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A UTILIZAÇÃO DO ESTUDO DE AULA DURANTE A FORMAÇÃO DE LICENCIANDOS EM FÍSICA

Micaías Andrade Rodrigues, Agnaldo Arroio

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XVII
Ano
2018
Data
28/08/2018
Linha de pesquisa
Co-07 Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A UTILIZAÇÃO DO ESTUDO DE AULA DURANTE A FORMAÇÃO DE LICENCIANDOS EM FÍSICA

## THE USE OF THE LESSON STUDY DURING THE PRE-SERVICE PHYSICS TEACHERS' EDUCATION

## Micaías Andrade Rodrigues 1 , Agnaldo Arroio 2

1 Departamento de Métodos e Técnicas de Ensino/UFPI, micaias@ufpi.edu.br

2 Faculdade de Educação/USP, agnaldoarroio@usp.br

## Resumo

Estudo de aula (EA) é uma técnica japonesa utilizada há mais de 100 anos. Esta técnica é utilizada atualmente em diversos países. No Brasil, o EA está ainda em processo de inserção. Neste artigo investigamos se esta metodologia pode ser usada para aprimorar a formação de futuros professores de Física, em uma universidade pública, no Piauí. Os dados foram produzidos através de um diário de campo e materiais produzidos pelos licenciandos. Os dados foram analisados utilizando-se a análise de conteúdo. Os resultados evidenciaram que os licenciandos apresentam um conhecimento superficial acerca de conteúdos de física básica e o EA foi útil para minimizar este problema e para refletir sobre a aula, a escola e o papel do professor.

Palavras-chave : Estudo de aula. Formação de professores. Estudante de Licenciatura. Ensino de física.

## Abstract

Lesson study (LS) is a collaborative Japanese technique used for more than 100 years. This technique actually is been used by several countries. In Brazil, LS is in the beginning. In this paper we investigate if this methodology can be used to optimize the formation of the future professionals in Brazilian teacher training course at a public university in Piauí, Brazil. Data were produced by field notes and materials produced by pre-service-teachers. The data were analyzed by content analysis. The results evidence that pre-service teachers have a lack of knowledge about Physics basic contents and the LS is useful to minimize this problem and to reflect about the class, the school and the role of teacher.

Keywords : Lesson study. Teacher education. Pre-service teacher. Physics teaching.

## Introdução

Estudo de Aula (EA), do inglês Lesson study (LS) é uma metodologia colaborativa japonesa. Sua origem remonta ao início do século XX (MAKINAE, 2010). Esta metodologia consiste em um trabalho coletivo entre professores para

estudar os conteúdos, planejar aulas, sendo que esta vai ser ministrada por um dos professores, enquanto os demais observam para, posteriormente, discutir acerca da mesma. Esta estratégia para a formação de professores é utilizada atualmente em vários países do mundo, como o Reino Unido, EUA, Portugal, Austrália, Espanha, China, Malásia etc. (DCSF, 2009; BAPTISTA et al, 2012; SAITO; ATENCIO, 2013; BAPTISTA et al, 2014; SOTO GÓMEZ; PÉREZ GÓMEZ, 2015).

- O processo de EA pode sofrer pequenas mudanças de diversas formas, como no número de etapas (FERNANDEZ; YOSHIDA, 2004; DCSF, 2009), mas geralmente apresenta um formato muito semelhante. Fernandez e Yoshida (2004) apresentam o processo de EA em ciclos de três (mais três) etapas: a) estudo e planejamento colaborativo da aula a ser ensinada; b) ministração e observação da aula planejada coletivamente; c) discussão da aula lecionada e observada. As demais etapas são opcionais e resumem-se à revisão da aula (replanejamento), ministração da nova aula planejada coletivamente e reflexão acerca da mesma.

No EA, diferentemente das formas tradicionais de ensino, o foco é posto sobre os estudantes e sua aprendizagem (PEDDER, 2014). Este fato pode iniciar a reformulação de planos de aula. Os professores durante os encontros para planejamento e avaliação podem se tornar mais conscientes de como e porque o ensino ocorre e aperfeiçoar a sua ação.

- O Japão, lugar onde o EA foi desenvolvido, tem se destacado nos resultados das avaliações internacionais Third International Mathematics and Science Study (TIMSS) e Programme for International Student Assessment (Pisa). Isto ocorre não apenas em matemática, disciplina utilizada durante o desenvolvimento do método, mas também em Ciências e Linguagem. Tal comprovação despertou a atenção para o EA e muitos países introduziram a metodologia com os seus professores.

Como o foco da nossa pesquisa é o trabalho com licenciandos, entre os resultados da aplicação do EA com este público, podemos destacar:

- · os licenciandos aprenderam aspectos da prática de ensino em consonância com as demandas atuais do ensino de Ciências. Eles puderam conhecer diversos tipos de atividades e valorizar as que se mostravam mais efetivas, aproximando-as da realidade dos estudantes e identificando as dificuldades destes. Isto trouxe a percepção que o ensino deve ser focado nos aprendizes (CONCEIÇÃO; BAPTISTA; PONTE, 2016).
- · Coelho, Vianna e Oliveira (2014) observaram que o EA oferece a possibilidade de obtenção de conhecimentos específicos, especialmente o profissional, o qual é desenvolvido de forma prática, próximo à realidade;
- · para Mitchell (2014), os licenciandos que trabalharam com o EA durante a sua formação se desenvolveram mais que os outros que não trabalharam, planejando aulas de maior qualidade e demonstrando maior desenvoltura;
- · Parks (2009) afirmou que os licenciandos não queriam desagradar aos colegas e, desta forma, concordavam com as colocações destes. Neste caso as crenças e atitudes não foram modificadas.

Embora o EA apresente muitas dificuldades e desafios, os resultados obtidos mostraram-se bem expressivos. Diante disto nos veio a seguinte questão de pesquisa: o estudo de aula é uma estratégia válida para ser utilizada em um curso brasileiro de formação de professores de Física? Buscamos, especificamente:

investigar se os licenciandos em Física tinham domínio do conteúdo que iriam lecionar; verificar se os planos de aula produzidos coletivamente foram feitos visando a aprendizagem dos alunos; constatar se houve ou não colaboração efetiva para o estudo dos conteúdos e elaboração dos planos de aula; e visualizar como os alunos da escola e os seus respectivos professores receberam estas aulas.

## Metodologia

Em uma turma de Estágio Supervisionado (ES) de ensino de Física III, na Universidade Federal do Piauí (UFPI), na qual se inclui a regência no Ensino Fundamental (EF), os alunos foram convidados a participar de um grupo de estudo de aula. A participação era facultada para estes alunos, de modo que participassem apenas os licenciandos que estivessem interessados. Com isto, formou-se um grupo com, inicialmente, seis alunos. Com o passar dos encontros, apenas quatro permaneceram.

As etapas do estudo de aula (EA) com os licenciandos foram baseadas na proposta de Quaresma et al (2014), a saber: sessão 1 tem o objetivo de apresentar aos professores o estudo de aula (apenas para o primeiro ciclo de EA), as sessões 2 e 3 visam aprofundar o conhecimento destes sobre um tópico específico em física e preparar uma aula sobre este, a sessão 4 observar a aula planejada coletivamente e a sessão 5 refletir sobre esta e sobre todo o processo do estudo de aula.

Os encontros ocorreram semanalmente durante um semestre letivo. Os encontros eram registrados em diários de campo e através dos materiais produzidos (planos de aula, notas de aula (atividades de estudo dos temas) e, no final, através de uma dissertação avaliativa acerca do método e dos resultados obtidos e dos relatórios da atividade). Ocorreram, neste tempo, apenas dois ciclos de EA. Isto se deu devido o fato de que o calendário acadêmico da UFPI encontrava-se diferente do calendário escolar (as aulas nas escolas iniciaram no início de agosto e terminaram em dezembro de 2016, enquanto na UFPI as aulas iniciaram apenas em setembro de 2016 e se estenderam até o final de janeiro de 2017). Para analisar os dados produzidos foi utilizada a análise de conteúdo (BARDIN, 2016).

## Resultados

Os encontros e os seus respectivos conteúdos estão descritos na Tabela 1, abaixo:

Tabela 1: encontros ocorridos nas atividades de estudo de aula com os licenciandos em Física, seus conteúdos e locais de execução

(Fonte: os autores)

Comentaremos logo sobre os encontros 1, 2, 3, 4, 7 e 8. Os demais encontros serão discutidos em subseções específicas. No primeiro encontro foi exposto o que é EA, enfatizando-se a origem do método, alguns resultados obtidos no Brasil e no mundo e os desafios e perspectivas para o futuro. Neste mesmo encontro foram escolhidos os licenciandos que ministrariam as aulas que seriam planejadas coletivamente. Foram definidos como critérios para definição destes estudantes: estar ministrando conteúdos de física no ES e estagiar em Teresina.

Como neste primeiro encontro tínhamos seis alunos e estes estavam em atividades de ES nas escolas, excluímos aqueles que estivessem trabalhando com conteúdos que não fossem de Física. Isto se deu pelo fato de que no ES III os licenciandos em Física ministram a disciplina Ciências e, de acordo com a sua disponibilidade e do professor colaborador da escola, pode trabalhar com conteúdos de Biologia ou de Química também.

Assim, dois alunos foram excluídos, pois estavam trabalhando com conteúdos de Biologia no 7º e 8º anos. Dos quatro restantes, dois foram excluídos por estagiarem em outras cidades que não fossem Teresina, o que dificultaria a observação das suas aulas pelos colegas. Desta forma, sobraram dois licenciandos, os quais se dispuseram para ministrarem as aulas que seriam observadas pelos colegas e pelo professor da disciplina de ES. Os demais alunos, embora não fossem ministrar as aulas, mas participariam das atividades de estudo, planejamento, observação e discussão das aulas.

No segundo encontro foi elaborado um cronograma das reuniões e definidos os temas que seriam trabalhados nas aulas a serem planejadas coletivamente. Com base no cronograma das reuniões e no planejamento das aulas a serem ministradas durante o estágio supervisionado dos dois licenciandos que ministrariam as aulas planejadas coletivamente, foram definidos os conteúdos de cinemática e de ondas. Foram especificadas as estratégias de ação a serem desenvolvidas nas reuniões, de modo a estudar o conteúdo, elaborar as aulas, ministrá-las, observá-las e discuti-las.

Embora as turmas em que as aulas seriam ministradas fossem do 9º ano do EF, mas, nos encontros de estudo sobre cinemática (3º encontro) e sobre ondas (7º encontro) ficou evidente que os licenciandos não tinham domínio e segurança nos conteúdos. Por exemplo, estudando cinemática foi questionado para os licenciandos se trajetória seria igual à distância percorrida e se esta era igual ao deslocamento. Os estudantes se confundiram, respondendo um conceito como se fosse o outro.

No encontro de estudo sobre ondas foi perceptível que os licenciandos sabiam classificar as ondas em longitudinal ou transversal, porém, não tinham certeza como classificar as ondas presentes no cotidiano (sonora, ondas do mar. As ondas produzidas por uma corda, por uma mola ou as eletromagnéticas (exemplos presentes nos livros), foram classificadas corretamente). Outro tema que trouxe

muitas dúvidas foi quando estava sendo estudadas as ondas sonoras. Foi questionado como diferentes instrumentos musicais tocam a mesma nota, mas com sons tão diferentes entre si. Nas discussões foram comentados os papéis da intensidade e da frequência no som até que foi falado acerca do timbre. O timbre foi 1 plenamente compreendido após a leitura e discussão de livros do ensino superior.

Após os encontros de estudo ocorreram encontros para elaboração do plano de aula e definição do que seria analisado nas aulas observadas (4º e 8º encontros). Logo no início da elaboração dos planos ficou claro que os licenciandos queriam propor aulas expositivas sem maiores oportunidades para diálogo com a turma, sem problematização. Neste momento foi enfatizado que o estudo de aula visa a aprendizagem dos alunos, sendo questionado para o(a) licenciando(a) que ministraria a aula como era a turma, comentando suas virtudes e dificuldades. Com base nisto, foram propostas aulas que visassem à participação, que utilizassem exemplos do cotidiano dos alunos e explorassem as virtudes dos mesmos.

Sobre os itens a serem observados durante as aulas, foi enfatizado que a observação buscava verificar se ocorreu o aprendizado dos alunos e não avaliar o(a) licenciando(a) que a ministrou. Diante disto foram elencados como itens a serem observados durante as aulas nas turmas das duas escolas: os alunos interagiram durante a aula? Se sim, houve algum momento em que esta interação foi maior e por quê? O planejamento mostrou-se adequado à realidade da turma? Os objetivos da aula foram alcançados? Os exemplos dados foram claros para os alunos?

Na turma da escola 1, cuja aula foi ministrada por uma licencianda, os alunos apresentavam interesse nas novidades e gostavam de tecnologia. Então, como a escola não dispunha de sala de mídia ou projetor disponível, foi proposto que se calculasse a velocidade média de um voluntário que caminhasse ou corresse de um ponto a outro da sala, percorrendo um determinado número de quadrado (o chão de sala era formado por vários quadrados de 1 metro de lado) em um determinado tempo, que era medido no telefone celular.

Na turma da Escola 2, em que o licenciando trabalharia ondas e, especialmente as ondas sonoras, foi sugerido que o licenciando chamasse dois alunos voluntários e fizesse com que os dois se colocassem na extremidade oposta do quadro negro a qual ele estava. Um dos alunos voluntários deveria colocar o ouvido encostado no quadro e o outro não. Em seguida, o licenciando daria uma batida extremamente leve no quadro, de forma que o aluno que estivesse com o ouvido encostado no mesmo ouvisse e o outro não. Com isto seria trabalhado os conceitos de velocidade do som e dos fatores que a modificam. Também foi proposto que fosse levado um violão (que era disponibilizado pela escola) para se trabalhar os conceitos de frequência, timbre e intensidade.

Ao final do planejamento das aulas, pudemos constatar que os planos produzidos coletivamente buscaram trabalhar mais os conhecimentos prévios e agregar elementos do cotidiano em seu desenvolvimento, o que, teoricamente, proporcionaria a aprendizagem dos alunos. Como havia licenciandos trabalhando nas escolas, os planos puderam ser bem direcionados, levando em consideração o nível e interesses da turma, bem como os recursos disponíveis nas escolas.

## As aulas e os encontros para discuti-las

No 5º e 9º encontros, ocorridos nas escolas, as aulas planejadas coletivamente foram lecionadas, e, nos encontros seguintes a estes (6º e 10º, respectivamente) trouxeram à luz resultados muito interessantes. Como os professores que ministraram estas aulas ainda estavam cursando a graduação em licenciatura em Física, o domínio da classe e do método não era esperado e, de fato, não ocorreu. O professor supervisor (professor responsável por ensinar os graduandos e supervisioná-los no estágio) permaneceu na sala de aula todo o tempo. Os estudantes das escolas participaram ativamente, especialmente os da Escola 2, que tiveram aula sobre ondas. Não houve perda em relação ao conteúdo que deveria ser ensinado, de acordo com o planejamento escolar anual e, além disto, houve uma grande reflexão sobre as lições a serem ensinadas.

Os estudantes (tanto das escolas quanto da academia) estavam acostumados a trabalhar de forma mecânica e pouco reflexiva. Quando os licenciandos começaram a trabalhar na sala de aula de forma diferente, os estudantes das escolas acharam estranho, mas interagiram bastante, de forma positiva. Quando foram apresentados alguns exemplos de situações do cotidiano da vida aos estudantes para explicar fenômenos físicos, o conteúdo tornou-se compreensível a eles.

Como o tempo de atividades de estágio na escola dura cerca de três meses, existe uma preocupação em não tornar a forma de trabalhar os conteúdos difíceis para o trabalho de classe dos professores colaboadores (que recebem os alunos nas escolas). Portanto, são utilizados apenas recursos disponíveis na escola e objetos e/ou situações que pertençam à vida diária dos alunos.

Quando os conteúdos da física foram ensinados com uma abordagem conceitual, superando as ênfases matemáticas e abstratas, a resistência dos alunos à física diminuiu bastante. Também foi uma forma interessante da universidade realmente cooperar com a escola, visto que os professores da maioria das escolas não têm conexão alguma com a universidade.

Quando os futuros professores de física comentaram sobre as lições ensinadas e / ou observadas, eles enfatizaram que eram, realmente, professores reflexivos, que pensavam efetivamente sobre as aulas que iriam ministrar. Foi perceptível que estes passaram a utilizar os planos de aula não mais como uma exigência, mas, como algo que dirige suas ações nas salas de aula. As aulas planejadas coletivamente ultrapassaram as expectativas dos licenciandos e dos professores das escolas que os acompanhavam e enfatizaram, mesmo usando materiais simples e estratégias não-tecnológicas, que era possível realizar um ensino inovador. Estas atividades serviram para despertar o interesse pelos alunos e aproximar a física da realidade deles.

## A avaliação do método

A avaliação do método de EA ocorreu através das discussões ocorridas no ultimo encontro (11º), através dos planos de aula produzidos, dos relatórios das atividades e das dissertações avaliativas, sendo os dois últimos produzidos pelos licenciandos que participaram das atividades. Durante as atividades de EA foi percebida a modificação dos planos de aula dos alunos participantes durante as atividades ordinárias do ES. Estes planos passaram a buscar uma participação mais

ativa dos estudantes da escola a não mais apenas a transmissão de conteúdos. Então, podemos afirmar que ocorreu um desenvolvimento relevante nos futuros professores, pois estes passaram a utilizar as características da turma para planejar as aulas. Os planos de aula deixaram de ser de caráter transmissivo, baseado apenas no livro texto.

Os licenciandos se envolveram mais com os professores das escolas e com a classe, como um todo. Este tempo maior vivenciado junto a estes lhes permitiu um maior envolvimento entre os licenciandos, os alunos e também os professores em serviço, tornando o período de estágio mais agradável e frutífero.

Durante o processo de EA foi evidenciada a necessidade de estudo antes de ensinar os assuntos nas escolas. Os futuros professores, já perto do final da licenciatura em física, apresentaram alguns mal-entendidos com conceitos simples e também falta de confiança para ensinar conteúdos básicos. O trabalho coletivo embora, por vezes, seja complicado de se chegar a um consenso, mas mostrou como vantagem a catálise de mudanças e oferta de diferentes pontos de vista, tal como ocorre no ambiente da sala de aula. Os licenciandos ficaram satisfeitos com os resultados, mesmo um período tão curto. Para eles seria importante que essas atividades ocorressem ao longo de suas trajetórias profissionais.

## Conclusões

O estudo de aula na formação de futuros professores de física mostrou-se uma estratégia formativa interessante. Durante o processo foi verificado que os licenciandos apresentavam um embasamento teórico frágil em conteúdos básicos como movimento e ondas. As atividades de estudo em grupo nos forneceu um bom resultado, pois os futuros docentes superaram as dificuldades e passaram a ter um maior domínio dos conteúdos trabalhados.

Os planos de aula construídos coletivamente foram simples, porém, os resultados obtidos nas escolas enfatizaram que estes foram eficientes naquilo que propuseram. Nas escolas, os estudantes participaram mais e compreenderam melhor a física porque este conteúdo tornou-se mais próximo da realidade deles.

Embora os licenciandos (e também os professores das escolas) não tivessem o hábito de trabalhar coletivamente, durante os encontros de EA ocorreu a participação efetiva destes no estudo, planejamento e discussões das atividades realizadas nas escolas. As atividades de EA proporcionaram uma reflexão real sobe a ação docente na prática em uma escola pública e enfatizou a importância do plano de aula nesta ação.

Baseados nestes fatos, podemos afirmar que o estudo de aula é uma metodologia interessante e viável para preparar os futuros professores de física em programas educacionais, ao menos no contexto investigado. Quando a aula é planejada visando a aprendizagem do aluno, faz-se necessário saber quem são esses alunos e o que eles levam para a escola. Este foi o ponto de partida para executar lições que atingiram mais facilmente os objetivos planejados. Desta forma, esperamos, em um futuro próximo, possibilitar que os licenciandos participem de um maior número de ciclos de EA. Desta forma acreditamos que estes terão mais oportunidades para que possam se desenvolver mais enquanto profissionais.

## Referências

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