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ESTRATÉGIAS NO ENSINO DE FÍSICA PARA SURDOS: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA NOS ANAIS DO SNEF

Ellen Cristine Prestes Vivian, André Ary Leonel

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XVIII
Ano
2020
Data
13/11/2020
Linha de pesquisa
Equidade, Inclusão, Diversidade E Estudos Culturais E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ESTRATÉGIAS NO ENSINO DE FÍSICA PARA SURDOS: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA NOS ANAIS DO SNEF

## STRATEGIES IN TEACHING PHYSICS TO THE DEAF: A BIBLIOGRAPHIC REVIEW IN THE ANNALS OF SNEF

Ellen Cristine Prestes Vivian , André Ary Leonel 1 2

1 Universidade Federal do Rio Grande do Sul/ Doutoranda do Programa de Pós Graduação em Ensino de Física/ ellencristinevivian@outlook.com

2 Universidade Federal de Santa Catarina/ Metodologia de Ensino/ aryfsc@gmail.com

## Resumo

Com a intenção de investigar quais produções didáticas e estratégias de ensino de Física na educação de surdos têm se constituído no Brasil e como estas contribuem no processo de acessibilidade e inclusão dos alunos surdos, realizamos uma revisão bibliográfica nos anais de um dos maiores eventos nacionais da área: o Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF). A pesquisa foi qualitativa e utilizamos a análise de conteúdo para o tratamento dos dados. Assim, emergiram três categorias, a saber: i) Criação de Sinais; ii) Tecnologias, iii) Atividades Experimentais. Percebemos nos últimos anos uma intensificação nas pesquisas envolvendo práticas em sala de aula inclusiva e com produção de materiais didáticos visuais, principalmente com a criação de sinais. Por outro lado, persiste uma barreira na comunicação entre os sujeitos envolvidos no processo (alunos, professores de Física e intérpretes), evidenciando a necessidade de se investir na formação e capacitação de Intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) e dos professores de Física.

Palavras-chave : Ensino de Física, Estratégias de Ensino, Surdos.

## Abstract

With the intention of investigating which didactic productions and teaching strategies of Physics in the education of the deaf has been constituted in Brazil and how they contribute to the process of accessibility and inclusion of deaf students, we carried out a bibliographic review in the annals of one of the biggest national events in the area: the Symposium National Teaching of Physics (SNEF). The research was qualitative and we used content analysis for data treatment. Thus, three categories emerged, namely: i) Signal Creation; ii) Technologies, iii) Experimental Activities. We have noticed in recent years an intensification of research involving practices in an inclusive classroom and with the production of visual teaching materials, mainly with the creation of signs. On the other hand, there is a barrier in communication between the people involved in the process (students, physics teachers and interpreters), highlighting the need to invest in the training and qualification of Brazilian Sign Language Interpreters (Libras) and Physics teachers.

Keywords : Physics Teaching, Teaching Strategies, Deaf.

## O SNEF e a inclusão no Ensino de Física

O SNEF é um evento promovido pela Sociedade Brasileira de Física (SBF) desde 1970. Esse se constitui como um espaço privilegiado na difusão de experiências, análises, discussões sobre os enfrentamentos no Ensino de Física na educação brasileira, bem como, a formação cidadã, pensando em ações educativas. A ideologia vislumbra os avanços científicos e tecnológicos na sociedade contemporânea.

Na perspectiva da educação inclusiva, foram levantadas reflexões no XV SNEF em Curitiba em 2003. Esse encontro temático foi nomeado de 'Ensino de Física para portadores de deficiências'. Posteriormente, no ano mundial da Física em 2005, foi proposta e definida no XVI SNEF no Rio de Janeiro a área temática 'Ensino de Física e Estratégias para Portadores de Necessidades Especiais', que se manteve nas edições do XVII SNEF em São Luis em 2007, e XVIII SNEF no Espírito Santo em 2009. No entanto, não apareceu nas edições do XIX SNEF em Manaus em 2011, no XX SNEF em São Paulo em 2013 e no XXI SNEF em Uberlândia em 2015. A mesma é retomada no XXII SNEF em São Carlos em 2017, mas denominada como 'Equidade, inclusão social e estudos culturais e o ensino de Física'. Isto revelou a preocupação do evento com a educação inclusiva, devido a diversidade social e cultural da educação brasileira.

Reconhecendo as barreiras emergentes no Ensino de Física na educação básica, levantamos o seguinte problema: Quais produções didáticas e estratégias de ensino de Física na educação de surdos tem se constituído no Brasil e como estas contribuem no processo de acessibilidade e inclusão dos alunos surdos? O objetivo é: investigar quais produções didáticas e estratégias de ensino de Física na educação de surdos tem se constituído no Brasil e como estas contribuem no processo de acessibilidade e inclusão dos alunos surdos. Para isso, realizamos uma revisão bibliográfica nos anais do SNEF publicados na última década, de 2010 a 2020.

Neste caminho, apresentamos uma breve discussão sobre cultura surda e alguns marcos legais na educação de surdos. Na sequência, delineamos os encaminhamentos metodológicos, resultados, análises e conclusão.

## Cultura Surda e alguns marcos legais

O povo surdo enfrentou e ainda enfrenta muitos preconceitos, principalmente quanto sua língua natural e a forma que vivenciam o mundo que é pela experiência visual (STROBEL, 2016). Contudo, muitas lutas levaram a importantes avanços legais, políticos, sociais e educacionais que influenciaram fortemente na inclusão e na acessibilidade destes sujeitos. Podemos mencionar o reconhecimento da Libras em 2002, aqui no Brasil, amparada pela Lei 10.436/2002 (BRASIL, 2002); regulamentada no Decreto 5.626/2005 (BRASIL, 2005). Outro direito conquistado ocorreu com a regulamentação da Lei 12.319/10 em 2010, que assegura a presença de Tradutores e Intérpretes de Libras, principalmente nas escolas (BRASIL, 2010). O Intérprete de Libras é um profissional de fundamental necessidade para a garantia dos direitos educacionais dos alunos surdos (QUADROS, 2004).

Esses dois marcos legais se constituem propulsores da educação de surdos no país. Entretanto o processo de ensino-aprendizagem nos espaços escolares inclusivos ainda são insuficientes e muitas vezes fragmentados. Entender a

educação dos surdos requer um conhecimento do seu pertencimento a uma cultura e da identidade do surdo. É preciso perceber a surdez como uma diferença que se constrói nas vivências cotidianas das comunidades surdas, sendo as características sociolinguísticas a diferença marcante do povo surdo (STROBEL, 2016).

Neste viés, Oliveira e Benite (2015), evidenciaram a fragmentação nas narrativas e no compartilhamento dos signos como as maiores problemáticas no ensino de Física para os surdos. Assim, as barreiras encontram-se na comunicação entre os pares envolvidos: o/a professor(a) de Física, o/a aluno(a) surdo(a) e o/a Intérprete de Libras. Na maioria das vezes, isso é consequência da falta de conhecimento da língua e da cultura surda pelo professor, do desconhecimento das terminologias e conceitos científicos pelo intérprete, da falta de sinais para termos científicos e do distanciamento entre o aluno surdo e a Libras. Por isso, a construção de materiais didáticos bilíngues e visuais é essencial no ensino de Física na educação de surdos (VIVIAN, 2018).

Florentino, Junior e Marques (2015) reconhecem neste sentido uma formação inadequada dos professores e a escassez em pesquisas na área da educação de surdos. Porém, apontam um crescente investimento na produção de materiais didáticos bilíngues e visuais; além disso, a criação de sinais emerge como recurso potencial para solucionar as barreiras linguísticas (FLORENTINO; JUNIOR; MARQUES, 2015).

## Encaminhamentos Metodológicos

Com base nos objetivos podemos classificar esta pesquisa como uma pesquisa do tipo exploratória, tendo como intenção explicitar um problema e um o aprimoramento de ideias; geralmente essas pesquisas envolvem um levantamento bibliográfico (GIL, 2002). Neste sentido, com base nos seus procedimentos técnicos utilizados esta investigação constitui-se do tipo Bibliográfica, que ainda segundo Gil (2002) é desenvolvida sobre a investigação de materiais já elaborados e divulgados, composta principalmente por livros e artigos científicos. A pesquisa é de cunho qualitativo, devido seu caráter social (LÜDKE; ANDRÉ, 1986).

Como método para análise qualitativa dos dados, consideramos a análise de conteúdo. Essa é percebida como um conjunto de técnicas de pesquisa com o viés de buscar um sentido para o documento; tem a finalidade de descrição objetiva, sistemática e recorrente do conteúdo manifesto da comunicação (BARDIN, 2011). Bardin (2011) define três etapas consideradas básicas em trabalhos que envolvem análise de conteúdo: i) Pré-análise: é a fase de organização do material utilizado para a coleta dos dados, e estabelecer o corpus da investigação; ii) Descrição analítica: etapa de aprofundamento do material que compõe o corpus da pesquisa, que se orienta em geral pelas hipóteses e referencial teórico; iii) Interpretação referencial: é a fase de análise, reflexão e intuição.

Com objetivo de investigar quais produções didáticas e estratégias de ensino de Física na educação de surdos tem se constituído no Brasil e como estas contribuem no processo de acessibilidade e inclusão dos alunos surdos, foi realizada uma revisão bibliográfica nos anais do SNEF na última década, de 2010 a 2020. A saber: XIX SNEF em 2011, XX SNEF em 2013 e o XXI SNEF 2015 e XXII SNEF de 2017. Durante o processo de pré-análise (BARDIN, 2011), salientamos que as atas do XXIII SNEF de 2019 ainda não estavam disponibilizadas.

Os trabalhos foram selecionados utilizando as seguintes palavras-chave: Surdo, deficiência auditiva, deficiente auditivo, surdez, cultura surda, Libras, Língua Brasileira de Sinais, língua de sinais, bilíngue, bilinguismo e Intérprete de Libras. Contendo estas no título, palavras-chave ou resumo dos artigos publicados nas comunicações orais. O corpus da análise foram os trabalhos que continham relatos de intervenções e ações pedagógicas que evidenciassem produções didáticas desenvolvidas e suas contribuições para o ensino-aprendizagem de Física para surdos.

## O que mostram as pesquisas

Encontramos 21 artigos dentro dos padrões estabelecidos previamente, sendo eles: 03 artigos no XIX SNEF (2011), 9 artigos no XX SNEF (2013), 5 artigos no XXI SNEF 2015 e 04 artigos no XXII SNEF de 2017. Observamos que desses artigos, somente 12 pertencem ao corpus dessa análise, conforme o QUADRO 1.

QUADRO 1 - Relação de artigos e autores publicados em cada edição do SNEF de 2010 a 2020

Fonte: os autores, 2020.

Estes trabalhos indicam um significativo número de pesquisas sobre a produção didática e investimento em estratégias que contribuam para o ensinoaprendizagem de Física e inclusão dos alunos surdos. As estratégias encontradas nestes artigos envolvem a criação de sinais (01), (05), (07), (09), (10), (12); uso de vídeos (02), (06), (08), (09), (12); laboratório de Física (03); adaptação de experimentos e uso de materiais concretos (04), (11), (12); maquetes e experimentos (05); bem como o uso de tecnologias (07), (12). Alguns artigos envolvem mais de uma produção didática ou estratégia.

Com isso, definimos três categorias emergentes. Essas categorias emergiram com base no tipo de produção didática ou estratégia evidenciada nas pesquisas, a saber: i) Criação de Sinais; ii) Tecnologias, iii) Atividades Experimentais. Alguns artigos enquadram-se em duas categorias distintas.

- i) Criação de Sinais: Pertencem a esta categoria 6 artigos: (01), (05), (07), (09), (10) e (12).
- O artigo (01) apresenta parte das pesquisas realizadas pelo grupo 'Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação de Surdos Édouard Houet' sobre o projeto sinalizando a Física. Esse teve como objetivo a elaboração de materiais didáticos em bilíngues, com a elaboração de vocabulários para terminologias de Mecânica, Eletricidade e Magnetismo e Termodinâmica e Óptica. Contribuindo na difusão de sinais para termos específicos do ensino de Física. Já a pesquisa (05) teve intenção de apresentar uma relação entre o cotidiano e o Ensino da Astronomia através de um experimento e construção de uma maquete, com objetivo de criar sinais para essa área e contribuir na educação de alunos surdos. Este contou com uma implementação conduzida por bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência (PIBID) e com o apoio de um intérprete.

No artigo (07), os resultados indicaram que os alunos mostraram-se interessados, criando sinais e explicando por meio de demonstrações de linguagem não-verbal, conceitos como inércia, gravidade, corrente elétrica e óptica. Mas, apontam para a fragmentação na produção da escrita pelos estudantes surdos. No artigo (09) o objetivo foi contribuir com a formação inicial de um grupo de licenciandos de Física. Nesta usaram como estratégias a criação de sinais com uso de vídeos bilíngues, contando com a participação de um intérprete No trabalho (10), é percebido um trabalho cooperativo entre os profissionais.

Nesta, tanto o aluno, o professor, quanto o intérprete, tiveram através da criação de sinais, oportunidade de aprender a cultura do sujeito surdo e a linguagem científica. Isso contribuiu para apropriarem-se de sinais mais próximos do significado dos conceitos. O artigo (12) teve como objetivo a criação de sinais para as terminologias astronômicas. Essa investigação foi conduzida pela própria intérprete com suas alunas surdas. Foram utilizados materiais didáticos visuais e recursos

tecnológicos. Os autores evidenciaram que a criação de sinais aproxima os surdos da linguagem científica. Quando o surdo vivencia o conceito e cria um sinal, ele se identifica com os significados envolvidos e se aproxima da linguagem científica (VIVIAN, 2018).

- ii) Tecnologias: enquadraram-se nesta categoria 6 trabalhos: (02), (06), (07), (08), (09) e (12).
- O artigo (02) apresentou o desenvolvimento e uso de vídeos educativos bilíngues sobre os conceitos das leis de Newton, apresentados a alunos e professores. O objetivo foi contribuir para a acessibilidade e inclusão de alunos surdos em classes de ensino regular. No trabalho (06) é apresentada uma discussão acerca da construção e do uso de um vídeo bilíngue em um contexto inclusivo no ensino de Física. Foram construídos seis vídeos sobre as Leis de Newton, utilizando a Libras, a língua portuguesa escrita e falada, bem como, imagens dinâmicas. Essas imagens representaram situações cotidianas em que os conceitos discutidos podem ser observados. Segundo os autores, o uso de um recurso tecnológico bilíngue potencializa a sala de aula inclusiva.

A pesquisa (07) teve a intenção de acessibilizar os estudantes mediante o uso da Libras nas práticas de ensino de Física para o ensino médio. Para isso, os autores aproveitaram-se de tecnologias para fortalecer a exploração dos aspectos visuais e dos recursos multissensoriais. Segundo os autores, isso favorece os processos de significação dos conceitos em Física. A investigação do artigo (08) é voltada a formação de professores, contando com o acompanhamento e colaboração do intérprete como assessor dos licenciandos e dos alunos surdos. Teve o intuito de construir vídeos didáticos legendados em Libras, além do uso de experimentos e recursos multimídia. Os autores concluíram que estes recursos promoveram a participação dos alunos surdos. Além disso, a familiarização dos licenciandos com a Libras facilitou e contribuiu para a interação entre professor e aluno surdo. Salientam neste sentido que a atuação do intérprete e o conhecimento do professor na língua de sinais são fundamentais.

No artigo (09) sobre uso de vídeos bilíngues, os autores consideraram a experiência visual dos sujeitos surdos como o foco para investirem e tal produção como uma estratégia de ensino essencial para a aprendizagem dos conceitos físicos. O artigo (12) relata que são utilizados programas computacionais, como o Stellarium. Os autores apontam que o recurso contribuíram na compreensão de conceitos visuais que independem da oralidade.

- As experiências dos surdos são marcadas pela visualidade (STROBEL, 2016). Assim, as tecnologias viabilizam a aprendizagem do surdo devido seu potencial visual (VIVIAN, 2018). Usar ferramentas tecnológicas possibilitam maior interação entre os educando e professores e entre os educandos com os conceitos científicos, potencializando o processo de ensino-aprendizagem de Física na educação de surdos.
- iii) Atividades Experimentais: considerou-se 5 artigos, (03), (04), (05), (11) e (12).
- O trabalho (03), traz uma abordagem acerca da elaboração e implementação de um material didático com a utilização de experimentos. O processo contou com a participação de intérpretes em momentos específicos da

pesquisa. Evidenciaram as dificuldades dos alunos surdos com a língua portuguesa e dos professores em lidar com as diferenças na estrutura linguística.

O trabalho (04) envolveu o processo de formação de professores com a atuação de licenciandos, tornando evidente a necessidade do docente possuir conhecimento em Libras. Concluíram que o desconhecimento da Libras pelo docente, a falta de entendimento conceitual pelo intérprete somada a falta de sinais específicos tornaram as intervenções fragmentadas. Isso reforçou a barreira lingüística envolvida. Conforme aponta Strobel (2016) a característica mais evidente na cultura surda é a sociolinguística, assim o reconhecimento das especificidades dos surdos é indispensável.

A pesquisa (05), além da criação de sinais para o Ensino da Astronomia, também envolveu um experimento e construção de uma maquete. Os autores notaram o quanto os alunos surdos são detalhistas e atentos as características visuais no ato da criação de sinais. Criar sinais é fundamental para a ampliação de significados em Libras. Na pesquisa (11) e na pesquisa (12) o uso de materiais visuais e concretos facilitou o entendimento dos surdos sobre fenômenos cotidianos, através da manipulação de objetos.

Podemos notar que a estratégia com maior número de artigos publicados está relacionada à criação de sinais. Essa evidência corrobora com a investigação apresentada por Florentino, Junior e Marques (2015). Além disso, o uso de vídeos didáticos ganhou enfoque, e demonstraram uma influência positiva sobre o uso das tecnologias no ensino de Física na educação de surdos.

Com as três categorias podemos perceber o investimento do uso de recursos e estratégias que valorizem a língua natural do surdo e proporcionem a exploração visual, aproximando a cultura surda (STROBEL, 2016) dos conceitos e da linguagem científica (VIVIAN, 2018). As estratégias e produções didáticas sobre o ensino de Física na educação de surdos encontradas nestas publicações revelaram significativos avanços na promoção da acessibilidade e inclusão dos sujeitos surdos.

## Considerações Finais

A regulamentação da Libras e da profissão do Intérprete de Libras é recente, mas percebemos que na última década tem se intensificado as pesquisas envolvendo estratégias e produções didáticas nas práticas da sala de aula inclusiva na educação básica. Entretanto, não ficou explicito nos artigos encontrados se havia disponibilidade de materiais e recursos didáticos oferecidos pelas escolas. Igualmente, não evidenciamos se havia horários para planejamento dos professores de Física e para o intérprete. Esses profissionais devem dialogar no ambiente escolar, para que as ações sejam conjuntamente construídas, respeitando as peculiaridades do aluno surdo e da área de ensino.

Nesse sentido, os investimentos em produções didáticas e estratégias de ensino possibilitam a reflexão sobre o potencial dos instrumentos e recursos bilíngues, visuais e tecnológicos como meios para promover o ensino-aprendizagem de Física na educação de surdos ou deficientes auditivos. A produção de material didático, principalmente com a criação de sinais, se caracterizou como grande potencial no processo de acessibilidade e inclusão dos sujeitos surdos. Essa estratégia em especial contribui no fortalecimento do vínculo entre o professor, o aluno surdo e o intérprete. Tudo isso favorece a aproximação conceitual entre o

surdo e a Física, colaborando para a construção da linguagem científica. Assim, a criação de sinais é um elo entre a linguagem científica e a Libras.

Quando falamos em inclusão, é preciso pensar além de estratégias e produção didática, na formação dos educadores e na valorização e condição de trabalho destes sujeitos, para que possamos progredir na educação de surdos e na transformação da escola inclusiva em sua totalidade.

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