UM ESTUDO LONGITUDINAL SOBRE OS IMAGINÁRIOS DE LICENCIANDOS EM FÍSICA: AS HABILIDADES DE UM "PROFESSOR EXEMPLAR" E O SEU PAPEL EM SALA DE AULA
Fabiano Willian Parma, Roberto Nardi, Jéssica Dos Reis Belíssimo
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XVII
- Ano
- 2018
- Data
- 28/08/2018
- Linha de pesquisa
- Po-2 Formação De Professores
- Tipo
- Pôster
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do EPEF 2018
Texto completo
## UM ESTUDO LONGITUDINAL SOBRE OS IMAGINÁRIOS DE LICENCIANDOS EM FÍSICA: AS HABILIDADES DE UM 'PROFESSOR EXEMPLAR' E O SEU PAPEL EM SALA DE AULA
## A LONGITUDINAL STUDY ABOUT THE IMAGINARY OF FUTURE PHYSICS TEACHERS: THE ABILITY OF A SUPPOSED 'EXEMPLARY TEACHER' AND HIS ROLE IN THE CLASSROOM
## Fabiano Willian Parma 1 , Jéssica dos Reis Belíssimo 2 , Roberto Nardi 3
1 UNESP/Faculdade de Ciências/Pós-graduação em Educação para a Ciência, fabiano-wp@hotmail.com
2 UNESP/Faculdade de Ciências/Departamento de Física, jessicabelissimo@gmail.com
3 UNESP/Faculdade de Ciências/Departamento de Educação nardi@fc.unesp.br
## Resumo
Esta investigação tem como objetivo estudar detalhes do processo de formação de professores de Física, em especial da contribuição da pesquisa em ensino de Física, e em Educação, na formação de futuros professores. Neste sentido, procurou-se analisar o perfil dos licenciandos em Física, como seus imaginários sobre conhecimento científico, ensino de ciências e a constituição de saberes docentes, desde o ingresso na universidade até a conclusão do curso. Tem como sujeitos licenciandos de uma universidade pública paulista, que ingressaram em 2014 e concluíram o curso em 2017. O levantamento de dados ocorreu através de questionários aplicados no início de cada ano letivo em certas disciplinas do curso. Utilizamos com referencial a Análise de Discurso, originada por Pêcheux e desenvolvida no Brasil por Orlandi e outros referenciais sobre o tema. Nessa comunicação destacamos sentidos produzidos nos discursos dos futuros professores para as práticas e qualidades de um 'professor exemplar', bem como seu papel em sala de aula. Os discursos mostram que as condições de produção (língua, instituição e formações imaginárias) proporcionados pelo currículo do curso foram fundamentais nas alterações dos imaginários dos alunos sobre as temáticas acima citadas.
Palavras-chave : Ensino de Física. Formação Inicial de Professores. Análise de Discurso.
## Abstract
This research aimed to study the process of training future physics teachers, especially the contribution of research in physics education in their formation. In this sense, we analyzed how their imaginaries about the science ant its teaching improve and how the constitution of the teaching knowledge happens. For that, we followed them since the first year in the university, up to the conclusion of the program. The sample was constituted of undergraduate students of a public university, future physics teachers that initiated the program in 2014 and conclude their degree in
2017. The data collection was carried out through questionnaires applied at the beginning of each school year in certain courses of the program. We used with reference the Discourse Analysis, originated by Pêcheux and developed in Brazil by Orlandi and other researchers on the subject. In this communication, we highlight the meanings produced in the speeches of future teachers for the practices and qualities of an 'exemplary teacher', as well as their role in the classroom. The speeches show that the conditions of discourse production (language, institution and imaginary formations) provided by the curriculum of the program were fundamental in the alterations of the students' imaginaries on the subjects mentioned above.
Keywords : Physics Teaching, Teachers Training. Discourse Analysis.
## Introdução
Atualmente, a investigação em Ensino de Ciências tem se expandido significativamente no mundo. No Brasil, podemos confirmar esta expansão, por exemplo, devido ao grande número de produções acadêmicas derivadas do crescente número de cursos de pós-graduação nesta área. Essas produções enriquecem os eventos científicos e favorecem o desenvolvimento da pesquisa na área. Observa-se, entretanto, que esse volume crescente de produção acaba não chegando à sala de aula, por diversos motivos (NARDI; ALMEIDA, 2009). Levar os futuros professores a interagir com os resultados da pesquisa, desde a formação inicial, é uma das metas para diminuir esta lacuna.
Desta forma, essa investigação tem como foco estudar os imaginários de futuros professores de Física, desde o ingresso na universidade até a conclusão do Curso de Licenciatura, com relação a aspectos como o conhecimento científico, o ensino da ciência e o processo de constituição de saberes para a docência. O objetivo é analisar possíveis variações sobre esses aspectos durante o período de formação e verificar como a pesquisa vem sendo introduzida ou interferindo, já na formação inicial de professores, no caso, de Física. O estudo envolve uma amostra de estudantes de um curso de licenciatura em Física de uma universidade pública brasileira, que ingressou no início do ano de 2014 e concluíram o curso no final de 2017. A fundamentação teórica deste estudo está embasada na Análise de Discurso de linha francesa (PECHÊUX, 1990; ORLANDI, 1999) e em autores nacionais e internacionais, que estudam aspectos sobre a formação de professores e como a produção acadêmica interfere na formação inicial ou continuada de docentes.
## Metodologia
Para a constituição dos dados, a pesquisa foi desenvolvida segundo uma abordagem qualitativa, no sentido definido por André (1995) e Flick (2009). Os imaginários dos futuros professores foram estudados utilizando dispositivos analíticos com base na Análise de Discurso, de filiação francesa, uma vez que, segundo Pechêux,
Todo processo discursivo supõe a existência de formações imaginárias. (PÊCHEUX, 2010, P. 82)
Dessa forma, as condições de produção de discurso favorecem a leitura dos imaginários dos sujeitos analisados, ou 'jogos de imagem de um discurso'.
Os dados foram recolhidos através de questionários aplicados no início de cada ano letivo, de 2014 a 2017. Os questionários foram compostos por questões que tinham como objetivo conhecer o perfil dos licenciandos, estudar seus imaginários sobre a ciência, a física, a educação, a profissão docente e vários outros temas definidos pelos pesquisadores. Destacamos aqui nesta comunicação respostas dados pelos licenciandos apenas a duas das questões constantes nos questionários:
- A literatura sobre pesquisa em Educação em Ciências fala em 'professores exemplares'. O que seria um 'professor exemplar' para você?
- Qual deve ser o papel do professor na sala de aula?
## Condições de Produção dos Discursos
A enunciação dos discursos aconteceu nas disciplinas de Metodologia e Prática de Ensino de Física (MPEF) I, III, V e Didática da Ciência, nas quais foram aplicados os questionários. Essas disciplinas estão dentro do chamado eixo 2 da matriz curricular do curso de licenciatura em física analisado, chamado 'A Formação dos Conhecimentos Didático-Pedagógicos do Professor de Física'. O projeto pedagógico do curso contempla dois outros eixos, um deles, de conteúdos específicos de física e disciplinas afins (eixo 1), comum com o Curso de Bacharelado em Física de Materiais.
## Sujeitos da Pesquisa
Os sujeitos da amostra são alunos de uma turma de licenciandos de uma Universidade Pública do estado de São Paulo. O período de coleta de dados ocorreu de 2014 a 2017; período em que observamos uma queda acentuada no número de licenciandos que faziam parte da pesquisa. Em 2014, logo no início das aulas, foi aplicado o primeiro questionário na primeira aula de MPEF I, pela professora que ministrava esta disciplina. Dos 60 alunos ingressantes no curso, 49 aceitaram participar da pesquisa. Em 2015, um novo questionário foi aplicado no início das aulas da disciplina MPEF III, quando apenas 11 licenciandos da amostra inicial responderam os questionários. Em 2016, questionário semelhante foi aplicado no início de MPEF V; desta vez, somente oito licenciandos responderam o questionário. Por fim, em 2017 na aula de Didática da Ciência, somente três alunos, dos que haviam ingressado em 2014, responderam; apenas um deles concluiu o curso no prazo regulamentar de quatro anos.
Essa queda no número de respondentes dos questionários aconteceu pelo fato de que alguns estudantes sofrerem reprovações ou optarem a seguir apenas a estrutura curricular do curso de bacharelado, uma vez que a entrada no curso é comum para a licenciatura e para o bacharelado. O decaimento no número de licenciandos, ou seja, a acentuada taxa de evasão desse curso, vem sendo estudado por outro pesquisador do mesmo grupo (Kussuda, 2017).
Analisando o perfil do único licenciando que concluiu o curso no prazo regulamentar, acima citado, lembramos de resposta dada no primeiro dos questionários aplicados, quando do ingresso dos licenciandos no curso (2014):
Me formei no Ensino médio regular, todo em escola particular. Estudei desde o ensino infantil até a formação [...] Após formado, fiz curso prévestibular [...]
Ou seja, esse licenciando estudou durante toda a formação em escola particular, complementado seus estudos de nível médio em curso de preparação para o processo seletivo no ensino superior também em um colégio particular de sua cidade. Na época da aplicação do questionário (2014), já trabalhava como professor nesse mesmo colégio onde fez o curso pré-vestibular. Por ter certa experiência em sala de aula, seu imaginário sobre a docência e outros aspectos mostram-se diferenciados dos licenciandos da amostra. Ou seja, os chamados 'saberes docentes' acumulados influenciaram em seus discursos. Destaca-se ainda que, no segundo ano do curso de licenciatura, iniciou atividades de Iniciação Científica na área de Biofísica, em outro campus da mesma universidade, onde reside, participando de atividades de pesquisa nesta área, até a conclusão da graduação. Apresentaremos aqui a análise de seus discursos no decorrer dos anos de tomada de dados, ou seja, do início ao final do curso de licenciatura. Esses dados consideramos importantes, uma vez que estaremos analisando aqui as respostas desse sujeito para as questões acima citadas.
## Análise dos Dados
Nessa parte da pesquisa o analista faz uma ponte entre a identificação do sujeito, ou seja, de onde ele fala, buscando sentidos em seu discurso, considerando, assim, quem é esse sujeito, o que ele diz, para quem e de onde ele fala. Identificando, assim, conexões de sentidos no discurso do sujeito estudado.
Em tal contexto, há uma relação de poder, pois, o aluno acaba assumindo a função de autor do discurso e o pesquisador o papel de leitor, de analista; e, mesmo que os pesquisadores tenham deixado claro que as respostas dadas aos questionários não seriam consideradas nas avaliações das disciplinas, os alunos, por mecanismo de antecipação, tentam atingir as 'expectativas' dos pesquisadores. Entendemos assim, a necessidade de proceder a uma entrevista com os sujeitos que chegaram até a etapa final da pesquisa, o que ainda não foi realizado. Desta foram, esta análise aqui descrita corresponde apenas às respostas dadas por este sujeito aos quatro questionários respondidos. As duas questões acima foram repetidas nesses questionários, ano a ano.
A análise dos discursos dos licenciandos procurou levar em consideração o fato acima; privilegiamos comunicar aqui a análise de respostas dadas às questões relacionadas à Ciência e ao Ensino de Ciências. Destacaremos aqui alterações do imaginário de licenciandos, particularmente de um deles, que concluiu o curso no tempo regulamentar, sobre o que chamamos de 'professor exemplar' e o 'papel do professor'.
## Primeiro Questionário
Em relação ao 'professor exemplar', podemos destacar alguns trechos discorrido pelo licenciando:
Na minha opinião seria aquele professor interessado não apenas em passar o conteúdo, mas aquele preocupado no entendimento e assimilação deste conteúdo por parte do aluno e também tentar despertar o interesse do aluno para a sua disciplina. [...] (Grifos dos autores)
No primeiro ano é possível perceber que o aluno utiliza termos que condizem com a habilidade de incentivo à participação do aluno e a habilidade de tratar a matéria de ensino, que segundo Cunha (1989), é aquele professor que está preocupado não só com o entendimento dos alunos, mas também na participação deles em sala. Destacamos os termos 'passar o conteúdo' e 'assimilação do conteúdo'
Referente a questão do papel do professor, o aluno assim se manifesta:
O professor deve ser um colaborador, um facilitador de aprendizado, deve se colocar a disposição dos alunos [...]
Por já ter experiência como professor, no caso com reforço de ensino a alunos com dificuldades de aprendizagem em Física, e que haviam sido retidos no ensino médio, nota-se que o licenciando utiliza termos como 'colaborar', 'facilitar a aprendizagem' e estar 'à disposição do aluno'. Ou seja, percebe-se que o conhecimento acumulado enquanto professor, acaba marcando seu discurso, embora com imaginários sobre o professor ainda não sofreram interferência das disciplinas que iria cursar depois, no decorrer do curso de licenciatura. Ou seja, é importante destacar que esse primeiro questionário foi aplicado no começo do primeiro semestre da licenciatura, quando o licenciando havia recém-egresso do ensino médio e ainda não havia tido contato com as disciplinas de ensino que compõem o eixo 2 da matriz curricular, por exemplo, MPEF I, II, III, IV e V.
## Segundo Questionário
A respeito do imaginário sobre o 'bom professor' e suas práticas, nota-se que ocorre uma ligeira mudança no discurso do licenciando, em respostas dadas ao segundo questionário, quando do início do segundo ano do curso de licenciatura:
Acho que não existe uma 'fórmula' de professor exemplar. Um professor exemplar é aquele que com a sua didática, o seu jeito (características pessoais) consegue transmitir o conteúdo e até estimulá-lo para que busque mais conhecimento, que continue curioso. (Grifo dos autores).
Das cincos habilidades apontadas por Cunha sobre o 'bom professor', observamos que o aluno utiliza termos que relacionam o professor exemplar apenas com duas, a habilidade de incentivo à participação do aluno e a habilidade de tratar a matéria de ensino.
Em relação ao papel do professor, o licenciando responde:
O professor deve ser um facilitador da aprendizagem, orientando os alunos a como pensar, mas não pensar por ele. Deve identificar as falhas e concepções prévias e trabalhar sobre elas. (Grifos dos autores).
No trecho de discurso acima, entretanto, percebe-se que este licenciando já mostra conhecimento de conteúdos veiculados nas primeiras disciplinas do eixo 2: a disciplina de MPEF I, que discute sobre o construtivismo e o ensino de Física e Ciências, abordando aspectos do movimento das concepções alternativas e os modelos de mudança conceitual. A disciplina MPEF II, ministrada no segundo semestre do curso, discute elementos da pesquisa em ensino de Física, como a
abordagem Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente (CTSA) no processo de ensino e aprendizagem, Nessa disciplina os licenciandos também estudaram aspectos da legislação educacional do país, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
## Terceiro Questionário
Nessa fase da coleta de dados, já adentrando no quinto semestre do curso, a resposta do licenciando sobre as características do 'professor exemplar', envolve a necessidade de recorrer a 'pressupostos teóricos' para embasar sua prática de ensino:
Um professor dedicado, preocupado em se adaptar a diferentes situações com base em pressupostos teóricos.
Além da dedicação e a necessidade de se adaptar a 'diferentes situações', o que pressupõem o uso de diferentes metodologias, ou o uso de ferramentas diversas, o uso do termo 'pressupostos teóricos' marca, com certeza, a interferência de resultados de pesquisa, discutidos nas disciplinas cursadas, em seu imaginário. Cunha (1989) reconhece essas características como aquela do que chama de 'bom professor', ou seja, aquele que conhece diferentes ferramentas de ensino e consideram os resultados de aportes teóricos em suas práticas.
Quando analisamos as respostas deste licenciando acerca do papel do professor em sala de aula, também fica evidente em seu discurso a influência das disciplinas que compõem o eixo 2 do currículo do curso. A disciplina de MPEF III, por exemplo, traz discussões sobre a formação de professores, o ensino de Física e as estratégias para portadores de necessidades especiais e os métodos e materiais para o ensino. Já a disciplina de MPEF IV, traz conteúdos relacionados ao ensino de Física na educação de jovens e adultos e a História e a Filosofia da Ciência e suas contribuições.
Depende da situação, em alguns momentos o professor deve ser o motivador de debates e discussões, em outras deve explicitar o conteúdo com um rigor.
Podemos interpretar que, quando ele utiliza a expressão 'depende da situação', o licenciando mostra já possuir em seu repertório ferramentas didáticas diversas, para utilizá-las em situações distintas. O fato de destacar a promoção de 'debates e discussões', parece mostrar segurança em relação ao funcionamento da sala de aula em diferentes contextos.
## Quarto Questionário
Por fim, quando da aplicação do último questionário, o licenciando já concluiu seus estudos na maioria das disciplinas do eixo 2, e portanto, seu discurso apresenta filiações discursivas relacionadas aos conteúdos estudados até o momento, como por exemplo as diferentes abordagens de ensino, o ensino em espaços não formais, as tecnologias da informação e da comunicação e aspectos sobre avaliação da aprendizagem, que são discutidas em MPEF V. Além disso, o licenciando já pôde acumular experiências de ensino proporcionadas por dois semestres de atuação nas escolas públicas, quando da frequência aos dois
semestres (I e II) dos quatro exigidos nos estágios supervisionados obrigatórios no currículo, em atendimento à legislação (400 horas de estágio)
Agora, 'professor exemplar' é definido como:
Um professor exemplar é aquele que possui uma pluralidade de metodologias e sabe, por meio da reflexão, o momento certo de aplica-las. (Grifos dos autores).
Nesse discurso o licenciando mostra evidências de que contempla as cinco características atribuídas por Cunha (1989) a um 'professor exemplar': habilidades como a de organização do contexto da sala de aula, de incentivo a participação do aluno, de tratar a matéria de ensino, de variação de estímulo e a de uso da linguagem. Ao utilizar o termo 'por meio da reflexão', o licenciando parece fazer referência ao professor reflexivo, no sentido definido por Schön (1992), referencial estudado na disciplina de MPEF III.
Como resposta a segunda questão, sobre o 'papel do professor', o licenciando assim se expressa:
O professor deve agir como um mediador do conhecimento, instigando a curiosidade em seus alunos, de forma que os mesmos queiram aprender. Nem sempre é simples esta tarefa, que pode ser solucionada aproximando o conteúdo do cotidiano dos estudantes
Notamos que o discurso produzido pelo licenciando contempla as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica:
[...] orientar e mediar o ensino para aprendizagem do aluno; comprometerse com o sucesso da aprendizagem dos alunos; assumir e saber lidar com a diversidade existente entre os alunos; incentivar atividades de enriquecimento cultural; desenvolver práticas investigativas; elaborar e executar projetos para desenvolver conteúdos curriculares; utilizar novas metodologias, estratégias e materiais de apoio; desenvolver hábitos de colaboração e trabalho em equipe.
A preocupação, também, de aproximar 'o conteúdo dos estudantes' remete às discussões sobre CTSA presentes nas disciplinas cursadas no decorrer do curso.
## Algumas constatações
A análise de mostra como o conhecimento sobre o enunciador do discurso, neste caso um licenciando em Física, futuro professor, bem como as condições de produção dos discursos (língua, instituição e formações imaginárias) são importantes para a Análise de Discurso.
- O estudo até aqui desenvolvido e, em parte descrito nesta comunicação, mostra as alterações nos discursos dos licenciandos da amostra, particularmente no caso deste licenciando mostrado nesta comunicação e especificamente em relação ao 'professor exemplar' e ao papel do professor em sala de aula.
Os dados mostram a interferência do projeto pedagógico deste curso, o desenho da estrutura curricular subjacente e suas disciplinas, particularmente aquelas que procuram aproximar a pesquisa e seus resultados na formação do futuro professor. Destacamos ainda neste caso, as atividades de ensino já desenvolvidas pelo licenciando, dentro das disciplinas citadas, bem como no estágio curricular supervisionado e na experiência como professor, mesmo antes de concluir
- a licenciatura, como responsáveis pela interferência em seus discursos nas respostas as duas questões analisadas e aqui apresentadas.
## Referências
ANDRÉ, M. E. D. A. Etnografia da prática escolar . Campinas: Papirus, 1995.
BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Parecer CEB n. 009/2001. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena . Brasília, 2001.
CUNHA, M. I. O bom professor e sua prática . 22 ed. Campinas: Papirus, 1989.
FLICK, U. Desenho da pesquisa qualitativa . Coleção Pesquisa Qualitativa. São Paulo: Editora Penso, 2009. 164p.
KUSSUDA, S. R. Um estudo sobre a evasão em um curso de Licenciatura em Física: discursos de ex-alunos e professores . 2017. 308f. Tese (Doutorado em Educação para a Ciência) - Faculdade de Ciências. Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho', Bauru.
NARDI, R. & ALMEIDA, M. J. P. M. Science Education research and its impact in the school science: last decades' in-service teachers' memories. In: ESERA 2009 Conference - European Science Education Research Association, Proceedings… Istambul, Turquia, 2009.
ORLANDI, E. P. A escola e suas mediações: como se usa o material didático. Educação & Sociedade , v. 16, p. 138-145, 1983.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_. Análise de Discurso: princípios e procedimentos . Campinas: Pontes Editores, 1999. 100p.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_. A linguagem e seu funcionamento . As formas do discurso. 4. ed. Campinas: Pontes Editores, 2001. 276p.
PÊCHEUX, M. O discurso estrutura ou acontecimento . Tradução: Eni Puccinelli Orlandi. 3. Ed. Campinas: Pontes Editores, 1990, 68p.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_. Análise automática do Discurso. In: GADET, F; HAK, T. (Orgs.). Por uma análise automática do discurso . 4. ed. Tradução de Betânia S. Mariani et al. Campinas: Editora da UNICAMP, 2010.
SCHÖN, D. Formar professores como profissionais reflexivos. In: Nóvoa, A. (Org.). Os professores e a sua formação . Lisboa: Dom Quixote, 1992. p. 79-91.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.