REFLEXÕES SOBRE O ENSINO DE FÍSICA INVESTIGATIVO PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL
Bernardo Copello Alves, Maria Da Conceição De Almeida Barbosa Lima, Deise Miranda Vianna
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2020
- Data
- 10/11/2020
- Linha de pesquisa
- Equidade, Inclusão, Diversidade E Estudos Culturais E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## REFLEXÕES SOBRE O ENSINO DE FÍSICA INVESTIGATIVO PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL
## REFLECTIONS ON INVESTIGATIVE PHYSICS EDUCATION FOR VISUAL DISABLED PEOPLE
Bernardo Copello Alves 1 , Maria da Conceição Barbosa-Lima 2 , Deise M. Vianna 3
1 FIOCRUZ / IOC, bernardocopelloalves@gmail.com 2 UERJ / IFADT e FIOCRUZ / IOC, mcablima@uol.com.br 3 UFRJ / IF e FIOCRUZ / IOC, deisemv@if.ufrj.br
## Resumo
É realidade a presença de pessoas com algum tipo de deficiência em nossa sociedade, sendo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a deficiência visual a mais representativa, acometendo algo em torno de 16,6 milhões de pessoas no Brasil. Dessa forma, este público se faz presente em nossas escolas regulares, sendo necessária a constante discussão da relação ensino e aprendizagem destes indivíduos em uma condição inclusiva. O presente trabalho busca refletir sobre o Ensino de Física em uma vertente investigativa para pessoas cegas ou com baixa visão, debatendo algumas possibilidades e alguns obstáculos. Com base em outros trabalhos, ressaltamos o fato de que o aluno com deficiência visual, a priori , não possui nenhuma incapacidade intelectual, tendo possibilidade de desempenho tal qual aqueles que enxergam, isto é, desde que atendido em suas especificidades. Nesse sentido, acreditamos na importância do Ensino de Física Investigativo para a formação cidadã do indivíduo no que se refere à Ciência e à Tecnologia, assim como pressuposto pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional em 1996. Tal perspectiva educacional, ao propor a problematização, corrobora com o professor para a formação de um senso crítico e reflexivo por parte de seu aluno.
Palavras-chave : Ensino de Física, Deficiência Visual, Ensino Investigativo, Educação Inclusiva.
## Abstract
The presence of people with some type of disability in our society is a reality, according to the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE), the most representative is the visual impairment, affecting around 16.6 million people in Brazil. Thus, this public is present in our regular schools, requiring the constant discussion of the teaching and learning relationship of these individuals in an inclusive condition. The present assingment aims to reflect on Physics Teaching in an investigative aspect for people who are blind or have low vision, discussing some possibilities and some obstacles. Based on other assignments, we emphasize the fact that the student with visual impairment, a priori, does not have any intellectual disability, having the possibility of performing just like those who see, that is, as long as they are met in their specificities. In this sense, we believe in the importance of
Investigative Physics Education for the individual's citizen formation with regard to Science and Technology, as well as presupposed by the Law of Guidelines and Bases of National Education in 1996. Such educational perspective, when proposing the problematization, corroborates with the teacher for the formation of a critical and reflexive sense on the part of his student.
Keywords : Physics Teaching, Visual Impairment, Investigative Teaching, Inclusive Education.
## Introdução
À primeira vista nossa sociedade é voltada para pessoas normovisuais 1 e a transformação dessa realidade aponta para a mudança de modelos já fixados. Entretanto, vivemos em uma sociedade com inúmeras diferenças, sejam elas físicas, culturais, sociais, políticas, filosóficas, religiosas, entre outras tantas pluralidades. Todavia é assegurado por leis, independentemente de qualquer característica, o acesso de todos os seres humanos a direitos essenciais à vida e ao desenvolvimento como pessoa.
No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no censo de 2010, aproximadamente 14,5% da população possui algum tipo de deficiência. Tal percentual equivale a algo em torno de 24,5 milhões de pessoas. Onde a deficiência visual é a mais representativa, acometendo algo em torno de 16,6 milhões de pessoas, das quais aproximadamente 160 mil são cegas, 2,4 milhões apresentam grande dificuldade para enxergar e 14 milhões apresentam alguma dificuldade para enxergar.
Nesse contexto, é realidade a presença de alunos com deficiência visual matriculados em classes de escolas regulares, principalmente após a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL, 1996). Desse modo, é muito importante a constante discussão da relação ensino e aprendizagem deste público, que rotineiramente sofre preconceito em relação à sua capacidade intelectual. Nas palavras de Camargo (2008):
A cultura de videntes evidencia uma concepção de senso comum acerca da deficiência visual, que, longe de ser neutra, normaliza estruturas físicas e atitudinais inadequadas à participação efetiva de pessoas com deficiência visual na vida diária. Existe, portanto, uma representação social da deficiência visual que fundamenta o enquadramento da pessoa cega ou com baixa visão nos contextos da anormalidade e da incapacidade. (p. 19).
Como posto pelo autor no fragmento acima, é comum em pleno século XXI, a interpretação errônea de uma grande parte da sociedade de que o cego é incapaz de construir conhecimentos. Nessa mesma vertente, muitas vezes ouvimos questionamentos do tipo: 'mas por que um cego precisa aprender Física, Química etc.'. Tal mentalidade é cruel ao tolher o indivíduo de inúmeras possibilidades e perspectivas, não só no campo da Ciência e da Tecnologia, mas também em outras áreas do conhecimento humano.
Somente a deficiência visual por si, não incapacita o indivíduo da premissa da construção do conhecimento. No entanto, cabe ressaltar que este indivíduo necessita de adaptações em sua relação ensino e aprendizagem, além de práticas
que permitam a sua acessibilidade de informações. Tais adequações metodológicas são necessárias para o indivíduo alcançar a construção do conhecimento e uma alfabetização científica eficaz (ALVES et al., 2019).
Nesse sentido, acreditamos na importância da alfabetização científica, uma vez que ela tem como proposta...
[...] um ensino que permita aos alunos interagir com uma nova cultura, com uma nova forma de ver o mundo e seus acontecimentos, podendo modificálos e a si próprio através da prática consciente propiciada por sua interação cerceada de saberes de noções e conhecimentos científicos, bem como das habilidades associadas ao fazer científico. (SASSERON; CARVALHO, 2011, p. 61).
Perante a esta discussão sobre alfabetização científica e sua importância para o indivíduo, fazemos neste trabalho uma reflexão sobre o ensino investigativo de Física para pessoas com deficiência visual e possíveis obstáculos nessa vertente.
## A Física e a condição visual do discente
A Física é uma ciência que estuda diversos fenômenos que ocorrem em nosso Universo, desde movimentos subatômicos até o comportamento de galáxias. Nesse contexto, muitos acontecimentos estudados não são visíveis ao olho humano, sendo alguns notados através de percepções sensoriais e outros apenas analisados através de modelos científicos.
Desse modo, a Física em alguns momentos rompe com padrões habituais e familiares para os estudantes, onde o aparente e a visão podem ser uma barreira a compreensão, caracterizando obstáculos epistemológicos. Uma vez que a primeira experiência não possui uma base, crítica e reflexiva, conveniente para a formação de um verdadeiro espírito científico (BACHELARD, 1996).
Neste contexto, Camargo (2008) chama atenção para a necessidade de superarmos a relação entre conhecer e ver; afirmando, que a visão não pode ser um pré-requisito para o conhecimento da Física, chegando a propor que sua ausência...
pode indicar alternativas ao ensino de Física, as quais enfocarão a deficiência visual não como uma limitação ou necessidade educacional especial, mas como perspectiva auxiliadora para a construção do conhecimento de Física por parte de todos os alunos. (p. 25-6).
Nesta perspectiva, é importante esclarecer que a deficiência visual não se limita à cegueira congênita ou adquirida. O grupo das pessoas com deficiência visual abrange desde indivíduos completamente cegos até aqueles que tenham suas faculdades visuais parcialmente limitadas, onde tais condições não podem ser corrigidas com uso de lentes ou com procedimentos cirúrgicos. Este esclarecimento é muito importante, pois interfere na interpretação de fenômenos físicos por parte do aluno, assim como na maneira como o professor irá trabalhar com esse estudante.
Ressaltamos a importância do professor conhecer o seu aluno, pois uma vez que o indivíduo seja diagnosticado como 'cego' ou 'baixa visão', não deve ser considerada apenas sua acuidade visual, mas também suas características físicas e psicológicas, avaliando o seu resíduo visual e a sua funcionalidade ao planejar aulas, trabalhos e avaliações (diagnóstico e prognóstico, acuidade visual para longe e perto, sensibilidade aos contrastes, visão para cores, etc.) (ALVES et al., 2019).
A partir do momento que no ambiente escolar os elementos visuais são fortemente utilizados, os outros sentidos ficam menosprezados, tornando-se quase inúteis. O que se acentua no Ensino de Ciências, onde é comum o uso de gráficos, tabelas e desenhos na resolução de problemas. No que se refere a alunos cegos ou com baixa visão, linguagens com estruturas puramente visuais não proporcionam as condições mínimas de acessibilidade às informações veiculadas (CAMARGO, 2016).
Sobre a perspectiva inclusiva para alunos com deficiência visual, para Tato (2016) é fundamental colocar em prática a percepção sensorial na relação entre ensino e aprendizagem. Isso corrobora com o ponto de vista de Soler (1999), pois segundo esse autor, a didática multissensorial, relativa aos sentidos humanos além da visão (tato, audição, visão, paladar e olfato), pode atuar como canal de entrada de informações importantes. Nessa perspectiva, a percepção do aluno deixa de ser apenas visual, o que é vantajoso para todos, independentemente de o indivíduo ter ou não alguma deficiência.
## Ensino Investigativo
A atividade investigativa pressupõe a problematização e desafios para os alunos que buscam ocasionar a reflexão e a argumentação por parte deles. Então é solicitado ao aluno pensar, argumentar, testar hipóteses, entender que o erro faz parte do processo de aprendizagem e comunicar-se entre seus pares.
- O ensino investigativo sempre nasce de uma questão ou pergunta problematizadora, que visa colocar em jogo as noções dos alunos sobre o fenômeno estudado, contribuindo para a interação discursiva entre alunos e professor (SASSERON e MACHADO, 2017).
Desse modo, o ensino investigativo contribui para a alfabetização científica e para uma leitura crítica do mundo por parte dos alunos, o que possibilita a transformação de sua realidade (FREIRE, 2006). O trabalho investigativo constitui uma estratégia pedagógica com potencial inovador, porquanto possibilita o trabalho em grupo, a pesquisa e a construção de novos conhecimentos e, por isso também, potencializadora de aprendizagens mais amplas e significativas para os educandos (MALHEIRO e FERNANDES, 2015).
Sobre o ensino investigativo para alunos com deficiência visual em uma perspectiva inclusiva no ensino médio, podemos citar como exemplo prático de aplicação em sala de aula, dois trabalhos apresentados no XXIII Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF, 2019). No primeiro, Fernandes, Vianna e Pimentel (2019) relatam uma atividade investigativa e inclusiva sobre conceitos iniciais de magnetismo. Já no segundo, Ferreira, Vianna e Gaspar (2019) relatam outra atividade investigativa e inclusiva sobre fenômenos ondulatórios. Em ambos os trabalhos, os autores escrevem que a propostas valorizaram os processos de argumentação, tanto para alunos com deficiência visual quanto para alunos normovisuais. A seguir discutiremos cada um destes trabalhos de forma breve.
No trabalho de Fernandes, Vianna e Pimentel (2019), ou autores aplicaram um roteiro de atividade inclusiva para uma turma da terceira série do ensino médio de uma escola pública federal do Rio de Janeiro, onde havia alunos cegos e com baixa visão, além de normovisuais. Durante a atividade, todos os alunos normovisuais da turma estiveram com os olhos vendados, de modo que a visão não fosse um fator facilitador para resolver as situações problemas propostas à turma.
Alguns dados foram coletados e análises iniciais mostraram que a proposta valorizou os processos de argumentação, permissa para uma alfabetização científica. Segundo os autores, os problemas foram resolvidos de forma colaborativa, hipóteses foram levantadas e os conceitos de Física, envolvendo campo magnético e força magnética, foram assimilados de forma satisfatória.
No artigo apresentado por Ferreira, Vianna e Gaspar (2019), os autores utilizaram a didática multissensorial de Soler (1999) aplicada à Física ondulatória. O objetivo foi elaborar um material didático inclusivo que levasse o aluno do ensino médio, com ou sem deficiência visual, compreender o que são fenômenos ondulatórios. Embora seja uma proposta, cuja sequência de aulas tenha sido um pouco diferente do que a que se conhece, e é apresentada na maioria dos livros didáticos, os autores relatam que ao utilizarem uma proposta de Ensino de Física através de investigação, puderam observar uma boa aceitação e compreensão dos fenômenos estudados por todos os alunos, tanto os normovisuais quanto os com deficiência visual.
## Algumas Possibilidades
O desenvolvimento cognitivo de uma pessoa com deficiência visual não é limitado, apenas apresenta particularidades, que devem ser estimuladas desde o nascimento do indivíduo. Segundo Farias (2004), a criança que nasceu com deficiência visual deve ser estimulada de maneira diferente, sendo apresentada a uma grande quantidade de estímulos que envolvam a audição e o tato, para que assim possa se desenvolver à sua maneira. Desta forma, esses sentidos se desenvolverão em conjunto, repercutindo em suas ações motoras.
Este pensamento corrobora o que Vigotski descreve sobre a cegueira. As obras desse autor sustentam que uma criança com defeito 2 não é necessariamente uma criança deficiente, mas sim uma criança que precisa superar esse defeito tomando caminhos alternativos (VIGOTSKI, 1997). Nas palavras do autor:
Os processos de compensação não estão orientados a completar diretamente o defeito, o que na maior parte das vezes é impossível, e sim a superar as dificuldades que o defeito cria. Tanto o desenvolvimento quanto a educação da criança cega não tem tanta relação com a cegueira em si, como com as consequências sociais da cegueira. (VIGOTSKI, 1997, p.19).
Nesse contexto social, a Educação Inclusiva ganha bastante destaque. Apesar da inclusão ser proposta atualmente com grande força, muitas pessoas ainda não compreendem o que significa viver e conviver de maneira inclusiva, como afirmam Sala e Amadei (2013). As autoras afirmam que:
A inclusão social faz parte de um projeto que visa incluir em todos os espaços sociais aquelas pessoas que se encontram à margem da sociedade. (...) um mundo que se queira de fato democrático, em que todos tenham voz e voz de boa qualidade e em prol do bem comum em detrimento de interesses pessoais ou de grupos, baseado nos princípios da tolerância, solidariedade, equidade de oportunidades e igualdade de direitos e deveres. (2013, p. 32-3).
Pode-se dizer que a educação escolar inclusiva diz respeito à atuação de todos os envolvidos no processo educacional: professores, alunos, pais e a escola
como um todo. De modo que sejam construídas condições favoráveis à entrada e à permanência do indivíduo no ambiente escolar.
Barbosa-Lima, Catarino e Tato (2016) chamam atenção para a importância da formação inicial de professores com um conhecimento mínimo para atuar neste cenário, do uso de uma linguagem verbal mais detalhada, de modo a substituir informações visuais na medida do possível e do uso de experimentos adaptados para que ocorra uma real inclusão desse público em escolas regulares. Os autores ainda chamam atenção para o fato destes alunos possuírem uma habilidade háptica (relativa ao tato) mais aguçada do que os normovisuais.
Nessa perspectiva, é importante ressaltar que o professor, mesmo em uma aula com uma proposta investigativa, possa ter a necessidade de utilizar uma fórmula, uma figura ou um gráfico, informações normalmente acessíveis pela visão da lousa (TATO, 2009). O que requer uma áudio descrição cuidadosa e/ou a utilização de algum material tátil, caso exista algum aluno cego ou com baixa visão em sua turma. O que permitirá a tal indivíduo a compreensão da atividade, para ser possível a transição à problematização e à argumentação em sala de aula na busca de uma alfabetização científica.
## Discussões e Considerações Finais
- O presente trabalho, em uma perspectiva teórica, busca refletir sobre a possibilidade de um ensino investigativo de Física para pessoas com deficiência visual, discutindo possíveis obstáculos e caminhos viáveis. Não temos a pretensão de encontrar uma resposta fechada, mas sim, trazer uma discussão sobre este tema tão desafiador em nosso cenário educacional.
Com base no que foi aqui discutido, a pessoa cega ou com baixa visão não possui nenhum entrave para a construção do seu conhecimento. Como afirma Camargo (2008), é necessária a superação da relação entre conhecer e ver. É importante frisar que a pessoa com deficiência visual não possui, a priori , limitações cognitivas. Nesse contexto, segundo Vigotski (1997), o fator social é importante para a construção de caminhos alternativos por parte do indivíduo no que se refere à superação de limitações relativas à deficiência.
Nesta perspectiva social, a Educação Inclusiva é uma poderosa proposta educacional, uma vez que abre um leque de oportunidades de desenvolvimento para o indivíduo com cegueira ou baixa visão, quando comparado ao ensino exclusivamente entre seus pares. Entretanto, ainda precisamos superar inúmeras barreiras para uma real inclusão, tais como o implemento de políticas públicas na área, a capacitação de profissionais da área educacional, a superação de preconceitos e uma fiscalização efetiva no que se refere ao cumprimento de legislações sobre o tema.
Todavia, o ensino de Física para pessoas com deficiência visual requer adaptações e estratégias planejadas. O que evidencia a necessidade de o professor entender as possibilidades e limitação de seu aluno, para a realização do planejamento de suas aulas, trabalhos e avaliações. Assim sendo, a didática multissensorial, proposta por Soler (1999), vem a ser uma grande aliada. Para exemplificar tal prática, pode-se citar o uso de materiais táteis e áudio descrições. As primeiras priorizam o tato e as outras a audição, podendo ser suporte para uma prática investigativa.
No que tange a alfabetização científica, o ensino investigativo é aliado para a formação cidadã do indivíduo, como é solicitada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL, 1996). Como nos dizem, Sasseron e Carvalho (2011), o ensino por investigação pressupõe a problematização, o levantamento de hipóteses, a argumentação, os questionamentos e as discussões, que são alicerces da construção de uma alfabetização científica. Dessa forma, tal perspectiva se torna aliada do docente para uma formação de um senso crítico e reflexivo por parte do seu aluno. Onde reforçamos o compromisso do professor com a formação para a cidadania de todos os seus alunos.
No que se refere a obstáculos epistemológicos no Ensino de Física, conforme a visão de Bachelard (1996), eles são comuns a todos os alunos, ou seja, aqueles com ou sem algum tipo de deficiência. Tal fato se deve ao motivo de muitas vezes a Física romper com o cotidiano dos alunos. Desse modo, em alguns casos, normovisuais e cegos podem estar em igualitárias condições, como por exemplo no estudo de modelos atômicos, uma vez que nenhum aluno de ensino médio consegue enxergar um átomo em seu cotidiano.
Sabemos que seria demagogia falar que é fácil a implementação de uma didática inclusiva e investigativa. Ainda mais em nossa realidade, onde os professores enfrentam tantos problemas, tais como baixa remuneração, falta de recursos apropriados, violência etc. Contudo, nesse trabalho tivemos como objetivo buscar uma reflexão sobre este tema desafiador, porém com um potencial promissor na área do Ensino de Física.
Por fim, mas não menos importante, acreditamos na importância de pesquisas e discussões relacionadas ao Ensino de Física para pessoas não só com deficiência visual, mas com qualquer outro tipo de necessidade educacional especial, uma vez que esse público é uma realidade em nossa sociedade e sua inclusão escolar é assegurada por lei.
## Referências
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.