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Dispositivo analítico para a caracterização epistemológica do "misticismo quântico"

Daniel Pigozzo, Matheus Monteiro Nascimento, Nathan Willig Lima

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XVIII
Ano
2020
Data
10/11/2020
Linha de pesquisa
Filosofia, História E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## DISPOSITIVO ANALÍTICO PARA A CARACTERIZAÇÃO EPISTEMOLÓGICA DO 'MISTICISMO QUÂNTICO'

## ANALYTICAL DEVICE FOR THE EPISTEMOLOGICAL CHARACTERIZATION OF 'QUANTUM MYSTICISM'

Daniel Pigozzo 1 , Matheus Monteiro Nascimento 2 , Nathan Willig Lima 3

1 UFRGS / Instituto de Física, daniel.pigozzo@ufrgs.br 2 UFRGS / Instituto de Física, matheus.monteiro@ufrgs.br 3 UFRGS / Instituto de Física, nathan.lima@ufrgs.br

## Resumo

Muitos discursos não científicos têm predominado na sociedade e, como pesquisadores da área de Ensino de Física, é importante entendermos esses fenômenos para pensar em estratégias que favoreçam formas adequadas de divulgação e educação científica. Para aprofundar os debates sobre o fenômeno conhecido como 'misticismo quântico', o presente artigo apresenta uma caracterização epistemológica com fundamentação teórica na visão de Max Jammer sobre a Tese da Interpretação Parcial. De modo complementar à caracterização, discutimos uma seleção de exemplos capazes de consolidar o entendimento das categorias epistemológicas propostas. Por fim, realizamos nossas considerações finais de modo a reforçar a relevância da proposta.

Palavras-chave : misticismo quântico, física quântica, epistemologia, tese da interpretação parcial.

## Abstract

Many non-scientific discourses predominate in society and, as researchers in Physics Education, it is important to understand these phenomena in order to think of strategies that hold up to appropriate forms of scientific communication and scientific education. To amplify the debates about the phenomenon known as ' quantum mysticism , this article brings forward an epistemological characterization of this ' phenomenon theoretically based on the Max Jammer s presentation for the Partial ' Interpretation Thesis. Complementary to the characterization, we discuss a selection of examples capable of consolidating the understanding of the proposed epistemological categories. In the end, we make our final considerations to reinforce the proposal s relevancy. '

Keywords : quantum mysticism, quantum physics, epistemology, partial interpretation thesis.

## Introdução

Atualmente, há diversos fenômenos que mobilizam reações da comunidade acadêmica, como o terraplanismo, o geocentrismo, o movimento antivacina, entre outros; fenômenos que causam consequências concretas na sociedade e que

dificilmente se proliferariam sem a utilização de estratégias de desinformação e desonestidade intelectual. Para a comunidade da área de Física, há um fenômeno em especial que gera mobilização: o misticismo quântico, um fenômeno conhecido por correlacionar os fundamentos de Física Quântica (FQ) a conhecimentos alternativos, místicos ou esotéricos, de formas tão descuidadas quanto absurdas. Apesar de hoje em dia ser muito associado a um paradigma alternativo, e problemático, de saúde (termos e pr áticas de 'saúde quânti ca ' já são comuns em notícias e em nomes de eventos), o misticismo quântico ainda é especialmente associado a figuras como Fritjof Capra, Deepak Chopra e Amit Goswami.

- O alcance e o merecimento da alcunha de ' fenômeno podem ser ' demonstrados pelas inúmeras reedições de livros como ' The tao of physics: an exploration of the parallels between modern physics and eastern mysticism ' 1 e pelo sucesso comercial de ' What the #$*! do we know!? ' 2 e ' The secret ' 3 , dois produtos culturais que usam e abusam de ideias que permeiam as obras de Deepak Chopra e Amit Goswami, e até mesmo de Fred Alan Wolf, uma figura fortemente relacionada ao misticismo quântico na década de 1980.

Entretanto, estudos sugerem que ideias esotéricas, místicas e não ortodoxas estão presentes na gênese de diversas teorias científicas 4 . No caso da FQ, ideias assim teriam inspirado até mesmo os escritos de Wolfgang Pauli e Niels Bohr (BURWELL, 2018; MARIN, 2009; PAURA, 2018; SAITO, 2019). Mesmo sendo considerado um fenômeno longevo, não há uma definição realmente bem elaborada de misticismo quântico e existem poucas tentativas de tentar delinear ou descrever ' ' o fenômeno de modo mais estruturado (PAURA, 2018; PESSOA JR., 2011).

- O objetivo deste trabalho teórico é aprofundar as discussões filosóficas sobre o misticismo quântico com base na questão ' como caracterizar epistemologicamente o misticismo quântico e as diversas ideias a ele associadas? . ' Esse trabalho se justifica por explorar a circulação e divulgação dos fundamentos de FQ fora do âmbito acadêmico de forma que possam ser compreendidos e discutidos por docentes e discentes em reflexões sobre a construção, socialização e relevância cultural do conhecimento científico. Além disso, buscamos a possibilidade de contribuir com o aprofundamento das discussões sobre um dos problemas fundamentais da Epistemologia que o misticismo quântico traz à tona, o problema da demarcação, ou seja, a questão de como demarcar o que é conhecimento científico.

## Referencial Teórico: Tese da Interpretação Parcial

No presente trabalho, valemo-nos da visão de Max Jammer (1974) sobre a Tese da Interpretação Parcial (TIP) que lida com a descrição dos elementos de uma teoria física. Na TIP, a descrição básica de uma teoria física (T) pode ser feita através de seus componentes descritivos:

- ● ' F ' (ou 'formalismo abstrato') é o componente que representa a estrutura lógica de T e suas definições, leis e cálculos de caráter dedutivo organizados a partir de axiomas, sem pleno significado empírico e com termos descritivos não lógicos como, por exe mplo, ' átomo ' e ' vetor de estado ' (JAMMER, 1974, p. 10).
- ● ' R ' (ou 'regras de correspondência') é o componente que correlaciona os termos não lógicos e as fórmulas abstratas de F com fenômenos observáveis, operações ou leis empíricas (JAMMER, 1974, p. 10).
- ● 'I' ( ou ' interpretação ) é o conjunto de teses que se agregam à T sem ' impactar profundamente as previsões empíricas ou as explicações sobre resultados experimentais já adquiridos (JAMMER, 1974, p. 11). Se uma tese estabelece uma nova previsão experimental ou a necessidade de se alterar uma previsão, é possível afirmar que assim se configurou uma nova interpretação ou até mesmo uma nova teoria física (PESSOA JR., 2003, p. 4 -5).

## Proposta de um dispositivo analítico para a caracterização epistemológica do fenômeno cultural do misticismo quântico

Propomos caracterizar o fenômeno cultural do misticismo quântico em quatro categorias epistemológicas cujas definições são embasadas nos elementos descritivos de teorias físicas segundo a visão de Jammer para a TIP. Isto é, nossas categorias utilizam e amplificam, de modo rigoroso e focalizado, os conceitos e termos da TIP de forma a podermos utilizá-los para descrever não apenas uma teoria física, mas também o fenômeno cultural em questão e identificar o quanto os trabalhos relacionados a ele realmente se aproximam ou se distanciam da FQ. Na Figura 1, introduzimos as categorias pelo seu grau de distanciamento de uma teoria (física) original, da menor (1) à maior (4) possibilidade de distanciamento. A seguir, apresentamos cada uma delas com mais detalhes, justificando a possibilidade de distanciamento e explorando exemplificações.

Figura 1 - Graus de possibilidade de distanciamento de categorias da caracterização epistemológica.

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## Discussões filosóficas

As discussões filosóficas são aqueles trabalhos de filosofia especulativa ou análises teóricas sobre as origens, bases filosóficas e consequências empíricas dos componentes descritivos (F e R) e interpretações (I), mas sem alterá-los, apenas correlacionando-os ou construindo hipóteses sobre eles. Em discussões filosóficas, pode-se analisar, por exemplo, aproximações e distanciamentos entre as hipóteses da Interpretação de Copenhague e as teses de alguma visão filosófica específica, examinando o plano de fundo das teorias e buscando uma argumentação que apenas apresenta, sem alterações, os componentes da teoria. Pode-se, também, realizar análises mais sucintas e específicas de elementos de um domínio conceitual (de uma teoria física e/ou seus componentes) em termos de elementos de outro domínio conceitual com base em comparações e paralelismos. Essa categoria não

possui grande possibilidade de distanciamento da teoria original pelo seu baixíssimo poder de modificação de uma teoria física e seus componentes descritivos.

Um exemplo bastante pertinente é o livro 'O tao da física: uma exploração dos paralelos entre a física moderna e o misticismo ori ental' de Fritjof Capra (1989, originalmente publicado em 1975). Apesar de polêmica, a obra é bastante clara, e até humilde, no exercício intelectual no qual se debruça. Nas seções em que trata propriamente de fundamentos de FQ, há realmente um caráter didaticamente antiquado -apesar de praticamente inédito -e alguns raciocínios falhos, mas seus erros conceituais não são completamente infundados ou condenáveis se considerarmos o estado do conhecimento e da divulgação científica à época. O livro é dividido em três partes principais: uma análise do domínio conceitual da FQ, uma análise do domínio conceitual do que o autor chama de misticismo oriental e, por ' ' fim, como a síntese de um par tese-antítese, há a construção de paralelismos entre os dois domínios, caracterizando uma das possibilidade de análise que a categoria de discussões filosóficas descreve. Em sua proposta e execução, 'O tao da física' é essencialmente um trabalho de filosofia especulativa e um convite para a elaboração de uma moldura filosófica capaz de comportar algumas das tantas inquietações que a FQ gera em seus pesquisadores (PIGOZZO; LIMA; NASCIMENTO, 2019).

Um exemplo adicional, apesar de mais atípico, é a produção literária de Sir Arthur Edd ington na década de 1920, principalmente ' Space, time and gravitation ' (1958, originalmente publicado em 1920) e ' Science and the unseen world ' (1929). Seus livros, apesar de serem mais adequadamente descritos como livros didáticos ou de divulgação científica à moda da época, são caracterizados por pesquisadores como Marin (2009) e Paura (2018) -os quais associam Eddington, de maneira bastante significativa, à gênese do fenômeno cultural em questão -de formas que se enquadram excepcionalmente bem na categoria epistemológica de discussões filosóficas. Isto porque Eddington permeia seus livros com reflexões teóricas pouco ortodoxas, associando o 'novo indeterminismo' da FQ ao livre arbítrio (uma associação autoral bastante conhecida), ou refletindo sobre um tipo de "conteúdo desconhecido" da realidade natural e do 'mundo físico' que estaria relacionado à consciência humana. É necessário, entretanto, apontar que suas reflexões mais singulares são relativamente sucintas e não se estendem longamente em seus livros, ou seja, elas não representam acuradamente a totalidade do conteúdo de suas obras. Apesar disso, são reflexões escritas com a intenção de confrontar o leitor com elementos de filosofia especulativa e com menções às bases filosóficas do conhecimento científico com o qual está lidando.

## Aplicações

As aplicações são essencialmente utilizações do formalismo abstrato (F) e das regras de correspondência (R), para tentar resolver problemas físicos reais ou para avaliar teses e hipóteses agregadas à teoria. Trabalhos que se configuram como aplicações buscam evitar alterações dos elementos da teoria física original, mas eventualmente podem propor resultados que não corroboram ou que não coincidem com teses, hipóteses ou previsões experimentais da teoria e, portanto, nessa categoria há uma possibilidade um pouco maior de distanciamento.

Como exemplo da categoria epistemológica de aplicações, podemos mencionar os trabalhos da parceria intelectual entre Roger Penrose e Stuart Hameroff. As hipóteses desses pesquisadores envolvem um modelo de 'reduç ão

objetiva' orquestrada (Orch OR, orchestrated objective reduction ) que busca resolver, sem atribuir uma importância exagerada à existência de um observador, o problema da medição na FQ e envolvem, além disso, uma série de eventos físicos discretos que estariam relacionados à natureza material, biomolecular da consciência através de microtubos poliméricos estáveis com diâmetro na escala dos nanômetros e capazes de comportar fenômenos quânticos (HAMEROFF; PENROSE, 1996, 2014; PAURA, 2018). Na realidade, parte das ideias surgiram relativamente independentes na produção acadêmica e literária de Penrose dos anos de 1980 e 1990, enquanto contribuições de Hameroff ajudaram no melhor desenvolvimento de diversos dos argumentos biomoleculares (HAMEROFF, 2019; HAMEROFF; PENROSE, 2014; PAURA, 2018; PENROSE, 1991).

- O que identificamos nas produções de Penrose e Hameroff é a busca pela resolução de problemas físicos reais (como a não atribuição de um papel determinante a um observador consciente no problema da medição e a atribuição de uma natureza biofísica à consciência) de forma coerente com o formalismo das teorias das quais eles se apropriam para discutir suas hipóteses e coerente também com outras propostas de arranjos experimentais. Como o conjunto de proposições que é, o modelo de Penrose e Hameroff se baseia em resultados experimentais já estabelecidos, mas tenta fazer novas previsões que, apesar das críticas e da falta de corroborações consistentes (GEORGIEV, 2007; PAURA, 2018; TEGMARK, 2000), ainda merecem reconhecimento pela formalidade de sua elaboração representando, como tentamos demonstrar, a base da categoria epistemológica de aplicações.

## Interpretações

As interpretações (I), como já apresentadas, são os conjuntos de teses que se incorporam à teoria original sem impactar profundamente as previsões empíricas e que tentam explicar os significados de resultados experimentais com base nos componentes descritivos de T. As interpretações podem não se afastar de modo algum da teoria original assim como podem se distanciar em um grau considerável, dependendo do seu nível de fundamentação nos componentes descritivos da teoria física.

A categoria epistemológica de interpretações pode ser exemplificada, não de forma incontroversa, através da interpretação de Copenhagen. Mesmo sendo reconhecida como a interpretação ortodoxa dos fundamentos de FQ, por vezes deixando pouco espaço para o livre debate e para o efetivo crescimento de outras visões, a interpretação de Copenhagen não se consolidou sem causar polêmicas filosóficas que já foram associadas às ideias alternativas, místicas e esotéricas que contribuiriam com a gênese do misticismo quântico 5 . Albert Einstein acusava-a, por vezes, de proliferar concepçõ es místicas e também uma forma de 'filosofia reconfortan te' para a comuni dade científica (MARIN, 2009).

Apesar de nunca ter recebido uma formulação autocontida e bem delimitada de seu criador e grande divulgador, Niels Bohr, a interpretação de Copenhagen e o

princípio da complementaridade 6 se proliferaram inicialmente através de transcrições de palestras do físico dinamarquês e de seus artigos de caráter filosófico (BOHR, 1928, 1935, 1995). Posteriormente, a interpretação de Copenhagen recebeu sólidas contribuições de diversos indivíduos como Werner Heisenberg, Born, Jordan e Dirac. Entretanto, é notório também que, no que tange Bohr e seus contribuidores mais próximos, quanto mais expandiam e extrapolavam o conceito de complementaridade, mais se aproximavam de diferentes domínios conceituais e cosmovisões filosóficas que nem sempre se integravam facilmente à Física (BOHR, 1995; JAMMER, 1974); fato que pode ter levado estudiosos como Marin (2009) e Paura (2018) a mencionar as polêmicas que a interpretação de Copenhagen causou, associando-as parcialmente à gênese de ideias do misticismo quântico.

## Teorias alternativas

Na categoria com maior possibilidade de distanciamento da teoria original, estão as teorias alternativas , referindo-se a quaisquer conjuntos de formalismos abstratos (F), regras de correspondência (R) e/ou interpretações (I) que preveem novos resultados experimentais ou que explicam tais resultados mobilizando diferentes significados. Muitas vezes, as teorias alternativas estão relacionadas a interpretações modificantes que causam alterações ou omissões dos componentes ' ' da teoria original, o que justifica sua maior possibilidade de distanciamento.

Um exemplo dessa categoria é o par livrofilme ' The secret ', ou 'O segredo', em português. O filme é uma produção de Drew Heriot, Paul Harrington e Rhonda Byrne enquanto o livro é creditado apenas à Rhonda Byrne. Ambos são baseados na 'lei da atração', uma crença do Movimento Novo Pensamento, e basicamente buscam demostrar a pertinência, ou até a suposta veracidade, de afirmações metafísicas sobre pensamentos positivos e negativos. Isto é, The secret (BYRNE, 2006) é integralmente baseado em uma forma de teoria alternativa -e aqui, usamos ' alternativa em um duplo sentido, não apenas como uma variação não ortodoxa de ' ideias filosóficas, mas também como a aceitação de propriedades obscuras sem explicações empíricas ou racionais em ações humanas e na natureza em geral.

Epistemologicamente, uma das principais razões para caracterizar The secret e obras semelhantes como teorias alternativas é devido ao fato de tentarem criar previsões empíricas que a FQ não faz e que nunca possuiu o instrumentário teórico para fazer. Afirmações sobre como os pensamentos positivos podem alterar a realidade de forma direta e concreta demonstram que algumas teorias alternativas do misticismo quântico fazem previsões que não poderíamos derivar do formalismo de Dirac-von Neumann ou de qualquer outro elemento teórico da FQ.

## Considerações finais

Neste trabalho, buscamos apresentar algumas reflexões que podem favorecer a compreensão dos processos de circulação e divulgação de conhecimentos científicos, especificamente da Física Quântica (FQ), e que podem ajudar a construir uma sociedade mais crítica e mais bem preparada para lidar com

fenômenos como o misticismo quântico. Discussões epistemológicas, especialmente aquelas que se aprofundam nos fundamentos de FQ, podem contribuir para um maior entendimento de conteúdos de Física Moderna e Contemporânea em geral; algo que acreditamos ter um valor pedagógico inigualável.

Quanto ao dispositivo analítico apresentado, sua utilidade pode ser demonstrada, para além das exemplificações, em análises mais gerais. Por exemplo, os famosos debates filosóficos entre 1920 e 1960 entre os grandes cientistas da época devem ser descritos, em nossa proposta, apenas como discussões filosóficas, aplicações ou interpretações da Física Quântica e, se de alguma forma tentarmos relacioná-los ao misticismo quântico, deve ser somente de forma tangencial. Isto é, defendemos que análises sobre as ideias e os debates formais que estão na gênese da Física Quântica não devem ser profundamente associadas ao misticismo quântico, ou pelo menos não às manifestações atuais desse fenômeno cultural. Considerando isso, nossas reflexões apresentadas na descrição das categorias epistemológicas podem ajudar a diferenciar interpretações acadêmicas, como a Interpretação de Copenhagen, de teorias alternativas, como as da obra The secret , através do instrumentário teórico-conceitual da visão de Max Jammer sobre a Tese da Interpretação Parcial.

Defendemos que discussões que estavam na gênese da Física Quântica e que foram muito importantes para seu desenvolvimento, como a consideração de um papel da consciência em um sistema quântico, não podem ser associadas direta e ingenuamente a premissas do misticismo quântico. Acreditamos que nosso trabalho demonstra que os indivíduos e as discussões do início do século XX, mesmo que possam ser considerados como imersos em concepções minimamente alternativas e excêntricas, não compartilham características significativas com as teorias alternativas que tanto associamos ao fenômeno em questão. O que efetivamente deve ser associado ao misticismo quântico devem ser as obras que, por conclusão de análise, representam uma completa restruturação ou substituição das bases da teoria científica a qual se referem e que construam comparações tão dispersas quanto descuidadas; obras as quais poderíamos classificar como teorias alternativas e que não devem ser confundidas com discussões filosóficas legítimas que não compartilham das mesmas características.

## Referências

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