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LEITURA DE IMAGENS DE PARTÍCULAS ELEMENTARES: MONÓCULOS EM AÇÃO

Jonathan Thomas De Jesus Neto, Henrique Cesar Da Silva

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XVII
Ano
2018
Data
30/08/2018
Linha de pesquisa
Co-23 Linguagem E Cognição No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## LEITURA DE IMAGENS DE PARTÍCULAS ELEMENTARES: MONÓCULOS EM AÇÃO

## READING OF ELEMENTARY PARTICLE IMAGES: MONÓCULOS IN ACTION

## Jonathan Thomas de Jesus Neto 1 , Henrique César da Silva 2

1 UFSC/PPGECT/Doutorando bolsista CAPES, jonathantjneto@gmail.com

2 UFSC/MEN-CED-PPGECT, henriquecsilva@gmail.com

## Resumo

Este trabalho foi motivado pela seguinte questão: como trabalhar com imagens no ensino de física de modo a evidenciar sua não-transparência, transformando-as em objetos de discussão? Propomos e analisamos atividades que licenciandos olharam para imagens em monóculos e fotografias, e relataram para posteriormente discutirem o que viram. Essa atividade faz parte de uma sequência didática criada com o objetivo de trabalhar a leitura e visibilidade de imagens de partículas elementares, colocando em primeiro plano este outro tipo de materialidade que não fosse texto verbal, gráfico, números ou equações matemáticas. O objetivo deste trabalho foi mostrar as características dessas atividades e as potencialidades didáticas de abordar as imagens na perspectiva de discutir também suas formas e relações culturais, fazendo emergir as memórias que constituem condições de produção de suas leituras. Utilizamos imagens já analisadas em trabalhos anteriores à luz de aportes da Análise do Discurso da linha francesa, a partir de autores como Silva, Courtine e Manguel. São imagens que exibem rastros das partículas deixadas em detectores como o de emulsões fotográficas e câmara de bolhas, e também imagens que foram derivadas a partir de outras condições e contextos históricos. O uso dos monóculos permitiu deslocar a maneira como os sujeitos olharam para a imagens, possibilitando ampliar a polissemia na turma, e amplitude de memórias em jogo nas leituras coletivas. Concluímos que trabalhar essa atividade com futuros professores, poderá transformar a prática do ensino de Física de Partículas no âmbito escolar, fazendo chegar até o Ensino Médio uma educação científica que trabalha, conjuntamente, os sentidos, suas condições de validade, sem apagar suas materialidades, sua historicidade e suas dispersões culturais. Assim, futuramente, poderíamos ter práticas escolares em diálogo com a produção e dispersão cultural das visibilidades da física, com seus inevitáveis deslocamentos e equívocos.

Palavras-chave : Monóculos, Leitura de imagens, Partículas elementares, Intericonicidade, Ensino de Física.

## Abstract

This work was motivated by that question: how to work with images in the teaching of physics in order to demonstrate their non-transparency, transforming them into objects of discussion? We propose and analyze activities that licenciandos looked at images in monóculos and photographs, and reported for later to discuss what they saw. This activity is part of a didactic sequence created with the objective of working the reading and visibility of images of elementary particles, highlighting this other kind

of materiality that was not verbal text, graphs, numbers or mathematical equations. The objective of this work was to show the characteristics of these activities and the didactic potentialities of approaching the images in the perspective of also discussing their forms and cultural relations, making the memories that constitute conditions of production of their readings emerge. We use images already analyzed in previous works in the light of contributions of Discourse Analysis of the French line, from authors like Silva, Courtine and Manguel. They are images that show traces of the particles left on detectors such as photographic emulsions and bubble chamber, and also images that have been derived from other conditions and historical contexts. The use of the monóculos make possible to move the way the subjects looked at the images, making to increase the polysemy in the class, and amplitude of memories in game in the collective readings. We conclude that to work this activity with future teachers, can transform the practice of the teaching of Particle Physics in the school environment, reaching until the High School a scientific education that works together the senses, their conditions of validity, without erasing their materialities, its historicity and its cultural dispersions. Thus, in the future, we could have scholarly practices in dialogue with the cultural production and dispersion of the visibilities of physics, with their inevitable displacements and misunderstandings.

Keywords : Monóculos, Image Reading, Elementary Particles, Interconnectivity, Physics Teaching.

## Introdução

Este trabalho foi motivado pela seguinte questão: como trabalhar com imagens no ensino de física de modo a evidenciar sua não-transparência, transformando-as em objetos de discussão? Ao longo do período de pesquisa que esse trabalho foi desenvolvido, tivemos por objetivo elaborar uma sequência de aulas que focalizasse na leitura e visibilidade de imagens de partículas elementares, colocando em primeiro plano este outro tipo de materialidade que não fosse a do texto verbal, dos gráficos, ou a da matemática, dentre outras formas culturalmente aceitas e estabilizadas. Resultado dessa elaboração, obtivemos uma atividade utilizando monóculos 1 e fotografias, que apresentamos neste trabalho. Tivemos como objetivo caracterizar essas atividades e mostrar que essa abordagem com as imagens na perspectiva da textualização e circulação, de discutir também suas formas e relações culturais com outras memórias, pode ter grande potencial didático.

As imagens que usamos na sequência didática foram extraídas de análises que já foram realizadas por Neto (2015) e por Neto e Silva (2017a e 2017b). Análises realizadas à luz de aportes da Análise do Discurso (AD) da linha francesa a partir de autores como Silva (2002 e 2006), Courtine (2013), e outros autores como Manguel (2001), com perspectivas coerentes com a AD.

Foram selecionadas imagens que exibiam rastros das partículas deixados em detectores como o de emulsões fotográficas e câmara de bolhas, experimentos em que se utilizam líquidos sensíveis ionizados por partículas carregadas. Foram,

também, escolhidas imagens que resultam de desdobramentos dessas imagens experimentais de detectores, em que surgem, por exemplo, flechas/setas, símbolos e legendas explicativas, ou até mesmo, desdobram-se em desenhos feitos por cientistas. Desenhos que são colocados ao lado dessas imagens experimentais para evidenciar as linhas de cada rastro, separando as trajetórias das imperfeições (borrões, sombras, ruídos). Selecionamos também imagens que trabalham a memória da produção dessa visibilidade e as tensões epistemológicas que engendra, utilizando a noção de intericonicidade (COURTINE, 2013), articulando imagens já analisadas com outras imagens nesse espaço heterogêneo de memórias discursivas.

## Olhando para as imagens

Silva (2002) e Courtine (2013) vêm contribuir para que tenhamos:

'(...) uma abordagem sobre imagens que valoriza a sua historicidade, compreendendo-a como formas que materializam discursos, pois os discursos, enquanto efeitos de sentidos, podem estar imbricados também em práticas não-verbais, envolvendo outras materialidades que não a linguística' (NETO e SILVA, 2017, p. 3531).

A noção de intericonicidade, de Courtine (2013), supõe uma relação entre as imagens percebidas (externas) e as imagens sugeridas (internas). Ele afirma que '(...) não existe imagem que não nos faça ressurgir outras imagens, tenham elas sido vistas ou simplesmente imaginadas' (COURTINE, 2013, p.43). Assim '(...) a memória também exerce o papel de regulador das imagens em circulação, organizando certo campo de enunciação' (CORREIO, 2013). Manguel (2001) também entende que a imagem compõe uma memória. Segundo ele: 'só podemos ver as coisas para as quais já possuímos imagens identificáveis, assim como só podemos ler em uma língua cuja sintaxe, gramática e vocabulário já conhecemos' (p. 27).

Conforme apontado por Neto e Silva (2017), tanto para Silva (2002) como para Courtine (2013):

'[...]as imagens vão se inscrever e se constituir em uma cultura visual, uma cultura atrelada a uma memória visual[...]. A interpretação de imagens pressupõe e faz trabalhar uma história, pois as imagens estão inseridas numa 'rede de imagens já vistas, já produzidas, que compõe a nossa cotidianidade' (SILVA, 2006, p.77).' (NETO e SILVA, 2017, p. 3532).

Ao entendermos as imagens como discursos, assume-se que não existem sentidos ocultos, algo que estaria por trás da imagem, ou ainda, supostas ideologias como conteúdos presentes na textualidade imagética. Os sentidos não estão nas imagens em si, portanto, jamais poderão ser únicos ou estáticos, pois os sentidos sempre estão em movimento. Faz-se necessário ler a imagem na sua relação com a exterioridade (memória, historicidade), constitutiva da produção do discurso, deslocando-se do desejo de descobrir algo que estaria escondido por trás daquilo que é visto, falado ou mesmo silenciado (FOUCAULT, 2012). Para Foucault (2012) o discurso é um conjunto de enunciados que estejam apoiados em uma mesma formação discursiva. E derivado dessa definição, podemos acrescentar que esse conjunto de enunciados pode ser formado por diferentes tipos de materialidades como texto, fala, áudio, audiovisual ou imagem. Possibilitando que tomemos a imagem como uma das formas de enunciados.

Por isso afirmar '(...) que existem imagens que significam na ciência, que há imagens que remetem às partículas elementares, é dizer que elas estão nos textos

científicos não apenas para 'mera ilustração'' (NETO e SILVA, 2017, p.3532). O que nos leva a concluir que 'As imagens [na ciência] constroem significados, assim como o texto[verbal], e constituem as materialidades de um discurso' (NETO e SILVA, 2017, p. 3532). A partir da:

- '[...]proposta de intericonicidade de Courtine (2013), investigar as imagens na ciência possibilita construir uma genealogia das imagens, através de indícios, pelos rastros que outras imagens ali depositaram, e pela reconstrução, a partir destes rastros, mostrando-as como integrantes de uma cultura do campo da física de partículas, mas que podem, simultaneamente, circular no espaço de uma cultura visual mais ampla.' (NETO e SILVA, 2017, p. 3532).

São imagens que já circulam na sociedade, que foram analisadas em Neto e Silva (2017a), que estarão presentes no ensino de Partículas Elementares. Assim, professores e estudantes significarão essas imagens de diferentes formas, já que se associam necessariamente a diferentes formações discursivas, podendo ocorrer diferentes efeitos de sentido. Considerando que essas imagens também são enunciados não-verbais da Física, elas se inserem em regras de funcionamento e condições de produção que remetem à cultura da Física. Quando as imagens são apresentadas, elas não possuem o mesmo modo de existência, não têm o mesmo sistema de relações que tinha em sua produção, nem os mesmos esquemas de uso. Essa perspectiva que Foucault (2012) apresenta para aquilo que é dito/escrito que estamos considerando também para as imagens.

Baseado em Courtine (2013), temos imagens que sujeitos discursivos diversos podem facilmente sugerir, pressupondo que, no processo de sua leitura, as imagens apresentadas nos fazem relacioná-las a outras, seja algo que já vimos ou que simplesmente imaginamos, por exemplo: onde deveria ser uma fotografia de um experimento de câmara de bolhas, pode-se imaginar uma fotografia de uma trilha deixada por formigas que saíram de diversos buracos da terra; onde deveria ser uma imagem produzida por um computador de uma colisão de hádrons, pode-se imaginar que seja a descrição da trajetória da explosão de fogos de artifício.

## A proposta e as aulas

A sequência didática elaborada, tiveram oito aulas e o potencial para ser desenvolvida com licenciados(as) de Física ou com estudantes do Ensino Médio. Ela possui atividades que utilizam imagens que se relacionam com a temática de física de partículas elementares. No Quadro 1, a seguir, é possível verificar a sequência de aulas resumidamente 2 . Para esse trabalho apresentamos a primeira atividade que pode ser dividida em dois momentos didáticos. Inserimos essa atividade nas primeiras aulas da sequência didática devido à possibilidade de grande dispersão de enunciados sobre as imagens, dispersão que seria objeto de debate em aulas seguintes. Além dessa atividade ter caráter introdutório para se compreender a temática e as imagens, em outras aulas essas imagens foram retomadas diversas vezes para debate.

Embora essa sequência de aulas ainda se trate de uma proposta, ela já foi

desenvolvida com licenciandos de Física em uma disciplina de Metodologia de Ensino de Física de uma Universidade Federal brasileira. Todas as aulas foram gravadas em áudio e vídeo com ao menos dois enquadramentos de câmeras. Embora o objetivo deste trabalho seja a apresentação da proposta e sua fundamentação teórica, utilizamos indícios do funcionamento em sala de aula em nossa argumentação.

Quadro 1. Sequência didáticaFonte: autoria própria.

## Os monóculos em ação e as reminiscências pessoais

- O primeiro momento da atividade que propusemos se tratou de fazer os licenciandos olharem para monóculos e escreverem, individualmente, o que viram em um papel.

As imagens que estiveram presentes nessa atividade foram selecionadas por meio de relações que identificamos entre imagens que circulam sobre a temática. Para encontrar imagens que se relacionam, usamos de buscas na internet, em livros ou artigos para se conhecer a circulação do tema e analisar com cuidado as características de cada imagem. Ao final, escolhemos imagens de diferentes locais (sítios da internet, jornais, revistas, livros didáticos, etc.), com diferentes características (produzida por meio de experimentos, gráficos, desenhos, pinturas, esquemas, digital, etc.). No nosso desenvolvimento com licenciandos, selecionamos imagens que já foram analisadas 4 , em que conhecíamos um pouco da circulação e das características epistemológicas.

Posteriormente, preparamos os monóculos com as imagens selecionadas. Eles foram identificados com números, para que os estudantes pudessem citar as respectivas imagens no momento que fossem escrever sobre o que viram. Os estudantes receberam três monóculos com imagens exclusivas 5 .

- O monóculo foi útil nessa atividade, pois ele possibilitou que cada estudante visse uma imagem individualmente, sem que outro estudante visse a mesma imagem. Impossibilitando o diálogo inicial entre eles. Nessa situação, acreditamos que cada estudante colocou no papel parte da memória que esteve nas suas redes de

reminiscências pessoais (COURTINE, 2013). Mobilizando diversas imagens que estiveram em suas memórias externas e internas, que estiveram presentes na sociedade e cultura. De certa forma, o uso dos monóculos desloca a maneira como os sujeitos olham para a imagem e guarda a individualidade nesse processo, possibilitando ampliar a polissemia na turma, e amplitude de memórias na turma.

## A memória em debate: produzindo o coletivo

No segundo momento da atividade foram projetadas imagens 6 que estavam nos monóculos para que todos os estudantes as visualizassem coletivamente. Por meio da mediação do professor, os estudantes dialogaram sobre o que viram, inclusive o(a) estudante que observou aquela imagem no monóculo pode explanar o que escreveu sobre ela, afim de motivar o início do debate. Assim, as imagens vistas por um(a) estudante, ao serem socializadas, passaram a fazer conexões com as imagens vistas por outros(as).

Com esta situação didática, com o debate sobre o que estava sendo visto nas imagens, foi possível despertar nos estudantes o entendimento de que existem vários processos de leitura de imagens que, por consequência, podem gerar diferentes interpretações. As interpretações que surgem possuem potencial para ser discutidas, sejam as que surgiram como dispersão ou que apresentam tensões com os conhecimentos científicos estabilizados. Permitindo que se problematizassem algumas interpretações que possuíam um determinado viés epistemológico e se apontassem imagens inscritas em formações discursivas com outro viés epistemológico.

Alinhado com os nossos referenciais teóricos, acreditamos, que nesse momento didático, os estudantes puderam produzir enunciados que estiveram relacionados às memórias coletivas (COURTINE, 2013) que existem sobre as imagens de partículas elementares. No momento em que o estudante leu o enunciado verbal que foi colocado no papel, ele colocou em debate a sua memória. Criando um ambiente em que se discutiu a imagem enquanto objeto e não apenas os objetos que a que ela, imaginariamente, se referem, evidenciando o papel da memória, sua heterogeneidade e diferenciação epistemológica. Trabalhando a rede de memórias e ressignificações que constituem suas leituras.

## Imersão de enunciados cruzados

No desenvolvimento da sequência didática com os(as) licenciandos(as) em Física, dez estudantes receberam três monóculos cada. Ao final tivemos trinta respostas do que eles haviam visto nas imagens dentro dos monóculos. Analisando essas respostas e pudemos observar a potencialidade da atividade com monóculos para propiciar discussões profundas nas aulas. Por exemplo, para a Figura 1, foi respondido de forma escrita que 'Parece um espalhamento, uma partícula que se dividiu em vários pedaços.' (Letícia) 7 e para Figura 2 que era um 'Fundo branco com listras. A imagem se assemelha as areias de deserto cortada por marcas de carro.' (Leandro).

Figura 1.Fonte: ROSSI, Bruno. Where do cosmic rays come from? In: Scientific American. Vol. 189, No. 3, September 1953. p. 65.

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Figura 2.Fonte: GELL-MANN, M.; ROSENBAUM, E. P. Elementary Particles. In: Scientific American. Vol. 197, Nº. 1, july 1957. p. 73.

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Ambas as imagens são de experimentos físicos, a Figura 1 é uma emulsão fotográfica especialmente preparada para registrar eventos nucleares, em que foi capturado um núcleo de hélio interagindo com outro núcleo na emulsão, dando origem ao jato de mésons, indo para a parte inferior direita da imagem. Já a Figura 2 exibe a partícula K neutra formada em uma interação de píon negativo com um próton, obtida em uma câmara de bolhas de propano líquido.

Outras repostas mostram as potencialidades dessas atividades em produzir polissemias quando se relaciona com diferentes memórias: 'Refração em fibra óptica.' (Aline), sobre uma imagem da câmara de bolhas; 'Emaranhado branco em fundo preto, aparenta algo quebrado' (Elisandro), sobre imagens de fogos de artifícios; 'Um vidro quebrado' (Adriana), sobre o que estava vendo na Figura 1 de uma emulsão fotográfica; 'Explosão de cores. Lembra uma nebulosa.' (Elisandro), sobre uma imagem do detector ATLAS na busca pelo Bóson de Higgs.

Enunciados como esses que se materializaram em fala e escrita potencializaram discussões ricas em sala de aula. E são esses enunciados que estão em análise e que poderão ser exibidos em futuros trabalhos, a fim de entendermos com profundidade as memórias que foram mobilizadas e que subsidiaram as discussões dessas aulas.

## Considerações finais

Percebemos que a compreensão dos referenciais que tratam sobre a imagem, memória, intericonicidade e enunciados, possibilita-nos que sejam derivadas atividades com grande potencial didático. Tendo em vista que a atividade que propomos buscou valorizar outro tipo de materialidade, diferente do que culturalmente é aceito e estabilizado como o texto e a matemática, foi dado espaço para discutirmos não apenas o 'conteúdo' (ou saber) da física, mas também a forma que ele está

materializado. Desse modo, essas aulas desenvolvidas com esses futuros professores, consequentemente, poderão transformar a prática do ensino de Física de Partículas no âmbito escolar, fazendo chegar até a Ensino Médio um ensino que trabalha, conjuntamente, os sentidos, suas condições de validade, suas materialidades e sua historicidade como condições de significação pelos estudantes. Assim, poderíamos ter práticas escolares em diálogo com a produção e dispersão cultural das visibilidades da física, com seus deslocamentos e equívocos.

Identificamos que houve polissemia no processo de leitura de imagens, as imagens se relacionaram com diferentes memórias. E algumas dessas memórias estiveram vinculadas a uma significação de partícula dentro da formação discursiva da física clássica. Assim, contribuímos para a área de Ensino de Física, mostrando uma possível atividade com potencial didático de desenvolver discussão das limitações dessas memórias na significação dessas imagens de partículas segundo a teoria quântica. Desta forma, exibimos uma perspectiva que deriva práticas de ensino que faz uso de materiais textuais (verbais, imagéticos) sem separar linguagem e conhecimento, sem tratar as imagens como meros recursos ou instrumentos.

## Referências

COURTINE, J. Decifrar o corpo: pensar com Foucault . Petrópolis, Rio de Janeiro: vozes, 2013. 174p.

FOUCAULT, M. A arqueologia do saber. 8ª ed. Rio de janeiro: forense universitária, 2012.

Manguel, A. Lendo imagens: uma história de amor e de ódio . São Paulo: companhia das letras, 2001. 358p.

MEIRA, E. Monóculo? Só se for aqui! Na minha terra é binoclo . 1ª ed. São Paulo: Perse, 2015.

MOREIRA, M. A. Física de partículas: uma abordagem conceitual &amp; epistemológica . São Paulo: editora livraria da física, 2011.

NETO, J. T. J. Imagens, conhecimento físico e Ensino de partículas elementares: Discursos na formação inicial de professores de física. Dissertação (Mestrado em Educação Científica e Tecnológica). Universidade Federal de Santa Catarina, 2015.

NETO, J. T. J.; SILVA, H. C. Intericonicidade, regularidade e memória e imagens sobre partículas elementares. In: XXII Simpósio Nacional de Ensino de Física , São Carlos. 2017a.

\_\_\_\_\_\_\_\_. Imagens sobre partículas elementares: relações entre a circulação e o âmbito escolar. Enseñanza de las ciencias: revista de investigación y experiencias didácticas . v. 35, p. 3531-3536, 2017b.

OSTERMANN, F. Um Texto para Professores do Ensino Médio sobre Partículas Elementares. Revista Brasileira de Ensino de Física , vol. 21, no. 3, Set., 1999.

SILVA, H. C. Discursos escolares sobre gravitação newtoniana: textos e imagens na Física do ensino médio . Tese (Doutorado em Educação). Universidade Estadual de Campinas - Faculdade de Educação, Campinas, 2002.

\_\_\_\_\_\_\_\_.Lendo imagens na educação científica: construção e realidade. Proposições (UNICAMP), campinas, SP, v. 17, n.1(49), p. 71-83, 2006.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.