REPRESENTAÇÕES SOCIAIS SOBRE O APRENDER FÍSICA NA EDUCAÇÃO BÁSICA: VALORES LIGADOS AO BELO E AO BENEFÍCIO
Júlia Bernardes Ogata, Maurício Pietrocola, Filipe Berçot, Lyon Saluchi Da Fonseca
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2020
- Data
- 12/11/2020
- Linha de pesquisa
- Filosofia, História E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## REPRESENTA,ÍES SOCIAIS SOBRE O APRENDER FêSICA NA EDUCA,ÌO BçSICA: VALORES LIGADOS AO BELO E AO BENEFêCIO
## SOCIAL REPRESENTATION ON PHYSICAL LEARNING IN BASIC EDUCATION: VALUES LINKED TO BEAUTY AND BENEFIT
Jœlia Bernardes Ogata 1 , Maur'cio Pietrocola 2 , Filipe Faria BerGLYPH<141>ot 3 , Lyon Saluchi da Fonseca 4
1 USP / Instituto de F'sica /julia.ogata@usp.br
2,3,4 USP / Faculdade de EducaGLYPH<141>‹o /mpietro@usp.br; lyon.fonseca@gmail.com; filipebercot@gmail.com
## Resumo
O objetivo deste trabalho foi investigar as crenGLYPH<141>as e os valores de um grupo de estudantes do ensino mŽdio sobre suas interaGLYPH<141>›es com o aprendizado de F'sica, representadas em relaGLYPH<141>‹o ˆs suas motivaGLYPH<141>›es escolares e ao valor que a escola tem para esses alunos, buscando analisar poss'veis problemas e dificuldades de ensino-aprendizagem. O estudo foi motivado pela Teoria do Valor, de Tsunessaburo Makiguti, com a pretens‹o de olhar para as representaGLYPH<141>›es sociais dos alunos considerando aspectos relacionados aos valores do Bem, do Belo ou Beleza e do Benef'cio, conforme definidos por Makiguti. Para tanto, foi utilizada a Teoria das RepresentaGLYPH<141>›es Sociais, de Serge Moscovici e a vertente metodol-gica chamada Abordagem Estrutural, proposta por Jean-Claude Abric. Para analisar as representaGLYPH<141>›es sociais das crenGLYPH<141>as dos alunos em relaGLYPH<141>‹o ˆs dificuldades que eles encontram no processo educacional foi utilizada a TŽcnica de AssociaGLYPH<141>‹o Livre de Palavras e um question‡rio com escala Likert. Nossos resultados apontam que os alunos possuem uma vis‹o positiva atrelada aos trGLYPH<144>s valores.
CrenGLYPH<141>as e valores. Ensino de F'sica. RepresentaGLYPH<141>›es
Palavras-chave: Sociais
## Abstract
The purpose of this work was to investigate how the beliefs and values of a group of high school students about their interactions with Physics learning, represented in relation to their school motivations and the value that the school has for these students, seeking to test problems and teaching-learning difficulties. The study was motivated by the Theory of Value, Tsunessaburo Makiguti, with a pretension to look at the social representations of the students, considering aspects related to the values of Good, Beautiful or Beauty and Benefit, as approved by Makiguti. For that, Serge Moscovici's Theory of Social Representations and a methodological aspect called Structural Approach, proposed by Jean-Claud Abric, were used. To analyze how social representations of students' beliefs regarding the difficulties they examined in the educational process, the Free Word Association Technique and a questionnaire with a Likert scale were used. Our results aimed at students have a positive view linked to the three values.
Keywords: Beliefs and values. Physics Teaching. Social Representation.
## IntroduGLYPH<141>‹o
Educar Ž desenvolver valores para uma vida mais feliz e produtiva em sociedade. N‹o seria exagero afirmar que hoje a crise na educaGLYPH<141>‹o seja uma crise de valores. Valores e pr‡ticas definem o que chamamos de cultura (Sewell Junior,1992), ent‹o podemos afirmar que a cultura escolar negocia a todo momento seus valores com aqueles mais que lhe s‹o externos presentes tanto nas expectativas da sociedade como dos alunos. O desalinhamento da cultura escolar com ˆquelas costuma servir de base para as cr'ticas de inadequaGLYPH<141>‹o ou irrelev%ncia. V‡rios autores tGLYPH<144>m deixado claro que os valores incutidos nos programas e curr'culos escolares definem pr‡ticas escolares que distanciam a escola tanto da sociedade como dos alunos em si. Falta de motivaGLYPH<141>‹o e engajamento, assim como resistGLYPH<144>ncia em aprender, muitas vezes s‹o consequGLYPH<144>ncias de um ensino que se alinha com valores contr‡rios aos que os alunos acreditam. As ciGLYPH<144>ncias e a matem‡tica s‹o disciplinas curriculares que costumam estar nessa condiGLYPH<141>‹o de desalinhamento, pois para muitos alunos elas s‹o eminentemente propedGLYPH<144>uticas, servindo apenas como meios de acesso para etapas posteriores de ensino. Logo, seu valor se associa aos valores vinculados a essas etapas, gerando uma relaGLYPH<141>‹o utilitarista que se desdobra em emoGLYPH<141>›es e afetos invariavelmente negativos, tais como tristeza, ansiedade, medo, dœvida etc. Neste trabalho investigamos os valores manifestados por um grupo de estudantes a partir de um referencial de an‡lise que visa uma educaGLYPH<141>‹o para a paz e a felicidade como meta de todo ser humano a ser alcanGLYPH<141>ada tambŽm pela escola. A teoria do valor, de Tsunessaburo Makiguti (1871 - 1944), proposta no livro Filosofia do Valor (1931) serviu de base para a proposta de valores educacionais, motivando o desenvolvimento de outros trabalhos sobre educaGLYPH<141>‹o. Voss (2006), afirma em sua tese que o conhecimento emerge da experiGLYPH<144>ncia de vida dos indiv'duos, considerando a Teoria do Valor de Makiguti ao tratar da relaGLYPH<141>‹o entre experiGLYPH<144>ncia humana e o par cogniGLYPH<141>‹o-avaliaGLYPH<141>‹o. As manifestaGLYPH<141>›es dos alunos foram entendidas conforme a Teoria das RepresentaGLYPH<141>›es Sociais, proposta por Serge Moscovici. A partir desta estruturaGLYPH<141>‹o apoiada em ambas teorias, o presente trabalho buscou analisar as representaGLYPH<141>›es de estudantes de F'sica do ensino mŽdio de uma escola pœblica do munic'pio de S‹o Paulo.
## Referencial te-rico e metodol-gico
Tsunessaburo Makiguti foi um educador japonGLYPH<144>s cuja obra produzida surgiu de suas discord%ncias com o modo como a sociedade japonesa se estruturava. Ele acreditava que a educaGLYPH<141>‹o era o melhor meio para conseguir atingir uma reforma na sociedade, no entanto, se opunha fortemente ao modelo educacional do Jap‹o na Žpoca, o que culminou em desacordos com as autoridades educacionais. Sobre seu sentimento em relaGLYPH<141>‹o ˆ educaGLYPH<141>‹o, Makiguti declarou:
ÒSou impelido pelo forte desejo de impedir que a deplor‡vel situaGLYPH<141>‹o atual atormente a pr-xima geraGLYPH<141>‹o - dez milh›es de nossas crianGLYPH<141>as e estudantes forGLYPH<141>ados a suportar a agonia da competiGLYPH<141>‹o irracional, a dificuldade de conseguir entrar em boas escolas, o Òinferno das provasÓ e o sofrimento para encontrar um emprego depois de se formar. Ó (Apud IKEDA, 2017, p.39)
Apesar dessa declaraGLYPH<141>‹o ter sido feita em uma outra Žpoca e pa's, Ž poss'vel traGLYPH<141>ar um paralelo com alguns aspectos problem‡ticos da atual educaGLYPH<141>‹o brasileira.
Em outra obra intitulada Geografia da Vida Humana (1903), Makiguti j‡ falava sobre valores considerando que eles s‹o criados a partir das relaGLYPH<141>›es que os indiv'duos possuem entre si e tambŽm com o ambiente em que est‹o inseridos. A obra mais relevante produzida por Makiguti em relaGLYPH<141>‹o ˆ ‡rea educacional foi Soka Kyoikugaku Taikei ("Sistema pedag-gico de criaGLYPH<141>‹o de valores", em traduGLYPH<141>‹o livre). Um dos volumes dessa obra Ž a Filosofia do Valor , onde Makiguti defende que o prop-sito fundamental da educaGLYPH<141>‹o deve ser a felicidade dos alunos e atrela essa felicidade aos valores que os indiv'duos possuem. A Teoria do Valor consiste, ent‹o, na organizaGLYPH<141>‹o dos valores em trGLYPH<144>s n'veis, hierarquizados na forma de uma pir%mide, com valores morais no topo e valores estŽticos na base. Tais valores e suas descriGLYPH<141>›es s‹o: (i) Bem - valor social ligado ˆ existGLYPH<144>ncia grupal coletiva, (ii) Benef'cio : valores pessoais ligados ˆ existGLYPH<144>ncia individual orientada para si mesmo, (iii) Beleza : valores sensoriais ligados a partes isoladas da existGLYPH<144>ncia individual (Makiguti, 2002). Contextualizando essa estrutura de valores ao ensino e ao aprendizado de F'sica, pode-se entender que o valor Bem est‡ associado ˆ como os estudantes conseguem observar ou n‹o as influGLYPH<144>ncias dos seus estudos sobre a sociedade. O Benef'cio atrela-se ao retorno palp‡vel e concreto que os alunos constatam devido ao estudo de F'sica, enquanto que a Beleza se associa aos sentimentos e emoGLYPH<141>›es que ela desperta no indiv'duo.
## Teoria das RepresentaGLYPH<141>›es Sociais
A Teoria das RepresentaGLYPH<141>›es Sociais (TRS) tem como inspiraGLYPH<141>‹o a teoria das representaGLYPH<141>›es coletivas propostas por Durkheim, em 1912 (ALEXANDRE, 2000). Essa teoria foi retomada e retrabalhada pelo psic-logo francGLYPH<144>s Serge Moscovici, desenvolvendo assim uma teoria das representaGLYPH<141>›es coletivas aplicadas ao campo da Psicologia Social, denominada Teoria das RepresentaGLYPH<141>›es Sociais. Segundo Moscovici (1978), representaGLYPH<141>›es sociais s‹o o conjunto de ideias, c-digos e condutas que norteiam as aGLYPH<141>›es e equilibram nossas relaGLYPH<141>›es sociais, e que se rompidas ou questionadas podem provocar conflitos individuais e coletivos. De acordo com Moscovici (1978) isso ocorre, pois, os grupos sociais convivem em um cotidiano permeado por um equil'brio no qual o papel de cada membro do grupo Ž conhecido por todos os demais. Quando esse equil'brio Ž abalado por uma quebra de expectativa comum ao grupo podem surgir tens›es pessoais e interpessoais. Isso mostra o papel regulador que as representaGLYPH<141>›es sociais tGLYPH<144>m na convivGLYPH<144>ncia. Sobre isso Alexandre (2000) destaca que:
ÒSe o Eu se constitui na alteridade, isto Ž, a partir da internalizaGLYPH<141>‹o de outros, a vida privada tem origem na vida pœblica, na relaGLYPH<141>‹o de um indiv'duo com os outros. Por outro lado, a vida pœblica, estabelecendo normas de convivGLYPH<144>ncia, trocas de saberes, explicaGLYPH<141>›es e prestaGLYPH<141>‹o de contas, Ž o l u g a r onde se constroem as representaGLYPH<141>›es sociais.Ó (Alexandre, 2000, p.168).
Moscovici (1978) chama a atenGLYPH<141>‹o para o fato de que as representaGLYPH<141>›es sociais n‹o representam de forma alguma a supress‹o do indiv'duo em detrimento do coletivo. Segundo o autor cada um dos elementos do grupo Ž um ser complexo, com a capacidade de moldar e influenciar a realidade dos grupos dos quais fazem
parte. Esse fato faz com que as influGLYPH<144>ncias das interaGLYPH<141>›es entre homem e sociedade seja uma via de m‹o dupla. Com isso os conflitos e tens›es por quebra de expectativa de um elemento do grupo tem, n‹o somente o poder de enquadrar o comportamento transgressor do indiv'duo, como tambŽm o potencial de alterar os signos e c-digos de conduta daquele grupo social. Diante das potencialidades dessa teoria, outros trabalhos na ‡rea de ensino de ciGLYPH<144>ncias tGLYPH<144>m se apoiado nesse referencial te-rico e conduzindo uma sŽrie de representaGLYPH<141>›es sobre os mais diversos temas. Seja tomando como objeto de pesquisa as RepresentaGLYPH<141>›es Sociais (RS) de grupos de professores (e.g. ALMEIDA; CUNHA, 2003), cuja pesquisa mostra como os docentes representam socialmente as fases do desenvolvimento humano, seja com as RS do grupo de estudantes (e.g. OLIVEIRA et al., 2001; CARBONE; STƒFANO, 2004), que falam, respectivamente, sobre a RS de estudantes do ensino b‡sico pœblico e privado em relaGLYPH<141>‹o ˆ injustiGLYPH<141>a na escola e sobre a RS de adolescentes no que tange o trabalho e o processo de escolarizaGLYPH<141>‹o. A TRS tambŽm Ž pertinente neste trabalho, uma vez que os valores Bem, Beleza e Benef'cio podem ser compreendidos como valores de uma vis‹o de mundo social. Com isso, se considerarmos que aquilo que emerge de um grupo social est‡ atrelado ˆ sua forma de lidar com o mundo social ao redor, ent‹o mapear a estrutura das RS dos estudantes relativos aos trGLYPH<144>s valores em quest‹o nos permite entender como esses valores est‹o incutidos no processo educacional em que est‹o inseridos.
## Metodologia e TŽcnica de An‡lise de dados
A investigaGLYPH<141>‹o das RS baseou-se na TŽcnica de AssociaGLYPH<141>‹o Livre de Palavras (TALP), que Ž uma das estratŽgias metodol-gicas na perspectiva da Abordagem Estrutural das RepresentaGLYPH<141>›es Sociais. A abordagem estrutural foi proposta por Jean Claude Abric e se fundamenta na ideia que as representaGLYPH<141>›es sociais s‹o estruturadas por meio de um nœcleo central e sua periferia (ABRIC, 1993). Essa configuraGLYPH<141>‹o permite que as representaGLYPH<141>›es possam ser, ao mesmo tempo r'gidas e flex'veis, bem como apresentarem caracter'sticas consensuais e individuais de um grupo social sem, contudo, ser contradit-ria. Isso Ž poss'vel porque o nœcleo central transmitir‡ as informaGLYPH<141>›es r'gidas e consensuais da RS, enquanto a periferia ter‡ as informaGLYPH<141>›es flex'veis e individuais. A TALP Ž uma tŽcnica que consiste na evocaGLYPH<141>‹o livre de palavras a partir de um termo indutor fornecido (DI GIACOMO, 1981). Ela possui a vantagem de proporcionar uma coleta de dados relativamente r‡pida e tem uma grande potencialidade de fornecer informaGLYPH<141>›es sobre a estrutura da representaGLYPH<141>‹o social. As evocaGLYPH<141>›es obtidas por meio da TALP foram compiladas e lematizadas . Posteriormente, foram analisadas ¹ com o software IraMuTeQ por meio da an‡lise de similitude. Criado por Pierre Rantinaud e disponibilizado na l'ngua francesa atŽ 2009, o IraMuTeQ ( Interface de R pour les Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires ), Ž um software de licenGLYPH<141>a livre e gratuita, de c-digo aberto. Isso significa que qualquer usu‡rio pode executar, adaptar o c-digo conforme necess‡rio, distribuir c-pias e criar redes de colaboraGLYPH<141>‹o e aperfeiGLYPH<141>oamento do programa. Esse software teve seu desenvolvimento estruturado na linguagem Python e baseado em funcionalidades
fornecidas pelo software estat'stico R. Entre as suas possibilidades como ferramenta de an‡lise de dados, pode-se citar pesquisas de representaGLYPH<141>›es sociais, uma vez que sua flexibilidade permite distintas formas de an‡lise qualitativa textual, obtidas por meio de entrevistas, documentos e question‡rios (RAMOS et al, 2018). O c‡lculo de similaridades entre as evocaGLYPH<141>›es pode ser feito por meio de 1 diversos mŽtodos. Nesta pesquisa o mŽtodo utilizado foi o de Jaccard. Em posse desses c‡lculos o software Ž capaz de gerar um grafo com a ‡rvore m‡xima de similitude. Nessa rede gerada, o tamanho dos vŽrtices est‡ relacionado com a frequGLYPH<144>ncia com que um termo Ž evocado e as arestas que conectam os termos possuem espessuras proporcionais ˆ similitude entre as palavras calculadas a partir do mŽtodo selecionado. Fazendo uma relaGLYPH<141>‹o entre os grafos gerados e a TRS, os vŽrtices que est‹o mais ao centro podem ser interpretados como o nœcleo da RS, enquanto que os vŽrtices mais distantes do centro s‹o a periferia. AlŽm da TALP tambŽm foi utilizado um question‡rio com escala Likert com cinco graus de concord%ncia a fim de complementar as informaGLYPH<141>›es obtidas a partir da evocaGLYPH<141>‹o livre de palavras. Esse question‡rio possu'a onze afirmaGLYPH<141>›es que possibilitaram extrair informaGLYPH<141>›es complementares para a an‡lise das representaGLYPH<141>›es ˆ luz dos trGLYPH<144>s valores da T eoria do Valor.
A aplicaGLYPH<141>‹o do instrumento de coleta de dados ocorreu em 2018, em uma escola estadual de ensino integral localizada em Osasco, SP. O question‡rio foi respondido por 318 alunos, sendo duas turmas do primeiro ano do ensino mŽdio, cinco do segundo e duas do terceiro. Antes disso, foi realizada uma validaGLYPH<141>‹o com um instrumento piloto em outra escola estadual de ensino integral no Estado de S‹o Paulo, com o objetivo de identificar casos de inconsistGLYPH<144>ncias no instrumento de pesquisa. Como esse piloto tinha o objetivo de verificar se os termos indutores estavam adequados, o question‡rio foi aplicado em apenas uma turma do primeiro ano com trinta e nove alunos. A partir da an‡lise dessas respostas, verificou-se que as evocaGLYPH<141>›es dos estudantes permitiram construir a representaGLYPH<141>‹o social daquela classe e por isso decidiu-se que n‹o seria necess‡rio alterar o instrumento.
A parte referente ˆ TALP foi produzida considerando seis termos indutores, sendo eles: (i) ciGLYPH<144>ncia, (ii) sentimentos que vocGLYPH<144> tem ao estudar f'sica, (iii) contribuiGLYPH<141>›es do seu estudo de f'sica para a sociedade, (iv) vantagens que estudar f'sica lhe proporciona, (v) aulas de f'sica, (vi) o que vocGLYPH<144> mais gosta de aprender. O termo ÒciGLYPH<144>nciaÓ foi escolhido porque desejava-se iniciar o question‡rio com ideias mais gerais sobre como os alunos vGLYPH<144>em a ciGLYPH<144>ncia e se a concepGLYPH<141>‹o deles tinha alguma relaGLYPH<141>‹o com a F'sica. Os trGLYPH<144>s seguintes termos abordavam diretamente os trGLYPH<144>s valores da T eoria do Valor, sendo que Òsentimentos que vocGLYPH<144> tem ao estudar f'sicaÓ estava atrelado ao valor Beleza , uma vez que esse termo aborda valores sensoriais de maneira individual. ÒContribuiGLYPH<141>›es do seu estudo de f'sica para a sociedadeÓ visava abordar o valor Bem , pois questiona qual Ž o valor social que os alunos vGLYPH<144>m do estudo de f'sica que eles possuem. E ÒVantagens que estudar f'sica lhe proporcionaÓ estava associado o valor Benef'cio , porque perguntava sobre quais
eram os benef'cios individuais que os alunos acreditam ter com o estudo de f'sica. O termo Òaulas de f'sicaÓ foi colocado com o objetivo de entender de maneira geral qual era a representaGLYPH<141>‹o social que os alunos tinham sobre as aulas e Òo que vocGLYPH<144> mais gosta de aprenderÓ buscava ter um par%metro de comparaGLYPH<141>‹o sobre quais eram as atividades que os alunos atrelam ao valor Bem no cotidiano deles. O question‡rio Likert, por sua vez, foi utilizado para fornecer informaGLYPH<141>›es complementares. Assim, foram produzidas onze afirmaGLYPH<141>›es que dialogavam com cada um dos trGLYPH<144>s valores da teoria. Abordando especificamente o valor Bem haviam as frases Òestudar f'sica n‹o me faz bem nem malÓ, Òo modo como o (a) professor (a) ensina f'sica n‹o influencia no meu gosto pela matŽriaÓ e Ògosto do modo como aprendo f'sicaÓ. Sobre o valor Beleza haviam as frases ÒatravŽs do que estudo em f'sica consigo contribuir positivamente com a sociedadeÓ e Òsuponho que com o que aprendo em f'sica hoje conseguirei contribuir positivamente com a sociedade em algum diaÓ. Sobre Benef'cio haviam as frases Òestudar f'sica me proporciona benef'cios em minha vidaÓ, Òestudar f'sica Ž algo fundamental em minha vida agoraÓ e Òestudar f'sica n‹o ser‡ fundamental para meu futuroÓ. AlŽm disso, o question‡rio tambŽm continha frases que tinham o objetivo de dialogar com os trGLYPH<144>s valores e captar aspectos gerais, sendo elas Òentendo melhor a f'sica quando vejo onde ela pode ser aplicada no cotidianoÓ, Òentendo o motivo pelo qual tenho que aprender f'sicaÓ e Òn‹o dependo do espaGLYPH<141>o escolar para aprender f'sicaÓ. Os estudantes responderam considerando cinco graus de concord%ncia, onde poderiam optar por Òdiscordo muitoÓ, ÒdiscordoÓ, ÒneutroÓ, ÒconcordoÓ e Òconcordo muitoÓ.
## Resultados e discuss‹o
Abaixo ser‹o apresentados os grafos gerados para os termos indutores referentes aos trGLYPH<144>s valores. Para realizar a an‡lise foram consideradas apenas as respostas que tinham frequGLYPH<144>ncia de evocaGLYPH<141>‹o maior ou superior a 10.
Fonte: Elaborado pelos autores
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Nessa situaGLYPH<141>‹o, os termos mais evocados ficaram localizados no nœcleo da representaGLYPH<141>‹o social. As palavras "felicidadeÓ, ÒinteressanteÓ, ÒdœvidasÓ, ÒdificuldadeÓ e Òcuriosidade" revelam que embora existam dificuldades e dœvidas relacionadas ao estudo de f'sica realizado pelos alunos, isso n‹o impede a associaGLYPH<141>‹o com sentimentos positivos, que tambŽm foram evocados com import%ncia. Na periferia Ž poss'vel observar que h‡ uma grande variedade de sentimentos evocados, por vezes atŽ contradit-rias, como no caso de ÒlegalÓ e ÒchatoÓ, o que Ž provocado devido ˆ caracter'stica da periferia de permitir a existGLYPH<144>ncia de evocaGLYPH<141>›es que revelam aspectos individuais das pessoas que comp›em esse grupo social. AlŽm disso, nota-se que esses termos s‹o opostos na ‡rvore e que n‹o h‡ similitude entre eles, uma vez que n‹o co-ocorreram no mesmo halo de cores.
Esse foi o termo indutor que alunos apresentaram mais dificuldades para responder, tanto em relaGLYPH<141>‹o ao tempo de resposta, como em conseguir encontrar a existGLYPH<144>ncia de suas contribuiGLYPH<141>›es. Observou-se alguns alunos colocando "nada" ou "nenhuma" como resposta e estudantes que entregaram sem evocaGLYPH<141>›es. Apesar disso, com a an‡lise da representaGLYPH<141>‹o pode-se dizer que o aspecto mais relevante para os alunos Ž a quest‹o de ter conhecimento e a partir disso tecer descobertas e se desenvolver atravŽs do estudo de f'sica, bem como possibilitar o fornecimento de ajuda atravŽs do ensino, por exemplo.
Figura 3: RS sobre vantagens que estudar f'sica lhe proporcionaFonte: Elaborado pelos autores
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No caso dessa representaGLYPH<141>‹o, trGLYPH<144>s termos ficam mais evidentes devido ˆ frequGLYPH<144>ncia de evocaGLYPH<141>‹o. Os termos ÒconhecimentoÓ, sabedoria e entendimentoÓ revelam que, para esse grupo de estudantes, as maiores vantagens sobre o aprendizado de F'sica associam-se de fato ao conhecimento e reflex›es que s‹o proporcionadas pelo estudo dessa disciplina. E n‹o aspectos mais utilitaristas, como passar no vestibular, embora esse tambŽm seja um termo evocado.
## ConsideraGLYPH<141>›es finais
A partir dos resultados obtidos na pesquisa e com a observaGLYPH<141>‹o do modo como os alunos se relacionavam com a escola em quest‹o e com aspectos ligados diretamente ˆs aulas de f'sica, pode-se dizer que a maneira como eles descrevem os valores da Beleza, do Bem e do Benef'cio demonstra que esse grupo social possui uma representaGLYPH<141>‹o positiva ligada aos trGLYPH<144>s valores.
Sobre o valor da Beleza, as palavras evocadas como nœcleo central est‹o relacionadas a aspectos positivos, como curiosidade, interesse e felicidade, embora revelem pontos desafiantes no estudo de f'sica, tais como o surgimento de dœvidas e dificuldades. AlŽm disso, o question‡rio com escala Likert mostrava que os alunos gostavam da forma como aprendem f'sica. Em relaGLYPH<141>‹o ao valor do Bem notou-se que os alunos tiveram maiores dificuldades de delinear como conseguem contribuir com a sociedade no presente com seus estudos em f'sica, mas vislumbram que um dia conseguir‹o contribuir positivamente com os conhecimentos que adquirem atualmente. Sobre o valor do Benef'cio, pode-se observar que os alunos sentem que o estudo de f'sica concede vantagens em suas vidas, principalmente atravŽs da obtenGLYPH<141>‹o de conhecimentos.
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