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ATIVIDADE COM GNÔMON ASTRONÔMICO EM UMA COMUNIDADE INDÍGENA: UMA REINTERPRETAÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO PELA CULTURA GUARANI-MBYÁ

Guilherme Bruxel, Alexsandro Pereira, Daniela Borges Pavani

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XVII
Ano
2018
Data
30/08/2018
Linha de pesquisa
Co-18 Equidade, Inclusão, Diversidade E Estudos Culturais E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ATIVIDADE COM GNÔMON ASTRONÔMICO EM UMA COMUNIDADE INDÍGENA: UMA REINTERPRETAÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO PELA CULTURA GUARANI-MBYÁ

## ACTIVITY WITH ASTRONOMIC GNOMON IN AN INDIGENOUS COMMUNITY: A REINTERPRETATION OF SCIENTIFIC KNOWLEDGE BY GUARANI-MBYÁ CULTURE

Guilherme Bruxel 1 , Alexsandro Pereira de Pereira , Daniela Borges Pavani 2 3

1 UFRGS/Licenciatura em Física, guilherme.bruxel@ufrgs.br 2 UFRGS/Departamento de Física, alexsandro.pereira@ufrgs.br 3 UFRGS/Departamento de Astronomia, dpavani@if.ufrgs.br

## Resumo

Este artigo apresenta uma atividade de astronomia desenvolvida junto a uma escola fundamental indígena da rede estadual de ensino, situada em uma aldeia de um município da região sul do país. A atividade consiste na obtenção dos pontos cardeais por meio das sombras da haste de um gnômon astronômico. O objetivo do trabalho é analisar como a comunidade indígena interpreta o conhecimento científico escolar e qual o uso prático que eles fazem desse conhecimento. A ciência escolar foi apresentada como parte de uma cultura estrangeira, com visão de ser humano e natureza e modo de pensar distintos da cultura tradicional, sem reforçar a ideia de que a visão de mundo indígena é primitiva ou menos avançada que a ciência Ocidental. A comunidade indígena apropriou-se do conhecimento científico para aprimorar uma rosa dos ventos construída previamente por eles. Com base nessa atividade, concluímos que: a) o conhecimento científico escolar pode ser ensinado de modo a ter relevância para a vida dos integrantes da aldeia; b) o conhecimento científico escolar pode ser reinterpretado pelos membros da comunidade, à luz de sua própria cultura.

Palavras-chave : Astronomia Cultural, Ensino de Ciências, Comunidades Indígenas

## Abstract

This paper presents an astronomy activity developed in a public indigenous elementary school, located in a village in the southern region of Brazil. The activity consists in obtaining the cardinal points through the shadows of the stem of an astronomical gnomon. The goal of this study is to analyze how the indigenous community interprets school science knowledge and what are the practical uses they make of that knowledge. School science is presented as part of a foreign culture, with view of human and nature and way of thinking distinct from those of traditional culture, without reinforcing the idea that indigenous worldview is primitive or less advanced than that of Western science. The indigenous community has appropriated scientific knowledge to improve a rose of the winds previously built by them. Based on this activity, we conclude that: a) school science knowledge can be taught in a way that is relevant to the life of the members of the village; b) school science

knowledge can be reinterpreted by the indigenous community in the light of their own culture.

Keywords : Cultural Astronomy, Science Education, Indigenous Communities

## Introdução

Na história da constituição do Brasil os povos originários estão entre os que viveram (e ainda vivem) um violento processo de espoliação ao serem afastados de seus territórios de origem e tendo seus direitos permanentemente assediados. Tal processo buscou não somente o afastamento de seus territórios, mas também de suas cosmovisões originais e de seus processos culturais de uma forma geral, com o objetivo de negar identidades e subjugar. Dar voz às identidades culturais desses povos, resgatando e compreendendo suas cosmogonias e cosmologias, bem como as transformações pelas quais as mesmas passaram ao longo de gerações e que estão intrinsecamente ligadas à constituição desses povos, é fundamental para legitimar perspectivas, conhecimentos e promover laços de pertencimento étnicoracial, cultural, religioso ou político.

Em 2001, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) proclamou uma linha de ação na 'Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural', fruto do crescente interesse internacional e da importância dada ao conhecimento tradicional. De acordo com esse documento é necessário

Respeitar e proteger os sistemas de conhecimento tradicionais, especialmente os das populações indígenas; reconhecer a contribuição dos conhecimentos tradicionais para a proteção ambiental e a gestão dos recursos naturais e favorecer as sinergias entre a ciência moderna e os conhecimentos locais. (UNESCO, 2001)

A Astronomia nas Culturas, ou Astronomia Cultural, tem um grande potencial na promoção do resgate de conhecimentos tradicionais, pois ocupa-se das complexas relações entre grupos humanos, percepções, concepções e práticas que envolvem o céu, num sentindo mais amplo. A própria UNESCO aprovou, em 2005, uma iniciativa temática para 'identificar, salvaguardar e promover propriedades culturais conectadas com a Astronomia' (UNESCO, 2010). Para Ruggles e Saunders (1993), a Astronomia Cultural é uma das formas de proporcionar acesso a elementos culturais de populações locais procurando entender o que representam naquele contexto local. O objetivo da Astronomia Cultural é 'distinguir a diversidade das maneiras como cada povo, antigo ou moderno, percebe e interpreta os fenômenos celestes observados e os integra ao seu sistema cultural e referencial de observação - de horizonte ou topocêntrico' (LIMA et al., 2014, p. 90).

É nessa perspectiva que o presente trabalho discute e analisa uma atividade de astronomia elementar desenvolvida junto a uma escola fundamental indígena da região sul do país. Esse estudo é parte de um projeto mais amplo que investiga como ensinar tópicos de Astronomia para crianças e jovens indígenas. A atividade relatada neste trabalho consiste em adquirir as retas Norte-Sul e Leste-Oeste a partir de um gnômon astronômico. Com base em estudos socioculturais e na literatura especializada sobre o ensino de ciências para povos indígenas, nossas questões de pesquisa podem ser formuladas da seguinte forma: 1) como membros dessa aldeia interpretam o conhecimento científico escolar à luz de sua própria cultura? Que relevância ou utilidade prática eles atribuem ao conhecimento científico escolar?

## Perspectivas teóricas para a educação científica para povos indígenas

Os pressupostos teórico-metodológicos que orientam nosso estudo derivam da abordagem sociocultural à Educação em Ciências. Segundo essa abordagem, o aprendizado de ciências está inerentemente vinculado ao contexto social e cultural em que o sujeito está inserido (CARTER, 2008; LEMKE, 2001; O'LOUGHLIN, 1992). Um dos desafios da pesquisa sociocultural é o de superar a tendência em reduzir diferenças culturais a diferenças históricas, isto é, de conceber diferentes crenças e entendimentos como estágios em uma linha evolutiva universal (WERTSCH; DEL RIO; ALVAREZ, 1995). No âmbito da educação científica para povos indígenas, isto significa resistir à tentação de qualificar suas visões de mundo como sendo 'primitivas' ou menos avançadas em relação à ciência ocidental. É preciso focar nas diferenças qualitativas entre as culturas indígena e ocidental e entender que cada uma segue seu próprio caminho evolutivo.

O objetivo da educação científica, nesse contexto, passa a ser o de formar agentes fluentes em múltiplas formas de conhecer, que possam dominar e criticar o conhecimento científico sem sacrificar sua própria cultura (AIKENHEAD, 1997). No entanto, estudos internacionais apontam que estudantes indígenas tendem a ter baixo desempenho nas aulas de ciências devido à falta de relevância que essa disciplina tem em suas vidas (KAWAGLEY; NORRIS-TULL; NORRIS-TULL, 1998), além da assumida superioridade com relação a outras epistemologias. Os saberes indígenas constituem um sistema de conhecimento próprio e não sabemos até que ponto esse conhecimento pode ser compreendido a partir de uma visão de mundo eurocêntrica (BATTISTE, 2002 apud BRAYBOY; CASTAGNO, 2008).

Partindo dessa perspectiva, adotamos no presente estudo um modelo para uma racionalidade de educação científica em sociedades não-Ocidentais, conforme formulado por Masakata Ogawa (1986). Assumimos o pressuposto do autor de que a ciência é um produto da cultura Ocidental e, portanto, constitui uma cultura estrangeira para povos não-Ocidentais. O modelo em questão tem dois elementos centrais: a) a visão de ser humano e natureza; e b) o modo de pensar. O primeiro diz respeito ao modo como a ciência e a cultura tradicional veem o ser humano, a natureza e a relação entre eles. Já o segundo elemento se refere ao tipo de lógica usada por cada uma dessa culturas. Cada uma possui ambos os elementos e é provável que cada um deles esteja em conflito com os elementos da ciência. Desse modo, a ciência só poderá ser assimilada em uma cultura tradicional se ela for relativizada como um elemento da cultura Ocidental.

Assim, as atividades desenvolvidas em nosso estudo devem atender aos seguintes critérios. Primeiramente, elas devem ser apresentadas como pertencentes à cultura 'branca', com suas respectivas visão de ser humano e natureza e modo de pensar. Em segundo lugar, as atividades devem ter alguma utilidade prática para a vida cotidiana dos integrantes da aldeia. Uma vez compreendidos os elementos que constituem a ciência Ocidental, os integrantes da aldeia poderão reinterpretar o conhecimento científico escolar à luz de sua própria cultura, utilizando sua visão de ser humano e natureza e seu modo de pensar. Nas palavras de Ogawa 'eles devem ver a ciência a partir do referencial de sua cultura tradicional. Nunca devem ver sua própria cultura a partir do referencial da ciência, isto é, da cultura ocidental, porque isso significa renunciar à sua identidade'(OGAWA, 1986, p. 117, nossa tradução).

## Delineamento do Estudo

## Descrição dos sujeitos de pesquisa

A Tekoá Pindó Mirim é uma aldeia de terra indígena Guarani-Mbyá, situada na Colônia Itapuã, localizada em um município da região sul do país. A aldeia compreende uma área de 22 hectares, que originalmente sediava uma plantação de eucaliptos, onde 16 famílias Guarani-Mbyá se instalaram a partir de 2000. Hoje cerca de 22 famílias fazem parte da comunidade. A Escola Indígena de Ensino Fundamental Nhamandu Nhemopu'ã foi inaugurada em 2011, erguida onde já funcionava uma pequena sala de aula. Do ponto de vista da comunidade a escola é importante para preparar a juventude para representá-los junto a sociedade, tendo um projeto pedagógico que permita o intercâmbio entre culturas. Seguindo as regulamentações estaduais e federais, a escola é o resultado de uma demanda da própria aldeia e todos os processos pedagógicos e de aprendizagem são discutidos e aprovados pelos membros da comunidade, inclusive a escolha de professores.

A equipe escolar é formada por duas funcionárias Guarani, dois professores Guarani (um com ensino médio e graduação incompleta e o outro com magistério), nove professores não indígenas (um sendo da direção), todos com graduação em sua área de atuação. Por se tratar de uma escola bilíngue, os estudantes têm aulas em Guarani e português. Iniciam sua educação escolarizada a partir dos 4 anos na educação infantil, desenvolvendo a oralidade no português. A partir do 6º ano os alunos são acompanhados pelos professores nas grandes áreas do conhecimento: linguagens seus códigos e tecnologias, ciências e suas tecnologias, ciências naturais e suas tecnologias, matemática e suas tecnologias e valores da língua Guarani pelos professores Guarani. Os estudantes possuem idade de 4 a 35 anos, num total de 15 mulheres e 30 homens (Educação infantil/alfabetização/séries finais/ EJA).

## Descrição da atividade

Após uma reunião do nosso grupo de pesquisa e extensão com a equipe da escola e com a comunidade indígena, foi solicitada, por parte do cacique da aldeia, uma atividade para a obtenção dos quatro pontos cardeais através de um gnômon astronômico. Na aldeia já existia uma representação de uma rosa dos ventos indígena, constituída de uma rocha talhada central e mais quatro rochas indicando os pontos cardeais, conforme mostra a figura 1. A haste do gnômon foi posta verticalmente no chão e colocada próxima da rosa dos ventos indígena. O comprimento da sombra da haste foi marcado com um barbante que conectava o ponto alto do gnômon até o chão, conforme mostra a figura 2.

As marcações foram iniciadas às 10 horas e encerradas às 15 horas, num intervalo de medições próximo de 10 minutos. Quando chegou perto do horário do meio dia solar, diminuímos o intervalo de tempo entre as medições para termos a melhor precisão possível da linha que liga o norte e o sul. No final da atividade, obtivemos a linha norte-sul das marcações feitas no gnômon e marcamos o resultado obtido com uma linha de barbante. Para a obtenção da linha leste-oeste, fizemos sua marcação traçando uma reta perpendicular à primeira reta obtida . 1

Figura 1. Rosa dos ventos construída pelos membros da aldeia.

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Figura 2. Medindo o comprimento das sombras da haste do gnômon.

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## Resultados da atividade

Após a obtenção das linhas norte-sul e leste-oeste com o gnômon, fizemos uma avaliação da orientação da rosa dos ventos previamente construída pelos membros da aldeia. De acordo com o cacique, os quatro pontos cardeais foram

obtidos exclusivamente por meio de observações diretas do movimento do Sol. As medições realizadas pela comunidade são muito próximas das retas obtidas com o uso do gnômon astronômico, conforme mostra a figura 3.

Figura 3. Comparando a rosa dos ventos indígena com as retas obtidas com o gnômon astronômico.

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Esse resultado reforça a ideia de alguns autores de que os povos indígenas possuem uma ciência própria, algo que é chamado na literatura de 'Ciência Nativa' (BRAYBOY; CASTAGNO, 2008). Embora o conhecimento que os índios têm sobre a natureza difira substancialmente do conhecimento produzido pela ciência Ocidental, tal conhecimento tem garantido a sobrevivência desses povos durante anos. Assim, é preciso reconhecer que formas qualitativamente diferentes de pensar e representar o mundo podem existir, sem que uma seja necessariamente considerada verdadeira ou mais avançada do que a outra - uma visão consistente com que alguns autores chamam de heterogeneidade não-genética (WERTSCH, 1991).

Na visita seguinte à aldeia, observamos que a rosa dos ventos construída pela comunidade indígena havia sido revitalizada e reorientada de acordo com as retas obtidas na atividade com o gnômon astronômico. As pedras tinham sido mais bem lapidadas, pintadas e marcadas com os seguintes nomes: Jakairá, na direção norte, Nhamandu na direção sul, Karaí na direção leste, Tupã, na direção oeste e Nhanderú, no centro. Com base em um documentário do professor Germano Bruno Afonso (pioneiro no estudo da etnoastronomia no Brasil), apresentado pelos próprios membros da aldeia em uma de nossas reuniões anteriores com a equipe da escola, identificamos que esses nomes representam deuses na cultura Guarani-Mbyá. A explicação desses deuses pode ser encontrada no seguinte trecho do documentário:

O Norte é Jakairá: deus da neblina vivificante e das brumas que abrandam o calor, é considerado a origem dos bons ventos. O Sul é Nhamandu: deus do Sol e das palavras que representa a origem do tempo e espaço primordial. O Leste é Karaí: deus do fogo e do ruído do crepitar das chamas sagradas. O Oeste é Tupã: deus da água do mar e de suas extensões: das chuvas, dos relâmpagos e dos trovões. Os Guarani-Mbyá, como a maioria das etnias brasileiras utilizam uma região a mais: o zênite, que representa o deus maior Nhanderu. (CUARACY, 2011)

A observação de que os pontos cardeais (e o centro) da rosa dos ventos foram marcados com o nome de deuses da cultura Guarani-Mbyá é consistente com pesquisas internacionais que descrevem a epistemologia de povos indígenas. Em um estudo envolvendo povos nativos do sudoeste do Alaska, por exemplo, Kawagley e colaboradores identificaram que a visão de mundo da cultura Yupiaq é baseada em uma consonância entre os membros da comunidade, a natureza e o mundo espiritual (KAWAGLEY; NORRIS-TULL; NORRIS-TULL, 1998). Partindo das categorias utilizadas nesse trabalho, é fácil perceber como a cultura Guarani-Mbyá difere da ciência Ocidental ensinada na escola em termos da visão de ser humano e natureza e do modo de pensar, já que para a primeira os mundos natural e espiritual são indissociáveis.

## Considerações Finais

Neste trabalho, apresentamos uma reflexão sobre uma atividade de ensino de astronomia realizada em uma escola fundamental indígena situada na região sul do Brasil. Esse trabalho é parte de um projeto mais amplo que visa estabelecer um diálogo entre a ciência Ocidental e a cultura Guarani-Mbyá. O objetivo desse estudo foi avaliar como membros da aldeia interpretam o conhecimento científico escolar à luz de sua própria cultura e qual o uso prático que eles fazem desse conhecimento. Com bases em estudos socioculturais, partimos do pressuposto de que a Ciência é parte de uma cultura estrangeira e, portanto, deve ser relativizada em relação a cultural tradicional. Assim, assumimos que a ciência escolar deve ser ensinada de modo a explicitar sua visão de ser humano e natureza e seu modo de pensar, além de demonstrar relevância para a vida dos integrantes dessa comunidade.

A interação com a escola e com os membros da aldeia nos permitiram concluir que: 1) a comunidade Guarani-Mbyá possui um sistema de conhecimento próprio sobre a natureza (sua Ciência Nativa), que é igualmente legítimo e que tem garantido sua sobrevivência ao longo dos anos; 2) é possível ensinar ciências para sociedades de cultura não-Ocidental de modo que esse conhecimento possa ser relevante para suas práticas culturais diárias; 3) o conhecimento científico pode e deve ser (re)interpretado pela cultura indígena, ampliando seu conhecimento sobre outras culturas (neste caso, a cultura Ocidental), sem a necessidade de sacrificar sua própria identidade. Desse modo, a ciência ensinada na escola estará a serviço dessa comunidade, servindo para legitimar e fortalecer a cultura Guarani-Mbyá.

## Referências

AIKENHEAD, G. . Toward a First Nations Cross-Cultural Science and Technology Curriculum. Science Education , v. 81, n. 2, p. 217-238, 1997.

BRAYBOY, B. M. K. J.; CASTAGNO, A. E. How might Native science inform 'informal science learning'? Cultural Studies of Science Education , v. 3, n. 3, p. 731-750, 2008.

CARTER, L. Sociocultural Influences on Science Education: Innovation for Contemporary Times. Science Education , v. 92, n. 1, p. 165-181, 2008.

CUARACY Ra'angaba - O Céu Tupi-Guarani. Direção: Lara de Campos Velho e Germano Bruno Afonso. Documentários Etnográficos , 2011. Apoio: Iphan/CNFCP.

KAWAGLEY, A. O.; NORRIS-TULL, D.; NORRIS-TULL, R. A. The Indigenous Worldview of Yupiaq Culture: Its Scientific Nature and Relevance to the Practice and Teaching of Science. Journal of Research in Science Teaching , v. 35, n. 2, p. 133144, 1998.

LEMKE, J. L. Articulating Communities: Sociocultural Perspectives on Science Education. Journal of Research in Science Teaching , v. 38, n. 3, p. 296-316, 2001.

LIMA, F. P.; BARBOSA, P. F.; CAMPOS, M.D.; JAFELICE, L. C.; BORGES, L. C. Relações céu-terra entre os indígenas no Brasil: distintos céus, diferentes olhares. In: MATSUURA, O. T. (Org). História da Astronomia no Brasil . 1.ed. Recife, 2014. cap.3, p. 88-130.

O'LOUGHLIN, M. Rethinking science education: Beyond piagetian constructivism toward a sociocultural model of teaching and learning. Journal of Research in Science Teaching , v. 29, n. 8, p. 791-820, 1992.

OGAWA, M. Toward a new rationale of science education in a non western society. -European Journal of Science Education , v. 8, n. 2, p. 113-119, 1986.

RUGGLES, C. L. N.; SAUNDERS, N. J. (1993), Astronomies and Cultures: papers derived from the third Oxford International Symposium on Archaeoastronomy , St. Andrews, UK, September 1990, Colorado: University Press of Colorado.

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WERTSCH, J.; DEL RIO, P.; ALVAREZ, A. Sociocultural studies: history, action, and mediation. In: WERTSCH, J.; DEL RIO, P.; ALVAREZ, A. (Eds.). . Sociocultural studies of mind . New York: Cambridge University Press, 1995. p. 1-34.

WERTSCH, J. V. Voices of the mind: a sociocultural approach to mediated action . Cambridge: Harvard University Press, 1991.

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