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ESCASSEZ DE PROFESSORES E A MODERNIZAÇÃO DO ENSINO DE FÍSICA NA REGIÃO DA AMAVI: MAPEANDO PARA AGIR

Otávio Bocheco, Janice Pockszevnicki

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XVI
Ano
2016
Data
07/09/2016
Linha de pesquisa
Didática, Currículo E Inovação Educacional No Ensino De Física/Políticas Públicas Em Educação E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ESCASSEZ DE PROFESSORES E A MODERNIZAÇÃO DO ENSINO DE FÍSICA NA REGIÃO DA AMAVI: MAPEANDO PARA AGIR

## THE LACK OF TEACHERS AND MODERNIZATION OF PHYSICS TEACHING IN THE AMAVI REGION: MAPPING TO ACT

Otávio Bocheco 1 ; Janice Pockszevnicki 2

1

- Instituto Federal Catarinense/Licenciatura em Física/o.bohceco@ifc-riodosul.edu.br 2 Instituto Federal Catarinense/Licenciatura em Física/janipocks@gmail.com

## Resumo

O presente trabalho realizou um levantamento a respeito do número de aulas de física e professores, habilitados ou não, que atuam nas escolas públicas estaduais dos municípios inseridos na Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (AMAVI). Tal estudo foi executado dentro de uma das ações do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) e servirá de referência para mapear a demanda de profissionais habilitados na região e para o planejamento de propostas de capacitação por parte do curso de Licenciatura em Física, ofertado no Instituto Federal Catarinense - Campus Rio do Sul. Além de suprir a demanda, uma das missões do curso supracitado é a modernização do ensino de física na região, através do suporte e capacitação. Para a coleta dos dados foram utilizados telefone, e-mail e visita in loco , em contato direto com as escolas. O levantamento demonstra uma escassez de professores licenciados e uma grande quantidade de professores não habilitados, atuando nas salas de aula de física da região da AMAVI. Isto intensifica a importância em se ofertar um curso de licenciatura em física, a fim de suprir necessidades locais. Além disso, conclui-se que, para o cálculo da demanda de mercado na região, os documentos que legislam sobre a contratação de professores para a atuar no magistério catarinense exigem um cruzamento de dados entre o número de escolas, aulas de física disponíveis e até mesmo a distância entre as unidades escolares. Numa segunda etapa da pesquisa pretende-se o refinamento dos dados coletados.

Palavras-chave : PIBID, políticas públicas, escassez de professores

## Abstract

This work conducted a survey on the number of Physics classes and Physics teachers, qualified or not, working in public schools of the municipalities participating in the Associação de Municípios do Alto Vale do Itajaí (AMAVI). This study was performed as one of the actions of the Institutional Program of Initiation to Teaching Grant (PIBID) and will help as a reference to map the demand for qualified professionals in the region and for the planning of teacher training proposals by the Physics Graduate course at the Instituto Federal Catarinense - Campus Rio do Sul. In addition to supply the demand of teachers, one of the missions of the course is the modernization of Physics education in the region through support and training. For data collection, phone, email and on-site visit were used to contact directly the schools. The study shows a shortage of qualified teachers and a lot of non-qualified

teachers working in physics classes of the AMAVI region. This intensifies the importance of offering an undergraduate course in Physics, in order to meet local needs. Moreover, it is concluded that for the calculation of the market demand in the region, the documents that legislate on the hiring of teachers to work in Santa Catarina require a data crossing between the number of schools, physics classes available and even the distance between the school units. In a second stage of this research it is intended to refine the data collected, as well to create a system where the data is updated annually.

Keywords : PIBID, public policy, lack of teachers

## INTRODUÇÃO

A carência de professores licenciados para atuar nas disciplinas de matemática e ciências da natureza (Física, Química e Biologia) na educação básica vem sendo objeto de discussão, tanto em artigos acadêmicos como na mídia.

De acordo com Rabelo (2015) o Censo escolar 2013 registra, dentre os professores atuantes nas salas de aula do ensino médio regular brasileiro, formação adequada para 63,7% de matemática, 52,5% de biologia, 19,9% dos professores de física, 34,5% dos professores de química. Dentre os professores que atuam no ensino médio, este mesmo Censo, registaria um número considerável de docentes sem formação de nível superior (com escolaridade de até ensino médio completo), sendo 2.838 na disciplina de matemática, 2.581 na disciplina de biologia, 2.743 docentes na disciplina de física, e 2.580 na disciplina de química.

O estudo realizado por Rabelo (2015) aponta a disciplina de física com a pior situação enquanto adequação da formação dos professores, com predominância de licenciados em matemática na regência desta disciplina. Isto revela a dificuldade no atendimento à legislação do sistema de ensino e ainda evidencia o descasamento entre formação profissional e ocupação no mercado de trabalho.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB/96) estabelece que, para atuar no ensino médio, o professor deve ter diploma de ensino superior com licenciatura específica. Dessa forma, profissionais graduados em engenharia, matemática e/ou áreas afins, não estariam habilitados a ministrar aulas de física. Para além da legalidade, mesmo que estes profissionais dominem o conteúdo de física, não foram habilitados a lidar com situações específicas ao ensino deste conteúdo, tampouco, promover um ensino de física moderno, tangente aos objetivos preconizados em documentos oficiais que norteiam a educação brasileira, como a LDB (BRASIL, 1996), Diretrizes Curriculares Nacionais (BRASIL, 2013), Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1999) e Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (BRASIL, 2006). Tampouco transpor para a sala de aula os relevantes resultados oriundos de pesquisas, teóricas ou empíricas, publicados na área de ensino de física.

Ainda em relação à escassez de professores habilitados, Pinto (2014) revela que o número de licenciados formados entre 1990 a 2010 seria suficiente para atender a atual demanda por docentes em nosso país. No entanto, o desinteresse desses profissionais em seguir a carreira docente seria a origem desta demanda no mercado de trabalho. Para o autor, uma das atratividades da carreira docente seria o salário, porém não é o que ocorre na prática.

No entanto, somente melhores salários, talvez, não resolva o interesse pela profissão. De acordo com Basso (2012, p.1) '[...] educadores atribuem o desinteresse aos baixos salários dos professores, ao estresse da profissão e à dificuldade intelectual de alguns cursos de graduação'. Portanto, um plano de carreira atrativo envolveria salários decentes e condições de trabalho compatíveis com a difícil tarefa de ensinar e complementar a educação dos jovens brasileiros.

De olho na demanda por professores licenciados, em 2008, o governo federal cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, através da lei 11.892 (BRASIL, 2008). De acordo com esta Lei, os Institutos Federais são instituições de educação superior, básica e profissional, pluricurriculares e multicampi, especializados na oferta de educação profissional e tecnológica nas diferentes modalidades de ensino. Uma de suas finalidades é atender as crescentes demandas por formação profissional, com ênfase no desenvolvimento socioeconômico local, regional e nacional.

Quanto aos objetivos dos Institutos cabe destacar a oferta de cursos superiores de licenciaturas, com vistas na formação de professores para a educação básica, sobretudo nas áreas de ciências naturais e matemática. São definidos na lei supracitada que os Institutos garantam, no mínimo, 20% (vinte por cento) de suas vagas para atender estes cursos de licenciatura.

Atualmente, o Instituto Federal Catarinense (IFC) - Campus Rio do Sul oferta o curso de Licenciatura em Física, implantado desde 2011. São disponibilizadas 40 vagas anuais, via o Sistema de Seleção Unificada (SISU). O curso funciona em regime semestral, com aulas ocorrendo no período noturno. Conta com uma excelente estrutura física de salas de aula, laboratórios didáticos e um corpo docente formado por mestres e doutores.

Uma das principais missões do curso é suprir a demanda local por professores de física. Bem como oportunizar o aperfeiçoamento ou formação continuada dos docentes que já atuam nas salas de aula, proporcionando a modernização e/ou melhoramento do processo de ensino-aprendizagem de física.

Diante do cenário descrito, sobre a escassez de professores de física e a missão do IFC-Rio do Sul em suprir localmente tal demanda, além de propiciar a modernização das práticas do ensino de física, implantou-se uma pesquisa, com a intenção de mapear a situação do ensino de física nas escolas da região do Alto Vale do Itajaí, onde está localizada a cidade de Rio do Sul.

A pesquisa está sendo executada dentro de uma das ações do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) e foi dividida em duas etapas. Primeiramente, optou-se por mapear a provável demanda por professores de Física nas escolas da região supracitada, bem como a quantidade de professores habilitados e não-habilitados que estariam atuando nas salas de aula de física. Num segundo plano, a intenção é refinar estes dados com visitas in loco e buscar a categorização deste ensino de física praticado, bem como identificar a estrutura disponível aos docentes para o ensino desta ciência.

Tanto os dados da primeira quanto da segunda etapa serão referência para o planejamento de ações do grupo que coordena e mantém o curso de Física, ofertado no IFC-Rio do Sul.

Neste artigo são apresentados e discutidos uma preliminar dos resultados obtidos na primeira etapa.

## PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

A região do Alto Vale do Itajaí é formada por 28 municípios, conta com um total de 285 mil habitantes e sua representatividade efetua-se pela Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (AMAVI). Em termos educacionais, a representatividade administrativa da Secretaria Estadual de Educação é executada por 4 Gerências Regionais de Educação (GERED), além das Secretarias Municipais.

Os dados deste levantamento foram coletados em 2015, via contato direto com as escolas, através de e-mail, telefone e visita in loco . Por meio da página da Secretaria de Estado da Educação, obteve-se o endereço eletrônico e telefone de cada Instituição.

Primeiramente, enviou-se uma mensagem, via correio eletrônico, solicitando o número de aulas de física na escola, o número de professores habilitados em física dentro e fora da sala de aula e o número de professores não-habilitados em 1 física em sala de aula.

Não havendo retorno no caso de algumas escolas, realizou-se uma segunda tentativa, via telefone, onde os resultados foram imediatos. Mesmo assim, houve casos em que o telefonema não foi atendido ou o responsável pelas informações não estava apto para o atendimento. Desta forma, realizou-se uma terceira tentativa através de uma visita in loco para a coleta dos dados.

Foram consultadas 49 escolas que ofertam ensino médio, separadas administrativamente, por quatro Gerências de Educação (GERED) inseridas nos 28 municípios pertencentes a AMAVI.

## RESULTADOS E DISCUSSÂO

No total foram identificadas 790 aulas semanais, referentes à área de física no ensino médio. A distribuição destas aulas, número de professores habilitados e não habilitados, bem como o número de professores habilitados fora de sala de aula, por GERED, são apresentados nas Tabelas 1, 2, 3 e 4, logo a seguir.

Como o número de alunos que cursam o ensino médio constitui-se numa variante, com certeza, esse número total de aulas de física, coletado no início de 2015, apresentará certa flutuação de um ano letivo para outro. Devido a pretensão de monitoramento anual dos dados coletados , no futuro, será oportuno o cálculo de 2 um valor médio de aulas de física na região. Este dado, como veremos adiante, não define a demanda de mercado de trabalho para professores habilitados, no entanto, faz parte dos dados a serem considerados para tal façanha.

## TABELA 1 - GERED IBIRAMA

TABELA 4 - GERED TAIÓ

## TABELA 2 - GERED RIO do SUL

## TABELA 3 - GERED ITUPORANGA

M = Município

EEB = Escola de Educação Básica

NaF = Nº de aulas de Física semanais

PhSA = Profº habilitado em Física em Sala de Aula

PnhSA = Profº não-habilitado em Física em Sala de Aula

PhFSA = Profº habilitado em Física fora da Sala de Aula

Inicialmente, foram identificados 26 professores habilitados que atuam nas 3 salas de aula de física das escolas da região da AMAVI. No entanto, este número pode ser ainda menor, haja vista, que não foi possível identificar se os habilitados repetiam-se em mais de uma escola ou GERED. Este refinamento será atingido na segunda parte da pesquisa, quando, além da visita in loco , se possível, será executado um cruzamento de dados obtido com os contratos de trabalho que constam nas GEREDs.

De acordo com as aulas de Física disponíveis até então, constatou-se que apenas a GERED de Rio do Sul dispõe de um bom número de professores habilitados atuando em sala de aula, cerca de 70% dos professores, seguido da GERED de Taió, com aproximadamente 46,15%. Os professores habilitados da GERED de Ibirama atingem cerca de 30,8% e na GERED de Ituporanga verificou-se que apenas 18,2% dos professores que atuam em sala de aula possuem formação específica na área de Física.

Quanto a demanda de mercado, de acordo com as Leis 668/15 (SANTA CATARINA, 2015a), que regulamenta a contratação e estabelece o plano de carreira para efetivos no magistério catarinense, e 16.861/15 (SANTA CATARINA, 2015b), que regulamenta a contratação de ACTs, os docentes podem aderir jornadas de

trabalho de 10 horas, 20 horas, 30 horas e 40 horas semanais, correspondentes, respectivamente, a 8, 16, 24 e 32 horas-aula em sala de aula. Para os efetivos ou ACTs contratados no regime máximo de 40h (32 aulas), a legislação permite mais um contrato de 20h (16 aulas), ou seja, um professor de física com contrato no magistério catarinense pode chegar ao absurdo de 48 aulas em sala de aula, ministradas em uma ou mais unidades escolares, desde que não exceda um raio de 20 quilômetros.

Numa conta simples de guardanapo, divide-se as 790 aulas identificadas no levantamento pelas 48 aulas que os docentes podem atingir e chegar-se-ia, no mínimo, a 17 professores habilitados para suprir a demanda necessária a região da AMAVI. No entanto, este dado seria falso! Pois a extensão territorial e distância entre as escolas não permitiria que estes 17 profissionais satisfizessem o raio de 20 quilômetros, estabelecidos em lei. Além do que, pelo número de aulas disponível em cada escola, alguns professores teriam que ministrar aulas em mais de duas escolas, comprometendo totalmente a qualidade de ensino e o estado de saúde dos profissionais.

Mesmo que dividisse o número de aulas total de cada GERED por 48, ainda assim chegar-se-ia a um dado fora da realidade pois, provavelmente, não satisfaria o raio de 20 quilômetros. Com exceção da GERED de Rio do Sul, as outras três englobam municípios pertencentes, na sua maioria, a zona rural. Caracterizando distâncias mais extensas entre os municípios e escolas. Sem contar o problema que teríamos, novamente, com o fato do professorado ministrar aulas em mais de duas escolas ou até municípios.

Para chegarmos a um dado mais preciso de demanda de mercado de trabalho para o ensino de física na região da AMAVI, não há dúvida quanto a necessidade de um maior cruzamento de dados, perante o número de aulas de cada escola, as distâncias que as separam e o número e aulas por professor. Tarefa que já está sendo executada através do uso da ferramenta Google Maps . Através desta serão armazenados e atualizados os dados, bem como identificados, num mapa que cobre a região da AMAVI, a localização das escolas e suas respectivas distâncias.

Para o momento, diante do dados coletados na pesquisa poder-se-ia usar o critério de um professor habilitado em física por escola, para cálculo da demanda. Como foram consultadas 49 unidades escolares, a demanda seria este número. No entanto, além de superestimar a demanda, verifica-se pelas tabelas que a maioria das escolas (34) oferta menos que 20 aulas de física para contratação de professores. Este número de aulas geraria, por escola, contratos de no máximo 20h. Em termos salariais, pouco atrativo para os profissionais habilitados. Além do que, a distância entre muitas escolas é menor que os 20 quilômetros estabelecidos em lei, portanto, haverá diversas possibilidades para que profissionais habilitados sejam contratados no regime máximo de 40h e cumpram suas 32 aulas em duas unidades escolares.

Outra observação quanto a demanda de mercado é de que esta não está totalmente vinculada ao número de aulas. Pela Tabela 3, verifica-se que na GERED de Ituporanga, na escola EEB6 as 38 aulas de Física disponíveis são ministradas por um professor não habilitado, enquanto há um professor habilitado fora de sala de aula. Apesar de delicada, faz parte do magistério este tipo de situação. O funcionamento de uma escola depende da gestão, a qual gera cargos e funções exercidos por docentes, que, naturalmente, se afastam das salas de aula para

colaborar em outros setores. Além disso, os profissionais habilitados, conforme a lei, tem direito a se licenciar ou afastamentos para capacitação. O ideal seria que esta reposição se efetuasse mediante a contratação de professores habilitados, no entanto, atualmente, a escassez de profissionais licenciados em Física na região da AMAVI 4 não permite tal façanha. Isto demonstra que a demanda de mercado supera o número de profissionais habilitados disponíveis para as salas de aula. Como se fosse uma espécie de 'gordura' disponível ao mercado. O próprio IFC-Rio do Sul, que conta com um bom plano salarial na contratação de professores substitutos, em decorrência do licenciamento ou afastamento dos seus professores efetivos, encontra dificuldades para repor o quadro com profissionais devido à escassez de licenciados em física na região.

Ainda de acordo com as tabelas, é visível que a maioria dos professores que leciona as aulas de Física não são habilitados na área. Observa-se um total de 31 professores não habilitados perante 26 professores habilitados, em sala de aula.

Não há dúvidas que isto compromete a qualidade do ensino de física. É muito provável que um professor não habilitado opte por um ensino focado em aplicações de fórmulas e/ou definições matemáticas, com vistas a resolução mecânica de exercícios, onde, apenas, é ensinada uma física pela física . Longe de uma abordagem conceitual, contextualizada e com vistas a interdisciplinaridade, capaz de oportunizar aos estudantes estruturarem o pensamento físico através da linguagem matemática e transpor esta ciência para interpretação dos fenômenos presentes no seu entorno sócio-cultural.

## CONSIDERAÇÕES FINAIS

Estes dados reforçam e justificam a importância em manter a oferta e o investimento na formação de professores de física no IFC - Campus Rio do Sul. Mesmo diante da baixa procura pelo curso, bem como pela alta taxa de evasão. Índices condizentes com a realidade de outros cursos localizados em outras regiões do país, inclusive nas capitais dos estados brasileiros.

- O baixo incentivo à docência em geral, devido, principalmente, à falta de políticas públicas, como um plano de carreira decente para professores da educação básica estadual, onde há a maior demanda de mercado para os profissionais habilitados em física, contribui fortemente, em nosso entendimento, para a baixa procura por cursos de licenciatura em física, em especial, no campus Rio do Sul. Além disso, cursar uma graduação em licenciatura em física exige esforços que vão além de uma dedicação apenas aos horários de sala de aula.

Aliado aos fatores mencionados acima, o fato da maioria dos estudantes do ensino médio da região da AMAVI terem aulas de física com professores não habilitados, provavelmente, colabore com o desencanto e falta de interesse por esta ciência. Muitos estudantes, talvez, passem a acreditar que a física não passa de uma disciplina de cálculos e aplicações de fórmulas.

Lunkes e Rocha Filho (2011) identificam em suas pesquisas que os estudantes entram no ensino médio, sem expectativas elevadas, mas com gosto pelo ensino de ciências. No entanto, de acordo com suas pesquisas, saem dele

com baixo interesse pela carreira docente em física, impressionados pela ênfase da formulação matemática e restrita aplicação cotidiana dos conteúdos estudados. Os autores não fazem referência quanto aos profissionais que lecionaram a disciplina de física para os alunos entrevistados, no entanto, presume-se que as chances de se atingirem os mesmos resultados num cenário onde estudantes tem aulas de física com professores não habilitados sejam bem elevadas. Pesquisas futuras revelarão tal hipótese.

Conforme mencionado anteriormente, este trabalho apresenta apenas os resultados referentes a uma coleta inicial, a seguir serão refinados os dados, bem como estabelecido uma espécie de modelo que considere as variáveis inerentes ao cálculo da demanda de profissionais habilitados para a região da AMAVI.

Não está descartada, também, uma parceria mais intensa com as GEREDs,, a fim de um monitoramento mais intenso a respeito do ensino de física na região. Tal ação permitiria ao corpo de professores e pesquisadores do IFC trabalharem com problemas de pesquisa mais próximos ao chão de fábrica .

## REFERÊNCIAS

BASSO, M. Professores de áreas como Física e Matemática estão em extinção. O Sol Diário . Santa Catarina. 16 de setembro de 2012. Disponível em: <http://osoldiario.clicrbs.com.br/sc/noticia/2012/09/professores-de-areas-como-fisicae-matematica-estao-em-extincao-3887424.html>. Último acesso em 02/05/2016.

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BRASIL, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei 9.394 de 20 de dezembro de 1996.

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- \_\_\_\_\_\_, Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Currículos e Educação Integral. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica. Brasília: Ministério da Educação, 2013.

LUNKES, M. J.; ROCHA FILHO, J. B. A baixo procura pela licenciatura em física, com base em depoimentos de estudantes do ensino médio público do oeste catarinense. Ciência & Educação, v. 17, n. 1, p. 21 - 34, 2011.

- PINTO, J. M. R. O que explica a falta de professores nas escolas brasileiras? Jornal de Políticas Educacionais. N° 15 | Janeiro-Junho de 2014.

RABELO, R. P. Projeção da oferta de professores de matemática, física, química e biologia para educação básica no Brasil até 2028. Dissertação (Mestrado em Estudos populacionais e Pesquisas Sociais) - Escola Nacional de Ciências Estatísticas. Rio de Janeiro, 2015.

SANTA CATARINA, Lei Complementar 668 de 28 de dezembro de 2015a.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_, Lei nº 16.861, de 28 de dezembro de 2015b.

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