AS MULHERES E O PRÊMIO NOBEL: AS TRAJETÓRIAS ACADÊMICAS E AS CONTRIBUIÇÕES DE MARIA GOEPPERT-MAYER E DONNA STRICKLAND
Larissa Do Nascimento Pires, Israel Müller Dos Santos, Felipe Damasio
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2020
- Data
- 11/11/2020
- Linha de pesquisa
- Equidade, Inclusão, Diversidade E Estudos Culturais E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## AS MULHERES E O PRÊMIO NOBEL: AS TRAJETÓRIAS ACADÊMICAS E AS CONTRIBUIÇÕES DE MARIA GOEPPERTMAYER E DONNA STRICKLAND
## WOMEN AND THE NOBEL PRIZE: ACADEMIC CAREERS AND CONTRIBUTIONS OF MARIA GOEPPERT-MAYER AND DONNA STRICKLAND
Larissa do Nascimento Pires , Israel Müller dos Santos , Felipe Damasio 1 2 3
1 Instituto Federal de Santa Catarina - Câmpus Araranguá, larissa.n.pires@hotmail.com
- 2 Instituto Federal de Santa Catarina - Câmpus Araranguá, israel.santos@ifsc.edu.br
- 3 Instituto Federal de Santa Catarina - Câmpus Araranguá, felipedamasio@ifsc.edu.br
## Resumo
Historicamente se apresentou uma invisibilidade quanto à presença feminina na produção científica, implicando que mulheres necessitaram atravessar muitas barreiras para galgarem posições de destaque na ciência. Da mesma forma, ao se problematizar a participação das mulheres no desenvolvimento científico, como nas premiações científicas como os Prêmios Nobel, percebe-se a ausência da diversidade no histórico da premiação. No cenário da educação científica, por sua vez, se apresenta uma alfabetização científica que coloca a ciência como sendo desenvolvida a partir dos esforços de gênios, que provoca a construção de concepções que perpetuam uma ciência distante da realidade de meninas e mulheres. Dessa forma, reconhecendo a necessidade da elaboração de práticas em sala de aula que possibilitem a discussão de uma ciência que deve contemplar a atuação de homens e mulheres, este trabalho se propõe a descrever aspectos da trajetória acadêmica e as contribuições das cientistas Maria Goeppert-Mayer e Donna Strickland, laureadas no Prêmio Nobel de Física. A partir desses exemplos, acredita-se que seja possível ajudar os docentes a problematizarem com seus alunos os percalços das mulheres durante a construção de suas carreiras e ajudar docentes e discentes a construírem uma visão científica com mais pluralidade.
Palavras-chave : Mulheres na Ciência. Prêmio Nobel de Física.
## Abstract
Historically, there is an invisibility regarding female presence in scientific production, implying that women needed to cross many barriers to reach prominent positions in science. Likewise, when problematizing the participation of women in scientific development, as in scientific awards such as the Nobel Prizes, the absence of diversity in the award's history is perceived. In the scientific education, there is a scientific literacy that places science as being developed from the efforts of geniuses, which provokes the construction of concepts that perpetuate a science far from the reality of girls and women. Thus, recognizing the need to develop practices in the classroom that enable the discussion of a science that should contemplate works of men and women, this paper aims to describe aspects of the academic trajectory and the contributions of scientists Maria Goeppert-Mayer and Donna Strickland, winners
of the Nobel Prize in Physics. From these examples, it is believed that it is possible to help teachers to problematize with their students the women's troubles during the construction of their careers and helping teachers and students to build a scientific view with more plurality.
Keywords : Women in Science. Nobel Prize in Physics.
## Introdução
Os estudos feministas evidenciaram que historicamente se apresentou uma invisibilidade quanto à presença feminina na produção científica, implicando que mulheres necessitaram atravessar muitas barreiras para galgarem posições de destaque na ciência (LIMA, 2015). No contexto universitário, por exemplo, as mulheres passaram a ser admitidas como docentes e discentes somente a partir do final do século XIX (CARVALHO; CASAGRANDE, 2011). Assim, em meio ao resistente acesso das mulheres a essas instituições, cientistas reconhecidas como Marie Curie (CORDEIRO, 2013) e Lise Mietner (LIMA, 2015) precisaram conviver com situações de discriminação na academia, sendo relegadas ao desenvolvimento de pesquisas científicas de maneira subordinada, em espaços improvisados e sem quaisquer rendimentos. Embora esses contextos não sejam visíveis nos dias de hoje, refletidos no crescente aumento das mulheres na atividade científica (CORDEIRO, 2013), existem mecanismos que ainda descrevem a presente desproporção entre homens e mulheres na ciência. Um desses elementos, a segregação horizontal, diz respeito aos imperativos sociais que condicionam as escolhas profissionais de meninos e meninas, evidenciando uma diferença quanto à participação de homens e mulheres a depender da área do conhecimento. Decorrente desse cenário se apresenta a segregação vertical, que consiste na baixa representatividade feminina nos estágios mais avançados da carreira e em posições de prestígio profissional (SAITOVITCH; LIMA; BARBOSA, 2015).
De maneira semelhante, reflexões sobre elementos históricos possibilitam problematizar a participação das mulheres no desenvolvimento científico, como as premiações científicas, tais como os Prêmios Nobel (ZAGUETTO; VENANCIO, 2014). Apesar dessa premiação, em específico, descrever referências aos trabalhos de vários cientistas em suas Conferências Nobel (CORDEIRO, 2016), a ausência da diversidade no meio científico é ainda percebida no histórico da premiação. Os números presentes na página oficial da premiação apresentam que, até 2019, de 950 laureados, somente 54 são mulheres. O Nobel de Física é categoria da premiação com a menor quantidade de mulheres laureadas: Marie Curie (18671934), em 1903, por suas pesquisas relativas à natureza atômica das radiações de urânio; em 1963, Maria Goeppert-Mayer (1906-1972), cuja pesquisa descreveu um modelo para a estrutura do núcleo atômico; e Donna Strickland (1959-), laureada em 2018, por suas contribuições à Física dos lasers .
Ao se analisar o cenário da educação científica, se dissemina justamente a ciência como uma atividade elitista, individualista, desenvolvida a partir dos esforços de gênios (GIL-PÉREZ et al., 2001): essas concepções são responsáveis por disseminar uma imagem deformada sobre o trabalho científico. Esse contexto se apresenta como uma possível consequência de uma alfabetização científica que perpetua uma ciência distante da realidade de meninas e mulheres (CORDEIRO, 2017). Assim, no contexto de ensino, antes de modificar essas concepções sobre
ciência que são construídas pelos alunos, há a igual necessidade de modificar o posicionamento dos professores sobre a ciência (FERNANDEZ et al. , 2002), pois ao se apropriar de uma compreensão epistemológica científica adequada, o professor poderá articular seu saber de maneira contextualizada, além de construir uma concepção mais realista da ciência com seus alunos (HEERDT; BATISTA, 2016).
Reconhecendo essa lacuna, este trabalho, fruto de um recorte de uma pesquisa de conclusão de curso, se objetiva a responder a seguinte pergunta: Quais os aspectos da trajetória acadêmica das cientistas Maria Goeppert-Mayer e Donna Strickland que possibilitam problematizar as dificuldades das mulheres na ascensão de suas carreiras científicas? Quais são as contribuições dessas mulheres laureadas para o desenvolvimento da Física? As respostas desses questionamentos possibilitam demonstrar que embora muitas mulheres tenham contribuído para o desenvolvimento da ciência, elas igualmente vivenciaram percalços durante a construção de suas carreiras. Nesse sentido, tais discussões possibilitam problematizar o entendimento da ciência como um processo neutro, propiciando demonstrar exemplos de mulheres que também contribuíram com as transformações científicas e tecnológicas (LIMA; DANTAS; CABRAL, 2017).
Cabe ressaltar que essas discussões possibilitaram a construção de propostas didáticas baseadas na Teoria da Aprendizagem Significativa Crítica, objetivando inserir estas cientistas nas discussões do desenvolvimento da física nuclear e da física dos lasers ; além de terem propiciado a construção de materiais de divulgação científica para discussão das contribuições dessas mulheres para a ciência. Dessa maneira, acredita-se que a partir da elaboração de ações que apresentem modelos de mulheres cientistas (CORDEIRO, 2017), é possível ajudar os docentes a desenvolverem discussões em sala de aula para que os discentes entendam a ciência como construída por homens e mulheres, mas também reconheçam as dificuldades que muitas delas encontraram para adentrar no mundo científico.
## Fundamentação Teórica
O objetivo da educação em ciências diz respeito a possibilitar que os alunos não somente reflitam sobre problemas que envolvem os conceitos científicos, mas também que os discentes sejam capazes de abordar aspectos históricos, epistemológicos, sociais e culturais das ciências (MOREIRA, 2004). Nesse sentido, esta pesquisa se construiu a partir da articulação com o referencial da Teoria de Aprendizagem Significativa Crítica com a Filosofia da Ciência de Paul Feyerabend, que, de acordo com Damasio e Peduzzi (2015a), se apresentam como complementares. A partir destas, é possível desenvolver propostas em ensino que considerem discussões de e sobre ciência. Primeiramente, a Teoria da Aprendizagem Significativa Crítica indica elementos para a construção de propostas didáticas que intencionam fazer com os discentes reconheçam que fazem parte de sua cultura, mas que também possam se posicionar de maneira reflexiva sobre ela (DAMASIO; PEDUZZI, 2015a). Com essa abordagem, é possível desconstruir conceitos fora de foco apresentados no contexto de ensino, como a imagem estereotipada do cientista homem isolado que constrói conhecimentos que são definitivos e inquestionáveis. A partir dessa discussão, pode-se demonstrar que a participação de mulheres e homens nas ciências sofrem interferências dos seus contextos de vida e são dependentes das oportunidades vivenciadas por cada
cientista. As reflexões filosóficas de Paul Feyerabend, por sua vez, contribuem nessa discussão por trazerem que historicamente a ciência não se constrói sobre um conjunto de regras imutáveis e universais (REGNER, 1996), mas que se desenvolve baseada na diversidade e pluralidade de ideias e de pessoas (DAMASIO; PEDUZZI, 2015b) estando diretamente relacionada ao contexto sociocultural no qual é produzida. Ao aproximar ambos os referenciais com os objetivos deste trabalho, percebe-se que, por meio dos exemplos de mulheres cientistas, pode ser possível entender a ciência como sendo uma construção multifacetária, desenvolvida com base no trabalho intelectual de diferentes pessoas.
## Metodologia
Este artigo fora organizado a partir de um recorte do Trabalho de Conclusão de Curso intitulado As Mulheres e o Prêmio Nobel: as pesquisas de Maria GoeppertMayer e Donna Strickland e suas implicações no ensino de Física 1 . A pesquisa, no geral, seguiu as seguintes etapas: (a) levantamento bibliográfico de trabalhos relativos às contribuições das cientistas; b) apropriação dos conceitos da Física para compreensão de tais contribuições; (c) redação de textos paradidáticos com a abordagem das contribuições das cientistas e das suas trajetórias acadêmicas; (d) construção de propostas didáticas baseadas na Teoria de Aprendizagem Significativa Crítica que discutam as contribuições dessas cientistas. Por questão de espaço, as discussões apresentadas a seguir serão restritas a terceira etapa. Nessa etapa, em específico, a discussão construída se baseou em materiais que relatam os aspectos históricos da vida das pesquisadoras, além dos artigos originais redigidos por estas cientistas.
## Resultados e Análise
Ainda que se apresente um consenso, nas pesquisas em educação em ciências, quanto à necessidade de discussão sobre a participação das mulheres na ciência, ainda existem poucos trabalhos que abordem essa temática. Os resultados deste trabalho objetivam contribuir com essa abordagem, evidenciando as contribuições científicas e os percalços presentes na trajetória acadêmica das cientistas Maria Goeppert-Mayer e Donna Strickland. Pelo fato de tais cientistas estarem situadas em momentos históricos diferentes, há mais materiais históricos sobre a vida de Goeppert-Mayer do que sobre a vida de Strickland; isso justifica o espaço dado à discussão de cada uma das cientistas.
## Sobre as Cientistas
## Maria Goeppert-Mayer
Maria Gertrud Kate Goeppert nasceu no dia 28 de junho de 1906, na cidade de Katowice pertencente então à Alemanha; hoje, a região integra a Polônia. Apesar de seu desejo de ingressar na universidade, não havia escolas, naquela época, para preparação de meninas para este propósito. Em 1921, Maria Goeppert-Mayer deixou a escola pública para estudar em uma pequena escola particular, administrada por mulheres sufragistas, que possuíam justamente a intenção de preparar meninas
para os exames de admissão das universidades. Em consequência de problemas financeiros, a instituição fechou as portas antes que Maria pudesse concluir seu curso. Apesar disso, três anos depois, Maria Goeppert fora aprovada no exame e admitida como estudante de Matemática na Universidade de Göttingen, embora posteriormente tenha adentrado nos estudos da Física (SACHS, 1982).
Durante a década de 1930, Maria Goeppert-Mayer se casou com o químico Joseph Mayer; juntos, tiveram dois filhos: Marianne, nascida em 1933; e Peter, nascido em 1938. Embora seu marido tenha assumido um papel importante na sua carreira cientifica, por sempre encorajá-la e persuadi-la a continuar na ciência, McGrayne (1985) conta que a cientista chegou a relatar a culpa de não poder estar tão presente na vida dos filhos por conta dos compromissos acadêmicos; este percalço ainda é percebido de maneira recorrente na biografia de muitas mulheres cientistas, pelo fato de se associar o cuidado das crianças às mulheres.
Durante essa década, Maria Goeppert-Mayer e seu marido se mudaram para a cidade norte-americana de Baltimore, no estado de Maryland. Na Universidade Johns Hopkins, Maria Goeppert-Mayer trabalhou nas atividades científicas da instituição, também lecionando algumas palestras para estudantes de graduação (SACHS, 1982) sem quaisquer remunerações financeiras (MCGRAYNE, 1995). Essa situação era resultado dos problemas salariais durante a Grande Depressão bem como devido à vigência de uma lei contra o nepotismo. Em 1939, Joseph e Maria Goeppert-Mayer se mudaram para Nova York, onde trabalharam na Universidade de Columbia (SACHS, 1982). No ano de 1941, ela conseguiu, pela primeira vez, uma posição remunerada de meio período na faculdade Sarah Lawrence (SACHS, 1982). Novamente, além das dificuldades na conciliação entre maternidade e vida acadêmica, muitas mulheres cientistas vivenciaram problemas em receberem salários.
Depois da Guerra, em 1946, Joseph e Maria Goeppert-Mayer se mudam para a cidade de Chicago. Novamente, Maria Goeppert-Mayer acabou por trabalhar como professora voluntária na Universidade de Chicago, que não permitia a contratação de casais em cargos acadêmicos. Ao mesmo tempo, Maria GoeppertMayer passou a colaborar em pesquisas sobre física nuclear no recém-formado Laboratório Nacional de Argonne. O apoio financeiro dessa instituição fora crucial para que Maria Goeppert-Mayer pudesse desenvolver sua maior contribuição para o campo da física nuclear (SACHS, 1982).
No ano de 1963, Maria Goeppert-Mayer recebeu o Prêmio Nobel de Física, premio compartilhado com Johannes Hans Jensen e Eugene Wigner, por suas descobertas relativas à estrutura nuclear. Entretanto, um dos jornais da California divulgou a láurea da cientista da seguinte maneira: 'Mãe de San Diego ganha o Prêmio Nobel' (PACHECO, 2019). Somente após a sua láurea no Nobel, Maria Goeppert-Mayer fora nomeada professora titular de Física, na Universidade da Califórnia. Infelizmente, veio a falecer devido a uma embolia pulmonar no início do ano de 1972 (MCGRAYNE, 1995).
## Donna Strickland
Donna Theo Strickland, nascida no dia 27 de maio de 1959 na cidade canadense de Guelph, é uma física especializada no estudo dos lasers , sendo a terceira mulher a receber um Prêmio Nobel de Física. Em 1981, Donna Strickland graduou-se em Engenharia da Física pela Universidade MacMaster, no Canadá. Em
1989, na Universidade de Rochester, localizada em Nova Iorque, ela cursou seu doutorado em óptica. Semelhante ao ocorrido com Maria Goeppert-Mayer, Donna Strickland também encontrou dificuldades para ingressar em posições universitárias, pelos problemas em encontrar cargos para acadêmicos que são casados. Em 1991, ela se casou com o também físico Doug Dykaar; entretanto, enquanto seu marido conseguiu ocupar cargos em universidades nos anos seguintes, Strickland acabou por ocupar posições externas à academia por alguns anos (NOBEL PRIZE, 2019), o que evidencia, historicamente, as visíveis dificuldades das cientistas de se colocarem nos espaços acadêmicos.
Cabe ressaltar que a cientista não possuía uma página sobre sua biografia na Wikipédia, diferentemente de seus colegas laureados, até o momento do anúncio da láurea em meados de outubro de 2018. Apesar de ser citada indiretamente na página do seu orientador, uma página própria sobre a cientista ainda não havia sido autorizada pelos moderadores. Segundo a notícia veiculada pela a revista norte-americana The Atlantic , um usuário solicitou a criação de uma página sobre a cientista em maio de 2018, mas o pedido fora negado por um moderador do site , alegando que não havia referências suficientes que qualificassem a criação de um artigo sobre a cientista. Assim, percebe-se que apesar das importantes contribuições de Strickland para a física dos lasers , o reconhecimento da cientista em uma página da Wikipédia ocorreu em simultâneo com a divulgação da sua láurea no Prêmio Nobel de Física (KOREN, 2018).
## Contribuições das Cientistas
Maria Goeppert-Mayer (1906-1972) recebeu a láurea no Prêmio Nobel de Física no ano de 1963, pela construção teórica para a estrutura do núcleo atômico, denominado modelo nuclear em camadas . Utilizando o conceito primeiramente definido por Wigner, Mayer denominou esses números específicos de números mágicos. Esses conhecimentos resultaram na publicação de uma obra por Mayer e Jensen no ano de 1955, intitulada Elementary Theory of Nuclear Shell Structure . Segundo este modelo, de maneira análoga aos elétrons que são dispostos em camadas eletrônicas, os prótons e nêutrons ocupam 'conchas' nucleares que, quando preenchidas completamente em um determinado número, resultam em um átomo estável (GOEPPERT-MAYER, 1948).
Donna Strickland (1959-), por sua vez, recebeu a láurea no Prêmio Nobel de Física em 2018 pelo desenvolvimento de uma técnica, em seu doutorado, denominada chirped pulse amplification (STRICKLAND; MOUROU, 1985), cujo objetivo era aprimorar a intensidade de pulsos de lasers ultracurtos que não destruíssem o meio de amplificação; pois, na produção desses lasers , intensidades muito altas poderiam danificar os cristais utilizados na amplificação dos pulsos de laser . A relevância da pesquisa de Strickland possibilitou intensificar o interesse e as pesquisas sobre o uso de lasers de alta intensidade, em aplicações complementares na Medicina, como na realização de cirurgias oculares.
## Considerações Finais
As discussões supracitadas demonstram a importância da utilização de exemplos de mulheres cientistas, objetivando desconstruir o estereótipo masculino de ciência presente no contexto de educação em ciências. Nesse contexto, é importante ressaltar a atenção necessária quanto à discussão de aspectos sobre a história de mulheres cientistas: a concepção de que poucas mulheres atuam na
ciência, às vezes disseminado de maneira implícita por muitos discursos da educação científica, perpetua ainda mais uma percepção de uma ciência para pessoas especialmente dotadas. Assim, de acordo com Cordeiro e Peduzzi (2014, p. 558-559), 'é essencial, no entanto, que não se caia na armadilha de, tratando tais mulheres como geniais, pintá-las como exceções que confirmam a regra: a de que apenas mulheres muito especiais podem empreender a atividade científica'.
Assim, considera-se importante apresentar elementos relativos a essas cientistas como as dificuldades encontradas em sua trajetória durante a conquista de seu espaço acadêmico (LIMA, 2015). Os exemplos das cientistas demonstram que, os obstáculos relativos à permanência e a visibilidade das mulheres nos espaços científicos, principalmente vivenciados por Goeppert-Mayer, que trabalhou durante anos em uma posição voluntária tendo que conciliar a maternidade com a vida científica, constituem situações que visam fazer com os alunos visualizem a consciência da necessidade de mudança dessa realidade para que novas cientistas possam adentrar no mundo científico.
Concluindo, cabe ressaltar que esse trabalho veio a propiciar o desenvolvimento de uma série de vídeos de divulgação científica sobre as 2 ganhadoras do Nobel de Física, disponibilizado no canal IFSCience, que apresenta as contribuições científicas e as trajetórias acadêmicas de Maria Goeppert-Mayer e de Donna Strickland.
## Referências
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