UM ESTUDO EXPLORATÓRIO ACERCA DA PERSISTÊNCIA DOS ESTUDANTES EM UM CURSO DE LICENCIATURA EM FÍSICA DE UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA BRASILEIRA
Kaluti Moraes, Leonardo Albuquerque Heidemann, Tobias Espinosa
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2020
- Data
- 11/11/2020
- Linha de pesquisa
- Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
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## UM ESTUDO EXPLORATÓRIO ACERCA DA PERSISTÊNCIA DOS ESTUDANTES EM UM CURSO DE LICENCIATURA EM FÍSICA DE UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA BRASILEIRA
## AN EXPLORATORY STUDY ABOUT STUDENTS 'PERSISTENCE IN A PHYSICS TEACHERS' TRAINING COURSE AT A BRAZILIAN PUBLIC UNIVERSITY
Kaluti Moraes 1 , Leonardo Albuquerque Heidemann 2 , Tobias Espinosa 3
1 Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto de Física, Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física, kaluti.moraes@gmail.com
2 Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto de Física, leonardo.h@ufrgs.br
- 3 Universidade Federal do Rio Grande, Instituto de Matemática, Estatística e Física, tobiasespinosa@furg.br
## Resumo
A evasão discente tem se tornado relevante e legitimada enquanto objeto de investigação no contexto universitário brasileiro, em particular no caso dos cursos de graduação de exatas que figuram entre aqueles que apresentam altos índices de evasão. O presente relato se dedica a apresentar os resultados preliminares de um estudo de caso exploratório realizado no contexto do curso de Licenciatura em Física da UFRGS, no primeiro semestre de 2018 (ano em que foi implementada a mais recente reestruturação curricular nesse contexto formativo). Tal estudo foi dedicado à investigação sobre os elementos que influenciam a persistência dos estudantes no curso de graduação, dirigido a partir da seguinte questão de pesquisa: 'Quais elementos previstos no modelo de Vincent Tinto contribuem ou não na decisão de permanência dos estudantes durante o primeiro semestre do curso de Licenciatura em Física do IF/UFRGS?'. Os nossos resultados apontam para uma adequação dos elementos centrais do modelo de motivação (autoeficácia, senso de pertencimento e percepção de currículo) para enquadramento do fenômeno de permanência no nosso contexto de estudo.
Palavras-chave : Persistência, Licenciatura em Física, Estudo de caso
## Abstract
Student dropout has become a relevant object of study in the Brazilian university context. Particularly in math and science courses, whose are among those with high dropout rates. This paper presents preliminary results of an exploratory case study carried out in the context of a Physics teachers' training course at UFRGS, in the first semester of 2018 (the year in which the most recent curricular restructuring was implemented). This research was devoted to figure out the elements that influence the students' persistence in the undergraduate course. The investigation was directed by the following research question: 'Which elements foreseen in Vincent Tinto's model contribute or not to the decision of the students to remain during the first semester of the Physics teachers' training course at IF/UFRGS?'. The results pointed out to a successful adaptation of the central elements of the motivation model (self-efficacy, sense of belonging and perception of curriculum) to fit the phenomenon of persistence in the context of this study.
Keywords : Persistence, Physics teachers' training course, Case study
## Introdução
O cenário do Ensino Superior brasileiro tem vivenciado um contexto de transformação em virtude da ampliação na dimensão do acesso, especialmente a partir das últimas duas décadas. Essa mudança representa o contraste em relação ao ingresso em um curso de graduação, que antes era privilégio da classe social mais abastada. Gomes e Moraes (2012) argumentam sobre a transição de um sistema de elite a um sistema de massa, onde a evasão discente é promovida enquanto objeto de investigação no contexto universitário. Em particular, no caso dos cursos de exatas, que figuram entre aqueles que apresentam os maiores índices de evasão (SILVA FILHO et al. , 2007), pesquisadores têm se dedicado ao tema (ARRUDA et al. , 2006; DAITX; LOGUERCIO; STRACK, 2016; EVANGELHO et al. , 2019; LIMA JUNIOR; OSTERMANN; REZENDE, 2012; MASSI; VILLANI, 2015; MENEZES et al. , 2018). O nosso contexto de estudo consiste no curso de Licenciatura em Física do IF/UFRGS 1 , ao longo do primeiro semestre de 2018, quando ingressou a primeira turma de licenciandos após a reestruturação curricular recente do curso. Realizamos um estudo de caso exploratório cujo objetivo geral foi investigar as implicações das transformações do contexto formativo (a exemplo da reestruturação curricular) na permanência dos licenciandos, a partir das vivências de primeiro semestre.
Nesse trabalho, pretendemos explorar os resultados preliminares desse estudo de caso, em particular aqueles relacionados à seguinte questão de pesquisa: 'Quais elementos previstos no modelo de Vincent Tinto contribuem ou não na decisão de permanência dos estudantes durante o primeiro semestre do curso de Licenciatura em Física do IF/UFRGS?'. Assim, investigamos a adequação desse modelo, oriundo de outra conjuntura (norte-americana), no contexto de uma Universidade pública brasileira. Para tal, empreendemos esforços na apropriação da teoria interacionista de Tinto, em particular o modelo de motivação da persistência (TINTO, 2017), que dirigiu fundamentalmente a nossa pesquisa. Fomos amparados pelas orientações metodológicas de Robert Yin (2011) no delineamento do estudo e na análise dos dados.
## Referencial teórico
O aporte sociológico de Vincent Tinto endossa um enquadramento do fenômeno da permanência no contexto universitário a partir de uma abordagem interacionista. Portanto, as experiências vivenciadas pelo sujeito na Universidade possuem primazia na sua decisão de persistir nos seus estudos. O autor consiste em um paradigma na literatura internacional sobre o tema e figura nas investigações realizadas no contexto brasileiro (BARDAGI; HUTZ, 2005), ainda que seja escassa a adoção de um referencial teórico. Recentemente, Tinto apresenta uma redimensão da sua teoria, a partir da perspectiva dos estudantes : Modelo de Motivação da 2 Persistência do Estudante (TINTO, 2017). Essencialmente, a persistência é entendida como uma expressão da motivação do indivíduo em persistir com seus estudos. Portanto, o sujeito não quer ser retido pela Instituição, mas sim intenciona persistir nos seus objetivos pessoais (metas).
Tinto (2017) sustenta que a motivação da persistência do estudante é influenciada a partir das suas vivências no contexto universitário, em especial em virtude das variações dos seguintes construtos (Figura 1): i) crenças de autoeficácia;
- ii) senso de pertencimento; e iii) percepção de currículo. Os parágrafos subsequentes são dedicados à apresentação dessas dimensões.
Figura 1 Modelo de Motivação da Persistência do Estudante (TINTO, 2017)
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Crenças de autoeficácia: conjunto de crenças de autoeficácia relacionadas diretamente com as demandas acadêmicas que o indivíduo deverá ser capaz de lidar com a finalidade de levar seu curso de graduação a termo (e.g., processos avaliativos, aprendizagem de conteúdos, apresentações de trabalhos). Nesse quadro, a crença de autoeficácia consiste no juízo que o indivíduo tem sobre sua própria capacidade em ser bem-sucedido em uma situação específica ou na realização de determinada tarefa (BANDURA, 1997). No nosso contexto, entendemos que o conjunto de crenças de autoeficácia necessário ao licenciando em Física orientado à meta de conclusão do curso deve abranger: i) aprendizagem de conceitos e teorias da Física, da Matemática e do Ensino de Física; ii) capacidade de administrar as demandas acadêmicas ao longo das disciplinas, em especial no que tange aos resultados adequados nos processos avaliativos; e iii) competência para enfrentar os problemas de Física, mobilizando os conhecimentos necessários e adequados ao contexto dos problemas.
Senso de pertencimento: percepção do indivíduo de que faz parte de uma comunidade no contexto universitário. Ademais, é fundamental que essa percepção esteja alinhada com o sentimento de que a sua participação é valorizada naquele contexto. Portanto, esse aspecto expressa, em última análise, o sentimento do estudante de que a sua presença faz a diferença para os demais membros dessa comunidade (e.g., colegas, veteranos, funcionários, professores). Para Strayhorn (2012), essa dimensão pode ser traduzida através de uma sensação de conexão, da experiência de fazer a diferença. Nesse quadro, o senso de pertencimento pode promover um sistema de relações que desempenha uma importante função de suporte social, ou seja, ancorar o indivíduo no coletivo frente às demandas inerentes ao curso. No nosso contexto, entendemos que o senso de pertencimento do licenciando em Física é produto das seguintes componentes: i) sentimento de integração, em especial tomando o Instituto de Física enquanto Universo das relações subjacentes a esse sentimento; ii) percepção de que a sua participação na rotina de atividades no campus é valorizada pelos colegas; e iii) sensação de amparo nos colegas para enfrentar os desafios do curso.
Percepção de currículo: percepção do indivíduo acerca da relevância dos estudos previstos ao longo da sua graduação. É importante que essa percepção seja significada à luz do conceito de engajamento do estudante proposto por Zepke (2015). Nesse sentido, essa dimensão pode ser traduzida pela aproximação entre a agência do estudante, os conhecimentos edificados ao longo do curso, bem como as situações em que esses conhecimentos são mobilizados. Em consequência disso, o sujeito é capaz de situar a própria trajetória acadêmica como produto do seu engajamento, significando a relevância das disciplinas cursadas à luz dos seus objetivos que o levaram a ingressar no curso. Segundo Tinto (2017), a vivência do estudante em uma disciplina contribui para a sua percepção de currículo a partir dos
seguintes elementos: i) perceber que o seu processo de aprendizagem é importante para o professor; ii) sentir que a aula consiste em um momento valorizado e qualificado; e iii) perceber a importância dos conteúdos abordados.
## Metodologia de pesquisa
Desenvolvemos um estudo de caso exploratório, único e holístico na acepção de Yin (2011), onde o nosso caso consistiu na turma de ingressantes do curso de 3 Licenciatura em Física do IF/UFRGS no primeiro semestre de 2018. Aplicamos um questionário sobre a persistência dos estudantes ao final do semestre para os 21 participantes do estudo e conduzimos entrevistas semiestruturadas com sete estudantes 4 . A partir do questionário, aventamos, em especial, os construtos preditores da motivação e a 'intenção de persistência' em função da composição por uma série de afirmativas (cujos valores foram normalizados em uma escala de zero a dez). Em particular na Questão 14 do questionário, os estudantes manifestaram sua concordância com os itens apresentados, contrastando a percepção no momento da aplicação do instrumento (final do semestre) com a projeção da sua percepção no começo do semestre.
## Resultados
Os Estudantes 1 e 12 não puderam ser analisados a partir da atualização da 5 'intenção da persistência', pois se comprometeram com a concordância máxima nas assertivas relacionadas em ambos momentos de resposta. A seguir, produzimos uma análise sobre cada uma das dimensões de interesse em relação à 'intenção de persistência'.
## Crenças de autoeficácia
Figura 2 - Distribuição dos estudantes em função das variações nas "crenças de autoeficácia" e "intenção de persistência" (os autores)
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A Figura 2 apresenta a distribuição dos estudantes em virtude das variações apresentadas nas 'crenças de autoeficácia' e na 'intenção de persistência'. Salientamos que essas relações encontradas acerca das mudanças nas percepções dos estudantes se deram de maneira coerente com o modelo de motivação da
persistência (TINTO, 2017) para 14 dos 18 participantes, aqueles abarcados nas regiões azul e vermelha destacadas na Figura 2. O Estudante 6 também não figurou na análise dessa dimensão, pois não apresentou mudança no construto 'crenças de autoeficácia'.
Houve três sujeitos que apresentaram variação positiva nas 'crenças de autoeficácia' acompanhada de uma redução na 'intenção de persistência'. Dentre esses, os Estudantes 2 e 3 apresentaram uma divergência nos resultados quando investimos na triangulação entre as fontes quantitativa e qualitativa do nosso questionário. Achamos adequado considerar uma percepção positiva quanto à persistência para ambos sujeitos. Para ilustrar essa nossa decisão, expomos a fala da Estudante 2:
Não penso em sair [sobre ter acontecido alguma situação que a fez refletir sobre evadir do curso] , nunca pensei. […] meu sonho é ser qualificada para dar aula, para melhor compreender meus alunos e aonde estão suas dificuldades. Essas sensibilidades, na Licenciatura posso entendê-las melhor.
Portanto, redimensionamos a 'intenção de persistência' dos Estudantes 2 e 3 como uma expressão positiva da sua motivação em persistir e, por conseguinte, coerente com a perspectiva do modelo da persistência (TINTO, 2017). O terceiro estudante desta categoria é o Estudante 10, que foi fortemente influenciado pelo 'senso de pertencimento' como aspecto desmotivante a partir das suas vivências ao longo do semestre. Ele afirma:
No começo do semestre eu me sentia bem integrado socialmente, mas com o tempo isso foi diminuindo. […] aparece mais fora da sala de aula [o problema de integração] , até mais com veteranos. Acontece mais no diretório acadêmico, com algumas pessoas. Sinto que não sou bem-vindo naquele ambiente.
Houve três sujeitos que apresentaram variação negativa nas 'crenças de autoeficácia' acompanhada de um aumento na 'intenção de persistência'. Dentre esses, os Estudantes 13 e 19 manifestaram uma influência substancial da dimensão 'senso de pertencimento' no fomento à persistência, apesar da adversidade das 'crenças de autoeficácia'. Para ilustrar essa influência, apresentamos a fala da Estudante 13:
Muitos veteranos nos falavam que, se tu rodar não tem problema nenhum, é capaz de tu aprender ainda mais que muitos que passaram direto. […] Tem pessoas próximas de mim aqui na faculdade que rodaram junto comigo, daí decidimos dar mais uma chance. Não importa o que aconteça, nem que a gente rode em tudo, vamos dar mais uma chance pro curso. Esse apoio é o que me ajuda a continuar mais um semestre.
Essa manifestação apresenta elementos dessa busca por um ancoramento no coletivo para lidar com as dificuldades do curso. A terceira estudante dessa categoria é a Estudante 11, que consiste em uma situação muito particular, pois não apresenta nenhum compromisso com a meta de se graduar no curso que ingressa. Desde o princípio deixa evidente que não tem a intenção de levar o curso a termo . 6 Ela afirma:
Particularmente, não [considero importante a obtenção do diploma de graduação no curso] . Porque desejo trocar de curso. […] Entrei no curso já com a intenção de sair, pois o curso que desejo não tem na UFRGS.
Dessa forma, tivemos quatro situações que não apresentaram as mudanças conforme a expectativa do modelo de motivação da persistência (TINTO, 2017). Exploramos o papel desempenhado pelo 'senso de pertencimento' para elucidar as mudanças quanto à persistência do Estudante 10 (negativamente) e dos Estudantes 13 e 19 (positivamente), dimensão do modelo que será retomada na seção subsequente. Por último, caracterizamos o caso da Estudante 11, a qual ingressa no curso de Licenciatura sem nenhum compromisso de levá-lo a termo.
## Senso de pertencimento
A Figura 3 apresenta a distribuição dos estudantes em virtude das variações apresentadas no 'senso de pertencimento' e na 'intenção de persistência'. Salientamos que essas relações encontradas acerca das mudanças nas percepções dos estudantes se deram de maneira coerente com o modelo de motivação da persistência (TINTO, 2017) para 14 dos 19 participantes, aqueles abarcados nas regiões azul e vermelha destacadas na Figura 3.
Figura 3 Distribuição dos estudantes em função das variações no "senso de pertencimento" e "intenção de persistência (os autores)
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Houve quatro sujeitos que apresentaram variação positiva no 'senso de pertencimento' acompanhada de uma redução na 'intenção de persistência': os Estudantes 4, 5, 15 e 20. Eles apresentaram indícios de que a principal fonte de desmotivação se deu a partir da dimensão 'crenças de autoeficácia'. O 'senso de pertencimento' atua nesse quadro produzindo uma contrapartida. Para ilustrar essa asserção, apresentamos a fala do Estudante 5:
O fato de eu ter tido uma base pobre e ter muitas dificuldades me fez refletir se era isso mesmo que eu queria. Eu só permaneci no curso, pois vi que era 'normal', e também os amigos que fiz.
Interpretamos como um elemento representativo da sensação de pertencimento o que o Estudante 5 menciona quando percebeu que era normal enfrentar dificuldades com as demandas do curso. Os Estudantes 11 e 16 apresentaram variação negativa no 'senso de pertencimento' acompanhada de um aumento na 'intenção de persistência'. Por sua vez, a Estudante 16 acaba integrando essa categoria por uma variação mínima em uma das suas componentes, ao passo que manifestou concordância máxima com todas as demais. Portanto, consiste em uma situação particular onde não há uma mudança positiva no construto, apesar dos valores altos de concordância para quase todas as suas componentes.
Dessa forma, tivemos cinco situações que não apresentaram as mudanças conforme a expectativa do modelo de motivação da persistência (TINTO, 2017). Salientamos o papel desempenhado pelas 'crenças de autoeficácia' para elucidar as mudanças negativas quanto a persistência dos Estudantes 4, 5, 15 e 20. Ademais, a
Estudante 11, situação particular salientada na seção anterior, figura com níveis positivos quanto à 'intenção de persistência' apesar de percepções negativas quantos às dimensões 'crenças de autoeficácia' e 'senso de pertencimento'.
## Percepção de currículo
A Figura 4 apresenta a distribuição dos estudantes em virtude das variações apresentadas na 'percepção de currículo' e na 'intenção de persistência'. Salientamos que essas relações encontradas acerca das mudanças nas percepções dos estudantes se deram de maneira coerente com o modelo de motivação da persistência (TINTO, 2017) para 11 dos 15 participantes, aqueles abarcados nas regiões azul e vermelha destacadas na Figura 4. Há quatro estudantes que não foram contemplados nessa seção, pois não tiveram variação ao longo do semestre, apesar de manifestarem valores altos para a dimensão de interesse.
Figura 4 Distribuição dos estudantes em função das variações na "percepção de currículo" e "intenção de persistência (os autores)
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O Estudante 20 apresenta uma diminuta mudança positiva quanto à 'percepção de currículo'. Entretanto, assim como discutido na seção anterior, a redução importante que aparece nas componentes das suas 'crenças de autoeficácia' parece ser responsável pela queda na 'intenção de persistência'. Podemos apontar que as pequenas mudanças positivas em 'senso de pertencimento' e 'percepção de currículo' exerceram uma função protetiva diante da influência das 'crenças de autoeficácia', pois a redução na persistência não foi da mesma magnitude que àquela apresentada na autoeficácia.
Os Estudantes 6, 13 e 16 apresentam uma redução na 'percepção de currículo' enquanto manifestam aumento na 'intenção de persistência'. Essa dissonância está relacionada com vivências distintas experienciadas nas diferentes disciplinas da primeira etapa do curso. Para ilustrar esse aspecto, apresentamos a fala da Estudante 16:
Ao longo do curso fui me decepcionando com alguns professores, por perceber que o objetivo deles não é ensinar, mas sim trabalhar para receber seus salários ao fim do mês. Percebo isso em professores que não são formados em licenciatura. […] na minha opinião aprendo muito mais nas cadeiras de licenciatura do Instituto de Física.
Dessa forma, tivemos quatro situações que não apresentaram as mudanças conforme a expectativa do modelo de motivação da persistência (TINTO, 2017). Salientamos, assim como fizemos na seção anterior, a influência das 'crenças de autoeficácia' na mudança negativas quanto a persistência do Estudante 20. Ademais, tivemos três situações nas quais o construto não se mostrou adequado para representar a motivação em persistir devido às percepções distintas nas diferentes disciplinas da primeira etapa.
## Considerações finais
No presente trabalho, reportamos os resultados preliminares de um estudo de caso realizado no contexto do curso de Licenciatura em Física do IF/UFRGS. Fundamentalmente, nos dedicamos a explorar em que medida os elementos do modelo de motivação da persistência (TINTO, 2017) são adequados para a compreensão do processo de permanência dos estudantes nesse contexto particular de uma Universidade pública brasileira. Como principal asserção, os construtos medulares do modelo são preponderantes na influência da intenção de persistência dos estudantes, ainda que analisados isoladamente, já apontamos influências dentre as dimensões para a compreensão de casos particulares. Como perspectivas futuras, pretendemos apresentar uma análise agrupada dessas dimensões, que corroboram a adequação do núcleo do modelo. Ademais, pretendemos investigar quais as possíveis relações do processo de 'identificação com o curso' (expresso em particular no caso da Estudante 11) com as demais dimensões do modelo, para melhor representar o processo de permanência dos licenciandos no nosso contexto.
## Referências bibliográficas
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