APONTAMENTOS SOBRE AS PESQUISAS EM HISTÓRIA DA CIÊNCIA APRESENTADAS NO EPEF NA ÚLTIMA DÉCADA
Diego Hipolito Ribeiro, Marcos Moraes Calazans
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2020
- Data
- 11/11/2020
- Linha de pesquisa
- Filosofia, História E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## APONTAMENTOS SOBRE AS PESQUISAS EM HISTÓRIA DA CIÊNCIA APRESENTADAS NO EPEF NA ÚLTIMA DÉCADA
## NOTES ON RESEARCH IN HISTORY OF SCIENCE PRESENTED AT THE EPEF IN THE LAST DECADE
## Diego Hipolito Ribeiro 1 , Marcos Moraes Calazans 2
1 ICEB/Departamento de Física/UFOP, diegohipolito05@hotmail.com
2 ICEB/Departamento de Física/UFOP, calazans@edu.ufop.br
## Resumo
O uso da História da Ciência no ensino de Física vem sido defendido por diversos autores da literatura especializada no Brasil. Esta defesa se da pelo caráter reflexivo e humanizado que a boa utilização que a História da Ciência pode ter para o ensino. Neste contexto, investigou-se o conteúdo das pesquisas em História da Ciência apresentadas no EPEF nos últimos dez anos a fim de verificar se elas têm contribuído com o desenvolvimento do seu uso no ensino. Os resultados mostram que as pesquisas no período estiveram concentradas fundamentalmente na História e Filosofia da Ciência na formação de professores, em pesquisas que fazem trazem críticas historiográficas e discussões acerca de aspectos epistemológicos, evidenciando boa relação com os desafios identificados na literatura da área. São feitos apontamentos sobre a natureza das reflexões epistemológicas e sobre o número de trabalhos publicados em cada evento.
Palavras-chave : História da Ciência, Epistemologia, EPEF
## Abstract
The use of the History of Science in Physics teaching has been advocated by several authors of specialized literature in Brazil. This defense is due to the reflective and humanized character that the good use that the History of Science can have for teaching. In this context, the content of the research in History of Science presented at the EPEF in the last ten years was investigated in order to verify whether they have contributed to the development of its use in teaching. The results show that research in the period was mainly concentrated in the History and Philosophy of Science in teacher education, in research that they do bring historiographical criticisms and discussions about epistemological aspects, showing a good relationship with the challenges identified in the literature in the area. Notes are made on the nature of epistemological reflections and on the number of works published in each event.
Keywords : History of Science, Epistemology, EPEF
## Introdução
Nos últimos anos tem crescido o estímulo ao uso de abordagens de História e Filosofia da Ciência (HFC) no Ensino de Ciências. Estas abordagens vêm
ganhando espaço nos livros didáticos e nas pesquisas da área de Educação em Ciências. Observa-se um aumento significativo da presença de relatos de pesquisas teóricas que trazem reflexões sobre a necessidade e importância de enfoques históricos e filosóficos na educação científica (Damasio & Peduzzi, 2017; Gil Perez, 1993; Martins, 2007; Matthews, 1995). Contudo, este crescimento na literatura acadêmica e nos livros didáticos não tem se refletido nas práticas de professores em sala de aula na Educação Básica (Martins, 2007). Segundo Martins (2007), há um abismo entre o valor atribuído à HFC e a sua utilização concreta como conteúdo e como estratégia de ensino na educação básica. Um dos desafios propostos pelo autor para se superar este abismo é o de se refletir sobre como desenvolver estas abordagens nas aulas. Outras barreiras a serem superadas para que a HFC desempenhe efetivamente seu papel no ensino de ciências são apontadas por Martins (2006): a carência de um número suficiente de professores com formação adequada, a falta de material didático e concepções incorretas acerca da própria natureza da história da ciência.
Os eventos científicos têm sido um importante espaço para a discussão destas barreiras, permitindo o encontro de pesquisadores de diferentes perspectivas, identificando os 'gargalos' que dificultam o uso apropriado da HC no ensino e promovendo o debate para a superação destes desafios. O Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF) é considerado por pesquisadores da área como um importante evento responsável em grande parte por sua consolidação como proeminente campo de pesquisa no país (NARDI, 2005, citado por BORTOLETO, 2007). A escolha desse evento se deve, também, pelo reconhecimento, na área de pesquisa, do rigor científico dos trabalhos apresentados quando comparado com os demais eventos da área (Bortoleto, 2007). Neste sentido considerou-se, para esta pesquisa, as últimas edições do EPEF ocorridas entre 2010 e 2020.
Foi realizada uma pesquisa de natureza bibliográfica a partir das páginas dos eventos publicadas na internet considerando a linha temática de Filosofia, História e Sociologia da Ciência e o Ensino de Física. Buscou-se saber se a pesquisa acadêmica tem contribuído efetivamente para superar os referidos obstáculos definidos na literatura da área e citados por (MARTINS, 2006). O objetivo da pesquisa foi o de investigar o conteúdo dos trabalhos em História da Ciência (HC) apresentados no EPEF na última década. O presente relato de pesquisa é parte de um projeto de investigação vinculado ao grupo de pesquisas que trabalha com a perspectiva histórico-ontológica. A pesquisa foi realizada com apoio do grupo PET Física da UFOP.
## Metodologia de pesquisa
A pesquisa realizada teve caráter de pesquisa bibliográfica com procedimentos de coleta e análise de dados característicos de pesquisa de 'Estado da arte'. Para compreender melhor este procedimento, tomou-se como base a leitura de uma série de pesquisas que falam sobre estado da arte na educação, entre eles podemos destacar o 'The History and Philosophy of Science in Physics Teaching: A Research Synthesis of Didactic Interventions' de Teixeira, Greica e Freire Jr (2012), 'Estado da arte dos estados da arte da pesquisa em ensino de física' de Kawamura e Salem (2009) e 'Pesquisa em Ensino de Física (2000-2007): Áreas temáticas em eventos e revistas nacionais' (BORTOLETO et al. 2007).
Para o presente texto foram selecionados os trabalhos na área de HC dos últimos 10 anos de EPEF adotando como critério de seleção trabalhos que apresentassem relatos de pesquisas empíricas ou teóricas relacionadas a episódios, contextos ou controvérsias históricos da HC. Este recorte implicou delimitar a diferença entre trabalhos que apresentam conteúdos de História Ciência (HC) daqueles que tratam exclusivamente de conteúdos de Filosofia da Ciência (FC) ou Sociologia da Ciências (SC). Estes últimos, denominados de 'áreas afins', foram excluídos do escopo de análise quando não abordavam elementos de HC. De outro lado, foram considerados como parte da amostra analisada os trabalhos que traziam discussões de episódios ou controvérsias históricos e apresentavam qualquer interface com as áreas de Filosofia da Ciência (FC) ou Sociologia da Ciência (SC). Para isto foi feita uma busca no sítio de cada evento, na área temática Filosofia, História e Sociologia da Ciência e o Ensino de Física.
Adotando o critério de seleção supracitado, fez-se uma tabela dos trabalhos selecionados na qual os seguintes pontos foram extraídos de cada trabalho encontrado na busca: ano do evento, título, autores, instituição dos pesquisadores, foco temático, conteúdo de física abordado, contexto escolar, disciplina, objetivo, natureza da pesquisa (se teórica ou empírica), referencial teórico, qual a metodologia de pesquisa e se tratava de pesquisa qualitativa ou quantitativa, metodologia de ensino, interface com a filosofia, interface com a sociologia e implicações educacionais. Para este trabalho optou-se por analisar alguns dos itens acima descritos concentrando maior atenção no que diz respeito ao item 'foco temático'. Tomou-se como base pontos semelhantes que as diferentes temáticas de cada texto apresentavam, de forma a se generalizar aspectos universais no processo de determinação das categorias. É importante destacar que alguns relatos de pesquisa foram categorizados em mais de um foco temático, permitindo-se interseções.
## Resultados e discussão
Tomando como base o critério de seleção e exclusão citado no tópico anterior, foram encontrados 37 trabalhos na área de HC. A fim de facilitar nossa posterior discussão os artigos foram numerados de 1 a 37 (https://www.luminpdf.com/viewer/5e56fdafbef40000116f87ca). Outros 14 trabalhos encontrados foram catalogados como de áreas 'Afins à HC', por abordarem temas que não são propriamente da área da história da ciência, mas que estão em áreas consideradas muito próximas e inter-relacionadas, como por exemplo: trabalhos da área de Filosofia da Ciência (FC), a exemplo de 'Investigando o Ensino de Natureza da Ciência em Minicurso para Estudantes do Ensino Médio' (FONSECA, OLIVEIRA E DRUMMOND, 2016), e trabalhos da área de Sociologia da Ciência, como 'Elementos para a Análise Sociológica do Papel Cumprido pelos Institutos de Física nas Oportunidades de Aprender dadas aos seus Alunos de Licenciatura' (LIMA JR, 2012). Com base na figura 1 é possível perceber que a quantidade de trabalhos publicados em história da ciência representa uma pequena parcela do total e em nenhum dos eventos o valor absoluto de trabalhos foi superior a dez. Temos ainda que o último evento, de 2018, mesmo sendo a edição que apresentou o maior número de trabalhos (138), foi onde apresentou-se o menor número de trabalhos de HC, tendo caído para dois.
Na análise feita sobre o item 'focos temáticos' foi possível dividir os trabalhos nos seguintes temas: Formação de Professores (FP), Reflexão Epistemológica (RE), Crítica Historiográfica (CH) e Outros (O). A figura 2 mostra a distribuição quantitativa das diferentes pesquisas nos temas.
Figura 1:Trabalhos de História da Ciência e total de trabalhos publicados na última década.
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As três categorias de análise com o maior número de publicações coincidem com as três barreiras apontadas por Martins (2006). A correspondência ocorre da seguinte forma barreira 1 corresponde à categoria FP, barreira 2 à CH e a barreira 3 corresponde à CH e RE.
Figura 2: Número de trabalhos por foco temático.
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Além das categorias descritas acima destaca-se o tipo de pesquisa desenvolvido, ou seja, se o texto era um relato de pesquisa empírico ou teórico. Consideraram-se trabalhos de natureza empírica aqueles que apresentavam relatos de investigações realizadas a parir de intervenções didático-pedagógicas. Por natureza teórica entende-se aqueles trabalhos que apresentam relatos de reflexões teóricas sobre temas relacionados à HC. Desta forma observou-se doze trabalhos de natureza empírica, vinte e quatro trabalhos de natureza teórica e um trabalho empírico e teórico. Este resultado revela, em geral, o esforço do conjunto de
pesquisadores da área em transpor a terceira das barreiras propostas por Martins (2006) a saber, os equívocos a respeito da própria natureza da história da ciência e seu uso na educação. Outro ponto levantado foi qual era o conteúdo de física trabalhado no texto. Desta forma, pode se perceber que os conteúdos mais utilizados foram astronomia, física moderna e eletromagnetismo, com cinco trabalhos cada, seguidos por mecânica e vácuo com quatro. Por outro lado, a maior parte dos trabalhos não abordava nenhum conteúdo da física em específico, nove trabalhos apresentaram essa característica. Quanto à distribuição geográfica dos trabalhos, os três estados com maior número de publicações no EPEF foram São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte, com, respectivamente, treze, oito e seis. As regiões norte e centro-oeste não apresentaram trabalhos ao evento.
## Reflexões Epistemológicas
A categoria RE é a que possui a maior quantidade de trabalhos em seu escopo, com 23 trabalhos. Nesta categoria foram classificados todos os textos que se propunham fazer em seu conteúdo uma discussão sobre aspectos epistemológicos relacionados à HC. Vale destacar que todos os trabalhos classificados na categoria RE traziam discussões sobre a NdC, o que contrariou a expectativa dos autores deste trabalho. A fim de refinar a análise dos trabalhos nessa categoria, criou-se duas novas dimensões de análise. A primeira foi a determinação do nível em que a reflexão epistemológica (NRE) aparece no trabalho (fraca, média ou forte). A segunda diz respeito ao conteúdo da reflexão epistemológica (CRE), discriminados entre delimitação e desmitificação. Por delimitação entende-se os textos que tratam do problema delimitação da ciência, ou seja, sobre o que define ciência ou conhecimento científico e o que os diferencia das outras formas de conhecimento. Já a subcategoria desmitificação categoriza aqueles trabalhos cuja reflexão buscava criticar e desconstruir visões erradas e ingênuas sobre o que é a atividade científica ou sobre papel do próprio cientista no fazer da ciência. O trecho do artigo 28 anteriormente citado evidência bem esse caráter.
Dos 24 trabalhos que trazem reflexões epistemológicas foram encontrados 20 cujo foco da reflexão foi o da desmistificação e 7 classificados como delimitação. Sendo que temos três trabalhos que foram categorizados em ambas as subcategorias. Portanto, o maior número de trabalhos que apresentam reflexões epistemológicas aborda o problema aqui descrito como o da desmistificação, revelando-a como sendo uma forte tendência para os trabalhos deste foco temático. Na subcategoria NRE buscou-se analisar qual a profundidade dada para a discussão da NdC. Os trabalhos foram classificados como de NRE fraco quando apresentavam apenas menções a questões relativas à natureza do conhecimento científico, ou se esta discussão era superficial e servia apenas como uma justificativa para o trabalho sem trazer argumentos mais bem estruturados. Se esta discussão ainda não foi feita de forma aprofundada, porém apresentava algum nível de conceituação e crítica filosófica foi categorizado como de nível médio. Por fim, quando a discussão foi bem aprofundada no texto, trazendo reflexões e conceituações com argumentos e categorizações construídas e razoavelmente desenvolvidas no texto, foi categorizado como de nível forte. Os resultados dessa análise apresentam quatro trabalhos de nível fraco, dez de nível médio e nove de nível forte. É importante destacar um adendo ao artigo 8, ele fez parte de um evento do EPEF atípico que ocorreu junto com demais eventos de física e teve uma menor quantidade de trabalhos publicados cada uma com apenas três páginas.
## Formação de Professores
Nesta categoria estão classificados os trabalhos que tratam sobre a HC no contexto da formação de professores. Os trabalhos classificados como FP tratavam especificamente da formação inicial com pesquisas que trazem reflexões sobre a importância da HC nos cursos de graduação em Física, não havendo trabalhos de contextos de formação continuada. Nesta categoria estão incluídos oito trabalhos.
Como já destacado, Martins (2006), traz como primeira barreira para o uso da HC no ensino de ciências do Brasil a formação de professores. Martins defende nesse texto a necessidade de haver 'professores-pesquisadores' na área para que a formação de professores possa ocorrer de maneira adequada, pois só assim deixaremos de ter o que ele chama de 'professores improvisados em história da ciência' (MARTINS, 2006, P.13). Desta forma podemos destacar o trabalho 21, que faz uma discussão historiográfica sobre Galileu e aponta suas implicações para a formação de professores. A existência de trabalhos classificados tanto como CH como FP demonstra uma preocupação na pesquisa em formar professores qualificados para discutir criticamente com seus alunos os conteúdos da HC, conforme a defesa de 'professores-pesquisadores' por Martins (2006).
## Crítica Historiográfica
A terceira categoria com a qual os trabalhos foram discriminados quanto ao seu foco temático é a Crítica Historiográfica (CH), nela estão contidos os textos que trazem alguma discussão de natureza historiográfica na história da ciência. Críticas às fontes históricas, controvérsias acerca de diferentes versões de episódios e do papel cumprido por determinados atores da HC além de reflexões acerca de determinados conceitos científicos amparadas por narrativas históricas. Foram encontrados ao todo 12 trabalhos com estas características. Inicialmente pensou-se a existência de uma quarta categoria denominada Livros Didáticos. Contudo, durante o processo de análise notou-se que os trabalhos que relatavam análises de livros didáticos não o faziam desde um ponto de vista pedagógico, como é comum em trabalhos desta natureza na área da Educação em Ciências em geral. Mas focavam em analisar ou criticar aspectos diversos das fontes históricas e/ou narrativas históricas presentes nos livros. Os referidos trabalhos discutem como a HC está inserida nos livros didáticos, buscando erros e anacronismos históricos. Portanto, os trabalhos que analisam livros didáticos foram incorporados à categoria CH, passando a compor uma subcategoria desta.
Os trabalhos classificados como crítica historiográfica (CH) foram então categorizados em três diferentes subcategorias a saber: a primeira, Livros Didáticos (LD), a segunda é a Discussão Conceitual (DC) e a terceira a de Atores Históricos (AH). Na categoria LD temos discussões de livros dos três níveis de ensino, fundamental, médio e superior, e uma discussão sobre livro didático do começo do século XX (Trabalho 3). Podemos destacar uma discussão sobre um tipo específico de historiografia presente em alguns textos. A historiografia Whig, uma forma de anacronismo histórico que representa eventos do passado com base nas concepções contemporâneas. Foram classificados 8 trabalhos nesta subcategoria. Na categoria DC temos dois textos que falam sobre como algum conceito físico é tratado nos textos historiográficos. Podemos destacar entre eles o trabalho 20 que discute sobre como era concebido o conceito de força em alguns físicos posteriores
a Newton, em especial, aqueles que deram origem a chamada mecânica racional. A autora discute como, ao contrário do que é apresentado nos livros, os físicos não possuíam um pensamento comum sobre este conceito. Na categoria AH temos a discussão sobre como alguns atores históricos são apresentados em diferentes textos, como o mesmo pensador pode aparentar ter uma visão de mundo diferente dependendo de quem o descreve. Temos dois trabalhos nessa categoria, sendo que um deles traz uma discussão sobre como é o Galileu descrito pelo historiador Alexandre Koyré.
A categoria Outros contou com dois trabalhos que possuíam focos temáticos diferentes dos demais, são os textos 1 e 29. O texto 1 faz uma revisão bibliográfica na literatura especializada em ensino de física buscando compreender 'o objetivo dos pesquisadores em trabalhar o conteúdo científico na perspectiva históricofilosófica, bem como os episódios da história do conhecimento científico abordados'. Já o texto 29 traz um trabalho que busca compreender como é usada a HC no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e com qual habilidade, dentre as definidas para área de Ciências da Natureza, a questão está relacionada.
## Conclusão
Neste texto apresentamos os resultados de uma análise dos trabalhos publicados nos dez últimos anos de EPEF. Podemos perceber que os trabalhos analisados se encontram divididos em basicamente três categorias: reflexões epistemológicas (RE), formação de professores (FP) e crítica historiográfica (CH). Essas categorias continham respectivamente, 23, 8 e 12 trabalhos. Com o intuito de refinar a análise, a categoria RE foi dividida em duas dimensões de análise: nível de reflexão epistemológica (forte, médio e fraco) e conteúdo de reflexão epistemológica. A categoria CH foi dividida em três subcategorias devida as suas especificidades: Livros Didáticos, Discussão Conceitual e Atores históricos. A maioria dos trabalhos analisados eram pesquisas teóricas. Outro resultado obtido foi que São Paulo foi o estado com maior número de publicações e as regiões Norte e Centro-oeste não publicaram nenhum trabalho. Apesar da diversidade de temas das pesquisas apresentadas no evento, sua quantidade quando comparada ao total de trabalhos ainda representa uma pequena parcela, sendo que em nenhum dos eventos o valor absoluto de trabalhos foi superior a dez. Esse ponto mostra que a pesquisa em História da Ciência no Brasil ainda tem um logo caminho para se desenvolver.
A pesquisa desenvolvida está em conformidade com os problemas do uso da HC apontados pela literatura especializada, em especial, com as barreiras discutidas por Martins (2006). Isso demonstra um aspecto positivo da pesquisa desenvolvida nos últimos dez anos. No entanto quando ao analisar o Conteúdo da Reflexão Epistemológica apenas dois tipos foram encontrados a delimitação e desmistificação. Sendo que a maior parte dos trabalhos aborda o problema da desmistificação. Embora o problema da desmistificação seja de fato relevante como propósito e justificativa do uso da HC no ensino, acreditamos que a pesquisa em HC deve expandir seus horizontes no terreno das interações com os campos da filosofia trazendo reflexões que vão além do problema da desmistificação do papel da ciência ou do cientista. Acredita-se que essa limitação CRE está fortemente ligado a concepção Liberal de História e Filosofia da Ciência que influência as pesquisas em HC principalmente sobre a figura de alguns autores famosos como é o caso do Mathews.
## Referências
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