A CONSTRUÇÃO DE UMA REPRESENTAÇÃO INTERDISCIPLINAR NUM CONTEXTO DISCIPLINAR
Nádia Cristina Guimarães Errobidart, Aline Ribeiro Silva
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XVII
- Ano
- 2018
- Data
- 30/08/2018
- Linha de pesquisa
- Po-8 Inovação
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## A CONSTRUÇÃO DE UMA REPRESENTAÇÃO INTERDISCIPLINAR PARA SOM E AUDIÇÃO
## THE CONSTRUCTION OF AN INTERDISCIPLINARY REPRESENTATION FOR SOUND AND HEARING
## Nádia Cristina Guimarães Errobidart 1
## Aline Ribeiro Silva 2
1 Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/ Instituto de Física/ Programa de Pósgraduação em Ensino de Ciência, nadia.guimares@ufms.br
2 Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/ Instituto de Física/Curso Física Licenciatura, Iniciação Científica, silvalineribeiro@gmail.com
## Resumo
O trabalho apresenta resultados obtidos numa intervenção pedagógica desenvolvida no contexto de um grupo colaborativo constituído por acadêmicos e professores de um curso de Licenciatura em Física e professores da educação básica. Ela, representa uma das ações desenvolvidas com o objetivo de avaliar a eficácia da metodologia de Ilhas de Racionalidade Interdisciplinar, na construção de representações interdisciplinares e na promoção de saberes necessários para o desenvolvimento de práticas pedagógicas interdisciplinares. Está vinculada a um projeto de almeja avaliar a promoção de uma formação para a interdisciplinaridade pela interdisciplinaridade, tomando como referência critérios associados a capacidade de conduzir e mobilizar um conjunto de conhecimentos oriundos de diferentes fontes, disciplinas ou especialistas e a articulação desses conhecimentos, na construção de representações complexas. Com base na análise de uma síntese parcial construída na forma de texto e uma final no formato de banner evidenciamos que o processo formativo para a interdisciplinaridade não depende apenas de uma metodologia adequada. Na construção da síntese parcial os sujeitos mobilizaram saberes de diferentes fontes quando orientados pelo professor, mas quando realizaram sozinhos o processo de construção da representação complexa ou síntese final eles priorizaram princípios disciplinares da física, mesmo tendo a disposição conhecimentos de natureza diferenciada.
Palavras-chave : Formação de professores, Ilhas de racionalidade interdisciplinar, som e audição
## Abstract
The work presents results obtained in a pedagogical intervention developed in the context of a collaborative group made up of academics and teachers of a Licentiate degree in Physics and teachers of basic education. It is one of the actions developed with the objective of evaluating the effectiveness of the methodology of Islands of Interdisciplinary Rationality, in the construction of interdisciplinary representations and in the promotion of the necessary knowledge for the
development of interdisciplinary pedagogical practices. It is linked to a clam project to evaluate the promotion of a training for interdisciplinarity through interdisciplinarity, taking as reference criteria associated with the ability to conduct and mobilize a set of knowledge from different sources, disciplines or specialists and the articulation of this knowledge in the construction of complex representations. Based on the analysis of a partial synthesis constructed in the form of text and a final in the format of banner we show that the formative process for the interdisciplinarity does not depend only on an adequate methodology. In the construction of the partial synthesis the subjects mobilized knowledge from different sources when guided by the teacher, but when they performed the process of construction of the complex representation or final synthesis alone, they prioritized disciplinary principles of physics, even though the knowledge had a different nature.
Keywords : Islands of rationality, teacher training, sound and hearing.
## Introdução
A palavra interdisciplinaridade é evidenciada no meio acadêmico embasando concepções variadas, com diferentes níveis de abordagem e procurar uma definição única e final, que a conceitue, seria quase que torná-la disciplinar (LEIS,2005). Evidenciamos na literatura que as possibilidades de conceituação são '[...] tantas quantas sejam as experiências interdisciplinares em curso no campo do conhecimento' (THIESEN, 2008, p. 547).
Considerando essas possibilidades esclarecemos que o conceito de interdisciplinaridade que priorizamos nas discussões apresentadas nesse trabalho, é pautada no entendimento Fourez (2008). Ele sinaliza a interdisciplinaridade como um caminho para construção de um conhecimento, resultante do diálogo de saberes disciplinares diversos e da negociação entre diferentes pontos de vista.
Assim como o entendimento do conceito de interdisciplinaridade o de uma ação interdisciplinar deve ser concebida '[…] como o espaço do diálogo e da argumentação que se constrói entre os diversos saberes especializados, tendo por pressuposto comum a conquista da emancipação' (RAMOS AZEVEDO e DE ANDRADE, 2011, p. 209).
- O desenvolvimento de uma ação interdisciplinar no ambiente escolar, '[…] implica a vivência do espirito de parceria, de integração entre teoria e prática, conteúdo e realidade, objetividade e subjetividade, ensino e avaliação, meios e fins, tempo e espaço, professor e aprendiz, reflexão e ação' (GODOY, 2014, p.66).
Transplantando para o terreno escolar, o processo interdisciplinar, no sentido em que o entendemos, visa precisamente desenvolver, nos alunos a aptidão para representar uma problemática, recorrendo, consoante aos casos, a diversos pontos de vista, a diversas experiências de vida ou a diversas disciplinas [...] A construção de um modelo interdisciplinar implica emancipar-se da abordagem disciplinar, que consiste em abordar um questionamento segundo as normas, ou mesmo segundo os preconceitos fixados pelo paradigma de uma disciplina particular (FOUREZ, 2008, p.75).
No contexto da formação de professores, salientamos nossa concordância com Fagnant, Jacmine e Sente (2012) que para se desenvolver uma atividade interdisciplinar, os professores e demais sujeitos envolvidos nela, devem
compreender do que se trata a interdisciplinaridade e principalmente, já ter se envolvido numa prática pedagógica assim alicerçada.
- O planejamento de uma ação interdisciplinar no contexto da formação de professores deve ser estruturado em: '[...] uma formação 'para' a interdisciplinaridade, uma formação 'na' interdisciplinaridade e uma formação 'pela' interdisciplinaridade, quer dizer em vista do recurso a práticas interdisciplinares no ensino' (FAGNANT, JACMINE e SENTE, 2012, p. 42).
## A pesquisa
Os resultados apresentados nesse trabalho representam um recorte de uma pesquisa pautada nas seguintes problemáticas: uma ação formativa, estruturada na metodologia de Ilhas de Racionalidade Interdisciplinar, pode promover uma formação para a interdisciplinaridade pela interdisciplinaridade, a partir da vivência de práticas pedagógicas que resultem na construção de representações interdisciplinares? Essa formação para interdisciplinaridade pela interdisciplinaridade pode ser potencializada no contexto de um grupo colaborativo?
- O objetivo relacionado ao recorte da pesquisa pautada em intervenções pedagógicas, busca avaliar a eficácia da metodologia de Ilhas de Racionalidade Interdisciplinar, na construção de representações interdisciplinares e na promoção de saberes necessários para o desenvolvimento de práticas pedagógicas interdisciplinares.
Essas intervenções pedagógicas, realizadas no contexto de um grupo colaborativo, são '[...] destinadas a produzir avanços, melhorias, nos processos de aprendizagem dos sujeitos que delas participam - e a posterior avaliação dos efeitos dessas interferências' (DAMIANI et al, 2013, p. 57). Nelas '[...] a intenção é descrever detalhadamente os procedimentos realizados, avaliando-os e produzindo explicações plausíveis, sobre seus efeitos, fundamentadas nos dados e em teorias pertinentes' (DAMIANI et al, 2013, p. 59).
- O grupo colaborativo é constituído por nove acadêmicos e quatro professores do curso de Física Licenciatura da IES e dois professores da educação básica, que lecionam a disciplina de Física. Esses sujeitos participaram no decorrer dos dois últimos anos do planejamento e implementação de diferentes ações formativas, dentre as quais o projeto interdisciplinar som e audição.
As ações formativas do projeto interdisciplinar foram estruturadas segundo o modelo apresentado por Gérard Fourez composto por uma sequência de etapas para a construção de uma ilha interdisciplinar de racionalidade:
- 1. Negociar e problematizar o processo - formular a problemática colocando a questão <<de que se trata?>> - Especificar o projeto: os contextos, as finalidades, o(s) destinatário(s) e o produto 2. Fazer emergir o cliché: aquilo que se considera espontaneamente 3. Estabelecer o panorama: aquilo que se poderia considerar 3.1 Pelo recurso de uma grelha de análise - listas dos atores, listas dos condicionantes [...], listas das implicações, listas das tensões e controvérsias, listas as escolhas e dos cenários consideráveis 3.2 Pela identificação das caixas pretas a abrir, das disciplinas a mobilizar, dos especialistas a consultar 3.3 Pelas descidas ao terreno, testar a abertura das listas [construindo uma] síntese parcial: o panorama é...4. Concluir o processo e proceder as investigações: aquilo que se considera efetivamente -selecionar aspectos que se irão integrar na síntese final -hierarquizar os dados listados - escolher as caixas pretas a abrir - abrir as caixas
pretas escolhidas e descobrir <<princípios disciplinares>> 5. Elaborar uma representação complexa ou síntese final - testar a representação e, eventualmente ajustá-la (FOUREZ, 2008, p. 102-103).
Essa sequência de etapas propicia formalizar com determinada rigorosidade a construção de ações formativas que almejam o planejamento e execução de práticas interdisciplinares. Como tal formalização se enquadra '[...] num plano mais epistemológico' a construção de uma representação interdisciplinar, estruturada com base nesse método, pode se caracterizar como uma atividade de pesquisa, '[...] pelo recurso a uma metodologia transferível para uma larga gama de situações e de questionamentos' (MEIRIEU, 2008, p. 119).
O percurso é, pois, uma ferramenta de transposição e de planificação didáctica de um processo heurístico. Assim como um professor planifica as sequências de aprendizagem disciplinares, com a ajuda de uma agenda escolar ou de um diário de bordo, uma equipa interdisciplinar planifica o seu trabalho colegial com a ajuda de um percurso [...] Um percurso pode ser monodisciplinar [...] pluri, inter ou transdisciplinar, quando ultrapassas as fronteiras entre as disciplinas escolares acadêmicas, pela escolha de uma situação problemática complexa, pela abertura de caixas negras, por transferência de uma disciplina para a outra. O percurso é também o que praticam, sob outras denominações, os compêndios e manuais escolares: eles estruturam um processo (geralmente monodisciplinar) permitindo ao aluno adquirir saberes e competências (MEIRIEU, 2008, p. 119).
O autor define o percurso como sendo um conjunto de atividades organizadas sucessivamente e que, de uma forma dinâmica, possibilita a articulação de objetos de estudo com '[...] tarefas de aprendizagem, em função de objetivos pedagógicos (de ordem cognitiva, metodológica, cultural...) (MEIRIEU, 2008, p. 120). O percurso interdisciplinar do projeto som e audição, estruturado no método de Fourez, cujo recorte apresentamos nesse trabalho, está ancorado numa situação de vida, evidenciada por meio da aplicação de um questionário com 30 questões: o uso inadequado do fone de ouvido.
A avaliação dos resultados obtidos com a aplicação do questionário também possibilitou evidenciar que a maioria dos alunos utiliza os fones de ouvido de inserção (totalmente dentro do canal auditivo), numa faixa acima do nível de intensidade sonora recomendada. Isso pode provocar danos auditivos, comprometendo a audição e, se não evitado, pode provocar a surdez. Esses resultados sinalizaram que a utilização de estéreos pessoais, situação de vida comum entre os jovens.
No trabalho aqui apresentado avaliamos a produção de uma representação interdisciplinar construída para explorar a situação de vida identificada no questionário, respondido por 188 alunos da escola na qual os professores da educação básica lecionam e, aos quais foram apresentadas a síntese final do projeto desenvolvido. Essa apresentação ocorreu no contexto de sala de aula, durante a abordagem do conteúdo mecanismo da audição humana.
É por partes que se avalia a aquisição de uma competência, isto é, examinando diferentes produções dos alunos e apreciando os processos que as permitiram. Quando se trata da interdisciplinaridade, em muitos casos, a avaliação incide sobre as tarefas coletivas [...] permitindo aos professores verificar a apropriação por cada alunos dos adquiridos - conhecimentos e métodos - de uma realização coletiva [...] A avaliação de uma produção faz-se segundo determinado número de critérios, isto é, de qualidades esperadas [...] A formulação dos critérios apresenta frequentemente, um caráter abstracto. É, pois, útil enuncia-los associando-os a indicadores, isto é, a traços perceptíveis (MEIRIEU, 2008, p. 174-175).
Tendo em vista a complexidade e a qualidade da representação interdisciplinar, especificada na etapa inicial de definição do projeto e das sínteses parcial e final, avaliamos as atividades desenvolvidas pelos sujeitos e indícios de apropriação de conhecimentos e métodos de duas produções listadas no modelo para um processo interdisciplinar de Fourez (2008): um texto elaborado como síntese parcial para a produção do banner, a representação complexa ou síntese final do processo.
Como critérios de análise, empregamos três das cinco características pontuadas por Meirieu (2008, p.174) como possíveis para avaliar a competência de um aluno ao desenvolver uma situação complexa: sua capacidade de conduzir e mobilizar um conjunto de recursos; a natureza diferenciada desses recursos, ou seja, o emprego de conhecimentos oriundos de diferentes fontes, disciplinas ou especialistas e a articulação desses conhecimentos.
- O caráter significativo da atividade e seu desenvolvimento em torno de uma situação nova, aspectos presentes nas outras duas características pontuadas por Meirieu (2008) foram contemplados durante o processo mediante orientações dos professores que participavam do grupo colaborativo. Direcionou-se a elaboração de uma representação que apresentasse proximidade com o ambiente do aluno, atendendo objetivos pedagógicos estabelecidos no referencial curricular e eles desenvolveram atividades anteriores com produção de banner.
## Resultados e análise
O processo desenvolvido no projeto som e audição propiciou a construção de nove representações interdisciplinares, compostas por uma síntese parcial e outra final. Nelas buscou-se relacionar as respostas obtidas com o questionário com os resultantes do processo associado a execução das etapas 2 e 3 do modelo de Fourez (2008). As duas sínteses deveriam, segundo as decisões tomadas pelos sujeitos, nos momentos de reflexão que permearam a construção da Ilha, apresentar informações diversas sobre o tema. Deveriam apresentar os conhecimentos disciplinares e não disciplinares, relacionando-os.
Para tecer considerações sobre a eficácia do método proposto por Fourez (2008) para a construção de representações interdisciplinares e a promoção de saberes necessários para o desenvolvimento de práticas pedagógicas pautadas em Ilhas de Racionalidade Interdisciplinar avaliar os nove conjuntos de sínteses. Tomando por base as características propostas Meirieu (2008), indicadas anteriormente evidenciamos que em alguns dos textos, as sínteses parciais indícios de uma representação interdisciplinar em processo inicial de construção. Eles mobilizam alguns recursos/conhecimentos de diferentes naturezas, buscam relacionar os conceitos explorados na disciplina de física com o de outras disciplinas e com informações de especialistas, como evidenciado no trecho transcrito abaixo.
A poluição sonora, muito presente nos mais diferenciados ambientes da sociedade contemporânea, pode ser considerada como um problema ambiental que influencia na saúde física e emocional do homem moderno. Pode provocar no indivíduo problemas auditivos e extra-auditivos, dependendo da exposição a níveis elevados de ruído, a frequência da onda sonora emitida, a duração do sinal sonoro e aspectos relacionados a suscetibilidade e a atitude individual frente ao mesmo. O ruído é um tipo de som difícil de definir com precisão, pois '[...] qualquer som pode molestar, ser desagradável ou irritante quando o ouvinte se encontra mal preparado, física ou mentalmente'. Considerando a variação do seu nível de intensidade sonora com o
tempo de exposição os ruídos podem ser classificados em: 'Ruído contínuo (com variações de níveis desprezíveis); Ruído intermitente (cujo nível varia continuamente de um valor apreciável); Ruído de impacto e de impulso (apresenta-se em picos de energia acústica de duração inferior a um segundo)' [...] No ambiente escolar, o ruído pode provocar efeitos que vão além de problemas de saúde como vasoconstrição periférica, hiporritimia ventilativa, interferência no sono, tensão, irritabilidade e nervosismo. Ele '[...] pode ocasionar danos ao processo de ensinoaprendizagem, por interferir na realização de atividades' que exigem maior concentração [...] um bom desempenho escolar de crianças e adolescentes dependem significativamente de uma clara e adequada percepção dos estímulos sonoros. Esses sujeitos 'são mais vulneráveis às interferências em seu processo de aprendizagem, visto que se encontram em processo de desenvolvimento das habilidades auditivas e também no período de aquisição e desenvolvimento da linguagem oral e escrita' [...] (SUJEITO P, grifo nosso).
A síntese parcial construída pelo SUJEITO P apresenta indícios de uma articulação entre conhecimentos disciplinares da Física como ondas sonoras, som, nível de intensidade sonora, ruído e frequência com conhecimentos de outros especialistas como da educação ambiental, da área de saúde e de pesquisas em ensino-aprendizagem.
No processo de construção dessa síntese parcial o professor/coordenador da experiência formativa, considerando as dificuldades apresentadas pelos acadêmicos em selecionar os recursos/conhecimentos que seriam mobilizados, além da própria dificuldade em produzir um texto, participou de forma mais ativa do processo: o acadêmico não foi o principal ator da atividade de mobilização.
No momento de reflexão sobre a execução colaborativa realizada até o final da etapa 3, concluída com a construção da síntese parcial, os sujeitos demonstraram insatisfação com os aspectos considerados: as caixas pretas abertas, as disciplinas mobilizadas e os especialistas consultados. Segundo eles, os conceitos disciplinares da Física não foram contemplados em quantidade satisfatória na representação textual construída. Nela mobilizou-se conhecimentos de outras naturezas e eles não se viam realizando uma discussão sobre o tema, no contexto de sala de aula, numa aula de física.
Essa reflexão sobre o processo e a síntese parcial sinalizou que sua validação não foi satisfatória para a maioria dos sujeitos. Isso resultou na retomada da etapa 3 do método, reestruturação da 4 para posterior elaboração da representação complexa ou síntese final, etapa 5.
Nessa nova etapa do processo os sujeitos foram conduzidos a uma nova mobilização dos recursos/conhecimentos e sem a orientação do coordenador selecionaram e hierarquizaram os conhecimentos, escolhendo as caixas pretas e os princípios disciplinares que comporiam a síntese final. Produziram nove banners para materializar a síntese final, tal como o indicado na figura 1.
Figura 1 - Representação complexa elaborada pelo SUJEITO PFONTE 1: a pesquisa
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Evidenciamos na análise dos banners que os conceitos da disciplina física foram explorados de forma muito mais intensa que na representação textual construída. Comparando as sínteses destacadas nesse trabalho, elaboradas pelo sujeito P, evidenciamos significativamente a redução na mobilização de conhecimentos de outras naturezas. Ele destaca apenas a interferência que o ruído pode causar ao processo de ensino aprendizagem. Conhecimentos associados a outras disciplinas ou consulta aos especialistas, identificados no texto não foram explorados no banner.
## Algumas considerações
Nesse trabalho apresentamos os resultados de uma intervenção pedagógica estruturada com base nas etapas metodológicas de Ilhas interdisciplinares de
racionalidade, buscando avaliar sua contribuição para o desenvolvimento de competências necessárias para a construção de uma representação complexa.
Considerando como critérios de análise a capacidade dos sujeitos de conduzir e mobilizar conhecimentos de natureza diferenciada e a forma como foram relacionados nas sínteses parcial e final identificamos indícios que sugerem que formar para a interdisciplinaridade pela interdisciplinaridade não é um processo que depende apenas de uma metodologia adequada. Na construção da síntese parcial a orientação do professor favoreceu a seleção e relação de saberes diversos, mas o mesmo não foi evidenciado na síntese final, quando os sujeitos produziram sozinhos a representação complexa. Eles, mesmo tendo a disposição um conjunto diferenciado de conhecimentos de diferentes naturezas, coletados no desenvolvimento das três primeiras etapas da metodologia de Fourez (2008) priorizaram os princípios disciplinares da Física, conhecimentos que alicerçam sua formação e sobre o qual acreditam ter mais domínio.
## Referências
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FOUREZ, Gérard. A interdisciplinaridade em sentido estrito. In: FOUREZ, Gérard; MAINGAIN, Alain, DUFOUR, Barbara. Abordagens didácticas da interdisciplinaridade . Lisboa: Instituto Piaget, 2008 Cap. V, p. 69 -80.
\_\_\_\_\_\_Um método para construir uma ilha interdisciplinar de racionalidade. In: FOUREZ, Gérard; MAINGAIN, Alain, DUFOUR, Barbara. Abordagens didácticas da interdisciplinaridade . Lisboa: Instituto Piaget, 2008 Cap. VI, p. 81-118.
GODOY, Herminia Prado. Interdisciplinaridade: uma nova abordagem científica? Uma filosofia da educação? Um tipo de pesquisa? Interdisciplinaridade. Revista do Grupo de Estudos e Pesquisa em Interdisciplinaridade . ISSN 2179-0094., n. 4, p. 65-69, 2014.
LEIS, Héctor Ricardo. Sobre o conceito de interdisciplinaridade. Cadernos de pesquisa interdisciplinar em ciências humanas , v. 6, n. 73, p. 2-23, 2005.
MEIRIEU, Philippe. O estabelecimento de um percurso interdisciplinar. In: FOUREZ, Gérard; MAINGAIN, Alain, DUFOUR, Barbara. Abordagens didácticas da interdisciplinaridade . Lisboa: Instituto Piaget, 2008. Cap. VII, p. 119 -137.
RAMOS AZEVEDO, Maria Antonia; DE ANDRADE, Maria de Fatima R. O papel da interdisciplinaridade e a formação do professor: aspectos históricofilosóficos. Educação Unisinos , v. 15, n. 3, 2011.
THIESEN, Juares da Silva. A interdisciplinaridade como um movimento articulador no processo ensino-aprendizagem. Revista brasileira de educação , v. 13, n. 39, 2008
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