciso também destacar que, apesar de nos apoiarmos na teoria dos campos de Bourdieu, não estamos afirmando que o ensino de Física é um campo autônomo e bem estabelecido. Esta é uma questão ainda em aberto que precisa ser enfrentada empiricamente. Não há consenso sobre a caracterização das subáreas constituintes da Educação em Ciências - Biologia, Química e Física - como campos científicos bem estabelecidos (TEIXEIRA, MEGID NETO, 2006; SCHNETZLER, SOUZA, 2018). Por outro lado, este trabalho pode levantar algumas questões que se inserem no contexto destas publicações que debatem a institucionalização dos campos científicos, uma vez que se propõe a caracterizar os docentes que fazem parte da elite acadêmica do ensino de Física, que seriam, nos termos de Bourdieu, os dominantes que tentam defender o monopólio do capital específico do campo (BOURDIEU, 1984).

Na próxima seção detalhamos o percurso metodológico que nos permitiu mapear e caracterizar a elite acadêmica do ensino de Física. Na sequência, apresentamos os principais resultados e discutimos as suas implicações para a área.

## Metodologia

Toda a presente pesquisa desenvolveu-se a partir dos dados de 2018 da plataforma Sucupira, da CAPES. Há, nestes dados, uma série de informações de todos os professores cadastrados em programas de pós-graduação do país. Primeiramente, selecionamos todos os docentes cadastrados em programas avaliados na área de Ensino da CAPES e, como destacado na introdução, em 2018 eram 3136 docentes cadastrados. Em seguida, selecionamos aqueles que, além de estarem cadastrados em programas de pós-graduação, recebem bolsa de produtividade do CNPq, um total de 179 docentes cadastrados. Excluindo os nomes repetidos dos dados, uma vez que um docente pode atuar em mais de um programa de pós-graduação, identificamos 143 bolsistas na área de Ensino.

Em posse do nome dos docentes bolsistas atuando em programas da área de Ensino, o currículo Lattes de cada um foi acessado a fim de selecionar aqueles que se apresentavam como pesquisadores em Ensino de Física. Esta filtragem resultou em um total de 38 docentes. Para identificar a área de atuação dos docentes, primeiramente o resumo da biografia no currículo foi consultado. Se este não permitisse concluir a área de atuação dos pesquisadores, as publicações mais recentes foram consultadas.

Para melhor caracterizar a elite acadêmica do ensino de Física, a área de cadastro destes 38 bolsistas no CNPq foram identificadas. Esta busca se deu no próprio site da instituição a partir do nome dos docentes . 2

## Resultados e discussões

Passamos agora ao detalhamento do perfil dos 38 bolsistas cadastrados em programas de pós-graduação da área de Ensino da CAPES em 2018 que se identificam com o Ensino de Física. Estes pesquisadores fazem parte da elite acadêmica do Ensino de Física no Brasil.

A primeira análise realizada e que chama a atenção diz respeito ao gênero dos bolsistas. Aproximadamente 66 por cento dos pesquisadores declaram ser do sexo masculino, praticamente o dobro do feminino. Esse resultado é muito representativo quando percebemos que na área de Ensino em geral, contabilizandose todos os docentes em programas de pós-graduação, 53 por cento são do sexo feminino e 47 por cento do sexo masculino. Isto significa que, olhando o número total de docentes da área de Ensino, temos um número um pouco maior de mulheres do que de homens. Quando analisamos os pesquisadores que recebem bolsa de produtividade associados com Ensino de Física, que são aqueles com maior volume de capital específico e, consequentemente, mais poder dentro da área; há praticamente o dobro de homens do que mulheres. Infelizmente este resultado não chega a ser contrassensual, pois reitera o conceito de teto de vidro presente em diversos estudos sobre gênero (SCHIEBINGER, 2001). Esta tendência de redução do número de mulheres nas posições de destaque no campo da Física já foi apontada por Staitovich, Lima e Barbosa (2015) e está presente em todo o campo científico (LETA, 2003).

Em relação à dependência administrativa das instituições em que os bolsistas do Ensino de Física orientam na pós-graduação, apenas 8 por cento são privadas e 92 por cento são públicas, confirmando o perfil de distribuição da pesquisa no Brasil. Sobre a modalidade dos programas que os bolsistas atuam, 59 por cento são acadêmicos e 41 profissionais. Essa maior presença dos mestrados profissionais reitera as discussões que estiveram presentes no momento da transformação da área 46 em 2010 (RAMOS; SILVA, 2014).

Sobre as regiões em que se localizam os programas em que a elite acadêmica do ensino de Física atua, observamos uma forte concentração no Sudeste e no Sul, novamente reforçando a intensa assimetria observada nas condições de desenvolver pesquisas no país. Metade dos programas localizam-se nos estados do Sudeste, quase 35 por cento nos estados do Sul, totalizando 85 por cento do total de programas. Outros 9 por cento estão no Nordeste, 6 por cento no Norte e nenhum programa na região Centro-Oeste. Além das desiguais condições econômicas e de financiamento à pesquisa nos Estados brasileiros, podemos entender estas distorções a partir da gênese da área do ensino de Física no Brasil. Como os primeiros programas de pós-graduação com ênfase na área foram criados nos estados do sudeste e do sul, houve um maior desenvolvimento destes centros. Isto sugere que as instituições com maior tradição na área localizam-se nestes estados e, sendo a elite acadêmica constituída por pesquisadores com elevado acúmulo de capitais, os docentes bolsistas acabam atuando em programas destas localidades.

Bourdieu (1984) nos ajuda a entender que esse conjunto de características da elite acadêmica apontam para propriedades distintivas destes agente no interior do campo, porém nos alerta que elas não refletem diretamente maior competência para o desenvolvimento da pesquisa uma vez que a elite tende a impor a todos os

agentes do campo suas verdades e referências, em geral, de modo arbitrário. Portanto, ao contrário do que algumas leituras equivocadas da teoria bourdiana afirmam, ao identificarmos um perfil masculino, da região Sul ou Sudeste, de universidades públicas, atuando em programas acadêmicos, não estamos asseverando que essas características garantem pesquisas de melhor qualidade. Apenas constatamos que esse perfil tende a ser privilegiado neste grupo, que representa uma minoria, que atinge um dos graus mais distintivos do sistema de pesquisa brasileiro. A compreensão dos critérios de distinção que emergem do campo exigiriam outro estudo focado em aspectos internos, externos e históricos.

A Tabela 1 ilustra as distribuições acima discutidas. A primeira coluna da tabela mostra as variáveis dos dados analisadas, a segunda apresenta as categorias de cada variável, a terceira coluna ilustra a contagem de cada categoria e a última coluna os percentuais correspondentes.

Tabela 1. Características da elite acadêmica do ensino de Física no Brasil.

Por fim, resta apresentar os resultados das análises das áreas em que os 38 bolsistas ingressaram no sistema do CNPq. Seguramente, este é o resultado mais contundente e diz muito sobre a área do ensino de Física no país. Dos 38 docentes bolsistas de produtividade do CNPq que atuam em programas de pós-graduação em Ensino e que se associam com a área do ensino de Física, apenas 18, o que corresponde a 47 por cento, ingressaram no sistema do CNPq por áreas afins ao Ensino. Quer dizer, mais da metade dos bolsistas que atuam na área, não são especialistas em ensino de Física. O que se observa é que a grande maioria ingressou no sistema do CNPq através da Física ou da Astronomia, e não pela Educação, como seria o esperado de um pesquisador atuante em programa de pósgraduação da área do Ensino. Ressaltamos que não existe no sistema do CNPq a área de Ensino, definida pela Capes, portanto resta ao pesquisador optar por uma das opções acima, dentre as quais entendemos que a Educação se aproxime mais da área de Ensino. Este resultado sugere que os programas de Ensino cadastram os docentes bolsistas da Física e da Astronomia pelo seu destaque nas áreas ditas hards e não pela sua relevância ou atuação efetiva no ensino de Física. Em termos

bourdianos, podemos colocar como hipótese explicativa que o ensino de Física, apesar de mais de 50 anos de existência, ainda não constitui-se como um campo científico bem estabelecido, mas aparentemente permanece como um subcampo da própria Física. Segundo Bourdieu (2013) a maturidade de um campo, bem como sua força, é medida principalmente a partir das fronteiras do campo que indicam seu grau de autonomia/heteronomia. A própria fronteira é um dos principais objetos de disputa no campo (BOURDIEU, 2013). Apesar dessa disputa, entendemos que o pertencimento a um campo disciplinar sem a exigência de uma qualificação específica aponta para uma fragilidade muito grande de suas fronteiras. Da mesma forma que a transformação da área 46 em Ensino em geral apontou para a perda de autonomia do campo. Esses resultados preliminares apontam para a não-existência de um campo, mas exigem mais estudos e dados empíricos para sustentar essa hipótese.

Com relação aos agentes dominantes da área, podemos considerar que a elite acadêmica do ensino de Física do Brasil é constituída por docentes homens, atuando em programas do sul e do sudeste com elevado capital específico na Física e na Astronomia, e não no ensino.

## Considerações finais

Neste trabalho nos propomos a mapear e caracterizar a elite acadêmica da área do ensino de Física. Nos apoiamos na teoria dos campos de Bourdieu para selecionar aqueles que seriam os detentores de maior volume de capital específico dentro da área. Utilizamos como critério de hierarquização e indicativo de maior volume de capital específico, o fato do docente possuir bolsa de produtividade do CNPq.

Metodologicamente, a pesquisa se deu a partir dos dados disponibilizados pela CAPES na plataforma Sucupira em 2018. Selecionamos dos dados aqueles docentes cadastrados em programas de pós-graduação da área de Ensino. Em seguida, filtramos aqueles que recebem bolsa de produtividade em pesquisa do CNPq. Posteriormente, acessamos o currículo Lattes de cada docente para identificar aqueles associados especialmente com a área do ensino de Física. Ao final da seleção, 38 docentes se enquadraram nos critérios estabelecidos.

Das análises realizadas observamos que há uma inversão na representatividade das mulheres bolsistas em relação ao total de mulheres da área de Ensino. Há uma prevalência de bolsistas atuando em estados do sudeste e do sul, com poucos vinculados a programas do nordeste e do norte, e nenhum no centro-oeste.

Em relação à área em que os bolsistas ingressaram no sistema do CNPq, notamos que a maioria está vinculada com a Física e com a Astronomia. Cerca de 47 por cento recebe bolsa PQ pelo volume de capital específico na área de Ensino. Este resultado sugere que, assim como indicado por Schnetzler e Souza (2018) para a área do ensino de Química, o ensino de Física ainda não se estabeleceu como campo científico relativamente autônomo, mas seria ainda um subcampo da própria Física.

Evidentemente que os resultados aqui apresentados não permitem que se tirem conclusões sobre a estabilidade do campo ou subcampo do ensino de Física.

Outras análises precisam ser realizadas para um maior aprofundamento e detalhamento. Contudo, esta pesquisa suscita algumas questões relevantes para os pesquisadores envolvidos com o estudo dos campos científicos, em especial aqueles da área de Ensino.

## Referências

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BOURDIEU, Pierre. Homo academicus . Paris: Les éditions de minuit, 1984.

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LETA, Jaqueline. As mulheres ciência brasileira: crescimento, contrastes e um perfil de sucesso. Estudos avançados , São Paulo, v. 17, no. 49, p. 271-284, 2003.

NARDI, Roberto. Memórias do Ensino de Ciências no Brasil: a constituição da área segundo pesquisadores brasileiros, origens e avanços da pós-graduação. Revista do Imea , v. 2, n. 2, p. 13-46, 2015.

RAMOS, Clériston Ribeiro; SILVA, João Alberto da. A emergência da área de ensino de ciências e matemática da Capes enquanto comunidade científica: um estudo documental. Investigações em Ensino de Ciências , v. 19, n. 2, p. 363-380, 2014.

SCHIEBINGER, Londa. O feminismo mudou a ciência? Bauru, SP: Edusc, 2001.

SCHNETZLER, Roseli Pacheco; SOUZA, Thiago Antunes. O desenvolvimento da pesquisa em educação e o seu reconhecimento no Campo científico da química. Educação Química en Punto de Vista , v. 2, n. 1, 2018.

SAITOVICH, Elisa Maria Baggio; LIMA, Betina Stefanello; BARBOSA, Marcia Cristina. Mulheres na Física: uma análise quantitativa. Mulheres na Física: casos históricos, panorama e perspectivas . São Paulo, Editora Livraria da Física, p. 245-260, 2015.

TEIXEIRA, Paulo Marcelo Marini; MEGID NETO, Jorge. Investigando a pesquisa educacional. Um estudo enfocando dissertações e teses sobre o ensino de Biologia no Brasil. Investigações em Ensino de Ciências , v. 11, n. 2, p. 261-282, 2006.

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