PANORAMA SOBRE A PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA PARA ESTUDANTES COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS
Carla Renata Santos, Silmara Alessi Guebur Roehrig
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2020
- Data
- 10/11/2020
- Linha de pesquisa
- Equidade, Inclusão, Diversidade E Estudos Culturais E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## PANORAMA SOBRE A PESQUISA NO ENSINO DE FÍSICA PARA ESTUDANTES COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS
## VIEW ON RESEARCH IN PHYSICS EDUCATION FOR STUDENTS WITH SPECIAL EDUCATIONAL NEEDS
## Carla Renata Santos , Silmara Alessi Guebur Roehrig 1 2 1
UTFPR/PPGFCET/carla.renatasantos@hotmail.com ² UTFPR/PPGFCET/roehrig@utfpr.edu.br
Resumo: Este trabalho aborda a temática da inclusão de estudantes com necessidades educacionais especiais no ensino de Física. O objetivo é apresentar um panorama preliminar dos trabalhos publicados em periódicos da área, destacando suas contribuições para o avanço das pesquisas neste âmbito. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, em que se buscou levantar trabalhos acadêmicos, como artigos publicados em periódicos e em anais de eventos da área, dissertações, teses, e até mesmo livros que relacionam a temática da inclusão ao ensino de Física. Como resultados, percebeu-se o aumento significativo dos trabalhos que relacionam o ensino de Física com a aprendizagem de estudantes que possuem deficiência visual, o que consiste num avanço importante para subsidiar as pesquisas desta linha. Contudo, percebeu-se a ausência quase total de trabalhos que abordam o ensino de Física para estudantes que apresentam outros tipos de necessidades especiais ou síndromes, particularmente aquelas de caráter intelectual, envolvendo por exemplo estudantes autistas, com síndrome de Down ou que possuem transtornos cognitivos. Conclui-se que há defasagem de pesquisas sobre estas últimas especificidades, e que é preciso investir na produção de subsídios teóricos e metodológicos que venham contribuir para a melhoria do ensino e da aprendizagem dos estudantes, de modo a garantir o exercício pleno de seu direito à educação.
Palavras-chave: Inclusão; Ensino de Física; Necessidades Educacionais Especiais.
Abstract: This work addresses the theme of the inclusion of students with special educational needs in Physics education. The purpose is to present a preliminary overview of the works published in journals, highlighting their contributions to the advancement of research in this field. This is a bibliographic research, in which we sought to raise academic works, such as articles published in journals and proceedings, dissertations, theses, and even books that relate the theme of inclusion to the Physics education. As a result, we noticed a significant increase in the works that relate Physics education to the learning of students who have visual impairment, which is an important step forward to support research in this line. However, it was noticed the almost total absence of works that address the teaching of Physics for students who have other types of special needs or syndromes, particularly those of an intellectual nature, involving for example autistic students, with Down syndrome or who have cognitive disorders . It is concluded that there is a lag of research on these last specificities, and that it is necessary to invest in the production of theoretical and methodological subsidies that will contribute to the improvement of teaching and learning of students, in order to guarantee the full exercise of their right to education.
Keywords : Inclusion; Physics education; Special Educational Needs.
## Introdução
A inclusão da pessoa com deficiência, recentemente reforçada pela Lei nº 13.146 (BRASIL, 2015), constitui-se numa demanda que precisa ser observada pelas diversas instâncias da sociedade, a fim de que seja cumprida e que se garantam os direitos de todos os cidadãos. De acordo com esta lei, é considerada pessoa com deficiência aquela que apresentar impedimento de longo prazo físico, mental ou intelectual, dificultando sua plena participação na sociedade em que vive, sob condições de igualdade com as demais pessoas.
Com relação à inclusão na escola, de acordo com Salomão (2015), houve um aumento de mais de 400% nas matrículas de estudantes com necessidades educacionais especiais entre os anos de 2003 e 2014 no contexto brasileiro. Este aspecto pode sinalizar um avanço no que diz respeito ao cumprimento da lei, contudo não se refere a garantia de que as condições do ambiente educacional sejam propícias ao aprendizado de todos os estudantes.
Fortalecer a inclusão na escola torna-se, portanto, essencial para que tais direitos sejam garantidos. Contudo, o processo de consolidação e efetiva execução desta demanda enfrenta diversos obstáculos, que precisam ser transpostos a partir do comprometimento dos atores envolvidos. Dentre as barreiras que dificultam os processos de inovação neste âmbito, há o problema da formação dos profissionais da educação, infraestrutura inadequada, falta de recursos pedagógicos, entre outros. Além disso, prevalece um modelo equivocado de compreensão destas questões, imposto desde os fundamentos da formação escolar e que prossegue ao longo dos demais níveis de ensino. Isso acontece porque o sistema escolar está montado a partir de um pensamento que permite classificar os estudantes em normais e deficientes, as modalidades do ensino em regular e especial, os professores em especialistas em uma ou em outra manifestação das diferenças (BRASIL, 2007).
O número de trabalhos científicos na área de inclusão de pessoas com deficiências vem aumentando consideravelmente, e já se constitui como uma linha de pesquisa consolidada no campo da educação. Contudo, há que se avançar em algumas áreas específicas, como no ensino de Física por exemplo. Silva e Bego (2018) fizeram um levantamento bibliográfico avaliando como pesquisas brasileiras no ensino de Ciências abordam a temática da inclusão e concluíram que um dos autores com maior número de publicações é Éder Pires de Camargo, e que a maioria dos trabalhos publicados na área é a respeito do ensino de Física para deficientes visuais. Tal fato foi perceptível no XVII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF), que ocorreu em 2018, em Campos do Jordão, no qual dos seis artigos desta linha, cinco se referiram a pesquisas acerca de deficiência visual e apenas um se referiu a outros tipos de necessidades especiais.
Tal fato evidência a necessidade de expandir as pesquisas na área de ensino de Física, a fim abranger também as particularidades de estudantes com outros tipos de necessidades especiais, como por exemplo os que possuem transtornos neurológicos ou síndromes associadas a questões genéticas. O objetivo deste trabalho é levantar fontes bibliográficas que possam auxiliar no desenvolvimento de pesquisas que relacionam a inclusão no ensino de Física. Inicialmente, a proposta era focar apenas em trabalhos voltados para estudantes com deficiências de caráter
intelectual, mas percebeu-se que na área de ensino de Física essa temática se mantém incipiente. Com isso, evidencia-se a necessidade de expandir de fato a pesquisa nesta área, de modo a produzir conhecimentos que possam vir a auxiliar docentes que trabalham com a Física a melhorar sua relação com a inclusão de todos os estudantes, com ou sem necessidades especiais.
## Aspectos Metodológicos
Neste trabalho, busca-se construir subsídios teóricos para uma pesquisa de mestrado profissional, em que serão estudados os processos de ensino e aprendizagem da Física por estudantes com necessidades especiais, em particular aqueles com síndromes ou transtornos relacionados ao desenvolvimento intelectual. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, que consiste em 'um trabalho investigativo minucioso em busca do conhecimento e base fundamental para o todo de uma pesquisa' (PIZZANI et al., 2012, p. 54). Pretende-se reunir fontes importantes de informações teóricas para subsidiar o desenvolvimento de um produto educacional voltado para estudantes com necessidades especiais.
Pizzani et al. (2012) elencam os seguintes passos para o desenvolvimento de uma pesquisa bibliográfica: delimitação do tema, levantamento e fichamento das citações relevantes, aprofundamento e expansão da busca, relação e localização das fontes, leitura, sumarização e redação. Foram então investigadas fontes primárias, como teses e dissertações, livros, artigos em revistas científicas e anais de congressos, publicados ou referenciados na internet, na língua portuguesa.
Inicialmente, a busca se concentrou em trabalhos que relacionassem o ensino de Física a propostas voltadas para estudantes com síndromes, transtornos de ordem cognitiva e intelectual, bem como desordens do desenvolvimento neurológico (como autismo, síndrome de Down, déficit intelectual, entre outros). Após não encontrar trabalhos específicos, relacionados ao ensino de Física para estudantes com síndromes ou transtornos de ordem intelectual, expandiu-se a busca, a partir da utilização de palavras-chave mais abrangentes. Os termos de busca utilizados na pesquisa foram 'Ensino de Física', 'Educação Especial', 'Inclusão', 'Ensino de Ciências', 'Inclusão Escolar', 'Transtornos Cognitivos'. O período considerado para a pesquisa foi entre os anos de 2003 e 2020.
A busca resultou em 51 trabalhos encontrados, dos quais foram selecionados 22 para compor o presente artigo. Dentre os periódicos em que os trabalhos foram encontrados destacam-se os seguintes: Cadernos de Pós-Graduação em Distúrbios do Desenvolvimento; Revista Ciência e Natura; Revista Educação; Ensino Em ReVista; Psicologado; Research, Society and Development; Revista Brasileira de Educação; Revista Brasileira de Educação Especial; Revista Brasileira de Ensino de Física; Revista Brasileira de Medicina do Esporte; Revista Brasileira de Psiquiatria; Revista da Associação Médica Brasileira; Revista de Iniciação Científica e Extensão; Revista Educação Especial; Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação; Revista Psicopedagogia; Revista de Saúde e Educação. Além destes, foram consultadas as atas dos EPEF anteriores, dada a relevância do evento para a divulgação das pesquisas referentes ao ensino de Física.
A seguir, apresentam-se os resultados deste trabalho de busca e análise das fontes, relacionando as principais contribuições de cada um para a pesquisa sobre inclusão no ensino de Física. Serão abordadas em dois grandes grupos: deficiências de caráter físico/sensorial (como visual, auditiva, motora) e deficiências de caráter intelectual (transtornos intelectuais e síndromes).
## Discussão dos resultados
Com relação aos trabalhos que se referem a inclusão no ensino de Física para estudantes que possuem necessidades especiais de caráter físico ou sensorial, destacam-se as obras de Camargo (2016; 2011) no que se refere a estudantes com deficiência visual. Em seu trabalho mais recente, o autor traz contribuições para fundamentar práticas inclusivas no ensino de Física, no que concerne à inclusão, multissensorialidade, percepção e linguagem. Seguem-se onze parágrafos com propostas e resultados de pesquisa voltados para especificidades de estudantes com deficiência visual, envolvendo maquetes e experimentos multissensoriais.
Em Camargo (2011), é apresentada uma análise de atividades de ensino de óptica desenvolvidas com estudantes com deficiência visual, a fim de propor não só possibilidades de inclusão destes no ensino de Física, mas também para contribuir para o ensino de estudantes videntes. Em sua tese de doutorado, Camargo (2005) descreve detalhadamente como elaborar e aplicar materiais didáticos, constituindose de recursos sonoros e/ou táteis, para o ensino de Física para alunos com deficiência visual, a respeito da aceleração e desaceleração de um objeto, comprovando melhora significativa no aprendizado dos alunos.
O mesmo autor está vinculado ainda a diversos trabalhos oriundos de pesquisas realizadas em contexto de pós-graduação, publicados em revistas e em anais de eventos, consolidando-se como um dos principais autores brasileiros quando se trata de ensino de Física para estudantes com deficiência visual. Por exemplo, Camargo e Silva (2003) abordam a confecção, a utilização e a relevância de materiais didáticos para ensinar conceitos da Física, tais como a queda de objetos, para alunos com deficiência visual, através dos sons dos objetos percorrendo o trajeto. No último EPEF, Silva e Camargo (2018a) apresentam uma análise do discurso de professores de Física que lecionam para alunas cegas, concluindo que, apesar da deficiência visual, há quatro sentidos compartilháveis entre cegos e videntes, proporcionando estratégias comunicacionais e conhecimentos científicos que não dependem da visão, que podem ocorrer pelos sentidos do tato, audição, olfato e paladar. Em outro trabalho, Silva e Camargo (2018b) relatam algumas dificuldades e contribuições do Atendimento Educacional Especializado em cursos de graduação em Física, destacando a importância da sistematização e do compartilhamento de informações de alunos que necessitam desse tipo de atendimento, facilitando a troca de experiências entre alunos, professores, gestores, familiares e comunidade, de forma a possibilitar reflexões e adequações no ensino.
Além destes trabalhos, destacamos outros autores que abordam a questão da deficiência auditiva e linguagem, como Cozendey, Costa e Pessanha (2013), que demonstram a possibilidade da inserção de vídeos bilíngues, em língua portuguesa e em Língua de Sinais Brasileira (LIBRAS) para ensinar um mesmo conteúdo de Física, no caso a Primeira Lei de Newton, ao mesmo tempo para todos os alunos, com ou sem deficiência auditiva.
Com relação ao uso dos sentidos, Azevedo e Santos (2014) destacam a importância da utilização de recursos táteis para o ensino de estudantes com deficiências visuais, com a utilização de quadros magnéticos e ímãs por alunos das disciplinas de Matemática e Física. Mota Filho (2015), também com base na produção de Éder Pires de Camargo, descreve a confecção e destaca a importância de maquetes táteis no ensino de Eletromagnetismo para alunos com deficiência visual, mencionando-o como grande referência da área. Nunes et al. (2018) ainda demonstram a possibilidade do ensino do conteúdo de Astronomia, na disciplina de Física, para alunos com deficiência visual com o auxílio da audição e do tato, por meio de maquetes didáticas e utilizando-se de áudios a respeito de cada uma.
Analogamente, Quintanilha e Barbosa-Lima (2018) verificam a possibilidade do ensino de Física, utilizando-se maquetes didáticas a respeito da patinação artística, apresentando o movimento físico em duas dimensões, confeccionado com tinta que apresenta alto relevo após secar, e em três dimensões, confeccionado com uma massa de modelar específica conhecida como biscuit , para que os alunos percebessem os conceitos da Física com a utilização do sentido tátil.
Com relação à inclusão e formação de professores, Teles e Portela (2018) destacam a dificuldade do ensino de cores para alunos cegos, por licenciandos de Física. As autoras descrevem alguns planos de ensino elaborados pelos graduandos, porém chegam à conclusão de que estes não estão e/ou não se sentem preparados para lecionar no ensino inclusivo, o que implica negativamente na aplicabilidade de propostas didáticas mal elaboradas. Finalizando, a respeito da produção de materiais pedagógicos de modo geral, Cruz et al. (2018) concluem que, para um ensino de qualidade, é necessário que o professor esteja disposto a se atualizar continuamente, a planejar cuidadosamente suas aulas, trabalhar em grupo e a reconhecer as diferenças, para trabalhá-las da melhor forma possível, criando materiais realmente significativos que promovam a inclusão e o conhecimento.
A partir deste ponto, iremos abordar os trabalhos que relacionam o ensino de Ciências com a inclusão de estudantes com necessidades especiais de caráter intelectual. Como já ressaltado, não foram encontrados trabalhos específicos que relacionam ensino de Física com estudantes com deficiências de ordem intelectual, portanto a busca foi expandida e foram encontrados alguns trabalhos que podem auxiliar nas reflexões para a fundamentação de pesquisas neste âmbito.
Apesar de não estar relacionado diretamente ao ensino de Ciências, o trabalho de Teodoro, Godinho e Hachimine (2016) pode se constituir numa importante fonte de informações sobre inclusão de estudantes com Transtorno de Espectro Autista (TEA). As autoras argumentam que o processo inclusivo vem ganhando espaço e peso na prática e para a formação de educadores nos últimos anos. Destacam que inserir um aluno com TEA no ensino regular exige capacitação, aperfeiçoamento e formação continuada de professores, apoio do estado, família e sociedade, inclusive da comunidade escolar, reconhecendo o indivíduo em suas especificidades e proporcionando um ambiente acolhedor.
Um trabalho que chamou a atenção aborda a trajetória de um aluno autista no Ensino Técnico em Informática de uma instituição federal (CARGNIN; FRIZZARINI; AGUIAR, 2018). O objetivo do referido estudo foi registrar o desempenho acadêmico e social de um aluno com TEA, ao longo de sua participação das atividades propostas na disciplina de Matemática. O sujeito, então com 15 anos, que foi diagnosticado com Síndrome de Asperger aos 9 anos, dizia considerar as disciplinas das ciências humanas muito complexas, apresentando 'facilidade para a área de exatas'. No decorrer do ano letivo a professora o motivava com o auxílio de um método específico, conhecido como TEACCH (acrônimo em inglês usado para designar Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com Deficiências relacionadas à Comunicação). Como resultados, os autores relatam que o estudante compreendia bem o conteúdo e tinha ótimo raciocínio, porém apresentava dificuldades para interagir em grupo e de expressar suas resoluções matemáticas na forma escrita, necessitando muitas vezes de acompanhamento especializado. Destacam ainda que, para trabalhar com alunos com TEA, é muito importante elaborar um bom planejamento, de acordo com as especificidades de cada aluno, além da necessidade de uma ação colaborativa entre professores, auxiliares e pais.
Barberini (2016), após destacar a importância das políticas que defendem a educação para todos, evidencia a impotência, frustração e angústia dos profissionais da educação em relação às limitações as quais estão submetidos, por não terem
suficiente conhecimento e apoio para elaboração de práticas adequadas para tal público. A autora destaca que é imprescindível que práticas antigas sejam revistas pelos docentes que trabalham com estas especificidades, partindo-se da disposição em adquirir novos conhecimentos sobre o assunto. A partir disso, relata a existência de práticas pedagógicas desenvolvidas pelas professoras observadas, para trabalhar nesse processo de inclusão de alunos com autismo, tais como cadernos de reforço, materiais de manipulação, materiais diferenciados com figuras, quadro de atividade diárias, representando o método TEACCH.
Ainda considerando a educação para a inclusão de uma forma mais ampla, Melo e Martins (2007) realizaram um levantamento em uma cidade na região nordeste, a fim de investigar como as instituições de ensino trabalham com estudantes com paralisia cerebral. Identificaram, portanto, duas escolas em que estudantes com diplegia e quadriplegia espástica estão matriculados. Contudo, apenas uma das escolas contempla um projeto político-pedagógico adequado para alunos com necessidades educacionais especiais. Os autores apontam que a adequação do ambiente físico aos alunos especiais precisa ser levada em consideração, pois a eliminação de obstáculos e barreiras para a sua locomoção assegura e é determinante para sua mobilidade com autonomia no espaço escolar.
- O já mencionado trabalho de Cruz, et al. (2018) se destaca também por propor passos para preparação de materiais didáticos para estudantes que possuem necessidades educacionais específicas (deficiência intelectual, síndrome de Asperger e autismo, as deficiências sensoriais, deficiência física, paralisia cerebral). Sugerem que tais passos devem ser seguidos levando-se em conta a tríade método, técnica e estratégia de abordagem, de modo que o professor planeje de acordo com as especificidades de seus estudantes.
Concluímos esta discussão, em caráter peliminar, apontando a pouca presença de trabalhos que abordam especificidades do ensino de Física na inclusão de estudantes com necessidade especiais de caráter intelectual. Enquanto há uma boa quantidade de pesquisas voltadas à estudantes com deficiência visual, há que se considerar a necessidade de aprofundamento na fundamentação que pode vir a subsidiar planejamento de práticas educativas para estudantes que possuem, por exemplo, síndrome de Down, TEA, entre outros.
## Considerações Finais
Ao concluir a análise dos trabalhos e obras levantadas nesta pesquisa, percebe-se que houve grande avanço nas pesquisas que envolvem ensino de Física e aprendizagem de estudantes com deficiência visual. Tal aspecto constitui-se num importante avanço, na medida em que se disponibilizam cada vez mais conhecimentos sobre estratégias metodológicas e possíveis recursos para subsidiar a prática de docentes que lecionam para estudantes com tais especificidades.
Contudo, neste estudo preliminar, não foram encontradas pesquisas mais completas sobre ensino de Física para estudantes com deficiências ou transtornos de natureza intelectual. Apenas um trabalho, apresentado no último EPEF menciona diversos tipos de deficiências (CRUZ et al., 2018), porém o faz numa perspectiva de apresentar princípios a serem levados em conta para elaboração de material didático para estudantes de inclusão, de um modo geral. Os demais trabalhos relacionados na análise abordam tais tipos de deficiência dentro do contexto educacional, porém sem relação direta com ensino de Física ou de Ciências. Trazer a discussão sobre tais trabalhos no presente artigo consiste em um movimento de compreensão das
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XVIII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física - 2020
autoras acerca das particularidades destes tipos específicos de necessidades especiais, a fim de fundamentar uma pesquisa de mestrado profissional que se encontra em fase de desenvolvimento.
Defende-se que é preciso produzir pesquisas que venham a subsidiar o trabalho de profissionais docentes da Física a fim de melhorar seus processos de ensino para este público, entendendo que há particularidades importantes acerca da aprendizagem de estudantes autistas e com síndrome de Down, por exemplo. É preciso compreender tais particularidades, refletir sobre processos educativos que as levem em conta, a fim de que se possam superar os obstáculos que se fazem presentes neste âmbito.
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