O ENSINO DE ASTRONOMIA PARA O PÚBLICO ALVO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL: UMA ANÁLISE DAS PUBLICAÇÕES DE EVENTOS DA ÁREA DE ENSINO DE FÍSICA E ASTRONOMIA
Angelita Vieira De Morais, Eder Pires De Camargo, Rodolfo Langhi
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2020
- Data
- 11/11/2020
- Linha de pesquisa
- Equidade, Inclusão, Diversidade E Estudos Culturais E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## O ENSINO DE ASTRONOMIA PARA O PÚBLICO ALVO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL: UMA ANÁLISE DAS PUBLICAÇÕES DE EVENTOS DA ÁREA DE ENSINO DE FÍSICA E ASTRONOMIA
## TEACHING ASTRONOMY TO THE TARGET AUDIENCE OF SPECIAL EDUCATION: AN ANALYSIS OF PUBLICATIONS OF EVENTS IN THE AREA OF PHYSICS EDUCATION AND ASTRONOMY
Angelita Vieira de Morais¹, Eder Pires de Camargo², Rodolfo Langhi³
¹UFES-Alegre/Departamento de Química e Física, e-mail: angelitamvieira@yahoo.com.br ²UNESP-Ilha Solteira/Departamento de Física e Química, e-mail: eder.camargo@unesp.br
³UNESP-Bauru/Departamento de Física/ e-mail: rodolfo.langhi@unesp.br
Resumo: Esse artigo apresenta uma revisão dos trabalhos apresentados, em todas as edições, em eventos da área de ensino de Física e ensino de Astronomia, relacionados ao ensino de Astronomia para o público alvo da Educação Especial - pessoas com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. O objetivo inicial foi quantificar esses trabalhos. Pretendeu-se também investigar os conteúdos abrangidos e o foco daqueles trabalhos relacionados à deficiência visual, utilizando a técnica da análise de conteúdo de Bardin. Os resultados indicam uma baixa produção de publicações relacionadas à inclusão do público alvo da Educação Especial no ensino de Astronomia. A maioria dos artigos levantados trata da deficiência visual, com foco na construção e/ou aplicação de recursos didáticos, abordando poucos conteúdos. Os resultados encontrados também apontam para a pouca discussão sobre a formação de professores e as tecnologias da informação e comunicação; a importância de estabelecer a inclusão também nos espaços não formais de ensino, evidenciando que ainda há muito para fazer.
Palavras-chave: Inclusão, Ensino de Astronomia, Deficiência Visual, Revisão de Literatura.
Abstract: This article presents a review of the works presented, in all editions, in events in the area of Physics Education and Astronomy Education, related to the Astronomy Education for the target audience of Special Education people with disabilities, global developmental disorders and high skills / giftedness. The initial objective was to quantify these works. It was also intended to investigate the contents covered and the focus of those works related to visual impairment, using Bardin's content analysis technique. The results indicate a low production of publications related to the inclusion of targeted by Special Education in the teaching of Astronomy. Most of the articles surveyed deal with visual impairment, focusing on the construction and / or application of didactic resources, addressing few contents. The results found also point to little discussion about teacher training and information and communication technologies; the importance of establishing inclusion also in non-formal teaching spaces, showing that there is still a lot to do.
Keywords : Inclusion, Astronomy Education, Visual Impairment, Literature Review.
## Introdução
Diversos autores defendem o ensino da astronomia (LANGHI, 2009; STEFFANI, ZANATTA, 2011; SIQUEIRA, LANGHI, 2011). Langhi (2009) aponta que essa ciência: faz parte, intensamente, da nossa vida; promove o interesse e a aproximação da ciência em geral; possui um potencial motivador, provocando a curiosidade, admiração e imaginação; é fundamental para a formação do cidadão; é popularizável; está enraizada na história; possui aplicações práticas para o dia-a-dia, contribui para a evolução de outras ciências.
Apesar de se configurar uma temática importante para a formação do cidadão, muitas são as dificuldades enfrentadas pelo ensino de astronomia nas diversas etapas de ensino (LANGHI, NARDI, 2005): falta de curso de aperfeiçoamento na área, no que a tange a formação docente continuada, por exemplo.
Alguns autores alertam que essa situação se agrava quando pretende-se incluir o público alvo da Educação Especial (EE) , apontando que, nos espaços de 1 educação formal ou não formal, não há profissionais com formação adequada (no que diz respeito ao ensino de astronomia e à educação inclusiva) e a maioria não possui experiência; não há recursos didáticos adequados; o espaço físico disponível deixa a desejar (STEFFANI, ZANATTA, 2011). Em consonância, Siqueira e Langhi (2011), também apontam alguns impasses: 'lotação das salas, falta de recursos adaptados, falta de salas de apoio, dificuldade de adaptação do material didático, ausência de ledores e a falta de professores capacitados para atender esse público' (SIQUEIRA, LANGHI, 2011).
Diante do exposto, surgiu uma questão inicial: Quais são os indicadores apontados pelos trabalhos dos eventos mais representativos da área no que se refere ao ensino de astronomia para estudantes da Educação Especial?
Esse trabalho se constitui um recorte de uma revisão de literatura mais ampla, que integra uma pesquisa de doutorado. O mesmo apresenta dados do levantamento das publicações, de todas as edições, de dois eventos da área de Ensino de Física e um da área de Educação em Astronomia: 1- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF); 2- Simpósio Nacional de Educação em Astronomia (SNEA); 3- Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF), no que tange o ensino de astronomia para pessoas cegas e com baixa visão.
Os trabalhos apresentados nos EPEF's refletem os estudos realizados por pesquisadores, alunos e professores, geralmente de cursos stricto sensu da área de Ensino de Física. Logo, a partir da presente revisão das produções do referido evento, foi possível analisar o que tem sido pesquisado sobre a temática abordada no presente trabalho e a frequência dessas publicações. Já os SNEF's incluem também as pesquisas realizadas por professores e alunos dos cursos de licenciatura em Física. No que diz respeito ao SNEA, esse se constitui um evento mais específico. De acordo com a Sociedade Brasileira de Astronomia (SBA), o evento é um 'fórum nacional para debate de ideias, apresentação de trabalhos e estruturação da educação em astronomia'.
- O presente trabalho teve como objetivo inicial levantar os artigos relacionados ao ensino de astronomia para o público alvo da Educação Especial e, posteriormente, investigar o foco e o conteúdo abordado, no que diz respeito aos artigos relacionados à deficiência visual, utilizando a técnica da análise de conteúdo (BARDIN, 2016).
## Metodologia
O presente trabalho se constitui um levantamento de literatura que integra uma pesquisa de doutorado. Inicialmente, realizou-se uma busca nas atas dos SNEF's e EPEF's, disponíveis no site da Sociedade Brasileira de Física. Como algumas edições não disponibilizavam as atas, foi necessário seguir com a busca diretamente na programação disponível no site dos eventos, visto que a mesma indicava os links de acesso aos trabalhos apresentados. Inicialmente foram selecionados aqueles artigos relacionados ao público alvo da educação especial, por meio da leitura direta dos seus títulos e palavras-chave. Buscou-se pelas seguintes palavras: inclusão, deficiência visual, deficiência auditiva, deficiência intelectual, deficiência física, transtorno do espectro autista, cego, cegueira, baixa visão, surdo, dentre outras relacionadas à temática. Esses artigos foram catalogados em uma planilha contendo título, autor, instituição, palavras-chave, linha de pesquisa e link de acesso ao mesmo. Por meio dessa planilha geral foi possível selecionar aqueles trabalhos relacionados à astronomia. Posteriormente entendeu-se ser necessário incluir nesse levantamento as pesquisas apresentadas nos SNEA's, seguindo a mesma metodologia descrita até o momento. Vale destacar que, no caso do SNEA, recorreu-se também aos cadernos de resumos, que são disponibilizados aos participantes do evento, pela organização do mesmo. Isso se fez necessário por ainda não estar disponível nenhuma informação dos trabalhos apresentados na última edição do SNEA.
A análise foi iniciada a partir de três planilhas com artigos sobre ensino de astronomia para o público alvo da educação especial, uma de cada evento (EPEF, SNEF, SNEA). A leitura dos resumos dos trabalhos contidos nessas planilhas permitiu levantar as primeiras impressões, caracterizando uma pré-análise, uma das etapas da técnica de Análise do Conteúdo (BARDIN, 2016). A referida metodologia perpassa três etapas: 1- pré-análise, 2- exploração do material, 3- tratamento dos resultados, inferência e interpretação.
Durante a análise, dos 41 artigos selecionados, foi feito o registro da frequência de artigos relacionados à deficiência visual (DV), deficiência auditiva (DA), deficiência intelectual (DI), deficiência física (DF), transtorno global do desenvolvimento (TGD) e altas habilidades/superdotação (AH/S). Posteriormente, optou-se por estudar aqueles trabalhos que envolviam a DV visto que os mesmos se constituem maioria no que diz respeito às publicações selecionadas na presente pesquisa.
Após a preparação do material, relacionado à deficiência visual, passamos para a exploração do mesmo, aplicando as decisões tomadas nas etapas anteriores (BARDIN, 2016). Nessa fase foi feita a categorização a partir dos objetivos dessa pesquisa. Sendo assim, elaborou-se um conjunto de categorias a priori que constituiu a base para a análise, que será apresentado posteriormente.
## Análise dos dados e discussão
A partir do levantamento descrito anteriormente foram encontrados apenas 41 artigos . Desses, 28 estão relacionados à DV. Vale destacar que, desses, apenas 2 dois são referentes ao EPEF. Os demais foram apresentados nos SNEA's e nos SNEF's.
Conforme a tabela 1 acusa, dos 1708 trabalhos apresentados nos EPEF, apenas dois tratam da astronomia para o público alvo da Educação Especial, ou seja, aproximadamente 0,12% dos trabalhos.
Nos SNEA's, 3,18% dos trabalhos abordam o ensino de astronomia para o público alvo da Educação Especial. Já era esperado um número maior de trabalhos, comparado com os outros dois eventos, por se tratar de um evento específico da área de Educação em Astronomia.
Tabela 1: Eventos da área- publicações gerais e específicas
No que diz respeito ao SNEF, 22 artigos envolvem a astronomia e a inclusão daqueles com DV, DA, DF, TGD e/ou AH/S, o que representa aproximadamente 0,39% dos trabalhos apresentados em todas as edições do evento. Esse baixo índice pode ser justificado pelo fato do evento, assim como o EPEF, ser um evento mais geral (ensino de Física), pois os trabalhos abordam os diversos conteúdos da área (mecânica, termologia, óptica, ondulatória, eletromagnetismo, física moderna), incluindo astronomia. Ademais, deve-se considerar também que o primeiro trabalho relacionado à inclusão do público alvo da Educação Especial, apresentado no referido evento, data de 1999, enquanto que o primeiro SNEF aconteceu em 1970.
As discussões sobre Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva se fortaleceram na década de 1990 com a Conferência Mundial sobre a Educação para Todos e a Conferência Mundial sobre Educação Especial. Esses eventos resultaram na Declaração Mundial de Educação para Todos (1990) e a Declaração de Salamanca (1994), o que incentivou a organização de políticas públicas, inclusive no Brasil, que garantissem o direito de todos à educação (DEIMLING, MOSCARDINI, 2012). Provavelmente, essas circunstâncias refletiram também na área de Ensino de Física e Astronomia, trazendo a discussão para os eventos da área.
No que diz respeito aos trabalhos apresentados nas edições do SNEA, a tabela 2 representa a quantidade de trabalhos relacionados à inclusão do público
alvo da Educação Especial em relação a cada edição do evento. Percebe-se que o número de pesquisas que envolvem a DV é superior às demais. Vale reiterar que nada foi encontrado sobre DF e TGD. O único trabalho referente à DI é voltado para alunos com Síndrome de Down. O evento também possui dois artigos sobre AH/S. Uma dessas pesquisas foi realizada em um espaço não formal de ensino. Vale destacar que um dos trabalhos está disponível apenas na forma de resumo, no formato impresso, por meio do caderno de resumo disponibilizado aos participantes do SNEA. O que dificulta o levantamento dos dados visto que o texto disponível contém poucas informações.
Tabela 2 : Quadro geral referente às edições do SNEA
A tabela 3 diz respeito às informações gerais referentes aos SNEF's. Um dos artigos contabilizados na tabela analisou a percepção de um grupo de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) diante de uma visita realizada pelos mesmos a um observatório.
Tabela 3 : Quadro geral referente às edições do SNEF
Outro artigo que merece destaque aborda o conteúdo 'Sistema Solar' e apresenta, por meio de fotos e descrição, os recursos utilizados com alunos com Deficiência Múltipla ( artigo 33). Entretanto, como o mesmo engloba e dá ênfase à deficiência visual, o mesmo foi incluído nos dados da DV. Assim como nos demais eventos, os trabalhos envolvendo a DV se constituem maioria em todas as edições do SNEF, seguido daqueles relacionados à DA. Sendo assim, optou-se por fazer uma análise dessa maioria observando os seguintes fatores: foco do trabalho e os conteúdos abordados por eles. Logo, os dados mencionados a partir de agora se referem apenas aos trabalhos que envolvem a deficiência visual.
Percebe-se, por meio da tabela 4, que a maioria dos trabalhos está enquadrada no terceiro item da tabela (recursos didáticos/ sequências didáticas). Entretanto, poucos são os trabalhos que descrevem os recursos didáticos
abordados. Logo, isso inviabiliza a reaplicação da proposta. Ademais, vale destacar que, muitos docentes, a fim de suprir as falhas da sua formação, buscam por recursos didáticos e metodologias de ensino em outras fontes (SIQUEIRA, LANGHI, 2011). Portanto, um trabalho nada ou pouco detalhado impede que informações importantes alcancem esses professores. Ademais, alguns não foram aplicados. Sendo assim, não há apontamentos sobre o envolvimento dos alunos com os objetos em questão e resultados dessa prática.
Tabela 4 : Ênfase dos artigos
A tabela 4 também evidencia a carência de trabalhos na área, principalmente no que tange aos itens: Formação de Professores/saberes docentes, concepções alternativas e Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC). Diversos artigos apontam a formação insuficiente dos professores como uma das dificuldades, enfrentadas pelos docentes, na implementação de mudanças nas suas práticas pedagógicas, no que tange uma didática inclusiva. Camargo e Nardi (2006), focando no atendimento aos alunos com necessidades educacionais relacionadas à DV, afirmam que a formação docente necessita ser mais discutida.
Outro item de análise está relacionado aos conteúdos abordados pelos trabalhos em questão, na tabela seguinte. Como apontado pela tabela 5, o item 'corpos do sistema solar' é o mais abordado nas publicações da área. Essa priorização está em consonância com os conteúdos mais abordados no ensino superior. Investigando os conteúdos programáticos das disciplinas introdutórias específicas que contemplam tópicos de astronomia nos diversos cursos das instituições de ensino superior do País, alguns pesquisadores (BRETONES, COMPIANI, 2001 apud LANGHI, 2009, p.132) encontraram uma importância maior dada aos temas sistema solar, astronomia de posição, sistema Sol-Terra-Lua, e estrelas, seguidos dos demais temas em ordem decrescente de importância: galáxias, história e objeto, cosmologia, instrumentos, céu e constelações, tempo e calendário, mecânica celeste, astrofísica, e por último, o ensino da astronomia (LANGHI, 2009, p.132).
Isso evidencia que aqueles profissionais que tiveram a oportunidade de cursar disciplinas relacionadas ao conteúdo em questão, tem um domínio maior a respeito dos conteúdos relacionados aos corpos do sistema solar por esse ser abordado nas disciplinas introdutórias que contemplam tópicos de astronomia. Essa situação possibilita uma maior utilização desses conteúdos em salas de aula e pesquisas. Entretanto, não se deve esquecer que os mesmos são abrangidos pelos parâmetros curriculares nacionais (BRASIL, 1998, BRASIL, 2002) o que também poderia orientar a prioridade dada aos conteúdos.
Tabela 5 : Conteúdos abordados
Vale reiterar que alguns dos trabalhos incluídos nessa análise se constituem uma revisão de literatura, não abordando nenhum conteúdo específico da área. Sendo assim, os mesmos foram classificados no item 'não especificado', assim como aqueles relacionados aos saberes docentes, à observação do céu sem envolver algum astro específico e os demais que não tratam de nenhum conteúdo de forma específica. É importante destacar também que alguns dos artigos analisados abordaram mais de um conteúdo. Sendo assim, esses foram apontados mais de uma vez.
Por fim, os dados apresentados indicam que ainda temos um longo caminho a seguir, visto que o volume de trabalho direcionado para o ensino de astronomia para alunos com DV ainda não é expressivo.
## Considerações Finais
Os resultados indicam uma baixa produção de publicações sobre a inclusão do público alvo da Educação Especial no ensino de Astronomia, no que se refere aos trabalhos apresentados nos EPEF's, SNEA's e ENEF's. Apesar da DV ser a situação mais abordada nos trabalhos analisados nesses eventos, percebeu-se uma carência de conteúdos em astronomia nessa perspectiva também. Ademais, embora a maioria dos trabalhos trate da construção e/ou utilização de recursos didáticos, muitos deles não descrevem os recursos construídos de forma a possibilitar uma reaplicação da proposta. Portanto, conforme a análise de conteúdo nos permite inferir, a partir dos resultados encontrados, apresentamos os seguintes indicadores necessários e urgentes para investimento de esforços: a vastidão de conteúdos relacionados à astronomia que ainda precisam ser organizados de forma a não sobrevalorizar a visão, visto que poucos conteúdos sobre Astronomia são abordados; a pouca discussão sobre a formação de professores e as tecnologias da informação e comunicação; a importância de estabelecer a inclusão também nos espaços não formais de ensino, evidenciando que ainda há muito que fazer. É necessário investimento em pesquisa na área para propor possibilidades, delinear limites e contribuir para uma melhoria no ensino a fim de garantir o acesso de todos ao conhecimento.
## Referências
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