O Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física: um estudo sobre a relação entre a formação do orientador e a qualidade da articulação do referencial teórico no produto educacional.
Estevão Luciano Quevedo Antunes Júnior, Nathan Willig Lima, Cláudio José De Holanda Cavalcanti, Fernanda Ostermann
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XVII
- Ano
- 2018
- Data
- 31/08/2018
- Linha de pesquisa
- Co-28 Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
O Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física: um estudo sobre a relação entre a formação do orientador e a qualidade da articulação do referencial teórico no produto educacional.
THE NATIONAL PROFESSIONAL MASTER IN PHYSICS TEACHING: A STUDY ABOUT THE RELATION BETWEEN THE ADVISER'S EXPERTIZE AND THE QUALITY OF THE ARTICULATION OF THE THEORETICAL FRAMEWORK IN THE EDUCATIONAL PRODUCT.
## Estevão Antunes Júnior 1 , Nathan Willig Lima 2 , Cláudio José de Holanda Cavalcanti 3 , Fernanda Ostermann 4
1 Universidade Federal do Rio Grande do Sul / Instituto de Física, antunes.junior@ufrgs.br 2 Universidade Federal do Rio Grande do Sul / Instituto de Física, lima.nathan@gmail.com 3 Universidade Federal do Rio Grande do Sul / Instituto de Física, claudio.cavalcanti@ufrgs.br 4 Universidade Federal do Rio Grande do Sul / Instituto de Física, fernanda.ostermann@ufrgs.br
## Resumo
Os últimos anos foram caracterizados, no que diz respeito à formação continuada de professores, pelo aumento significativo do número de cursos de Mestrado Profissional em rede nacional, entre eles o Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física (MNPEF). Até a metade de 2017 já eram mais de 200 trabalhos apresentados no âmbito do MNPEF em quase 60 polos espalhados pelo Brasil. Com a finalidade de investigar articulação do referencial teórico pedagógico com os produtos educacionais nesse contexto, consideramos cada dissertação e seu respectivo produto educacional como um enunciado, cuja caracterização foi realizada à luz da filosofia da linguagem de Bakhtin (2010; 2014), utilizando-se como base o dispositivo analítico bakhtiniano de Veneu, Ferraz e Rezende (2015). Os resultados mostram que, respondendo às orientações do programa, a maior parte dos trabalhos minimizam ou desconsideram a articulação do referencial teórico no produto educacional. Tal resultado mostrou-se relacionado ao contexto de produção dos enunciados (contexto extraverbal), principalmente à formação e ao histórico de pesquisa dos orientadores dos trabalhos.
Palavras-chave : Análise bakhtiniana; Filosofia da Linguagem; Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física.
## Abstract
In recent years, the number of professional Master's degrees in a national network has been characterized, in terms of continued teacher training, among them the National Professional Master in Physics Teaching (NPMPT). By the middle of 2017 there were more than 200 concluded thesis in NPMPT from almost 60 poles all over the country. For the purpose of investigating the articulation of the pedagogical theoretical reference with the educational products in this context, we consider each
dissertation and it's respective educational product as one utterance, whose characterization was carried out in the light of Bakhtin's (2010; 2014) philosophy of language, using as basis the analytical Bakhtinian device of Veneu, Ferraz and Rezende (2015). The results show that, in response to program orientations, most of the studies minimize or disregard the theory and teaching methodologies articulation of the theoretical framework in the educational product. This result can be related to the context of the production of the utterances (extraverbal context), mainly to the formation and research history of the student's advisors.
Keywords : Bakhtinian analysis; National Professional Master in Physics Teaching; Philosophy of Language.
## Breve contextualização
Desde a virada do século, muitas políticas públicas têm incentivado a criação de cursos de pós-graduação na modalidade profissional, principalmente, por serem uma possibilidade mais fácil para a capacitação profissional, tais como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (BRASIL, 1996), com revisões feitas pela Lei n. 13.415/2017 (BRASIL, 2017) e o Plano Nacional da Educação (BRASIL, 2014). Essa postura governamental ajudou a fazer com que hoje existam muito mais cursos na modalidade profissional do que na modalidade acadêmica no que diz respeito ao Ensino e/ou Educação em Ciências (EEC). Por conta disso, surgiram programas de Mestrado Profissional (MP) em rede, que têm como característica espalhar polos pelo Brasil que respondam às mesmas orientações centrais.
- O Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física (MNPEF) começou no ano de 2012 a partir de uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Física (SBF) como um programa de MP em rede e com o intuito de ampliar a formação em nível de pós-graduação para professores de Física, missão que já vinha sendo cumprida, mas em menor escala, por muitos programas institucionais de Mestrados Profissionais em Ensino (MPEs). O MNPEF objetiva, entre outras coisas, 'capacitar em nível de mestrado uma fração muito grande de professores da Educação Básica quanto ao domínio de conteúdos de Física' (MOREIRA et al., 2016, p. 3).
- A Sociedade Brasileira de Física (SBF) esteve à frente de sua criação, atraindo nomes conhecidos da área de Ensino de Física na comissão de pósgraduação com o objetivo de implementar um programa de formação em larga escala para professores em nível de pós-graduação stricto-sensu . Sua estrutura está fortemente baseada no MP em Ensino de Física (MPEF) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que foi o primeiro programa de MP em Ensino de Física do Brasil.
Diferenciando-se do programa pioneiro, o MNPEF adota como perspectiva curricular a ênfase no conteúdo de Física em detrimento de uma formação mais sólida no que diz respeito ao pedagógico e/ou epistemológico. No âmbito dessa ênfase conteudista, o MNPEF aponta a Física Moderna e Contemporânea (FMC) como um campo a ser abordado na educação básica, uma vez que 'não se ensina nada de Física Moderna e Contemporânea' (SBF, 2015) no Ensino Médio.
Por ser um curso novo, até pouco tempo não havia muitas informações sobre os resultados dessa proposta curricular, tanto que Villani (2016) alegou que não era possível, à época, expressar conclusões sobre o MNPEF, porque não
existiam resultados de pesquisa suficientes, nem dissertações resultadas desse programa, disponíveis para fazer essa análise. Mais recentemente, até a metade do ano de 2017, já eram mais de 200 dissertações e produtos educacionais apresentadas no âmbito do MNPEF e mais de 60 polos vinculados à rede nacional espalhados pelo Brasil.
- O objetivo desta pesquisa é investigar esse conjunto de dissertações e produtos educacionais 1 , que na análise serão interpretados como enunciados, no que diz respeito, principalmente, à formação dos orientadores e seus históricos de pesquisa. À luz da filosofia da linguagem de Bakhtin (2010; 2014) e a partir da utilização do dispositivo analítico bakhtiniano (VENEU; FERRAZ; REZENDE, 2015) buscamos as respostas e direcionamentos desses trabalhos.
## Filosofia da Linguagem de Bakhtin
A filosofia da linguagem bakhtiniana se coloca como uma visão de mundo que pode fundamentar métodos de análise discursiva que toma o enunciado como unidade básica da língua. Essa filosofia leva em conta que um enunciado é a real unidade da comunicação, sendo concreto e único. Cada enunciado possui uma delimitação bem determinada, que é caracterizada pela alternância de sujeitos discursivos. Para Voloshinov (1930), um enunciado é um elemento composto de uma parte verbal e uma parte extraverbal, em que a parte verbal é materializada, na forma oral ou escrita, enquanto a extraverbal carrega o contexto em torno do ato de fala que produziu o enunciado.
Ainda, segundo Bakhtin (2010), um enunciado é repleto de vozes que podem ser veiculadas por ele. Um enunciado concreto carrega consigo ao menos duas vozes: a voz do locutor e do ouvinte. Relacionadas a essas estão a voz responsiva - porque um enunciado sempre responde a enunciados anteriores - e a voz diretiva - pois todo enunciado se direciona a um posterior destinatário (real ou presumido), tentando antecipar uma possível resposta. Assim, o conceito de voz é entendido como a visão de mundo adotada pelo locutor ao proferir o enunciado.
Para Bakhtin (2010), 'qualquer enunciado considerado isoladamente é, claro, individual, mas cada esfera de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados, sendo isso que denominamos gêneros do discurso' (p. 279 - grifo do autor). Os gêneros discursivos são caracterizados, em resumo, por três aspectos; são eles: o conteúdo temático, o estilo e a estrutura composicional. Desta forma, um conjunto de enunciados, relativamente estáveis e que reproduzam um padrão no que diz respeito a esses três fatores, podem ser considerados do mesmo gênero do discurso.
Desta forma, uma dissertação (ou trabalho de conclusão) pode ser encarado como um enunciado concreto, constituído pela produção verbal inserida em um contexto extraverbal. Esses enunciados veiculam vozes oriundas de perspectivas teóricas e ideológicas às quais o enunciador se alia e que precisam ser desnaturalizadas. Se considerarmos o conjunto de enunciados como relativamente estáveis, podemos considerar que todos pertencem ao mesmo gênero discursivo,
permitindo, assim, que a caracterização desse gênero traga informações importantes do conjunto de enunciados.
## Metodologia
Adotamos a análise discursiva na perspectiva da escola russa, que será expressa nesse trabalho por meio do dispositivo analítico bakhtiniano (VENEU; FERRAZ; REZENDE, 2015). Uma possível representação para o dispositivo analítico bakhtiniano está representado na figura 1.
Figura 1 - Representação esquemática do dispositivo analítico.
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Fonte: VENEU; FERRAZ; REZENDE (2015, p. 141)
A primeira etapa, de forma resumida, pode ser caracterizada pela alternância de sujeitos, uma vez que 'o enunciado inicia-se no momento em que o falante toma a palavra para si e finaliza-se no momento em que este termina o que gostaria de dizer, permitindo que o outro também fale' (VENEU; FERRAZ; REZENDE, 2015, p. 150). A etapa 2 é constituída pela leitura prévia das enunciações a partir da busca de uma relação com os conceitos da teoria pertinentes à pesquisa. A terceira etapa consiste na investigação do contexto a fim de delimitar quais dos infinitos elementos extraverbais serão importantes para a proposta de análise. É importante deixar claro, também, que o contexto extraverbal pode ser tão extenso quanto o analista queira. A etapa 4 consiste na análise do enunciado, que abarca a interrelação entre os conceitos bakhtinianos, as questões de pesquisa e os elementos linguísticos (verbais e extraverbais). Na nossa análise, a última etapa do processo é utilizada de forma a complementar a interpretação dos dados à luz da metalinguística bakhtiniana, uma vez que a análise bakhtiniana propriamente dita exige uma apropriação textual que se torna impossível para um número muito alto de enunciados, mas viável para algumas amostras. Sendo assim, o círculo de Bakhtin servirá de método de análise para entender de que forma o conjunto de enunciados interage com o contexto de formação.
## Análise
Os nossos resultados foram obtidos a partir do dispositivo analítico bakhtiniano, baseado em Veneu, Ferraz e Rezende (2015), ainda que algumas modificações tenham sido necessárias, uma vez que a análise bakhtiniana propriamente dita exige uma leitura minuciosa de cada um dos enunciados.
## Identificação e delimitação do enunciado
Até a metade de 2017 foram apresentadas 218 dissertações, mas 13 delas não estavam disponíveis para download no sistema da SBF 2 ou no site do polo, ainda que algumas informações online estivessem disponíveis, como o título da dissertação e o nome do autor. Dos 205 restantes, 12 não estavam com o produto educacional disponível, o que limitou a análise em 193 enunciados completos, ou seja, dissertação e produto.
Nesses enunciados, buscamos informações sobre a instituição (polo), formação inicial do autor, formação e produção acadêmica do orientador, natureza do produto educacional, públicos para a aplicação do produto, conteúdo de Física, referencial teórico/pedagógico, articulação do referencial teórico com o produto educacional e modalidade administrativa da instituição de aplicação do produto.
## Leitura preliminar dos enunciados
Levando em conta as 205 dissertações disponíveis, seria impossível uma leitura detalhada de todas, o que limita essa etapa a uma leitura preliminar de modo a fundamentar um estudo sobre a caracterização do conjunto de enunciados que consistiu primeiramente em um levantamento de atributos dos trabalhos e associações entre eles, aspectos importantes para que se possa delinear o contexto extraverbal.
- O conjunto de enunciados apresenta um padrão no que diz respeito ao estilo, à estrutura composicional e ao conteúdo temático. Cada um dos enunciados apresenta o mesmo estilo de enunciação, ou seja, o estilo acadêmico e tentando responder às exigências formais de escrita de uma dissertação. Quanto à estrutura composicional percebemos o mesmo, justamente por apresentarem a mesma organização e responderem às exigências do programa, anexando o produto educacional, em praticamente todos os trabalhos, no mesmo arquivo da dissertação. Já o tema, em termos gerais, pode ser considerado semelhante, pois há forte ênfase no conteúdo de Física, ainda que cada trabalho aborde um conteúdo específico diferente.
## Contexto extraverbal
- O contexto extraverbal, por poder ser tão grande quanto se queira, ou seja, deve ser delimitado. Para esse trabalho, escolhemos delimitar o contexto de produção dos enunciados a partir do currículo do curso e dos históricos de pesquisa dos membros da comissão e do conselho de pós-graduação do MNPEF.
- O currículo apresenta uma carga de disciplinas de conteúdo específico de Física bastante elevada, tanto que a carga horária das duas únicas disciplinas obrigatórias que se direcionam às formações pedagógica e epistemológica soma a mesma carga horária de uma das três disciplinas de Física curriculares obrigatórias. Isto é, enquanto a formação pedagógica e/ou epistemológica é contemplada com 60 horas obrigatórias, as disciplinas de Física têm 240 horas (MOREIRA, et al, 2016, p.
4).
Sobre os membros do conselho do MNPEF, pelo menos dois dos oito membros que têm os nomes disponíveis no site do programa nunca publicaram na área de Ensino de Física e pelo menos a metade da comissão de pós-graduação não possui publicações expressivas (pelo menos três) na área de Ensino de Física. Essa verificação nos permite prever que o perfil dos orientadores dos trabalhos seja parecido, uma vez que o programa não vê necessidade de uma formação na área de EEC ou um histórico de pesquisa nessa área para que um pesquisador se insira como orientador do curso, visto que parte dos regulamentadores do programa não segue esse perfil.
## Análise do conjunto de enunciados
Começando a análise a partir dos orientadores nos polos e levando em consideração os 208 trabalhos apresentados no contexto do MNPEF em 19 polos espalhados pelo Brasil, encontramos que mais de 85 por cento dos trabalhos foram orientados por orientadores sem formação na área de EEC, dos quais pouco mais de 60 por cento destes tiveram orientadores sem publicações expressivas nessa área. Esses números, associados ao contexto extraverbal, nos permitem concluir que o conjunto de enunciados busca responder às orientações do programa, uma vez que o perfil dos orientadores dos trabalhos segue o perfil da comissão e do conselho geral do MNPEF.
No que diz respeito à articulação do referencial teórico no produto educacional, observamos que a ocorrência de trabalhos desarticulados com o referencial teórico é bastante grande. O gráfico apresentado na figura 2 nos ajuda a observar alguns padrões interessantes.
Figura 2 - Articulação do referencial teórico com o produto educacional desenvolvido, considerando cada categoria relativa ao orientador.
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Fonte: Elaborado pelos autores (2017).
Legenda: desart : referencial teórico desarticulado com o produto (muito pouco ou nenhum elemento da teoria do autor foi encontrado na elaboração desse produto); mal\_art : referencial teórico mal articulado com o produto (alguns elementos da teoria aparecem no produto, mas sem interferir
diretamente na aplicação); bem\_art : referencial teórico articulado com o produto (o referencial teórico aparece como parte importante do produto educacional, direcionando a intervenção didática); sem\_rt: trabalhos sem referencial teórico; indisp : produto indisponível; osf : orientador sem formação e sem publicações na área de EEC; osf\_d : orientador sem formação na área de EEC, mas com publicações expressivas em trabalhos de desenvolvimento; osf\_p : orientador sem formação na área de EEC, mas com publicações expressivas em trabalhos de pesquisa; ocf\_p : orientador com formação na área de EEC e com publicações expressivas em trabalhos de pesquisa; lattes\_ind : currículo Lattes indisponível.
É importante ressaltar que 23 trabalhos não apresentam referencial teórico para fundamentar a intervenção didática na dissertação, o que pode indicar que boa parte dos alunos-professores, e até mesmo seus orientadores, privilegiam o conteúdo específico em detrimento da articulação da fundamentação teórica. Quanto aos trabalhos que têm um referencial teórico para fundamentar a intervenção didática, observamos que 98 têm esse referencial desarticulado e 40 com referencial mal articulado.
Podemos perceber que, quanto maior é a proximidade do orientador com a pesquisa na área de EEC ( ocf\_p ou osf\_p ), menor é a disparidade entre desart e mal\_art ou bem\_art , o que pode representar que esses orientadores não respondem às orientações do programa, uma vez que devem considerar o referencial teórico importante para a construção de um produto educacional, em dissonância com as tendências curriculares do MNPEF.
Assim, fica claro que há uma relação entre a formação do orientador e a qualidade da articulação do referencial teórico no produto educacional. Além disso, nota-se claramente que a maioria dos orientadores não possui formação e produção acadêmica na área EEC. Esse é um atributo importante do contexto extraverbal e que ajuda a desvelar o viés com que o MNPEF foi criado e como vem sendo gerido.
## Considerações finais
Percebemos que a formação e o histórico de pesquisa dos orientadores interferem no direcionamento e na responsividade do conjunto de enunciados, uma vez que o referencial teórico ganha mais importância nos trabalhos na medida em que os orientadores têm maior contato com a pesquisa na área de EEC. Podemos dizer, portanto, que não considerar devidamente resultados de pesquisa publicados na literatura recente da área de EEC (não apenas no Ensino de Física) e a experiência de pesquisadores dessa área é um sério equívoco. A área de Ensino de Física foi e ainda é tratada como um apêndice da Física, reforçando visões bastante retrógradas e equivocadas, que estão na contramão de perspectivas avançadas que defendem a importância da produção de conhecimento em áreas interdisciplinares. Ainda que o conhecimento produzido até o momento na pesquisa em ensino de Física esteja ancorado à Física, essa área é, sem dúvida, um campo de conhecimento autônomo e que há anos desfruta de uma identidade própria forjada na interface entre as ciências humanas e as ciências da natureza.
## Referências
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.