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PERFIL E IMPACTO DO CURSO DE FÍSICA-LICENCIATURA NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO - CAMPUS AGRESTE (UFPE-CA) EM SEUS 10 ANOS DE EXISTÊNCIA

João Eduardo Fernandes Ramos, Katia Calligaris Rodrigues, Tassiana Fernanda Genzini De Carvalho

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XVIII
Ano
2020
Data
11/11/2020
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## PERFIL E IMPACTO DO CURSO DE FÍSICA-LICENCIATURA NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO - CAMPUS AGRESTE (UFPE-CA) EM SEUS 10 ANOS DE EXISTÊNCIA

## PROFILE AND IMPACT OF THE PHYSICS-DEGREE COURSE AT THE FEDERAL UNIVERSITY OF PERNAMBUCO - CAMPUS AGRESTE (UFPE-CA) IN ITS 10 YEARS OF EXISTENCE

## João Eduardo Fernandes Ramos 1 , Katia Calligaris Rodrigues 2 , Tassiana Fernanda Genzini de Carvalho 3

1 Universidade Federal de Pernambuco/ Centro Acadêmico do Agreste/ NFD, joaoeframos@gmail.com 2 Universidade Federal de Pernambuco/ Centro Acadêmico do Agreste/ NFD, kalligaris@gmail.com 3 Universidade Federal de Pernambuco/ Centro Acadêmico do Agreste/ NFD, tassiana.fgcarvalho@gmail.com

## Resumo

O curso de Física-Licenciatura do Campus Agreste (CA) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) teve início no ano de 2009, como parte do processo de interiorização das IES. Após dez anos de curso, quantos licenciados já foram formados? Quais foram as principais dificuldades em relação ao curso? O que os alunos formados têm feito? Essas entre outras questões que desejamos investigar, a fim de buscar mapear o impacto de uma licenciatura em física na região. O levantamento de dados foi realizado a partir de três instrumentos: o sistema SIGA, onde obtivemos o número de ingressantes e egressos, dados fornecidos pela Próreitora de Assuntos Acadêmicos da UFPE, relativos à retenção no curso, e também um questionário, destinado aos alunos egressos, formandos e quase-formandos. Foi possível observar resultados quanto perfil dos estudantes do curso, o número de formandos e a atuação deles como professores na região. Quanto aos formandos, observamos um número baixo em relação ao esperado nestes dez anos. Em relação a evasão, o curso ainda apresenta um alto índice de evadidos. E, buscando indicativos para o impacto do curso na região, pudemos observar que o curso está permitindo a inserção de docentes de física na educação básica, ou seja, está contribuindo para a presença deste profissional que é tão escasso nas escolas.

Palavras-chave : Formação de professores; Ensino Superior; Evasão

## Abstract

The Physics-Teacher Education Program of the Campus Agreste (CA) of the Federal University of Pernambuco (UFPE) began in 2009, as part of the process of interiorization of Institutions of Higher Education. After ten years of training, how many graduates have already been trained? What were the student's main difficulties in relation to the program? What have graduated students being doing? These among other issues that we wish to investigate, in order to seek to map the impact of a degree in physics in the region. The data collection was carried out from three instruments: the SIGA system, where we obtained the number of first-rate and graduates, we also utilized data provided by the Dean of Academic Affairs of UFPE,

related to retention in the course and also made a questionnaire, using the Google Forms platform for students who are graduates, trainees and quasi-trainees. It was possible to observe results regarding the profile of the students of the course, the number of graduates and their performance as teachers in the region. As for trainees, we observed a low number compared to what has been expected in these ten years. Regarding dropout, the course still has a high dropout rate. And, looking for indications for the impact of the course in the region, we could observe that the course is allowing the insertion of physics teachers in basic education, that is, it is contributing to the presence of this professional who is so scarce in schools.

Keywords : Teacher training; University education; Dropout.

## Introdução

É no contexto da necessidade de formar professores de física com qualidade que inserimos o nosso curso. O curso de Física-Licenciatura do Campus Agreste (CA) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) teve início no ano de 2009, como parte do processo de interiorização das IES, para atender a uma demanda por docentes formados em física que pudessem atuar na educação básica no agreste do estado pernambucano e em estados vizinhos. O curso faz parte do Núcleo de Formação Docente (NFD), juntamente com as licenciaturas de Matemática, Pedagogia, Química e Intercultural Indígena. A concepção nuclear do NFD permite que os docentes envolvidos estejam alocados em um mesmo espaço acadêmicoadministrativo, viabilizando o desenvolvimento de ações curriculares que articulem, na formação docente, o diálogo entre teoria e prática, que, via de regra, não acontece na maioria das licenciaturas do país, principalmente nas de física.

Desde sua origem, no entanto, não foi realizado um estudo para investigar o impacto da presença do curso na região. Após dez anos, quantos licenciados já foram formados? Quais foram as principais dificuldades em relação ao curso? O que os alunos formados têm feito? Entre outras questões, essas são as que desejamos investigar, a fim de buscar mapear o impacto de uma licenciatura em física na região. É importante que se diga que, embora já exista um curso de licenciatura em física em Recife, na capital do estado pernambucano, a demanda ainda não era suprida no interior do estado. Também pretendemos estudar como está o desempenho dos alunos ao longo do curso e tentar buscar caminhos e ações visando mudar o cenário da retenção, por exemplo. São preocupações que também aparecem em outros cursos de graduação como pode ser visto no estudo de Arruda e Ueno (2003).

## Metodologia

Para o presente trabalho estamos interessados em compreender os impactos que o curso de Física-Licenciatura do Campus Agreste, localizado em Caruaru - PE, teve na formação e atuação de seus estudantes. Portanto, trata-se de uma análise de cunho qualitativo, em que, eventualmente, as quantidades nos ajudam a chegar a um a interpretação dos fatos quando relacionadas entre si e com outros aspectos.

- O levantamento de dados foi realizado a partir de três instrumentos: o sistema SIGA (Sistema de Informações e Gestão Acadêmica), por meio do perfil de

coordenador de curso, onde obtivemos o número de ingressantes e egressos e as cidades de origem; além desses, alguns dados foram fornecidos pela Pró-reitora de Assuntos Acadêmicos (PROACAD) da UFPE, relativos a um estudo, ainda em andamento, sobre retenção e evasão nos cursos de graduação da UFPE; e, por fim, também fizemos um questionário, utilizando-nos da plataforma Google Formulários, que foi disponibilizado no Facebook oficial do curso, sendo destinado aos alunos egressos, formandos e quase-formandos.

As duas primeiras fontes de dados - o SIGA e a PROACAD - são acessíveis apenas aos coordenadores de cursos. O estudo da PROACAD, nesse momento (em junho de 2020), começa a ser divulgado entre a comunidade acadêmica buscando pela organização de ações locais, que possam auxiliar a diminuir os números de evasões e retenções dentro dos cursos.

Em relação ao questionário, suas questões diziam respeito às seguintes informações: ano de ingresso e de término (quando fosse o caso), deslocamento até o CAA, as razões que levaram a escolher o curso de Física-Licenciatura, as maiores dificuldades durante o curso, as razões que levaram a continuar o curso, qual foi o destino depois de se formar, se atua ou atuou como docente de Física, se na escola de atuação há outros docentes de Física formados na área, e, em relação à docência, quais são as maiores alegrias, dificuldades e expectativas.

As questões que diziam respeito ao deslocamento, as razões que levaram a escolher e permanecer no curso e o destino após se formarem eram de múltipla escolha, sendo que apenas as questões finais, relativas à docência, eram questões abertas. Por conta da extensão deste trabalho, que tem como o objetivo de entender o impacto do curso na formação e atuação dos estudantes, não analisaremos profundamente a todas às questões, sendo essa uma proposta para ser posteriormente aprofundada, tanto em relação à coleta de dados, quanto em relação à análise.

Os estudantes que responderam às questões correspondem a três perfis: os egressos, os formandos - que terminaram o curso em 2019 - e os quaseformandos, que ingressaram até 2017, e encontram-se cursando os últimos períodos do curso. O questionário foi respondido por 53 alunos, o que representa ainda uma quantidade que pode ser ampliada, tendo em vista o quantitativo de alunos dentro dos perfis mencionados. Desses 53 alunos, 28 eram alunos egressos ou formandos, e os demais ainda estão estudando.

Mesmo com esse quantitativo, dados significativos foram expressos a partir dessas respostas, principalmente se analisadas em conjunto com os dados da plataforma SIGA e da PROACAD. Eles nos dão indícios e aspectos que nos mostram o impacto do curso de Física-Licenciatura do CAA-UFPE sobre a vida dos estudantes e egressos, bem como nas práticas docentes de física das escolas do entorno de nossa região.

## Análise dos resultados

Os resultados serão analisados em relação a alguns critérios sobre o perfil dos alunos e em relação às respostas ao questionário e aos dados obtidos pelo SIGA e com a PROACAD.

## Número de alunos matriculados

O curso conta com o ingresso anual de oitenta alunos, sendo quarenta por semestre. Atualmente, tem 283 estudantes matriculados, sem contabilizar os ingressantes de 2020.1. Estes alunos são de 57 cidades diferentes, sendo boa parte dos municípios de Bezerros, Gravatá, Caruaru e Recife. A maioria dos alunos vem de cidades da região do agreste do estado de Pernambuco. Ao analisarmos os dados do questionário, pudemos observar que 25% dos respondentes, viajam entre 80 km e 120 km, 43% viajam entre 30 km e 80 km e 32% viajam menos que 30 km para chegarem à universidade.

## Número de formandos

Como o início do curso foi no segundo semestre de 2009, os alunos só começaram a concluir a graduação a partir do segundo semestre de 2013 e início de 2014, quando se contabiliza os quatro anos para integralização do curso. Atualmente, o curso conta com a previsão de quatro anos e meio para integralização, totalizando nove semestres.

Assim, desde o final de 2013 até o final de 2019, foram formados 64 estudantes. Esse número é levemente maior, se considerarmos os estudantes que já finalizaram a carga horária do curso, mas, por motivos não investigados, ainda não realizaram a colação de grau, e os alunos que faltam apenas finalizar o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Pelo que pudemos observar, alguns estudantes ficam realizando a matrícula vínculo, uma vez que a nota do semestre anterior de TCC ficou em aberto. Essa é uma prática que já está sendo combatida. Do total dos que concluíram o curso, observamos a presença de apenas 15 mulheres (cerca de 23% dos egressos), o que infelizmente corrobora a previsão de poucas mulheres na área de física (CARTAXO, 2012).

Dentro de números de formandos por ano, há uma média de cinco por semestre. No entanto, a partir de 2019, houve um aumento nessa média, que passou a ser de dez alunos por semestre. Ainda que sejam poucos alunos, o número foi dobrado. Essa possível tendência de crescimento está vinculada às ações que passaram a ser realizadas no curso, a fim de diminuir as retenções. Essas ações envolvem iniciativas como mudança de pré-requisitos, abertura de turmas extras, mudança dos docentes ministrantes, oferta de disciplinas no período de férias, entre outras. Além dessas, as políticas de permanência como PIBID, Residência Pedagógica e Auxílios Estudantis também tem um papel importante para que os estudantes continuem no curso.

## Recusa de matrícula e evasão

Há também uma média de 10 alunos, por semestre, que incidem na recusa de matrícula, isto é, já passaram mais de doze semestres e ainda não concluíram o

curso. Por exemplo, ainda temos alunos ativos que ingressaram no curso em 2012 e não se formaram. Alguns, inclusive, realizaram o ENEM novamente para ingressar no curso, como uma forma de não caírem na recusa de matrícula. Isso nos leva a questionar sobre que tipo de curso é esse, que em oito anos não consegue formar um estudante? Isso é uma característica comum a todos os cursos de física? Será que para ser um(a) físico(a) é preciso um sacrifício desse tipo? Reflexões como essas nos encaminham a propor reformulações, que foram iniciadas pela resolução 02/2015, e infelizmente ficaram engavetadas, devido à gestão do MEC. Desde maio de 2020, o processo de reformulação dos cursos está sendo retomado, a partir da nova resolução de 2019.

No momento, o único critério para o jubilamento que está sendo adotado na prática pela UFPE é o tempo de curso. Com a incidência na recusa de matrícula, é feito um planejamento de quantos semestres ainda serão necessários para a conclusão do curso. Se, mesmo com esse tempo, o aluno não finaliza, ele é jubilado. Não tivemos acesso ainda ao número total de alunos que jubilaram o curso de desde o início dele.

Além do jubilamento, temos a evasão que representa o abandono do curso pelos alunos, considerando os mais diversos motivos, como pode ser observado em outros estudos (PINTO, 2019; FERNANDES e GUIMARÃES, 2018). Nas informações fornecidas pela PROACAD, temos um dado alarmante: desde sua origem até o ano de 2018, a porcentagem de evasão do curso Física-Licenciatura é de 49,8%. Em 2010, para se ter uma ideia, a evasão foi de 80,4% dos alunos. Outro dado que foi apresentado é o tempo médio do aluno no curso, tanto para concluir como para abandoná-lo. Entre 2009 e 2014, o tempo médio para a conclusão do curso foi de 11 semestres e meio, enquanto o esperado seriam 9 semestres. Para os que abandonam, o tempo médio, medido entre 2009 e 2018, é de 4 semestres; ou seja, os estudantes acabam ficando praticamente dois anos no curso e acabam não tendo nenhuma perspectiva para continuar nele. Uma hipótese é que isso também pode estar atrelado a reprovações repetidas em disciplinas da base do curso.

A título de comparação, segundo levantamento de 2018 feito pela Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação, a evasão nos cursos de física do país é de 30%, sendo esse o sétimo curso com maior evasão no Brasil (PINTO, 2019). É importante mencionar que esses dados não diferenciam licenciatura e bacharelado. Além disso, o estudo leva em conta os matriculados em 2018 em comparação com os de 2017, descontando-se os que entraram no curso em 2018 e os que se formaram em 2017. Usando esse critério, dentro do mesmo período, o nosso curso de Física-Licenciatura teve uma evasão de 19%.

## Motivações e dificuldades no curso de Física-Licenciatura

Do nosso estudo preliminar sobre as repostas ao questionário, destacamos quatro aspectos: motivação para escolher o curso, maior dificuldade para se manter no curso, atuação na Educação Básica e formação após a graduação. As respostas serão analisadas apenas em relação aos egressos e formandos, o que totaliza vinte e oito estudantes.

Em relação à motivação e a maior dificuldade em se manter no curso, obtemos o seguinte quantitativo de respostas:

Figuras 1 e 2: gráfico da motivação da escolha do curso e gráfico da dificuldade em se manter no curso.

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Fonte: autores.

Da primeira pergunta (figura 1), temos que 46% optou pelo curso motivados pelo desejo de seguir a carreira docente. É um ponto interessante, pois é comum os alunos no curso mencionarem que optaram pela licenciatura devido à ausência de um bacharelado na região. Dentre os alunos que já se formaram, existem alunos que realmente desejam seguir a profissão, mesmo conhecendo suas dificuldades. Achamos interessante a colocação de Burgarelli e Carmo (2017, p. 898) quando falam que:

Por melhor que seja um curso de formação, por mais convincente que seja a orientação de pensadores da área, por mais rico que seja a interação entre os profissionais de um ambiente escolar, tudo isso será insuficiente se o professor não estiver atribuindo um valor desejante ao que é oferecido. Ele pode até sentir 'vontade' de adotar essa ou aquela postura, talvez por conveniência, mas o que concerne ao desejo, como força motriz de sua verdade como sujeito, não o validará como ocupante do lugar de mestre.

Isso nos ajuda a entender o quanto os alunos realmente são batalhadores para realizar este desejo, quando, mesmo com dificuldades, finalizam o curso, ainda que demorem quase seis anos para isso.

Quanto à segunda pergunta (figura 2), a maior dificuldade de permanência no curso está atrelada ao fato da licenciatura ser um curso noturno e à necessidade de muitos alunos terem que trabalhar para se manter enquanto estudam. Essa dificuldade é seguida pelas 'demandas pessoais', o que indica a necessidade de um aprofundamento na pesquisa, a fim de identificar a natureza dessas demandas. Aparece com 18% a indicação de uma experiência negativa com algum docente ao longo do curso, o que é um dado curioso pois a alta retenção em algumas disciplinas ocorre devido a alguns professores específicos, o que, no entanto, não acarreta necessariamente numa experiência considerada negativa pelo aluno.

## Atuação na Educação Básica e continuidade nos estudos

Para os outros dois aspectos tivemos as respostas abaixo, as quais não diferenciamos se são egressos ou não. É possível, e muito comum, que estudantes que ainda não se formaram estejam atuando na educação básica, principalmente em áreas como a física, que carece de professores:

Figuras 3 e 4: gráfico da atuação dos estudantes na educação básica e gráfico das atividades de formação continuada.

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Fonte: autores.

Quanto a atuação na educação básica (figura 3), vemos que de alguma maneira, 75% dos entrevistados estão lecionando, embora somente 14% ministrem exclusivamente a disciplina de física. Este é um resultado relevante para observar o impacto do curso no seu entorno, uma vez que representa uma quantidade significativa de docentes formados em física que estão atuando na região. Esse é um número que, sem o campus e o curso, talvez não fosse alcançado com facilidade.

Quanto à formação continuada (figura 4), observamos um número semelhante, 72% continuaram os estudos e 28% não. Essa continuidade na formação foi possível pelo aumento nos programas de pós-graduação na região. Iniciativas como o Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física (MNPEF), por exemplo, recebe alguns alunos que se formam no curso, assim como a PósGraduação em Ensino de Ciências e Matemática, ambos funcionando no Campus Agreste.

## Considerações e próximos passos

Nossa pesquisa teve como objetivo estudar o impacto do curso de FísicaLicenciatura do Campus Agreste da UFPE nos seus dez anos de existência. Nosso estudo foi feito a partir de informações obtidas no SIGA, em estudos da PROACAD e das respostas dadas a um questionário virtual.

Foi possível observar resultados em relação ao perfil dos estudantes, ao número de formandos e à atuação dos alunos egressos na região. Quanto aos formandos, observamos um número baixo em relação ao esperado nestes dez anos. Os motivos para isso podem ser vários, mas, pelas respostas dos alunos, podem estar atrelados às dificuldades em conciliar o trabalho com o estudo noturno, além da própria estrutura das disciplinas em relação aos conteúdos e à forma com que são apresentados.

Em relação a evasão, o curso ainda apresenta um alto índice de evadidos. A reversão desse número irá perpassar por mudanças a nível de gestão do curso, mas passa também pela Universidade, que precisa buscar mais iniciativas para possibilitar a permanência, e até pela implementação de políticas públicas de auxílio, para que o estudante possa se dedicar ao curso com algum respaldo financeiro.

Buscando indicativos para o impacto dessa licenciatura na região, pudemos observar que o curso está permitindo a inserção de docentes de física na Educação Básica, ou seja, está contribuindo para a presença deste profissional que é tão

escasso nas escolas. Além do mais, esses profissionais estão atuando especialmente em sua região de origem, o que significa que levam os conhecimentos do curso de volta para a sua realidade. Embora tenhamos focado no curso de física, acreditamos que as demais licenciaturas presentes no campus apresentam impactos semelhantes no tocante a presença de profissionais capacitados nas escolas da região, o que vemos como um aspecto bastante positivo da interiorização destes cursos.

Por fim, desejamos aprofundar este estudo aumentando o número de entrevistados, ampliando as análises dessas e das demais questões e continuando com o levantamento relativo ao impacto e às dificuldades na formação desses sujeitos dentro de nossa realidade e para o país.

## Referências

ARRUDA, Sergio de Mello. UENO, Michele Hidemi. Sobre o ingresso, desistência e permanência no curso de física da universidade estadual de londrina: algumas reflexões. Ciência &amp; Educação , v. 9, n. 2, p. 159-175, 2003.

BURGARELLI, Cristóvão Giovani. CARMO, Danielsie Silva do. Formação e desejo de ser professor. Revista Eletrônica de Educação , v.11, n.3, p.890-899, set./dez., 2017.

CARTAXO, Sandra Maria Carlos. Gênero e ciência: um estudo sobre as mulheres na física. 2012. 104 p. Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Geociências, Campinas, SP. Disponível em: &lt;http://www.repositorio.unicamp.br/handle/REPOSIP/286842&gt;. Acesso em: 03 mar. 2020.

FERNANDES, João; GUIMARÃES, Michele U. Estudo da evasão dos estudantes de licenciatura e bacharelado em física da UFOP: uma análise segundo Bourdieu. EPEF 2018.

PINTO, Paulo S. Universidades federais têm evasão de 15% em 2018. Poder360 . 8 out. 2019. Disponível em: &lt;https://www.poder360.com.br/governo/universidadesfederais-tem-evasao-de-15-em-2018/&gt;. Acesso em: 03 mar. 2020.

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