Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

REFLEXÕES SOBRE A CIÊNCIA E A SUA REPRESENTAÇÃO EM FILMES DE FICÇÃO CIENTÍFICA

Celso Luiz Mattos, Alice Helena Campos Pierson

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XVIII
Ano
2020
Data
10/11/2020
Linha de pesquisa
Comunicação Em Práticas Educativas Formais, Informais E Não Formais E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do EPEF 2020

Texto completo

## REFLEXÕES SOBRE A CIÊNCIA E A SUA REPRESENTAÇÃO EM FILMES DE FICÇÃO CIENTÍFICA

## REFLECTIONS ABOUT SCIENCE AND YOUR REPRESENTATION IN SCIENCE FICTION MOVIES

## Celso Luiz Mattos 1 , Alice Helena Campos Pierson 2

1 UFSCar/Programa de Pós Graduação em Educação, celsoluizmattos@gmail.com 2 UFSCar/DME/ Programa de Pós Graduação em Educação, apierson@ufscar.br

## Resumo

Este trabalho traz a análise da representação de ciência de um grupo de obras cinematográficas do gênero de ficção científica. Olhar para a Ciência e a atividade científica contida em um determinado filme possibilita perceber como ela está sendo representada e a quais valores e visões de mundo é associada de forma a, ao evidenciar essas representações, possibilitar refleti-las e questioná-las. Com esse estudo foi possível propor análises de quatro obras, Gravidade (2013), Operação Big Hero (2014), Ex\_Machina (2015) e Perdido em Marte (2015). Foi utilizado o instrumento de análise proposto por Piassi (2007) que permitiu identificar nas obras os elementos contrafactuais e polos temáticos em relação à ciência, perceptíveis no gênero literário de ficção científica. Ao realizar as análises dos filmes foi possível notar que a identificação dos elementos contrafactuais evidencia fenômenos e conceitos científicos, enquanto a identificação dos polos temáticos possibilita estabelecer relações entre Ciência, Tecnologia e Sociedade. As análises foram feitas visando propor elementos que possam contribuir com o planejamento de atividades didáticas para o ensino de ciências que contem com obras cinematográficas e se proponham a trabalhar uma visão crítica sobre a atividade científica. Pretendendo assim, um ensino de ciências que ofereça novos significados sobre a ciência e a tecnologia nas suas relações com o contexto social, político, econômico e cultural. Este estudo é relevante por discutir meios de analisar filmes de ficção científica com o objetivo desenvolver uma visão crítica em relação à ciência.

Palavras-chave : Ensino de Ciências; Cinema Educação; Ficção Científica.

## Abstract

This work presents the analysis of the science representation of a group of cinematographic works of the science fiction genre. Looking at Science and the scientific activity contained in a given film makes it possible to perceive how it is being represented and what values and worldviews associated with it, by showing it, it is possible to reflect and question it. With this study it was possible to propose analyzes of four works, Gravidade (2013), Operation Big Hero (2014), Ex\_Machina (2015) and Perdido em Marte (2015). The analysis instrument proposed by Piassi (2007) was used, which allowed us to identify in the works the counterfactual elements and thematic poles in relation to science that can be perceived in the science fiction literary genre. When performing the analysis of the films it was

possible to notice that the identification of counterfactual elements evidences scientific phenomena and concepts, while the identification of the thematic poles makes it possible to establish relations between Science, Technology and Society. In addition, the analysis instrument used has the potential to be used as a methodology in science teaching for the analysis of science fiction films. The analyzes were made in order to discuss elements that can contribute to the planning of didactic activities for the teaching of sciences that rely on cinematographic works and with a critical view on scientific activity. In this way, teaching science that offers new meanings about science and technology in its relations with the social, political, economic and cultural context. This study is relevant for discussing ways to analyze science fiction films in order to develop a critical view of science.

Keywords : Science teaching; Cinema Education; Science fiction.

## Introdução

A escola é uma instituição capaz de agir diretamente na cultura de seus jovens. A cultura, aprendida através da educação formal e informal, é um complexo entre 'conhecimento, crença, arte, lei, moral, costumes e quaisquer outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade.' (SANTAELLA, 2003, p. 37) Além, a cultura pode ser entendida como o que um grupo pensa e faz em um determinado tempo e espaço e, que além de ser resultado da ação humana, a cultura também produz e conduz a essa ação. Saviani (2001) argumenta que

(...) a cultura não é outra coisa senão, por um lado, a transformação que o homem opera sobre o meio e, por outro, os resultados dessa transformação. Portanto, se o homem nasce num contexto determinado, ele não é condicionado unilateralmente por este meio mas reage a ele, atua sobre ele e o transforma. (SAVIANI, 2001, p.2)

Como aponta Kellner (2001), a cultura contemporânea é fortemente influenciada pelas mídias de informação e comunicação, estas auxiliam na promoção de comportamentos, pensamentos e sentimentos, além de negociar com seus consumidores seus desejos, seus medos e suas crenças. O autor argumenta que as mídias atuam diretamente para a divulgação, reforço e manutenção de ideologias, posições, representações sociais e políticas dominantes e, também, como uma forma de resistência às forças hegemônicas.

A indústria cinematográfica, considerada um elemento da indústria cultural, produz produtos culturais que contribuem para a cultura das mídias. Assim, a reflexão crítica de filmes para e na educação pode propiciar um diálogo direto com professores, alunos e os produtos culturais que circulam pela cultura da mídia. De acordo com o autor

(,,,) entender o porquê da popularidade de certas produções pode elucidar o meio social em que elas nascem e circulam, podendo, portanto, levar-nos a perceber o que está acontecendo nas sociedades e nas culturas contemporâneas. (KELLNER, 2001, p.14)

Desta forma, este trabalho buscou refletir sobre o que é ciência e como a ciência é representada em filmes do gênero de ficção científica. A análise de filmes de ficção científica, e que trazem a ciência e o cientista em ação, pode nos ajudar a entender como a ciência é vista na contemporaneidade, podendo, assim, nos ajudar a evidenciar valores, comportamentos e ideologias associadas à atividade científica.

## Sobre a Ciência

A Ciência é altamente valorizada pelas sociedades modernas. O predicado científico é utilizado de forma mágica para conceder valor e tornar confiável um produto, uma matéria no jornal ou o anúncio de governantes. Mas o que confere tal valor à ciência? Chalmers (1993) e Fourez (1995) atribuem essa valorização a uma visão ingênua sobre o processo de construção e desenvolvimento do conhecimento científico.

Nesta visão ingênua, ou de senso comum, podem aparecer visões distorcidas sobre a natureza da ciência (GIL-PEREZ, 2001). Segundo essas visões a atividade científica é vista como neutra, produzindo conhecimentos que não estão atrelados a nenhum interesse particular, dando à ciência um status de instituição moralmente superior. A visão ingênua sobre a natureza da ciência é limitante.

É comum, ainda, atribuir à atividade científica um método científico, comum a todas as áreas da ciência, baseado em um algoritmo rígido que garante exatidão, bastando segui-lo para se chegar à verdade absoluta. Desta forma, o trabalho científico não comporta a criatividade, a tentativa, o erro, a dúvida e as crises existentes ao longo da construção do conhecimento científico. Ao contrário, os conhecimentos 'descobertos' pela ciência aparecem, no senso comum, de forma dogmática, descontextualizados das questões sociais que lhe deram origem, desconsiderando as crises e evoluções sofridas pelos conceitos científicos ao longo da história. Assim, é privilegiada uma visão em que a ciência cresce linearmente através do acúmulo de conhecimento, como se não existissem conflitos entre teorias.

Como aponta Morin (2005) o conhecimento científico não é cumulativo e linear, mas passa por transformações e rupturas entre modos de se compreender o mundo, de uma teoria para outra. De acordo com o autor, por exemplo, as teorias científicas aceitas não devem ser vistas como verdadeiras, mas como as mais adequadas para o estado do conhecimento de uma época.

Nesse contexto as forças políticas e econômicas agem ativamente nesse processo de manutenção das relações de poder. Fourez (1995) aponta que a necessidade mercantil da burguesia de um discurso claro, prático e direto, que seja compreensível em diversos locais e para diferentes povos, influenciou a ciência do séc. XVII. Para o autor a ciência moderna, e sua objetividade, trazem a ideia do discurso universal. Essa objetividade, então, nada mais é do que uma maneira de ver e representar o mundo em que sejam destacados os aspectos globais. Cria-se

uma representação mental que pode ser isolada, interiorizada e comunicada independente da cultura local do indivíduo.

Essa maneira objetiva de ver o mundo, entendida como cultura científica, diz respeito à linguagem, representações, simbologia, termos e as práticas partilhadas pelos cientistas de uma determinada área. Isso permite que dois cientistas de países distintos possam trocar informações sobre uma determinada experiência ou fenômeno, e serem compreensíveis um ao outro. Nesse sentido aprender uma ciência significa tornar compreensível e familiar a representação de mundo que essa ciência proporciona.

Enquanto isso, a Ciência elimina o sujeito do conhecimento científico ao separar fato de valores. Isso resulta que a ciência, por princípio, é irresponsável. Morin (2005) faz a denúncia de que a ciência não é capaz de pensar cientificamente sobre o seu papel social. O 'método científico' que parece ser tão poderoso não possui condições de pensar sobre a própria ciência, a fim de se conhecer e se pensar.

## Criticidade e Ensino de Ciências

Muito se debate sobre a necessidade de educar cientificamente os cidadãos para a tomada de decisões críticas que envolvam a ciência e tecnologia, uma vez que temas científicos permeiam a sociedade contemporânea. Essa preocupação começa a surgir na década de 70 com os currículos CTS (Ciência-TecnologiaSociedade) que têm como objetivo principal promover uma educação científica para a cidadania, em que os conteúdos abordados são socialmente contextualizados. Currículos com ênfase CTS valorizam a ciência como construção humana, histórica e socialmente contextualizada, que interfere no ambiente e nos indivíduos e que mantém relações com tecnologias, e almejam desenvolver habilidades relacionadas à tomada de decisão sobre questões sociais que envolvem a ciência e a tecnologia, reconhecendo o aluno como um ser capaz de tomar decisões conscientes em sua vida (SANTOS e MORTIMER, 2009).

Desta forma, o ensino de ciências, assim como de cada componente curricular, tem a função social de preparar os estudantes para uma vida digna e para a compreensão e transformação da realidade. Realidade essa na qual os estudantes já estão envolvidos e devem ser sujeitos atuantes.

Santos e Mortimer (idem) indicam que o ensino de ciência em uma perspectiva CTS permite compreender a ciência nos seus aspectos filosófico, sociológico, histórico, político, econômico e humanista. Essa compreensão ampla sobre o que é a ciência é o objetivo central do ensino de ciências CTS. Da mesma forma Cunha (2017) defende que um dos objetivos da educação científica é proporcionar ferramentas para que os cidadãos tomem decisões críticas e embasadas sobre questões que envolvem a ciência e a tecnologia, e não que suas decisões sejam feitas a partir de crenças extremistas de que ciência e tecnologia só trazem benefícios ou só malefícios. Mas que possam compreender de maneira

crítica como a esfera científica interfere nas mais diversas esferas da sociedade. O ensino de ciência precisa evidenciar o papel social da ciência explorando aspectos sociais, políticos, históricos, econômicos, éticos e culturais que envolvam ciência e tecnologia. Dessa forma, o ensino de ciências pode contribuir para a transformação de homens e mulheres para que se tornem críticos em relação aos aspectos amplos da ciência e da tecnologia na sua relação com a sociedade.

## Ficção Científica em foco

Obras cinematográficas estão ligadas ao contexto sócio cultural na qual são construídas (KELLNER, 2001; NAPOLITANO, 2003; OLIVEIRA, 2006; PIASSI, 2007). Assim, os medos e anseios de uma geração e de grupos específicos são representados através de sua produção humana (cultura, economia, política, ciência) . Se em um determinado período a preocupação política foi a corrida espacial, isso teve impactos sociais e econômicos que moldaram a 'Nova' Ordem Mundial. Impactou, consequentemente, as produções culturais uma vez que as principais obras de ficção científica no período da corrida espacial e período posterior trabalham com a temática da viagem espacial, muitas delas sendo especulações sobre novos mundos e civilizações. Arrisco dizer que as próximas produções cinematográficas de ficção científica irão buscar inspiração nos recentes acontecimentos envolvendo a COVID-19, podendo contar e recontar a história, criar heróis e vilões, imaginar sociedades despóticas ou utópicas pós pandemia, propor novos seres que surgiriam em mutação com o vírus, entre tantas outras possibilidades.

São diversos os autores que refletem o cinema como forte atrativo para o público adolescente, e que este pode fornecer condições favoráveis para potencializar e contextualizar o ensino de ciências (DANTAS, 2006; PIASSI e PIETROCOLA, 2007; 2008; PIASSI, 2007). E, como constatado em pesquisa realizada pela UNESCO, adolescentes dedicam mais horas assistindo a programas em diferentes mídias do que em atividades escolares (CARRERA e ARROIO, 2011), o que nos leva a pensar que estratégias de ensino que incorporem filmes, e outros produtos midiáticos, podem auxiliar a escola a ressignificar as mensagens transmitidas por esses produtos midiáticos consumidos pelos adolescentes.

Piassi (2007, p.21) reflete que 'a ficção científica parece trazer consigo a expressão de concepções em relação a conceitos e leis científicas, à atividade científica, à natureza da ciência e sua relação com a sociedade.' Perspectiva que vê nos filmes questões referentes à ciência que precisam ser refletidas, questionadas e discutidas, como por exemplo, reflexões sobre os limites éticos e morais do desenvolvimento e aplicação de conhecimento científicos, e os interesses políticos/econômicos da pesquisa científica. Santos e Mortimer (2009, p.192) argumentam que através de 'conteúdos problematizados culturalmente' é possível despertar o 'processo constante de reflexão sobre o papel social da ciência.'

Refletindo sobre as potencialidades da ficção científica para o ensino de

ciências, Piassi (2007) propõe este gênero para trabalhar temas científicos no ensino de ciências e ampliar os olhares para a ciência e seus agentes. Defende o uso desse gênero em uma perspectiva que vai além de identificar erros e/ou acertos no desenvolvimento de conteúdos científicos, incluindo questões sobre as relações da ciência com a tecnologia e a sociedade. O autor sistematizou um instrumento de análise que permite evidenciar e refletir sobre aspectos próprios da ficção científica. Sua discussão gira em torno dos 'elementos contrafactuais' e os 'polos temáticos' que obras de ficção científica podem apresentar, para que assim sejam feitas relações mais profundas entre o social, o cultural e o científico contidos nela, o que evidencia suas potencialidades para o ensino de ciências.

Elementos contrafactuais são todos elementos da ficção científica capazes de nos causar estranheza, principalmente, por não atenderem às nossas expectativas, indo contra os fatos. Podem ser classificados como seres, objetos/artefatos, instituição e ambiente. Para cada elemento são atribuídas características específicas, por exemplo, os seres possuem poderes, os objetos possuem propriedades, as instituições possuem leis e procedimentos e o ambiente manifesta fenômenos. De acordo com o autor, identificar os elementos contrafactuais e as suas características ajuda a compreender a dinâmica da obra, pois são estas características que delimitam o que é logicamente possível e esperado dentro da trama. Entendemos que os elementos contrafactuais podem nos ajudar na análise de uma obra de ficção científica por permitirem compreender a sua coesão lógico-causal principalmente no que se refere à sua lógica científica, o que possibilita trazer à luz a natureza da ciência contida na obra.

Os polos temáticos caracterizam a obra de acordo com a sua visão sobre a ciência e estes se apresentam em dualidade. Temos o polo eufórico e seu oposto polo disfórico, e temos o polo existencial-filosófico e o seu oposto polo materialeconômico. O polo eufórico diz respeito a uma visão otimista, entusiasta e de confiança com a ciência e a tecnologia, enquanto o polo disfórico diz respeito a uma visão pessimista, receosa e desconfiada. Enquanto o primeiro polo traz a visão da ciência como o campo de conhecimento que resolve problemas práticos ou complexos, o segundo polo traz a visão da ciência como uma atividade que também traz problemas para as pessoas e para a sociedade. O polo existencial-filosófico vê a ciência como a busca para respostas filosóficas e existenciais da humanidade. É a visão da ciência que busca conhecer para conhecer. O polo material-econômico, por sua vez, vê a ciência e tecnologia relacionadas ao progresso, conforto e bem-estar material, tal como suas relações com a economia. Assim, o desenvolvimento da ciência está diretamente ligado com o desenvolvimento de tecnologias que atingem as esferas políticas, econômicas, culturais e sociais.

Identificar os polos temáticos de uma obra de ficção científica auxilia trazer à luz qual a visão de ciência presente nessa obra, ou ainda ver quais os conflitos entre as diversas visões de ciência presente na obra e qual visão prevalece ao seu final.

## Resultados e discussão

Este trabalho objetivou analisar as seguintes obras de ficção científica: Gravidade (2013), Operação Big Hero (2014), Ex\_Machina (2015) e Perdido em Marte (2015).

Nosso olhar durante as análises não esteve na esfera fenomenológica da ciência, mas sim na esfera procedimental e atitudinal. Isso significa que buscamos olhar as inter-relações da ciência com a tecnologia e sociedade. Vimos que essas relações podem não ser explícitas, como em Big Hero e Gravidade, ou aparecer com maior expressividade, como Ex\_Machina e Perdido em Marte. Nos dois primeiros a Ciência aparece como uma roupagem utilizada para dar contexto, o fazer científico não é o foco. Enquanto nos dois últimos a atividade científica é muito evidente e o resultado dessa atividade é o foco das atenções a todo o momento.

A atividade científica como uma atividade de colaboração é mostrada em Big Hero, Gravidade e Perdido em Marte, enquanto em Ex\_Machina uma tecnologia capaz de extinguir a humanidade é desenvolvida por apenas um gênio solitário. Em todos os filmes a figura masculina é predominante na figura do herói, ainda que em Gravidade a Dra. Stone seja uma personagem principal ela aparece como novata e inexperiente em oposição ao veterano Kowalski.

Em questão de diversidade o filme Big Hero se destaca, na equipe existem mulheres, americanos, orientais, afrodescendentes, crianças e idosos. O filme Perdido em Marte também apresenta a atividade científica com grande diversidade de pessoas e equipes, mostrando que a Ciência não é feita de gênios isolados e, embora tenha a figura de Rich Purnell como um cientista excêntrico que resolve o problema da NASA através de uma equação matemática, não é essa a imagem de ciência predominante na obra.

Apesar desse trabalho ser de natureza teórica, estiveram presentes questões relacionadas ao ensino de ciências e à prática docente. Questões relacionadas ao como transpor didaticamente filmes de ficção científica para ensino de ciências e o que trabalhar de forma sistemática no ensino de ciências com o objetivo de desenvolver criticidade em relação à Ciência. Assim, ao final do processo de análises dos filmes, nos parece que a ação de buscar interpretar um filme com foco na atividade cientifica e nas suas relações com as esferas sociais, culturais e políticas é uma ação capaz de treinar o olhar crítico frente a duas produções culturais: obras cinematográficas e a atividade científica.

O instrumento de análise usado pode, inclusive, servir como ponto de partida para a elaboração de atividades didáticas alinhadas com a perspectiva de ensino. Assim, olhar para os elementos contrafactuais e como eles se constroem dentro da narrativa é possível abordar questões fenomenológicas da ciência, e os polos temáticos permitem explorar o lado social da ciência. Desenvolver esse olhar crítico, que ultrapassa os muros da escola e penetra nas atividades culturais, é um dos objetivos da educação básica e do ensino de ciências.

## Referências

CARRERA, V. M. ; ARROIO, A. . Filmes Comerciais no Ensino de Ciências: Tendências no ENPEC entre 1997 e 2009 .. In: VIII ENPEC, Campinas - SP. Atas do VIII ENPEC. Campinas - SP: UNICAMP, 2011.

CHALMERS, A. F. O que é ciência afinal? Editora Brasiliense. São Paulo, 1993.

CUNHA, RODRIGO BASTOS. Alfabetização científica ou letramento científico?: interesses envolvidos nas interpretações da noção de scientific literacy. Rev. Bras. Educ., Rio de Janeiro , v. 22, n. 68, p. 169-186, Mar. 2017

FOUREZ, GERARD. A CONSTRUÇÃO DAS CIÊNCIAS: Introdução à Filosofia e à ética das ciências. (Trad. Luiz Paulo Rouanet). São Paulo: UNESP, 1995.

GIL-PÉREZ, D. et al. Para uma imagem não deformada no ensino de Ciências . Revista Ciência e Educação, Bauru, v. 7, n. 2, p. 125-153, 2001.

KELLNER, Douglas. A cultura da mídia - estudos culturais: identidade e política entre o moderno e o pós-moderno , Bauru, SP, EDUSC, 2001, 454 pp.

MORIN, E. (1990) Ciência com Consciência. (Trad. Maria D. Alexandre e Maria Alice Sampaio Dória). 8ª ed. - Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.

NAPOLITANO, Marcos. Como usar o cinema na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2003.

OLIVEIRA, B. J.: Cinema e imaginário científico. História, Ciências, Saúde Manguinhos, v. 13 (suplemento), p. 133-50, outubro 2006.

PIASSI, L. P. & PIETROCOLA, M. Possibilidades dos filmes de ficção científica como recurso didático em aulas de Física: a construção de um instrumento de análise. Anais: X EPEF. Londrina, 2006. Disponível em: <http://www.sbf1.sbfisica.org.br/eventos/epef/x/sys/resumos/T0047-1.pdf> Acesso em: 08/05/2020

PIASSI, L. P. de C. . Contatos: a ficção científica no ensino de ciências em um contexto sociocultural. São Paulo/SP, Universidade de São Paulo, USP, 2007. 462p. Tese de Doutorado. (Orientador: Mauricio Pietrocola Pinto de Oliveira)

SANTOS, W. L. P.; MORTIMER, E. F Abordagem de aspectos sociocientíficos em aulas de Ciências: possibilidades e limitações . Investigações em Ensino de Ciências, 14(2), pp.191-218, 2009.

SANTAELLA, L. Culturas e artes do pós-humano: da cultura das mídias à cibercultura. São Paulo: Paulus, 2003.

SAVIANI, D.. Ética, educação e cidadania . PhiloS - Revista Brasileira de Filosofia de 1o. Grau, Florianópolis - SC, v. Ano 8, n.15, p. 19-37, 2001. Disponível em: < http://portalgens.com.br/portal/images/stories/pdf/saviani.pdf> Acesso em: 08/05/2020

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.