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A LINGUAGEM DOS QUADRINHOS E O ENSINO DE FÍSICA: UMA PRODUÇÃO DE ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO

Vinicius Jacques, Vinicius De Gouveia, Henrique César Da Silva

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XVIII
Ano
2020
Data
11/11/2020
Linha de pesquisa
Linguagem E Cognição No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A LINGUAGEM DOS QUADRINHOS E O ENSINO DE FÍSICA: UMA PRODUÇÃO DE ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO

## THE LANGUAGE OF COMICS AND THE PHYSICS TEACHING: A PRODUCTION OF HIGH SCHOOL STUDENTS

Vinicius Jacques 1 , Vinicius de Gouveia 2 , Henrique César da Silva 3

1 Instituto Federal de Santa Catarina/Programa de Pós-Graduação em Educação Científica e Tecnológica/vinicius.jacques@ifsc.edu.br

2 Instituto Federal de Santa Catarina/vinicius.gouveia@ifsc.edu.br

3 Universidade Federal de Santa Catarina/Centro de Ciências da Educação/Departamento de Metodologia de Ensino/Programa de Pós-Graduação em Educação Científica e Tecnológica/ henriquecsilva@gmail.com

## Resumo

Este trabalho apresenta a análise da linguagem dos quadrinhos a partir de uma produção de estudantes do ensino médio de uma escola pública federal, resultante de uma intervenção didática sobre eletrodinâmica. Os estudantes produziram 20 roteiros relacionados aos diferentes gêneros dos quadrinhos: charge, cartum, tirinha e histórias em quadrinhos. Como recorte deste trabalho, foi analisada a produção de um roteiro que resultou na ilustração artística num único quadro - um cartum. Para análise, utilizamos como referencial teórico para descrever os elementos do quadrinho McCloud (2005) e Eisner (2010). A opção por este tipo de intervenção didática, que resultou na produção de materiais que utilizam a linguagem dos quadrinhos, se deu com o objetivo de dinamizar ações, favorecendo a participação ativa dos estudantes em sala de aula e exercitando a imaginação, o contexto lúdico e criativo - atributos fundamentais no ensino de Física. A análise evidenciou a potencialidade que resulta destas produções, enquanto exercício de aprendizagem da física e da linguagem, e que precisa ser potencializadas em discussões pós-produção.

Palavras-chave : Linguagem, Quadrinho, Ensino de Física, Eletrodinâmica.

## Abstract

This work presents the analysis of the language of comics from a production of high school students from a federal public school, resulting from a didactic intervention on electrodynamics. The students produced 20 scripts related to the different genres of comics: cartoon, cartoon, comic strip and comic books. As part of this work, the production of a script that resulted in artistic illustration in a single scene, a cartoon, was analyzed. For analysis, we used the theoretical framework to describe the elements of the McCloud (2005) and Eisner (2010) comic. The option for this type of didactic intervention, which resulted in the production of materials that use the language of comics, was made with the aim of boosting actions, favoring the active participation of students in the classroom and exercising the imagination, the playful context and creative - fundamental attributes in the Physics teaching. The analysis

showed the potential that results from these productions, as a learning exercise of Physcis and language, and that need to be enhanced in post-production discussions.

Keywords : Language, Comic, Physics Teaching, Electrodynamics.

## Introdução

Quem nunca leu uma história em quadrinhos? Nunca se deparou com uma charge, um cartum ou uma tirinha de jornal? Com uma linguagem própria, os materiais que utilizam a linguagem dos quadrinhos são acessíveis, divertidos, ativam a imaginação, promovem uma forte ligação cognoscitiva com o leitor e têm uma grande penetração popular.

Apesar de vistas inicialmente como um produto menos valorizado socialmente, descartáveis culturalmente, e terem sofrido desprestígio quanto à utilização em sala de aula, as histórias em quadrinhos hoje são consideradas meios de comunicação, inclusive com jovens em formação escolar (VERGUEIRO, 2014).

Sua utilização como recurso pedagógico é incentivada nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), que trouxeram a noção de gênero textual para o debate didático (BRASIL, 1998). Outro marco na aceitação dos quadrinhos no ambiente educacional é a sua inserção nos livros didáticos (PIZARRO, 2009).

De suspeitos a aliados no contexto educacional, os quadrinhos têm adentrado nas escolas e nas salas de aula. Sua utilização é versátil e pode ocorrer em diferentes situações, como: introduzir ou aprofundar um tema, fomentar o debate ou instrumento de avaliação. Esta ferramenta didática une o aprendizado com o lúdico, além de investir na percepção visual, imprescindível para muitos alunos.

Entendemos que uma das vantagens da utilização dos diferentes gêneros dos quadrinhos no ensino é sua relação semiótica do icônico e do verbal - uma linguagem que favorece a compreensão e identificação do leitor com o enredo proposto - podendo ser utilizados em estratégias de ensino-aprendizagem em aulas de Física. A familiaridade com a linguagem também aproxima Ciência, aluno e professor, podendo tornar as aulas mais dinâmicas e motivadoras.

Neste contexto que surge este trabalho: uma análise da linguagem dos quadrinhos a partir de uma produção de estudantes do ensino médio em aulas de Física, buscando evidenciar possibilidades de aprofundamentos conceituais. A opção pela produção deste tipo de ferramenta se dá no intuito de ampliar e dinamizar ações discentes, incentivar a participação ativa nas aulas e consequentemente na construção do conhecimento, exercitar a imaginação, o prazer, a criatividade e o contexto lúdico - atributos fundamentais no ensino de Física e que são potencializados por gêneros que utilizam a linguagem dos quadrinhos.

## A Linguagem em Quadrinhos

Materiais que utilizam a linguagem dos quadrinhos estão cada vez mais presentes no dia a dia dos estudantes, tanto dentro como fora da escola. Importante destacar que quando nos referimos a materiais que utilizam a linguagem dos quadrinhos estamos nos referindo a todos os gêneros que compartilham elementos comuns, como charges, cartuns, tirinhas e histórias em quadrinhos.

Neste sentido, corroboramos com Ramos (2018) ao entender que os quadrinhos representam um hipergênero que engloba vários gêneros com características comuns à linguagem dos quadrinhos - servindo as histórias em quadrinhos mais longas de base para todos os gêneros.

Os elementos básicos da linguagem em quadrinhos são inúmeros e se conectam, como: as imagens, os balões, o letreiramento, o requadro, anatomia expressiva, as onomatopeias, entre outros. O balão tenta tornar visível um elemento etéreo - o som; o letreiramento, dentro do balão, reflete a natureza e a emoção da fala; o requadro tem a função principal de moldura, dentro da qual se colocam objetos e ações; a anatomia expressiva está associada aos gestos e posturas do corpo humano, que compõe o vocabulário não verbal de gestos; as onomatopeias representam o som (EISNER, 2010). Frente às inúmeras sobreposições de elementos, Eisner (2010) salienta que é preciso que o leitor exerça habilidades interpretativas visuais e verbais. Diz ainda: 'A leitura das histórias em quadrinhos é um ato de percepção estética e de esforço intelectual.' (EISNER, p. 2, 2010).

Comumente quando se refere a histórias em quadrinhos se associa narrativas contidas no interior de quadros, com o tempo avançando comparado ao anterior. No entanto, a narrativa pode ocorrer num único quadro, como na maior parte das charges e inúmeros cartuns.

A diferenciação entre as nomenclaturas instituídas de charge e cartum não é fácil. Ramos (2010) aponta que a diversidade de gêneros se dá por uma série de fatores, como: a intenção do autor, a forma como a história é rotulada pelas editoras, nome como foi popularizado. De maneira geral, a charge utiliza a caricatura, é temporal, localizada geograficamente, comumente irônica e associada a um contexto específico. Já o cartum raramente utiliza a caricatura, é universal, atemporal, comumente utiliza anedota e não está relacionado a um contexto específico.

## A Intervenção em Sala de Aula

A intervenção didática ocorreu em uma turma do ensino médio integrado de uma escola pública federal, resultado de um projeto de estágio supervisionado do curso de Licenciatura em Física. Na época da intervenção, a turma estava na terceira fase do curso técnico integrado em Telecomunicações, o que corresponderia ao segundo ano do ensino médio, comum na rede pública estadual ou particular de ensino. Foram abordados temas ligados à eletrodinâmica, em virtude das especificidades do currículo.

No primeiro encontro foram apresentadas a proposta de intervenção do estágio, assim como a de atividade avaliativa - produção de roteiros para quadrinhos (charge, cartum, tirinhas ou histórias com mais quadros). Foram apresentadas, ainda, noções básicas relacionadas aos quadrinhos e produção de roteiros com viés científico, a partir de exemplos produzidos pelo projeto 1 [Ciência] 2 , além de histórias em quadrinhos gerais. Neste encontro, também foram abordados os aspectos gerais do modelo de Drude, modelo de bandas e noções de corrente e tensão elétrica.

No segundo e terceiro encontros foram realizadas atividades experimentais investigativas relacionadas a 1 a e 2 a leis de Ohm. O quarto e quinto encontros foram

dedicados a proposta de atividade avaliativa - a produção de roteiros para os diferentes gêneros dos quadrinhos relacionados às noções abordadas em aula.

Os roteiros produzidos pelos estudantes no quarto encontro foram esboçados por um mesmo ilustrador - bolsista do projeto [Ciência] 2 . Esta estratégia foi utilizada para que os estudantes que não têm habilidades artísticas de desenhos não se sentissem desmotivados com a atividade. Desta forma, o foco da avaliação foi no roteiro. No quinto encontro os grupos socializaram e discutiram os esboços produzidos. A partir disso, o ilustrador fez a representação artística final dos roteiros propostos pelos estudantes.

## Um Exemplo: O Quadrinho dos Reinos

Os estudantes apresentaram 20 propostas de roteiros com diferentes gêneros dos quadrinhos, que foram esboçadas pelo ilustrador, socializadas com toda a turma e, finalmente, ilustradas artisticamente. Parte deste processo será exemplificado a partir do recorte deste trabalho: análise da linguagem de uma ilustração, a partir do roteiro de uma equipe, representada artisticamente num único quadro.

A seguir, apresentamos o roteiro proposto pela equipe.

Havia 2 reinos: o reino da bateria e o reino da lâmpada. Após muitos anos de uma briga histórica, o reino da bateria finalmente prepara sua invasão de vingança. Porém, há um traidor entre 'os baterias' e a invasão é exposta. E o reino da lâmpada está preparado para o ataque (o objetivo dos baterias é acender a lâmpada). (Estudantes do Ensino Médio) .

O esboço produzido pelo ilustrador e socializado com toda a turma é representado na figura 1.

## FIGURA 1 - ESBOÇO DO QUADRINHO DOS REINOS

Fonte: Estudantes do ensino médio. Esboço de Lucas Hass - [Ciência] 2

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Na figura 2 temos a arte final deste quadrinho.

## FIGURA 2 - ILUSTRAÇÃO FINAL DO QUADRINHO DOS REINOS

Fonte: Estudantes do ensino médio. Ilustração de Lucas Hass - [Ciência] 2 .

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Denominamos o quadrinho final produzido de cartum, por ser um texto visual, ilustrativo, atemporal, não restrito a um contexto específico e apresentar inúmeros elementos da linguagem dos quadrinhos condensados num único quadro. Entendemos que a representação num único quadro não limita seu potencial provocativo, instigante, reflexivo e educativo.

A leitura e significação do quadrinho anterior não pode ser dada como algo objetivo e simplista. Os sentidos produzidos envolvem um processo complexo de produção de sentidos, dos quais além do sujeito, fazem parte a situação imediata e o contexto sociocultural (SILVA, 2006). Nesta perspectiva, apresentaremos algumas interpretações possíveis para o quadrinho e como elas se relacionam com as noções físicas abordadas durantes as aulas.

Embora o quadrinho permita a diferentes leitores uma suposta autonomia de interpretação, nossa leitura não ocorre de forma absolutamente autônoma, pois estamos 'contaminados' por suas condições de produção através das discussões realizadas em sala de aula, assim como na apresentação e socialização de seus autores - os estudantes. O roteiro produzido, a partir do qual foi realizada a ilustração, também não se deu de forma autônoma, pois foram influenciados pelos debates em sala de aula, das noções conceituais apresentadas, assim como outros inúmeros processos.

O quadrinho produzido faz uso da antropomorfização - dá qualidades/características humanas a elementos da natureza. Os elétrons livres são representados como personagens de um exército 'atacante'. Já as imperfeições da rede cristalina do material condutor como o exército de 'defesa'. Uma das motivações possíveis para a representação é o modelo de Drude para condução em metais, apresentado na intervenção didática.

Outros elementos que reforçam esta interpretação são os símbolos das unidades de medida para resistência elétrica (Ώ) e corrente elétrica (A) nos escudos

dos personagens. A lâmpada e a pilha são dois elementos muito comuns e que foram utilizados no estudo de carga elétrica, fonte de tensão, corrente elétrica, resistência elétrica e circuitos elétricos. A lâmpada, por estar apagada, indica que não há passagem de corrente elétrica. A posição dos personagens traz ainda a ideia de imobilidade dos portadores de carga elétrica, mesmo que haja o movimento dos entes devido a agitação térmica, neste contexto, se pode dizer que na média as cargas possuem velocidade nula, como em um circuito elétrico com o interruptor aberto. O quadrinho sugere, ainda, que existe disponibilidade de elétrons livres e o cenário em tons de cinza nos lembra um metal.

O quadrinho da figura 2, embora bastante simples, apresenta inúmeros elementos da linguagem dos quadrinhos. Um deles é o exagero na simplificação. Eisner (2010) aponta que ao contrário de realismo, que evidencia o máximo de detalhes, a eliminação destes numa imagem faz com que seja assimilada de maneira mais fácil e acrescenta-lhes humor. Para McCloud (2005), a abstração de imagens pelo cartum não elimina apenas detalhes, mas faz com que nos concentremos em detalhes específicos. Reconhecemos um rosto pela representação, mesmo que simplificada, dos olhos e boca.

Outro recurso extremamente importante é o enquadramento da fala, comumente realizado a partir dos balões para tornar visível o som (EISNER, 2010). O autor aponta, ainda, que o uso de balões se ampliou e seu contorno deixou de ser um simples delimitador da fala. Ele acrescenta significado, reflete a natureza e emoção. No quadrinho da figura 2, o letramento em caixa alta e o contorno do balão de fala (do tipo explosão) sugerem que o personagem está gritando, clamando aos portadores de cargas elétricas (os elétrons) que entrem em movimento para acender a lâmpada. Para isso, os elétrons precisam 'vencer' a resistência do material.

Corroboramos com Eisner (2010) que, ao apresentarem a sobreposição de palavra e imagem para a leitura de um quadrinho, é necessário que o leitor exerça suas habilidades interpretativas visuais e verbais. Afirma, ainda, que a compreensão de uma imagem requer um compartilhamento de experiências e que se desenvolva uma interação - pois o artista evoca imagens armazenadas em ambas as mentes.

Entendemos que diversos elementos articulados na figura 2 podem suscitar memórias, vivências e experiências, como: um homem em cima de um cavalo bravejando com uma espada na mão levantada, capacetes e escudos de batalhas, expressões faciais raivosas, a ideia de reinos, os símbolos da física, componentes de um circuito elétrico. Podemos relacionar inúmeros filmes, séries, livros, fatos históricos e noções científicas aos elementos anteriores.

Neste sentido, Eisner (2010, p. 10) aponta que:

Este símbolo básico, derivado de uma atitude bem conhecida, é amplificado por palavras, roupas, cenário e interação (com outra postura simbólica) para comunicar significados e emoção.

Temos, também, a postura do corpo e o gesto significando no texto:

O corpo humano, a estilização da sua forma, a codificação de seus gestos de origem emocional e de posturas expressivas são acumulados e armazenados na memória, formando um vocabulário não verbal de gestos. (EISNER, 2010, p. 103)

Há ainda, as expressões do rosto.

Trata-se de um terreno familiar à maioria dos seres humanos. Seu papel na comunicação é registrar emoções. (…) A cabeça (ou rosto) é usada com frequência pelos artistas para expressar a mensagem inteira do movimento corporal. É a parte do corpo com a qual o leitor está mais familiarizado. O rosto, é claro, também dá sentido à palavra escrita. (EISNER, 2010, p. 114).

Desta forma, acreditamos que os elementos anteriores articulados fazem com que leitor relacione o quadrinho com outras leituras, utilizando-as na sua interpretação, conscientemente ou não.

A partir do exemplo da figura 2, procuramos evidenciar os inúmeros elementos presentes num único quadrinho - elementos articulados à linguagem dos quadrinhos e aos aspectos conceituais. Noções que podem ser aprofundadas em sala de aula a partir da utilização destes materiais. Este recorte de análise corrobora com outros trabalhos da área (TESTONI e ABIB, 2003; ALBRECHT e VOELZKE, 2009; CARUSO e SILVEIRA, 2009; SANTOS e PEREIRA, 2011; CAMPANINI e ROCHA, 2015) quanto à potencialidade resultante da produção de quadrinhos pelos estudantes enquanto exercício de aprendizagem e que precisa ser potencializada pelo contexto de discussão pós-produção.

## Considerações Finais

O quadrinho produzido e apresentado neste trabalho, fora de contexto e sem mediação docente, pode incentivar interpretações equivocadas e distantes das noções/modelos físicos aceitos. Por se tratar de uma analogia - elétrons livres como exército 'invasor', rede cristalina como exército de 'defesa', lâmpada e bateria como reinos - pode favorecer uma compreensão simplista e limitada. Podem, ainda, sugerir que elétrons livres e rede cristalina estejam em repouso, como sugerido pela imagem; ou uma concepção animista aos elétrons.

No entanto, com mediação docente adequada pode permitir uma reorganização daquilo que já era conhecido pelos estudantes. O uso desta ferramenta didática pode oportunizar, ainda, relações e comparações entre o que é e não conhecido pelos estudantes.

Estamos convencidos que a produção destes materiais por estudantes do ensino médio oportuniza que adolescentes sejam produtores/criadores das histórias contadas para os seus pares, utilizando as suas linguagens e a sua forma de se comunicar. Ou seja, estudantes ativos e protagonistas do processo de ensino.

Acreditamos ainda que este material contribui para minimizar a lacuna entre o que comumente está disponível para estudantes de escolas públicas e instrumentos didáticos alternativos: uma forma de oportunizar uma ferramenta alternativa e lúdica às aulas de Física, favorecendo a catarse, criatividade e imaginação. Elementos corroborados por Testoni e Abib (2003).

Entendemos que a produção destes materiais, como o quadrinho apresentado, assim como a utilização destas novas práticas em sala de aula, favorecem a democratização do conhecimento, ampliando o número de possibilidades dos materiais culturais em que o conhecimento científico circula e pelo qual se textualiza.

Como perspectiva futura, é necessário fazer com que este material circule em ambiente escolar, sobretudo em aulas de Física, para que se avaliem as possibilidades e limitações do uso deste gênero textual discursivo em sala de aula.

## Referências

ALBRECHT, E.; VOELZKE, M.R. Construção de histórias em quadrinho nas aulas de física: uma prática didática. In: Anais do VII ENPEC , Florianópolis, SC, 2009.

BRASIL - MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais - Ensino Médio . Brasília: SEMTEC/MEC, 1998.

CAMPANINI, B.D.; ROCHA, M.B. Oficinas de histórias em quadrinhos como recurso didático no Ensino de Ciências. In: Anais do X ENPEC , 2015.

CARUSO, F.; SILVEIRA, C. Da Matemática ao Humor: Relato de um Trabalho de Ensino de Ciências Através dos Quadrinhos. Experiências em Ensino de Ciências , v. 4, n. 2, p. 39-46, 2009.

EISNER, W. Quadrinhos e arte sequencial. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2010.

MCCLOUD, S. Desvendando os Quadrinhos: história, criação, desenho, animação, roteiro. Trad. Helcio de Carvalho; Marisa do Nascimento Paro. São Paulo: Makron Books, 2005.

PIZARRO, M.V. As histórias em quadrinhos como linguagem e recurso didático no ensino de ciências. In: Anais do VII ENPEC , Florianópolis, SC, 2009.

RAMOS, P. A leitura dos quadrinhos . SP: Contexto. 2ª ed., 2ª reimpressão, 2018.

SANTOS, T.C.; PEREIRA, E.G.C. Oficinas de Histórias em Quadrinhos como instrumento de avaliação no ensino de Ciências. In: Anais do VIII ENPEC , 2011.

SILVA, H.C. Lendo imagens na educação científica: construção e realidade. ProPosições, Campinas, v. 17, n. 1(49), p. 71-84, jan./abr. 2006.

TESTONI, L.A.; ABIB, M.L.V. A utilização de histórias em quadrinhos no ensino de física. In: Anais do IV ENPEC , 2003.

VERGUEIRO, W. Uso das HQs no ensino . In: RAMA, A.; VERGUEIRO, W. Como usar as histórias em quadrinhos na sala de aula. São Paulo: Editora Contexto, 2014.

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