DESCENDENTES ACADÊMICOS DOS BOLSISTAS DE PRODUTIVIDADE DO CNPQ DA ÁREA DO ENSINO DE FÍSICA: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO
Thales Godoy Bertoletti, Matheus Monteiro Nascimento, Luciana Massi
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2020
- Data
- 13/11/2020
- Linha de pesquisa
- Questões Teórico-Metodológicas E Novas Demandas Na Pesquisa Em Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## DESCENDENTES ACADÊMICOS DOS BOLSISTAS DE PRODUTIVIDADE DO CNPQ DA ÁREA DO ENSINO DE FÍSICA: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO
## ACADEMIC DESCENDANTS OF CNPQ PRODUCTIVITY SCHOLARSHIPS IN PHYSICS EDUCATION AREA: AN EXPLORATORY STUDY
Thales Godoy Bertoletti 1 , Matheus Monteiro Nascimento 2 , Luciana Massi³
1 Universidade Federal do Rio Grande do Sul, bertolettithales@gmail.com
2 Universidade Federal do Rio Grande do Sul, matheus.monteiro@ufrgs.br
³Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho, luciana.massi@unesp.br
## Resumo
O estudo dos agentes que fazem parte de uma área de pesquisa contribui para o entendimento da sua configuração. Muitas vezes utilizam-se genealogias acadêmicas para a análise dos mais diferentes campos científicos. A partir das genealogias é possível compreender certas características e limitações destes campos. No presente trabalho temos o objetivo de iniciar um processo de caracterização da área do Ensino de Física no Brasil a partir da elaboração de uma genealogia acadêmica. Nossa pesquisa teve como ponto de partida os dados disponibilizados pela CAPES na plataforma Sucupira no ano de 2018. Utilizamos como objeto de pesquisa os docentes cadastrados em programas de pós-graduação em Ensino que recebem bolsa de produtividade do CNPq e possuem reconhecida experiência na área do Ensino de Física. Estes docentes são muito representativos na área uma vez que possuem elevado volume de capital específico no campo científico e influenciam nas posições de outros agentes e instituições. Os resultados revelam que há poucos docentes bolsistas com ampla formação de recursos humanos na área, certamente produto dos poucos anos de institucionalização do Ensino de Física no país. Este dado que se relaciona com a posse de capital específico sugere que ainda são poucos os agentes que detém essas medidas de poder dentro desse possível campo.
Palavras-chave : Ensino de Física; Campo científico; genealogia acadêmica.
## Abstract
The study of agents that are part of a research area contributes to the understanding of its configuration. Academic genealogies are often used to analyze the most different scientific fields. From the genealogies, it is possible to understand certain characteristics and limitations of these fields. In the present work, we aim to initiate a process of characterization of the area of Physics Education in Brazil from the development of an academic genealogy. Our research had as a starting point the data made available by CAPES on the Sucupira platform in 2018. We used as a research object the professors registered in postgraduate programs in Education who receive a CNPq productivity scholarship and have recognized experience in the area of Physics teaching. These professors are very representative in the area since they have a high volume of specific capital in the scientific field and influence the positions of other agents and institutions. The results reveal that there are few scholarship
holders with extensive training of human resources in the area, certainly the product of the few years of institutionalization of Physics Education in the country. This data that relates to the ownership of specific capital suggests that there are still few agents that have these measures of power within this possible field.
Keywords : Physics Education; scientific field; academic genealogy.
## Introdução
Conhecer uma área de pesquisa envolve o estudo dos seus agentes, seus objetos, sua história e sua configuração. Áreas de pesquisa emergentes dependem fundamentalmente desse tipo de estudo para compreender sua situação e vislumbrar caminhos futuros. A caracterização das áreas acadêmicas também pode ser feita a partir da utilização da elaboração de genealogias acadêmicas e esse tem sido tema de pesquisa nos mais diferentes campos científicos. Por definição, genealogia é uma ferramenta que permite estudar a origem, a evolução e propagação de grupos que se inter-relacionam por laços de qualquer natureza, sejam elas familiares ou não. Em geral, o foco das genealogias é o estudo dos ascendentes ou dos descendentes de um certo indivíduo (SUGIMOTO et al., 2011). De acordo com Cronin e Sugimoto (2014), genealogia acadêmica consiste no estudo quantitativo da herança intelectual perpetuada por relacionamentos de orientação entre professores (orientadores/supervisores) e seus alunos (orientados).
No Brasil, muitos trabalhos se utilizaram de genealogias acadêmicas para a caracterização de diferentes áreas do conhecimento, como a matemática, ciência da informação, entre outras (ROSSI, MENA-CHALCO, 2014; OLIVEIRA, et al., 2018; ROSSI, et al., 2018; ROSSI, DAMACENO, MENA-CHALCO, 2019). No presente trabalho, vamos nos apropriar desta ferramenta para iniciar um processo de caracterização da área do Ensino de Física no Brasil. Pautados no conceito de campo, formulado por Pierre Bourdieu, o estudo da genealogia, que aponta diretamente para as 'autoridades acadêmicas' e seus descendentes, nos ajuda a compor um conjunto de estudos, que temos desenvolvido, visando configurar o campo de pesquisa da área de Ensino de Ciências.
Em meados da década de 1970 que os primeiros programas de pósgraduação com ênfase no Ensino de Física surgiram no Brasil. Desde então, muitos doutores foram formados, revistas especializadas foram criadas e eventos organizados, contribuindo para a construção da institucionalização e reconhecimento da área. Atualmente, quase meio século depois, fica difícil de ter uma visão global dos pesquisadores que fazem parte desta área. É justamente neste ponto que o presente trabalho pretende contribuir, por meio da identificação de seus principais agentes que detêm maior volume de capital específico nesse campo. Por isso, esta pesquisa se propõe a responder a seguinte questão de pesquisa:
- Quais são e como se distribuem os descendentes acadêmicos dos bolsistas de produtividade em pesquisa do CNPq vinculados a programas de pós-graduação em Ensino e com larga experiência no Ensino de Física?
Estes docentes não representam a área como um todo, mas fazem parte do que podemos chamar de elite acadêmica do Ensino de Física (COCK, et al., 2018; BOURDIEU, 1984). Na próxima seção apresentamos brevemente a fundamentação teórica e o percurso metodológico trilhado para conseguir construir o mapeamento da área que nos propomos a realizar. Ademais, detalhamos todos os critérios utilizados a fim de tornar esta pesquisa reprodutível para outras áreas do conhecimento.
## Referencial teórico-metodológico
Conforme descrito anteriormente, uma genealogia acadêmica se envolve com a identificação dos ascendentes e/ou com os descendentes de um pesquisador específico. Esse dado apont a para o que Bourdieu (1984) denominou de 'autoridade acadêmica', ou seja, agentes que detém alto volume de capital específico no campo científico e que influenciam nas posições de outros agentes e instituições. Ele explica que o poder propriamente universitário se funda principalmente na posse de um capital adquirido na própria universidade, por meio dos diplomas e do capital social, ou seja, a rede de relações rentáveis estabelecidas por um pesquisador. O poder ou a autoridade científica pode ser medido pela coordenação de uma equipe, pelo reconhecimento pelos pares do campo e pela notoriedade intelectual, mais ou menos institucionalizada por meio de distinções, cargos e prêmios.
Esses conceitos são fundamentais para entender a noção de campo que, embora tenha alguma relação com a área no sentido de tender a reiterar divisões disciplinares, remete a uma disputa de poder pautada na posse do capital específico do campo. Ele opera como um microcosmo dentro do macrocosmo social com leis de funcionamento específicas e leis invariantes para todos os campos. Um campo se delimita por meio da sua autonomia que aponta para fronteiras mais rígidas no sentido da influência das interferências externas ao campo. Portanto, o conceito bourdiano representa uma importante contribuição para a sociologia da ciência ao contemplar aspectos internos e externos ao campo.
No presente trabalho identificamos os descendentes acadêmicos dos bolsistas de produtividade em pesquisa do CNPq vinculados a programas de pósgraduação em Ensino e com larga experiência no Ensino de Física. Nossa pesquisa teve como ponto de partida os dados disponibilizados pela CAPES na plataforma Sucupira no ano de 2018 1 . Nestes dados, selecionamos todos os docentes cadastrados em programas de pós-graduação da área de Ensino da CAPES. Esta primeira seleção retornou 3136 docentes. Na sequência, selecionamos aqueles que, além de estarem cadastrados em programas de pós-graduação do Ensino, recebem bolsa de produtividade do CNPq, um total de 179 docentes cadastrados. Em seguida, acessamos o currículo Lattes de cada docente para selecionar apenas aqueles vinculados com a área do Ensino de Física. A identificação da área de atuação dos docentes seguiu os seguintes procedimentos: primeiramente o resumo da biografia que consta no Lattes foi lido. Se este não permitisse concluir qual a área de atuação dos pesquisadores, as publicações mais recentes foram acessadas. Esta nova filtragem retornou 38 pesquisadores.
Observamos que dentro deste grupo de docentes, a maior parte, apesar de afirmar que faz pesquisa em Ensino de Física, não tem experiência na área e recebe bolsa de produtividade por áreas como Física e Astronomia, ou seja, não fazem parte do grupo de especialistas em Ensino de Física do Brasil. Assim, consultamos a área através da qual o docente ingressou no sistema do CNPq como bolsista 2 . Consideramos especialistas em Ensino aqueles que ingressaram no CNPq pela Educação ou pela História (história da ciência). Esta seleção retornou um número de 18 docentes. Este, portanto, é o número de especialistas em Ensino de Física no Brasil que recebem bolsa de produtividade do CNPq. Evidentemente não estamos contemplando todos os especialistas da área, uma vez que muitos não recebem a bolsa de produtividade em pesquisa. No entanto, nosso trabalho é um importante ponto de partida e possíveis pesquisadores podem ser acrescentados ao mapeamento aqui apresentados.
Após filtrarmos a lista com os bolsistas de produtividade em pesquisa do CNPq vinculados a programas da área de Ensino da CAPES e deixarmos apenas aqueles ligados à área de Ensino de Física, iniciamos o processo de construção da genealogia acadêmica dessa área de pesquisa. Ou seja, em posse do nome dos bolsistas do CNPq vinculados à área, analisamos quantos e quem foram os doutores por eles formados, ou seja, os descendentes acadêmicos. Importante perceber que estamos olhando apenas para os doutores ou doutorandos, e não para mestres e mestrandos. As informações sobre as orientações foram obtidas dos currículos da plataforma Lattes e registradas em uma nova planilha. Cada pesquisador doutor inserido na planilha teve seu currículo analisado a fim de checar se já havia orientado ou se estaria orientando algum aluno de doutorado. Por exemplo, vamos supor que o bolsista A tenha orientado (ou esteja orientando) nove doutores. Registramos na planilha, ao lado do nome do bolsista A todos os nomes dos nove doutores. Em seguida, acessamos o currículo de cada um dos nove pesquisadores e registramos, ao lado do seu nome, os alunos de doutorado orientados.
Para fins metodológicos, chamamos de primeiro nível o conjunto de bolsistas que não foram orientados por nenhum outro bolsista, isso significa que eles originam um novo ramo da árvore genealógica acadêmica. Escolhemos chamar de nível ao invés de geração pois, em alguns casos, o primeiro nível coincide com a primeira geração, mas em outros casos isso não acontece. Vamos ilustrar os critérios utilizados e a classificação realizada a partir do pesquisador Marco Antonio Moreira. Moreira não foi orientado por nenhum bolsista do CNPq, sendo ele, portanto, um dos representantes do primeiro nível. Moreira orientou 56 doutores que, de acordo com a nossa classificação, pertencem ao segundo nível. E assim sucessivamente. A partir deste sistema classificatório chegamos até o 4º nível. Após a divisão em níveis, analisamos quais dos doutores formados pelo primeiro nível também recebem a bolsa, tendo assim uma ideia da evolução da distribuição de bolsas do CNPq.
## Resultados e discussões
A Tabela 1 apresenta os 18 docentes que fazem parte da elite acadêmica do Ensino de Física no Brasil de acordo com os critérios estabelecidos e descritos na seção anterior. O ordenamento foi feito do maior para o menor número de
descendentes do pesquisador. Lembrando que os descendentes agrupam os orientandos de doutorado, os orientandos dos orientandos e assim por diante.
Tabela 1. Bolsistas de produtividade do CNPq especialistas em Ensino de Física.
Nota-se que o bolsista com maior número de descendentes é o professor Moreira, como era esperado. Lembramos que outros docentes do Ensino de Física possuem tantos ou mais descendentes, como o professor Alberto Villani e a professora Anna Maria Pessoa de Carvalho, por exemplo; mas pelo fato de atualmente não possuírem bolsa de produtividade não foram contemplados pelos critérios de seleção. Considerando a descendência deixada por esses pesquisadores, que se reverte em capital específico no sentido de definir perspectivas e rumos para a área de pesquisa, não nos surpreende que os docentes destacados acima são também os fundadores da pesquisa em Ensino de Física no Brasil. Como afirma Bourdieu (1984, p. 116 - tradução nossa), 'a acumulação do capital universitário exige tempo [...] as distâncias, neste espaço, se medem em tempo, em lacunas temp orais, em diferenças de idade'. Outro resultado de relevância é o fato de que praticamente todos estes docentes fazem parte de programas localizados em estados do sul e do sudeste do Brasil, excetuando-se o professor Olival Freire Jr. que atua no programa da Universidade Federal da Bahia.
A segunda coluna da tabela indica o nível geracional que localiza-se o pesquisador. Apenas três docentes fazem parte do segundo nível, quer dizer, foram orientados por algum bolsista, como é o caso das professoras Fernanda Ostermann e Cibelle Celestino Silva e do professor Ives Solano Araujo. Este resultado sugere a juventude da área do Ensino de Física do país. Ao mesmo tempo, esse resultado aponta para os efeitos de transmissão da autoridade acadêmica, pois, segundo Bourdieu (1984, p. 127) a autoridade patrimonial do 'pai do doutor' tende a se
exercer de diversas formas na atuação destes pesquisadores de segunda geração: publicações, auto-censura e referência obrigatória e relações de dependência. Claro que um estudo mais detalhado exigiria mais elementos para medir a autoridade acadêmica dos envolvidos, porém esta genealogia aponta para alguns elementos que compõem e condensam esse índice: o fato do(a) pesquisador(a) possuir bolsa de produtividade do CNPq, uma vez que, para possuir tal bolsa é preciso passar por uma avaliação rigorosa dos pares que analisam uma série de elementos relacionados com a vida acadêmica dos indivíduos. A terceira coluna mostra o número total de descendentes de cada orientador. Destaca-se o expressivo número de descendentes do professor Mauricio Pietrocola. Este resultado pode indicar que o docente orientou muitos doutores ou que os seus orientados orientaram muitos doutores. Para entender o que está acontecendo precisamos olhar para a quarta coluna. Nela está escrito o número de ramos que emergem dos orientados do bolsista. No caso do professor Pietrocola, observamos 6 ramos, indicando que seis dos seus orientados já estão formando novos doutores. Este é o segundo maior número de ramos, atrás apenas do professor Moreira. Esse possível alto índice de autoridade acadêmica, como afirma Bourdieu (1984, p. 128 -tradução nossa), exige 'que se pague com sua própria pessoa', ou seja, demanda um alto investimento pessoal e de tempo, que pode estar relacionado com essa grande quantidade de orientandos. A última coluna ilustra o número de níveis na árvore genealógica acadêmica de cada docente. Percebemos que os docentes com mais níveis são o professor Moreira e a professora Maria José de Almeida.
A Figura 1 3 mostra todos os bolsistas com seus descendentes. A cor amarela indica os bolsistas. Visualmente também fica claro que as maiores árvores genealógicas acadêmicas são aquelas do professor Moreira e da professora Almeida. Fizemos a opção de representar todos os docentes na mesma figura a fim ilustrar da maneira mais fiel possível o atual cenário da área do Ensino de Física no Brasil. Destacamos que este mapa poderia ser ampliado se levássemos em consideração também os ascendentes dos bolsistas, ou seja, aqueles que orientaram os bolsistas docentes do primeiro nível. Esta análise será também realizada e publicada em outro momento.
Do mapa final da genealogia dos bolsistas de produtividade em pesquisa do CNPq vinculados a programas de pós-graduação em Ensino e com larga experiência no Ensino de Física fica claro esta área é ainda muito incipiente no cenário nacional. Há poucos docentes bolsistas com ampla formação de recursos humanos na área, certamente produto dos poucos anos de institucionalização do Ensino de Física no país. Esse dado, que remete à autoridade científica e, possivelmente, à posse de capital específico, sugere que ainda são poucos os agentes que detém essas medidas de poder dentro desse possível campo. Maiores índices de autoridade científica exigiriam dos agentes mais tempo, o que reitera a percepção de que se trata de uma área de pesquisa muito jovem.
Figura 1. Descendentes acadêmicos dos bolsistas de produtividade do CNPq que fazem parte da elite acadêmica do ensino de Física
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Indiretamente esse dado também pode apontar para uma forte dispersão na área, o que dificulta a delimitação de posições hierárquicas entre os sujeitos e, consequentemente, prejudica o entendimento de que se trata de um campo de pesquisa, no sentido bourdiano. Claro que a real medida do capital específico e da autoridade científica envolveria outros índices que estão sendo explorados em nosso grupo de pesquisa, mas esse estudo nos ajuda a levantar importantes hipóteses de investigação, além de contribuir para que a área se compreenda melhor.
## Considerações finais
No presente trabalho apresentamos, com base em dados de 2018 da plataforma Sucupira da Capes, um mapeamento dos descendentes dos bolsistas de produtividade em pesquisa da área de Ensino de Física. Selecionamos aqueles docentes cadastrados em programas de pós-graduação em Ensino, que recebem bolsa de produtividade em pesquisa do CNPq pelas áreas da Educação ou da História e com reconhecida experiência na área do Ensino de Física.
Os resultados obtidos nesta primeira análise indicam a recentidade da área do Ensino de Física no Brasil. Dos bolsistas analisados, são poucos com alta taxa de formação de recursos humanos, revelando que a área de fato ainda é bastante jovem. Isto se evidencia pelo número reduzido de docentes com mais de quatro ramos genealógicos, ou seja, mais de quatro orientados que já orientaram ou estão orientando novos doutores. De fato, os doutores formados por sete dos 18 bolsistas ainda não estão orientando ou orientaram novos doutores. Outro resultado importante se refere à concentração de bolsistas na região sul e sudeste. Esses dados apontam para a concentração de autoridade acadêmica em poucos agentes que investiram muito tempo na consolidação desta medida que aponta para a posse do capital específico. Destacamos que esta pesquisa representa um pequeno passo no esforço de configurar o campo de Ensino de Física do país.
Como perspectiva futura, podemos analisar os ascendentes dos bolsistas de produtividade e contemplar outros pesquisadores da área, a partir da estipulação de novos critérios de busca, bem como analisar outros elementos do campo além de seus agentes.
## Referências
BOURDIEU, Pierre. Homo academicus . Paris: Les éditions de minuit, 1984.
COCK, Juliana Cristina Araujo do Nascimento et al . Operando com conceitos de Bourdieu: produtividade em pesquisa e hierarquias acadêmicas no campo da educação. Educ. Pesqui. , São Paulo , v. 44, e178938, 2018 .
CRONIN, Blaise; SUGIMOTO, Cassidy R. (Ed.). Beyond bibliometrics: Harnessing multidimensional indicators of scholarly impact . MIT Press, 2014.
OLIVEIRA, Carlos Alexandre. et al. Genealogia acadêmica: um estudo dos pesquisadores da área de Ciência da Informação com bolsas produtividade em pesquisa na modalidade PQ-1 do CNPq. Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria , v. 6, 2018.
ROSSI, Luciano; DAMACENO, Rafael JP; MENA-CHALCO, Jesús P. Genealogia acadêmica: um novo olhar sobre impacto acadêmico de pesquisadores. Parcerias Estratégicas , v. 23, n. 47, p. 197-212, 2019.
ROSSI, Luciano et al. Genealogia acadêmica dos doutores atuantes em matemática: um mapeamento macro na ciência brasileira. Proceeding Series of the Brazilian Society of Computational and Applied Mathematics , v. 6, n. 1, 2018.
ROSSI, Luciano; MENA-CHALCO, Jesús P. Caracterização de árvores de genealogia acadêmica por meio de métricas em grafos. In: Anais do III Brazilian Workshop on Social Network Analysis and Mining . SBC, 2014. p. 21-32.
SUGIMOTO, Cassidy R. et al. Academic genealogy as an indicator of interdisciplinarity: An examination of dissertation networks in Library and Information Science. Journal of the American Society for Information Science and Technology , v. 62, n. 9, p. 1808-1828, 2011.
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