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SMARTPHONE E SOFTWARE TRACKER UMA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA NO ENSINO DE REFERENCIAIS INERCIAIS

Marcio Andrei Sousa Amazonas, Karen Magno Gonçalves

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XVII
Ano
2018
Data
29/08/2018
Linha de pesquisa
Po-6 Tecnologias Da Informação E Comunicação E O Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## SMARTPHONE E SOFTWARE TRACKER: UMA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA NO ENSINO DE REFERENCIAIS INERCIAIS

## SMARTPHONE AND SOFTWARE TRACKER: A SIGNIFICANT LEARNING IN THE TEACHING OF INERTIAL REFERENCES

Karen Magno Gonçalves 1 , Márcio A S Amazonas 2

1 Instituto Federal do Amazonas/ Mestranda do MPET, goncalveskren@gmail.com 2 Instituto Federal do Amazonas, msamazonas@ifam.edu.br

## Resumo

O avanço das tecnologias ligadas a informação e comunicação (TIC) possibilitou mudanças de hábitos e costumes da sociedade, alterando a forma de convivência entre as pessoas e disseminando os mais variados recursos digitais. Todo esse avanço nas comunicações ainda carece de um maior envolvimento no contexto educacional de forma a proporcionar uma aprendizagem significativa aos alunos. Neste trabalho apresentamos os resultados da utilização do smartphone associado ao software Tracker como recurso didático para auxiliar na aprendizagem dos conceitos relacionados às transformações entre referenciais inerciais, para compreender em que aspectos uma proposta que utiliza tais recursos, pode contribuir para promover uma aprendizagem significativa, tendo como referência a teoria da Aprendizagem Significativa de David Ausubel. Esta pesquisa foi desenvolvida no contexto do 1º ano do curso técnico de nível médio, no espaço da disciplina Física I. Foi elaborada, após o levantamento dos conhecimentos prévios dos alunos e do treinamento do software Tracker , uma sequência de cinco aulas utilizando o modelo de ensino do Alinhamento Construtivo proposto por John Biggs . A coleta de dados ocorreu por meio de gravações, questionários e roda de conversa. A aplicação da proposta permitiu observar, ao longo do seu desenvolvimento, um maior envolvimento e discussão do conteúdo pelo grupo de alunos, os quais se tornaram mais autônomos na construção do conhecimento sendo capazes de construir e analisar criticamente uma situação real envolvendo diferentes pontos de vista do movimento de um objeto com o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação.

Palavras-chave : Tecnologias. Aprendizagem Significativa. Ensino de Física.

## Abstract

The advancement of technologies linked to information made it possible to change the habits and customs of society, changing the way people live together and disseminating the most varied digital resources. All this advancement in communications still lacks greater involvement in the educational context in order to provide meaningful learning for students. In this work we present the results of the use of the smartphone associated to the Tracker software as a didactic resource to help in learning the concepts related to the transformations between inertial references, to understand in what aspects a didactic proposal that uses such resources, can contribute to promote a significant learning, having as reference the theory of Significant Learning of David Ausubel. This research was developed in the context of the 1st year of the technical course of medium level, in the space of the Physical discipline I. After a previous knowledge of the students and the training of the software Tracker, a sequence of five classes using the model of teaching of Constructive Alignment proposed by John Biggs. Data collection took place through

recordings, questionnaires, and a conversation wheel. The application of the proposal allowed to observe, throughout its development, a greater involvement and discussion of the content by the group of students where they became more autonomous in the construction of knowledge being able to construct and analyze critically a real situation involving different points of view of the movement of an object with the use of Information and Communication Technologies.

## Keywords : Technologies. Meaningful Learning. Physics teaching. Introdução

Ao entrar no ensino médio, o aluno tem como primeiro contato na disciplina de Física o estudo da Cinemática cujo objetivo é caracterizar o movimento de um objeto. Apesar do assunto fazer parte do seu quotidiano, pois este se movimenta das mais diferentes formas e observa o movimento se manifestando das mais variadas maneiras, a sua contextualização nem sempre é feita com eficiência pelo professor. O conteúdo matemático necessário para a modelagem dos casos torna-se um obstáculo para o aprendizado dado que os alunos nem sempre chegam com a base necessária para sua assimilação, levando o professor a se estender bem mais do que o necessário, concentrando-se mais em questões matemáticas do que sua contextualização no quotidiano do aluno. Concentração maior em questões matemáticas e falta de conexão com o quotidiano desmotivam o aluno no estudo da disciplina, retirando o encantamento que a física deveria proporcionar principalmente nesse primeiro contato. Colocar o ensino de Cinemática mais próximo do quotidiano do aluno, fazendo-o associar a tecnologia disponível com as equações matemáticas de uma forma mais prática pode contribuir significativamente na aprendizagem do conteúdo, melhorando a visão do aluno a respeito do processo de construção de uma teoria científica.

Uma forma de tornar mais compreensível e prático os conceitos inerentes à Cinemática é com a utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). O início da aplicação das TIC em sala de aula consistia na utilização somente de computadores para a compreensão dos conceitos e eram intermediados por vídeos, jogos ou simulação computacional. O computador assim tem sido uma importante ferramenta para o ensino de física, pois na ausência de um laboratório para o aluno interagir com o fenômeno o computador pode substituir, com dado grau de eficiência, a atividade prática necessária para o entendimento de um determinado conteúdo. A dificuldade na popularização dessa ferramenta no ambiente escolar está no fato de que muitas escolas não possuem condições em ofertar computador para todos os alunos de uma turma e levando essa questão para toda a escola a situação fica ainda mais difícil dada a variedade de turmas existentes. O avanço das tecnologias de comunicação possibilitou a popularização do smartphone , basicamente um celular provido de uma capacidade maior para executar cálculos computacionais, e hoje temos esta ferramenta amplamente difundida entre os adolescentes sendo uma das tecnologias mais utilizadas para acesso a internet, fotos, vídeos, programas de comunicação e entretenimento além de uma gama de sensores que podem auxiliar na medida de grandezas físicas como velocidade e aceleração.

O estudo da Cinemática tem como tema central a Transformação de Galileu, que estabelece as equações de movimento para diferentes referenciais, tanto inerciais (sem aceleração) quanto não-inercias (com aceleração). Após a realização de uma pesquisa em alguns livros de Física do ensino médio tais como: Ramalho et.

- al. (2003), Gaspar (2005) e Pietrocola et. al. (2010), notou-se que a abordagem das Transformações de Galileu estão mais voltadas para sua aplicação direta em exercícios, exigindo do aluno um certo grau de abstração para visualização dos fenômenos dada a dificuldade de reprodução em laboratório dos problemas envolvidos. Por ser este um assunto vital para a definição dos conceitos de velocidade e aceleração e consequentemente o conceito de força resultante em uma partícula, faz-se necessário uma atenção maior no desenvolvimento de atividades que possam contribuir para o aprendizado deste conteúdo.

Portanto, propomos neste trabalho a utilização do software Tracker , aliado a um smartphone como recurso didático para trabalhar as transformações entre referenciais inerciais no Ensino Médio, com ênfase no conceito de velocidade relativa, para assim verificar em que aspectos uma proposta didática que utiliza as TIC pode contribuir para promover aprendizagem significativa dos alunos dos cursos técnicos de nível médio no ensino dos referenciais inerciais.

## Fundamentação teórica

- O uso de tecnologias na educação já tem um longo histórico de desenvolvimento gerando termos como: Tecnologias Educativas, Tecnologias Aplicadas à Educação, Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTIC). Tais recursos são importantes pois possibilitam novas formas de distribuir socialmente o conhecimento (POZO, 2004), antes restritos a ambientes escolares mais avançados, agora facilmente acessíveis na internet, possibilitando uma ampla gama de possibilidades de aplicação, atuando de modo complementar ao ensino e não substituindo totalmente o método tradicional.
- O termo TIC refere-se à conjugação da tecnologia computacional ou informática com as tecnologias das telecomunicações usando fortemente a Internet como meio provedor de conteúdos e recursos (MIRANDA, 2007). Neste trabalho, o autor enfatiza que os efeitos positivos da utilização das TIC em sala de aula se apresentam somente se o professor estiver preparado para a utilização dos recursos computacionais, se estiver verdadeiramente envolvido na tarefa e se as atividades exigirem envolvimento e criatividade dos alunos. O uso das TIC nas escolas deve ser realizado de forma a contemplar as demandas e condições da escola, observando se as tecnologias estão inseridas como possíveis recursos pedagógicos no projeto pedagógico desta escola e que se mantenham focalizados nos objetivos educacionais.

No Brasil, a adoção das TIC pelas escolas tem tido algum avanço e novos indicadores foram desenvolvidos para medir seu nível de utilização para fundamentar melhor o desenvolvimento de políticas educacionais. Estatísticas sobre as TIC no país, elaboradas pelo Comitê Gestor de Internet no Brasil (CGI.br), bem como a pesquisa 'TIC Educação' embasam análises como as realizadas por Albino e Souza (2016) onde elaboraram um índice que demonstrou a existência de diferenças quanto ao nível do uso destas nas escolas e que outros espaços, além dos laboratórios de informática, tornam-se relevantes no uso das tecnologias.

- O ensino tradicional, principalmente no que se refere ao ensino de física, utilizando quadro e pincel, não se faz mais suficiente à medida que os alunos crescem em uma nova geração rodeada por aparelhos tecnológicos mais

avançados, como no caso dos computadores e smartphones . No caso dos computadores, Pena (2011) destaca que não basta utilizá-los somente para pesquisas em sites de busca e produções textuais por meio de editores de texto mas podem ser usados também para práticas com softwares educacionais, os quais podem agir como facilitadores no processo de ensino-aprendizagem. Temos na Internet uma ampla oferta de softwares gratuitos que podem ser associados ao ensino de física, os quais, se bem compreendidos e aplicados de forma contextualizada com o conteúdo abordado pode gerar os resultados pretendidos de aprendizagem. Como exemplo, temos o Tracker , um software gratuito de vídeoanálise, desenvolvido por Douglas Brown (2010), cujo objetivo é a descrição das principais grandezas físicas associadas ao movimento, como velocidade, aceleração, força e energia utilizando filmagens que hoje podem ser feitas por qualquer smartphone . Isso possibilita que muitos problemas reais de Mecânica tais como o pêndulo, sistema massa-mola, movimento de um carro, possam ser completamente caracterizados por uma simples filmagem.

Pesquisas atuais têm mostrado que o Tracker auxilia o usuário na compreensão de fenômenos físicos (SAAVEDRA FILHO et.al. , 2017; ORTIZ; KRAUSE, 2016; DA SILVA; ORKIEL, 2017) e viabiliza a realização de experimentos dos mais complexos com um baixo custo e poucos equipamentos. Por ser um software de vídeo-análise, permite aos alunos uma observação dos fenômenos físicos em situações reais, possibilitando uma interação maior com a descrição matemática do movimento.

Para potencializar o uso dessa ferramenta, faz-se necessário o uso de uma teoria de aprendizagem, a qual é entendida como um processo de desenvolvimento de estruturas significativas na mente do aluno de modo que aprender algo está relacionado com o compreender, de fato, o que se está aprendendo. Assim, toda a construção do conhecimento se dará de forma individualizada e correlacionada com o repertório cognitivo do aluno. Logo, o professor ao planejar o ensino tem que partir do que o aluno já sabe. Partindo dessa premissa, David Ausubel (AUSUBEL, 2003) propôs a sua teoria da Aprendizagem Significativa (APS) onde a nova informação se relaciona de forma não literal e não arbitrária à estrutura cognitiva existente no aprendiz, interagindo com a estrutura existente, denominada de subsunçor, que serve como 'ancoradouro' adquirindo assim um significado. O aluno tem condições de atribuir significados à nova informação que ancora-se nos subsunçores e produz mudanças significativas na estrutura cognitiva existente. A APS ocorre quando o aluno transforma o significado lógico do material pedagógico em significado psicológico, à medida que esse conteúdo se insere de modo peculiar na sua estrutura cognitiva, e cada pessoa tem um modo específico de fazer essa inserção, basta que este esteja disposto a aprender.

São notáveis as vantagens proporcionadas pela APS, tanto no enriquecimento da estrutura cognitiva do aluno como da lembrança posterior e da utilização para experimentar novas aprendizagens. Esses são alguns dos fatores que a delimitam como sendo a aprendizagem mais adequada para ser promovida entre os alunos. Para construir uma proposta baseada na teoria da APS necessitamos não somente do apanhado teórico, mas também precisamos elaborar um planejamento bem alinhado e delimitado para que os resultados pretendidos não fujam dos objetivos iniciais. É a partir deste fator que utilizamos o Alinhamento Construtivo, proposto por John Biggs, o qual tem se tornado uma boa proposta para professores aplicarem técnicas que lhes permitam planejar suas aulas para atingir melhores resultados com seus alunos. Segundo Biggs e Tang (2011), esse planejamento adequado permite uma maior interação professor- aluno fazendo com que este se envolva nas atividades de forma natural e estimulante.

Como podemos observar no próprio nome, o Alinhamento Construtivo propõe uma maneira de planejar o ensino de modo que as ações estejam perfeitamente alinhadas com as avaliações, proporcionando assim um maior engajamento dos estudantes com os resultados pretendidos na aprendizagem (BIGGS; TANG, 2011). O foco é definir os Resultados Pretendidos da Aprendizagem (RPA) e estabelecer claramente como estes serão avaliados: quais habilidades, a que nível de complexidade e quais formatos de avaliação serão utilizados.

## Metodologia

Esta pesquisa foi realizada de forma qualitativa e apresenta elementos do método da pesquisa-ação e no uso da APS, onde atuaram a diferenciação progressiva e a reconciliação integrativa, requisitos fundamentais para aplicação da teoria de Ausubel. Em conjunto foi utilizado o modelo de ensino do Alinhamento Construtivo, com o qual tivemos a intenção de desempenhar um papel ativo no enquadramento dos problemas encontrados em sala de aula no período de Estágio Supervisionado.

A realização desta pesquisa ocorreu com a participação do professor regente e dos alunos de uma turma do primeiro ano do ensino médio integrado em informática do Instituto Federal do Amazonas (IFAM), no espaço da disciplina de Física 1. Os instrumentos utilizados para coleta de dados foram: caderno de campo da pesquisadora, questionários, produção e gravação de áudio. Foram também utilizados outros recursos didáticos como apostilas e experimentos, para proporcionar sustentação no uso do software Tracker . Em todas as atividades os alunos estavam organizados em duplas.

Figura 1 - Etapas da pesquisa

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Na Figura 1 mostramos as etapas em que transcorreu a proposta. Inicialmente foi realizado o levantamento dos conhecimentos prévios através da análise de entrevistas e questionários aplicados, servindo de base para a elaboração da proposta (sequência didática) para que esta pudesse se relacionar adequadamente aos subsunçores dos alunos. A próxima etapa consistiu no treinamento com o software Tracker . A proposta didática elaborada contou com um total de 5 momentos, com duração total de 5 horas: 1) identificação do que é um referencial inercial, a partir de exemplos do cotidiano; 2) cálculo da velocidade de um móvel que realiza movimento retilíneo uniforme; 3) descrição das características do movimento relativo, utilizando dois kits do experimento do trilho de ar; 4) analise das características do movimento relativo em uma situação do cotidiano, utilizando o software Tracker ; e 5) discussão em sala da importância do estudo dos referenciais para a análise dos movimentos. Todas as atividades foram realizadas em duplas.

## Resultados e discussão

O levantamento feito dos conhecimentos prévios dos alunos e seus níveis de conhecimento de cinemática mostrou que 67% dos alunos não tinham conhecimento da definição de referencial e sua relação com o movimento, na determinação da velocidade de um objeto. A definição de velocidade média era bem compreendida por 45% da turma.

Após o treinamento realizado através da leitura do manual e análise de vídeos, iniciamos a aplicação da proposta, que consiste em uma sequência didática partindo de uma ideia mais geral sobre o conceito de referenciais, chegando à compreensão da importância dos referenciais na análise do movimento de um

corpo. Com isso a proposta atende ao requisito de diferenciação progressiva proposta na teoria de Ausubel onde os conceitos iniciais são mais gerais para depois, serem progressivamente diferenciados. A reconciliação integrativa ocorreu na ligação entre os conceitos expostos nas atividades e na aplicação das tarefas em que estes puderam explorar relações entre ideias e apontar similaridades e diferenças. Cada aula foi identificado como RPA seguida da sua ordem na sequência.

A RPA1 foi elaborada a partir de um vídeo na internet e leitura de um artigo sobre referenciais e, a partir de discussões em sala entre professor e alunos, chegou-se a um denominador comum do que seria então um referencial. As opiniões expressas mostraram que em geral, os alunos melhoraram a compreensão sobre esse conceito.

Para que os alunos pudessem atingir um nível de maturidade maior sobre o assunto, antes de utilizar as TIC, fez-se necessário na segunda aula (RPA2) que eles conseguissem calcular as velocidades de objetos em movimento em relação a um referencial inercial (solo). Por isso foi explicada a relação entre espaço e tempo de um corpo em movimento e feito o questionamento aos alunos de como se calcula a sua velocidade. Então foi solicitado que estes resolvessem alguns problemas simples de cálculo de velocidade e sobre a influência dos referenciais inerciais na velocidade dos corpos. Da análise dos resultados notamos que 72% das duplas conseguiram atingir o objetivo resolvendo os problemas, sendo capaz de relacionar os conhecimentos do RPA1 com o RPA2, demonstrando assim uma elevação no nível de maturidade. Já as outras duplas sentiram um pouco de dificuldade em relação a identificação e qual a influência dos referenciais no movimento. A causa destas dúvidas está relacionada ao nível de entendimento destes alunos, pois ainda não apresentam capacidade de relacionar as informações presentes na sua estrutura cognitiva. Para isto, foi realizado um esclarecimento utilizando outros exemplos próximos de seu dia a dia. Podemos dizer que este conhecimento serviu como organizador prévio para as demais atividades de ensino e de aprendizagem. Moreira (2011) deixa claro que os organizadores prévios podem tornar explícita a relação de novos conhecimentos com conhecimentos já presentes na estrutura cognitiva dos alunos.

A RPA3 teve como objetivo descrever características do movimento relativo, utilizando o experimento do trilho de ar, onde podemos controlar melhor as variáveis do movimento. Nesta aula, os alunos foram levados para o laboratório de Física, e foi apresentado o experimento do trilho de ar, sendo 1 kit do experimento para um grupo de 5 alunos, com o intuito de explicar algumas características do movimento relativo, utilizando um exemplo muito citado pelos alunos no questionário de conhecimentos prévios: um observador analisando o movimento dos carros de diferentes pontos de vista. Nesta atividade 100% dos alunos conseguiram cumprir com o objetivo podendo descrever o movimento dos carros no trilho de ar a partir do exemplo citado, nas várias situações possíveis, porém, algumas duplas sentiram dificuldade na percepção de que não há um valor de velocidade mais correto que outro pois toda medição depende do estado do observador (relatividade). Foi então realizada uma explicação extra para solucionar estas dúvidas utilizando a RPA2 onde o cálculo as velocidades foi realizado, identificando os pontos onde as duas situações diferenciavam.

A quarta aula da proposta, RPA4, destinou-se ao uso do smartphone em conjunto com o software Tracker para que os alunos fossem capazes de analisar o movimento completo de um objeto. Os alunos realizaram as filmagens com o smartphone no âmbito do IFAM, sem maiores dificuldades, elaborando eles próprios as situações que seriam analisadas posteriormente. Após passarem os vídeos para o computador no laboratório de informática do IFAM, foi solicitado que fizessem o

processo de vídeo análise no Tracker (Fig. 2) e que respondessem a um questionário a respeito das informações que poderiam ser extraídas do software. No laboratório eles contavam com 1 computador para cada dupla de alunos.

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Figura 2 - Produção de vídeo analise no software Tracker

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Nesta atividade de aprendizagem uma participação mais ativa de todos os alunos, tendo algumas dificuldades ainda com o manuseio do software mas que foi facilmente contornada. Os resultados mostraram que do total de duplas que realizaram a atividade de aprendizagem, 80% conseguiram obter todas as informações necessárias e expô-las no questionário. Outros 20% realizaram a atividade de forma coerente, respondendo corretamente quem era o referencial, qual o tipo de movimento e que não existe referencial absoluto, mas não foram capazes de concluir que a velocidade relativa pode mudar de acordo com o referencial escolhido e que desta forma a análise do movimento obterá outros resultados. Foi então realizada uma nova explicação, utilizando os próprios projetos elaborados.

Os alunos foram também capazes de observar em seus projetos que o movimento em uma situação real não é estritamente uniforme, como colocado pelo livro texto, ou seja, a velocidade não é constante durante todo o percurso que este corpo realiza. Além disso, os alunos conseguiram relacionar as equações matemáticas do movimento retilíneo uniforme com as equações obtidas por interpolação no software Tracker , extraindo informações como velocidade e aceleração. Percebeu-se nos alunos um aumento de interesse em cumprir a atividade, pois esta utilizava recursos tecnológicos aliados a situações do quotidiano. Segundo a APS as características observadas elevaram os conhecimentos da estrutura cognitiva dos alunos por meio da ativação da curiosidade intelectual, assim como tornaram os subsunçores mais elaborados e diferenciados.

Na RPA 5 foi realizada uma discussão em forma de roda de conversa, para que os alunos pudessem tirar dúvidas reminiscentes sobre o software e a importância dos referenciais no estudo do movimento. Essa etapa serviu também de análise da proposta e das TIC utilizadas. Notamos que os alunos de uma maneira geral souberam expressar o conhecimento aprendido nas atividades pontuando algumas dificuldades ocorridas neste processo condizendo com Biggs e Tang (2011) onde a participação ativa dos alunos no processo de aprendizagem, considerando os conteúdos abordados e as atividades propostas, pode desencadear uma aprendizagem mais significativa.

## Considerações finais

Verificamos na aplicação da proposta uma melhora na participação dos alunos nas atividades de ensino e a procura espontânea pelo professor para sanar dúvidas (comportamento não usual, relatado pelo professor da disciplina), mostrando assim que a proposta cumpriu com um dos fatores principais para a ocorrência de uma aprendizagem significativa que é despertar o interesse dos alunos, sendo assim potencialmente significativa. O uso do smartphone aliado ao Tracker possibilitou estudar os conteúdos de cinemática a partir do quotidiano do aluno fazendo este estabelecer uma conexão entre a modelagem matemática do livro texto com o seu dia-a-dia. As rodas de conversa e a análise dos questionários mostraram que a aprendizagem ocorreu satisfatoriamente, trabalhando os conhecimentos prévios

através de uma sequência didática pautada pela diferenciação progressiva e a reconciliação integrativa. Essa modificação na estrutura cognitiva dos alunos, os subsunçores, pôde ser avaliada através da comparação entre os pontos de vista do aluno sobre o assunto antes e depois da proposta. Houve o estímulo para o trabalho colaborativo na busca do conhecimento, estimulando comportamentos mais autônomos por parte dos alunos, favorecendo o desenvolvimento de estratégias de ensino adequadas com as necessidades da aprendizagem, com o professor exercendo um papel de orientador nas atividades. A utilização da tecnologia na educação guiada por uma teoria de aprendizagem mostrou que conteúdos onde os professores têm tradicionalmente um grau de dificuldade em ensinar, podem ser abordados de uma maneira envolvente e motivadora. Comparativamente, essa proposta teve um tempo de aula maior que o dedicado normalmente pelo professor em seu planejamento usual da disciplina, mas levando-se em conta que um tópico absorvido de maneira mecânica exige um trabalho extra com exercícios de fixação, provas de recuperação e aulas extras, podemos concluir que com relação a carga horária temos uma equidade entre a utilização ou não de uma proposta baseada em uma teoria de aprendizagem, o que motiva ainda mais a repensar constantemente a prática de ensino na busca de melhores resultados.

## Referências

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