A CRIAÇÃO DE MATERIAIS PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS NA REALIDADE INCLUSIVA: PRINCÍPIOS E FUNDAMENTAÇÃO
Frederico A. O. Cruz, Maria Da Conceição Barbosa-Lima, Ângela Maria Dos Santos, Yuri Expósito Nicot, Paulo Simeão De Carvalho
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XVII
- Ano
- 2018
- Data
- 30/08/2018
- Linha de pesquisa
- Co-18 Equidade, Inclusão, Diversidade E Estudos Culturais E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do EPEF 2018
Texto completo
## A CRIAÇÃO DE MATERIAIS PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS NA REALIDADE INCLUSIVA: PRINCÍPIOS E FUNDAMENTAÇÃO
## THE CREATION OF MATERIALS FOR TEACHING OF SCIENCES IN INCLUSIVE REALITY: PRINCIPLES AND FOUNDATION
Frederico A. O. Cruz , Maria da Conceição Barbosa-Lima , Ângela Maria dos 1 2 Santos 3 , Yuri Expósito Nicot , Paulo Simeão de Carvalho 4 5
1 UFRRJ/Departamento de Física; UP/FCUP/IFIMUP, frederico@ufrrj.br
2 UERJ/DFAT, IOC/Fiocruz, UP/FCUP/IFIMUP, mcablima@uol.com.br 3 IFPR/Campus Curitiba, angela.dossantos@ifpr.edu.br 4 UFAM/Departamento de Física, yexposito@yahoo.es 5 UP/FCUP/IFIMUP, psimeao@fc.up.pt
## Resumo
Neste trabalho sugerimos os passos que julgamos fundamentais para preparar materiais didáticos e suas respectivas metodologias para que possam ser utilizados no ensino de alunos que possuem necessidades educacionais específicas como: a deficiência intelectual, as com condições de condutas típicas, como a síndrome de Asperger e o autismo, as deficiências sensoriais e a deficiência física, como, por exemplo, os alunos com paralisia cerebral. Estes materiais, que podem ser os objetos utilizados no ensino de certa componente curricular, fazem parte da tríade composta por: método, técnica e estratégia de abordagem, utilizadas pelo professor. No entanto, devido à complexidade existente na formação desses alunos, são necessárias algumas adaptações nesses materiais para que possam servir de apoio ao professor e contribuir diretamente com a formação dos alunos. Concluímos afirmando que para uma educação de qualidade, considerando o aspecto da criação de materiais pedagógicos, um professor deve estar disposto a planejar, formar-se continuamente, trabalhar em grupo, saber reconhecer e trabalhar com as diferenças para poder criar materiais que sejam de qualidade e principalmente úteis no processo de auxílio à inclusão e ao conhecimento.
Palavras-chave : Materiais didáticos; Necessidades Educacionais Especiais; Ensino de Ciências; Metodologia.
## Abstract
In this work we suggest the steps that we consider fundamental to prepare didactic materials and their respective methodologies so that they can be used in the teaching of students that have specific educational needs as: intellectual deficiency, those with typical behavioral conditions, such as Asperger syndrome and autism, sensory impairments, and physical disability, such as students with cerebral palsy. These materials, which may be the objects used to teach a certain curricular component, are part of the triad composed by: method, technique and approach strategy used by the teacher. However, due to the complexity in the training of these
students, some adaptations are necessary in order to support the teacher and contribute directly to the training of the students. We conclude by stating that for a quality education, considering the creation of pedagogical materials, a teacher should be willing to plan, to train continuously, to work in groups, to know how to recognize and work with differences in order to create materials that are of quality and especially useful in the process of inclusion and knowledge.
Keywords : Teaching materials; Special Educational Needs; Science teaching; Methodology
## Introdução
O grande desafio proposto para a escola atual é que ela seja um embrião para as mudanças necessárias na sociedade, isto é, que possam ser desenvolvidas as bases da convivência e da aprendizagem de forma mais produtiva e igualitária. Dentro desta visão, esse espaço deve ser organizado de tal forma que os diferentes atores possam se desenvolver de forma colaborativa e integrada. No entanto, hoje, vivemos numa época onde complexidade e heterogeneidades da estrutura social exigem que o espaço escolar seja capaz de garantir os direitos de uma educação de qualidade para todos os alunos.
Essa visão tem estado presente em muitas discussões sobre o direito à escolarização em várias partes do mundo, devido ao aumento da desigualdade social promovida pelos recentes conflitos em algumas regiões do planeta e pela crise econômica que tem atingido vários países do mundo, desde o início do século XXI.
- O advento dessas duas realidades tem produzido condições de vulnerabilidade social de muitos jovens que, independentemente da região do planeta onde eles estão localizados, apresentam, em maior ou menor grau, as seguintes características em comparação com aqueles em condições consideradas ideais (CONSIDINE & ZAPPALA, 2002): níveis mais baixos de alfabetização, menores taxas de participação no ensino superior, menor propensão em estudar matemática e ciências, menor sucesso na transição da escola para o mercado de trabalho.
Os números desse desequilíbrio têm provocado alterações sociais que precisam ser enfrentadas de forma meticulosa. Para compreender o desafio atualmente existente é importante avaliar os números da pobreza pelo mundo. No continente europeu, por exemplo, no ano de 2015, existiam entre os vinte e oito países pertencentes à União Europeia (UE28) cerca de 120 milhões de pessoas em situação de pobreza e de exclusão social, isto é, quase 24% da população europeia (EUROSTAT, 2016). Na África Subsaariana, mais de 40% da população encontra-se em extrema pobreza e no continente americano a situação não é diferente. Avaliando os dois países com maior população nessa região verificou-se que no Brasil, em 2010, o número de pessoas em estado de vulnerabilidade representava aproximadamente 33% da população (PNUD, 2013) e nos Estados Unidos, país detentor da maior economia do mundo, em 2015, o percentual da população estadunidense nessa condição foi de aproximadamente 15% (PROCTOR et al., 2016). Assim e apenas considerando esses dois países do continente americano, quase 115 milhões de pessoas não possuem condições mínimas de vida.
As condições financeiras são um elemento fundamental na aprendizagem dos alunos, pois que em regiões mais pobres, as médias globais de sucesso escolar são menores do que as de regiões mais abastadas (CRUZ, 2012) e isso tem impacto direto no aproveitamento dos alunos ao longo do percurso escolar, como, por exemplo, nas sucessivas reprovações.
As retenções em determinadas séries é um problema real, e se tomarmos como exemplo a realidade dos alunos no Brasil, constata-se que a distorção série/idade (DSI) dos alunos em situação menos favorecida economicamente apresenta um índice três vezes maior de não progressão de forma correta ao longo dos anos de formação na idade considerada ideal (TORRES, 2014, apud, DIAS & CRUZ, 2016). Esse baixo rendimento resultará, posteriormente e pelo atraso existente, em dificuldades para a continuidade no espaço escolar e consuma-se na evasão desses alunos.
Se as condições econômicas já apresentam grandes desafios, outro cenário que se denota igualmente difícil está relacionado com o encontrar condições para apoiar e possibilitar o desenvolvimento educacional das pessoas com deficiência em idade escolar.
De acordo com estimativas recentes, 15% da população mundial tem algum tipo de deficiência (BANKS e POLACK, 2014), sendo as mais comuns: a deficiência intelectual, as com condições de condutas típicas como o síndrome de Asperger e o autismo, as deficiências sensoriais e a deficiência física, como, por exemplo, os indivíduos com paralisia cerebral. Acresce a este número o das pessoas que, sem aparentar uma deficiência clinicamente diagnosticada, apresentam contudo baixos níveis de performance intelectual e consequentemente, competências de trabalho muito limitadas. A realidade presente para todos esses cidadãos é mais complexa quando, além de algumas das deficiências citadas, eles não estão em uma condição econômica que lhes permita ter um desenvolvimento amplo nos diversos campos da vida. Infelizmente ainda existe, na sociedade em geral, a crença de que pessoas pobres são inaptas para a realização de tarefas (PATTO, 1991), incluindo os estudos. Assim, pouco é realizado de fato e a realidade é que se nada for feito, o resultado é que haverá um ciclo ininterrupto de pobreza e deficiência, que não permitirá os avanços necessários para a melhoria da vida dessas pessoas (figura 1).
Figura 1: Ciclo de pobreza e deficiência (adaptado de BANKS & POLACK, 2014).
<!-- image -->
Contudo, além dos alunos já referidos, existem também aqueles em situações econômicas confortáveis que não se encontram nas escolas ditas regulares. Muitos deles estão 'guardados' em suas casas por vergonha da família em expô-los ao público (devido ao estigma social, imposto pela própria família e/ou pelos outros), enquanto outros frequentam escolas especializadas, em que têm contato apenas com seus pares, o que dificulta as suas socializações e independência na falta de seus cuidadores, posto que não são preparados para o mundo de relações e de trabalho.
A grande questão é como possibilitar o desenvolvimento de todos os alunos presentes nas escolas, quando existe uma grande diversidade de deficiências e de condições econômicas que dificultam o trabalho dos professores durante a exposição dos temas propostos nas disciplinas em que eles são responsáveis.
Neste trabalho iremos sugerir passos que julgamos fundamentais para preparar materiais e suas respectivas metodologias, para que possam ser utilizados no ensino de alunos em condições de vulnerabilidade e que possuem necessidades educacionais específicas para a sua aprendizagem.
## Materiais Didáticos
Os materiais didáticos, que podem ser compreendidos como os objetos utilizados no ensino de certa componente curricular, fazem parte da tríade 'método', 'técnica' e 'estratégia de abordagem', utilizadas pelo professor. Esses materiais podem ser divididos em três grupos bem definidos: materiais impressos, onde estão incluídos os livros, apostilas e manuais, materiais audiovisuais, separados em três subgrupos que são os visuais, auditivos e os audiovisuais, e materiais com novas tecnologias, que fazem uso de dispositivos digitais tais como tablets e smartphones (BANDEIRA, 2008; FREITAS, 2009).
No caso específico dos livros didáticos, é interessante lembrar que na maior parte das vezes ele é o único apoio do professor e nem sempre é devidamente aproveitado pelos alunos (OLIVEIRA, 2014). Nos dois outros grupos estão basicamente os elementos que hoje compõem as tecnologias de informação e comunicação (TIC) que têm ganhado cada vez mais espaço no ambiente escolar.
No entanto, devido à complexidade existente na formação dos alunos com algum tipo de deficiência, são necessárias algumas adaptações nos materiais didáticos existentes para que possam servir de apoio ao professor e contribuir diretamente para a formação dos alunos. Dessa forma, é importante que esses recursos possam ser construídos com a vertente da Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), onde possam ser utilizados pelo menos três elementos (BEUKELMAN e MIRENDA, 2005):
- Símbolos: estão incluídos aqui os gestos e sinais usados para comunicação de pessoas com deficiência auditiva, como é o caso da Língua Gestual Portuguesa e da Língua Brasileira de Sinais, e da semantografia utilizada por pessoas com dificuldade de oralização;
- Recursos de manipulação: aqui se incluem as pranchas de comunicação, os software interativos e experimentos que auxiliam na aprendizagem;
- Elementos lúdicos: nesse grupo estão os jogos de tabuleiro, as atividades de expressão como as imitações e as mímicas, os jogos de perguntas e respostas mediados por TIC.
No que diz respeito aos materiais voltados a atender os alunos por meio da Comunicação Alternativa e Aumentativa (CAA), é importante levar em conta as capacidades que cada um deles possui nos quesitos de leitura e escrita. Além disso, na construção de materiais que possibilitem um maior auxílio, seja em casos de alunos com algum tipo de deficiência, ou mesmo para um processo mais amplo de inclusão escolar, é imprescindível que se tenha em consideração os aspectos do desenho universal, que é um conceito necessário que deve ser pensado para que o uso dos materiais desenvolvidos seja contemplado para a maior quantidade possível de pessoas.
Na Conferência Internacional sobre Desenho Universal, ocorrida em 2004, assinou-se uma carta que definia os propósitos do Desenho Universal, como sendo. (RAINS, 2004):
Atender às necessidades e viabilizar a participação social e o acesso aos bens e serviços à maior gama possível de usuários, contribuindo para a inclusão das pessoas que estão impedidas de interagir na sociedade e para o seu desenvolvimento. Exemplos destes grupos excluídos são: as pessoas pobres, as pessoas marginalizadas por sua condição cultural, racial, étnica, pessoas com diferentes tipos de deficiência, pessoas muito obesas e mulheres grávidas, pessoas muito altas ou muito baixas, inclusive crianças, e outras, que por diferentes razões são também excluídas da participação social.
Assim, considerando a necessidade de inclusão, é imprescindível que ao construir meios de comunicação mais abrangentes e úteis para o processo de ensino e aprendizagem, seja considerado o aspecto do desenho universal, isto é, materiais e processos didáticos que sejam, efetivamente, de utilização de todos os envolvidos no processo e não apenas de uma parte dos estudantes, sejam eles com ou sem necessidades específicas.
Ao desenvolver materiais educativos que possibilitem o processo de inclusão escolar, é necessário, também, pensar nas diferentes etapas de aprendizagem, porque, mesmo que estejam em nível escolar igual e com alunos de mesma idade, os aspectos psicológicos e cognitivos podem ter etapas muito diferenciadas. Assim, a Teoria da Equilibração (PIAGET, 1997), que indica os momentos de assimilação, acomodação, perturbação, compensação e equilibração, devem ser levadas em consideração, pois cada material confeccionado pode gerar, num determinado momento, uma etapa no processo de aprendizagem dos estudantes.
## Etapas para o Desenvolvimento de Materiais
A elaboração de um material didático surge da necessidade, por parte do professor, de ensinar a seu aluno um conteúdo e uma vez definido o que vai ser produzido, o próximo passo é identificar quem vai produzir e como vai se produzir. Aqui o coletivo metodológico de professores da escola ou região e a condição de multidisciplinaridade, joga um papel importante nesta escolha dos autores dos conteúdos. É também nesse momento que serão definidos se será um autor ou um conjunto de autores por disciplina, bem como se estes serão internos ou externos ao local onde este material será utilizado.
No dia a dia da elaboração do material didático é que se pode perceber mais claramente que muitas dessas etapas ocorrem simultaneamente e outras dependem fortemente das estratégias e decisões metodológicas tomadas pelos professores. Uma vez que a aprendizagem é humana e social, mas se processa nos indivíduos de modo diferente em virtude dos modos pelos quais as experiências humanas são vividas nos contextos educacionais (PAIN, 1985), os professores têm o papel de mediadores de sinais, de símbolos e de códigos, com os materiais didáticos sendo os portadores ou facilitadores de códigos a serem apropriados pelos alunos.
Nesta perspectiva, não são só os professores que transmitem conhecimentos, mas por meio de toda a estruturação didática facilitam a apreensão dos códigos e, para isso, devem utilizar métodos que possibilitam a assimilação do conteúdo pelos alunos. Para desenvolver esse processo de facilitação dos códigos é preciso que o professor domine não apenas o universo dos símbolos que compõe o saber de sua área, mas também saber como se pode facilitar o acesso e a assimilação dos códigos. Além disso, precisa conhecer como se processa a apreensão do conhecimento pelo ser humano, isto é, compreender como uma pessoa aprende, como funcionam os processos de aquisição do conhecimento e que variáveis interferem neste apreender. Esse repertório de saberes pedagógicos deve ser parte constitutiva dos saberes profissionais docentes.
Os materiais didáticos fazem parte do quotidiano dos estudantes, mas sabese que muitas vezes esses instrumentos, encontrados nas escolas, provêm de lugares tão distantes que condizem pouco com as suas realidades.
Quando o professor busca construir um recurso educativo, ele deve compreender que os materiais didáticos serão mediadores de aprendizagem e dentro desse contexto, devem ser construídos de modo reflexivo e provocativo, propiciando aprendizagens múltiplas, tanto para o docente quanto para o aluno.
Assim, podemos dizer que o processo de desenvolvimento de materiais didáticos para a educação, em especial para atender à necessidade de inclusão de todos os alunos no processo de aprendizagem, envolve uma série de etapas, onde é importante (re)conhecer o perfil do público a ser atingido, tipo de linguagem a ser utilizada, questões financeiras, observação das características do grupo e o que condiciona o uso do material didático, objetivos de aprendizagem, estrutura do conteúdo, tipo de atividade docente e, finalmente, a avaliação, complexidade, linguagem, ritmo e direitos autorais.
A construção que produz a interatividade deve ser estruturada de forma a atender todas as necessidades inerentes aos processos de interação entre o aluno, seu ambiente escolar e com o professor, buscando permitir que aquele sinta-se integrado e incluído no processo de ensino-aprendizagem.
Os materiais didáticos devem sofrer avaliações frequentes e estar em constante aprimoramento. Para tanto, é necessário o envolvimento de múltiplas visões na avaliação. Aqui consideram-se os aspectos relativos ao uso do material (avaliação do objeto), bem como uma análise do contexto no qual o material didático será utilizado e as formas de utilização, além da retro alimentação que nos será oferecida pelos usuários.
Sabe-se que o processo de ensino e aprendizagem possui mais eficácia quando existe uma motivação para a aprendizagem. Como tal, a confecção de materiais para o ensino de ciências, em nosso caso a Física, precisa, antes de
qualquer outro aspecto, ser apelativa, seja por seu grau de estimulação e consequente desejo de solucionar o problema apresentado (SOUZA e CARVALHO, 2017) facilitando na compreensão dos conceitos, sempre trabalhado em grupo pelos estudantes, seja por seu aspecto lúdico. Para que exista uma educação verdadeiramente inclusiva é importante que muitos aspectos tradicionais sejam modificados (CAMARGO, 2012) e que também, os professores passem a ser os mediadores do conhecimento e não apenas os detentores do saber.
Confeccionar materiais para o ensino de ciências físicas, deve levar em consideração vários aspectos em relação ao processo de ensino e aprendizagem, dos quais pode-se citar:
- 1. Qual(is) o(s) conceito(s) a ser(em) explorado(s)?
- 2. Que momentos da teoria da equilibração podem ser avaliados?
- 3. É um material visualmente chamativo?
- 4. É um material de fácil manuseio?
- 5. É um material que possibilita a inclusão de todos os alunos?
- 6. Desenvolve a autonomia?
- 7. É auto explicativo?
- 8. Possibilita o trabalho em grupo e a discussão?
Considerando todos estes aspectos dentro do processo da educação inclusiva, facilita-se o processo de aprendizagem por todos os indivíduos envolvidos na educação, mas principalmente, os das classes menos privilegiadas, onde estão os estudantes que por muito tempo foram excluídos do processo educacional de qualidade, seja por serem segregados social ou economicamente do meio escolar.
## Considerações Finais
Ao buscar a educação inclusiva de qualidade, especificamente na física, é imprescindível que se formem atualmente professores que sejam conhecedores do saber científico, do saber pedagógico e também do saber social e inclusivo. A elaboração de recursos pedagógicos que facilitem o processo de aprendizagem requer além do aspecto científico e conceitual do saber, também o conhecimento dos personagens envolvidos e a necessidade de um maior protagonismo daqueles em todo o processo educativo.
Portanto, para uma educação de qualidade, considerando o aspecto da criação de materiais pedagógicos, um professor ou mediador do conhecimento deve estar disposto a planejar, formar-se continuamente, trabalhar em grupo, saber reconhecer e trabalhar com as diferenças, para poder criar recursos de qualidade e principalmente que sejam úteis no processo de auxílio à inclusão e à aquisição do conhecimento.
## Referências
BANDEIRA, D. Material didático: conceito, classificação geral e aspectos da elaboração , 2008. Disponível em: https://goo.gl/1Zbr9d, Acesso em: 13 jun. 2017.
BANKS, L. M.; POLACK, S. The Economic Costs of Exclusion and Gains of Inclusion of People with Disabilities: Evidence from Low and Middle Income Countries . London: International Centre for Evidence in Disability, 2014.
BEUKELMAN, D.; MIRENDA, P. Augmentative and alternative communication for children and adults . 3º ed. Baltimore: Paul H. Brookes, 2005.
BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência) . Disponível em: https://goo.gl/rSFrCG, Acesso em: 30 jan. 2018.
CAMARGO, E. P. Saberes Docentes para a Inclusão do Aluno com Deficiência Visual em Aulas de Física . São Paulo: Editora Unesp. 2012.
CONSIDINE, G.e ZAPPALA, G. Factors influencing the educational performance of students from disadvantaged backgrounds. In: Eardley, T. and Bradbury, B. (eds). Competing Visions: Refereed Proceedings of the National Social Policy Conference 2001 - SPRC Report 1/02 - Social Policy Research Centre . Sidney: University of New South Wales, p. 91-107, 2002.
CRUZ, F. A. O. Desempenho Educacional e Renda Domiciliar: Análise do Ideb dos Municípios da Baixada Fluminense. Vivências , v. 8, p. 92-99, 2012.
DIAS, A. C. L.; CRUZ, F. A. O. Desenvolvimento humano × defasagem série/idade: o impacto no ensino inclusivo. In: I Seminário do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro , Seropédica (Brasil), 2016.
FREITAS, O. Equipamentos e materiais didáticos . Brasília: Universidade de Brasília, 2009.
OLIVEIRA, J. P. T. A eficiência e/ou ineficiência do livro didático no processo de ensino-aprendizagem. In: IV Congresso Ibero-Americano de Política e Administração da Educação , Porto (Portugal), 2014
PAIN, S. Diagnóstico e Tratamento dos Problemas de Aprendizagem. São Paulo: Editora: Artmed. 1985.
PATTO, M. H. S. A produção do fracasso escolar . São Paulo: T. A. Queiroz, 1991.
PIAGET, J. O diálogo com a criança e o desenvolvimento do raciocínio . São Paulo: Scipione, 1997.
RAINS, S, Desenho Universal para um Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável , 2004. Disponível em: https://goo.gl/5KZwTi. Acessado em: 27 mai. 2017.
SOUZA, L. S.; CARVALHO, A. M. P. Ensino de ciências por investigação: oportunidades de interação social e sua importância para a construção da autonomia moral. Alexandria , v. 10, p. 199-220, 2017.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.