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EXPERIMENTOS DESAFIANTES E A MOTIVAÇÃO INTRÍNSECA DOS VISITANTES DE AÇÕES ITINERANTES DE POPULARIZAÇÃO DA CIÊNCIA

Jonny Nelson Teixeira

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XVII
Ano
2018
Data
28/08/2018
Linha de pesquisa
Co-03 Comunicação Em Práticas Educativas Formais, Informais E Não-Formais E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## EXPERIMENTOS DESAFIANTES E A MOTIVAÇÃO INTRÍNSECA DOS VISITANTES DE AÇÕES ITINERANTES DE POPULARIZAÇÃO DA CIÊNCIA

## CHALENGING EXPERIMENTS AND INTRINSIC MOTIVATION OF THE VISITORS OF ITINERANT ACTIONS OF SCIENCE POPULARIZATION

## Jonny Nelson Teixeira 1

1 IFSP - Departamento de Licenciatura em Física - campus Itapetininga - jonny@ifsp.edu.br

## Resumo

Em ações de divulgação e popularização científica a curiosidade é o principal atrativo para os visitantes, estejam elas em espaços de educação não formal ou em quaisquer espaços, quando itinerantes. Os elementos de interação com os visitantes podem ser agrupados em exposições, quando os espaços forem fixos, ou em mesas ou bancadas, quando as ações são itinerantes. No entanto, questões sobre o que motiva a interação dos visitantes são comuns quando se projeta os elementos que comporão estas exposições.

Elementos surpreendentes, que chamam a atenção dos visitantes são amplamente utilizados nos ambientes que compõem as ações. Entre estes elementos, há uma gama de experimentos e atividades interativas que são apresentadas em forma de desafios, ou até mesmo com um viés mais investigativo pelos mediadores que, dependendo da faixa etária dos interatores, prende a sua atenção, fazendo com que a interação seja realizada por mais tempo e, provavelmente, com mais qualidade.

Este trabalho teve o objetivo de discutir sobre os aspectos motivacionais que estes elementos trazem, quando dispostos em determinadas exposições itinerantes, cujo tempo de permanência nos locais é curto. Foram observados dois projetos de popularização científica itinerantes nos quais os visitantes, maioria alunos dos Ensinos Fundamental e Médio, interagiam com elementos da exposição considerados atraentes ou surpreendentes. A pesquisa se limitou a observar estas interações e as reações dos visitantes perante estes experimentos, para comparar com as interações com outros da mesma exposição, imediatamente antes e depois dela.

Foi observado que a interação com os experimentos surpreendentes fizeram com que os visitantes perguntassem mais ao longo da exposição, fossem mais pró ativos, o que ampliou a qualidade das interações ao longo da exposição.

Palavras-chave : Divulgação científica, popularização da Ciência, ensino de Física, motivação.

## Abstract

In actions of propagation and scientific popularization curiosity is the main attraction for visitors, whether they are in non-formal education spaces or in any spaces, when they are itinerant. The elements of interaction with the visitors can be grouped in exhibitions, when the spaces are fixed, or in tables or benches, when the

actions are itinerant. However, questions about what motivates visitor interaction are common when designing the elements that will compose these exposures.

Surprising elements that catch the attention of visitors are widely used in the environments that make up the actions. Among these elements, there is a range of experiments and interactive activities that are presented in the form of challenges, or even with a more investigative bias by the mediators that, depending on the age range of the interactors, holds their attention, causing the interaction to be performed longer and probably with more quality.

This work had the objective to discuss about the motivational aspects that these elements bring, when arranged in certain itinerant exhibitions, whose time of stay in the places is short. Two itinerant scientific popularization projects were observed in which the visitors, mostly students of Elementary and Middle School, interacted with elements of the exhibition considered attractive or surprising. The research limited itself to observing these interactions and the reactions of the visitors before these experiments, to compare with the interactions with others of the same exhibition, immediately before and after her.

It was observed that interaction with the astonishing experiments prompted visitors to ask more throughout the exhibition, to be more proactive, which increased the quality of interactions throughout the exhibition.

Keywords : Scientific dissemination, popularization of science, teaching of physics, motivation.

## A popularização da Ciência no Brasil

A história da popularização da Ciência no Brasil remonta da criação dos primeiros museus de Ciência no século XIX. Um marco na história dos museus brasileiros foi a criação do Museu Nacional em 1818 sob o nome de Museu Real do Rio de Janeiro e, assim como a maioria dos museus espalhados na America Latina, traz uma estreita relação com os padrões de museus europeus da época (LOPES e MURIELLO, 2005; CONTANTIN, 2001). Desde esta época seu acervo foi amplamente aumentado e o seu espaço foi muito utilizado principalmente pelas escolas e universidades do Império. Um dos espaços utilizados no Museu Nacional era o laboratório de Química, criado em 1824 e pela doação de alguns materiais coletados pelo museu às escolas parceiras (SÁ e DOMINGUES, 1996).

Além dessa parceria o museu também teve um histórico de cursos diversos na área de Ciências Naturais, com o objetivo de dar formação para os cientistas brasileiros. Alguns cursos como os de Mineralogia, Geologia, Zoologia, Física, Matemática e até Medicina foram dados por mais de dez anos, lecionados pelos diretores do museu e de suas áreas específicas, dando início ao que foi chamado de 'Cursos Públicos', embora este público fosse extremamente seleto.

Logo após a criação do Museu Nacional outras três instituições foram criadas, o Museu Paraense Emilio Goeldi, em Belém, 1866 e o atual Museu Paulista, antigo Museu do Ipiranga, em São Paulo, 1894 (LOPES, 1997), além ainda do museu do Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, em 1905 (CONSTANTIN, 2001).

Já no século XX, a década de 80 foi decisiva na implantação dos Centros de Ciências no país. Segundo Constantin (2001, p. 198) os Centros de Ciência, instituições com apelo em exposições e experimentos interativos, são criados na primeira metade desta década, grande maioria no eixo Rio - São Paulo. O primeiro foi o Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC), no ano de 1980 em São Carlos, seguido pelo Espaço Ciência Viva e pelo Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), utilizando o terreno e os prédios do Observatório Nacional, em 1983 e 1985, respectivamente, no Rio de Janeiro. O Museu Dinâmico de Ciências em Campinas, uma parceria entre a Universidade Estadual de Campinas e a prefeitura da mesma cidade foi criado em 1985, seguido pela Estação Ciência, na capital de São Paulo, no bairro da Lapa em um espaço abandonado do antigo centro de distribuição cerealista de São Paulo, em 1986.

Na segunda metade da década de 90 a divulgação cientifica começa a tomar corpo e, com isso, agências de fomento prioritariamente públicas começam a financiar a implantação de outros Centros de Ciência no Brasil. Foi o caso do Espaço Ciência, em Olinda, do Museu de Ciência e Tecnologia da PUC do Rio Grande do Sul e o Museu da Vida, da Fundação Oswaldo Cruz, todos criados no fim desta década (CAZELLI, MARANDINO e STUDART, 2003). Já no início deste século XXI, por intermédio do aumento dos fomentos para a implantação de Centros e Museus de Ciência outros espaços foram criados, geralmente com projetos feitos por universidades e, alguns destes, por órgãos municipais ou parcerias públicoprivadas, como é o caso do SABINA - Escola Parque do Conhecimento, em Santo André e o Espaço Catavento Cultural e Educacional, instalado no antigo Palácio das Indústrias na capital de São Paulo.

## Os projetos itinerantes de Popularização da Ciência

Por causa da distribuição de riquezas extremamente desigual em nosso país, os centros e museus de Ciência acabaram sendo criados principalmente nos grandes centros do país, deixando a população mais vulnerável, geralmente mal distribuída nas periferias e nos interiores, isenta dessa ferramenta de cultura tão importante.

Essa tendência de criação dos museus em grandes cidades acabou marginalizando ainda mais as comunidades com maiores níveis de vulnerabilidade social, as quais continuaram com pouca oferta destes tipos de equipamentos. Daí a importância social dos projetos de divulgação científica itinerantes, no sentido de levar o museu ou o centro de Ciência para os locais onde existe certa distância até o museu ou do abismo cultural que separa a população da possibilidade de visita a estes locais. Na primeira década deste século o número de ações de divulgação científica itinerantes no país aumentou, devido principalmente ao fomento aos projetos por instituições públicas financiadoras, como as Fundações de Amparo à Pesquisa de alguns estados (caso da FAPESB e da FAPEMIG, por exemplo) e das agências do Governo Federal, como o CNPq e a CAPES, além de algumas privadas, como a fundação Vitae, por exemplo.

- O primeiro centro de Ciência a adotar este sistema de itinerância que se tem notícia foi o MAST, com um projeto denominado 'O Museu vai à Praia', no ano de 1987, dois anos depois da fundação do museu. Neste tipo de projeto, aparatos

científicos (geralmente experimentos de demonstração de fenômenos e modelos tecnológicos) foram levados à praia por mediadores e funcionários do museu, com o intuito de levar a Ciência além das paredes e muros do museu, projeto este projeto teve a duração de um ano, sendo repensado e reinserido no museu no ano de , quando a frequência do projeto aumentou (FALCÃO, 2012).

No início dos anos 2000 o Museu de Ciência e Tecnologia (MCT) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) idealizou um museu itinerante que, diferente daquele projeto itinerante do MAST, seria acomodado em um caminhão, o qual depois de descarregado transformaria-se em um local de visitação com exposições itinerantes dentro e fora dele. Nascia assim, financiado pela Fundação Vitae, o Promusit (projeto museu itinerante), que fez sua primeira viagem em 2001 na cidade de Santa Maria, visitando muitas outras cidades do país.

A partir dessa iniciativa o Academia Brasileira de Ciências, com financiamento do MCT lança em 2004 o edital Ciência Móvel que, segundo Ferreira et al (2007), contempla oito projetos que adquiririam automóveis (geralmente caminhões, ônibus e microônibus), utilizando o Promusit como modelo de transformação dos espaços destes móveis, para projetos itinerantes de popularização das Ciências nos interiores do Brasil, principalmente em locais cuja escassez deste tipo de educação e de cultura é grande, como a região Nordeste, por exemplo.

Apesar de grande parte dos projetos dos editais do tipo 'Ciência Móvel' optar por utilização e adaptação de automóveis, alguns deles por não terem a possibilidade da contrapartida das instituições sede delinearam um projeto mais singelo, mas não menos importante, que são os que denominamos projetos itinerantes, que agregam experimentos demonstrativos, mediadores e colaboradores, com o objetivo de visitar parques, feiras, escolas, praças e outros locais frequentados por pessoas comuns levando oficinas, exposições e atrações científicas. É o caso dos projetos 'O museu vai à praia', elaborado pelo MAST e já citado anteriormente e 'Arte & Ciência no Parque', do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, por exemplo, idealizado e executado a partir do ano de 2007 e começou sua itinerância a partir de um grupo do Laboratório de Óptica e Sistemas Amorfos.

Esta ação de divulgação trouxe mais visitantes ao parque, alunos de escolas da redondeza em sua maioria, também pais e familiares que os acompanhavam ao parque que, neste caso, acabavam por fazer outra coisa que não faziam há tempos: frequentar o parque (TEIXEIRA et al , 2010).

Entretanto, mesmo com a oferta destas ações em lugares cujo acesso aos centros e museus de Ciências tenha aumentado, se coloca uma questão sobre a vontade do visitante interagir com os elementos da exposição. Esta interação pode ocorrer por vários motivos, mas alguns experimentos trazem alguns elementos que intensificam a motivação do visitante que potencializam a interação e fazem com que ela demore um pouco mais de tempo.

## A motivação intrínseca e a teoria do fluir

O conceito de motivação está ligado com o termo latino movere , que sigifica mover, movimentar. Partindo do senso comum, uma pessoa motivada tem 'vontade' para seguir adiante, vontade de realizar uma tarefa de cunho físico ou mental, seja

ela complicada ou não, ou seja, movimentar-se no sentido de conseguir realizar algo, que pode lhe causar uma sensação de prazer ou realização, ou simplesmente realizar a tarefa impelida por alguma recompensa externa ou sanção. Cientificamente a motivação tem vários aspectos importantes, incentivadores de uma interação e cognição mais apurada, mais duradoura e eficaz, dependendo de qual o objetivo desta interação.

Tanto a educação formal como a não formal estão repletas de objetivos importantes, como as relações de ensino-aprendizagem nas salas de aula, assim como nos centros de Ciência e nos projetos de divulgação científica. Este trabalho, entretanto, não se propõe a trabalhar estas relações, mas não se pode afirmar sem riscos que elas não existam. Independente disso, estas relações não existem se não houver motivação, tanto na esfera do ensino, protagonizada pelo professor e pelas estratégias de ensino que ele propõe na esfera da aprendizagem, onde o protagonista é o aluno, que deve estar motivado a realizar as tarefas relativas às estratégias propostas pelo professor. Este, por sua vez, deve estar motivado a criar e implementar essas estratégias, com o objetivo de motivar os alunos, desafiá-los e incentivá-los a completar estas tarefas com esforço e persistência.

Observando estes dois ramos de educação conclui-se que estar motivado significa mover-se no sentido de fazer algo (RYAN & DECI, 2000). Ainda segundo estes autores, três décadas de pesquisa mostram que a qualidade das experiências e a performance dos experimentadores podem ser extremamente diferentes quando estão motivados, seja qual for o tipo de interação. Na educação não formal o visitante tem a oportunidade de vivenciar, manipular, ser atuante, escolher e se divertir desenvolvendo as atividades oferecidas a ele nas exposições. Estar em um centro ou museu de Ciência, participar de uma feira de Ciências ou entrar em contato com atividades de divulgação científica podem ser interpretadas como atividades de lazer, dependendo do contexto atribuído à visita. As interações que ocorrem nestes espaços podem ser desafiadoras e divertidas, características que auxiliam as sensações de prazer e estão intrinsecamente ligadas a um intenso envolvimento psicologico de quem interage (CSIKSZENTMIHALYI, 1975).

Indivíduos se sentem mais atraídos a desenvolver atividades e realizar tarefas que escolhem por acreditarem ser capazes de desenvolvê-las e para satisfazer necessidades psicológicas inatas de competência, autonomia e para se sentirem pertencentes ao grupo de indivíduos do seu convívio social. Indivíduos realizam tarefas que têm características importantes para a educação, como a novidade, curiosidade, surpresa e desafio, esta última responsável pela sensação de competência e maestria depois de completadas. Outra característica importante das atividades e tarefas motivadoras é a diversão. Indivíduos geralmente ficam intrinsecamente motivados a realizar atividades e tarefas interessantes e divertidas, que resultam em certa sensação de satisfação após o término.

Ao contrário do senso comum essa motivação intrínseca não se apresenta como uma vontade pré-determinada que aflora a partir de alguns estímulos. Segundo Ryan & Deci (2000, p. 56), no senso comum a motivação intrinseca existe dentro dos indivíduos, mas em outro sentido ela existe na relação entre os indivíduos e as atividades realizadas, cujo êxito traz uma recompensa interna, ou seja, a sensação de satisfação, o aproveitamento da atividade, a sensação de competência ou de maestria é que está em jogo em uma atividade intrinsecamente motivadora.

Segundo Reeve (1989, p. 84) a motivação intrínseca depende de propriedades colativas (BERLYNE, 1963, p. 560) como novidade, complexidade, escolha e variabilidade, chaves que determinam a força, direção e duração da atenção de comportamentos derivados de exploração ou interação. Deci et al (1992, p. 167) indica que atividades intrinsecamente motivadoras são escolhidas pelos indivíduos e ocorrem naturalmente. Neste caso estas atividades podem estar presentes em um ambiente que as apresenta propriamente, ou mesmo por convite feito por outras pessoas que mostram as propriedades das atividades ou tarefas, 'seduzindo' os indivíduos a escolhê-las.

Existem casos em que a própria emoção pode ser um atrativo à realização de tarefas ou ao envolvimento em atividades, mesmo que sejam difíceis e até muitas vezes perigosas, como escaladas, jogos de xadrez, jogos físicos, fazer arte ou música, atividades que trazem grande sensação de satisfação ao indivíduo. Em algumas atividades se pecebe que o grau de envolvimento é extremamente alto, tanto que o tempo e o espaço parece não ter importância ao indivíduo (PINTRICH & SCHUNK, 2002, p. 283). Csikszentmihalyi & Abuhamdeh (2012) indicam que atividades intrinsecamente motivadas que envolvem grande esforço físico ou cerebral trazem sensações extremas de satisfação e alegria, chamada por Csikszentmihalyi de caráter autotélico , onde a meta é tida como própria e o indivíduo acredita que deve alcançá-la de qualquer forma (CSIKSZENTMIHALYI, 1975).

- O extremo envolvimento com estas atividades foi denominado pelo autor de 'flow' , que Guimarães (2009) traduziu como estado de 'fluir'. Pessoas que se envolvem de maneira mais profunda em determinadas atividades com características de caráter autotélico geralmente entram em estado de fluir. Guimarães indica que este termo foi inspirado em relatos de pessoas que diziam que a profunda absorção na tarefa ou o envolvimento na atividade era tão bom que era como ter a sensação de flutuar, ou que 'a atividade fluía junto com o tempo'.

## A pesquisa

A primeira parte da pesquisa o foco foi centrado em determinar as funções que os experimentos chave surpreendentes desempenham nas ações de divulgação científica. Estas funções são importantes para estes projetos e ações, pois podem auxiliar no design, na avaliação, na escolha do local para a exposição de determinados aparatos e acima de tudo porque algumas dessas funções são características importantes para o estudo da motivação do visitante.

Uma característica importante para a escolha das ferramentas metodológicas utilizadas neste trabalho foi a impossibilidade de controle das variáveis que permeiam as interações e emoções dos visitantes nos locais escolhidos, o que exclui a metodologia laboratorial para a coleta dos dados, além do pouco tempo de interação entre eles e os elementos das exposições.

Para tanto foi escolhida a observação direta a dois projetos de popularização (Arte & Ciência no Parque - USP e FISBRINK - IFSP) para identificar os aspectos principais desta motivação que, embora não seja tão eficaz para determinar as relações de causa e efeito nas relações afetivas ou cognitivas que interferem na motivação, têm sua eficácia na identificação de alguns indicadores de motivação importantes para a compreensão dos fatores que a aumentam ou diminuem. Estas

observações foram feitas in loco e através de gravações realizadas em algumas ações de divulgação científica.

## Os resultados e conclusões

As duas exposições possuíam elementos de interação que surpreendiam os grupos de visitantes. No projeto Arte & Ciência (A&C) foram identificados dois experimentos que surpreenderam de forma positiva os visitantes: a ' monga ', um aparato que mistura a imagem do rosto do visitante com uma máscara de bruxa dentro de uma caixa escura, através do aumento da luminosidade de uma lâmpada, a ' taça cantante ', uma taça onde os visitantes passam o dedo molhado para que entre em ressonância e emita um som característico. Já no projeto FISBRINK, os dois experimentos mais surpreendentes foram o experimento clássico da ' figura de Chladni ' em chapas de metal e a ' harpa de taças ', um conjunto de taças com água, que possui uma afinação e o torna um instrumento musical.

Estes quatro elementos da exposição surpreenderam os visitantes de formas diferentes. A monga causa uma sensação de susto quando o visitante mexe nas luminosidades interna e externa da caixa, fazendo com que a imagem do seu rosto se funda com a imagem da máscara vista dentro da caixa. O grupo que observa a interação ri, porque acha a situação engraçada, mas logo depois se interessa em interagir também. Já experimentos como as taças trazem além da surpresa com o som que, apesar de alguns visitantes já terem visto em filmes ou na Internet, não acreditam que possa ser realmente feito.

A interação com as taças também traz certo desafio de conseguir emitir o som, já que existe ali uma habilidade para fazer com que haja ressonância entre a taça e o dedo. A partir do momento em que o visitante consegue, outro desafio é proposto a ele: tocar uma música simples na 'harpa de taças'. Com as figuras de Chladni o visitante também é desafiado a conseguir algumas figuras diferentes atritando o arco do violino nas chapas. Quando ele consegue formar uma com o auxílio do mediador, é desafiado a conseguir uma nova por ele mesmo.

Ao interagir com estes experimentos os visitantes tem algumas das necessidades básicas introjetadas satisfeitas. A necessidade de pertencimento, satisfeita quando o visitante interage com a monga, amplia a curiosidade do grupo, convidando-os a interagir com o experimento. A sensação de satisfação se dá a partir do momento em que o grupo percebe a situação criada pelo experimento e ri, fazendo o interator ter a sensação de pertencimento ao grupo.

Os outros experimentos trazem desafios que ao serem transpostos causam sensação de bem estar no visitante. Além disso, os desafios tiveram um papel na exposição de incentivar os outros visitantes do grupo a interagir com outros elementos presentes nas ações. Interações com estes elementos trouxeram ao visitante a sensação de autoeficácia e autodeterminação, fatores importantes para a motivação intrínseca dos visitantes, que fazem com que eles dediquem mais tempo às interações.

Por fim, alguns dos desafios propostos tiveram um impacto grande no tempo de interação e no foco do visitante com relação a transposição do problema. Nestes casos, principalmente com relação aos desafios matemáticos presentes nas ações, como tangran, torre de Hanói e outros ainda de Física, como a própria harpa de

taças e dos 'pregos equilibristas', que consiste em equilibrar 15 pregos em apenas um, os visitantes interagiram por mais tempo, alguns deles saindo apenas quando os desafios foram transpostos, fatores descritos por Csikszentmihalyi & Abuhamdeh (2011) como 'teoria do Fluir'.

## Referências

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