OBJETO DE APRENDIZAGEM MULTIMÍDIA (OAM) APLICADO A DISPOSITIVOS MÓVEIS: uma proposta para o Ensino de Ciências na Educação de Jovens e Adultos
Geraldo Magella Barbosa De Oliveira, Michele Ueno Guimaraes
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2020
- Data
- 11/11/2020
- Linha de pesquisa
- Tecnologias Da Informação E Comunicação E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## OBJETO DE APRENDIZAGEM MULTIMÍDIA (OAM) APLICADO A DISPOSITIVOS MÓVEIS: UMA PROPOSTA PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
## MULTIMEDIA LEARNING OBJECT APPLIED TO MOBILE DEVICES: A PROPOSAL FOR SCIENCE TEACHING IN YOUTH AND ADULT EDUCATION
## Geraldo Magella Barbosa de Oliveira 1 , Michele Ueno Guimaraes 2
1 Universidade Federal de Ouro Preto/Departamento de Física/profismagella@gmail.com 2 Universidade Federal de Ouro Preto/Departamento de Física/micheleueno@ufop.edu.br
## Resumo
Este trabalho é resultado de uma dissertação de mestrado, concluída em 2019. Um dos autores, atuando como professor de Física em turmas de EJA, percebeu que, além da semestralidade do curso, da defasagem escolar, tem-se ainda em Minas Gerais, uma redução da carga horária das disciplinas de Ciências da Natureza. Com isso, o tempo apresenta-se reduzido para realizar uma abordagem, ainda que elementar, dos principais conceitos. Com o propósito de desenvolver uma estratégia que fosse motivadora, ao ponto de minimizar as dificuldades do Ensino de Ciências na EJA, e ampliar as possibilidades no ensinoaprendizagem, foi desenvolvido um Produto Educacional (OAM) embasado na Aprendizagem Móvel. Esse produto Educacional foi elaborado à luz de estudos na área da Teoria da Carga Cognitiva e da Teoria da Aprendizagem Multimídia. A pesquisa foi referenciada por meio da Teoria da Difusão da Inovação. Após ser aplicado a alunos da Educação de Jovens e Adultos, verificou-se um aumento na motivação dos alunos, ao ponto de gerar um estímulo, no estudo antecipado do conteúdo trabalhado em sala de aula pelo pesquisador, além do incremento significativo alcançado nas concepções newtonianas.
Palavras-chave : Ensino de Ciências, Educação de Jovens e Adultos, Dispositivos Móveis, Aprendizagem Multimídia, Mobile Learning.
## Abstract
This work is the result of a master, completed in 2019. One of the authors, acting as a physics teacher in EJA classes, realized that, besides the semester of the course, the school gap, there is also in Minas Gerais, a reduction of the workload of the Natural Sciences subjects. As a result, time is reduced to an approach, even elementary, of the main concepts. With the purpose of developing a motivating strategy, to the point of minimizing the difficulties of Science Teaching in EJA, and expanding the possibilities in teaching-learning, an Educational Product (OAM) based on Mobile Learning was developed. This Educational product was elaborated in the light of studies in the area of Cognitive Load Theory and Multimedia Learning Theory. The research was referenced through the Innovation Diffusion Theory. After being applied to students of Youth and Adult Education, there was an increase in student motivation, to the point of generating a stimulus in the study of the content
worked in the classroom by the researcher, in addition to the significant increase achieved in Newtonian conceptions.
Keywords : Science Education, Youth and Adult Education, Mobile Devices, Multimedia Learning, Mobile Learning.
## Introdução
O crescimento do uso das tecnologias móveis e a disseminação da internet , dispositivos como: telefone celular, smartphones , laptops , palmtops , tablets e tecnologias de conexão sem fio possibilitaram que a comunicação, predominantemente estática do passado, atualmente aconteça com mobilidade total, em qualquer lugar e a qualquer hora. Com isso, a maneira como a sociedade recebe e compartilha informações, o modo como as pessoas vivem e se relacionam mudaram profundamente. A mobilidade ganha cada vez mais espaço, à medida que as pessoas percebem as potencialidades, e usam as facilidades das mídias móveis. O relativo baixo custo e a infinidade de aplicativos destes aparelhos permitem a comunicação e o compartilhamento de informações por voz, imagens, vídeos ou mesmo texto, de forma rápida e segura.
De acordo com Saccol et al . (2011), é totalmente possível utilizar a tecnologia móvel. Os recursos permitem a interação entre alunos e professores, diversificando as possibilidades. A tecnologia móvel pode ainda proporcionar uma grande mudança no processo de ensino-aprendizagem, transformando a sala de aula tradicional. Ela passa a incorporar um novo formato, por permitir que o aluno acesse o conteúdo que deseja, no lugar em que está, e no momento em que necessita. A pesquisa trata-se de uma investigação no contexto da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Foi desenvolvida em um Programa de Mestrado Profissional, logo era necessário um produto final, ao qual denominamos Objeto de Aprendizagem Multimídia (OAM), como requisito parcial à obtenção do título.
## Desenvolvimento do produto (OAM)
O produto escolhido, embora seja um material impresso, como nos Livros Didáticos comuns, foi desenvolvido para facilitar o acesso do aluno ao texto, à medida que os conceitos foram sendo trabalhados, a conteúdos hipermídia em pontos estratégicos e pré-determinados pelo autor, por meio de QR Code , sigla em inglês de Quick Response Code , ou Código de Resposta Rápida. A abordagem dos conceitos ao longo do texto no OAM, foi pensada de maneira a incentivar essa complementação do texto, por recursos multimídias. Complementam ainda o material, gráficos, figuras e ilustrações em 3D e em alta definição, conforme a situação. Óculos para visão em 3D foram confeccionados pelos próprios alunos, para visualização de imagens no material.
O assunto escolhido para o desenvolvimento do OAM foi determinado entre aqueles em que os alunos já haviam estudado nos 1º e/ou 2º períodos da EJA, no caso, foi feita a escolha pelos conceitos relacionados à Dinâmica, mais especificamente força e movimento, inércia, força de atrito, princípio da inércia e primeira lei de Newton. A pesquisa foi desenvolvida entre os meses de março e julho de 2018. O conteúdo trabalhado está em acordo com o Plano de Ensino anual, elaborado em conformidade com a readequação do Currículo Básico Comum (CBC),
adaptado às normas dispostas pela Resolução SEE/MG 2030, de 25 de janeiro de 2012.
Atualmente, o processo de ensino-aprendizagem, utilizando-se de recursos multimídia, constitui uma das mais profundas mudanças resultantes dos processos de inovação impostas à Educação. Essa mudança de paradigma no processo de inovação, em termos de recursos educacionais, gerou um aumento e a diversificação de produtos de natureza digital, no entanto, conforme Mayer e Moreno (2002), ela não tem sido acompanhada de um aprimoramento desses recursos, para que possam promover uma aprendizagem efetiva. Neste sentido, para formar uma boa estrutura cognitiva nos alunos com a utilização de OAM, faz-se necessário o conhecimento das teorias e resultados das pesquisas relacionadas ao assunto. Para embasar fundamentalmente o produto, foi utilizada a Teoria Cognitiva da Aprendizagem Multimídia, fruto de pesquisas realizadas por Mayer e Moreno (2002 e 2003), propondo a integração das teorias da Carga Cognitiva de Sweller (1999, 2003).
Segundo Mayer e Moreno (2003), frequentemente o sujeito é confrontado com informações em diferentes formatos: som, texto, imagens, gráficos, animações. Essa combinação de informações pode provocar uma sobrecarga cognitiva, quando o volume da carga é superior à capacidade de compreensão humana. Essa sobrecarga cognitiva pode provocar um processo de desorientação e de desestímulo no aluno.
Deste modo, ao utilizarmos recursos multimídia, devemos buscar um equilíbrio da carga cognitiva, para que o processo de ensino-aprendizagem seja mais eficiente, uma vez que a capacidade de processamento mental é limitada. Partindo desses pressupostos, Mayer e Moreno (2002) desenvolveram um conjunto de diretrizes aplicáveis ao desenvolvimento de produtos educacionais, suportados por recursos multimídia. Desses, os 6 (seis) princípios abaixo relacionados, foram utilizados no desenvolvimento do OAM:
- 1. Contiguidade : as animações e as narrações devem ser apresentadas de maneira complementar e contígua.
- 2. Coerência : os elementos como palavras, imagens ou sons estranhos ou desnecessários devem ser eliminados, pois entram em competição com o conteúdo relevante aos canais de processamento cognitivo.
- 3. Modalidade : a apresentação de animações e textos escritos de maneira concomitante deve ser evitada, pois podem sobrecarregar a memória de processamento visual.
- 4. Redundância : deve-se evitar a inclusão de texto escrito, junto a uma animação narrada, que poderão impactar negativamente na aprendizagem.
- 5. Multimídia : as animações narradas são mais efetivas para a aprendizagem, do que apenas narrações.
- 6. Diferenças individuais : indivíduos, com maior nível de conhecimento e com maior grau de concentração espacial, possuem maiores condições de organização e de processamento da informação.
Com base nos princípios estabelecidos, realizaram-se pesquisas diretamente na internet, a fim de buscar os recursos multimídia que foram incorporados ao OAM. Nesse ponto, houve uma preferência por materiais de acesso livre e aberto, e deste modo, foi feita uma categorização dos objetos multimídias incorporados ao OAM de acordo com a TCAM.
## Referencial teórico
Como fundamento da pesquisa, considerou-se o OAM como uma inovação dentro da estratégia do mobile learning . Devido às grandes possibilidades dos Dispositivos Móveis, quase que ininterruptamente conectados à internet , representarem uma grande vantagem sobre a prática pedagógica tradicional (SACCOL et al ., 2011 e SCHLEMMER et al ., 2007). Deste modo, torna-se relevante compreender como esta inovação pode ser vista dentro do contexto da sala de aula, e principalmente, como ela pode ser difundida.
A fim de analisar a percepção do usuário final, optou-se pelo instrumento Pesquisa de Satisfação, aplicada imediatamente após o trabalho com o OAM. Por meio dele, avaliou-se o potencial de inovação, apoiando-se nos estudos de Rogers (2003), mais precisamente em sua obra intitulada Teoria da Difusão da Inovação.
Sua teoria, também conhecida como curva de adoção, pode ser usada para explicar por que algumas pessoas adquirem novos produtos ou adotam novos comportamentos antes de outros. Ao desenvolver a teoria, Rogers (2003) descobriu que normalmente os indivíduos em uma sociedade, podem ser divididos e classificados em cinco perfis de grupos, de acordo com tempo que demoram a aderir a uma inovação ou em adquirir um produto: os inovadores, os adotantes iniciais, a maioria inicial, a maioria tardia e os retardatários. Os dois primeiros perfis são os mais importantes, pois ao aprovarem uma inovação, eles permitem transpor o abismo, para que o novo produto ou inovação chegue aos demais perfis.
O abismo é o ponto que separa as pessoas que costumam aderir a um novo produto mais rapidamente, daquelas mais conservadoras e, por isso mesmo, pouco susceptíveis às mudanças. Nesse sentido, usar estratégias de comunicação e disseminação adequadas é muito importante para que a inovação ou novo produto ganhe escalabilidade, uma vez que os perfis de maioria inicial e maioria tardia são a fase onde ocorre a aceleração na taxa de adoção, pois essa parcela de perfis representa 2/3 (dois terços) da população.
Portanto, esse estudo de Rogers (2003), apresenta bases sólidas para ajudar a explicar como o OAM, desenvolvido tendo como base o mobile learning , pode ser adotado e difundido dentro da realidade da Educação de Jovens e Adultos. Quatro são as teorias discutidas por Rogers, a saber: o processo da decisão da inovação, a postura inovadora individual, a taxa de adoção e os atributos inerentes à inovação.
Segundo Rogers (2003), ao analisar uma inovação, o adotante primeiramente toma conhecimento da inovação, para formar uma atitude, em relação a ela. Caso essa atitude seja negativa, a inovação será rejeitada, e, sendo positiva, o indivíduo buscará testar esta inovação. Posteriormente, ele avaliará a inovação, para decidir se continuará a usá-la ou não. A atitude é particularmente influenciada pela forma como o indivíduo percebe um conjunto de atributos inerentes à inovação. Esses atributos são: a Vantagem Relativa, a Compatibilidade, a Complexidade, a Experimentabilidade e a Observabilidade. Eles são determinantes na tomada de decisão em aceitar ou não uma inovação.
## Metodologia desenvolvida na pesquisa
A pesquisa foi desenvolvida com 10 (dez) alunos voluntários, entre os 20 (vinte) alunos que compreendiam a turma de 3° EJA, e que podiam chegar à escola um pouco mais cedo, às 18:00 horas, para não atrapalhar o andamento normal da disciplina dada pelo professor responsável pela turma.
Inicialmente, foi aplicado um questionário a todos os alunos da respectiva turma, 20 (vinte) alunos, afim de se conhecer os diversos aspectos relacionados ao uso de celulares, acesso à internet , leitura e uso do LD, motivação para leitura espontânea do conteúdo antes de ser trabalhado em sala.
Anteriormente ao uso do OAM, foi aplicado um pré-teste, de modo a conhecer as concepções iniciais sobre o assunto.
Em seguida, foram realizados 4 (quatro) encontros com os alunos voluntários para trabalhar com o OAM.
Após o trabalho com o material, foi aplicado um pós-teste, relacionado ao assunto trabalhado com os alunos.
A coleta de dados se encerrou com a aplicação de um questionário final, ao qual foi chamado de Pesquisa de Satisfação, cujo objetivo foi o de medir o grau de interesse e motivação despertado pelo OAM.
## Apresentação e análise dos dados
A Pesquisa de Satisfação consta de 10 questões, cujos resultados podem ser observados no gráfico abaixo, no eixo das ordenadas, os valores representam a porcentagem (%) das respostas dos alunos. Nessa fase de apresentação e análise dos resultados utilizaremos a teoria dos Atributos Percebidos. Ao realizarmos uma análise em termos percentuais das respostas e, levando-se em contas esses atributos, pudemos avaliar a potencialidade, ou não, de o produto desenvolvido ser adotado futuramente.
Gráfico 02 - Tabulação Questionário Final de Pesquisa
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A primeira questão da Pesquisa de Satisfação teve a proposta de investigar se o aluno se sentiu MOTIVADO, em utilizar o Material Didático, aplicado a Dispositivos Móveis. Esta era uma questão crucial em relação à percepção geral do aluno em relação ao produto, como resultado, 90% dos alunos, potenciais adotantes, indicaram como CONCORDANDO ou CONCORDANDO PLENAMENTE como motivados.
Na questão 2, investigamos se o aluno se sentiu ESTIMULADO a estudar o material antecipadamente à matéria, que seria trabalhada em sala pelo pesquisador. Nossa hipótese era de que, quanto mais estimulado o aluno para, espontaneamente, estudar em casa antecipadamente o conteúdo a ser trabalhado em sala de aula, maior a possibilidade de sucesso na aprendizagem, quando da abordagem dos conceitos em sala de aula. Como resultado, 80% dos alunos, potenciais adotantes,
indicaram como CONCORDANDO ou CONCORDANDO PLENAMENTE, como estimulados a estudar o conteúdo antecipadamente.
A questão 3 investigou a experiência do aluno, ao utilizar o produto em relação aos recursos multimídias, como as atividades, os experimentos, os vídeos, as fotos 3D e em alta resolução e o simulador que estavam vinculados ao material. Essa questão está diretamente relacionada ao atributo inerente à inovação chamado de Experimentabilidade, que se refere ao grau com que a inovação pode ser experimentada minimamente pelos seus potenciais adotantes, antes da decisão final de adoção. A possibilidade de testar a inovação é uma forma de torná-la significativa para o indivíduo, para que ele possa descobrir como ela funciona, e como ela pode adaptar-se de acordo às suas necessidades. Como resultado, 90% dos alunos, potenciais adotantes, indicaram como CONCORDANDO ou CONCORDANDO PLENAMENTE como sendo positiva a experiência com o OAM.
A questão 4 da Pesquisa de Satisfação investigou se os recursos multimídias vinculados ao material foram IMPORTANTES para seu entendimento do conteúdo trabalhado. Como resultado, 90% dos alunos, potenciais adotantes, indicaram como CONCORDANDO ou CONCORDANDO PLENAMENTE que eles foram importantes, o que nos remete ao atributo Vantagem Relativa. Neste caso, o aluno implicitamente avaliou a inovação como melhor do que a ideia anterior, ou seja, ela certamente foi vista como sendo superior ou melhor que outros serviços, produtos ou ideia já existentes, como no caso do Livro Didático comum.
Buscando investigar se o aluno encontrou FACILIDADE para instalar o aplicativo leitor de QR CODE em seu smartphone , e ainda, se o aluno encontrou FACILIDADE em usar o seu smartphone para acessar os conteúdos multimídias, foram propostas, respectivamente, as questões 5 e 6. Nelas, encontramos nossa primeira percepção mais negativa, porém com apenas 10% dos participantes discordando da questão. Segundo Rogers (2003), dependendo do grau, essa insatisfação poderia levar a rejeição da inovação, no caso, do nosso produto desenvolvido. Ainda assim, ao avaliarmos os resultados, podemos notar que 80% dos alunos, potenciais adotantes, indicaram como CONCORDANDO ou CONCORDANDO PLENAMENTE que encontraram FACILIDADE para instalar o aplicativo leitor de QR CODE em seu smartphone . Desta maneira, a percepção negativa verificada pode ser associada às chamadas Diferenças Individuais, onde indivíduos, com maior nível de conhecimento e com maior grau de concentração espacial, possuem maiores condições de organização e de processamento da informação, e vice-versa, sustentados por Sweller (2003).
A questão número 7 da Pesquisa de Satisfação investigou a percepção dos alunos, se o material teria instruções CLARAS E OBJETIVAS. Essa foi uma questão importante, pois o atributo Complexidade está diretamente relacionado ao grau com que a inovação é percebida, sendo fácil ou difícil de entender e utilizada pelos seus potenciais adotantes. Rogers (2003) a considera como fundamental para a adoção da inovação. Como resultado, 80% dos alunos, potenciais adotantes, indicaram como CONCORDANDO ou CONCORDANDO PLENAMENTE, com a clareza e objetividade no funcionamento do OAM.
A questão 8 tratou da percepção dos alunos sobre as características gerais do material, ou seja, a qualidade gráfica, se o material seria visualmente ATRAENTE. Como resultado, 80% dos alunos, potenciais adotantes, indicaram como CONCORDANDO ou CONCORDANDO PLENAMENTE que o material seria visualmente atraente, o que nos remete ao atributo Vantagem Relativa. Neste caso, o aluno implicitamente avaliou a inovação como melhor do que a ideia anterior, ou
seja, ela certamente foi vista como sendo superior ou melhor que outros serviços, produtos ou ideia já existentes, como no caso do Livro Didático comum.
A questão 9 investigou a percepção dos alunos sobre a compreensão do conteúdo, trazido pelo material. Como resultado, 90% dos alunos, potenciais adotantes, indicaram como CONCORDANDO ou CONCORDANDO PLENAMENTE em relação à compreensão do conteúdo. O atributo relacionando a essa questão é a Compatibilidade, ou seja, o grau com que a inovação é percebida, sendo consistente e coerente com valores existentes, experiências passadas e as necessidades dos potenciais adotantes. A compreensão de um texto é uma característica fundamental, o que permitiu a comparação ao que até então usavam, no caso, os Livros Didáticos.
Finalmente, a questão 10 investigou se os alunos recomendariam o uso do material para seus colegas e/ou professores utilizarem na escola. É a questão síntese da avaliação do produto. Novamente, como resultado, 90% dos alunos, potenciais adotantes, indicaram como CONCORDANDO ou CONCORDANDO PLENAMENTE em recomendar o uso do material. Podemos relacionar o atributo Observabilidade a essa importante questão. Este atributo indica o grau com que os resultados positivos da inovação são visíveis para os potenciais adotantes.
A partir da análise dos dados do Questionário Final (Pesquisa de Satisfação), podemos concluir que no Objeto de Aprendizagem Multimídia estão englobados todos os atributos inerentes à inovação, segundo Rogers (2003). Por esse motivo podemos afirmar com segurança, que o OAM desenvolvido possui a potencialidade de modificar a atitude daqueles que o utilizaram, influenciando de forma positiva o indivíduo, de modo a leva-lo a adotar a inovação.
## Considerações finais
Um primeiro ponto a destacar é que o OAM foi construído para ser um suporte ao professor em sala de aula, principalmente em relação à motivação do aluno, para estudar antecipadamente o conteúdo a ser trabalhado. Deste modo, a prática pedagógica e a experiência do professor em construir seu plano de aula e realizar as intervenções didáticas, bem como em conduzir uma discussão dialógica, sobretudo por meio das construções propostas no material numa abordagem investigativa, são essenciais e indispensáveis para o sucesso do ensinoaprendizagem. Obviamente o OAM não foi desenvolvido e pensado como um único e suficiente recurso, capaz por si só, de produzir os resultados que foram apresentados e discutidos neste trabalho.
O produto desenvolvido mostrou-se extremamente satisfatório, o que permite afirmar que sua utilização em sala de aula é possível, no entanto, ficou em aberto a necessidade de se investigar, ainda, o grau de sucesso dessa aplicação em larga escala. Outra questão em aberto repousa na necessidade de uma avaliação quantitativa na Mudança Conceitual produzida nos alunos, sujeitos participantes, em relação ao conteúdo, uma vez que esse não era objetivo primário desta pesquisa.
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