FILMES DE FICÇÃO CIENTÍFICA COMO ESTRATÉGIA NO ENSINO DE FÍSICA.
Bárbara C. C. Pereira, Gabriella Da Conceição Lima, Vanessa Carvalho De Andrade
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XVII
- Ano
- 2018
- Data
- 28/08/2018
- Linha de pesquisa
- Co-09 Comunicação Em Práticas Educativas Formais, Informais E Não-Formais E O Ensino De Física / Ciência, Tecnologia, Sociedade E Ambiente No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## FILMES DE FICÇÃO CIENTÍFICA COMO ESTRATÉGIA NO ENSINO DE FÍSICA
## SCIENCE FICTION MOVIES AS A STRATEGY INPHYSICS TEACHING
Gabriella Lima 1, 2 , Vanessa Carvalho de Andrade , Bárbara C. C. Pereira , 2 2
1 Instituto de Educação Superior de Brasília, Ensino Médio.
2 Instituto de Física, Universidade de Brasília.
## Resumo
Os Filmes de ficção científica representam uma alternativa a outros meios de divulgação da ciência, como revistas e museus. Além disso, dentro de sala de aula, eles apresentam um grande potencial em promover conexões entre o ensino de física e o cotidiano dos alunos. Este trabalho consiste em um relato de experiência didática, utilizando filmes de ficção científica no ensino de física. A atividade foi uma oficina realizada com alunos de ensino médio, cujo tema foi Viagem no Tempo, contando com a exibição do filme De Volta Para o Futuro (1985). Participaram da oficina alunos de primeira, segunda e terceira série do ensino médio. A atividade foi estruturada em uma Sequência de Ensino Investigativa - SEI que consiste em uma sequência didática cujo objetivo é promover o debate e o senso crítico dos estudantes. Finalmente, foi desenvolvida a partir da concepção sociointeracionista de Lev Vygotsky e levando em conta as especificidades da Geração Z no contexto de aprendizagem em seu cotidiano.
Palavras-chave : Ensino de Física; Sequência didática; Viagem no Tempo; Ficção Científica; Sequência de Ensino investigativa.
## Abstract
Science fiction movies represent an alternative to other means of dissemination of science, such as magazines and museums. Moreover within the classroom they present a great potential in promoting connections between the teaching of physics and the daily life of the students. This work consists of an account of didactic experience, using sci-fi movies in the teaching of physics. The activity was a workshop performed with high school students whose theme was time travel, relying on the film's display Back to the Future (1985). They participated in the workshop of first, second and third grade students in high school. The activity was structured in a Sequência de Ensino Investigativa - SEI that consists in a didactic sequence that aims to promote the debate and the critical sense of the students. And it was developed from the 'social interaction' conception of Lev Vygotsky and taking into account the specifics of generation Z in the context of learning and in its daily life.
Key words: Teaching physics; Didactic sequence; Time travel; Science fiction; Investigative teaching sequence.
## Introdução
Um dos principais problemas enfrentados no ensino e aprendizagem de ciências, em especial da Física, é a grande dificuldade que os alunos têm em conseguir relacionar os conceitos abordados em sala de aula com as tecnologias do cotidiano (SANTOS et al, 2013). Isso se deve, provavelmente, ao fato de que, na maioria das vezes, a Física é apresentada de forma descontextualizada, fazendo com que os alunos internalizem a ideia equivocada de que essa ciência se desenvolveu, e se desenvolve deslocada dos outros processos de evolução da humanidade, como se a ciência não fosse também construída através de processos sociológicos, refletindo interesses econômicos e sociais (BELTRAN et al, 2010). Isto acaba tornando seu estudo desinteressante, pois se reduz a repetições de equações que, na maioria das vezes, não dialogam com o universo dos estudantes. Diante desse cenário, se torna indispensável à discussão e a busca de novas alternativas para desmistificar a imagem que se construiu da ciência ao longo do tempo. Uma alternativa viável é apresentar os conteúdos da disciplina a partir outras formas linguagem, mostrando que a ciência está a nossa volta, e que, muitas vezes, os alunos se interessam pelo tema, mas não conseguem conectar o que se aprende em sala de aula com o que aparece em seus cotidianos. Apresentar a Física através de uma linguagem conhecida por esses jovens proporciona ao aluno de ensino médio, ou mesmo de ensino fundamental, a possibilidade de perceber e de se encantar com a ciência além das equações.
Os jovens que estão cursando o ensino fundamental e médio atualmente constituem a primeira geração de pessoas nascidas na era pós internet, a Geração Z (TOLEDO, 2012). À medida que o mundo se transforma, o modelo do sistema de ensino atual se torna cada vez mais obsoleto. Encontrar um ponto de equilíbrio entre os conteúdos que fazem parte do currículo e o interesse dos alunos se torna um desafio para o professor e a escola, uma vez que esses jovens não se interessam pelos métodos tradicionais de ensino, pois, o fato de terem nascido numa época em que as informações estão ao alcance de um clique, faz com que sua atenção esteja voltada para estilos mais dinâmicos de aprendizagem (LEMOS, 2009).
- O Google publicou em abril de 2017 o It's Lit: A guide to what teens think is cool 1 , um guia compilando os resultados de sua pesquisa sobre os interesses de adolescentes com idade entre 13 e 17 anos, que fazem parte da geração Z. Essa pesquisa mostra as preferências de mercado de uma geração que, nos EUA, ganhou seu primeiro smartphone aos doze anos de idade, e acessam a internet diariamente. Tendo o smartphone como sua primeira tela, a relação com conteúdo audiovisual diverge completamente dos hábitos das gerações anteriores: 84% dos adolescentes da geração Z declararam utilizar o celular e a internet enquanto assistem à televisão. Isto na hipótese de estarem assistindo, já que cerca de um quinto desses adolescentes declarou nunca assistir à TV. Mas isso não quer dizer que eles não gostem de conteúdo audiovisual. Na verdade, são grandes consumidores de vídeos: 71% assistem a 3 horas ou mais, no celular por dia. Em detrimento da TV tradicional, os adolescentes preferem utilizar as plataformas como Netflix, Youtube, Spotify, Hulu, uma vez que passam a ter controle sobre o que e quando querem assistir (GOOGLE, 2017).
Dentro de todas as possibilidades, destaca-se o conteúdo de Ficção Científica, que embora não tenha que ter nenhum compromisso com a educação científica, pois se compromete antes com o livre debate imaginativo, observa-se que, em diversas ocasiões, o gênero desperta no público o interesse pela ciência, chegando a estabelecer algum nível de alfabetização ou mesmo motivação para carreiras científicas (SUPPIA, 2006). Este recurso pode representar uma forma de diálogo entre os interesses dessa geração nativa digital com o currículo vigente. A Ficção Científica tem sido assinalada como um importante instrumento didático no ensino de ciências e é utilizado por vários professores e pesquisadores como recurso didático na educação básica e, em especial, no ensino médio formal (PIASSI, PIETROCOLA, 2009). Este trabalho registra a aplicação deste recurso didático a por meio de uma oficina, que contou com a exibição do filme De Volta Para o Futuro (1985) como uma das atividades, e teve duração de seis aulas com a participação de alunos de todas as séries do ensino médio. Após a exibição do filme, foram debatidos os temas que foram observados pelos alunos durante a exibição da obra.
## Lev Vygotsky e a Sequência de Ensino Investigativa (SEI)
Uma figura muito importante para o ensino é o psicólogo Lev Vygotsky. Ele propôs que as mais elevadas funções mentais do indivíduo emergem de processos sociais. As teorias sobre ensino-aprendizagem produzidas por Vygotsky (CARVALHO, 2013) acabaram modificando as relações aluno/professor. Para Vygotsky, a figura do professor é muito importante, pois este é responsável por mediar a relação entre o estudante e o conhecimento. Além disso, mostrou que os processos sociais e psicológicos dos seres humanos se firmam através de ferramentas, ou artefatos culturais, que medeiam a interação entre os indivíduos e entre esses e o mundo físico. O artefato mais importante na interação social é a linguagem, que é a principal transformadora nos processos de desenvolvimento cognitivo. Existe uma inter-relação fundamental entre pensamento e linguagem e, desta forma, a linguagem tem um papel essencial na formação do pensamento e do caráter do indivíduo (MORES in VYGOTSKY, 1991, p. 10). A mediação é o fato central da psicologia de Vygotsky, pois, segundo ele, a utilização de aspectos, que são sociais e culturalmente construídos, têm efeitos sobre a mente dos estudantes e sobre o contexto da sala de aula. Portanto, a interação social não se define apenas pela comunicação entre o professor e o aluno, mas também pelo ambiente no qual essa comunicação ocorre; noutras palavras, o aluno acaba interagindo também com os problemas, os assuntos, as informações e os valores culturais dos próprios conteúdos trabalhados em sala de aula e também fora dela.
Diante dessa perspectiva acerca do papel do professor e da escola, podemos pensar que a maneira como o professor medeia a interação entre aluno e conteúdo também passa por uma transformação, assim como o comportamento dos jovens. Nesse sentido, esta oficina se propõe a oferecer um espaço no qual os estudantes possam interagir com o objeto de estudo de forma não tradicional. A oficina se desenvolveu por meio de uma Sequência de Ensino Investigativa - SEI. Uma SEI propõe a criação de um ambiente investigativo em salas de aula de Ciências, de tal forma, que se possa ensinar (conduzir/mediar) os estudantes no processo (simplificado) do trabalho científico para que possam, gradativamente,
ampliar sua cultura científica (SASSERON E CARVALHO, 2008). Este é um tipo de sequência didática que privilegia o desenvolvimento do senso crítico e a formação cidadã, através da interação entre os alunos em busca de uma solução para um problema proposto (CARVALHO, 2014). Este problema pode ser proposto através de um experimento, uma música, uma situação, um vídeo ou um filme, como foi o caso desta oficina.
## Metodologia
O tema da oficina foi 'Viagem no Tempo' e o filme exibido foi De Volta Para o Futuro (1h 56min, lançamento 25 de dezembro de 1985, Direção: Robert Zemeckis, Classificação etária: livre), através da plataforma NETFLIX. A participação na atividade aconteceu por meio de uma inscrição, cuja intenção foi investigar o interesse dos alunos pelo tema e conhecer o perfil dos participantes, pois não foi atribuída nenhuma pontuação à participação. A oficina aconteceu em um colégio da rede privada do Distrito Federal e contou com a participação de quinze estudantes das três séries do ensino médio.
## Estrutura da SEI:
Nas duas primeiras aulas foi exibido o filme de ficção De Volta Para o Futuro, e durante a sessão foi disponibilizada uma pequena caixa para que fossem depositadas questões, dúvidas, observações, a fim de serem discutidas posteriormente, durante o debate. A exibição do filme no ambiente escolar oferece uma oportunidade de interação entre eles, fora do contexto tradicional de aula, o que propicia um melhor desenvolvimento da atividade. Esperava-se que a interação entre eles durante a sessão pudesse, posteriormente, motivar a participação no debate. Na terceira aula, ao final da exibição, foi feita uma separação em categorias para facilitar a pesquisa dos temas que foram apontados pelos alunos enquanto assistiam ao filme.
As categorias foram elencadas a partir dos questionamentos dos alunos. Os temas foram:
- ● Tópicos de relatividade: viagem no tempo, altas velocidades, buracos de minhoca;
- ● Tópicos de outros temas que envolvem física como energia, capacitância, termos técnicos, entre outros;
- ● Questões éticas. Como exploração animal;
- ● Representação/questões sociais como a representação do 'cientista maluco', representação de personagens femininos e personagens racializados.
Após a separação das categorias, os alunos foram separados em grupos, e cada grupo escolheu um tema dos citados acima para investigação. Nesse momento, puderam usar a internet. Ao fim da terceira aula foi feito um intervalo de vinte minutos. Na quarta e quinta aula, os alunos optaram por continuar em grupos, e então cada grupo pôde fazer uma pequena exposição de suas investigações para a turma, durante a exposição a turma podia debater sobre os temas que eram apresentados. O debate foi mediado pela professora, que intervinha para apresentar conceitos referentes às teorias científicas vigentes, bem como para tirar dúvidas e
estimular a interação entres os estudantes, que ficaram muito à vontade para expor suas ideias. Depois do debate, na sexta aula, foi feita uma avaliação. Como uma SEI não prioriza avaliações somativas, e sim formativas, os alunos puderam escolher entre realizar uma avaliação da atividade, na qual continha algumas questões que requisitava uma auto avalição de suas aprendizagens, ou construir um mapa mental relacionando as questões desenvolvidas durante o debate. Alguns alunos optaram por fazer as duas, como mostra as figuras apresentas na sessão de análise dos resultados, que apresenta as anotações e a avalição da atividade do mesmo aluno.
## Análise e Resultados
A participação na atividade foi condicionada ao preenchimento de uma ficha de inscrição, cuja intenção foi investigar o interesse dos alunos pelo tema e conhecer o perfil dos participantes. Além de nome, turma e idade, eles deveriam responder numa escala de 1 a 5 quanto se interessavam pelo tema, além disso foi apresentada uma lista, com mais de quinze títulos de filmes de FC, na qual eles assinalavam qual já conheciam. A maioria dos participantes já tinham assistido á vários títulos além de marcarem 4 ou 5 na escala de interesse. Observa-se que este tema já faz parte do cotidiano de muitos jovens, e que uma atividade desse tipo pode atrair uma parcela significativa dos estudantes, o que reitera a importância da discussão deste tema. Além disso, durante o debate os alunos discutiram temas que não faziam parte do currículo suas séries, o que mostra que este aluno pesquisou sobre estes temas independente das atividades escolares.
Figura 1: Anotações feitas durante a exibição do filme.
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A figura 1 é uma das anotações feitas pelos estudantes durante a exibição do filme, este registro resume bem os temas discutidos no debate. Observa-se que as anotações registram várias questões e conceitos físicos de forma descontraída, além de registrar muitas expressões e preocupações comuns aos jovens, como consumo de drogas e a relação entre pais e filhos. Verifica-se que algumas delas foram além do escopo da física que é estudada na escola, passando por questões éticas, como a exploração de animais em experimentos, tema observado em uma das primeiras cenas do filme, na qual o professor Dr. Emmett Brown faz um teste de
verificação da máquina do tempo, mandando seu cão (Einstein) numa viagem temporal, o que suscitou uma discussão sobre a cadela Laika, que foi o primeiro ser vivo lançado ao espaço. Outra questão que aparece nesta cena, é a energia necessária para atingir altas velocidades, no caso do filme, uma velocidade capaz de produzir uma viagem no tempo, nesta cena em questão, o professor Dr Brown, abastece a máquina do tempo com plutônio. Já nas cenas finais do filme, na qual o professor volta de um futuro para buscar seu pupilo, Marty McFly, ele abastece sua máquina do tempo com lixo, a partir desta cena se pôde discutir as formas de energias. Todas essas questões não puderam ser aprofundadas, dado o limite de tempo e a complexidade de algumas delas. Contudo, as questões registradas na figura corroboram com o que diz Piassi (2009), que é na leitura crítica que a irrealidade da ficção se torna realidade sociocultural, já que toda obra literária fala da experiência humana de forma legítima, travestindo a realidade em fantasia. Nesse sentido, permite colocar o estudante frente à obra ficcional como um leitor crítico e levá-lo a questionar sua própria experiência vivida com os conceitos da ciência no contexto da vida humana (PIASSI, 2009).
Alguns estudantes registraram suas reflexões em forma de mapa mental, outros fizeram uma avaliação da oficina, que consistia em responder cinco questões propostas pela professora, a entrega era facultativa, por isso nem todos entregaram. Porém, os que entregaram puderam registrar o quanto a atividade possibilita conectar vários aspectos da ciência. A figura 2 registra as respostas de um dos estudantes a essas perguntas, que foram: Numa escala de 1 a 5, quanto gostou da oficina? Numa escala de 1 a 5, quanto achou relevante para sua formação? Achou o debate interessante? Por quê? Achou que aprendeu algum tema importante? Qual? Sugestões/ Críticas.
Figura 2: Avaliação da Oficina.
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Foi verificado, como mostra na figura 2, que os alunos apreciaram a atividade, somente um estudante não atribuiu o valor cinco na escala. Mesmo a grande maioria dos estudantes atribuindo cinco à primeira pergunta, nem todos os estudantes atribuíram o valor cinco à segunda questão, ao contrário, a maioria atribuiu o valor quatro à segunda pergunta. Esta discrepância na avaliação pode indicar uma dificuldade dos alunos em observar a relevância desse tipo de atividade, pois essas experiências divergem da ideia que eles têm de aula de Física. Contudo, observou-se que os alunos conseguiram sintetizar e relacionar muitos dos temas que foram debatidos. O que ficou registrado nos mapas mentais apresentados, nos quais aparecem questões sobre viagem no tempo, termos como dilatação temporal,
buraco de minhoca, capacitor de fluxo, questões éticas, como exploração de animais pela ciência, questões sobre representação relacionadas ao estereótipo de 'cientista maluco', além de reflexões sobre o comportamento das personagens sobre uso de drogas e diversidade. O fato de a oficina ter acontecido no contra turno e com alunos de diversas idades e séries possibilitou a criação de um ambiente descontraído, no qual os alunos se sentiram à vontade para expor suas ideias.
Sobre a questão central da oficina, que foi a viagem no tempo, verificou-se certa dificuldade de acesso ao tema, pois o grupo que escolheu este tema foi o que mais sentiu dificuldade em fazer a pesquisa, por apresentar muitas equações que continham cálculos mais avançados, para o ensino médio. Ainda sim, foi possível trazer muitos conceitos para o debate, inclusive com a colaboração dos colegas dos outros grupos, que trouxeram para a discussão conceitos conhecidos através de outras obras, que tratam do tema de maneira mais concisa, como por exemplo no filme Interestelar ( 2h 48min, lançamento 6 de novembro de 2014, Direção: Christopher Nolan). Os alunos fizeram uma comparação entre os dois filmes, e falaram sobre o conceito de buraco de minhoca, como possibilidade de viagem no tempo. Contudo, a limitação do tempo não permitiu o aprofundamento nas questões, pois a oficina contou com apenas seis aulas. Caso a oficina fosse desenvolvida em dez ou doze aulas, poderia ser obtido um melhor resultado.
## Conclusão
O propósito desta oficina foi promover um espaço não tradicional de aprendizagem, mesmo dentro da estrutura física da escola. Assim, os estudantes que se interessaram e participaram, puderam interagir com colegas de séries e idades diferentes, puderam observar as relações entre a ciência e todas essas áreas, verificando que todas as disciplinas se conectam apesar de serem apresentadas separadamente na escola . No caso desta oficina, observa-se que espaços não tradicionais que promovam a interação entre os estudantes, podem auxiliar na melhoria da aprendizagem de Física, pois espaços como este favorecem o compartilhamento de ideias entre os alunos, fazendo com que estes exercitem sua capacidade de análise e argumentação, propiciando um melhor desenvolvimento das capacidades cognitivas dos alunos. Além disso, uma avaliação pensada como formativa, tem a finalidade também de proporcionar oportunidades para uma autoavaliação por parte dos alunos, na qual cabe ao professor orientar os estudantes no reconhecimento de seus avanços e nas conquistas que, ainda precisam ser alcançadas (CARVALHO, 2014).
A utilização de filmes de ficção científica como recurso didático no ensino de Física pode ser uma alternativa na busca pela solução da problemática da contextualização do ensino de ciências, principalmente no que se refere ao comportamento da geração Z. Nesse sentido, reiteramos as concepções de Piassi (2009), que afirma que a ficção científica, mais do que um possível recurso didático para o ensino de ciências, constitui também um tipo de discurso social sobre a ciência. Pois é possível observar nessas obras, visões, debates e questões relacionadas às ciências em voga no momento de produção das obras. Então, abordar ciência a partir delas vai além de procurar conceitos veiculados em filmes ou livros; abordar a ciência desta forma possibilita a investigação de múltiplos aspectos da ciência, inclusive, da própria construção do conhecimento.
## Referências
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CARVALHO, Anna Maria Pessoa. O ensino de ciências e a proposição de sequências de ensino investigativas. Disponível em: <edisciplinas.usp.br/mod/resource/view.php?id=1418737>. Acessado em 8 março de 2018.
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TOLEDO, Priscilla Bassitt Ferreira; et al . O Comportamento da Geração Z e a Influência nas Atitudes dos Professores (2012). Disponível em: <gpi.aedb.br/seget/artigos12/38516548.pdf>. Acessado em 8 março de 2018.
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