Perfil motivacional dos alunos dos cursos de graduação em Física
Larissa Da Cunha Badan Hirota, Nicoly Soares Almeida, Mirella Lopez Martini Fernandes Paiva, Sérgio Ricardo Muniz, Fernando Fernandes Paiva
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XVII
- Ano
- 2018
- Data
- 30/08/2018
- Linha de pesquisa
- Co-17 Formação E Prática Profissional Do Professor De Física / Linguagem E Cognição No Ensino De Física / Equidade, Inclusão, Diversidade E Estudos Culturais E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## PERFIL MOTIVACIONAL DOS ALUNOS DOS CURSOS DE GRADUAÇÃO EM FÍSICA
## MOTIVATIONAL PROFILE FROM UNDERGRADUATE STUDENTS IN PHYSICS
Larissa da Cunha Badan Hirota 1 , Nicoly Soares de Almeida 2 , Mirella Lopez Martini Fernandes Paiva 3 , Sérgio Ricardo Muniz 4 , Fernando Fernandes Paiva 5
- 1 Universidade de São Paulo/Instituto de Física de São Carlos, larissa.badan@usp.br
- 2 Universidade de São Paulo/Instituto de Física de São Carlos, nicoly.almeida@usp.br
- 3 Universidade de São Paulo/Instituto de Física de São Carlos, mirellapaiva@gmail.com
- 4 Universidade de São Paulo/Instituto de Física de São Carlos, srmuniz@usp.br
- 5 Universidade de São Paulo/Instituto de Física de São Carlos, fernando.paiva@usp.br
## Resumo
No Brasil, existem trabalhos sobre motivação, porém poucos são em alunos do ensino superior, particularmente em cursos na área de ciências exatas. Assim, decidimos traçar o perfil motivacional dos alunos dos cursos de física e avaliar se esse perfil está associado a variáveis como perfil socioeconômico ou desempenho acadêmico. Foi utilizada a Escala de Motivação Acadêmica (EMA) para avaliar 268 alunos de diferentes anos de 4 cursos distintos de Física. Além disso, o perfil socioeconômico dos alunos foi avaliado através do Critério de Classificação Econômica Brasil e o desempenho acadêmico dos alunos foi estimado a partir da média ponderada no semestre em que a avaliação foi realizada. Foi realizada uma análise descritiva global do perfil motivacional dos alunos avaliados, além de análises segmentadas por sexo, ano de ingresso e curso em que o mesmo se encontrava matriculado. A motivação predominante encontrada nos alunos avaliados é a intrínseca por conhecimento, tipo de motivação com maior grau de autonomia descrito na literatura. Em seguida, a maior incidência foi para a motivação extrínseca por identificação, que dentre as motivações extrínsecas, é a que apresenta maior autonomia por parte do estudante. A desmotivação, apesar de presente, se revelou muito baixa. Com base no perfil obtido, fica claro que o perfil motivacional dos alunos avaliados é predominantemente autônomo e adequadamente ajustado. Resultados semelhantes foram obtidos para cada um dos recortes avaliados. As análises de correlação não revelaram relação clara entre o perfil motivacional e a condição socioeconômica ou mesmo o desempenho acadêmico dos indivíduos avaliados. Nossa hipótese é que outros fatores subjetivos de vivência na vida acadêmica têm maior influência nas motivações dos estudantes e, portanto, devem ser acompanhados pela instituição de ensino no sentido de compreender e minimizar as altas taxas de evasão que possuem, como uma das causas, a desmotivação dos alunos.
Palavras-chave : Motivação, Física, Ensino Superior
## Abstract
In Brazil, there are studies on motivation, but few are with undergraduate students, particularly in STEM courses. Thus, we decided to investigate the motivational orientations of the undergraduate students in physics courses and to evaluate if this profile is associated with variables such as socioeconomic profile or academic performance. The Academic Motivation Scale (EMA) was used to evaluate 268 students from 4 different Physics courses. In addition, the socioeconomic profile of the students was evaluated through the Brazilian Economic Classification Criterion and the academic performance of the students was estimated from their weighted average in the semester in which the evaluation was performed. A comprehensive descriptive analysis of the motivational profile of the evaluated students was carried out, as well as analyses segmented by sex, year of admission and course in which the student was enrolled. The predominant motivation found in the evaluated students is the intrinsic motivation orientation towards knowledge, the type of motivation with the highest degree of autonomy described in the literature. Next, the highest incidence was for the extrinsic motivation by identified regulation, which among the extrinsic motivations, is the one that presents greater autonomy. The amotivation, although present, was found to be very low within the sample evaluated. Based on the profile obtained, the motivational profile of the evaluated students is predominantly autonomous and properly adjusted. Similar results were obtained for each of the evaluated cuts. The correlation analyses did not reveal a clear relation between the motivational profile and the socioeconomic condition or even the academic performance of the evaluated individuals. Our hypothesis is that other subjective factors of experience in the academic life have a greater influence on the motivations of the students and, therefore, must be accompanied by the institution to understand and minimize the high drop-out rates which be being influenced by the amotivation from the students.
Keywords : Motivation, Physics, Graduate Studies
## Introdução
É crescente a procura pelos jovens que terminam o ensino médio para o ingresso em universidades. Estes alunos ingressam nas universidades dispostos a se movimentar em busca do seu objetivo e a escolha por um ou outro curso superior é feita com base em uma série de considerações. Tais considerações podem ser inerentes a ele próprio, como, por exemplo, identificação com as disciplinas contidas no curso e gosto pela área de atuação, ou associadas a algum fator externo, tais como, recompensa salarial que o curso pode oferecer em um futuro emprego, cursar uma faculdade na sua própria cidade, ir para uma cidade onde se deseja morar, facilidade no ingresso do curso etc.
Estes alunos, quando conquistam uma vaga, criam uma série de expectativas quanto ao curso que realizarão, às disciplinas deste curso, professores, salas de aula, laboratórios, entre outras. Entretanto, nos cursos de ciências exatas, como física e matemática, por exemplo, nota-se uma grande evasão, principalmente no primeiro ano. A principal razão para que essa decisão seja tomada ainda não é completamente conhecida uma vez que se acredita que esteja relacionada a diferentes fatores. Dentre os candidatos, podemos mencionar a estrutura curricular árdua normalmente presente nesse tipo de curso, a relação professor-aluno, um baixo desempenho escolar por
dificuldades de adaptação do aluno ao novo sistema de ensino, dificuldades econômicas de se manter no curso, entre outros.
Apesar de ser de origem complexa, esse processo apresenta uma semelhança em sala de aula na visão dos professores: a falta de motivação dos alunos. Nesse caso, o aluno deixa de se mover para alcançar seus objetivos traçados anteriormente, fato que é preocupante para nosso sistema de ensino, que necessita de profissionais formados nestas áreas. Trabalhos nessa área revelam que, ao longo dos anos de uma graduação, existe uma alteração significativa no perfil motivacional dos alunos (1,2). Parte dessa alteração evolui no sentido da desmotivação e, por vezes, resulta na desistência do aluno em cursar o curso superior que havia escolhido. Os impactos sociais dessa elevada evasão são enormes e revelam a urgência e a necessidade de se buscar estratégias de minimização do insucesso escolar no ensino superior em algumas áreas do conhecimento.
Alguns trabalhos já mostraram a relação entre desempenho acadêmico e motivação (3,4). Estes estudos revelam que o desempenho acadêmico não está apenas relacionado à motivação do aluno, mas este exerce papel importante, já que pode ser um reforço positivo e assim manter o aluno motivado. Acredita-se que ao alcançar resultados positivos, a meta aprender é reforçada (5), podendo ocorrer de diferentes maneiras devido ao esforço e à persistência na busca de conhecimentos e no aprimoramento das habilidades, sendo, portanto, propulsora de crescimento intelectual. Logo, este fator é de total importância em um estudo sobre motivação.
Considerando outras variáveis, o perfil socioeconômico dos alunos tem apresentado correlação com a evasão nas universidades (6,7). Os resultados mostram que uma parcela significativa dos evadidos apresentavam a necessidade de trabalhar para conseguir se manter no curso e isso pode ser um fator importante que pode, inclusive, modular o perfil motivacional do aluno. Como ainda são escassos os estudos acerca dessa relação, os autores ressaltam a necessidade de se investigar melhor os impactos do perfil socioeconômico no processo motivacional (6,7).
No Brasil, existe uma série de trabalhos sobre motivação (4,8-10), porém poucos são os que estudam motivação em alunos do ensino superior, particularmente em cursos na área de ciências exatas. Pensando nestes aspectos, decidimos traçar o perfil motivacional dos alunos dos cursos de física e avaliar se esse perfil está associado a algumas outras variáveis, como por exemplo, perfil sócio econômico ou desempenho acadêmico.
## Materiais e Métodos
Os questionários foram aplicados aos alunos dos cursos de graduação do Instituto de Física de São Carlos no ano de 2016. O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Escola de Educação Física e Esportes da Universidade de São Paulo (CAAE 53962615.4.0000.5391). Os cuidados éticos adotados seguiram o preconizado na Resolução 196/96 e complementares estabelecido pelo Conselho Nacional de Saúde. Os dados referentes aos participantes foram mantidos anônimos. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido autorizando sua participação. Participaram do estudo um total de 268 alunos. Do total de alunos, 33% (N = 88) é do sexo feminino e 67% (N = 180) do sexo masculino. Quanto aos cursos, 28% (N = 76) eram do curso de Bacharelado em Ciências Físicas e Biomoleculares, 16% (N = 42) do curso de Bacharelado em Física Computacional, 38% (N = 101) do Bacharelado em Física e
18% (N = 49) da Licenciatura em Ciências Exatas. No que se refere ao ano de ingresso, 37% (N = 100) eram ingressantes em 2016, 31% (N = 82) ingressaram em 2015, 13% (N = 36) em 2014, 12% (N = 31) em 2013, e os demais 7% (N = 19) em anos anteriores a 2013.
- O perfil motivacional dos alunos foi avaliado utilizando a versão em português da Escala de Motivação Acadêmica (EMA) (11,12). Essa versão lista 28 itens que podem representar razões para o estudante vir à universidade, propostos para avaliar sete fatores da motivação: três correspondendo a tipos de motivação intrínseca (motivação intrínseca para o conhecimento (MIC), motivação intrínseca para realização (MIR) e motivação intrínseca para vivenciar estímulos (MIE)); outras três incorporando tipos de motivação extrínseca (motivação extrínseca por regulação externa (MERE), motivação extrínseca por introjeção (MEINTRO) e motivação extrínseca por identificação (MEID) e, a última, representando desmotivação (DESM) ou ausência de motivação (11). O instrumento foi construído utilizando escala likert de 7 pontos (1 a 7), onde 1 representa Nenhuma Correspondência e 7 Total Correspondência entre a afirmativa analisada e a uma das razões atuais pela qual o aluno vai à Universidade.
- O perfil socioeconômico dos alunos foi avaliado através do Critério de Classificação Econômica Brasil da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa. O Critério Brasil é baseado em posse de bens, atrelando a cada item uma quantidade de pontos, e se baseia na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
- A avaliação do desempenho acadêmico foi realizada utilizando a média ponderada dos alunos entrevistados até o semestre avaliado. Esses valores foram fornecidos pelos próprios alunos.
## Resultados e Discussões
Para determinar o perfil motivacional dos alunos avaliados, calculamos a pontuação total obtida por cada sujeito em cada uma das motivações avaliadas pela escala e atribuímos ao mesmo o rótulo da motivação que obteve maior pontuação. Dessa maneira, consideramos que essa é a motivação mais representativa daquele indivíduo no momento da avaliação. Depois disso, construímos um gráfico cuja amplitude varia com a quantidade de indivíduos classificados em cada uma das motivações. Para permitir a comparação entre subamostras de diferentes tamanhos, as curvas foram geradas considerando o valor percentual da incidência e não o valor absoluto. Dessa maneira, todas as curvas possuem área normalizada a 100%. A Figura 1 apresenta essa distribuição considerando todos os alunos avaliados.
Podemos notar que a motivação predominante encontrada nos alunos avaliados é a MIC, tipo de motivação com maior grau de autonomia dentro da linha do continuum . Nesse caso, os indivíduos são motivados pelos seus próprios interesses em adquirir conhecimento. O segundo nível motivacional com maior incidência foi MEID, que dentre as motivações extrínsecas avaliadas, é a que apresenta maior autonomia por parte do estudante, ou seja, ele identifica que a realização da tarefa, neste caso ir à universidade, é importante para a realização de seus objetivos e por esse motivo ele cumpre esta tarefa. O terceiro nível motivacional com maior incidência encontrado foi MECE, tipo de motivação onde o indivíduo apenas realiza as tarefas devido as regras e punições estabelecidas. Este é o tipo de motivação com menor grau de autonomia, mas sua presença em alunos do ensino superior não causa
estranheza, uma vez que muitos dos alunos acabam sendo balizados pelas regras impostas pelo sistema para que seus objetivos sejam atingidos.
Figura 1: Perfil motivacional dos alunos dos cursos de Física.
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No outro extremo, com baixa incidência estão a MEINTRO, a MIE e a DESM. Com base nesse perfil, fica claro que o perfil motivacional dos alunos avaliados é predominantemente autônomo, resultado que já foi reportado em trabalhos de pesquisas que utilizam a EMA para análises similares em diferentes cursos superiores (11,13). Além disso, a literatura mostra que nesse caso, o nível de desmotivação costuma ser baixo, o que também foi percebido em nossa amostra.
A Figura 2 mostra a distribuição dos perfis quando considerados homens e mulheres separadamente. Os dados mostram que o perfil motivacional dos homens e das mulheres avaliados é bem parecido em termos de distribuição, com pequenas flutuações nas incidências de cada motivação.
Figura 2: Perfil motivacional dos alunos homens e mulheres dos cursos de Física.
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É possível notar que as mulheres apresentam maior incidência para MECE quando comparadas aos homens. Considerando o conjunto de dados, é difícil apontar qual o fator que influencia majoritariamente essa diferença, podendo, inclusive, ser uma característica particular da amostra avaliada. A coleta de dados ao longo dos anos deve ajudar a esclarecer tais motivos. Por outro lado, os homens apresentam uma incidência um pouco maior de motivações intrínsecas, em particular MIR e MIC. De maneira global, os dados sugerem que as mulheres possuem regulação mais extrínseca enquanto os homens possuem regulação mais internalizada. A literatura, nesse caso, também não apresenta dados consistentes no que se refere às diferenças entre os sexos. Sobral (11), por exemplo, apresenta dados que mostraram que as mulheres apresentavam maior incidência de motivação intrínseca que os homens. Já no trabalho de Viana (4), não foi encontrada diferenças estatísticas quanto à motivação de homens e mulheres. Ao analisarmos o nível de DESM, observamos que
não existe diferença notória entre homens e mulheres. O trabalho de Vallerand (12) mostra que as mulheres apresentam menor nível de DESM quando comparadas aos homens. É importante ressaltar que nenhum desses trabalhos mencionados avaliou uma população similar à nossa, com estudantes da área de exatas, particularmente de Física.
Analisamos o perfil motivacional dos alunos agrupando-os pelos diferentes cursos. A Figura 3 mostra o resultado obtido.
Figura 3: Perfil motivacional dos alunos de cada um dos cursos de Física avaliados.
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A distribuição do perfil motivacional quando os alunos são separados por cursos foi bem parecida à obtida anteriormente. A exceção é o curso de Física Computacional, que revelou um perfil praticamente constante ao longo das motivações extrínsecas. Mais uma vez, é temerário tentar inferir a causa dessa mudança apenas com esses dados pois esse curso é o que apresenta menor número de participantes. Dessa maneira, esse perfil precisa ser confirmado com a coleta de mais dados que poderão aumentar a robustez estatística da análise. Um fator interessante encontrado nessa análise é que os alunos da Licenciatura em Ciências Exatas se distinguem dos demais por apresentar maior incidência de MEID. Nossa hipótese, nesse caso, é de que a população que ingressa nesse curso, em sua maioria, apresenta como fator predominante a vontade de ser professor. Assim, a realização do curso é apenas um caminho a se seguir para conquistar o direito de exercer a profissão com a qual se identifica, o que poderia revelar uma maior predominância da motivação extrínseca por identificação.
Figura 4: Perfil motivacional dos alunos de Física avaliados considerando os ingressantes e os veteranos.
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Entre veteranos e ingressantes, a diferença mais marcante é notada na redução da MIC e aumento da MECE conforme os anos passam (Figura 4). Esse fato pode ser associado ao pragmatismo que os veteranos vão assumindo ao longo dos
anos em contraponto ao entusiasmo e curiosidade inicial dos estudantes ingressantes que chegam as universidades cheios de expectativas.
As análises considerando o perfil motivacional obtido e o perfil socioeconômico ou desempenho acadêmico não revelou a existência de uma correlação significativa (Figura 5). No primeiro caso, obtivemos um valor de 𝜌𝑠𝑝𝑒𝑎𝑟𝑚𝑎𝑛 = -0,052 enquanto no segundo caso 𝜌𝑠𝑝𝑒𝑎𝑟𝑚𝑎𝑛 = 0,031 . Assim, podemos afirmar que no nosso caso, tanto a condição socioeconômica do indivíduo como o desempenho acadêmico não estão influenciando significativamente o perfil motivacional dos alunos.
Figura 5: Correlações entre o perfil motivacional e (a) perfil socioeconômico e (b) desempenho acadêmico.
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No caso particular da condição econômica, uma hipótese para o achado é que os respondentes são predominantemente pertencentes às classes A (39%), B1 (22%) e B2 (25%). Além disso, para os mais necessitados, a infraestrutura oferecida pela Universidade (ex.: alojamento, auxílio refeição, etc.) pode contribuir com ausência de modulação no perfil motivacional. No que se refere ao desempenho acadêmico, muito embora a literatura revele uma correlação positiva entre essas variáveis, a maioria dos estudos foram realizados com alunos do ensino médio. No ensino superior, dados são escassos, mas também mostram ausência de correlação. Nossa hipótese para tal ausência é que, diferentemente do que temos no ensino médio, no ensino superior, outras variáveis, como o ambiente, a interação com os colegas, etc. acabam influenciando de maneira mais significativa no perfil motivacional que o próprio desempenho acadêmico. Além disso, nossos dados mostram um perfil motivacional predominante ajustado, o que não deveria impactar negativamente no desempenho acadêmico, por exemplo.
## Conclusões
O perfil motivacional encontrado para alunos do curso de física se mostrou predominantemente autônomo. A desmotivação dentro deste perfil motivacional é baixa, apesar de ainda existente. O perfil socioeconômico e o desempenho acadêmico não se mostraram fatores de grande influência na modulação do perfil motivacional. Nossa hipótese é de que outros fatores subjetivos de vivência no curso têm maior influência nas motivações dos estudantes e, portanto, devem ser acompanhados pela instituição de ensino. A continuidade do presente estudo ajudará a elucidar algumas das hipóteses levantadas, com o aumento da representatividade estatística.
## Referências
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