Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

A OBSERVAÇÃO DO CÉU COMO UM OBJETO DE ENSINO: O QUE DIZ A PESQUISA EM ENSINO DE CIÊNCIAS

Tassiana Fernanda Genzini De Carvalho, Jesuína Lopes De Almeida Pacca

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XVI
Ano
2016
Data
07/09/2016
Linha de pesquisa
Didática, Currículo E Inovação Educacional No Ensino De Física/Políticas Públicas Em Educação E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do EPEF 2016

Texto completo

## A OBSERVAÇÃO DO CÉU COMO UM OBJETO DE ENSINO: O QUE DIZ A PESQUISA EM ENSINO DE CIÊNCIAS

## SKY OBSERVATION AS A TEACHING OBJECT: WHAT SAYS THE SCIENCE TEACHING RESEARCH

## Tassiana Fernanda Genzini de Carvalho , Jesuína Lopes de Almeida Pacca 1 2

1 Universidade de São Paulo/ Pós-Graduação Interunidades em Ensino de Ciências/ tassiana@usp.br 2 Universidade de São Paulo/ Instituto de Física / jepacca@if.usp.br

## Resumo

Entendendo que existe uma demanda curricular para a inserção do ensino de astronomia nas práticas escolares da educação básica, fizemos uma busca nos principais eventos de ensino de física e ciências - Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF), Encontro Pesquisa em Ensino de Física (EPEF) e Encontro Nacional de Pesquisadores em Educação em Ciências (ENPEC) - entre os anos de 2003 e 2015, visando identificar os trabalhos que abordassem, de alguma maneira, a temática da observação do céu. Consideramos como observação do céu práticas noturnas e diurnas, com ou sem instrumentos ópticos, podendo até serem realizadas por meios indiretos, com a utilização dos softwares. Foram consideradas práticas realizadas em espaços de educação formal, não-formal e também na formação de professores. Encontramos 161 trabalhos que foram caracterizados, a partir do referencial da Teoria da Atividade, de acordo com seus objetivos em: ações, reflexões sobre a prática, desenvolvimento de conceitos e condições. Pretendemos, com isso, entender como é que a pesquisa, representada pelos artigos dos eventos, está contribuindo para que a observação do céu se constitua como um objeto de ensino; entendemos aqui que a ação de observar o céu deva ser apropriada pelos sujeitos, como instrumento para leitura dos fenômenos celestes e compreensão do universo e da relação homem-mundo - conhecimentos acumulados na história da humanidade e que foram se modificando e modificando essa relação. O resultado encontrado é que embora existam muitas pesquisas, com diferentes sugestões de práticas que poderiam ser incorporadas pelos professores, e presentes na demanda curricular. Entretanto, as pesquisas não têm sido suficientes para que a observação do céu se estabeleça como um objeto de ensino.

Palavras-chave : Observação do céu; Artigos de eventos; Teoria da Atividade; Ensino de astronomia.

## Abstract

Since we understand that there is a curricular demand for the introduction of Astronomy teaching in basic education school practices we made a search in the main Physics and Science teaching events - Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF), Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF) and Encontro Nacional de Pesquisadores em Educação em Ciências (ENPEC ), from 2003 to 2015, in order to identify papers that could in some way deal with the sky observation. We treat as sky observation those night or day activities, with or without the use of optical

instruments and even those activities performed with virtual means, using softwares. We included activities that took place in education formal or informal spaces and also in the formation of teachers. We found 161 papers that were classified from the Activity Theory reference frame, acording to their objectives in: actions, reflexions about the practice, conceptions about the development of concepts and conditions. We aim to understand in what way these event papers are contributing for sky observation to be considered as a teaching object. We understand here that the action of sky observation must be appropriated by subjects as a means to observe the sky, as an instrument for understanding celestial phenomena, the Universe and the man-world relation - a knowledge that has been accumulated in humanity history and has been changing and changing this relation. The practical result we found is that there are a lot of investigations with several suggestions of practices that could be incorporated in curricular demands. However the investigations have not been successful to establish sky observation as a teaching object.

Keywords : Sky Observation; Work events; Activity Theory; Astronomy Education

## Introdução

Embora o ensino de Astronomia no Brasil deva anteceder a chegada dos Portugueses, porque há registros de que os índios já utilizavam a astronomia e passavam esse conhecimento através das gerações, a pesquisa sistematizada em ensino de astronomia é bastante recente, podendo dizer que data da década de 1970. Entendemos que a partir desse momento a comunidade de pesquisadores do ensino de ciências e de física entende a importância de que os conteúdos de astronomia cheguem às salas de aula.

A partir da década de 1960, os conteúdos de astronomia passaram a fazer parte do currículo de geografia e ciências da educação básica, o que não implicou que o assunto fosse tratado com profundidade nos cursos de formação inicial de professores. Talvez por isso, a própria pesquisa tenha sido deixada de lado até a década de 1990, conforme indicam alguns dados de Bretones (2016), sobre a produção nacional de dissertações e teses, até 2015, em ensino de astronomia.

- É possível perceber um aumento significativo principalmente a partir da década de 1990, muito provavelmente por conta da nova demanda de conteúdos de astronomia estar presente nos Parâmetros Curriculares Nacionais. A partir daí temos um aumento acentuado das produções, indicando que tem crescido o número de pesquisadores na área. Especialmente de 2008 a 2011, um dos fatores que pode ter contribuído para este aumento é o fato de 2009 ter sido considerado pela ONU o Ano Internacional da Astronomia, o que gerou diversos encontros e discussões, que podem ter decorrido em produções.

As primeiras dissertações e teses de ensino de astronomia concentraram-se, especialmente, em discutir as concepções sobre conteúdos de astronomia. Essa tendência também pode ser observada nas publicações em eventos tanto nacionais como internacionais (FERREIRA e LEITE, 2012). Em um estudo sobre a temática da formação de professores, dentro da área de ensino de astronomia, as autoras Ferreira e Leite (2012), destacam que a maior parte desses trabalhos tratam da formação continuada, fazendo uma análise dos principais conteúdos de astronomia

propostos e das principais estratégias de ensino utilizadas na abordagem desses conteúdos.

Já Freitas et al. (2013) trazem relatos de pesquisas ligados ao ensino e divulgação em astronomia em espaços de educação não-formal, presentes em periódicos e eventos nacionais. Foram identificados 14 artigos que contemplavam a temática, entre 2003 e 2013. Uma das constatações do levantamento bibliográfico é que a produção está mais concentrada em eventos do que em periódicos da área de ensino de ciências. A maior parte dos trabalhos analisados aborda aspectos da relação entre a educação formal e não-formal sobre esse conteúdo.

Na pesquisa realizada por Bussi e Bretones (2013), foram identificados os trabalhos da temática educação em astronomia presentes nos ENPEC, de 1997 a 2011, seguido pela análise de suas características e da tendência percebida ao longo dos encontros. Dessa análise, destacamos que em 25% dos trabalhos, o foco temático fica em torno da discussão conteúdo-método. Além disso, em cerca de 52% dos trabalhos, o tema tratado é bastante geral, isto é, muito abrangente.

De qualquer maneira, podemos notar que há uma preocupação em se ampliar os espaços de discussão sobre o ensino de astronomia, seja em eventos específicos desta área, seja em eventos mais globais de ensino de física ou de ciências. Convivem dentre os trabalhos desses eventos os interesses de pesquisadores - com suas preocupações e intenções mais acadêmicas - e também dos professores - com suas preocupações e intenções mais voltadas para a prática e o currículo escolar. Dessa maneira, gostaríamos de entender se os artigos da área de ensino de astronomia podem contribuir para que a observação do céu possa constituir um objeto de ensino, isto é, para o qual as práticas de ensino dos professores possam tratar propriamente o conteúdo desse laboratório a céu aberto.

## Marco teórico: a Teoria da Atividade

A psicologia soviética, do início do século XX, estava interessada na superação da psicologia tradicional, entendendo que o desenvolvimento humano, ao longo de sua história de existência, foi deixando de ser regido pelas leis biológicas e passou a ser determinado pelas leis sócio-históricas, isto é, as aquisições e modificações humanas não são transmitidas hereditariamente pelo material genético, mas, principalmente através da transmissão de geração em geração via a cultura, fixada (ou cristalizada) nos objetos dessa cultura, sejam eles materiais ou ideais.

Segundo Leontiev (1983, p. 15), ao introduzir o conceito de atividade, Marx preocupou-se em lhe dar um sentido materialista, onde a atividade, em sua forma inicial e principal é a atividade prática sensitiva, mediante a qual as pessoas entram em contato prático com os objetos do mundo circundante, experimentam em si sua resistência, influenciam sobre eles, subordinando-se a suas propriedades objetivas. Para a psicologia, podemos pensar num novo esquema trinomial: que mantém a base conhecida (sujeito-objeto) e como intermediária a atividade do sujeito, sendo essa a base da Teoria da Atividade.

Pela sua atividade, os homens não fazem senão adaptar-se à natureza. Eles modificam-na em função do desenvolvimento das suas necessidades. Criam os objetos que devem satisfazer as suas necessidades e igualmente os meios de produção destes objetos, dos instrumentos às máquinas mais complexas.

Constroem habitações, produzem as suas roupas, e outros bens materiais. Os progressos realizados na produção de bens materiais são acompanhados pelo desenvolvimento da cultura dos homens; o seu conhecimento do mundo circundante e deles mesmos enriquece-se, desenvolvem-se a ciência e a arte. (LEONTIEV, 1978, p. 265).

Dessa maneira, podemos entender por atividade os processos psicologicamente caracterizados por aquilo a que o processo, como um todo, se dirige (seu objeto), coincidindo sempre com o objetivo que estimula o sujeito a executar esta atividade, isto é, o motivo (LEONTIEV, 1988, p. 68). Quando o motivo não coincide com seu objeto, mas tem alguma relação com ele, caracterizamos como uma ação dentro da atividade.

A relação entre atividade e ação é a transformação em que uma pode se tornar a outra, conforme o motivo pode mudar a sua direção, e assim, surgem novas relações com a realidade, quando ocorrem mudanças na atividade principal e que marcam a passagem de um estágio do desenvolvimento para outro. Para que uma ação surja é necessário que seu motivo seja percebido com relação ao motivo da atividade a qual ela pertence. A ação pode ter diferentes sentidos para os sujeitos e a interpretação que o sujeito dá aos fenômenos ocorre em conexão com a sua atividade e seus atos são moldados dentro do círculo estabelecido de relações.

Embora um objetivo possa, na consciência do sujeito, se manifestar como abstrato numa situação, suas ações não podem ser abstraídas do objetivo, e nesse aspecto a ação apresenta um aspecto intencional, mas também operacional. A tarefa é que determina as operações de uma ação. A operação aparece ao sujeito, inicialmente como uma ação, isto é, dirigida a um objetivo, no entanto, ao longo do desenvolvimento ela vai se tornando automatizada.

Por operação, entendemos o modo de execução de um ato. Uma operação é o conteúdo necessário de qualquer ação, mas não é idêntico a ela. Uma mesma ação pode ser efetuada por diferentes operações e, inversamente, numa mesma operação podem-se, às vezes, realizar diferentes ações: isso ocorre porque uma operação depende das condições em que o alvo da ação é dado, enquanto uma ação é determinada pelo alvo. (LEONTIEV, 1988, p. 74)

Outras mudanças acontecem no campo das operações, que é o modo de execução de uma ação, e estão ligadas às condições. Para que operações conscientes se desenvolvam é preciso que elas se formem como ações, e mais tarde ela até pode adquirir a forma de um hábito automático. E por fim, outro grupo que marca o desenvolvimento da psique são as funções psicofisiológicas, isto é, a reflexão psíquica da realidade - são as sensações, experiências emocionais, fenômenos sensoriais e memória.

Entendendo que a atividade é um processo de aquisição também dos conhecimentos desenvolvidos ao longo da história da humanidade, devemos então entender que a aquisição de conhecimentos não se dá por um processo espontâneo, mas principalmente quando o sujeito entra em atividade de estudo. Por outro lado, quando isso se dá durante a idade escolar, espera-se que essa atividade de estudo esteja vinculada a atividade de ensino do professor, numa unidade caracterizada por Moura et al. (2010) como Atividade Orientadora de Ensino (AOE). Ao professor cabe propor ao estudante situações desencadeadoras de ensino, em que os estudantes possam se aproximar de seu objeto de conhecimento.

## A análise dos eventos

Neste trabalho realizamos a análise dos últimos trabalhos apresentados em três eventos nacionais: o Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF); o Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF); e, o Encontro Nacional de Pesquisadores em Educação em Ciências (ENPEC). O período considerado para a busca se deu de 2003 a 2015 para o SNEF e ENPEC e de 2004 a 2014 para o EPEF.

Os eventos escolhidos para análise deste trabalho são eventos já reconhecidos, tanto pelos professores quanto pelos pesquisadores da área de ensino de ciências. O SNEF e o EPEF são organizados pela Sociedade Brasileira de Física (SBF) e acontecem a cada dois anos, alternando-se. Os eventos se diferenciam essencialmente por conta de seus objetivos: enquanto o SNEF traz os relatos de pesquisa e experiências, e tem como público alvo, principalmente, os professores de Física da educação básica, o EPEF é um encontro de relato de pesquisas, cujo público alvo são os pesquisadores da área de ensino de física. Mais ou menos na mesma linha do EPEF, temos o ENPEC que contempla o ensino de ciências, e também é um evento bienal, promovido pela Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC).

Para realizarmos as buscas por trabalhos selecionamos, primeiramente, aqueles que tivessem no título ou nas palavras-chave o termo 'observação do céu', o que nos resultou em pouquíssimos artigos. Decidimos refazer as buscas por trabalhos que tivessem no título ou nas palavras-chave o termo 'astronomia', e entendendo que esta busca nos retornou uma quantidade grande de artigos, procuramos então, no corpo do texto, referências à observação do céu. Foram considerados diferentes perspectivas para observação do céu, como por exemplo, observações do céu diurnas e noturnas, com ou sem instrumentos, e observações indiretas, como aquelas realizadas por meio de softwares. A partir disso, consideramos sequências didáticas que incluíam observações do céu, análise de pesquisas e currículos que mencionassem observação do céu, ou ainda, relatos de espaços de educação não-formal que a contemplassem de alguma maneira. A distribuição total dos arquivos está representada na tabela abaixo:

Tabela 1 - Distribuição dos artigos sobre observação do céu por evento

Para representar a quantidade de artigos encontrados por ano, e analisarmos a curva de crescimento das publicações sobre o ensino de astronomia que contemplem observação do céu - temos as seguintes distribuições:

<!-- image -->

<!-- image -->

Gráfico 1 - Análise da quantidade de publicações no período analisado por evento

<!-- image -->

As comunicações nos ENPECs e nos SNEFs mostram uma mesma característica ascendente referentes ao ensino de astronomia. A curva dos EPEFs mostra uma discrepância no ano de 2011, que podemos entender porque nesse ano a SBF organizou o 'Encontro de Física', que reuniu todos os encontros de suas grandes áreas de pesquisa - inclusive o EPEF. Excepcionalmente, em 2011, os participantes do EPEF que quiseram apresentar seus trabalhos puderam submetê-lo no formato de resumo expandido com três páginas o que pode ter facilitado a concorrência de mais autores pesquisadores.

Afim de conseguirmos entender de que maneira as pesquisas em ensino de astronomia podem contribuir para constituição da observação do céu como um objeto de ensino, escolhemos caracterizar as pesquisas encontradas nos eventos, tomando como referência a própria Teoria da Atividade. Desta maneira, classificamos os trabalhos em ações, reflexões sobre a prática, desenvolvimento de conceitos e condições.

## · Ações

Os trabalhos enquadrados dentro desta categoria são aqueles que pretendem descrever propostas didáticas, de uma ou mais aulas, que possuam o objetivo de ensinar conteúdos de astronomia. O critério para seleção do artigo foi que uma das atividades, pelo menos, deveria ser direcionada a observação do céu, dentro da perspectiva aqui tratada. No caso de propostas para o ensino formal, elas visavam o ensino de algum conteúdo de astronomia. Já no caso da formação de professores, são propostas, em geral, de cursos de formação continuada, que visam o aprimoramento e a discussão do tema para que o professor possa elaborar suas atividades didáticas. E no caso do ensino não-formal, são propostas que visam a divulgação científica.

## · Reflexões sobre a prática

Um aspecto bastante importante para as pesquisas é a identificação dos comportamentos fossilizados para a tomada de consciência sobre eles. Nesse sentido, muitas pesquisas investigam diversos aspectos sobre as práticas, tanto no espaço formal, quanto na formação de professores e no espaço não-formal. Boa parte dessas pesquisas, caracterizam as concepções dos estudantes com relação aos conteúdos de astronomia, ou também dos professores. Nessa mesma perspectiva é possível encontrar trabalhos que caracterizam outros tipos de concepções, como por exemplo, com relação à formação e às práticas dos professores, ou ainda pesquisas que tentam mapear os interesses dos estudantes.

Existem também algumas pesquisas que investigam os conteúdos dos livros e materiais didáticos, dos currículos da educação básica, dos vestibulares ou ainda dos cursos de formação de professores. Há também aquelas que fazem um levantamento do estado da arte sobre o ensino de astronomia, seja em eventos, dissertações e teses ou em periódicos.

Já no espaço não-formal, essas pesquisas se preocupam em caracterizar quais as concepções prévias dos visitantes, ou ainda o perfil e os interesses dos visitantes, ou sobre a formação dos monitores e sobre as práticas desses espaços, como os planetários, observatórios, centros de ciências e mostras itinerantes.

## · Desenvolvimento de conceitos

Embora muitos dos trabalhos caracterizados como 'desenvolvimento de conceitos' também apresentem propostas de sequências didáticas que visam o ensino do conteúdo de astronomia, o foco desses artigos estava nesse segundo aspecto - no ensino do conteúdo - e não na sequência de propostas, em si. Muitos discutem sobre a sequência linear e o encadeamento lógico de propostas para se objetivar o ensino de um determinado conteúdo de astronomia. Nesses trabalhos, muitas vezes, se avalia o conhecimento que o aluno ou visitante tinha antes e depois de se submeter à proposta, pelo mecanismo de pré e pós teste.

## · Condições

Poucos trabalhos foram encontrados que demonstrassem essa perspectiva - contexto didático educacional do ensino em curso. Nessa categoria, os artigos encontrados apresentavam uma proposta de material didático a ser desenvolvido e aplicado, o como fazer/montar/elaborar o material, com preocupação essencialmente bastante descritiva.

## Resultados e considerações finais

De maneira geral, a maioria dos trabalhos classificados tratam de reflexões sobre as práticas. Nesse sentido, são perspectivas interessantes no sentido que podem fornecer aos leitores considerações sobre o cenário investigado, possibilitando assim a transmissão de conhecimentos dentro da área de ensino de astronomia e a tomada de consciência sobre as práticas dessa área.

Com relação aos eventos, essas categorias mostram que no SNEF a maioria dos trabalhos são categorizados como 'ações', o que parece fazer sentido, uma vez que a finalidade do evento está em compartilhar relatos de experiência entre professores e pesquisadores da área. Já no EPEF e no ENPEC, a maior parte das pesquisas foi caracterizada como 'reflexão sobre a prática', como também já era de se esperar e está de acordo com a natureza desses eventos. O quadro geral da distribuição dos artigos pelas categorias está abaixo:

Tabela 2 - Distribuição dos artigos nas categorias em cada evento

Com relação ao ensino de astronomia, é importante pensar que os artigos de eventos poderiam ser um elemento de mediação entre o interesse dos currículos e a prática dos professores. Sem dúvida, há uma série de questões que precisam ser tratadas também, como a falta de formação dos professores com relação aos assuntos de astronomia e também a falta de equipamentos e infraestrutura nas escolas. No entanto, os artigos oferecem uma grande variedade de propostas didáticas (ações), de propostas de elaboração de materiais didáticos (condições), com diferentes maneiras de serem desenvolvidas para se alcançar a aprendizagem de conceitos (desenvolvimento de conceitos) e além disso, com a possibilidade de se apropriar de conhecimentos já elaborados anteriormente tratando de reflexões sobre a prática.

Gostaríamos que a observação do céu fosse um desses objetos de ensino, e que os professores promovessem situações desencadeadoras, onde observar o céu pudesse permitir a apropriação de alguns dos conhecimentos desenvolvidos sobre ele, ao longo da história da humanidade. Algumas dessas situações já se encontram nos currículos, em alguns materiais didáticos e também em alguns artigos analisados. Mesmo assim, não tem sido suficiente para que se efetive como uma prática dos professores da educação básica, uma vez que não vemos, com frequência atividades no ensino de astronomia que incluam a observação do céu com a finalidade de se ensinar alguma coisa, superando a experiência emocional.

Acreditamos que as pesquisas poderiam se constituir como uma ponte entre diferentes interesses - dos pesquisadores e dos professores - entendendo que elas deveriam ser mais acessíveis aos professores. Acessíveis, aqui, não diz respeito à disponibilidade, porque todas elas podem ser encontradas na internet, sem maiores dificuldades. Na verdade, referimo-nos a necessidade de que os professores pudessem reconhecer nas pesquisas seus interesses e suas inquietações, e partir disso, pudessem tomar consciência da necessidade de modificar suas práticas.

## Referências

BRETONES, P.S. (2016). Disponível em: &lt;http://www.btdea.ufscar.br/estatisticas&gt;. Acessado em março de 2016.

BUSSI, B.; BRETONES, P.S.; Educação em Astronomia nos Trabalhos dos ENPECs de 1997 a 2011. In: Atas do IX Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências , ABRAPEC, Águas de Lindóia, 2013.

FERREIRA, F.P.; LEITE, C.; A formação de professores e o ensino de astronomia: estudo das teses e dissertações do Brasil. In: Atas do XVI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física , SBF, Maresias - SP, 2012.

FREITAS, R.A.; GERMANO, A.S.M.; AROCA, S.C.; Um estudo das pesquisas em ensino e divulgação de astronomia em espaços não formais de educação no Brasil. In: Atas do IX Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências , ABRAPEC, Águas de Lindóia, 2013

LEONTIEV, A. O desenvolvimento do psiquismo. Editora Livros Horizonte LTDA., Lisboa, 1978.

LEONTIEV, A. N.; Actividad, consciencia, personalidad. Cuba: Pueblo y Educación, 1983.

LEONTIEV, A. N.; Uma contribuição à teoria do desenvolvimento da psique infantil . In: VIGOTSKI, L. S., LURIA, A.R., LEONTIEV, A.N. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. Trad. Maria da Penha Villalobos. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1988, cap. 1, pp. 59 - 83.

MOURA, M.O.; ARAUJO, E.S.; RIBEIRO, F.D.; PANOSSIAN, M.L.; MORETTI, V.D.; A atividade orientadora de ensino como unidade entre ensino e aprendizagem. In: MOURA, M.O. (org.) A Atividade Pedagógica na Teoria Histórico-Cultural. Liber Livro, Brasília, 2010. Cap. 4, pp. 81 - 109.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.