A CONSTRUÇÃO DE ORIENTAÇÕES CURRICULARES EM CIÊNCIAS: A PERCEPÇÃO DE PROFESSORES
Camila Manni Dias Do Amaral, Marta Feijó Barroso
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2020
- Data
- 10/11/2020
- Linha de pesquisa
- Didática, Currículo E Inovação Educacional No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A CONSTRUÇÃO DE ORIENTAÇÕES CURRICULARES EM CIÊNCIAS: A PERCEPÇÃO DE PROFESSORES
## BUILDING NEW SCIENCE CURRICULUM GUIDELINES: THE PERCEPTION OF TEACHERS
Camila Manni Dias do Amaral 1 , Marta F. Barroso 2
- 1 Universidade Federal do Rio de Janeiro / PEMAT / camilamanni@gmail.com
- 2 Universidade Federal do Rio de Janeiro / Instituto de Física / marta@if.ufrj.br
## Resumo
Neste trabalho são apresentadas as investigações preliminares sobre as relações entre professores do ensino fundamental e uma nova proposta curricular e sobre quais são as percepções desses profissionais sobre essa proposta. Por meio de observação participante, foram coletados dados em momentos chave do processo de elaboração e discussão de uma reforma curricular, e foi lançado um olhar antropológico sobre as perspectivas dos profissionais da educação básica que ensinam ciências, em particular física, no ensino fundamental. Da análise de dados emergem categorias que podem ser agrupadas em quatro grandes grupos, estando o primeiro deles relacionado aos pensamentos e sentimentos dos professores com sobre as medidas propostas. É sobre esse primeiro grupo que versa esse trabalho, no qual é apresentado o levantamento desses pensamentos e sentimentos nos contextos em que são percebidos. A análise desse primeiro grupo revela uma percepção de impotência frente a uma reforma imposta, e um desconhecimento relativo aos objetivos da reforma .
Palavras-chave : Ensino de Física; Ensino de Ciências; Reforma Curricular; Base Nacional Comum Curricular; Professores do Ensino Fundamental
## Abstract
This study presents preliminary results on investigations regarding the relations between secondary school teachers and new curricular guidelines, as well as teachers' perceptions about the proposal. Through participant observations, data from key moments in the process of discussion and elaboration of a curriculum reform were collected and an anthropological view was thrown over secondary school teachers' perceptions about this reform. Teachers from different fields participated in the research, but the focus of this study is those who teach physics in science-related disciplines. From data analysis, categories emerge that can be grouped into four main groups, and this study presents a brief analysis of the first of them, concerning the feelings and thoughts of teachers regarding the changes to be implemented due to the reform. Data analysis of this group reveals the perception of impotence face to an imposed reform and the ignorance of the goals of the reform.
Keywords : Physics Teaching; Science Teaching; Curriculum Reform, Secondary School Teachers
## Introdução
Em dezembro de 2017, foi publicada a resolução CNE/CP Nº2, que dispõe sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para o Ensino Fundamental (BRASIL, 2017), a ser obrigatoriamente ser instituída em um prazo de dois anos contados a partir desta data. A adequação dos currículos à BNCC deveria ocorrer até o início do ano letivo de 2020. Em 2018, a rede municipal de ensino do Rio de Janeiro deu início às discussões que culminaram com a proposição de Orientações Curriculares (OCs), a serem implementadas preliminarmente no ano letivo de 2019.
- O processo de elaboração desse documento teve início em comissões internas da Secretaria Municipal de Educação (SME), com convite feito a professores universitários para participar como consultores; a partir de documentos preliminares, foram promovidas discussões com professores da rede de ensino e a apresentação das OCs aos professores e membros das Coordenadorias Regionais de Educação (CREs). Todo esse processo foi acompanhado: foram observadas as diferentes reuniões, e este trabalho apresenta um resultado preliminar da análise dos dados coletados nessas observações e da revisão bibliográfica sobre o tema.
A elaboração das OCs acompanhada neste trabalho é referente a Ciências no Ensino Fundamental, níveis de ensino em que atuam, majoritariamente, professores formados em Biologia, Pedagogia ou Normal Superior. As OCs no município existentes até então possibilitavam a esses professores não abordar temas de Física ou Química, pois essas disciplinas estavam concentradas no nono ano do ensino fundamental. Com as novas OCs, a possibilidade de não abordar em sala de aula temas de Física deixa de existir, já que a presença desses temas nos eixos 'Matéria e Energia' e 'Vida e Universo' passam a estar distribuídos de forma linear ao longo dos nove anos do Ensino Fundamental, engendrando mudanças e desafios para os professores da rede.
Esta investigação, ainda em andamento, aproveita a oportunidade de acompanhar uma reforma educacional desde sua elaboração até sua implementação. Justifica-se pela atualidade e relevância do tema, e tem como objetivo principal discutir os pensamentos e sentimentos (e as ações) que a BNCC e as OCs suscitam nos profissionais de educação. Para o seu desenvolvimento, foi adotada uma abordagem antropológica, com ênfase na investigação dos significados atribuídos pelo grupo observado às OCs e às suas práticas profissionais. Isso implica dizer que esse não é um estudo onde são esmiuçados documentos e discutidos seus textos; ao invés disso, busca-se conhecer e revelar as percepções dos professores sobre esses documentos.
## Percursos Metodológicos
A coleta de dados foi realizada através de observação participante e não participante em ambientes físicos e espaços virtuais. Existem discussões com relação à existência de uma observação que seja não participante, já que a própria presença de um observador externo influencia de maneira imprevisível o comportamento dos participantes. Entretanto, como em algumas etapas do trabalho de campo diversos profissionais que não se conheciam estavam presentes, e a pesquisadora de campo não se diferenciava dos demais, reafirma-se que houve a possibilidade de uma observação não participante. Quando foi realizada a observação participante, surgiram alguns desafios; para o grupo pesquisado, os
observadores eram outsiders , e o papel desses na dinâmica de elaboração e implementação das orientações curriculares não estava clara para os professores.
As primeiras observações para essa pesquisa ocorreram no grupo da SME, composto por professores e gestores da rede municipal de ensino e consultores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que reuniram-se regularmente durante todo o ano de 2018. As observações desse grupo constituíram uma primeira aproximação das OCs, mas o objeto desta pesquisa é a percepção dos professores a respeito desse primeiro documento e a implementação dessas orientações na rede municipal de ensino. Por esse motivo, as reuniões não serão detalhadamente descritas.
- O trabalho de campo foi realizado por uma das autoras, e a primeira etapa desse estudo foi a observação da apresentação das OCs para os coordenadores pedagógicos e elementos de CREs, em setembro de 2018. Essa foi a primeira apresentação geral do documento; anteriormente haviam sido formados pequenos grupos de discussão nas CREs para que os professores pudessem participar da construção das orientações. Nessa ocasião, a técnica utilizada para a coleta de dados foi a observação não participante, realizada a partir de um ponto fixo do qual era possível observar todos os presentes.
- A segunda etapa desse estudo foi a observação da apresentação e discussão entre os professores das OCs em uma escola da rede municipal de ensino. Para isso, foi feito o contato com três diretores de escolas, para solicitar autorização para observar as discussões. Nessa etapa, foi grande a objeção à participação de observador externo, e a autorização para a pesquisa só foi obtida no dia em que ocorreria a discussão nas escolas. Esse consentimento, entretanto, só foi dado após o minucioso escrutínio das intenções, crenças e da lealdade da pesquisadora de campo, pois havia a preocupação de que o real objetivo dessa observação fosse coletar informações para repassar para a SME, o que poderia prejudicar os professores presentes. Mesmo após esse escrutínio, era notório o desconforto de todos na escola com a possibilidade de estarem sendo vigiados, o que foi traduzido em palavras por uma das professoras, que questionou: ' você está aqui de olheira da secretaria? [...] não queremos olheiro '.
As tensões relatadas estiveram presentes também na terceira etapa de coleta de dados, que consistiu em uma tentativa de netnografia em grupos de mensagem instantânea 1 formados por professores da rede municipal. Uma netnografia é um método qualitativo de pesquisa que adapta as técnicas da observação participante às contingências únicas de um no ambiente virtual ou ciberespaço (KOZINETS, 2010), e aqui este método foi combinado com os métodos não virtuais descritos. Referimo-nos a essa etapa como uma tentativa de netnografia porque, apesar de ter sido possível coletar informação sobre o grupo pesquisado, a entrada (entrée) não foi bem-sucedida, mesmo com a utilização das técnicas de aproximação e entrada padrões da etnografia. Nessa etapa da pesquisa, ocorreu a retirada e a recolocação da pesquisadora no grupo algumas vezes, pois todas as vezes que algum assunto considerado pelos participantes mais delicado entrava em discussão, os professores optavam por fazê-lo sem observadores externos. Dessa maneira, já que a entrada no campo estava comprometida, em algum nível a pesquisa netnografica também o estava.
A quarta etapa do trabalho de campo foi a observação da discussão com os professores em estágio probatório, que ocorreu na Escola de Formação Paulo Freire no dia 11 de dezembro de 2018. Nessa etapa, talvez porque o público-alvo fossem professores em estágio probatório que assumiram o cargo em 2015/2016, foi possível notar algumas diferenças entre os presentes, como a menor faixa etária e uma animação particular.
A análise de dados ocorreu simultaneamente à coleta, e nela conjugaram-se as técnicas comuns da Teoria Fundamentada em Dados (CORBIN & STRAUSS, 1990; CHARMAZ, 2006) e da etnografia (CRESWELL, 2013). O processo de codificação line by line in vivo e o método de comparação constante possibilitaram a teorização sobre as categorias importantes para o grupo pesquisado, que emergiram no processo de análise. Concomitantemente, optou-se por uma descrição densa (GEERTZ, 2008) do trabalho de campo como parte da análise e da apresentação de resultados, priorizando a investigação dos significados atribuídos pelo grupo observado às categorias levantadas. Dessa forma, não houve a tentativa de conformar as categorias emergentes aos significados que foram atribuídos a elas em outras pesquisas.
## Revisão bibliográfica
A literatura sobre mudanças educacionais baseadas na reestruturação ou reelaboração do currículo aponta fatores indispensáveis à implementação de um novo currículo nas escolas. Esses fatores estão relacionados à comunidade escolar - professores, estudantes, administração interna, rede de apoio dos estudantes, estrutura da escola, avaliações externas, materiais instrucionais desenvolvidos para a implementação da reforma -, à estratégia adotada para a reforma - de cima para baixo ou de baixo para cima -, às agências de fomento e à administração externa (FULLAN, 2001; POWELL & ANDERSON, 2008; BRAUN, MAGUIRE & BALL, 2010). Apesar de todos esses fatores confluírem na prática, optou-se pela análise de parte desses fatores, nomeadamente a relação entre os professores e a implementação de reformas educacionais, o que pode colaborar para o conhecimento nesse campo de pesquisa, como mostram Datnow (2012) e Harris e Graham (2019).
Conforme consta em pesquisas sobre o desenvolvimento e a implementação de reformas curriculares, o corpo docente da instituição ou da rede onde será implementada uma reforma educacional é um elemento decisivo para o processo de implementação (POWELL & ANDERSON, 2008). A afirmação quanto à importância do papel dos professores norteia a abordagem aqui apresentada, e se sustenta no fato de que cabe ao professor tomar decisões sobre como adotar as novas recomendações e utilizar materiais elaborados para dar suporte às reformas educacionais (ROEHRING et. al, 2006). Por isso torna-se necessária uma breve discussão sobre como os conceitos de agência, estrutura e ensino têm sido articulados em estudos sobre reformas curriculares e prática docente.
- O conceito de agência mobilizado aqui, por estar mais relacionado aquilo que se observa ao analisar os dados coletados, é o definido por Emirbayer e Mische (1998):
'engajamento construído temporalmente por atores de diferentes ambientes estruturais [...] que, através da interação de hábito, imaginação e julgamento, reproduzem e transformam essas estruturas em resposta interativa aos problemas colocados pela mudança da situação histórica' (p.970)
De fato, Emirbayer e Mische (1998) trouxeram novas perspectivas sobre agência ao propor que ela tem três elementos constitutivos: iteração, projetividade e avaliação prática. A iteração é o elemento relacionado ao passado, à tradição e à repetição de padrões determinados pela cultura e sociedade, e seria o único elemento considerado nas concepções soft de agência; a projetividade está relacionada à formação culturalmente mediada de projetos e à maneira como os atores sociais negociam seus caminhos; a avaliação prática implica a capacidade dos atores de fazer julgamentos práticos e de criar e escolher trajetórias alternativas quando confrontados com demandas emergentes, dilemas e ambiguidades.
Nas discussões seminais sobre agência, ela frequentemente era entendida como oposta à estrutura, mas essa interpretação modificou-se ao longo dos anos de estudos sobre o tema. Atualmente, a agência é percebida como uma capacidade que emerge na interação social e é alcançada sob condições particulares. Sob essa perspectiva a estrutura é reinterpretada como o meio no qual a agência é alcançada. Assim, especialmente nas pesquisas da área de ensino, a relação entre agência e estrutura fica estabelecida como uma relação de construção mútua.
Essas pesquisas, que visam compreender as relações entre a agência profissional dos professores e a implementação de reformas educacionais, têm-se tornado mais recorrentes em revistas especializadas na última década (DATNOW, 2012; BING WIE & NAN CHEN, 2019). Devido às diferenças nos contextos em que são desenvolvidos, esses trabalhos guardam profundas diferenças entre si, mas compartilham da definição de agência proposta por Emirbayer e Mische (1998), considerada como algo que os sujeitos alcançam na vida social e não algo que lhes é intrínseco. Dessa forma, o foco dos artigos publicados na última década sobre agência e ensino é discutir como a agência é desenvolvida e negociada, assim como suas consequências práticas.
## Resultados Preliminares
Os resultados apresentados nessa seção são relativos às observações realizadas entre o início do segundo semestre de 2018 e meados do primeiro semestre de 2019 com aproximadamente cem professores, entre participantes da etapa presencial e online da pesquisa. As categorias emergentes da análise de dados foram agrupadas em quatro grandes grupos para análise: a) que eu penso e como me sinto com relação às mudanças propostas; b) O que/quem eu sou; o que eu sinto que sou capaz de fazer; c) O que/quem acham que eu sou; o que esperam que eu seja capaz de fazer; d) Como conciliar essas expectativas? eu quero/acredito que seja possível essa conciliação.
Esse trabalho se aterá à ao primeiro grupo, discutindo os pensamentos e sentimentos dos professores com relação à BNCC e às OCs.
## O que eu penso e como me sinto com relação às mudanças propostas.
Em todos os espaços nos quais foi realizada a pesquisa, a relação entre professores e a reforma curricular em curso pareceu ser mediada por três fatores: pensamento, sentimento e ação, não necessariamente inter-relacionados. Inicialmente codificaram-se os fatores que emergiram nas falas dos professores; em seguida, foi feito o levantamento acerca dos contextos em que cada fator é mobilizado, e então retornou-se a esses contextos para comparar os novos dados
coletados com aqueles já analisados. A partir desse processo, foi possível abrir os códigos pensamento, sentimento e ação, para então compreender os grandes temas suscitados pelos professores.
No Quadro 1, são apresentados os pensamentos que emergiram dos professores.
Quadro 1. Pensamentos
Os tipos de pensamento frequentemente emergem simultaneamente, e revelam uma preocupação com as consequências do fracasso para professores e escolas. Há um consenso entre os professores de que a longo prazo a reforma (muitas vezes referida como 'a/s mudança/s') se mostrará ineficiente, apesar da maioria dos profissionais afirmar não saber quais os objetivos dela. Contudo, se os professores afirmam não saber qual o objetivo da reforma, mas afirmam que a reforma não será bem-sucedida, então fracasso e sucesso estão sendo definidos a partir de uma concepção interna aos professores.
Volta-se então para o que os professores afirmam ser os objetivos da reforma, revisando os dados já coletados e buscando coletar dados que respondessem a essa questão. Com isso, percebe-se que os professores consideram que o objetivo das reformas em curso é melhorar os índices alcançados em avaliações de larga escala, em especial, melhorar o resultado dos alunos brasileiros no PISA.
Para os professores, o objetivo de elevar as notas dos estudantes nas avaliações de larga escala não será alcançado porque falta aos alunos algum conhecimento fundamental, que pode ser de diversas naturezas. A origem dessas dificuldades, para os professores do segundo segmento, parece residir em deficiências trazidas pelos alunos desde os anos iniciais. Para os professores do primeiro segmento, essas dificuldades são estruturais, relacionadas ao pouco estímulo que as crianças receberiam em casa, a deficiências nutricionais e ao ambiente que muitas vezes não transmite a segurança que o aluno precisa para desenvolver-se plenamente. Dessa maneira, parece haver um determinismo no que concerne ao desempenho dos alunos, não havendo reforma educacional que seja capaz de mudar essa realidade.
No Quadro 2, são apresentados os sentimentos emergentes entre professores.
## Quadro 2. Sentimentos.
Os sentimentos dos professores são majoritariamente negativos, com exceção do interesse demonstrado por professores em estágio probatório. Os pensamentos e sentimentos codificados podem ser organizados em torno de dois eixos principais: a) a percepção dos professores de que estão impotentes diante de uma mudança feita de cima para baixo e que impacta suas práticas profissionais; b) falta de clareza quanto a quais são os objetivos das mudanças em curso, aos meios de alcançar esses objetivos, aos instrumentos para avaliar se os objetivos foram alcançados e aos mecanismos de controle sobre os professores que serão utilizados.
## Referências
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CHARMAZ, K. Constructing grounded theory: a practical guide through qualitative analysis . London: SAGE, 2006
CRESWELL, J. W. Qualitative Inquiry and Research Design: Choosing among Five Approaches . Thousand Oaks, CA: SAGE, 2013
DATNOW, A. Teacher Agency in Educational Reform: Lessons from Social Networks Research, v. 119, nº2, pp. 193-201, nov. 2012;
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GEERTZ, C. A Interpretação das culturas . Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
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