O ENSINO DE FÍSICA NAS OFICINAS DE APRENDIZAGEM
Anália Maria Dias De Gois, Isabel Cristina De Castro Monteiro
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XVII
- Ano
- 2018
- Data
- 30/08/2018
- Linha de pesquisa
- Po-8 Inovação
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## O ENSINO DE F"SICA NAS OFICINAS DE APRENDIZAGEM THE PHYSICS TEACHING AT LEARNING WORKSHPS
AnÆlia Maria Dias de Gois , Isabel Cristina de Castro Monteiro 1 2
1 UNESP/Bauru analiamariagoes@uenp.edu.br
2 UNESP/GuaratinguetÆ isabel-cristina-monteiro@uol.com.br
Resumo: Esta pesquisa apresenta resultados de uma investigaçªo que teve por objetivo buscar compreensıes sobre a aprendizagem na disciplina de Física, com alunos do projeto Oficinas de Aprendizagem. O trabalho buscou analisar características apresentadas por alunos que vivenciam um processo educacional interseriado e sem linearidade no currículo. TambØm foram analisadas se características tradicionalistas, ainda persistem no processo de ensino, mesmo sob aspecto das Oficinas. O estudo do fenômeno foi realizado a partir de respostas dadas a uma pergunta sobre o ensino de Física a alunos do Ensino mØdio do ano de 2015. As respostas foram submetidas à organizaçªo, fragmentaçªo e interpretaçªo dos textos, à luz da anÆlise textual discursiva. A anÆlise permitiu a elaboraçªo de trŒs categorias e oito subcategorias: trŒs referentes a relaçªo do aluno com o professor, uma relacionada com o aluno e o mundo do conhecimento, e quatro sobre as relaçıes do aluno com ele próprio. As características apontadas pelos alunos mostraram grande simpatia e admiraçªo pelo professor da disciplina, relataram que apresenta boa didÆtica, boas estratØgias de ensino. PorØm, a disciplina de Física, na concepçªo dos entrevistados, Ø considerada 'complicada', 'complexa' e 'cheia de fórmulas'. TambØm foram apontadas questıes em que o professor auxilia, explica, mas que mesmo assim continua sendo difícil entender. Em alguns trechos da entrevista foram observados traumas e medos com a disciplina, comparando-a com a Ærea das exatas.
Palavras-chave: Aprendizagem em Física; Oficinas de Aprendizagem; Alunos do Ensino MØdio; Ensino de Física; Professor de Física.
Abstract This research shows the outcomes of an investigation that aimed to seek comprehension about the learning in the Physics subject, with students of the Learning Workshops project. The work aimed to analyze characteristics presented by students that experience an intergraded educational process and with no linearity in the syllabus. The traditionalist features have also been analyzed in order to check if they persist in the teaching process, even under the Workshop aspect. The phenomenon study has been performed through the answers given to a question about the Physics teaching by high school students in 2015. The answers have been submitted to organization, fragmentation and text interpretation, in the perspective of discursive analysis. The analysis allowed the elaboration of three categories and eight subcategories: three about the teacher-student relation, one about the student
and the knowledge world, and four about the student relation with himself. The characteristics pointed by the students showed great niceness and admiration by the teacher of the subject, reported that he presents a great teaching style, good teaching strategies. Nevertheless, the Physics subject, in the interviewers' conception, is considered 'complicated', 'complex' and 'full of formulas'. Questions that the teacher assists and explains have also been pointed, but even with his help they are still hard to be understood. In some pieces of the interview, some traumas and fears about the subject have been observed, comparing it with the other ones of exact sciences area.
Keywords : Physics learning; Learning Workshops; High school students; Physics Teaching; Physics teacher.
## Introduçªo
Durante nossas aulas, Ø comum ouvir comentÆrios dos alunos referentes à disciplina de Física. Alguns deles enxergam a disciplina como difícil, complexa e cheia de fórmulas. TambØm relatam a dificuldade de entendimento dos conceitos, das origens e significados das fórmulas e tambØm seus questionamentos quanto aplicaçıes no cotidiano.
Sabemos que o processo educacional tradicionalista muitas vezes comporta-se como processo instrucionista apresentando o professor com um perfil de transmissor de conhecimento e o aluno como mero receptor, que na maioria das vezes, assiste às aulas e anota resultados.
Nesta pesquisa, apresentamos discussıes sobre as aulas de Física em um colØgio que apresenta a sala de aula em formato de Oficinas de Aprendizagem. Neste formato de ensino o foco principal Ø educar pela pesquisa, o aluno nªo precisa ter prØ-requisitos para receber a aprendizagem, e funciona de forma interseriada (RIGON, 2010). De cunho qualitativo, buscou-se analisar como ocorre o processo de aprendizagem dos alunos de ensino mØdio, nas Oficinas de Aprendizagem. Ressaltamos que os participantes da pesquisa tŒm suas bases educacionais tradicionalistas, e que no início, sofreram o impacto com o novo sistema de ensino.
Dessa forma, o nosso intuito Ø mostrar como ocorre a aprendizagem nas Oficinas. PorØm, pensando na difícil adaptaçªo desses alunos ao que Ø novo, como isso acontece de fato? De que forma esses alunos veem a aprendizagem? AtØ que ponto o ensino tradicionalista pode oferecer barreiras para essa aprendizagem? Pensando em suas histórias de vida, como eles veem a forma de estudar e a relaçªo com o conhecimento?
Todos os depoimentos foram realizados com alunos de oficinas interseriadas. Após coleta, os dados foram organizados, categorizados e submetidos a uma anÆlise textual discursiva, com a produçªo final de um Metatexto com as compreensıes do pesquisador.
## Projeto Oficinas de Aprendizagem
O projeto Oficinas de Aprendizagem tem por finalidade desenvolver nos jovens a capacidade de continuar aprendendo, promover sua autonomia, responsabilidades, criticidade e escolhas profissionais conscientes. Neste modelo de ensino a sala de aula se transforma em uma Oficina de Aprendizagem 'lugar de onde se exerce um ofício, lugar onde se opera transformaçıes notÆveis' (RIGON, 2010). O espaço Ø acolhedor, ocorre troca de conhecimentos e Ø favorÆvel a descobertas. As salas sªo interseriadas, isto Ø, nªo hÆ limite quanto a faixa etÆria ou ano de ingresso. Sªo transformadas em Oficinas, um lugar onde a aprendizagem acontece no contexto das relaçıes que se estabelecem entre o indivíduo e a sociedade, sobre os olhares diferenciados das disciplinas.
Entretanto, o grande desafio das oficinas Ø exercer o 'oficio', ou melhor, aprender fazendo. Nas oficinas, o aluno Ø desafiado a resolver uma situaçªo crítica, e todas as atividades sªo mediadas pelo professor que instiga o aluno a pesquisar, e a encontrar a resposta para o desafio proposto. No ambiente escolar os alunos sªo dispostos em equipes e em mesas redondas com cinco a seis alunos, e assim trabalham em torno de desafios e problemas que exigem soluçıes inovadoras.
Nas Oficinas o conhecimento se constrói com desafios de gestªo participativa com experimentos e experiŒncias, tentativas, erros e acertos. O intuito Ø buscar o desenvolvimento de potencialidades. O aluno nªo precisa ter prØ-requisitos e pressupostos de aprendizagem, todos podem trabalhar em equipe, de forma contextualizada e desafiadora buscando novas descobertas (RIGON, 2010).
A forma de trabalho nas Oficinas Ø ter por base o trabalho em equipe e a resoluçªo de problemas desafiadores, despertar no aluno características de autonomia, ser negociador, aberto ao conhecimento e cooperativo. Espera-se um aluno criativo, inovador, ousado e preparado para mudanças.
## Encaminhamentos Metodológicos
Com o objetivo de investigar a atuaçªo do professor em sala de aula, prÆtica pedagógica e tambØm a preparaçªo das aulas, foram organizadas e analisadas as respostas de 41 alunos do ensino mØdio. Dentre os participantes, estªo inseridos alunos de 1', 2' e 3' sØrie, o qual estudam diariamente de forma interseriada, na Oficina de Aprendizagem. Todos responderam a uma pergunta relacionada à disciplina de Física.
Em Fevereiro de 2015, os alunos da rede particular de ensino, foram convidados aleatoriamente, durante as aulas do professor pesquisador, a responder a questªo: 'O professor de Física consegue dar o subsídio necessÆrio para a disciplina?'. A pergunta foi disponibilizada em formulÆrio próprio e os participantes responderam em forma de texto.
As respostas provenientes dessa coleta foram submetidas à anÆlise textual discursiva (MORAES, GALIAZZI, 2011), uma metodologia de anÆlise de dados e informaçıes de natureza qualitativa com a finalidade de produzir novas compreensıes sobre os fenômenos. A interpretaçªo dos dados aconteceu primeiramente com a preparaçªo do material, em seguida, desmontagem dos textos e o processo de unitarizaçªo.
A desmontagem do texto Ø o primeiro passo para anÆlise, conforme proposto por Moraes & Galiazzi (2011):
Ao examinar esse elemento, fazemos, em primeiro lugar, uma incursªo sobre o significado da leitura e sobre os diversificados sentidos que esta permite construir a partir de um mesmo texto. Daí nos movemos para tratar do 'corpus' da anÆlise textual, atingindo a partir disso, o cerne desse primeiro elemento da anÆlise, que Ø a desconstruçªo e unitarizaçªo dos textos do 'corpus.' (MORAES, GALIAZZI, 2011, p.13)
A desconstruçªo e unitarizaçªo do 'corpus' faz parte do processo de desmontagem citado por Moraes & Galiazzi, 2011. Este processo consiste em focar nos detalhes e nas partes componentes dos textos, um processo necessÆrio para anÆlise. Posteriormente, Ø necessÆrio perceber os sentidos dos textos e seus pormenores. Neste tipo de anÆlise fica a critØrio do pesquisador decidir em que medidas fragmentarÆ o texto analisado, bem como a quantidade de unidades de anÆlises emergidas, a unitarizaçªo, e após, as categorias emergentes.
Após o processo de desmontagem e unitarizaçªo dos dados, obtivemos trŒs categorias: Relaçªo do aluno com o professor, Relaçªo do aluno com o mundo e a Relaçªo do aluno com ele próprio. As categorias analisadas sªo apresentadas no quadro abaixo:
Quadro 1 - Categorias de AnÆlise
Conforme apresentado anteriormente, buscou-se a interpretaçªo dos dados atravØs da anÆlise textual discursiva, proposta por Moraes & Galiazzi (2011), em que primeiramente Ø preparado o corpus da pesquisa: com as produçıes textuais dos participantes, em seguida, o processo de desmontagem, desconstruçªo e unitarizaçªo do corpus, e por fim, as categorias de anÆlise que sªo um processo de compreensªo que emerge do processo analítico.
Ao tØrmino do processo de formaçªo das categorias, hÆ a produçªo de um texto, metatexto, com as compreensıes do fenômeno observado.
## Apresentaçªo e AnÆlise dos dados
Os dados sªo apresentados a partir da anÆlise textual discursiva das entrevistas. O corpus foi preparado e codificado conforme: As letras na frente das transcriçıes referem-se aos alunos (A) que emitiram aquela fala, os nœmeros, representam a sØrie e a ordem de anÆlise, respectivamente. A construçªo das categorias e subcategorias jÆ retratam as anÆlises efetuadas.
As categorias sªo um processo de comparaçªo constante entre as unidades no momento inicial da anÆlise, com o agrupamento de elementos semelhantes (MORAES, GALIAZZI, 2011). A anÆlise utilizada neste trabalho foi agrupar conjuntos de elementos de significaçªo próximos. Após vÆrios processos de categorizaçªo, aperfeiçoamento e delimitaçªo com rigorosidade e precisªo, emergiram trŒs grandes categorias e oito subcategorias de anÆlise, conforme descritos a seguir.
Na categoria: Relaçªo do Aluno com o professor, trŒs subcategorias sªo apresentadas:
DidÆtica do Professor - Tem - se que dos quarenta e um entrevistados, vinte e sete alunos apontaram a DidÆtica do professor, representando um nœmero maior de respostas para essa categoria. Os entrevistados afirmaram que o professor tem vÆrias maneiras de ensinar, e estÆ disposto a 'transmitir' o conteœdo com facilidade.
- [...] faz de tudo para o seus alunos terem um bom aprendizado. (A34)
- [...] consegue passar de forma clara seu conhecimento aos alunos. (A23)
- [...] A professora sempre procura novos mØtodos, mais interessantes, para explicar matØria programada. (A16)
Simpatia pelo professor Nesta categoria encontram-se oito respostas referentes à simpatia que sentem pelo professor. Entre eles: carinho, admiraçªo e relaçıes de cumplicidade e reconhecimento. Alguns alunos citaram que o professor Ø dinâmico, interativo e ótimo na transmissªo do conteœdo.
[...] Ø bem dinâmica e interativa. É uma ótima professora. (A16)
- [...] faz de tudo para que a nota dele melhore, dando oportunidade, chamando a atençªo e sendo amiga, acima de tudo. (A26)
[...] Uma excelente professora, sendo a melhor que jÆ tive em todo meu ano aqui no colØgio X. (A3(52)
Conhecimento do Professor - Nesta categoria hÆ seis respostas pertinentes ao conhecimento do professor. Foram apontadas respostas: 'nªo consigo acompanhar o raciocínio dela', outro mencionou 'ótima professora de nível UniversitÆrio', e trŒs outros, 'Ø uma pessoa muito inteligente', e uma outra, 'ela domina super bem sua matØria'.
- [...] pessoa muito inteligente, ela domina super bem a matØria, mas nªo tem a colaboraçªo da sala. A3(41)
- [...] A professora Ø super inteligente e transmite isso a classe, ela domina os assuntos proposto para a oficina. A3(39)
A categoria: Relaçªo do Aluno com o Mundo, trata das relaçıes que os alunos estabelecem entre o mundo que estÆ inserido compreendendo a Sociedade, Escola, Vestibular e o conhecimento. Apresenta uma œnica subcategoria, conforme:
Conhecimento Nesta categoria estªo acomodadas as relaçıes que o aluno estabelece com o conhecimento, no caso, o conteœdo de Física. TambØm estabelece as relaçıes de aprendizagem ou nªo com a disciplina. No quadro sªo
apresentadas dezoito respostas, e entre elas, encontram-se seis respostas de alunos de primeiro ano, dos quais trŒs sªo apontadas como conteœdo difícil, complicado e complexo, 'matØria complicada para entender', 'complexa' , 'exige esforço do aluno ', outra fala da forma como o conteœdo Ø exposto, da necessidade de mais exemplos, exercícios, ' exemplificar melhor a matØria ', e outra referente ao processo de entendimento, de aprendizagem, 'toda matØria que ela dÆ eu entendo', e uma outra, reclama estar sobrecarregada de dever, tarefas, e mesmo assim, a aprendizagem nªo estÆ acontecendo, ' Ela passa muito dever mas eu nªo consigo entender .'
Dentre as respostas dos dezoito participantes tem-se quatro respostas pertinentes ao segundo ano, duas delas, tambØm mencionam a Física como complicada, 'matØria de física Ø meio complicada' e grau de dificuldade para maior compreensªo, 'grau de dificuldade do conteœdo fica mais difícil para se aprender' , uma outra, menciona a facilidade de compreensªo da matØria, 'entender a matØria com facilidade' e outra, refere-se a imposiçªo de conteœdo com facilidade, 'eu mesmo nªo sou aluno exemplo mas consigo aprender com ele '.
Finalmente, as oito respostas restantes sªo de alunos de terceiro ano, trŒs respostas tratam do conteœdo difícil e complexo, 'matØria difícil', outras duas: a nªo cooperaçªo da sala e as explicaçıes acabaram ficando confusas , 'a professora tenta explicar a matØria' , 'explicaçıes confusas', 'dificuldades de entender a matØria' , outra, relata entender o conteœdo com algumas ressalvas, 'particularmente consigo entender', outra, refere-se ao problema em decorar muitas fórmulas, e por fim, outra relata que o problema de entendimento da matØria estÆ com ela, trazendo o problema para si, e nªo para o professor, 'eu nunca fui muito boa em física'.
[...] O professor passa muito mais muito dever. (A12)
[...] Eu acho que ela deveria exemplificar melhor a matØria, para um melhor entendimento. (A17)
- [...] O problema com certeza sou eu, pois no terceiro bimestre relaxei demais, e um outro problema Ø que eu nunca fui muito boa em física, por que sou muito ruim em exatas. A3(46)
[...] mais ou menos, as vezes fica muito confusa as explicaçıes dela. A3(45).
Relaçªo do Aluno com ele próprio: É uma categoria que trata do gerenciamento de estudos, a estratØgia usada para aprender o conteœdo, as relaçıes com a disciplina e a ansiedade. A categoria estÆ subdividida:
Forma de Estudar -Nesta categoria estªo relacionadas, características referentes ao modo de estudar, e se estªo atingindo a aprendizagem. Das doze respostas, dois alunos de segundo ano responderam ter muitas dificuldades com a disciplina, e que nªo conseguem entender o conteœdo proposto pelo professor: 'Física nªo entra na minha cabeça', o próprio aluno assume sentir muita dificuldade, outro, cita a necessidade de vÆrias explicaçıes para uma melhor compreensªo, 'deveria explicar mais de uma vez e com mais calma' . No entanto, outro participante, tambØm do segundo, explica que a matØria, apesar de difícil, consegue ter uma boa aprendizagem.
Foram avaliadas tambØm as respostas de alunos do terceiro ano, e foram encontradas quatro respostas sobre a falta de colaboraçªo da turma durante as
explicaçıes do professor, alguns deles mencionaram a falta de atençªo, interesse e muita distraçªo. Outras trŒs, culparam-se por nªo saber o bÆsico do conteœdo de Física, questionaram a forma que estudaram anteriormente, 'nªo ter aprendido no primeiro ano' . Outro aluno ressaltou estar sobrecarregado de fórmulas, e a pressa de vencer o conteœdo acabou por nªo ter aprendizagem.
[...] E pelo fato da matØria nªo ser das mais fÆceis atØ que a minha aprendizagem Ø boa, mas poderia ser melhor. (A27)
[...] Ela estÆ sobrecarregando, muitas fórmulas e nós acabamos nªo conseguindo ultimamente aprender. (A32)
Forma de Aprender - Sªo relacionadas à forma de aprendizagem, uma anÆlise das aulas de Física. Estªo acomodadas nessa categoria nove respostas, duas mencionam a dificuldade de se entender Física e tambØm a necessidade de mais exemplos. Outras duas, sobre a compreensªo do conteœdo e com facilidade, o professor consegue fazŒ-los aprender. JÆ outro, diz aprender, porØm, depende muito do conteœdo abordado. Outros dois citaram nªo conseguir acompanhar o raciocínio do professor durante as explicaçıes, ficando assim, difícil o entendimento. Outra participante diz que por falta de 'boa base' em física, ela nªo consegue aprender.
- [...] A disciplina de física Ø complicada, entªo automaticamente exige um nível de ensino do professor de física, superior ao dos outros professores. (A14)
- [...] ele explica perfeitamente bem, de uma forma que me faz entender a matØria com facilidade. (A29)
- [...] nªo entende a matØria, mesmo com os mØtodos diferentes que ela ensina como paródias e macetes para facilitar. (A39)
História de Vida -Estªo acomodadas as características referentes à trajetória de cada aluno. Foram encontradas quatro respostas de alunos de terceiro ano, que mencionaram sua história dentro do colØgio, história referente ao contato com a disciplina de Física anteriormente, e que marcaram suas vidas: ' pelo fato de nªo ter aprendido no primeiro ano ', ' o problema Ø comigo ', ' melhor professor que eu jÆ tive', 'nªo tive uma base boa '. Todos esses alunos se entristecem ao mencionar fatos vividos anteriormente, e se cobram por isso admitindo a culpa por nªo compreender Física.
[...] Assim como eu muitos nªo tem o bÆsico da matØria. (A38)
[...] nunca fui muito boa em física, porque sou muito ruim em exatas. A3(46)
Ansiedades Apresentam as características que indicam ansiedades por parte dos alunos entrevistados. O sentimento de ansiedade Ø no sentido de querer acompanhar o conteœdo, e as explicaçıes. Nesta categoria foram acomodadas seis respostas, uma delas, a angœstia por querer aprender, mas que o conteœdo Ø difícil. Outras duas respostas, demonstram a decepçªo pelo critØrio de avaliaçªo: 'entªo
deu a impressªo de que nªo valeu de nada' , ou entªo, ' decepcionei muito' . Diferentemente das demais respostas, outras duas, assumem a culpa do nªo entendimento: ' o problema Ø comigo ', ' nªo consigo aprender fÆcil '. E por fim, outra diz que talvez isso esteja acontecendo devido a maneira com que estÆ transcorrendo as aulas, ' Ø muita coisa em pouco tempo ', no entanto, o próprio aluno diz que a culpa Ø dele e que jÆ procurou outros recursos, mas nªo adiantou, continua nªo acompanhando as aulas.
Os dados apresentados sªo sistematizados nos quadros a seguir:
## Relaçªo do Aluno com o Professor
Quadro 2: Características da categoria Relaçªo aluno/professor.
## Relaçªo do Aluno com o Mundo
Quadro 3: Características da categoria Relaçªo do aluno com o Mundo.
## Relaçªo do Aluno com ele próprio
Quadro 4: Características da categoria Relaçªo do Aluno com ele próprio.
## Consideraçıes Finais
Nesta investigaçªo buscou-se discutir a aprendizagem dos alunos nas Oficinas, sobre a aprendizagem do ensino de Física. Durante as anÆlises das respostas foram levantadas questıes referentes a dificuldades do conteœdo, geralmente considerado como complexo de difícil entendimento. TambØm a estratØgia do professor referente às suas explicaçıes e a questªo da avaliaçªo da aprendizagem.
A pesquisa mostrou, atravØs das falas dos alunos, que a relaçªo professor e aluno Ø importante, que todo o conhecimento que o professor transmite traz segurança e admiraçªo. PorØm, observa-se, que ainda nªo estÆ ocorrendo o processo de aprendizagem conforme proposto pelas Oficinas de Aprendizagem. Neste caso, faz-se necessÆria a reflexªo do professor quanto à preparaçªo de suas aulas, buscar ainda mais a pesquisa, a mobilizaçªo intelectual de seus alunos, para em conjunto, romperem as barreiras do instrucionismo que esses alunos ainda possuem.
## ReferŒncias
MORAES, R.; GALIAZZI, M. do C. AnÆlise Textual Discursiva . Ijuí: Editora Unijuí, 2011.
RIGON, M. C. Prazer em Aprender: O novo jeito da Escola. Ed.Kairós. Curitiba, 2010.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.