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Ouvir e sentir estrelas: Astronomia para pessoas com deficiência visual

Magda Moreira Nunes, Giovanna Lins Guerson Costa, Guilherme De Souza Fernandes, Nicolly Cristina Lima Costa

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XVII
Ano
2018
Data
28/08/2018
Linha de pesquisa
Co-04 Equidade, Inclusão, Diversidade E Estudos Culturais E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## OUVIR E SENTIR ESTRELAS: ASTRONOMIA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL

## HEARING AND FEELING STARS: ASTRONOMY FOR PEOPLE WITH VISUAL IMPAIRMENTS

## Magda Moreira Nunes 1 , Giovanna Lins Guerson Costa , Guilherme de Souza 2 Fernandes 3 , Nicolly Cristina Costa Lima 4

- 1 Colégio Militar de Belo Horizonte/Núcleo de Iniciação Científica e Tecnológica, magdamnunes@gmail.com
- 2 Colégio Militar de Belo Horizonte/Núcleo de Iniciação Científica e Tecnológica, giovannalins01@yahoo.com.br
- 3 Colégio Militar de Belo Horizonte/Núcleo de Iniciação Científica e Tecnológica, 11guilhermefernandes@gmail.com
- 4 Colégio Militar de Belo Horizonte/Núcleo de Iniciação Científica e Tecnológica, nicollycrist@outlook.com

## Resumo

Este relatório narra a experiência vivenciada por três estudantes do 1º ano do Ensino Médio e sua professora orientadora durante o desenvolvimento de material didático de Astronomia que atenda também a pessoas com deficiência visual. A Astronomia é uma ciência prioritariamente ancorada em elementos visuais. O céu é observado diretamente ou por meio de instrumentos; constelações são identificadas; o esplendor das estrelas é constante em poemas e letras de músicas. Contudo, no Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 6,5 milhões de pessoas sofrem de alguma deficiência visual severa (IBGE, 2010). Com isso, podem ficar excluídas da relação com a Astronomia. Assim, o objetivo deste trabalho é planejar e elaborar material didático de Astronomia acessível para todas as pessoas, mas especialmente para aquelas com algum tipo de deficiência visual (cegos ou com baixa visão), a fim de que possam perceber e compreender alguns fenômenos astronômicos. Foram desenvolvidos dispositivos que serão devidamente testados e aprimorados de forma que possam atender da melhor maneira ao público alvo. A elaboração do material e o diálogo com o campo de pesquisa acontecerão principalmente por meio dos estudos sobre Inclusão, Necessidade Educacional Especial e Ensino de Astronomia.

Palavras-chave : Inclusão. Necessidade Educacional Especial. Ensino de Astronomia.

## Abstract

The present report describes the experience from three first year High School students and their teacher during the development of an Astronomy didactic material, which could be used also by people with visual impairment. Astronomy is a science mostly based on visual elements. The sky is observed directly or through instruments, constellations are identified, the star's splendor is recurrent in poems and lyrics. However, in Brazil, according to the Brazilian Institute of Geography and Statistics, 6.5 million people have any visual impairment (IBGE, 2010), which could possibly prevent them of establishing a relationship with Astronomy. In this regard, the present work aims to plan and develop an Astronomy didactic material accessible to everyone, but especially for those with any visual impairments (blind or low vision),

allowing them to perceive and comprehend some astronomic phenomena. There were developed devices, which will be properly tested and improved intending to be useful for the target public in the better way. The material development and dialogue with the research field will mainly occur through the studies about Inclusion, Special Educational Need and Astronomy Teach.

Keywords : Inclusion. Special Educational Need. Astronomy Teach.

## O cenário e a questão

Em 2017, foi fundado no Colégio Militar de Belo Horizonte - CMBH, o Grupo de Astronomia Interestudantil Amador - GAIA. As atividades são desenvolvidas em encontros semanais, que contam com estratégias variadas e uma diversidade de discussões e descobertas acerca do universo. A Astronomia assim apresentada é estimulante e tem motivado estudantes a buscarem cada vez mais conhecimentos acerca da temática. Temos percebido ainda que a Astronomia vem sendo essencial na promoção da aproximação dos estudantes com a ciência em geral. Além de diversos outros ganhos de aprendizagem que podem ser vinculados ao ensino da Astronomia, como: visão do conhecimento como processo de construção histórica e filosófica; desenvolvimento da alfabetização científica; potencialidades de interdisciplinaridade, entre outros (LANGHI e NARDI, 2012, p.111).

Paralelamente ao movimento de descoberta da Astronomia, uma grande sensibilização acerca de inclusão e acessibilidade vem conquistando espaço no CMBH. Estão sendo feitas adaptações de infraestrutura e formação de pessoas para melhor atender aos estudantes com necessidades educacionais especiais matriculados ou a serem matriculados no colégio em anos seguintes.

A universalidade do acesso à educação é uma premissa constitucional. Contudo, uma dura realidade facilmente observada no cotidiano dos ambientes educacionais brasileiros é a exclusão de alunos com algum tipo de necessidade educacional especial. Na nossa realidade, alguns fatores podiam ser elencados para justificar esta ausência, como: a falta de estrutura física, o despreparo do corpo docente (e mesmo discente) e concepções excludentes de ensino.

Tradicionalmente, o ensino de Astronomia nas escolas é feito por meio de dispositivos que priorizam a percepção visual do estudante . Vídeos e maquetes 1 coloridas estão entre os recursos mais utilizados. O céu é observado diretamente ou por meio de instrumentos, constelações são identificadas, o esplendor das estrelas é constante em poemas e letras de músicas. Contudo, no Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 6,5 milhões de pessoas apresentam alguma forma de deficiência visual severa, sendo cegos ou com baixa visão (IBGE, 2010). Com isso, podem ficar excluídas da relação com a Astronomia.

Diante do cenário apresentado, desponta como questão central deste trabalho: seria possível planejar e elaborar material didático de Astronomia acessível para todas as pessoas, mas especialmente para aquelas com algum tipo de deficiência visual (cegos ou com baixa visão), a fim de que possam perceber e compreender fenômenos astronômicos?

## O desafio

Consta do parágrafo I do artigo 4º do Regimento Interno dos Colégios Militares - RICM, um dos fundamentos que compõem sua proposta pedagógica.

[...] oferecer ao aluno condições de acesso ao conhecimento sistemático universal, considerando a realidade de sua vida , proporcionando uma formação integral para o seu desenvolvimento nas áreas cognitiva, afetiva e psicomotora (REGIMENTO INTERNO DOS COLÉGIOS MILITARES, 2009, negrito nosso).

Ao se levar em conta a realidade da vida das pessoas com deficiência visual, o desafio consiste em desenvolver materiais que possibilitem seus acessos à formação integral, como os dos demais estudantes, da forma proposta pelo RICM. Este trabalho concorda com Laville e Dionne (1999, p.18) quando colocam que é 'o objetivo principal da pesquisa do saber: conhecer o funcionamento das coisas, para melhor controlá-las, e fazer previsões melhores a partir daí'. Na mesma linha, Soares (2003, p.76) defende que as questões socialmente inseridas devem 'ir além de serem apenas estudadas, mas também resolvidas, permitindo intervenção na realidade, modificação e transformação da realidade'. Na Apresentação do livro Ensino de Ciências por Investigação: condições para implementação em sala de aula (CARVALHO (org), 2013, p. VII), Capecchi elucida que a relação pedagógica é composta por uma tríade, envolvendo professor - aluno - conhecimentos e que essa relação se dá a partir de diferentes dimensões, destacando:

(...) as de ordem afetiva, relacionadas às expectativas de cada um; as de ordem pedagógica, relacionadas aos recursos didáticos e diferentes estratégias de ensino que o professor tem à sua disposição, e as de ordem epistemológica, relacionadas às características do conhecimento que se deseja ensinar. (CARVALHO (org), 2013, p. IX)

Ao se pensar a questão afetiva, os estudantes podem ser motivados a se envolver na atividade ou ainda pode ficar apático, bloqueado no desenvolvimento da ação. Tudo vai depender dos elementos que a proposta desperta. Espera-se que, ao elaborar materiais que contemplem recursos acessíveis a todos os estudantes (videntes ou com deficiência visual) como aqueles propostos por este trabalho, eles possam se sentir amparados em pelo menos parte de alguma de suas necessidades e, com isso, agregar emoção, se sentir e ser parte do processo.

Epistemologicamente, foi escolhida a temática relativa ao ensino da Astronomia para o desenvolvimento deste trabalho. Muito em virtude das atividades do GAIA e, também, pelo fato de que pelo ensino da Astronomia perpassam questões fundamentais sobre a natureza e a filosofia da ciência. Além disso, acredita-se ser um assunto de interesse mais geral e uma área que carece de materiais que não estejam ancorados na percepção visual dos fenômenos.

Com relação à dimensão pedagógica, esta perpassa pelos materiais, meios e métodos utilizados para favorecer as trocas na construção do conhecimento. É desejável que a definição ou a escolha das estratégias de ensino favoreçam a relação do estudante com o conhecimento, com seus pares e com os professores. 'Estes estudantes estão inseridos num processo dinâmico de interações cotidianas com novas informações, que os leva à aquisição de saberes personalizados, flexíveis e articulados, numa permanente construção individual e social' (KENSKI, 2003, p.53).

Valente (2014, p.144) argumenta que

(...) a questão fundamental no processo educacional é saber como prover a informação, de modo que ela possa ser interpretada pelo aprendiz que passa a entender quais ações ele deve realizar para que a informação seja convertida em conhecimento. Ou seja, como criar situações de aprendizagem para estimular a compreensão e a construção de conhecimento (VALENTE, 2014, p.144).

Nessa perspectiva, não é aceitável como natural um sistema que não oferece condições semelhantes de aprendizagem a todos os estudantes. Neste caso, os materiais disponíveis para o ensino de Astronomia são, em sua maioria, estritamente visuais. Essa condição, além de impedir o acesso do estudante com deficiência visual, não estimula os demais sentidos dos estudantes videntes.

Com isso, deve-se levar em conta que pessoas diferentes aprendem de maneiras diferentes e, portanto, o que se propõe é que a variação do planejamento também ocorra de forma a privilegiar os demais sentidos, por meio de recursos auditivos e táteis, por exemplo.

Para Camargo (2016), existe a necessidade da implementação de uma didática multissensorial para o ensino das Ciências Naturais.

Segundo a didática multissensorial, o tato, a audição, a visão, o paladar e o olfato podem atuar como canais de entrada de informações importantes. Nessa perspectiva, a observação deixa de ser um elemento estritamente visual. Observar requer a captação do maior número de informações por meio de todos os sentidos que um indivíduo possa por em funcionamento. (CAMARGO, 2016, p.31)

Com isso, acreditamos que a maioria dos estudantes estará incluída, uma vez que ao estimular outros sentidos além da visão, também os alunos videntes estarão desenvolvendo outras de suas potencialidades. Este trabalho está, portanto, amparado por este pensamento que reconhece a identidade e a diferença como faces da mesma moeda (CAMARGO, 2016). Ainda em Camargo (2016), temos que

É pelo conhecimento do eu que somos capazes de identificar e reconhecer o outro, isto é, o não eu, quer dizer, é pela compreensão da identidade e da diferença que imergimos socialmente no mundo e operamos sobre ele. (CAMARGO, 2016, p.23)

Então, a justificativa para uma pesquisa que pretende elaborar materiais didáticos acessíveis a todos os alunos, especialmente àqueles com alguma forma de deficiência visual, pode ser assim sintetizada: para a construção do conhecimento, as propostas didáticas precisam levar em conta as questões afetivas, epistemológicas e pedagógicas, a fim de se promover a participação e o engajamento de todos os estudantes. Este almejado resultado será possível mediante materiais, meios e métodos que, não sendo excludentes, promovam o envolvimento de todos os indivíduos participantes do processo.

## Os objetivos

## Objetivo geral

Planejar e elaborar material didático de Astronomia, acessível para todos os estudantes, especialmente para aqueles com alguma forma de deficiência visual.

## Objetivos específicos

-  Ratificar a sensibilização do grupo de trabalho (estudantes e professora) por meio de encontros com pessoas com deficiência visual e de estudos teóricos;
-  Identificar as necessidades educacionais especiais associadas ao ensino de Astronomia;
-  Planejar e desenvolver uma sequência de atividades de Astronomia com recursos táteis e auditivos;
-  Refletir sobre as potencialidades e limitações das atividades propostas com o material desenvolvido.

## O percurso e os resultados

Inicialmente, foram feitos estudos de artigos acerca da inclusão e da necessidade educacional especial. A tese do professor Éder Camargo (CAMARGO, 2005), bem como o seu livro Inclusão e necessidade especial: compreendendo identidade e diferença por meio do ensino de física e da deficiência visual (CAMARGO, 2016) foram essenciais na fundamentação das atividades desenvolvidas.

Em seguida, o projeto avançou sem a identificação exata com uma linha metodológica. Foi utilizada a imaginação e criatividade dos componentes do grupo, bem como de ideias já desenvolvidas por outros pesquisadores, para elaborar e desenvolver o projeto.

## Plano de ação

A Astronomia é um campo de estudo bastante amplo. Os conteúdos são os mais variados e a escolha do recorte representou uma etapa bastante cara. A equipe de trabalho optou por apresentar o céu de cada estação. Para tanto, inicialmente, foi tratada a necessidade da localização da Terra, da concepção de esfera celeste e, então, a explicação de como ocorrem as estações do ano e o porquê de aparecerem diferentes constelações principais no céu de cada uma delas. Com isso, foi desenvolvido um plano de ação, que gerou os seguintes resultados.

- a. Sensibilização do espectador A sensibilização inicial do espectador é feita utilizando-se o poema Via Láctea de Olavo Bilac. Ele é apresentado por meio de áudio gerado a partir de vídeo do Youtube , no qual é declamado pelo ator Juca 2 de Oliveira. O espectador pode ouvi-lo através de MP3Players ligados a fones de ouvido ou caixas de som. O eu lírico do poema sinaliza que é necessário apenas amar para ouvir e compreender as estrelas. Ou seja, elas podem ser sentidas e ouvidas, para além de enxergadas. O apresentador que conduz o espectador reforça estas características.
- b. Via Láctea A Via Láctea foi representada em 2D, sobre uma estrutura de papelão, pintada de preto. Os braços da galáxia, feitos de cola glitter sobre E.V.A., também com glitter . No centro, o buraco negro foi confeccionado utilizando uma

semiesfera de isopor pintada em preto. O relevo da cola tem a finalidade de apresentar a forma da galáxia . O nome da galáxia vem escrito também em Braille, 3 com pequenas miçangas. As figuras são apresentadas ao final da seção (Figura 1) . 4

- c. Planetas do Sistema Solar Valendo-nos de uma escala dos diâmetros equatoriais, os planetas rochosos foram confeccionados em massa epóxi e os gigantes gasosos e os gigantes gelados com bolas de isopor. Júpiter apresenta linhas, dividindo sua superfície em faixas. Elas foram demarcadas com fio de bordado, inclusive a grande tempestade que acontece no planeta. Os anéis foram destacados no planeta Saturno. Os gigantes gelados foram pintados de azul. Durante todo o projeto, houve um cuidado com a estética visual do projeto. Desejase que ele seja funcional para as pessoas com deficiência visual, mas que também atenda e seja convidativo aos videntes. Os planetas foram fixados em hastes de madeira, por sua vez, fixadas numa grande ripa também de madeira. Toda madeira é pintada em preto e com legendas em Braille (Figura 2) . 5
- d. Sistema Terra - Sol Partindo da Via Láctea, o espectador é conduzido ao Sistema Solar e, agora, chega à Terra. No Sistema Terra - Sol, tem-se um modelo, em isopor e fora de escala. Este modelo será útil para reconhecimento da inclinação do eixo da Terra e definição das estações do ano. Dois barbantes, sinalizados com nós equidistantes, revelam a diferença de distância do sul e do norte ao Sol, indicando o motivo das diferentes estações do ano em cada hemisfério (não visíveis na Figura 3). O Sistema Terra - Sol está fixado sobre uma estrutura móvel de madeira. A Terra gira em torno do Sol, de forma a simular o movimento de translação. Neste momento, o espectador é apresentado ao conceito de esfera celeste. Um alfinete com cabeça arredondada marca a posição aproximada do espectador na Terra. A movimentação do modelo associada à indicação da posição na Terra favorece a compreensão da percepção de diferentes constelações no céu de cada estação. Toda a madeira é pintada em preto e apresenta legendas em Braille.
- e. Carrossel do tempo Finalmente, o espectador é conduzido ao carrossel das cúpulas das estações, carinhosamente denominado Carrossel do Tempo, pois simula a passagem do tempo, à medida que gira (Figura 4). A estrutura do Carrossel do Tempo foi feita em tubo de aço (metalon) e pintada com tinta a óleo. Na haste podem ser vistas manivelas, utilizadas para propulsionar a rotação do carrossel. Bem como 'dentes' para a regulação da altura das cúpulas. A base é em ferro, de maior massa, a fim de proporcionar estabilidade à estrutura. Na extremidade de cada braço do carrossel, um parafuso segura a cúpula que pende livremente. As cúpulas das estações foram confeccionadas em vibra de vidro. Depois foram lixadas e pintadas com tintas acrílicas. Na parte externa, foram feitos desenhos alusivos a cada estação do ano. Na parte interna de cada cúpula, com miçangas e cola glitter ,

foi representada a constelação característica de cada estação do ano. O espectador se posiciona sob uma das cúpulas . Então, por meio de fones de ouvido acoplados a 6 MP3Players um áudio começa a ser reproduzido. Nele, o espectador poderá ouvir um belo poema sobre a estação e a constelação que está sentindo. Enquanto ouve, pode tatear a cúpula para: 'Ouvir e sentir estrelas'. Ao final do áudio, o espectador é solicitado a girar a manivela, de forma a simular a passagem do tempo e, então, ser direcionado à próxima estação e é iniciada a execução de um novo áudio. As cúpulas comportam até 4 espectadores, uma vez que todos os áudios são sincronizados para favorecer a 'dança'.

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## Conclusões

Este trabalho ainda está em desenvolvimento. Um material prévio vem sendo testado e os resultados têm sido impressionantes. Os relatos da utilização dos modelos por pessoas cegas têm sido emocionantes e estimulantes. O fascínio que a Astronomia exerce não é privilégio dos videntes. Um momento divertido e emocionante aconteceu quando apresentamos as constelações construídas em 2D (no E.V.A.) e colocamos em alto relevo o desenho correspondente. Ao tatear a figura de um escorpião ao lado da constelação do escorpião, uma colaborada cega brincou: 'isso não é um escorpião, mas uma grande lombriga'. Mais tarde, no mesmo dia, ela chorou ao ouvir os áudios. Os resultados que mais têm nos animado a continuar são estes de caráter lúdico ou de envolvimento emocional do espectador ao manusear e ouvir o trabalho. Inicialmente, foi feito apenas o contato prévio com o projeto das pessoas com deficiência visual, de forma que pudessem nos apontar equívocos e propor sugestões de melhorias. Estamos vivendo a fase dos ajustes. Então, os colaboradores serão chamados de volta para um teste definitivo e entrevista sobre a sua experiência diante da nossa proposta.

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- O material foi desenvolvido de forma a ser conduzido numa sequência lógica partindo das grandes dimensões das galáxias, até chegar ao sistema Terra - Sol e as constelações do céu de cada estação. Ajustes são necessários (e estão sendo executados) de forma a tornar o material mais funcional para a pessoa com deficiência visual: aperfeiçoar as legendas em Braille; otimizar a proporção de tamanho do sistema Terra - Sol para tornar a compreensão das diferentes distâncias dos hemisférios mais palpável; melhorar a lisura das cúpulas.

Mesmo antes do produto final, nos alegra perceber o valor da atividade no que se refere à inclusão da pessoa com deficiência visual às atividades de Astronomia. Estrelas já podem ser ouvidas e sentidas e, acreditamos que podemos colaborar um pouco para que essas pessoas também possam se encantar com elas e com a magnitude do universo.

- O grupo de trabalho percebeu que a inclusão pode acontecer de forma simples, mas que exige trabalho: de sensibilização e de ação. A instrução mostrou que a inclusão é efetiva quando não cria novos nichos exclusivos e, com isso, o material deve atender ao maior número de pessoas, evitando segregações.

## Referências bibliográficas

CAMARGO, E. P. Inclusão e necessidade especial: compreendendo identidade e diferença por meio do ensino de física e da deficiência visual. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2016.

- CAMARGO, E. P. O ensino de Física no contexto da deficiência visual: elaboração e condução de atividades de ensino de Física para aluno cegos e com baixa visão. Campinas: 2005 (Tese).

CARVALHO, A. M. P. (org.) Ensino de Ciências por Investigação : condições para implementação em sala de aula. São Paulo: Cengage Learning, 2013.

IBGE. 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Disponível em &lt;https://censo2010.ibge.gov.br/resultados.html&gt; Acesso em 06 de maio de 2018.

KENSKI, V. M. Aprendizagem mediada pela tecnologia. Revista Diálogo Educacional . Curitiba, v. 4, n. 10, p. 47-56, 2003.

LAVILLE, C. A construção do saber : manual de metodologia da pesquisa em ciências humanas / LAVILLE, C.; DIONNE, J. Tradução: Heloisa Monteiro e Francisco Settineri. - Porto Alegre: Artmed; Belo Horizonte: Editora UFMG, 1999.

LANGHI, R.; NARDI, R. Educação em Astronomia: repensando a formação de professores. São Paulo: Escrituras Editora, 2012.

REGIMENTO INTERNO DOS COLÉGIOS MILITARES. Disponível em &lt;http://www.cmsm.eb.mil.br/phocadownload/legislacao/regulamentos/04\_RICM-2009.pdf&gt; Acesso em 05 de novembro de 2017.

SOARES, M. Para quem pesquisamos? Para quem escrevemos? In: MOREIRA, A. F.; et al. Para quem pesquisamos: para quem escrevemos : o impasse dos intelectuais. São Paulo: Cortez, 2003.

VALENTE, J. A. A Comunicação e a Educação baseada no uso das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação. Revista UNIFESO - Humanas e Sociais . Teresópolis: v. 1, n. 1, p. 141-166, 2014.

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