OLHARES DE LICENCIANDOS DE FÍSICA SOBRE PAPEL DO SUPERVISOR DE ESTÁGIO: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO
Karine Karsten, Jeimeson Roberto França, Raquel Mistrovicz Tomé Gonçalves, Ivanilda Higa
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2020
- Data
- 10/11/2020
- Linha de pesquisa
- Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## OLHARES DE LICENCIANDOS DE FÍSICA SOBRE PAPEL DO SUPERVISOR DE ESTÁGIO: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO
## VIEWS OF UNDERGRADUATES IN PHYSICS ABOUT INTERNSHIP SUPERVISOR: AN EXPLORATORY STUDY
Karine Karsten 1 , Jeimeson Roberto França 2 , Raquel Maistrovicz Tomé Gonçalves 3 , Ivanilda Higa 4
1 UFPR/PPGE, karstenkarine@ufpr.br 2 Colégio Estadual Pedro Macedo, jeimeson.franca@escola.pr.gov.br 3 Colégio Estadual Jayme Canet, raquelmtome@gmail.com 4 UFPR/DTPEN/PPGE, ivanilda@ufpr.br
## Resumo
Tem como objetivo geral compreender a visão que alunos da Licenciatura em Física, em estágio de docência, possuem acerca do papel do professor supervisor do estágio em sua formação profissional, sendo um estudo exploratório que é parte de uma pesquisa 1 mais ampla. A análise é baseada nas dimensões da profissionalidade do professor e as concepções de professor como Especialista Técnico, Reflexivo e Intelectual Crítico (Contreras, 2012). De natureza qualitativa, o estudo foi desenvolvido a partir de um questionário respondido por 8 estagiários. As análises permitiram ressaltar três perfis nas visões dos estagiários: Elementos de Profissional Reflexivo com duas dimensões da profissionalidade do professor (um estagiário), Elementos de Profissional Reflexivo com uma dimensão da profissionalidade do professor (três estagiários) e Elementos de Profissional Especialista técnico com uma dimensão da profissionalidade do professor (três estagiários).
Palavras-chave : Licenciatura em Física. Supervisor de Estágio. Professor Reflexivo. Intelectual Crítico. Especialista Técnico.
## Abstract
The general objective of the study is to understand the views that undergraduate Physics students, in the teaching internship, have about the role of the supervising teacher in their professional training. It is an exploratory study, part of a broader research. The analysis is based on the dimensions of the teacher's professionalism and the conceptions of the teacher as Technical, Reflective and Critical Intellectual Specialist (Contreras, 2012). Qualitative in nature, the study was developed from a questionnaire answered by 8 interns. The analyses made possible to highlight three profiles in the trainees' views: Elements of Reflective Professional with two dimensions of the teacher's professionality (one intern), Elements of Reflective Professional with one dimension of the teacher's professionality (three interns) and Elements of Technical Specialist Professional with one dimension of the professionalism of the teacher (three interns).
Keywords : Physics Teachers Training, Internship, Physics, Internship Supervisor.
## Introdução
A formação de professores de Física para atuar na Educação Básica (EB) é realizada em cursos de Licenciatura, de graduação plena, nas Instituições de Ensino Superior (IES) e atualmente, segundo estabelecem as Diretrizes (BRASIL, 2015), deve conter em seu currículo 400h de estágio supervisionado. Se comparada às legislações vigentes anteriores à LDBEN 9394/96, a carga horária de estágio supervisionado na formação dos professores de Física foi ampliada consideravelmente. Tal ampliação por um lado pode indicar uma maior valorização desta atividade formativa, valorização da relação teoria-prática, valorização da formação em contexto escolar, entre outros. Por outro lado, também pode indicar uma valorização da prática em detrimento da teoria, ou uma formação tecnicista, a depender de como serão implementadas as diretrizes acerca do estágio supervisionado. Assim, a ampliação da carga horária por si só não necessariamente vem valorizar o estágio na formação dos professores de Física. Essas são discussões que indicam como esta atividade formativa é carregada de contradições e enfrenta dificuldades para sua implementação.
Estas atividades na formação dos licenciandos têm sido historicamente responsabilidade dos docentes das IES, chamados Orientadores 2 . Estes são oficialmente responsáveis, por parte da IES na definição dos objetivos, formas de desenvolvimento e avaliação dos futuros professores de Física, atividades estas nas quais os supervisores no campo de estágio (escolas de EB) em geral não tomam parte. Entretanto, considerando a relação entre as IES e a escola como espaço de formação, o estágio propicia aos licenciandos uma vivência profissional, e é junto ao supervisor que eles passam uma parte considerável de seu estágio. Portanto há que se considerar essa relação no campo profissional e que tais supervisores cumprem papel relevante, embora não oficialmente reconhecido, na formação dos estagiários de Física.
Investigações no campo de ensino de Ciências e Física chamam a atenção para o papel destes sujeitos na formação dos licenciandos. Em análise de cinquenta e dois artigos sobre estágio supervisionado, Mello (2015) evidencia que em termos de concepções teóricas, a maioria dos trabalhos defende a formação de professores reflexivos (trinta e dois trabalhos) ou crítico-reflexivos (nove trabalhos). Entretanto, sua análise também indicou que, nestes trabalhos, a parceria universidade-escola e a forma de participação dos supervisores no estágio, indicam uma relação tecnicista; sendo a autonomia dos supervisores restringida nesta atividade.
Uma vez que os licenciandos em Física passam a vivenciar de forma mais intensa o espaço e as relações com os sujeitos escolares, entendemos que é importante e propício se refletir em que medida as escolas da EB, e em especial os professores de Física do Ensino Médio, estão recebendo atenção por parte das diversas instituições envolvidas no estágio curricular, saindo desta posição invisível
- e passando, de forma mais institucional e profissional, a ter outro papel nesta atividade do estágio supervisionado. Assim, tendo em vista discutir estas problematizações, como exploratório de uma pesquisa mais ampla, este trabalho tem por objetivo analisar as visões de estagiários de Física acerca do papel do professor supervisor em sua formação.
## Fundamentos Teóricos
Contreras (2012) discute três modelos de professores (especialista técnico, profissional reflexivo e intelectual-crítico) em torno de três dimensões (Obrigação Moral, Compromisso com a comunidade e Competência profissional), que permitem refletir sobre os atributos da profissão do professor. A junção dessas dimensões em um dado modelo fornece um conceito da autonomia profissional, representando uma diferenciação de três tipos de profissionais. Utilizamos esses elementos para a análise pretendida. O quadro seguinte resume as características mencionadas:
## Modelos de Professores
Quadro 1 - A autonomia profissional de acordo com os três modelos de professores. Fonte: Contreras (2012)
## Fundamentos Metodológicos
Por analisar concepções de sujeitos, não tendo hipóteses previamente definidas, o estudo é de natureza qualitativa (FLICK, 2009). Como instrumento de trabalho empírico, utilizou-se um questionário, que consideramos adequado a um
estudo exploratório. O questionário contém um número de questões apresentadas por escrito aos sujeitos, que quando respondidas, tendem a apresentar o interesse dos pesquisadores, sendo bastante relevante para obter informações de um grupo de pessoas (CHAER, DINIZ e RIBEIRO, 2011). O questionário foi elaborado conjuntamente entre orientadores, supervisores de estágio e estudantes de pósgraduação participantes da pesquisa. Contendo nove questões, o questionário foi organizado em três eixos: a) formação e experiências escolares prévias; b) concepções sobre papel da escola e escola pública; c) expectativas e visões sobre papel dos professores de Física, dos alunos na escola e acerca do supervisor de estágio, na sua formação profissional.
Neste trabalho serão analisadas as respostas dos licenciandos à questão sobre as concepções/expectativas acerca do papel do supervisor de estágio na formação profissional dos estagiários, qual seja: 'Antes de ingressar no estágio, o que você pensava sobre o papel do professor supervisor da escola em sua formação profissional? Algo mudou em sua percepção? Comente'. Analisamos alguns discursos dos estagiários sobre o papel do supervisor em sua formação, e a partir dos elementos principais, buscar-se-á compreender indícios acerca da profissionalidade desse profissional, na visão destes estagiários.
## Análises e Resultados
## Breve perfil dos sujeitos (estagiários licenciandos em Física)
Os questionários foram respondidos por licenciandos em Física, aqui denominados ALF, ELI, EMA, RUI, GIL, MAX, TOM, POU e CAL , que estavam 3 desenvolvendo seu estágio de docência. CAL, por não ter expressado sua visão sobre o tema, não será incluído neste trabalho. Enquanto os sete primeiros já haviam iniciado o estágio, o último (POU) estava iniciando seus trabalhos em campo. Três desses licenciandos (POU, EMA e RUI) cursaram o Ensino Médio em escola pública de EB e cinco (TOM, GIL, ALF, ELI, MAX) em rede privada. Quatro cursaram o Ensino Médio regular e quatro (todos oriundos da rede privada) realizaram um curso técnico concomitantemente ao Ensino Médio.
Todos os estagiários, com exceção de EMA, têm lembranças positivas de seus professores de Ensino Médio (EM). Eles possuem elementos em suas falas que demonstram a surpresa com alguns experimentos e atividades desenvolvidas nas aulas de Física, enquanto estudantes. Embora quase todos tenham mencionado experiências positivas, cabe comentar que GIL mencionou alguns erros conceituais e uma forte tendência matemática na sua experiência com a Física durante o EM.
## A visão dos estagiários sobre o papel do supervisor em sua formação
De forma geral, percebeu-se que os sujeitos atribuem funções técnicas (tutor, guia, acompanhar o desenvolvimento do estagiário, apoio nas atividades do estagiário, ajudar na formatação de aulas) aos seus supervisores de estágio. Alguns elementos que extrapolam esta concepção, não tão relacionados à função técnica, foram: conhecimento sobre a profissão; carreira; visão de um professor como profissional; e supervisor que participa da avaliação do trabalho do estagiário.
Para realizar a análise à luz do referencial teórico (Contreras, 2012), as concepções dos estagiários serão aqui organizadas em três diferentes perspectivas: Na primeira, encontramos a presença de elementos de um Profissional Reflexivo com duas dimensões da profissionalidade do professor (GIL); na segunda , encontramos a presença de elementos de um Profissional Reflexivo com uma dimensão da profissionalidade do professor (ELI, TOM e POU); por fim na terceira e última, trazemos aqueles estagiários (EMA, RUI e MAX) que expressaram o papel do supervisor com elementos de um Especialista Técnico , também com uma dimensão da profissionalidade do professor.
## 1º Elementos de um Profissional Reflexivo com duas dimensões da profissionalidade do professor
Antes e depois de realizar o estágio, GIL tinha uma visão centrada em elementos que tendiam para o profissional como reflexivo. Seu discurso apresentou aspectos que consideram esse profissional como um sujeito pensante, que guia o processo de aprendizagem, e com o qual se estabelecem negociações importantes. Tal percepção pode ser extraída do excerto a seguir, no qual destacamos algumas palavras de GIL que tem um sentido de participação ativa do supervisor.
[antes de ingressar no estágio] Achava que supervisor tinha um papel próximo a de um gestor (como se ele fosse um chefe e você o estagiário), onde teríamos diversas atividades ali presentes, as quais devíamos produzir uma documentação e a aplicação , tudo isso sendo amparado e avaliado por ele, para gerar um debate sobre as melhorias possíveis e promover um processo contínuo de aprendizagem e evolução.
[depois que iniciou o estágio] Mudou muita coisa, pois além desse papel de tutor o supervisor teve um papel muito importante para como eu vejo a profissão de professor , promoveu debates sobre a realidade educacional e diversos fatores que envolvem ela, as quais nunca havia tido durante a graduação , me trouxe mais próximo da realidade e das situações que vivenciarei.
Percebemos que GIL atribui valores morais e de justiça ao utilizar os termos como gestor, gerar debate sobre as melhorias possíveis, amparado e avaliado , que pertencem às dimensões citadas por Contreras (2012) articuladas ao Compromisso com a comunidade e Obrigação Moral, em uma categoria de Profissional Reflexivo.
## 2º Elementos de um Profissional Reflexivo com uma dimensão da profissionalidade do professor
Em relação a dimensão da profissionalidade, percebe-se nas respostas de ELI, TOM e POU elementos do papel do professor supervisor como profissional reflexivo na dimensão de Obrigação Moral (CONTRERAS, 2012), com caráter técnico. Ligado ao aspecto da qualidade moral da relação supervisor-estagiário, TOM escreve que 'conseguimos ter outras visões da profissão' com características da experiência educativa. Outra condição, referida por parte de POU, descreve o papel do supervisor em desenvolver e verificar 'atividades do estagiário/a, tanto no processo de ensino quanto na preparação das aulas'. Este aspecto ė também relatado por ELI: 'a possibilidade de avaliarmos com ela as apresentações dos alunos' trazendo a experiência interativa do estagiário conduzida no contexto escolar, ao participar do processo avaliativo com o supervisor.
Considerando a abrangência desta dimensão, Contreras (2012) diz que este
aspecto moral da relação de ensino está ligado à dimensão emocional, a qual está presente em toda relação educativa, com pessoas concretas sobre as quais se pretende exercer uma influência. Esses exemplos citados pelos estagiários de Física demonstram ainda um compromisso com habilidades técnicas e parecem estar ligados ao modelo de autonomia ilusória, que segundo Contreras (2012), sugere 'dependência de diretrizes técnicas' inerentes para o desenvolvimento da ação educativa legitimados em sua profissionalização desde o mundo acadêmico.
## 3º Elementos de um Profissional Especialista Técnico com uma dimensão da profissionalidade do professor
EMA, RUI E MAX trazem em seu discurso concepções sobre o papel do professor, tanto antes quanto depois de iniciado o estágio, com elementos de uma única dimensão: a de Competência Profissional. Eles não atribuem ou trazem elementos, ainda que tímidos, acerca da obrigação moral e do compromisso com a comunidade para a função do professor supervisor.
A própria ausência das dimensões de Obrigação Moral e Compromisso com a comunidade já é um indicativo da compreensão do professor como especialista técnico. Afinal, a rejeição de problemas normativos, a estabilidade dos valores e a despolitização citadas por Contreras (2012) são implícitas na fala dos estagiários quando não há menções sobre essas questões ao olhar para o professor supervisor de estágio. Contreras (2012) sinaliza que os princípios do trabalho docente não podem ser compreendidos distante de bases sociopolíticas que dão respaldo a própria instituição escolar e estão ligados a interesses políticos que podem ser tecnocráticos.
Na resposta de RUI, o papel do supervisor seria
'dar apoio nas ideias do estagiário' (RUI).
Nas palavras de EMA,
O professor supervisor seria o nosso próprio professor em assuntos do dia a dia da escola, como planejamento, chamada, relação com a diretoria e pedagogia , etc. Acabei aprendendo muito também com a experiência de vida do professor supervisor , que já atuou em diversas áreas. (EMA).
As palavras destacadas sugerem que EMA parece somente receber informações, sem discuti-las ou sem o supervisor adotar essa postura com a estagiária 4 .
A forma que ambos estagiários se manifestaram indica uma visão do professor como aquele que auxilia como um manual de instrução 'se ocorrer ou precisar disso, faça aquilo', sem intervenções previamente intencionais para gerar debates e pensamentos reflexivos sobre a escola. O professor na visão de EMA assume uma postura de técnico a fim de mostrar como funciona, e não o porquê funciona assim, ou como deveria ou poderia funcionar, a depender das finalidades que se assume sobre a escola e o ensino. Como assinala Mello (2015) o domínio técnico é apenas uma das facetas da atividade docente. Entretanto, convém analisar em que medida os professores supervisores estão presos aos sistemas de
controle burocrático e técnico de seu trabalho como ressalta Contreras (2012) e ainda se esses educadores percebem os limites e intenções dos modelos técnicos que envolvem as relações supervisor-estagiário, bem como, seu papel concreto no processo formativo do estagiário.
## Considerações Finais
Identificou-se nas respostas dos licenciandos que as funções do professor supervisor de estágio são descritas predominantemente pelo viés de aspectos e habilidades técnicas de profissionalismo, dentro de uma concepção ilusória (Contreras, 2012) da autonomia do professor, uma vez que esteve muito presente a dependência das diretrizes técnicas na fala dos estagiários. Não surpreende que elementos desta natureza tenham sido atribuídos ao papel do supervisor de forma expressiva pelos licenciandos, pois tais elementos também fazem parte do princípio formativo de seu trabalho. Entretanto, chama a atenção o fato de que elementos do perfil de um professor intelectual crítico não tenha aparecido de forma mais expressiva nas respostas destes estagiários em Física.
Dentre os fatores que contribuem para esta percepção, apresentam-se: as expectativas institucionais sobre a formação do estagiário durante o estágio na EB diante das expectativas do estagiário para sua formação profissional e cumprimento de protocolos pré-estabelecidos; a forma com que o professor supervisor entende seu papel durante o estágio, recepciona e se relaciona com o estagiário (talvez sugerindo tão somente desenvolver atividades previstas nas regulamentações curriculares de cada instituição); e a leitura que o licenciando faz da complexa realidade escolar no processo de construção do seu conhecimento e da sua ação pedagógica, que muitas vezes tendem a privilegiar bases de domínios tecnicistas. Como salienta Contreras (2012), os professores encontram-se em relação de dependência com respeito ao campo da especialização tecnocrática legitimada em sua profissionalização.
Caberia questionar ainda se a visão destes estagiários é calcada no que eles vivenciam/vivenciaram no estágio; se a visão técnica é tão predominante que não lhes chama a atenção a atuação dos supervisores quando estes influenciam seus trabalhos para além da técnica e ainda, o papel dos orientadores e supervisores na problematização destes aspectos. Isso extrapola, entretanto, os limites desta análise, mas é uma questão que fica a ser investigada.
Há um movimento, ainda que tímido, de mais da metade dos estagiários, para concepção de autonomia como responsabilidade moral e individual. Aprofundamentos desta pesquisa podem permitir analisar essa tendência.
Ressaltamos ainda que embora para um estudo exploratório o questionário tenha se mostrado um instrumento adequado, a investigação sobre o tema pode e deve ainda ser ampliada e aprofundada, utilizando-se outros instrumentos e trazendo à tona outras relações, como por exemplo, melhor compreender o contexto, o perfil e a atuação dos supervisores com os quais estes licenciandos desenvolvem seus estágios, bem como a visão tanto dos orientadores, supervisores e estagiários sobre os fins da educação, o papel da escola e do ensino de Física na formação dos estudantes da EB. Afinal, os estagiários estão num processo de desenvolvimento mergulhados num amálgama formado por todos
esses elementos citados, que se influenciam mutuamente.
Finalmente, reconhecendo os limites, mas também as potencialidades desta análise, ressaltamos que a contribuição deste tipo de resultado para a área de formação de professores de Física é importante pelo menos em dois sentidos:
Por um lado, indica que é preciso buscar compreender que elementos da formação e subjetividade destes licenciandos em Física têm levado a este tipo de resultado e ainda, empenhar esforços para suscitar outros sentidos nos estagiários sobre a profissão docente, superando a dimensão do Especialista Técnico, em direção a outras concepções.
Por outro lado, este trabalho também contribui no sentido de problematizar e trazer visibilidade acerca do papel que os professores supervisores têm (ou não) desempenhado na atividade de estágio supervisionado. Não é a busca por sobrecarregar ainda mais um professor de Física, atribuindo-lhe funções extras na supervisão, mas reconhecer que a formação dos licenciandos em Física no estágio curricular pode e porque não, deve ser uma atividade colaborativa, com importantes contribuições dos supervisores em seu desenvolvimento.
Ainda, que tanto estagiários, quanto supervisores e orientadores estejam em desenvolvimento profissional nesta atividade, que é coletiva (Mello, 2015). É, também, um esforço no sentido de reivindicar que seja reconhecida a colaboração dos supervisores na atividade formativa, provendo-lhes condições concretas para exercer este importante papel na formação dos licenciandos em Física, afinal, esse reconhecimento pode ser crucial como uma parte do processo de criação do espaço necessário à visão de um professor supervisor como sujeito com autonomia como emancipação, como discutido por Contreras (2012).
## Referências
BRASIL. Lei n. 11.788, de 25 de setembro de 2008. Dispõe sobre o estágio de estudantes e da outras providências . Diário Oficial da União, Brasília, DF, 26 set. 2008. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil\_03/\_Ato2007-2010/2008/Lei/L11788.htm>. Acesso em: 26 fev. 2020.
BRASIL. Parecer CNE/CP nº 2/2015, de 09 de julho de 2015. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial e Continuada dos Profissionais do Magistério da Educação Básica. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/docman/agosto-2017-pdf/70431-res-cne-cp-002-03072015-
pdf/file>. Acesso em: 26 fev. 2020.
CHAER, G.; DINIZ, R. R. P.; RIBEIRO, E. A. A técnica do questionário na pesquisa educacional. Evidência , Araxá, v. 7, n. 7, p. 251-266, 2011.
CONTRERAS, J.D. A autonomia de professores. São Paulo: Ed. Cortez, 2012.
FLICK, U. Qualidade na pesquisa qualitativa . Porto Alegre: Artmed, 2009.
MELLO, A. C. R. de. Desenvolvimento profissional do professor supervisor de estágio durante a socialização com os estagiários de Ciências Biológicas. Dissertação , Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal do
Paraná. Curitiba, 2015.
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