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Integração entre conhecimento científico e didático nas práticas como componente curricular

Angelisa Benetti Clebsch, José De Pinho Alves Filho

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XVI
Ano
2016
Data
07/09/2016
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## INTEGRAÇÃO ENTRE CONHECIMENTO CIENTÍFICO E DIDÁTICO NAS PRÁTICAS COMO COMPONENTE CURRICULAR

## INTEGRATION BETWEEN SCIENTIFIC KNOWLEDGE AND TEACHING IN PRACTICE AS A CURRICULAR COMPONENT

*Angelisa Benetti Clebsch , José de Pinho Alves Filho 1 2

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Instituto Federal Catarinense/PPGECT/UFSC, angelisa@ifc-riodosul.edu.br Universidade Federal de Santa Catarina/(UFSC)/Departamento de Física, jopinhofilho@gmail.com

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## Resumo

A Prática como Componente Curricular (PCC , presente nas licenciaturas há ) mais de uma década, ainda gera dúvidas com relação a sua distribuição nos currículos e implementação. Visando contribuir com as instituições que estão em fase de reestruturação dos cursos em função das novas Diretrizes Curriculares para a Formação de Professores, formulamos o seguinte problema: Como as disciplinas Pedagógicas de Física podem promover a integração teoria-prática na licenciatura em Física? Apresenta-se aspectos históricos relativos a evolução dos currículos que contextualizam o surgimento de tais disciplinas na licenciatura em questão. A investigação envolveu as Instituições públicas catarinenses e foi realizada através de análise documental nos Projetos Pedagógicos dos Cursos e Planos de Ensino das disciplinas. Foram delineados os seguintes objetivos: a) Identificar nas Licenciaturas em Física as disciplinas Pedagógicas de Física que contém carga horária de PCC; b) Identificar os temas tratados nas disciplinas; c) Buscar possíveis contribuições da Instrumentação para o Ensino na construção do conhecimento pedagógico de conteúdo dos licenciandos. O trabalho mostra que a Instrumentação para o Ensino, presente desde a década de 60 nas Licenciaturas em Física, promove a relação teoria-prática (em termos de suas didáticas e de sua aplicação no contexto profissional). As mesmas são potenciais na construção do conhecimento pedagógico de conteúdo, pois integram os conhecimentos físicos com os pedagógicos. Apresenta-se como possibilidade para as licenciaturas a distribuição de parte das horas de PCC em disciplinas pedagógicas específicas, pois estas podem (e devem) promover a efetiva relação teoria-prática. Além de subsidiar o desenvolvimento de conhecimentos e habilidades necessários à docência.

Palavras-chave : Licenciatura em Física, Articulação teoria-prática, Instrumentação para o Ensino, Conhecimento Pedagógico de Conteúdo.

## Abstract

Practice as Curricular Component (CPC), present in degrees for more than a decade, still raises questions regarding its distribution in the curriculum and implementation. To contribute to the institutions that are in restructuring the courses lar Guidelines for Teacher Training, formulated the following problem: How Pedagogic Physics disciplines can promote the theorypractice integration in the degree in Physics? It presents historical aspects of the development of curricula that contextualize the emergence of such disciplines in the degree in question. The research involved the Santa Catarina public institutions and was conducted through document analysis in pedagogical projects Course Plans and

Teaching disciplines. The following objectives were outlined: a) Identify the Undergraduate Physics Pedagogical physics disciplines that contains hours of PCC; b) To identify the topics covered in the courses; c) Find possible contributions of Instrumentation for Teaching in the construction of pedagogical content knowledge of undergraduates. The work shows that the instrumentation for Education, present from the 60 Degrees in Physics, promotes the theory-practice (in terms of their teaching and their application in the professional context). They are potential in the construction of pedagogical content knowledge, they integrate physical knowledge with teaching. It is presented as a possibility for the degree distribution of the hours of PCC in specific pedagogical subjects, as they can (and should) promote effective relation between theory and practice. In addition to supporting the development of knowledge and skills necessary to teaching.

Keywords : Degree in Physics, Articulation between theory and practice, Instrumentation for Education, Pedagogical Content Knowledge.

## Introdução: contexto, justificativa e objetivos

A organização curricular das licenciaturas brasileiras deve incluir conteúdos teóricos (relativos à área específica e de formação profissional) e práticas (relativas à profissão). A dimensão prática se faz presente nestes cursos através de dois componentes: Prática como Componente Curricular (PCC) e Estágio Curricular Supervisionado (ES). A PCC tornou-se obrigatória através das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores (DCNFP), dispostas em resoluções (BRASIL, 2002a; BRASIL, 2002b), com o propósito de articular os saberes teóricos com a prática profissional desde o início da formação. Anteriormente a estes documentos, a dimensão prática ficava restrita ao ES.

Mesmo revogadas estas resoluções (BRASIL, 2002a; BRASIL, 2002b) ainda normatizam licenciaturas vigentes, considerando que as novas DCNFP (BRASIL, 2015) estão em implementação ou em fase de implementação até julho de 2017. Os dois componentes (ES e PCC) são mantidos nas atuais DCNFP (BRASIL, 2015) com a mesma carga horária (quatrocentas horas para cada um). O documento determina que a efetiva e concomitante relação teoria e prática deve ser garantida nos processos formativos e subsidiar o desenvolvimento de conhecimentos e habilidades necessários à docência. Pesquisas mostram que apesar de fazer parte das licenciaturas a mais de uma década, ainda há dúvidas como relação à PCC: sobre a distribuição de sua carga horária, implementação e como promover a articulação teoria-prática. Diante deste cenário formulamos a seguinte questão: Como as disciplinas pedagógicas de Física podem promover a integração teoriaprática na licenciatura em Física? Iniciamos pontuando aspectos históricos relativos aos currículos dos cursos.

- O ES foi incorporado nas Licenciaturas a partir do Parecer 292/62 do Conselho Federal de Educação (CFE), que determinou as matérias pedagógicas para estes cursos: Psicologia da Educação, Didática, Estrutura e Funcionamento do Ensino de 2 Grau. Sua redação faz parte da resolução CFE n 9 (10/10/1969), que o o fixou os mínimos de conteúdo, a duração para a formação pedagógica e a obrigatoriedade do ES: 'Será obrigatória a Prática de Ensino das matérias que sejam objeto de habilitação profissional, sob forma de estágio supervisionado a desenvolver-se em situação real, de preferência em escola da comunidade' (BRASIL, 1975, p. 251).

A parte específica dos cursos foi definida em documentos próprios. No caso da Licenciatura em Física, o Parecer CFE n 296 (17/11/1962), e posterior resolução o publicada no mesmo ano, fixou pela primeira vez um currículo mínimo. As 'matérias' obrigatórias eram: Matemática, Geometria Analítica e Cálculo Numérico, Física Experimental, Mecânica Geral, Química, Estrutura da Matéria e Instrumentação para Ensino. Esta última, além de ampliar a formação pedagógica do licenciando, era voltada para a prática profissional. Na época, somente a licenciatura de Física tinha Instrumentação. As demais áreas não, somente a incluíram anos mais tarde.

A resolução CFE n 30 (11/7/1974), fixou os conteúdos mínimos dos cursos o de Licenciatura em Ciências. Determinou que os mesmos teriam matérias e atividades da parte comum (que habilitava para o primeiro grau), da parte diversificada (específica para as disciplinas do campo para o 2 o grau) e Instrumentação para o Ensino. A parte comum abrangia as matérias: Matemática, Física, Química, Elementos de Geologia e Biologia. A habilitação diversificada no caso da Física incluía: Matemática, Química, Física e Física Aplicada. O documento deliberou que a formação pedagógica (no que tivesse de específico) deveria apoiarse na Instrumentação para o Ensino. Para entender melhor a concepção de Instrumentação para o Ensino, recorremos ao parecer do CFE (n 1687/74) que o antecedeu a resolução citada. A mesma é concebida em sentido amplo concedendo um 'tom científico' à formação pedagógica.

O objetivo em mira é instrumentar o futuro mestre para a sua atividade profissional, o que se fará pela montagem, avaliação, crítica e melhoria de experiências adequadas à escola de 1 e 2 graus, pelo desenvolvimento de o o recursos auxiliares para o ensino e pela familiarização do aluno com as técnicas de excursão e outras formas de realizar a pesquisa escolar ou observar aplicações da ciência. […] Por natureza ela cabe em todos os programas - pois todos os professores dela se encarregarão […] Assim encarada, a Instrumentação para o Ensino deve seguir a formação do estudante em toda sua extensão 'curta' ou 'plena'. […] Nestas últimas, em que uma determinada ciência já assoma ao primeiro plano, cabe focalizar este campo com todas as suas peculiaridades factuais e implicações metodológicas (BRASIL, 1975, p 106).

Nota-se a sugestão de que a Instrumentação para o Ensino seja tratada durante todo o curso, com participação de todos os formadores. Assim é preconizada a integração entre os conteúdos específicos e o preparo para o ensino destes conteúdos na atuação profissional. Um pouco diferente da concepção do parecer CFE 296/62 que incluiu, de forma pioneira, a Instrumentação para o Ensino como matéria na Licenciatura em Física. O que, de certa forma, converge com a concepção de PCC incluída nas DCNFP (BRASIL, 2002a; BRASIL, 2002b; BRASIL, 2015) com o propósito de articular teoria e prática ao longo do percurso formativo. Prova desta convergência é que, em geral, as Licenciaturas em Física atuais contém a disciplina Instrumentação para o Ensino, sendo consideradas como PCC. Estas pinceladas em aspectos históricos da evolução dos currículos nos ajudam a entender a presença de disciplinas Pedagógicas de Física nas licenciaturas em questão, como apontado em publicações da área.

As disciplinas de Instrumentação para o Ensino em geral trabalham questões teóricas relativas ao ensino de conteúdos específicos e, desenvolvimento e aplicação na escola básica de minicursos/projetos de ensino (MACEDO e SILVA, 2014). Atividades similares são realizadas em disciplinas de Práticas de Ensino, que segundo Martins (2009) teriam o papel de articular as disciplinas científicas com as

didático-pedagógicas e de promover a integração entre a teoria e prática. Também são comuns nas Licenciaturas em Física, disciplinas de Metodologia para o Ensino (CAMARGO, et al. 2012). O contexto aqui exposto mostra que disciplinas Pedagógicas de Física estão presentes na Licenciatura. Muitas delas consideram sua carga horária (parcial ou total) como PCC, e promovem a articulação teoriaprática. Pelo fato de combinarem os conhecimentos físicos e didáticos podem contribuir também na construção do conhecimento profissional necessário à docência em Física.

Diante deste cenário, este trabalho tem por objetivos: a) Identificar nas Licenciaturas em Física as disciplinas Pedagógicas de Física que contém carga horária de PCC; b) Identificar os temas tratados nas disciplinas; c) Buscar possíveis contribuições da Instrumentação para o Ensino na construção do conhecimento pedagógico de conteúdo dos licenciandos. Trata-se do recorte de uma investigação que visa caracterizar a articulação teoria-prática na formação de licenciandos em Física. Traz parte da análise dos dados coletados na fase exploratória da pesquisa que envolveu as seis instituições públicas catarinenses que ofertam Licenciatura em Física: Instituto Federal Catarinense (IFC): campus Concórdia e Rio do Sul, Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC): campus Araranguá e Jaraguá do Sul, Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

## Referencial Teórico e Metodologia de Pesquisa

Foi realizada análise documental dos Projetos Pedagógicos dos Cursos e dos planos de ensino de disciplinas Pedagógicas de Física (com carga horária de PCC) e dos ES. Buscamos fundamentação em Shulman que definiu o conhecimento pedagógico de conteúdo Pedagogical Content Knowledge (PCK), como uma categoria de conhecimento característico da docência. Para o autor o PCK transcende o conhecimento específico e atinge uma dimensão de conhecimento da matéria para o ensino, podendo ser originado de pesquisas da área ou da prática docente. As dimensões de análise da pesquisa (curricular, pedagógica e prática profissional) foram definidas a partir de documentos legais (BRASIL, 2001; BRASIL, 2002a; BRASIL, 2002b) e de aportes teóricos (SHULMAN, 1986, 1987; PARK e OLIVER, 2008; CARVALHO e GIL PÉREZ, 2014). Cada uma das dimensões foi divida em categorias. No quadro 1 a seguir sumarizamos as categorias de análise da dimensão pedagógica cujos dados serão apresentados adiante.

Quadro 1- Categorias de análise da Dimensão Pedagógica

Fonte: Elaborado pelos autores. Adaptado de Carvalho e Gil Pérez (2014), Park e Oliver (2008). *Será utilizada apenas na fase experimental da pesquisa.

As categorias da dimensão curricular permitiram identificar a distribuição dos saberes nos cursos. A dimensão prática profissional, em fase de análise tem foco nas práticas (PCC e ES). A dimensão pedagógica, dividida em duas categorias, foi centrada nas disciplinas Pedagógicas de Física. A categoria saberes integradores identificou os conhecimentos teórico-pedagógicos presentes nos cursos. A categoria conhecimento pedagógico de conteúdo buscou identificar possíveis contribuições das disciplinas na construção do PCK dos licenciandos, com base em seus componentes para o Ensino de Ciências elaborados por Park e Oliver (2008) . 1

## Apresentação e Análise dos dados

Todos os cursos investigados contém disciplinas de Metodologia voltadas ao Ensino de Física. O IFC, UDESC e UFSC incluem em seu currículo três disciplinas de Instrumentação para o Ensino de Física. A disciplina de Didática das Ciências é comum aos Institutos Federais (IFC e IFSC). As disciplinas de Prática de Ensino fazem parte do currículo das duas universidades de nossa amostra (UDESC e UFSC). Outras disciplinas estão presentes em apenas uma das instituições. É o caso dos Projetos Integradores e da disciplina Ciência, Tecnologia e Sociedade presentes na Licenciatura do IFSC. Já no IFC temos a presença das disciplinas Seminários e, Pesquisa em Ensino de Ciências e Física.

Para efeitos de exemplificação vamos apresentar o temas tratados em duas instituições da amostra (UDESC e UFSC), escolhidas pelo fato de ofertarem a Licenciatura em Física a mais tempo no estado de SC. Estes foram reunidos por sub categorias. Em Pesquisa em Ensino de Ciências/Física identificamos a presença do tema Tendências atuais de Pesquisa em Ensino de Física na UFSC. Na subcategoria Ensino e aprendizagem em Ciências/Física identificamos nos cursos dois temas em comum. Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) e suas relações com o Ensino de Física e, abordagens sobre Ensino-aprendizagem em Física e suas diferentes concepções. O tema Ensino em Espaços não Formais está previsto no curso da UFSC.

Na subcategoria Linguagem e Ensino de Física foi identificada a presença de assuntos da Didática das Ciências da corrente Francesa em ambos os cursos. É o caso da Transposição Didática, Contrato Didático e Alfabetização Científica e Tecnológica. Também registramos a presença de conteúdos relativos aos conhecimentos prévios dos estudantes através do tema Concepções Alternativas (UDESC e UFSC). Na subcategoria Organização e conhecimento do currículo identificamos a presença de temas em comum nos cursos. É o caso do tema

P rojetos Nacionais e Internacionais da Área de Ensino de Ciências e Física. E do tema História do Ensino de Física no Brasil .

Em Materiais, Métodos e Estratégias de Ensino foi identificado o assunto Práticas Experimentais no Ensino de Física (UDESC e UFSC). Envolve discussão sobre atividades experimentais, atividades de demonstração, laboratório didático e simulações virtuais. Outro tema em comum nos cursos é Materiais Didáticos para o Ensino de Física . Entre eles, recursos tradicionais e alternativos como: livros didáticos, paradidáticos e materiais on-line. Ambos os cursos contemplam fundamentação sobre Metodologias Didático-Pedagógicas para o Ensino de Física. Entre elas temos o uso didático da História da Ciência e a modelização no Ensino de Física. Os cursos promovem discussões sobre a utilização de projeto interdisciplinar como estratégia didática. Há a presença de Tecnologias para o Ensino de Física (UDESC e UFSC), vinculadas a metodologias e recursos instrucionais.

Na subcategoria Prática docente foi encontrado o tema Situações Didáticas nos dois cursos, pois há a previsão de planejamento, execução e/ou avaliação, pelos licenciandos de Unidades de Ensino. Podemos destacar também a presença do tema Planejamento Didático . Abrange fundamentação para elaboração de planos de aula, planos de ensino e práticas pedagógicas. Há a presença do tema Habilidades do Professor , concernentes ao gerenciamento do ensino na UDESC.

A título de exemplo apresentamos a análise da segunda categoria da Dimensão Pedagógica realizada nas Instrumentações (em duas instituições investigadas). As disciplinas de Instrumentação para o Ensino de Física (UDESC e UFSC), são distribuídas em três semestres e preveem a elaboração, aplicação e avaliação de Unidades de Ensino em turmas piloto, com orientação dos docentes formadores. A previsão de realização de seminários sobre o conteúdo específico das Unidades de Ensino transmite a ideia de que 'compreender' o conteúdo a ser ensinado é o primeiro passo para sua transformação em conteúdo para o ensino.

Os cursos incluem nestas disciplinas Orientações para o ensino da ciência . No caso, são orientações gerais sobre 'como fazer' o Ensino de Física. São mencionados o uso de atividades experimentais, demonstrações de experimentos, possibilidades de construção de materiais didáticos. A Transposição Didática está presente tanto em seus aspectos teóricos como em termos de processo quando da elaboração pelos licenciandos das Unidades de Ensino. São abordados aspectos teóricos relativos a fundamentação e metodologias de projetos interdisciplinares e/ou projetos temáticos. Estão previstos estudos e orientações com relação à modelização em Física e resolução de problemas. As instituições fomentam a utilização de tecnologias no Ensino de Física. A UDESC explicitamente solicita que os licenciandos elaborem a unidade de ensino, por meio de abordagem temática visando à Alfabetização Científica e Técnica dos estudantes. A UFSC inclui processos de ensino-aprendizagem da Física e formas de apreensão dos conteúdos físicos. As disciplinas também transmitem crenças sobre a natureza da ciência, de modo explícito através de discussões sobre conhecimento científico, História da Ciência (UDESC), História da Física (UFSC).

As disciplinas de Instrumentação para o Ensino de Física abordam Conhecimento sobre a compreensão dos alunos em ciência A análise do material . nos mostra que cada grupo de licenciandos planeja e aplica uma unidade de ensino. Além do planejamento didático os grupos devem apresentar à turma seminário do conteúdo que fará parte da unidade de ensino , que pode possibilitar a compreensão

do conteúdo a ensinar, identificação de pré-requisitos e possíveis dificuldades para a sua aprendizagem. Identificamos a presença de conteúdos sobre concepções espontâneas (UDESC, UFSC) e sobre dificuldades de aprendizagem na UFSC através do tópico obstáculos epistemológicos. A contextualização dos conteúdos de Física deve estar presente nas Unidades de Ensino desenvolvidas pelos licenciados, o que os induz a conhecer os interesses e necessidades dos estudantes.

As disciplinas em pauta incluem em seus programas Conhecimento do currículo de ciências. Identificamos a presença do estudo dos grandes projetos nacionais e internacionais da área de ensino de Física que trata de aspectos históricos relativos à inovação curricular. As disciplinas preveem a elaboração e desenvolvimento de projetos interdisciplinares, o que exige a utilização de conhecimentos de outras disciplinas ou áreas, relativo ao currículo horizontal. Ainda nesta subcategoria, verificamos a presença de conhecimentos sobre materiais instrucionais (teóricos, experimentais) existentes e tecnologias educacionais. Além disso, a previsão de elaboração de materiais didáticos para o ensino dos tópicos específicos das Unidades de Ensino. A elaboração das Unidades de Ensino pelos licenciando supõe a utilização de conhecimentos sobre os conteúdos físicos (clássicos, modernos e/ou contemporâneos) que fazem parte do currículo da Educação Básica.

A subcategoria Conhecimento das estratégias e representações para ensinar ciências, está implicitamente presente nestas disciplinas. Os licenciandos tem pelo menos dois semestres para planejar as Unidades de Ensino e selecionar estratégias didáticas adequadas as áreas e tópicos de Física envolvidos em seus trabalhos. Além disso, a socialização das atividades realizadas durante as disciplinas contribui para o conhecimento de estratégias de ensino e representações para diversos tópicos específicos. A subcategoria Conhecimento da avaliação da aprendizagem em ciências está também presente, pois as Unidades de Ensino devem prever a avaliação da aprendizagem dos tópicos de Física envolvidos.

## Considerações Finais

A presença da disciplina Instrumentação para o Ensino sinaliza que as Licenciaturas da área de Ciências já tinham o propósito de articular teoria-prática ao longo da formação desde a década de 60, de forma similar ao que é proposto com a inclusão das PCCs pelas DCNFP mencionadas neste trabalho. O desenvolvimento da questão anunciada e dos objetivos propostos neste artigo, nos permitem esboçar algumas considerações.

Uma possibilidade para as licenciaturas é a distribuição de parte das horas de PCC em disciplinas pedagógicas específicas, pois estas podem (e devem) promover a efetiva relação teoria-prática (em termos de suas didáticas e de sua aplicação no contexto profissional). Seja através do estudo de conteúdos oriundos de pesquisas da área, como exemplificado através dos temas identificados nas disciplinas Pedagógicas de Física. Ou através de práticas de ensino analisadas, planejadas e/ou desenvolvidas nestas disciplinas.

As presença de disciplinas Pedagógicas de Física nas licenciaturas pode subsidiar o desenvolvimento de conhecimentos e habilidades necessários à docência (BRASIL, 2015). Os dados nos mostram que estas disciplinas contribuem na construção do PCK (SHULMAN, 1986, 1987) dos licenciandos, uma vez que identificamos na disciplina de Instrumentação para o Ensino a participação de seus

componentes (PARK e OLIVER, 2008), cada um deles potencial no desenvolvimento do PCK dos licenciandos. Estes autores supõe que o PCK é interno e externo, baseado no que o professor sabe e faz. Por isso a necessidade de contribuir neste desenvolvimento tanto através dos saberes teóricos, como através das práticas de ensino.

Toda a formação deve dar suporte para a realização do ES, momento em que o licenciando exerce a docência e tem que se adequar a realidade, currículo e possibilidades que a escola campo de estágio oferece. Neste sentido, as disciplinas aqui analisadas trazem importantes contribuições.

## Referências

BRASIL, Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Parecer CNE/CES 1.304 de 06 de novembro de 2001 . Diretrizes Nacionais Curriculares para os Cursos de Física. Brasília: CNE, 2001.

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- \_\_\_\_\_\_\_, Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP 2, de 19 de fevereiro de 2002. Institui a duração e a carga horária dos cursos de licenciatura, de graduação plena, de formação de professores da Educação Básica em nível superior. Brasília: CNE, 2002b.
- \_\_\_\_\_\_, Ministério da Educação e Cultura. Conselho Federal de Educação. Currículos Mínimos dos Cursos de Nível Superior. 2 edição. Brasília: a Departamento de Documentação e Divulgação, 1975.
- \_\_\_\_\_\_, Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE n o 2/2015 . Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e cursos de segunda licenciatura) e para a formação continuada. Brasília: CNE, 2015.

CAMARGO, S.; et al. A reestruturação do projeto pedagógico de um curso de Licenciatura em Física de uma universidade pública: contribuições de licenciandos ao processo. Revista Ensaio , Belo Horizonte, v. 14, n. 3, p. 217-235, set./dez. 2012.

CARVALHO, A. M. P.; GIL PÉREZ, D. O saber e o saber fazer do professor. In: Castro, A. D. Ensinar a ensinar. 2014, Cengage Learning, p. 107-124.

MACEDO, C., C.; SILVA, L. F. Os processos de contextualização e a formação inicial de professores de Física. Investigações em Ensino de Ciências , v. 19, n. 1, p. 55-75, mar. 2014.

PARK, S.; OLIVER. S. Revisiting the Conceptualisation of Pedagogical Content Knowledge (PCK): PCK as a Conceptual Tool to Understand Teachers as Professionals. Research in Science Educacion , v. 38, n. 3, p. 261-284, 2008.

SHULMAN, L. S. Knowlege and Teaching: Foundations of the new Reform. Harvard Educacional Review , v. 57, n. 1, p. 1-22, feb. 987.

SHULMAN, L. S. Those who Understand: Knowledge Growth in Teaching. Educacional Researcher , v. 15, n. 2, p. 4-14, feb. 1986.

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