PROJETO ''LUZ, CÂMERA E AÇÃO": APROXIMANDO A FÍSICA DA REALIDADE SOCIAL DE ESTUDANTES DE PERIFERIA
Desirée Dornelles, Alan Alves Brito, Alexsandro Pereira
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XVII
- Ano
- 2018
- Data
- 29/08/2018
- Linha de pesquisa
- Po-4 Educação Inclusiva
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
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## PROJETO ÒLUZ, CåMERA E A,ÌOÓ: APROXIMANDO A FêSICA DA REALIDADE SOCIAL DE ESTUDANTES DE PERIFERIA
## ÒLIGHT, CAMERA, AND ACTIONÓ PROJECT: APPROACHING PHYSICS TO THE SOCIAL REALITY OF STUDENTS FROM THE PERIPHERY
DesirŽe Dornelles 1 , Alan Alves-Brito 2 , Alexsandro Pereira 3
1 UFRGS/Licenciatura em F'sica, desirŽe.dornelles@ufrgs.br 2 UFRGS/Departamento de Astronomia, alan.brito@ufrgs.br
3 UFRGS/Departamento de F'sica, alexsandro.pereira@ufrgs.br
## Resumo
Este trabalho mostra como um projeto simples de F'sica e Astronomia num di‡logo com as ciGLYPH<144>ncias humanas e sociais pode ajudar jovens perifŽricos a repensar o seu lugar e o seu tempo no universo e a import%ncia da ciGLYPH<144>ncia e da tecnologia na sociedade. A metodologia Ž participativa e dial-gica, ressaltando o protagonismo dos estudantes. O referencial te-rico baseia-se na perspectiva sociocultural em educaGLYPH<141>‹o em ciGLYPH<144>ncias. Os estudantes montam uma exposiGLYPH<141>‹o fotogr‡fica retratando n‹o apenas sua realidade, identidade e contexto cultural, mas destacando e interpretando conceitos de F'sica e Astronomia. Os estudantes demonstram proatividade e independGLYPH<144>ncia na realizaGLYPH<141>‹o das atividades e interesse em aprofundar conceitos fundamentais de F'sica e Astronomia.
Palavras-chave : f'sica, astronomia, educaGLYPH<141>‹o, luz, periferia.
## Abstract
This work shows how a simple project of Physics and Astronomy, in a dialogue with human and social sciences, can help peripheral young people to rethink their place and time in the universe and the importance of science and technology to the society. The methodology is participatory and dialogical, emphasizing the protagonism of the students. The theoretical framework is based on the sociocultural perspective in science education. Students assemble a photographic exhibition depicting not only their reality, identity and cultural context, but also highlighting and interpreting concepts of Physics and Astronomy. Students demonstrate proactivity and independence in the accomplishment of activities and interest in deepening fundamental concepts of Physics and Astronomy.
Keywords : physics, astronomy, education, light, periphery.
## IntroduGLYPH<141>‹o
O Brasil Ž um pa's socialmente complexo. Se, por um lado, as pol'ticas pœblicas em curso tGLYPH<144>m se voltado para a universalizaGLYPH<141>‹o da escolarizaGLYPH<141>‹o, por outro lado um dos grandes desafios da educaGLYPH<141>‹o pœblica b‡sica no Brasil tem sido acolher
a diversidade cultural de jovens que, paradoxalmente, vivem o sŽculo XXI, mas est‹o ainda ˆ mercGLYPH<144> da escola moldada no sŽculo XIX ou alijados de direitos b‡sicos. Para jovens da periferia, sobretudo em grandes cidades, a educaGLYPH<141>‹o cient'fica pode ser um processo desgastante, fragmentado, desmotivador e excludente. Neste sentido, o ensino de F'sica e Astronomia para jovens de periferia torna-se, particularmente, um desafio e motivo de debate. ƒ preciso repensar as pr‡ticas pedag-gicas nestas ‡reas da ciGLYPH<144>ncia b‡sica que, historicamente, tGLYPH<144>m sido dominadas por elites privilegiadas, marcadas por uma assimetria de poder.
Neste trabalho buscamos refletir como o ensino de ciGLYPH<144>ncias b‡sicas como F'sica e Astronomia podem ajudar na construGLYPH<141>‹o identit‡ria de jovens de periferias f'sicas e simb-licas. F'sica e Astronomia s‹o aqui apresentadas como elementos da cultura, cujos arcabouGLYPH<141>os te-ricos, experimentais e observacionais, em di‡logo com outras ciGLYPH<144>ncias humanas e sociais, podem ajudar jovens de periferia a refletir sobre processos estruturais que fazem com que pessoas e lugares se relacionem, mas ocupem posiGLYPH<141>›es completamente diferentes no que tange o acesso ao campo dos direitos mais fundamentais. Neste projeto, jovens perifŽricos materializam e ressignificam, pelas lentes da F'sica e da Astronomia, suas pr-prias reivindicaGLYPH<141>›es sociais, express›es culturais e, mais importante, demandas identit‡rias.
## Referencial te-rico
Este trabalho fundamenta-se na perspectiva sociocultural em educaGLYPH<141>‹o em ciGLYPH<144>ncias (LEMKE, 2001; OÕLOUGHLIN, 1992). O objetivo da pesquisa sociocultural Ž relacionar a atividade humana com o seu contexto cultural, hist-rico e institucional (WERTSCH, 1998). A perspectiva adotada neste estudo se aproxima da tradiGLYPH<141>‹o de Lev S. Vygotsky (1981, 1987) ao reconhecer a conex‹o existente entre processos comunicativos sociais e processos psicol-gicos individuais. No entanto, ao lidar com aspectos transculturais da aprendizagem, nos afastamos da tradiGLYPH<141>‹o de Vygotsky na medida em que evitamos reduzir diferenGLYPH<141>as culturais a diferenGLYPH<141>as hist-ricas, isto Ž, quando deixamos de interpretar outras culturas como ocupando diferentes est‡gios (quase sempre menos avanGLYPH<141>ados) no curso do desenvolvimento hist-rico de nossa civilizaGLYPH<141>‹o (WERTSCH; DEL RIO; ALVAREZ, 1995). Nesse sentido, aproximamo-nos da antropologia norte-americana (BOAS, 1920) ao assumir que cada sociedade segue sua pr-pria linha de desenvolvimento cultural.
No que diz respeito ao ensino de ciGLYPH<144>ncias, Masakata Ogawa (1986) prop™s uma nova racionalidade para a educaGLYPH<141>‹o cient'fica em sociedades n‹o-Ocidentais. Segundo o autor, a ciGLYPH<144>ncia Ž produto da sociedade Ocidental europŽia e, portanto, traz consigo elementos caracter'sticos dessa cultura. Assim, do ponto de vista de uma sociedade n‹o-Ocidental, a ciGLYPH<144>ncia deve ser vista como parte de uma cultura estrangeira. No modelo de racionalidade de Ogawa, a caracterizaGLYPH<141>‹o de uma cultura pode ser delineada a partir de duas dimens›es: a vis‹o de ser humano e natureza e o modo de pensar. Segundo o autor, a vis‹o de ser humano e natureza se refere ˆ maneira como determinada cultura vGLYPH<144> a relaGLYPH<141>‹o entre natureza e os seres humanos. J‡ o modo de pensar diz respeito a l-gica usada por cada cultura. Assim, do ponto de vista da educaGLYPH<141>‹o cient'fica, Ž poss'vel identificar elementos da cultura tradicional que est‹o em conflito com a ciGLYPH<144>ncia que Ž ensinada na escola.
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As ideias de Ogawa (1986) podem servir como referGLYPH<144>ncia para pensarmos o ensino de ciGLYPH<144>ncias para jovens e adultos em situaGLYPH<141>‹o de vulnerabilidade social em sociedades urbanas, em particular em pa'ses ditos ÒsubdesenvolvidosÓ e pa'ses em desenvolvimento. Tendo em vista que a escola tem como principal funGLYPH<141>‹o reproduzir o Òarbitr‡rio culturalÓ das classes dominantes (BOURDIEU; PASSERON, 1975), a ciGLYPH<144>ncia tambŽm representa parte de uma cultura estrangeira para integrantes das classes dominadas. Assim, as experiGLYPH<144>ncias vividas por esses sujeitos nas salas de aula de ciGLYPH<144>ncias podem ser vistas como uma Òcruzada de fronteiraÓ da subcultura das periferias urbanas para a subcultura da ciGLYPH<144>ncia escolar (AIKENHEAD, 1996). Nesse contexto, a educaGLYPH<141>‹o cient'fica deveria servir tambŽm para conscientizar os estudantes de sua situaGLYPH<141>‹o concreta de injustiGLYPH<141>a social (FREIRE, 1987)..
## Delineamento do estudo
## Breve DescriGLYPH<141>‹o do Contexto e dos Sujeitos de Pesquisa
O Instituto Estadual Rio Branco (IERB) est‡ localizado num bairro de classe mŽdia da cidade de Porto Alegre/RS. A escola pertence ˆ rede pœblica estadual e possui ensino infantil, fundamental e mŽdio. O IERB tem como um de seus vizinhos o ColŽgio Israelita Brasileiro, um colŽgio particular com uma infraestrutura de alto padr‹o, que torna mais evidente a precarizaGLYPH<141>‹o do ensino pœblico estadual. Apesar de a presenGLYPH<141>a das instituiGLYPH<141>›es ser not‡vel por conta do contraste social, parece existir uma cortina invis'vel que separa os alunos das duas escolas. Enquanto os alunos do IERB se espalham pelos entornos e lotam os pontos de ™nibus, os estudantes do ColŽgio Israelita se concentram na frente da escola esperando seus pais ou carros particulares. A comunicaGLYPH<141>‹o entre alunos de ambas as instituiGLYPH<141>›es Ž praticamente inexistente.
No turno da noite, o IERB possui apenas o ensino mŽdio, em que a maior parte dos alunos trabalha durante o dia e tem apenas o per'odo da noite para estudar. Os alunos do segundo ano, sujeitos de nossa pesquisa, possuem entre 16 e 20 anos. A maior parte deles s‹o trabalhadores ou est‹o em busca de emprego. Apesar de serem de classe mŽdia-baixa e de classe baixa, muitos deles investem em ÒculturaÓ, na compra de livros e serviGLYPH<141>os de streaming. Todos eles possuem smartphone e est‹o o tempo todo conectados ˆ internet, tanto nos intervalos quanto durante as aulas.
## Metodologia
Este estudo foi realizado durante as atividades do Programa Institucional de Bolsas de IniciaGLYPH<141>‹o ˆ DocGLYPH<144>ncia (PIBID). Ap-s um mGLYPH<144>s de observaGLYPH<141>‹o das aulas, foi aplicado um question‡rio aos alunos contendo perguntas sobre aspectos culturais, status socioecon™mico e sobre a disciplina de F'sica. As quest›es relativas ˆ F'sica foram adaptadas do projeto ROSE e tinham como prop-sito medir a atitude dos 1 alunos no que diz respeito ˆ relaGLYPH<141>‹o deles com a F'sica.
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Ap-s a aplicaGLYPH<141>‹o do question‡rio, foi organizada uma roda de conversa com os estudantes para debater/dialogar sobre as respostas. Em seguida, foi apresentada uma proposta de atividade para ser discutida com a turma, pensada a partir da posiGLYPH<141>‹o social dos alunos e de suas preferGLYPH<144>ncias por produGLYPH<141>›es culturais nacionais. O projeto de investigaGLYPH<141>‹o chamado ÒLuz, C%mera e AGLYPH<141>‹oÓ foi aprovado pelos alunos. O projeto foi organizado de modo a levar os estudantes a pensarem conceitos de F'sica, Astronomia, cultura e sociedade, a partir da realidade deles. Nessa ocasi‹o, aproveitamos para apresentar alguns aspectos das ideias de Paulo Freire e de Pierre Bourdieu. Sobre Bourdieu, foi discutido os conceitos de capital econ™mico, capital social e capital cultural. Com relaGLYPH<141>‹o ˆ pedagogia freireana, foi enfatizado o papel da conscientizaGLYPH<141>‹o da pr-pria posiGLYPH<141>‹o social e pol'tica dos indiv'duos no mundo.
De maneira dial-gica, a primeira etapa do projeto (Luz) constitui-se em destacar as propriedades da luz como onda eletromagnŽtica e os estudos de Newton sobre a composiGLYPH<141>‹o da luz. Em seguida, foi discutido como a Astronomia estuda a luz, utilizando a espectroscopia estelar. Dentro do tema luz foi discutido tambŽm as cores, tanto cor como fen™meno f'sico quanto cor como express‹o art'stica. Foi explicado como cor e temperatura estelar est‹o relacionadas e o sentido das cores em psicologia. Foi explicado sobre a utilizaGLYPH<141>‹o da teoria das cores do c'rculo crom‡tico na composiGLYPH<141>‹o da paleta de cores na fotografia. Por fim, discutiu-se como funciona a luz nas c%meras digitais (abertura do diafragma, ISO e velocidade do obturador).
Na segunda etapa do projeto (C%mera), enfatizou-se o estudo da -ptica e suas aplicaGLYPH<141>›es na fotografia. Discutiu-se o papel das lentes tanto para a correGLYPH<141>‹o de problemas de vis‹o quanto para c%meras fotogr‡ficas. AlŽm disso, foi discutido tambŽm como os espelhos podem auxiliar na construGLYPH<141>‹o de iluminaGLYPH<141>›es espec'ficas (dividida, reembrandt, loop, borboleta e oposta).
Na terceira etapa (AGLYPH<141>‹o), discutiu-se sobre o poder da fotografia e a biografia de alguns fot-grafos brasileiros como Walter Firmo e Sebasti‹o Salgado. Sobre Sebasti‹o Salgado, foi exibido trechos do document‡rio ÒO Sal da TerraÓ, dirigido por Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado, e sobre a exposiGLYPH<141>‹o ÒGGLYPH<144>nesisÓ que a Universidade Federal do Rio Grande do sul (UFRGS) recebeu em 2014. Ao final dessa etapa, foi sugerido aos alunos que fotografassem imagens de sua realidade local, inspirados na hist-ria da personagem BuscapŽ, de Cidade de Deus. O objetivo da fotografia era, exatamente, plasmar F'sica, Astronomia e realidade social num s- projeto de investigaGLYPH<141>‹o.
## Resultados do projeto
A partir do levantamento do status socioecon™mico e do perfil cultural dos estudantes, foi poss'vel identificar que, primeiro, apesar da predomin%ncia da cultura estrangeira nas m'dias, a maioria dos estudantes prefere produGLYPH<141>›es culturais brasileiras, como o hip-hop do rapper Emicida, que vem da periferia e tem nas suas letras a luta contra o racismo. AlŽm disso, constatou-se que filmes como Cidade de Deus que retrata a vida na periferia de um garoto negro que sonhava em sair da regi‹o do tr‡fico e ser fot-grafo s‹o preferidos pelos estudantes da pesquisa.
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A an‡lise das respostas ao question‡rio mostrou que a maioria dos estudantes demonstra interesse em profiss›es que lidem com tecnologia avanGLYPH<141>ada, embora n‹o houvesse a mesma concord%ncia com relaGLYPH<141>‹o ˆ utilidade do conhecimento adquirido na disciplina de F'sica em suas vidas ou ˆ possibilidade de melhoria nas oportunidades de emprego.
Ao final da terceira etapa do projeto foi organizada no Instituto de F'sica de UFRGS uma exposiGLYPH<141>‹o fotogr‡fica, intitulada ÒEspectroscopia SocialÓ, com o objetivo de expor os resultados do processo de investigaGLYPH<141>‹o dos conceitos de F'sica e Astronomia apreendidos e como os mesmos estavam relacionados ˆ vida dos estudantes na relaGLYPH<141>‹o com o outro; com o diferente; os que s‹o deixados ˆ margem das decis›es de poder e que, normalmente, a universidade desconhece. O objetivo da exposiGLYPH<141>‹o, como produto do projeto de investigaGLYPH<141>‹o participativo e dial-gico realizado ao longo dos encontros, foi criar mais um espaGLYPH<141>o de di‡logo em torno dos construtos sociais de F'sica e Astronomia e o impacto delas na vida das comunidades perifŽricas (f'sico e simb-lico). Do IERB participaram n‹o apenas os estudantes envolvidos diretamente no projeto mas tambŽm estudantes de outras turmas, alŽm do professor de F'sica. Antes da abertura da exposiGLYPH<141>‹o, estudantes e professores do IERB foram recebidos em um anfiteatro por alguns estudantes de graduaGLYPH<141>‹o e um professor do Instituto de F'sica. Houve uma discuss‹o sobre a import%ncia da interaGLYPH<141>‹o escola-universidade pœblicas e sobre a import%ncia da luz como via de comunicaGLYPH<141>‹o nos ÒuniversosÓ poss'veis.
De acordo com os relatos pessoais, houve aumento de interesse dos estudantes n‹o apenas por fotografia como tambŽm por F'sica. Os estudantes relataram que gostariam que mais atividades e projetos como o aqui apresentado acontecessem no ambiente escolar. Os alunos das outras turmas, que n‹o participaram do projeto e vendo o resultado e coment‡rios das atividades, expressaram interesse em participar no futuro em atividades com objetivos parecidos.
Ap-s a abertura da exposiGLYPH<141>‹o e apreciaGLYPH<141>‹o das fotos, os alunos foram convidados a conhecer o Observat-rio do Campus do Vale da UFRGS, onde puderam observar o cŽu daquela noite por meio de um telesc-pio. A observaGLYPH<141>‹o astron™mica Ž, acima de tudo, o resultado da interaGLYPH<141>‹o da luz com a matŽria e essa experiGLYPH<144>ncia, aqui denominada de Òespectroscopia socialÓ, contribuiu para que os estudantes entendessem que h‡ F'sica e Astronomia ˆ sua volta. No final da visita os estudantes mostraram interesse pela universidade e fizeram perguntas sobre ingresso, cotas e cursos prŽ-vestibulares populares. AlŽm disso, alguns alunos participantes do projeto comentaram que voltariam durante as fŽrias para visitar a exposiGLYPH<141>‹o na universidade, mas agora na companhia de familiares e amigos.
O question‡rio ROSE foi reaplicado. Os resultados demonstram que houve mudanGLYPH<141>a de atitude. Os alunos sinalizam uma predisposiGLYPH<141>‹o para aprender F'sica com uma ciGLYPH<144>ncia œtil para a sua vida (ciGLYPH<144>ncia, tecnologia e sociedade). Na escola, o projeto foi visto com o aumento da participaGLYPH<141>‹o e engajamento nas aulas. As aulas expositivas diminu'ram, j‡ que os alunos agora querem participar mais do que apenas ouvir, e deram mais espaGLYPH<141>o para aulas din%micas e experimentais.
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Figura 1. Abertura da exposiGLYPH<141>‹o Espectroscopia Social (esquerda). Estudantes do IERB observando o cŽu com um telesc-pio (direita).
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## ConsideraGLYPH<141>›es Finais
O principal impacto do presente projeto de investigaGLYPH<141>‹o e interaGLYPH<141>‹o com a educaGLYPH<141>‹o b‡sica, que tem um viŽs de construGLYPH<141>‹o dial-gica com a realidade da escola e de outros espaGLYPH<141>os n‹o formais de aprendizagem, foi, primeiro, dar voz ˆs identidades de grupos culturais desprivilegiados que, quase sempre, s‹o silenciados pela sociedade. Os resultados do teste ROSE demonstram que a descolonizaGLYPH<141>‹o do curr'culo Ž necess‡ria e pode contribuir para a integraGLYPH<141>‹o de grupos socialmente marginalizados e para a construGLYPH<141>‹o de novas epistemologias. O conhecimento Ocidental de F'sica e Astronomia apresentado no projeto, e que Ž totalmente referendado e amparado em signos e significados que muitas vezes est‹o fora da realidade da ÒculturaÓ de comunidades perifŽricas urbanas, foi discutido n‹o como sendo um reflexo direto da natureza ou da realidade imposta, mas, sobretudo, como resultado de um processo de criaGLYPH<141>‹o e interpretaGLYPH<141>‹o ˆ luz dos tecidos sociais em jogo.
O projeto inicial aqui apresentado detectou quest›es de pesquisa que precisam ser aprofundadas. A proposta de interaGLYPH<141>‹o oriunda da investigaGLYPH<141>‹o culminou em uma atividade que visou a diminuiGLYPH<141>‹o das fronteiras do conhecimento onde escola, universidade e cultura de massa est‹o separadas por abismos que n‹o ajudam a dirimir as assimetrias de poder vigentes na sociedade. O conhecimento aqui discutido Ž ressignificado como parte de uma cultura perifŽrica que, nem por isso, deixa de ser universal. F'sica e Astronomia n‹o podem ser, elas mesmas, ciGLYPH<144>ncias hier‡rquicas do conhecimento, promovendo a distinGLYPH<141>‹o social.
## ReferGLYPH<144>ncias
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BOAS, F. The methods of ethnology. American Anthropologist , v. 22, n. 4, p. 311Ð 321, 1920.
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FREIRE, P. Pedagogia Do Oprimido . 17a ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
LEMKE, J. L. Articulating Communities: Sociocultural Perspectives on Science Education. Journal of Research in Science Teaching , v. 38, n. 3, p. 296Ð316, 2001.
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