''SEI QUE A TERRA É ESFÉRICA, MAS NÃO SEI EXPLICAR POR QUÊ": UMA INVESTIGAÇÃO DAS CONCEPÇÕES DE ESTUDANTES SOBRE A GRAVIDADE E SUA RELAÇÃO COM O FORMATO DOS PLANETAS
Gabriela Fasolo Pivaro, Gildo Girotto Junior
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2020
- Data
- 12/11/2020
- Linha de pesquisa
- Didática, Currículo E Inovação Educacional No Ensino De Física/Políticas Públicas Em Educação E O Ensino De Física/Questões Teórico-Metodológicas E Novas Demandas Na Pesquisa Em Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## 'SEI QUE A TERRA É ESFÉRICA, MAS NÃO SEI EXPLICAR POR QUÊ': UMA INVESTIGAÇÃO DAS CONCEPÇÕES DE ESTUDANTES SOBRE A GRAVIDADE E SUA RELAÇÃO COM O FORMATO DOS PLANETAS
## 'I KNOW THE EARTH IS A SPHERE, BUT I CANNOT EXPLAIN WHY': AN INVESTIGATION OF STUDENT'S CONCEPTIONS ON GRAVITY AND ITS RELATION WITH THE PLANET'S SHAPE
Gabriela Fasolo Pivaro 1 , Gildo Girotto Júnior 2
1 Instituto de Física Gleb Wataghin/Universidade Estadual de Campinas, gfpivaro@gmail.com 2 Instituto de Química/Universidade Estadual de Campinas, ggirotto@unicamp.br
## Resumo
A atual era da pós-verdade traz consigo a temática do negacionismo científico. Nas redes sociais, é comum perceber o aumento de discursos tratando, por exemplo, sobre as vacinas causarem autismo ou a Terra ser plana. Tais concepções podem ser produzidas por diferentes fatores, dentre os quais destacamos a falta de compreensão do 'germe' do conteúdo científico ao qual estão associadas. Ao se ter contato com esses discursos nas redes sociais, aqueles que não compreendem o que é a gravidade e as suas consequências costumam crer que ela não existe, criando diversos argumentos para tentar justificar uma Terra plana. Concordando com a visão de que é importante se conhecer as concepções da população para repensar abordagens educacionais que visem uma alfabetização científica para combater os discursos negacionistas, objetivamos analisar quais as concepções sobre a gravidade um particular grupo de estudantes possuía. Através da plataforma Formulários Google, coletamos 76 respostas em que pedimos aos participantes que assinalassem seus graus de concordância (em escala Likert) com cinco afirmações que envolvem o conceito da gravidade, em diferentes contextos. Ao analisar as médias das respostas, nos foi possível perceber que, apesar dos estudantes entenderem a existência da gravidade e a associarem com a força peso, eles não fazem a relação sobre ela e o formato esférico da Terra. Mesmo assim, afirmam crer que a Terra é esférica. Esses resultados são um recorte de uma pesquisa em andamento, cujas discussões ainda necessitam ser mais aprofundadas.
Palavras-chave : terra plana, gravidade, redes sociais, concepções.
## Abstract
The current era of post-truth brings with it the theme of scientific negationism. In social networks, it is common to notice an increase in speeches talking about, for example, vaccines causing autism or the Earth being flat. Such conceptions can be produced by different factors, among which we highlight the lack of understanding of the 'germ' of the scientific content to which they are associated. When having contact with these speeches on social networks, those who do not understand what gravity is and its consequences tend to believe that gravity does not exist, creating
several arguments to try to justify a flat Earth. In agreement with the view that it is important to know the conceptions of the population in order to rethink educational approaches that aim at scientific literacy to combat the negationism discourses, in this research, we aimed to analyze which conceptions about gravity a particular group of students had. Through the Google Forms platform, we collected 76 responses in which we asked participants to mark their degrees of agreement (on a Likert scale) with five statements that involve the concept of gravity, in different contexts. When analyzing the averages of the responses, it was possible to notice that, although the students understand the existence of gravity and associate it with the weight force, they do not make the relationship about it and the spherical shape of the Earth. And yet, they claim to believe that the Earth is spherical. These results are part of an ongoing research, whose discussions still need to be further investigated.
Keywords : flat earth, gravity, social network, conceptions.
## Introdução
Em julho de 2019, o Instituto Datafolha realizou uma pesquisa com 2086 pessoas perguntando qual o formato do planeta Terra: redondo ou plano? 1 Dentre os entrevistados, 7% dos brasileiros declararam crer que o planeta seja plano, mostrando também que essa crença é inversamente proporcional ao nível de escolaridade do sujeito. Além da escolaridade, outros fatores podem estar associados e influenciar o início do pensamento terraplanista no Brasil. Garcia (2019) aponta que o alcance de grupos organizados nas redes sociais tem contribuído nesse sentido. Assim, consideramos importante compreender como os argumentos a favor de uma Terra plana têm sido disseminados nas redes sociais e o porquê estes parecem verossímeis para uma pequena - porém significativa - parcela da população.
Partindo do pressuposto da importância de se conhecer as concepções dos sujeitos na construção de abordagens educacionais para o cerceamento da proliferação desse pensamento anticientífico, apresentamos nesse artigo um recorte de uma pesquisa em andamento que visa compreender quais as concepções sobre gravidade certos estudantes possuem, como elas podem influenciar os argumentos pró ou contra uma Terra plana e como, por meio das compreensões destas concepções, é possível o desenvolvimento de práticas educacionais propositivas para o ensino de Ciências.
## Referencial
Em 2016, o dicionário inglês Oxford elegeu a 'pós-verdade' como a palavra do ano, definida como 'circunstâncias em que fatos objetivos são menos influentes na formação da opinião pública do que emoções e crenças pessoais' (ENGLISH OXFORD, 2016).
A era da pós-verdade está associada a uma crescente alteração, na percepção da população, do conceito de verdade como princípio estruturante da
sociedade, permitindo que pessoas comuns, que antes se viam como agentes passivos de formação de conteúdo agora se vejam na possibilidade de um papel ativo (D'ANCONA, 2018). Essas manifestações dos sujeitos que não são especialistas na área mas que almejam mesmo assim contribuir para a disseminação do que consideram conhecimento, costumam apresentar sistemas de explicações hipersimplificadas e linguagem maniqueísta, mesmo diante de uma realidade que se torna cada vez mais complexa e instável (Idem).
Para Mcintyre (2018 apud JUNIOR, 2019), é possível identificar as seguintes temáticas no campo da discussão sobre a era da pós-verdade: negacionismo científico, vieses cognitivos, big data , mídias sociais e pós-modernidade. Como exemplo de paranoia conspiracionista e negacionismo científico, D'Ancona (2018) cita o movimento antivacina, composto por indivíduos que recusam a imunização, alegando a existência de uma conspiração entre o governo e as indústrias farmacêuticas acreditando na ideia das vacinas como agentes causadoras do autismo em crianças.
Esse tipo de discurso alarmista é aumentado por influenciadores digitais, que muitas vezes manipulam de forma antiética métodos e instrumentos de investigação, visando aumentar o número de acessos aos seus conteúdos e os capitalizando (D'ANCONA, 2018). A isso, soma-se o problema dos algoritmos das mídias sociais, que acabam por selecionar o conteúdo que é mostrado ao usuário com base nos seus registros e rastros digitais. Assim, quanto mais se interage com conteúdos alarmistas e de negacionismo científico, mais conteúdos similares vão surgir nos feeds de notícias individuais nas redes sociais.
Com grupos de pessoas com pensamentos semelhantes cada vez mais se aproximando, as informações distintas tornam-se invisíveis, dificultando o debate e a discussão de pontos contrários nesses grupos. Cria-se, assim, um ambiente fértil para a proliferação do discurso anticientífico e o uso do pensamento crítico para discernir o que faz ou não sentido lógico-científico é pouco ou nada utilizado.
Neste cenário e, pautando-nos do exemplo do discurso conspiracionista e anticientífico de que a Terra não é esférica, buscamos interpretações a respeito desse 'fenômeno' e nos apoiamos na hipótese de que uma possível explicação para esse acontecimento pode estar pautada na falta da compreensão do denominado 'germe' de conteúdo.
Para Davydov (apud ENGESTRÖM, 2002), o 'germe' de um assunto acadêmico pode ser entendido como um núcleo central de uma generalização cujos ramos se edificam em casos particulares. Ao se estruturar uma abstração cognitiva generalizada para um certo assunto, o sujeito é capaz de utilizar esse 'germe' para olhar de volta para um caso particular e entender a sua origem. O pensamento, construído a partir do entendimento de que particularidades são ligadas através de uma generalização maior é, então, utilizado para '[...] deduzir, explicar, predizer e controlar na prática fenômenos e problemas concretos em seu ambiente' (ENGESTRÖM, 2002, p. 186).
Voltando à discussão sobre o formato de nosso planeta, consideramos que o 'germe' de conteúdo para entender que o mesmo é esférico é a compreensão da existência da força da gravidade. Há séculos, utilizamos a física newtoniana e a Lei da Gravitação Universal para predizer o movimento de astros. Entendendo o 'germe' do conceito da força da gravidade, de que objetos com massa se atraem mutuamente, somos capazes de deduzir matemática e fisicamente que a forma mais
estável de grandes objetos maciços, tais como planetas e estrelas, é uma esfera, no qual as forças de atração entre as massas se equilibram.
Pautamo-nos na ideia de que a gravidade é o 'germe' de conteúdo relacionado ao movimento do terraplanismo com base nos inúmeros depoimentos de membros de grupos que defendem a ideia. Em uma página da rede social Facebook sobre a Terra plana 2 , por exemplo, podemos encontrar o seguinte discurso para a explicação de por que alguns objetos ficarem acima um do outro, como por exemplo uma bola de pingue-pongue (densidade menor do que a da água) flutuar na água e um parafuso (densidade maior do que a da água) afundar:
Densidade e flutuabilidade, não 'gravidade'. Até uma criança consegue entender e reproduzir conceitos simples da Física verdadeira, mas que fogem das mentes dos teóricos que recorrem a essa força imaginária da 'gravidade' como desculpa para tudo o que não conseguem provar na prática.
Esse caso exemplifica a falha de uma generalização para a explicação da posição dos objetos na Terra. O grupo de terraplanistas nega a existência da força da gravidade e utiliza como argumento apenas a densidade dos objetos como forma de explicar a posição dos objetos na Terra, sem buscar uma explicação mais aprofundada para o questionamento de 'por que objetos com maior densidade ficam abaixo?'.
Utilizando o conhecimento científico vigente, considerando a força da gravidade, podemos explicar e predizer os movimentos de objetos em fluidos levando em consideração a força peso (e empuxo) nos objetos. Objetos mais densos possuem mais massa num mesmo volume e, por isso, a força peso - que os puxa em direção ao centro da Terra - é maior. Entender como a força da gravidade influencia esses acontecimentos cotidianos é se apropriar do conhecimento do 'germe' de conteúdo do que é a gravidade.
Um outro exemplo encontrado nas redes está no fórum on-line da Flat Earth Society 3 (Sociedade da Terra plana). Nesse caso, os adeptos do terraplanismo buscam explicar o movimento acelerado de queda dos objetos não pela força da gravidade, mas sim justificando que a Terra está em movimento acelerado para cima e, por causa da Primeira Lei de Newton, a inércia nos faz ter a sensação de que os objetos caem aceleradamente. Como forma de justificar a Terra acelerada para cima nunca alcançar uma velocidade infinita, argumentam que a Teoria da Relatividade de Einstein impede que corpos com massa atinjam velocidades acima da velocidade da luz.
Neste caso, podemos notar que a ausência da busca de uma generalização, de um 'germe' de conteúdo, os faz utilizar diversos argumentos recordados de seus contextos originais para corroborar suas crenças, ato esse que Pivaro (2019) chamou de hiperparticularização - para cada contexto, usam uma explicação diferente que poderia ser substituída por um único 'germe': aqui, a força da gravidade.
A partir dessa discussão, vemos, nos discursos retirados de ambientes virtuais, que a falta da compreensão do 'germe' de conteúdo sobre o que é a gravidade e as suas consequências é um fator que muito influencia os 'argumentos' a favor de uma Terra plana. Desse modo, o objetivo traçado neste trabalho foi o de analisar como a gravidade é entendida por um particular grupo de estudantes, a fim de verificar se a compreensão (ou ausência dela) em relação a esse 'germe' de conteúdo pode, ou não, influenciar a crença em uma Terra plana.
## Metodologia
Em novembro de 2019, foi aplicado um questionário on-line , através da plataforma Formulários Google, para estudantes ao final de uma disciplina semestral de Física Básica em uma universidade estadual paulista. A disciplina em questão não é oferecida exclusivamente para estudantes das áreas de exatas e, por esse motivo, não utilizou cálculos avançados. Ela teve como objetivo fornecer uma visão geral em mecânica newtoniana e uma introdução ao eletromagnetismo. Os tópicos trabalhados se assemelham ao conteúdo do Ensino Médio compreendendo cinemática, Leis de Newton e forças e campos eletromagnéticos.
Para averiguar quais as concepções sobre gravidade os estudantes teriam ao final da disciplina, formulamos diversas afirmações envolvendo forças e campos gravitacionais em diferentes contextos e pedimos para assinalarem seus graus de concordância com elas. Utilizamos uma escala Likert de cinco pontos, sendo o ponto 1 - discordo muito; o ponto 5 - concordo muito e os outros pontos variantes entre esses dois extremos.
## Resultados e Discussão
Ao total, foram acessadas 76 respostas e, a fim de caracterizar o público estudado, ilustra-se na Tabela 1 os dados dos respondentes, em valores absolutos:
Tabela 1 - características gerais do público
Fonte: elaborada pelos autores com base das respostas do questionário
As afirmações apresentadas aos respondentes para a indicação do grau de concordância (entre 1 e 5, como mencionado) e as respostas dos estudantes, em valores absolutos e porcentagens, são descritas na Tabela 2 :
Tabela 2 - respostas do público às cinco afirmações presentes no questionário
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Fonte: elaborada pelos autores com base nas respostas do questionário
A afirmação 1 foi formulada com o intuito de verificar se os estudantes assimilam que, mesmo em objetos em movimento ascendente em fluidos (como o ar), a força da gravidade (caracterizada pela força peso durante a disciplina) não deixa de agir. Como discutimos em nosso referencial, a falta dessa compreensão conduz uma parte do grupo terraplanista a crer que a gravidade não existe.
Por 89,5% dos respondentes discordarem da afirmação de que 'quando balões sobem ao céu não há uma força que os puxa para baixo', vemos que associaram a existência constante de uma força gravitacional atuando em objetos terrestres. Tal resultado mostra-se animador, visto que o conceito de força peso foi exaustivamente trabalhado na disciplina em questão.
A afirmação 2, 'satélites que orbitam o planeta não estão mais no campo gravitacional da Terra', foi formulada visando analisar se os estudantes assimilariam os conceitos de força e campo gravitacional. Apesar de não ter sido trabalhada na disciplina a questão particular do campo gravitacional, o conceito de campo foi estudado pelos mesmos durante o conteúdo de eletromagnetismo, sendo possível que os estudantes fizessem a extrapolação necessária para relacionar o movimento dos satélites com a necessidade de um campo gravitacional.
Pode-se destacar que, durante a disciplina, o professor muitas vezes enfatizou a necessidade de haver uma força quando existe uma mudança vetorial de velocidade, como por exemplo quando um objeto muda a direção de seu movimento. Desse modo, não descartamos a possibilidade de que os estudantes apresentarem discordância nessa afirmação não por terem compreendido o conceito de campo gravitacional, mas sim por lembrarem da necessidade de haver 'algo' entre a Terra e o satélite para que ele orbite o planeta.
Pode-se notar uma pequena queda de discordância nesta afirmação (73,7%, somando os graus de concordância 1 e 2) em comparação com a afirmação 1. No entanto, apenas analisando os valores absolutos, não nos é possível afirmar se é uma variação significativa ou não.
Nestas duas primeiras afirmações, utilizamos diretamente conceitos que foram trabalhados em sala de aula com os alunos (força peso e campos). Já na afirmação 3, 'é por causa da gravidade que os planetas são redondos', é necessária uma maior extrapolação do que é gravidade e quais suas consequências. Aqui, houve uma mudança na forma de se trabalhar com o conceito, uma vez que não a usamos para falarmos explicitamente da força peso. Apesar de ser possível que, com o conhecimento adquirido durante o semestre, os estudantes chegassem à conclusão de que a Terra é esférica por causa da ação da força da gravidade de atração entre corpos maciços, vemos que apenas 34,2% (somando os graus de concordância 4 e 5) dos respondentes concordam com essa afirmação.
Situação semelhante aparece na análise das respostas da afirmação 4, a qual, afirma de forma direta que 'a teoria da gravidade diz que corpos com massa se atraem' e a qual apenas 56,6% (somando os graus de concordância 4 e 5) dos respondentes concordaram. Uma comparação entre os resultados dessa afirmação com as anteriores nos induz a inferir que embora os estudantes tenham se apropriado da existência de uma força peso, causada pela Terra que atrai objetos para baixo, eles não realizam as abstrações necessárias para extrapolar o conceito de gravidade para além de 'uma força que existe e a usamos para resolver problemas quando temos que calcular a força peso'.
No entanto, mesmo não utilizando o conceito da gravidade para justificar o formato esférico da Terra, a afirmação 5, 'eu só acreditaria com certeza que a Terra é redonda se visse com meus próprios olhos', obteve uma discordância de 94,7% (somando os graus de concordância 1 e 2), indicando que os respondentes concordam com o formato esférico do planeta. Ou seja, possuem a concepção que a Terra não é plana, mas não sabem o porquê e, deste modo, com base no referencial, o 'germe' de conteúdo da gravidade não foi compreendido de modo a possibilitar a interpretação adequada, do ponto de vista científico.
## Conclusões
Em tempos onde as redes sociais são fortes componentes de trocas de experiências e informações, discussões anticientíficas difundidas nas redes podem convencer aqueles que não possuem um conhecimento científico a acreditarem que a 'teoria da Terra plana' é tão válida quanto a 'teoria da Terra esférica'. A compreensão das concepções dos sujeitos é essencial para repensar abordagens educacionais que permitam o desenvolvimento de um pensamento científico e não negacionista.
Os resultados apresentados, ainda que em fase inicial de investigação de uma pesquisa em andamento, mostram que a compreensão e extrapolação de conceitos é tarefa complexa e que exige que as abordagens mencionadas deem subsídios para o desenvolvimento de ações neste sentido.
Partiu-se de uma primeira etapa, cujo objetivo foi identificar as concepções dos estudantes para que, por meio dessas, repensemos como abordar o conteúdo da gravidade de modo a fazer com que os estudantes façam a associação entre esse 'germe' e suas consequências no dia-a-dia (entre elas, o formato dos planetas).
- O negacionismo científico tem perpassado a, de certo modo, inofensiva crença em uma Terra plana. Outros movimentos têm oferecido riscos potencialmente fatais para a população. Não obstante, diante de uma situação em que a atual esfera governamental apoia e nomeia indivíduos que mostram visões mais próximas do negacionismo científico do que da pesquisa científica para gestão de setores importantes - como a presidência da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (NOVO, 2020) - defende-se que a compreensão e a atuação frente a uma educação de qualidade seja traçada como forma de luta contra essa nova onda obscurantista.
## Referências
D'ANCONA, M. Pós-verdade : a nova guerra contra os fatos em tempos de fake news. Barueri: Faro Editorial, 2018.
ENGESTRÕM, Y. Non scholae sed vitae discimus: como superar a encapsulação da aprendizagem escolar. In: DANIELS, Harry (org.). Uma introdução a Vygotsky . São Paulo: Loyola, p. 175-197, 2002.
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GARCIA, R. 7% dos brasileiros afirmam que a Terra é plana, mostra pesquisa. Folha de S. Paulo. São Paulo, 14 jul. 2019. Disponível em <https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2019/07/7-dos-brasileiros-afirmam-que-terrae-plana-mostra-pesquisa.shtml>. Acesso em: 10/02/2020.
JUNIOR, G. C. Pós-verdade: a nova guerra contra os fatos em tempos de fake news. ETD-Educação Temática Digital , v. 21, n. 1, p. 278-284, 2019.
MCINTYRE, Lee. Post-truth . Cambridge, MA: MIT Press, 2018.
NOVO presidente da Capes gera polêmica ao defender criacionismo. G1 . 28 fev. 2020. Disponível em <https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2020/01/28/novopresidente-da-capes-gera-polemica-ao-defender-criacionismo.ghtml>. Acesso em 10/02/2020.
PIVARO, G. F. A crença em uma Terra plana e os ambientes virtuais: identificando relações e construções de conhecimento. XXI Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, Natal, p. 1-7, 2019.
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