Fazeres educacionais de mediadores na Escola da Ciência - Física: um estudo a partir de suas narrativas
Jonathan Pires Janjacomo, Geide Rosa Coelho
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XVII
- Ano
- 2018
- Data
- 28/08/2018
- Linha de pesquisa
- Co-03 Comunicação Em Práticas Educativas Formais, Informais E Não-Formais E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## Fazeres educacionais de mediadores na Escola da Ciência - Física: um estudo a partir de suas narrativas
## Educational actions of mediators in the Escola da Ciência - Física: a study from his narratives
## Jonathan Pires Janjacomo 1 , Geide Rosa Coelho 2
- 1 Universidade Federal do Espírito Santo, janjacomo1991@gmail.com
- 2 Universidade Federal do Espírito Santo, geidecoelho@gmail.com
## Resumo
Este trabalho visa apresentar os processos formativos de mediadores para atuação em centros e museus de ciências com foco em seus diversos fazeres no espaço da Escola da Ciência - Física. Ancorados na ideia de Paulo Freire de que a formação de um/a educador/a acontece a todo momento, buscamos nas narrativas produzidas em rodas de conversas com os mediadores elementos que indiquem a maneira como aprenderam os saberes necessários para as atividades exercidas cotidianamente na Escola da Ciência -Física. Associando as narrativas às observações feitas ao longo de um acompanhamento nas dependências do centro de ciências, pudemos compreender um pouco de como cada mediador se forma e apontar reflexões sobre a dimensão profissional desses sujeitos. Por fim sugerimos mais atenção para a formação de mediadores em centros e museus de ciências de modo a atender as demandas que eles apresentam em concordância com o projeto de cada espaço.
Palavras-chave : Centros e museus de ciências, formação de mediadores, narrativas
## Abstract
This work aims to present the formative processes of mediators to work in science centers and museums focusing on their various activities in the space of the School of Science - Physics. Anchored in the idea of Paulo Freire that the formation of an educator happens at all times, we search in the narratives produced in the wheels of conversations with the mediators elements that indicate the way they learned the necessary knowledge for the activities carried out daily in the School of Science Physics. By associating the narratives with the observations made during an accompaniment in the premises of the science center, we were able to understand a little of how each mediator is formed and point out reflections on the professional dimension of these subjects. Finally, we suggest more attention to the formation of mediators in centers and museums of sciences in order to meet the demands that they present in agreement with the design of each space.
Keywords narratives
: Centers and museums of science, training of mediators,
## Introdução
Alguns estudos em/sobre centros e museus de ciências têm direcionado sua atenção para os elementos da mediação entre acervo e público (QUEIRÓZ et al., 2002; PAVÃO; LEITÃO, 2007; MARANDINO, 2008a), com ênfase na mediação humana como excelência na relação dialógica nesses espaços. Assim sendo, compreender como se formam esses sujeitos para a mediação é um tema que merece singular atenção nas pesquisas científicas.
Além de mediar os conhecimentos dos visitantes e dos objetos culturais nos centros e museus de ciências, os/as mediadores exercem outras atividades, como na produção de 'recursos didáticos, aproximação aos equipamentos e apoios diversos em oficinas, laboratórios e atividades adequadas para cada idade' (MORA, 2007, p. 24). São diversas ações de caráter educativo que podem ser exercidas por mediadores em museus de ciências, junto a isso somam-se atividades de manutenção, preservação, orientação, recepcionista, fonte de informações, etc. (JOHNSON, 2007).
Dadas as múltiplas possibilidades de atuação em centros e museus de ciências, apresentamos neste trabalho algumas reflexões sobre os processos formativos de mediadores em um centro de ciência em Vitória - ES, a Escola da Ciência - Física, para os diferentes fazeres feito por eles em seu cotidiano. Este trabalho é um recorte de uma pesquisa de mestrado em educação, na qual abordamos as origens dos saberes da mediação humana por mediadores.
## Bases teóricas e metodológicas desta pesquisa
A cada segundo, milhares de novas informações surgem nas redes eletrônicas, porém muitas apresentam ideias deturpadas em relação ao conhecimento científico, frente à essa questão o sistema educacional trabalha para auxiliar a população em geral e os estudantes em específico a filtrar os elementos descartáveis para a vida coletiva e individual.
Em relação ao conhecimento científico, Carvalho (2008) aponta que após alguns anos do término do ensino médio, poucos são os conceitos relacionados às ciências naturais que permanecem no conjunto de saberes da população em geral.
Com vistas a complementar a educação da população e ampliar os aspectos da cultura científica, os centros e museus de ciências apresentam abordagens diferenciadas sobre os fenômenos naturais (DELICADO, 2006). Hoje em dia, os centros e museus de ciências são amplamente reconhecidos por promover aprendizagens a partir da interação com seus visitantes, dentre as quais podem ser apenas pela via da contemplação ou do manuseio direto, em que se consta, cheira, mexe, brinca (NASCIMENTO; COSTA, 2002). Também ocorre a chamado interação reflexiva, em que visitantes e mediadores são levados a pensar sobre o objeto cultural e seus fenômenos relacionados a outros momentos de suas vidas.
Ao fazer uma busca simples para saber quem são os sujeitos que promovem as interações, pode-se encontrar diferentes nomenclaturas, tais 'como facilitadores, guias, animadores, funcionários encarregados de laboratórios didáticos ou shows de ciência, etc' (RODARI; MERZAGORA, 2007, p. 9). As diferentes denominações são
acompanhadas por outros modos de atuar no museu, ou seja, se refere aos fazeres que os mediadores exercem em suas rotinas de trabalho.
Considera-se que a existência dessas várias denominações é relacionada a diferentes concepções sobre o papel que um mediador de museus deve exercer. Todos esses termos expressam alguma característica ou função que o mediador pode desempenhar, mas que não são as únicas nem as mais importantes. Afinal, a natureza primordial dessa atividade é ser múltipla (GOMES; CAZELLI, 2016, p. 26).
Nossa aposta é para o reconhecimento dos sujeitos que atuam em centros e museus de ciências como mediadores/as, uma vez que o mediador é 'aquele que transita por vários mundos, repletos de modelos diferenciados: da ciência, dos visitantes e dos idealizadores das exposições e atividades' (QUEIRÓZ et al., 2002, p. 79) e visa mediar as aproximações e distanciamentos entre esses mundos.
Se por um lado a mediação em museus e centros de ciências tem se mostrado como um excelente atributo para a promoção da enculturação científica, não devemos restringir os fazeres dos mediadores desses locais a apenas mediar os objetos do acervo. Tal como qualquer outro profissional da área da educação, os/as mediadores têm um conjunto de atividades a serem realizadas em seu cotidiano, dentre as quais se destacam, por serem de cunho educacionais: elaborar roteiros temáticos para visitas, planejar e realizar oficinas e palestras, fornecer formação continuada para professores da educação básica e estabelecer uma relação com a educação formal.
As atividades acima são algumas dentre as que são realizadas pelos mediadores da Escola da Ciência - Física (ECF), em Vitória. Trata-se de um centro de ciência localizado no Parque Moscoso, no Centro Histórico da capital do Espírito Santo. O acervo da ECF conta com cerca de 60 objetos científicos abertos para visitação divididos em cinco salas temáticas mais a área externa.
Como dito anteriormente, este trabalho é um recorte de uma pesquisa de mestrado em educação, em que destacamos os diferentes fazeres de mediadores na ECF. A pesquisa apresentou como delineamento metodológico o estudo de caso (ANDRÉ, 2013), utilizando como métodos de produção de dados as rodas de conversas (MOURA; LIMA, 2014), observação participante e registros fotográficos. Os nomes apresentados são fictícios de modo a preservar a identidade dos sujeitos da pesquisa.
As análises dos dados foram realizadas com base no referencial freiriano em constante diálogo com as/os autoras/es específicas da área de educação em ciências e museus de ciências.
## Os fazeres dos mediadores na Escola da Ciência - Física
Gomes e Cazelli (2016) consideram as funções dos mediadores de centros e museus de ciências como atividades múltiplas. Concordando com as autoras, os mediadores da ECF também exercem diferentes atividades. Abaixo apresentamos algumas delas.
Aqui na Escola da Ciência - Física além de ser monitor, às quartas-feiras eu fico na oficina de robótica com uma média de 4 a 5 alunos que são selecionados pela Prefeitura (Quílon)
A partir da fala do mediador, podemos identificar uma primeira atividade além da mediação exercida por ele, reger a oficina de robótica. Trata-se de um projeto permanente da ECF, com sala própria, em que é oferecido um curso de iniciação a robótica a estudantes matriculados em escolas públicas de Vitória.
Cabe a questão: qual a origem dos saberes necessários para conduzir a oficina? A resposta à essa questão vem a seguir, na narrativa de Quílon:
A ideia inicialmente que me foi passada era a de montagem de robôs usando esses kits ... Quando eu cheguei aqui/ e eu nem cheguei a conhecer o outro monitor dessa parte, o René me deu só um resumo e eu tive que começar a olhar como que eu ia trabalhar isso com as crianças... Primeiro que eu nunca tinha mexido com mindstorms, não conhecia esse/ essa ferramenta de educação/ educacional e não tinha trabalhado com o sistema deles... Além disso tem aquele primeiro baque 'cheguei aqui agora' e 'como que eu faço?'... A partir daí eu já tive que começar a trabalhar nas duas primeiras semanas que eu tava aqui (Quílon)
Por meio dessa narrativa, notamos que a formação para a condução da oficina de robótica ocorre via modelo centrado na autoformação (MARANDINO, 2008b), em que o mediador é responsável por aprender os conteúdos a serem utilizados de maneira independente. Marandino (2008b) afirma que os modelos de formação não são únicos, mas se apresentam imbricados um no outro nas instituições.
Considerando a especificidade da formação para esta atividade, é importante mesmo para o mediador se colocar no papel de quem busca a novidade, pois, nas palavras de Freire (2011, p. 30) 'não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses quefazeres se encontram um no corpo do outro'. Além da pesquisa como processo formativo, o mediador sinaliza para a troca entre pares e a reflexão em sua própria ação de modo a transformar a realidade dos estudantes:
Foi muito perceptível que as crianças que estavam lá já chegavam e começavam a montar [os] robôs... 'O que vamos fazer hoje?' e fica aquela coisa mecanizada de não ter que pensar, elas só chegavam lá montavam robô e pronto... 'O que eu vou fazer mais? Só isso que eu vim fazer' […] seria muito interessante sair dessa parte mecânica e entrar numa coisa pra pensar no porque que vocês estão aqui, o que é robótica, o que é um robô... Pra eles começarem a perceber além do que eles tavam fazendo aqui, na questão do por que mesmo... Igual aquele filme Tempos Modernos do Charles Chaplin, onde ele chega, gira os botõeszinhos e saí, próximo... Próximo... A semana em que eu comecei, comecei a perguntar isso e infelizmente só tinham três alunos, mas eles chegaram na sala e 'cadê as peças de lego que deveriam estar em cima da mesa?', aí olharam pra mim e eu tava só com aquele sorrisinho e falei 'hoje ninguém vai mexer com lego não, hoje nós vamos conversar sobre robô e robótica' e aí eles começaram a conversar... Teve aquele impacto inicial assim 'pô, o que é robô?'... Das três horas que é a oficina foi quase uma hora pra sair [da pergunta sobre] o que era robô e foi mais uma hora pra sair [da pergunta sobre] o que era robótica (Quílon)
Logo ao iniciar na ECF, Quílon se viu insatisfeito com a maneira com que a oficina era conduzida e refletindo a esse respeito resolveu mudar. Dessa forma, há um ponto forte de encontro entre a formação do mediador e a práxis autêntica (FREIRE, 1988) que proporciona a educação para a liberdade. Essas mudanças convergem com o sentimento do próprio mediador de que o que ele faz tem significado na vida das pessoas, sendo agente de transformação social. 'Percebe- se, assim, a importância do papel do educador, o mérito da paz com que viva a
certeza de que faz parte de sua tarefa docente não apenas ensinar os conteúdos, mas também ensinar a pensar certo' (FREIRE, 2011, p. 28). Os sinais de que a oficina de robótica tomou rumos positivos após Quílon assumi-la é apontada por ele na continuação de sua narrativa.
[…] e já me foi falado pelos pais, pelo menos dois pais, que quando eles chegaram em casa eles gostaram da conversa, porque saiu daquilo que eles estavam acostumados e foi uma coisa, de certa forma, nova, mas com tudo o que eles tavam trabalhando até então e não tinham percebido (Quílon)
Neste ponto chegamos a uma característica específica dos mediadores da ECF, quando de nossa pesquisa, cada um/a deles/as tem um projeto específico, no qual devem contribuir para a melhoria do espaço. Quílon apresenta seu projeto:
O meu projeto atualmente é montar roteiros de aula para conseguir ter uma consistência do que é tratado nessa oficina, mesmo que seja um espaço não formal [...] com esses roteiro eu vou poder falar além de como montar os robôs, coisas do tipo 'com esse robô podemos trabalhar conceitos de mecânica, dá pra trabalhar com conceitos de ótica' aí da ótica já dá pra puxar um pouco pra biologia porque trabalha com luz/ a luminosidade que a gente consegue enxergar/ então dá pra trabalhar a interdisciplinaridade (Quílon)
Considerando a dimensão educacional do museu de ciência, planejar criticamente as intervenções com estudantes da educação básica se constitui como fim e meio em um processo contínuo de formação, no sentido de que a ao refletir sobre como abordar determinados temas nas aulas de robótica o educador se forma, pensa e repensa sua própria postura no mundo e intervindo com o outro, intervém em si mesmo.
O processo de formação pode assim considerar-se a dinâmica em que se vai construindo a identidade de uma pessoa. Processo em que cada pessoa, permanecendo ela própria e reconhecendo-se a mesma ao longa da sua história, se forma, se transforma, em interação (MOITA, 2000, p. 115).
## Outro projeto relacionado ao laboratório de robótica da ECF é o de Míson:
O meu projeto é relacionado a robótica e inicialmente eu não sabia nada nada nada nada de robótica... Eu perguntei ao René 'meu Deus o que eu vou fazer' [...] O meu projeto é fazer um robozinho que guie/ que vá guiando no acervo como uma forma de ajudar o mediador […] E esse projeto que eu tive aqui é para ajuda mesmo dos mediadores que vai ser pra deixar de uma forma um pouquinho mais lúdica, mais divertida com um robozinho passando aqui, talvez um público mais jovem ache interessante (Míson)
Ainda que a maneira como Míson apresenta seu projeto pareça confusa, entendemos que o mediador busca construir um robô para mediar o acervo junto a ele. Essa discussão sobre a utilização do robô como mediador na ECF foi tema de conversas e reflexões ao longo de alguns dias, devido ao tamanho dos protótipos, as limitações do programa, etc. Fato é que, para a formação como educador, o projeto colabora para uma postura problematizadora e que preza pela inserção de novas tecnologias em ambientes educacionais.
Com a intenção de aumentar o número de visitantes na ECF, o projeto de Sólon movimenta ações em uma rede social.
Meu projeto é a página do facebook Projeto de Extensão Escola da Ciência Física-Ifes e eu tô visando aumentar a divulgação do espaço... Porque nós recebemos muitas escolas, mas nós quase não recebemos o público
avulso, as pessoas podem vir aqui mas elas não conhecem muito o lugar (Sólon)
A fala de Sólon pode ser confirmada ao observarmos o livro de visitas, em que a maioria dos visitantes oriundos de grupos escolares. Em um dado momento da conversa Sólon apontou para um significativo aumento nas visitas de munícipes no período das férias ocasionado pela ampla divulgação nas redes sociais. A escolha do projeto foi feita pelo fato de Sólon se manter sempre conectado nas redes sociais. Não caberia aqui descortinar a origem de seu gosto pela internet. Dessa conversa surgiram muitas ideias, como por exemplo, a elaboração de vídeos com os objetos do acervo, encenações ambientadas na ECF, vídeos convidando as pessoas a conhecerem o espaço. Mais uma vez o diálogo se mostrou potente processo formador para as demandas do cotidiano de um centro de ciência.
Além dos projetos individuais, os mediadores da ECF exercem outras atividades, dentre as quais presenciamos ao longo da pesquisa a elaboração e execução de uma formação para professoras e professores de ciências da PMV.
Por solicitação da direção dos Centros de Ciência, Educação e Cultura da Prefeitura de Vitória, a equipe da ECF proporcionou aos docentes uma formação sobre ótica. Dividida em três momentos, a formação contou com: i) aula de ótica e os principais fenômenos envolvidos na visão; ii) visita à sala de ótica do acervo da ECF; iii) construção de óculos de realidade virtual com materiais de baixo custo.
Na primeira etapa, notamos o envolvimento do mediador responsável por conduzir o encontro, sua busca por atualidades, se debruçar sobre os livros, as consultas e a construção dos slides, tudo isso para deixar o mais simples e didático o conteúdo, de modo que as professoras e professores pudessem levar para suas salas de aula.
A transposição didática, ocorrida na segunda etapa, na visita ao acervo indicando as potencialidades de cada experimento em relação aos conteúdos escolares foi outro aspecto marcante. Esse ponto nos remete à outra solicitação feita aos mediadores da ECF: fazer uma lista relacionando os conteúdos dos objetos da ECF aos objetivos de aprendizagens para o componente ciências das Diretrizes Curriculares do Ensino Fundamental e da Educação de Jovens e Adultos da PMV (VITÓRIA, 2016).
Na ECF há uma pasta com materiais para consulta disponível aos mediadores para explorarem os conceitos e abordagens sobre os objetos do acervo. Mesmo com a Pasta de Estudos indicando diferentes experimentos para visitas com estudantes de diferentes séries, os mediadores da ECF têm o habito em sua profissão de criar roteiros que mais lhe agradam para conduzir as visitas. Durante a semana de férias, foram criados roteiros temáticos para que os visitantes pudessem fazer, um deles é comentado por Sólon:
Foi bem interessante que cada pessoa tinha que fazer um roteiro pra mostrar na semana alguma coisa diferente, e assim como o Míson falou chamou muita gente, e por mim nós teríamos uma dessa por mês... É muito interativo pros monitores também [...] Foi muito legal que a gente trabalhou em grupos e o nosso foi de conservação de energia, e foi muito legal que a gente fez um catálogo com todos as experiências que falam sobre energia e a gente falou 'tem que ter um começo, um meio e um fim' aí a gente estabeleceu o começo e o fim e pegou para trabalhar o meio... Criar o roteiro a partir do momento em que a gente já conhece todas as experiências, já se aprofunda nas experiências foi mais simples (Sólon)
Notamos na fala de Sólon o processo percorrido para a elaboração de um roteiro temático. Atentar para este processo de criação no museu de ciência é importante, uma vez que:
a ação do mediador é precedida por um trabalho de equipe para a preparação das sessões. Basicamente esse trabalho envolve a criação de um roteiro e a produção da sessão. Uma boa sessão condiciona uma boa mediação. Do ponto de vista de envolvimento e trabalho em equipe, é recomendável que os mediadores participem ativa e criticamente da elaboração das sessões, não se limitando apenas à sua apresentação (MATSUURA, 2007, p. 79)
Aqui encontramos um indício da origem do saber da conexão , aquele que visa 'conectar os diferentes espaços de uma mesma exposição ou trilha e conectar diferentes aparatos de um mesmo espaço' (QUEIRÓZ et al., 2002, p. 85).
## Considerações finais
Ser mediador em um museu de ciência requer uma infinidade de conhecimentos, haja vista as diversas demandas profissionais do cotidiano dos mediadores nos centros e museus de ciências. Nossa pesquisa indicou alguns fazeres dos mediadores da Escola da Ciência - Física, em Vitória, ES, e a identificação da origem dos saberes necessários para essas tarefas. Por se tratar de um estudo de caso, não podemos generalizar para outros espaços os caminhos percorridos por esses mediadores, mas levanta-nos a questão: o que é realmente importante para os mediadores aprenderem frente às múltiplas possibilidades de atuação?
Freire (2011) afirma que podemos sempre estar nos atualizando enquanto educadores e que, ao assumirmos nossa incompletude devemos continuar na busca por sermos profissionais melhores. Mediadores enquanto educadores em centros e museus de ciências devem ter o mesmo compromisso, o da formação permanente e o de levar aos visitantes - regulares ou esporádicos, estudantes ou munícipes, crianças ou idosos - o conhecimento libertador em suas vidas.
De modo algum retiramos da instituição científico-cultural a responsabilidade de formar seus profissionais, oferecer condições para a ampliação de seu arcabouço teórico, mas acreditamos que seja necessário mais atenção se o que almejamos é uma sociedade alfabetizada cientificamente.
## Referências
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.