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QUESTÕES DE GÊNERO NO ENSINO DE FÍSICA: UMA REVISÃO DA LITERATURA NACIONAL

Lais Gedoz, Alexsandro Pereira, Daniela Borges Pavani

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XVII
Ano
2018
Data
28/08/2018
Linha de pesquisa
Co-10 Questões Teórico-Metodológicas E Novas Demandas Na Pesquisa Em Ensino De Física / Equidade, Inclusão, Diversidade E Estudos Culturais E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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## QUESTÕES DE GÊNERO NO ENSINO DE FÍSICA: UMA REVISÃO DA LITERATURA NACIONAL

## GENDER ISSUES IN PHYSICS EDUCATION: A REVIEW OF THE NATIONAL LITERATURE

Laís Gedoz 1 , Alexsandro P. Pereira , Daniela Borges Pavani 2 3

1 UFRGS/Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física, lais.gedoz@ufrgs.br

2 UFRGS/Departamento de Física, alexsandro.pereira@ufrgs.br 3 UFRGS/Departamento de Astronomia, dpavani@if.ufrgs.br

## Resumo

Esse trabalho possui dois objetivos principais: investigar como as questões de gênero têm sido discutidas na literatura nacional sobre ensino de física entre 2002-2017; e mapear quais são as revistas que apresentam o maior número de publicações com esse tema. Analisamos 9 revistas e identificamos 17 artigos ao todo, o que mostra um baixo número de estudos nessa área. As pesquisas mostram que as mulheres ainda são a minoria em áreas como Ciências Exatas e da Terra, Engenharias e Computação, enquanto são maioria nas áreas de Ciências Humanas, Ciências da Saúde, Linguística, Letras e Artes. Essa revisão mostra que até atingirem o topo da carreira, as mulheres precisam passar por inúmeros obstáculos que vão desde a infância - com filmes infantis que reforçam estereótipos de gênero - até a chegada no meio acadêmico, onde precisam enfrentar uma dupla jornada de trabalho conciliando carreira com maternidade. Também sofrem preconceitos como: discriminação implícita, competências postas a prova e competição. Isso tudo acaba influenciando as pesquisadoras a seguirem um 'modelo masculino' de fazer e pensar a ciência.

Palavras-chave : Questões de gênero; Ensino de Física; Revisão da Literatura.

## Abstract

This study has two main goals: to investigate how gender issues have been discussed in Physics Education in the national literature in the period of 2002-2017; and to map which are the journals that present the greater number of publications with this theme. A total of 9 journals were analyzed with 17 papers been found, what shows the low number of studies in this area. Research shows that women are still the minority in areas such as Natural and Earth Sciences, and Engineering and Computing, while they are majority in the areas of Human Sciences, Health Sciences, Linguistics, Languages and Arts. This review shows that until reaching the top of the career, women have many obstacles to go through. It starts at childhood, goes through children's movies that reinforce gender stereotypes, and strikes when they reach the academic milieu. There, they need to undergo a double working time by having to reconcile research with motherhood, and also end up suffering from prejudices such as implicit discrimination, competencies put to test and competition.

This all ends up influencing researchers to follow a "male model" of doing and thinking science.

Keywords : Gender issues, Physics Education, Literature Review.

## Introdução

Umas das pioneiras a falar sobre direitos igualitários entre mulheres e homens foi a poetisa e filósofa italiana Cristina de Pisano (1363 - 1430) na obra Le Livre de la Cité des Dames em 1405. Desde a publicação desse livro já se passaram mais de 600 anos e a questão é: será que nos tempos atuais ainda existem problemas relacionados a equidade de gênero?

Segundo dados sobre o número de mulheres no ensino superior disponibilizados pelo CNPq , o número de mulheres nos níveis de graduação, 1 mestrado e doutorado é maior que o número de homens. Essa é uma grande vitória, já que as mulheres, no Brasil, foram autorizadas a cursar o ensino superior apenas em 19 de abril de 1879 por meio do decreto nº 7.247 - 71 anos depois da fundação da primeira universidade brasileira. Porém, quando esses dados são analisados em relação à área de pesquisa, nota-se uma distribuição não uniforme. Segundo o Painel Lattes , que apresenta as informações dos usuários cadastrados no currículo 2 Lattes, a relação entre o número de mulheres e de homens com título de doutorado em 30/11/2016 mostra que o número de mulheres é duas vezes menor que o número de homens em áreas como Ciências Exatas e da Terra e Engenharias. Entretanto, o número de doutorandas é superior em áreas como Ciências Humanas, Ciências da Saúde, Ciências Biológicas, Linguísticas, Letras e Artes, dando origem aos chamados 'guetos femininos' (FELÍCIO, 2010).

A ciência moderna continua com o seu discurso de que o meio científico é neutro e imparcial, mas na verdade, como disse Silva e Ribeiro:

A ciência, neste estudo, é entendida como uma narrativa, uma invenção social e histórica estabelecida em profundas e intrincadas redes de poder, que institui procedimentos, métodos, saberes e 'verdades' e, ao mesmo tempo, determina quem pode fazer ciência e sentir-se cientista. (2014, p.452).

Os objetivos deste trabalho são investigar como as questões de gênero no ensino de física vêm sendo discutidas na literatura nacional e mapear quais são as revistas que apresentam o maior número de publicações com esse tema.

## Metodologia

Para a análise, foram escolhidas 7 das principais revistas da área de ensino de ciências: Alexandria, Caderno Brasileiro de Pesquisa em Ensino de Física, Ciência & Educação, Ensaio - Pesquisa em Educação em Ciências, Investigações em Ensino de Ciências, Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências,

Revista Brasileira de Ensino de Física. Além destas, também foram analisadas duas revistas especializadas no tema Gênero: Revista Estudos Feministas e Revista Gênero, formando assim um escopo de 9 revistas. O período analisado foi de 2002 a 2017, sendo encontrados um total de 17 artigos. Nas revistas da área de ensino de ciências a busca foi realizada no site de cada revista utilizando as palavras chaves 'gênero' e 'mulheres'. Já nas revistas especializadas no tema foram consultadas as publicações de todos os volumes. Os artigos desta revisão foram divididos a partir das seguintes categorias: Infância e Adolescência; Graduação; Meio Acadêmico.

## Infância e Adolescência

Hoje em dia, existem diversos tipos de desenhos animados sobre temas variados. A diversidade de personagens com distintas funções e personalidades podem carregar consigo, além do entretenimento, uma visão ingênua da ciência e iniciar a criação de estereótipos sobre mulheres e homens cientistas que podem durar a vida inteira.

Utilizando os estudos culturais e a metodologia de análise de conteúdo, Scalfi e Oliveira (2015) analisaram o filme Frankenweenie - produzido pela Disney e notaram que a imagem da mulher é vinculada ao papel de mãe/esposa desinteressada e inferior ao papel de cientistas do sexo masculino. O estereótipo do cientista aparece como sendo um homem, com inteligência superior aos demais personagens, egocêntrico e que trabalha em um laboratório onde coisas impossíveis acontecem.

Tomazi e colaboradoras (2009) encontraram resultados parecidos ao analisar nove produções cinematográficas infantis encontradas nas duas maiores videolocadoras do município de Blumenau-SC - disponíveis no mês de setembro de 2008. O estereótipo de cientista encontrado é também o de um homem adulto de etnia caucasiana, que se veste com jaleco ou roupas casuais e que possui características psicológicas normais. Nessas obras a atividade científica tem como finalidade o bem comum, a produção do conhecimento é imediata e envolve pouco ou nenhum erro, chegando sempre ao êxito no final. As autoras destacam a potencialidade que os filmes de animação infantil possuem como recurso didático quando acompanhados de discussões críticas e reflexivas. Já o estudo realizado por Cardoso (2016) sobre os filmes 'Tá chovendo hambúrguer' I e II mostram as habilidades e inteligência do cientista como sendo inatas. Nos dois filmes, o par romântico do cientista tem papel de assistente e os adjetivos que lhes são atribuídos são, 'bonitinha, espertinha, falante, conquistada, impressionável, fofa e cocadinha' (CARDOSO, 2016).

Infelizmente não são apenas os filmes que reforçam estereótipos de gêneros, os livros didáticos também podem passar concepções sobre o que é ser mulher e homem. Esse foi um dos resultados encontrados por Rosa e Silva (2016) ao analisarem as imagens da coleção Física para o Ensino Médio, volumes 1, 2 e 3, da editora Ática, 1ª edição do ano de 2013. Ao utilizarem a análise sistemática desenvolvida por Taufer (2009), mostram que 79% das imagens tem representação masculinas em situações de prática científica e diversidade cultural, já as imagens das mulheres são ligadas à família e ao lar.

Com tantos meios de comunicação reforçando estereótipos, como será que essas concepções afetam as preferências por disciplinas e profissões? Quando Lima Junior e colaboradoras (2011) analisaram, segundo a filosofia da linguagem de Bakhtin, as respostas de 5 questões abertas respondidas por 362 estudantes de Ensino Médio de três escolas brasileiras, encontraram que as meninas tendem a preferir profissões das áreas de Medicina, Ciências Humanas e Ciências Sociais Aplicadas. Os meninos são mais preocupados com o salário e estabilidade no emprego. Eles mostram-se mais comprometidos com princípios universais abstratos e seus discursos se aproximam do discurso científico de autoridade. Notou-se que os enunciados das meninas estão mais relacionados com uma visão de mundo mais concreta, dando maior ênfase ao cotidiano. Ao contrário dos meninos, elas usaram com maior frequência expressões pessoais como, por exemplo, 'meu cotidiano'.

Nesse contexto, é importante a ação de projetos de divulgação científica, tal como o projeto de extensão Meninas na Ciência. Criado em 2013 na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ele tem como objetivo atrair mais meninas para carreiras de Ciência e Tecnologia. O projeto realiza um conjunto de ações com o objetivo de propor um pensamento crítico sobre as relações de gênero na ciência e visa a integração entre universidade-escola (BRITO et al., 2016).

## Graduação

Mesmo existindo muitos obstáculos que desviam as meninas de seguirem carreira nas áreas das ciências exatas, uma pequena parte delas conseguem superá-los e decidem atuar nessas áreas. Infelizmente, ao ingressarem na graduação elas passam a enfrentar uma nova gama de obstáculos que podem leválas a desistirem das suas escolhas.

Para entender melhor o que levam os estudantes a desistirem de cursos relacionados à ciência, tecnologia, engenharias e matemáticas, Vázquez-Alonso e Manassero-Mas (2016) fizeram um estudo com 2559 estudantes cursando o primeiro ano do ensino superior, sendo 59% homens e 41% mulheres, dos seguintes países: Argentina, Brasil, Colômbia, Espanha, México e Panamá. O estudo adotou a metodologia do projeto IRIS (IRIS CONSORTIUM, 2008) que utiliza um questionário com 65 perguntas abertas. A análise mostrou que as mulheres dão mais valor aos aspectos sociais, como experiências e expectativas, e os homens valorizam mais aspectos do rendimento acadêmico e de aprendizagem. Algumas das estratégias propostas pelos autores para diminuir a evasão seria a implementação de programas de apoio, como seminários para os calouros, aplicar métodos de ensino eficazes, promover um ensino cooperativo, dentre outros.

Alguns estudos mostram que os professores interagem mais e de maneira mais aprofundada com meninos do que com as meninas. Dessa forma, as alunas acabam não sendo estimuladas a participarem da aula. O efeito desse tratamento desigual acaba estimulando mais os meninos a assumirem papéis de liderança ao longo da educação científica (LIMA JUNIOR et al., 2010). Para entender melhor esses papéis de liderança, Lima Junior e colaboradoras (Ibid) analisaram as interações discursivas em um grupo de 13 estudantes, duas garotas e 11 garotos, do bacharelado em Física durante um debate sobre Mecânica Quântica sem a presença do professor. A análise realizada, utilizando os estudos de Lemke (1997), mostrou que os meninos tomaram a liderança dos grupos e observou-se duas

maneiras diferentes de participação feminina no debate. Uma forma seria a participação ativa expondo suas opiniões porém não subvertendo o colega que , atuava como líder do grupo. A outra forma utiliza como estratégia foi vincular seu ponto de vista com a autoridade da ciência para que sua opinião ganhe visibilidade. O mesmo estudo foi realizado para um grupo com 6 mulheres e 3 homens. Mesmo elas sendo a maioria, foram os homens que se mantiveram predominantemente como lideranças do grupo.

A presença de exemplos de mulheres na ciência pode contribuir como um estímulo para estudantes não só no ensino médio, mas também para alunas na graduação e pós-graduação. Com o objetivo de averiguar a percepção de estudantes de licenciatura em física sobre o papel das mulheres nas ciências naturais, Teixeira e Costa (2008) realizaram em 2006 uma entrevista com 66 alunos, destes 21 eram mulheres, do Centro Federal de Educação Tecnológica de São Paulo (CEFET- SP). Quando solicitados para que escrevessem o nome de até duas cientistas mulheres, houve uma concentração total da física franco-polonesa Marie Curie, já no caso dos cientistas homens, os estudantes citaram uma variedade muito maior de nomes. Quando solicitados para citar cientistas brasileiras, os únicos nomes que apareceram foram da mãe de um aluno, que trabalha na área científica, e de uma das professoras de física do grupo. Isso mostra a falta de modelos de mulheres nas ciências em geral. O estudo mostra que a maior parte dos estudantes julga importante a participação de mulheres na ciência, mais da metade acredita que as mulheres sofrem preconceitos dentro da comunidade científica e 73% dos alunos e 67% das alunas acreditam que homens e mulheres analisam e elaboram seus pensamentos em relação a realidade de maneiras diferentes.

## Meio Acadêmico

Uma maneira de entender os motivos que dificultam a participação das mulheres na ciência é através de entrevistas com as pesquisadoras. Silva e Ribeiro (2014) entrevistaram seis mulheres cientistas de universidades federais e de uma instituição de pesquisa do Rio Grande do Sul. As áreas de atuação são: Farmácia; Ciências Biológicas; Física; Engenharia da Computação. As análises das entrevistas foram realizadas utilizando as contribuições sobre metodologia de investigação de narrativa de Larrosa (1996, 2004) e Connelly e Clandinin (1995). Os resultados do estudo mostram que as entrevistadas enfrentam barreiras como dupla jornada de trabalho, competição, maternidade, produtividade, preconceitos e discriminação de gênero. Para serem bem-sucedidas na profissão, as pesquisadoras acabaram de alguma forma adotando um modo de pensar e fazer ciência seguindo um 'modelo masculino'.

As entrevistas realizadas por Lima (2013) com 19 pesquisadoras da Física que são bolsistas de Produtividade de Pesquisa mostram uma espécie de labirinto de cristal, termo proposto pela autora, simbolizando os diversos obstáculos enfrentados pelas pesquisadoras: dificuldade em conciliar a família e a maternidade com o trabalho, competências e habilidades postos em prova, discriminações implícitas e estruturais e a pressão do meio acadêmico para adequar seu comportamento masculino.

Dados mostram que as mulheres aumentaram sua participação em algumas áreas, mas a desigualdade ainda existe dentro da ciência. Grossi e colaboradoras

(2016) analisaram o currículo Lattes de 4.970 mulheres que defenderam suas teses de doutorado nos anos de 2000 e 2013. Os dados mostram que houve um aumento significativo de teses públicas, onde o predomínio das pesquisas foi nas Ciências Biológicas e Ciências das Saúdes. No último lugar ficou a área das Engenharias, concordando com os resultados obtidos por Melo e colaboradoras (2004). Agrello e Garg (2009) chegaram nos mesmos resultados ao analisarem a distribuição dos estudantes que ingressaram em diferentes áreas na Universidade de Brasília (UnB) entre 1999 - 2004, e de estudantes de pós-graduação no ano de 2005. Mostram também que no ano de 2007 a porcentagem de mulheres docentes em física na UnB e em mais 8 universidades importantes do Brasil é menor que 25%.

A análise sobre a concessão de bolsas e auxílios disponibilizados pelo CNPq no período de 2001 a 2014 realizadas por Lima e colaboradoras (2015) mostra que existem dois tipos de sub-representação das mulheres nos campos da ciência e tecnologia: a pequena participação de mulheres em cargos de maior prestígio seria um tipo de exclusão vertical, enquanto o baixo número de mulheres em determinadas áreas seria uma exclusão horizontal. As bolsas foram divididas igualmente entre homens e mulheres, porém em áreas como Ciências Exatas e da Terra e nas Engenharias e Computação as mulheres correspondem a 30%. Nas principais modalidades de bolsa no país, elas são a maioria, porém, com exceção na modalidade bolsa de Produtividade em Pesquisa, não houve um avanço significativo das mulheres nessa modalidade entre o período de 2005-2014. Assim, a participação das mulheres diminui conforme elas avançam na carreira. Elas também entram pelo menos 5 anos mais tarde no sistema. Nas duas chamadas do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de 2008 e 2010, foram aprovados 125 projetos, destes apenas 18 são coordenados por mulheres. Em 2016 apenas 32,9% dos representantes dos comitês assessores do CNPq eram mulheres. Em relação à questão étnico-racial, as participações de negras/os em 2013 não atingiram 10% nas bolsas de Produtividade e Pesquisa.

A revisão da literatura e os dados analisados sobre questões de gênero na Física Médica realizada por Mendes e colaboradoras (2015) mostrou que é notório o maior número de mulheres na Física Médica quando comparado com a Física. A pesquisa mostra também que a média salarial dos homens é maior que o das mulheres (ABFM, 2014). Uma sugestão proposta para combater o problema, seria a implementação de programas de mentoria ou aconselhamentos (GIBBONS, 1992).

Ao analisar as contribuições da crítica feminista à ciência Bandeira (2008) conclui que esse novo olhar contribuiu, além de teorias e conceitos, em trazer algumas reflexões e temas que haviam sido esquecidos. A crítica buscou eliminar a subordinação das mulheres referentes a formas de opressão à capacidade feminina, suas reflexões e pontos de vistas. Também alertou que o conhecimento científico não é uma entidade objetiva, pois ele depende da cultura dos atores sociais e sua produção não pode ser abstrata, distanciada e isolada. Contribuiu para que fossem censuradas formulações teóricos-empíricas, questionando o androcentrismo e também as concepções de neutralidade e de objetividade.

## Conclusão

Esta revisão mostra o baixo número de trabalhos nacionais sobre questões de gênero no ensino de física. Dos 17 artigos analisados, 10 deles encontram-se publicados nas duas revistas especializadas em questões de gênero. Nota-se

também que dentre os 37 pesquisadores que realizaram essas pesquisas, apenas três deles eram do sexo masculino. Os resultados dos artigos mostram que as mulheres passam por inúmeros obstáculos que começam na infância e duram por toda a carreira da pesquisadora, dificultando a sua participação em áreas como Ciências Exatas e da Terra, Engenharias e Computação.

É de extrema importância a realização de pesquisas sobre esse tema, pois o conhecimento científico é um direito de todos, independentemente de quem seja o indivíduo. Mais mulheres no meio científico significaria visões de mundos diferentes, o que, nesse caso, só beneficiaria a ciência (CORDEIRO, 2017). Devido ao fato de que a maior parte das posições de destaque na ciência são ocupadas por homens, não é de se estranhar que isso afete a estrutura da ciência escolar, favorecendo o sucesso masculino (HAZARI et al, 2007) Porém só poderemos modificar as relações . de poder que geram preconceitos de gênero quando entendermos como elas são construídas (SILVA; RIBEIRO, 2014).

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